Sobre a adesão ao Concílio Vaticano II




Caros amigos,
Salve Maria!
 
O autor é Vigário Geral do Opus Dei e participou das conversações doutrinárias entre a Santa Sé e a Fraternidade SSPX. Publicado em cinco línguas no Osservatore Romano, evidentemente, ele é uma resposta aos últimos desdobramentos do acordo entre a Fraternidade S. Pio X e o Vaticano, que está em suspenso. Para recordar, esses foram as últimas declarações negativas sobre o acordo, que sairam em forma de indiscrições de padres de vários lugares do mundo,  e a entrevista de Dom Fellay, afirmando que o Preambulo Doutrinário é inaceitável na forma atual mas que, como o próprio documento prevê ajustes, foram pedidos esclarecimentos ao Vaticano.
 
O artigo do Monsenhor Ocáriz é deveras surpreendente!
 
SM
Lucia Zucchi

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Sobre a adesão ao Concílio Vaticano II 

Vaticano II: Documento sobre liturgia foi «bem acolhido» mas suscitou «incompreensões»

Primeira constituição conciliar pretendeu conduzir à «participação ativa e consciente» dos fiéis nas celebrações, diz bispo de Bragança-Miranda



Lisboa, 29 out 2011 (Ecclesia) – A primeira constituição do Concílio Vaticano II (1962-1965), sobre a restruturação das celebrações litúrgicas católicas, foi bem recebida mas causou desentendimentos na Igreja e perdeu o ímpeto inicial, considera o bispo de Bragança-Miranda.


“A reforma litúrgica” expressa no documento ‘Sacrosanctum Concilium’ (‘O sagrado Concílio’), de 4 de dezembro de 1963, “suscitou incompreensões e pôs a claro várias formas de incoerência”, assinala D. José Cordeiro, em artigo publicado na edição de hoje do semanário ECCLESIA.


O “movimento litúrgico” que nas décadas anteriores preparou o terreno para a renovação conciliar, através de “reformas lentas e amadurecidas”, também “não aconteceu na paz”, tendo provocado “discussões” e “ataques”, com bispos “céticos” a manifestarem “muitas reservas”, refere o doutorado em liturgia pelo Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, de Roma.


O bispo de 44 anos nota que a liturgia viveu, depois dos primeiros anos da reforma do Vaticano II, “uma fase de crise, dominada pela perda de entusiasmo, desencantada por não obter rapidamente os resultados que se esperavam em relação aos generosos esforços iniciais”.


“Os grandes princípios da renovação” foram “aumentar a vida cristã”, “adaptar as instituições eclesiais” aos tempos atuais, “promover a união dos cristãos (ecumenismo)”, propor a todas as pessoas “o convite de entrar na Igreja” e “realizar a nobre simplicidade e a clareza na brevidade dos ritos”, explica.


O consultor da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, do Vaticano, sustenta que a reestruturação “não pode limitar-se às cerimónias, aos ritos ou aos textos”, mas deve conduzir à “tão desejada participação ativa e consciente” dos fiéis nas celebrações, “felizmente aumentada depois do Concílio”.


“O sujeito da ação litúrgica é o povo de Deus”, realça o vogal da Comissão da Liturgia e Espiritualidade do episcopado português, que destaca como frutos da reforma “a valorização das Igrejas locais” e a “recentralização da Palavra de Deus [Bíblia] na liturgia”.


Em Portugal, o início do Movimento Litúrgico “pode datar-se no I Congresso Litúrgico Português, realizado em Vila Real de 17 a 19 de junho de 1926”, com o mosteiro de Singeverga e o Seminário Maior dos Olivais, em Lisboa, a assumirem-se como “centros importantes” da renovação.


Depois da encíclica “Mediator Dei”, assinada em 1947 pelo Papa Pio XII, “considerada a ‘Magna Carta do Movimento litúrgico’”, a etapa decisiva na reforma foi o Vaticano II, o primeiro concílio ecuménico a “tratar colegialmente o tema litúrgico em geral”.


“Quando o Beato João XXIII anunciou a convocação do Concílio não estava, certamente, nos seus pensamentos o tema litúrgico”, mas “cerca de 20%” das respostas aos inquéritos sobre as questões a abordar na assembleia “referiam-se à liturgia”, o que para D. José Cordeiro era “sinal do desejo de uma renovação”.


Em 1985, aquando do sínodo extraordinário dos bispos sobre o balanço dos 20 anos do Vaticano II, os participantes afirmaram que “a renovação litúrgica é o fruto mais visível de toda a obra conciliar”, e embora “tenha havido algumas dificuldades, em geral ela foi acolhida pelos fiéis com alegria e com fruto”.


RJM

Conservadores recusam documento sobre Vaticano II






Andrea Tornielli

É verdade que este preâmbulo doutrinal não pode receber a nossa aprovação, mesmo que esteja prevista uma margem para uma ´legítima discussão´ sobre alguns pontos do Concílio Vaticano II”, afirmam conservadores lefebvrianos.

“Quanto é a entidade dessa margem? A proposta que eu vou fazer nestes dias para as autoridades romanas e a sua resposta, por sua vez, nos permitirão avaliar as oportunidades que nos restam. Seja qual for o resultado dessa discussão, o documento final que for aceito ou rejeitado, será tornado público”.

KAROL WOJTYLA NO CONCÍLIO VATICANO II


Antecedentes Romanos
Karol Wojtyla (18.05.1920 – 02.04.2005) não se ausentava da Polónia, desde 1948, altura em que regressara de Roma, concluídos os seus estudos e o doutoramento na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino, conhecida por Angélicum. Durante a sua permanência como estudante em Roma, a figura principal da Faculdade de Teologia doAngélicum era o padre Reginald Garrigou-Lagrange (OP) (1877–1964), indiscutível mestre do neo-escolasticismo tradicional, exigente na sua filosofa e na sua teologia dogmática, participando das acesas controvérsias teológicas que deram origem à encíclica Humani Generis(12.08.1950) de Pio XII (1939-1958).
Garrigou-Lagrange interessava-se também pela mística, especialmente em São João da Cruz. Preocupado com a situação da Igreja no pós-guerra, tentou desenvolver uma nova espiritualidade sacerdotal para uma Europa pós-cristã. O padre Garrigou-Lagrange foi o orientador da tese de doutoramento de Karol Wojtyla, pela qual investigou o entendimento da Fé em São João da Cruz, intitulando-se Doctrina de fide apud S. Joannem a Cruce, ou seja, A Doutrina da Fé segundo São João da Cruz.
Na sua permanência em Roma, Wojtyla também viveu dois anos no Colégio Universitário Belga, onde o ambiente intelectual era ativo, repleto de argumentos sobre a “nouvelle theologie”, associada aos dominicanos Marie-Dominique Chenu (1895-1990) e Yves Congar (1904-1995) e aos Jesuitas Jean Danielou (1905–1974) e Henri de Lubac (1896-1991), os quais mais tarde deram um importante contributo ao Concilio Vaticano II.
Durante o verão de 1947, com a ajuda financeira do Cardeal Sapieha, Wojtyla e o seu amigo Starowieysti viajaram pela Europa: Paris, onde contactaram com os padres operários; Holanda, onde durante, dez dias, admiraram o vigor de comunidade eclesiais extremamente vivas e missionárias; Bélgica, onde durante um mês Wojtyla assumiu uma missão junto dos mineiros católicos, nas proximidades de Charleroi. No regresso a Roma passaram por Ars, recordando aí a vida exemplar do Santo Cura João Maria Vianney.

O Concílio, Experiência Única
Quando o Papa João XXIII (1958-1963) surpreendeu a Igreja e o mundo, no dia 25 de janeiro de 1959, ao anunciar a sua intenção de convocar um concilio ecuménico, Karol Józef Wojtyla era Bispo, titular de Ombi e Vigário Capitular de Cracóvia. Tinha sido consagrado Bispo aos 38 anos, no dia 28 de setembro de 1959, festa de São Vencaslou, patrono da Polónia.
Karol Wojtyla participou em todas as sessões do Concilio Vaticano II e referindo-se posteriormente à sua participação conciliar, sublinhava a grande «dívida» que tinha para com o Vaticano II, pois assumia um «significado único e irrepetível para aqueles que nela tomaram parte».
O Concilio Vaticano II proporcionou a Karol Wojtyla uma nova oportunidade de fazer a experiencia concreta da universalidade da Igreja.
Vindo duma nação eslava que se preparava para celebrar o milénio do seu batismo, viajava para Roma todos os Outonos para as sessões do Concílio que duravam dois meses.
Aí, encontrava-se com Bispos de todo o mundo, alguns dos quais oriundos de Igrejas com apenas cem anos e que debatiam com vigor e perspicácia o futuro do catolicismo.
Karol Wojtyla, vinculado incondicionalmente ao Romano Pontífice e à Cúria Romana, mantinha uma distância crítica face à tentação de ver só «Roma» como a Igreja.
A sua responsabilidade primordial mantinha-se em Cracóvia, Igreja Local de que era pastor. Por isso aproveitou a sua presença regular em Roma durante os quatro Outonos do Concilio para tratar de alguns assuntos referentes à Igreja da sua pátria, como beatificação do Irmão Alberto e da Irmã Faustina Kowalska.
A sua preparação para o Concílio
O bispo Wojtyla tinha respondido, em junho de 1959, à Comissão Pré-Preparatória do Concilio. Na sua resposta, introduziu questões: Qual é, perguntou, a condição humana nos nosso dias? O que esperam da Igreja os homens e as mulheres desta era?
A principal questão de todos os tempos, segundo ele, era a pessoa humana. Ao fim de dois mil anos de cristianismo, o mundo tinha uma pergunta a fazer à Igreja: «O que era o humanismo cristão e o que o distinguia de todos os outros humanismo presentes na modernidade atual? Qual seria a resposta da Igreja ao crescente desespero da modernidade [face] a cada e a toda a existência humana?».
Mais tarde, no Concílio, Wojtyla haveria de sugerir que sempre que o Padre se envolvia com o mundo da cultura ou do trabalho, teria de apresentar «o sagrado de modo adequado aos homens de hoje». Por isso, se requeria que os seminários não fossem «simplesmente escolas profissionais, mas sim verdadeiras academias» que preparassem os Padres para a missão de trabalharem com um crescente e bem instruído número de leigos.
Em outono de 1962, na primeira sessão do Vaticano II, o Bispo Wojtyla veio a participar numa controvérsia teológica sobre como deveria a Igreja entender a relação entre as fontes da revelação divina, ou seja, as Escrituras e a Tradição. Tratava-se de um tema com repercussões ecuménicas, pois segundo a reforma clássica, somente a Escritura é lugar da revelação de Deus. Wojtyla acentuou a autorrevelação de Deus nas Escrituras e na Tradição, pois o próprio Deus é a única fonte de revelação. Deste modo, aplicava-se o seu personalismo ao entendimento de Deus e à relação de Deus com o mundo.
Intervenção Conciliar
No dia 11 de outubro de 1962, devido à sua juventude e ao ministério eclesiástico que assumia, o Bispo titular de Ombi e Vigário Capitular de Cracóvia participou na abertura do Concilio Vaticano II, presidido por João XXIII, num lugar próximo da porta da Basílica de São Pedro, a 150 metros do altar-mor.
Quando na primeira sessão, os Padres Conciliares debateram a renovação da liturgia, Wojtyla fez uma breve intervenção que refletia a sua própria experiência pastoral. Segundo ele, o Ritual do Batismo revisto, devia insistir na obrigação dos pais e padrinhos instruírem a criança na fé.
No debate sobre a natureza e missão da Igreja, Wojtyla fez uma intervenção escrita, no qual propunha também que fosse dada uma noção de maior visibilidade à vocação laical.
Em consonância com a proposta do episcopado polaco, pediu que houvesse um documento conciliar referindo explicitamente a Virgem Maria. O Concilio rejeitou a proposta polaca, devido a razões teológicas e ecuménicas, incorporando a declaração sobre a Virgem Maria na Constituição Dogmática sobre a Igreja.
Na segunda sessão do Concilio, outono de 1963, Wojtyla interveio no debate sobre a Igreja como «Povo de Deus», sugerindo que esta imagem fosse descrita de forma sacramental, em analogia com a Encarnação de Cristo.
Defendeu também na segunda sessão que a causa final da Igreja era a Santidade. Assim, todos os batizados tinham uma vocação para a santidade, a qual não estava reservada aos religiosos e à hierarquia, mas a todos, a quem Cristo «santificou na verdade» para que pudessem ser «enviados … ao mundo» (Jo. 17, 18-19). Para Wojtyla, a santidade, à qual todos fomos chamados, é «uma partilha sublime na própria Santidade da Santíssima Trindade».
Na terceira e na quarta sessões, Karol Wojtyla participou não como Bispo Auxiliar jovem, mas como Arcebispo de Cracóvia.
Na terceira sessão, em outono de 1964, Wojtyla fez uma intervenção escrita, em nome do Episcopado polaco, referindo-se ao lugar que a virgem Maria deveria assumir na Constituição Dogmática sobre a Igreja.Não deveria figurar no último capítulo da Constituição, mas surgir de imediato ao primeiro capítulo, sobre «Mistério da Igreja». Como a virgem Maria alimentou o seu filho, deveria agora alimentar o Corpo Místico de Cristo.
Ainda na terceira sessão, o Arcebispo de Cracóvia foi quase forçado a intervir no debate sobre uma proposta de Decreto acerca do Apostolado dos Leigos. Para ele, a dignidade de todos os cristãos tinha a sua origem no Batismo e não no facto da sua participação em movimentos apostólicos, associações, irmandades, confrarias, entre outras. Neste sentido, recomendou um diálogo dentro da Igreja, entre clero e leigos.
Numa intervenção escrita, sobre a proposta do mesmo decreto, Wojtyla defendeu que a questão de um apostolado revalorizado para os leigos, não consistia em transforma-los em quase clérigos, mas em redescobrir a sua identidade  missionária radicada nos sacramentos da iniciação cristã, fazendo deles autênticos e válidos apóstolos na diversidade do mundo, como a cultura, a empresa, a escola, a política, a comunicação social, o trabalho, pois a sua especificidade reside na secularidade,
Wojtyla participou também no controverso debate sobre a liberdade religiosa, através de uma intervenção oral e duas intervenções escritas, contribuindo com a sua experiência polaca, de país inserido no condicionalismo comunista.
A contribuição mais importante dada pelo Arcebispo de Cracóvia ao Concilio Vaticano II foi a sua envolvência na elaboração da Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Moderno, o esquema XIII como foi chamado durante as primeiras três sessões do concilio. O referido esquema foi projetado pelo Papa João XXIII e por dois dos seus principais promotores, o Cardeal Leo-Josef Suenens (1904-1996), da Bélgica, um dos quatro moderadores do Concilio e o Cardeal Giovanni Battista Montini (26.09.1897-06.08.1978), de Milão, futuro Papa VI (1963-1978). O esquema surgiu entre a primeira e a segunda sessão do Concilio, procurando demonstrar que a Igreja vivia no mundo e desejava ter no seu coração lugar para as alegrias e esperanças, dores e sofrimentos de toda a humanidade.
Na altura em que a terceira sessão do Concilio se encontrava na sua quarta semana, em outubro de 1964, alguns membros influentes da Cúria Romana tentavam que o esquema XIII fosse retirado por completo da agenda do Concilio. Era necessário aproximar a Igreja do mundo moderno e ultrapassar a mentalidade de alguns eclesiásticos com as suas «lamentações sobre o estado miserável do mundo». A Igreja tinha uma proposta a fazer ao mundo moderno e devia anuncia-la com racionalidade e não com moralizações e exortações.
Na quarta e última sessão do Concilio, iniciado no dia 14 de setembro de 1965, começou a elaboração de um outro projeto do esquema XIII. Este último projeto de trabalho constitui os alicerces da Gaudium et Spes e foi elaborado em três longas sessões no inicio de 1965 por uma subcomissão. O Arcebispo Wojtyla participou ativamente em todas as três reuniões, no subgrupo onde se encontravam o Arcebispo Gabriel-Marie Garrone (1901-1994), o teólogo dominicano Yves Congar e os jesuítas Henri De Lubac e Jean Damielou.
O debate sobre a Gaudium et Spes teve início na quarta-feira, dia 22 de setembro de 1965. No dia 28 de setembro, terça-feira, o Arcebispo de Carcóvia proferiu o que alguns consideram o discurso mais memorável do Concilio, fazendo notar que a nova constituição pastoral era «mais uma meditação» do que a declaração de uma doutrina. A sua preocupação principal era a pessoa humana, considerada individualmente, na comunidade e no «plano de todas a criação».
O Concilio Vaticano II foi um amplo “pós-doutoramento” que marcou indelevelmente toda a vida daquele que veio a ser o Bem-aventurado João Paulo II.
( Marcação de texto por Marcel Ozuna, Campo Grande, MS)

FSSPX e ROMA : FRACASSO DOS COLÓQUIOS

O fracasso dos colóquios doutrinários com a Fraternidade São Pio X e a questão de um “ordinariato tradicional”

 

A Comissão Teológica da Fraternidade São Pio X no balcão do Santo Ofício

                                                                                                                 Pe. Carusi

Os colóquios doutrinários entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X – isso já não é  segredo para ninguém – estão longe de caminhar no sentido esperado. Os tons entusiastas se apagaram e as belas esperanças parecem definitivamente ultrapassadas, de um lado como de outro. Nos corredores do Vaticano, reapareceu uma expressão que não se ouvia há muito tempo: alguns dizem que “a Fraternidade é um cisma, eles estão fora da Igreja”. E, no entanto, depois de dois anos de discussões regulares, vai ser preciso encontrar uma maneira de sair disso com a cabeça erguida. As soluções possíveis não são muitas e aquela que parece a mais plausível é que, antes do verão, Roma proporá a Dom Fellay que assine um documento, assinatura que será acompanhada da proposta de uma estrutura canônica ideal: a de um ordinariato pessoal com isenção em relação aos bispos diocesanos.

As discussões já duram dois anos agora, mas os esclarecimentos doutrinários e magisteriais sobre o Concílio e o pós-Concílio não avançaram uma vírgula. Entre mil declarações, não se sabe nem mesmo, ainda hoje, se Dom Fellay já aceitou o Concílio, a fim de obter o levantamento das excomunhões: não somente a carta que pedia essa revogação da condenação – embora esta tenha sido acertada, de forma bilateral – nunca foi integralmente publicada, mas dois textos diferentes circulam ainda (sem que ninguém se escandalize disso). No primeiro texto, os quatro Bispos afirmam aceitar todos os Concílios até o Vaticano II, com certas reservas, enquanto na segunda versão, distribuída aos fiéis um pouco mais tarde, eles afirmam, ao contrário, reconhecer apenas os Concílios até o Vaticano I. Roma também não publicou até agora a versão oficial da carta em sua integridade, o que seria, no entanto, um bom ponto de partida para que as posições respectivas sejam conhecidas, sem mal entendidos. Mas no momento prefere-se – dos dois lados – falar de discussões doutrinárias “de alto nível”.

Foi a Fraternidade que pediu encontros doutrinários, dos quais deveria sair uma solução aos problemas criados pelo Concílio Vaticano II. De dois anos para cá, ela aposta na alta, ignorando as propostas de Roma, propostas que não eram tão inaceitáveis como se diz: a Fraternidade não quis se contentar com tornar-se um organismo canônico sui iuris com a liberdade de discutir teologicamente sobre certas dificuldades da teologia moderna (e sua influência sobre certos atos oficiais não infalíveis) e a faculdade de celebrar exclusivamente a “Missa gregoriana”. Não, ela pretendeu bem mais, ela quis que Roma se comprometesse no terreno teológico: a Sé de Pedro deveria ter mesmo reconhecido publicamente seus erros diante de seus inferiores, como condição prévia a qualquer eventualidade de um acordo prático. Assim, há dois anos, a Fraternidade alimenta a hostilidade entre seus próprios padres e fiéis, apresentando qualquer acordo que precedesse uma conversão de Roma como uma traição da Fé. Essa política levou a certos resultados – desejados ou não, não é nosso papel julgar – mas é um fato que em 2011 há na Fraternidade mais hostilidade a um acordo que em 2001, logo depois do Ano Santo.

Em 2009 apareceu o projeto dos colóquios doutrinários entre os dois partidos, como quando na Idade Média se afrontavam os partidários de Duns Scoto e os tomistas, mas desta vez, no maior segredo. A Fraternidade se apressou, no entanto, em lembrar que “sobre a verdade não se negocia: não haverá nenhum compromisso”. E ela escolheu seus representantes por um critério que parece mais o da rigidez austera que o da afabilidade diplomática… e os teólogos de Ecône atravessam então os Alpes, em várias ocasiões, para ajudar Roma a se converter. “Nós não vamos a Roma para fazer um acordo, pois não há acordo a fazer entre a verdade e o erro. Roma deve se converter. E quando ela se tiver convertido, aí os obstáculos a um acordo canônico terão desaparecido”. O próprio Dom Fellay nunca se distanciou claramente de tais declarações, cujos autores eram aqueles que ele tinha pessoalmente escolhido para discutir “respeitosamente” com a Sé Apostólica.

Roma, nesse momento, cedeu em relação a essa agenda e se engajou nesses debates teológicos, com intenções mais diplomáticas que científicas, compreende-se facilmente. A conseqüência, que todos podem agora constatar, é que o conjunto da problemática do rito tradicional, e da Tradição em geral, se concentrou sobre o único “caso” da Fraternidade São Pio X, em lugar de consistir em uma ajuda concreta para apoiar canonicamente os que estavam já reconhecidos… O que teria como conseqüência  encorajar, com isso mesmo, a Fraternidade a fazer um processo semelhante. Tal concentração do problema, no fundo,  é aliás menos exigente para Roma, que pode tratar a coisa como se fosse apenas uma desacordo com um grupo de cismáticos turbulentos. Dessa decisão, que traduz todo um estado de espírito, segue-se entretanto, do ponto de vista prático, um desequilíbrio completamente insensato, segundo o qual a ComissãoEcclesia Dei e juntamente todos os que dependem dela, no lugar de ser reforçada e confirmada em suas prerrogativas e sua autoridade,  encontrou-se reduzida a um simples órgão da Congregação para a Doutrina da Fé,  e cuja atividade parece se limitar a favorecer o sucesso dos encontros com a São Pio X, ou mais exatamente, com os mais intransigentes da Fraternidade. Entenda quem puder, mas o resultado é grotesco: toda a “questão tradicional” é hoje suspensa aos caprichos da ala dura da Fraternidade. E os bispos podem tranquilamente não se sentir implicados pelo problema, pois é preciso esperar, dizem eles, que Roma regule definitivamente essa questão.  Ao ponto em que o Osservatore Romano, por exemplo, se permita por em dúvida a ortodoxia dos institutos dependentes da Ecclesia Dei, jogando sobre esses – e sobre ela – o descrédito. A situação está portanto, hoje, ligada às futuras escolhas de Dom Fellay, que após haver desacreditado a solução prática, se encontra assim mestre da situação, bloqueando com isso o desenvolvimento de todos os “traidores” como eles dizem com desprezo, que escolheram se reportar a Roma e que assim naufragaram no terrível “pecado de acordismo”.

A situação, no fim das contas, é um pouco como a de certas guerras infames, em que os mercenários dão tiros de canhão, explodem pontes, ferem o inimigo e depois se retiram para a montanha, deixando os civis à mercê das inevitáveis represálias. A Fraternidade São Pio X atira para matar, de cima das muralhas de sua total independência diante de toda autoridade eclesiástica, em particular a dos bispos.  E seus altivos feitos de armas não tem outras conseqüências que as represálias sobre os Institutos Ecclesia Dei , os quais – devido à escolha que fizeram  – são afinal os únicos vulneráveis, para a maior alegria dos primeiros, que os observam do alto de suas fortalezas. Mas Roma temporiza, sem se preocupar em ajudar os seus, e as respostas são sempre as mesmas: “é preciso ter paciência”, “não é o momento de dar garantias canônicas aos Institutos Ecclesia Dei”… a urgência, para eles, está em outro lugar.

Estamos, portanto, no fim dessas discussões, dois anos passados. Houve conversações, textos e refeições quase simpáticas, mas, evidentemente, nenhuma solução. Nem uns nem outros se converteram. A Santa Sé queria de todo jeito que os textos do Concílio fossem interpretados à luz da Tradição, no sentido de uma evolução homogênea; os outros sustentam, ao contrário, que certas passagens são definitivamente heréticas (ou concedem eles, favens haeresim) e que é preciso, portanto, excluí-las do Magistério, e com elas todo o Concílio que as adotou. Esta seria uma condição sine qua non anterior a qualquer acordo: contentar-se em exprimir reservas teológicas, remetendo o julgamento final à Santa Sé – como fez o Bom Pastor – seria uma traição. Os conteúdos heréticos seriam numerosos, mas jamais uma lista de textos problemáticos foi exposta de maneira definitiva. No fundo, mesmo a Fraternidade sabe disso, os textos em questão pecam bem mais por suas ambigüidades do que por suas heresias. Mas para admiti-lo, seria preciso que eles aceitassem ser taxados de “liberalismo” por sua própria ala dura, segundo o vocabulário que eles mesmos adotaram, adaptando-o à situação.

O fim dos debates não trouxe, porém, nenhuma aproximação: os “romanos” deixam escapar que os teólogos da Fraternidade não tem nível para discutir e que sua formação neotomista os fossilizou nos anos 30. A acusação não carece certamente de fundamento, mas é uma forma um pouco rápida, rápida demais, para evitar de ter que enfrentar os verdadeiros problemas que afligem a Igreja há quarenta anos. Do lado de Ecône, acusam-se os teólogos romanos de estarem de tal forma impregnados de “Nova Teologia” que todas as suas fórmulas, mesmo as mais tradicionais, nunca são aceitáveis já que podem sempre esconder, sob termos acima de qualquer censura, noções traiçoeiramente modernistas… o que as torna tanto mais perigosas. Maneira desonesta igualmente de evitar toda verdadeira confrontação – mesmo que esse julgamento contenha algo de verdade – mas que lhes permite passar, com baixo custo, por defensores sem falhas da ortodoxia.

Chega-se, desta forma, a um impasse por ter pretendido obter uma solução “doutrinária”, em lugar de se contentar de pedir garantias realistas, para poder serenamente realizar o que Dom Lefebvre – de uma maneira bem mais sábia e ponderada – tinha definido como “a experiência da Tradição”. Quis-se fazer mais que o necessário, quis-se “converter Roma”. E agora que Roma não quer se deixar converter, chega-se à beira de uma ruptura, ruptura à qual se dará evidentemente o nome reluzente de “doutrinária”, mas que será, de fato, apenas o resultado de um grave erro de orgulho e de imprudência.

A Santa Sé vai propor, portanto, à Fraternidade um ordinariato pessoal (ou algo equivalente), para tentar sair desse impasse. Então ela deverá escolher, e terá somente duas alternativas, tanto uma quanto a outra melhores do que a terceira, que é aquela do equívoco contínuo.

No primeiro caso, a Fraternidade aceitará o estatuto canônico que lhe é proposto. Sem renegar as justas batalhas que conduziu no passado, ela deverá então definitivamente se separar de certa mentalidade sedevacantista ou galicana, e das tendências de “Pequena Igreja” que ela arrasta após si. Ela deverá também entrar em um novo estado de espírito, no qual os bispos diocesanos não devem ser sistematicamente tratados com desprezo, como se eles fossem automaticamente inimigos da Igreja, somente porque celebram a Missa de Paulo VI. Infelizmente, os últimos acontecimentos na França e as declarações desconcertantes de vários superiores da Fraternidade levam a crer que já é tarde demais para esperar essa mudança de tom. Como quer que seja, isso consistiria em aceitar o acordo prático, ou “canônico” se se prefere, mas em situação bem mais problemática que ontem, à força de ter puxado a corda em todos os sentidos.

Na segunda hipótese, a Fraternidade recusará as proposições do Soberano Pontífice, invocando uma explicação ideal: é impossível chegar a qualquer acordo doutrinário sobre os textos do Concílio. Mas então Dom Fellay deverá, por dever de justiça e por amor da verdade, assumir as responsabilidades de suas escolhas e reconhecer que tal acordo doutrinário – que na época Roma não tinha lhe pedido – fracassou e tornou, por causa de suas próprias exigências, a situação atual bem mais complexa do que era anos atrás. Tal escolha teria, ainda assim, um aspecto positivo: acabar com as ambigüidades e com a linguagem dúplice. Essa seria a posição mais coerente com os últimos posicionamentos no interior da Fraternidade, que após o anúncio de Assis III, da beatificação de João Paulo II e das declarações do Papa sobre o preservativo, gritam escandalizados e afirmam que a conversão exigida de Roma não se realizou. As coisas se tornariam, nesse caso, mais claras: aquele que quiser permanecer “romano” saberá finalmente o que fazer e não lhe restará outra alternativa que abandonar a Fraternidade às elucubrações sem fim de um zelo inoportuno. Roma dirá que a Fraternidade abandonou definitivamente a Igreja e já está se falando nos últimos dias, em Roma, de atitude cismática. Mas lamentar-se de um cisma não será fácil, quando de fato nunca se tornou possível, de maneira segura e serena, a experiência da Tradição, já que ela nem mesmo foi seriamente tentada com os organismos existentes. A fraqueza de Roma, é verdade, tornou-se crônica, ao ponto que uma norma aplicativa para o Motu Proprio, que deveria sair em janeiro de 2008, fará possivelmente sua aparição na primavera de 2011… mas ao mesmo tempo se esboçam faraônicos projetos de acordo com a ala dura da Fraternidade, quando não se consegue nem  mesmo defender aqueles que já realizaram tal acordo.  Quando se deixa expulsar de uma diocese um Instituto tradicional reconhecido, pela única razão de que um padre ousou ensinar um pouco de catecismo a algumas crianças; quando o “plano pastoral diocesano” prefere confiar uma paróquia a um grupo de leigos antes que a um padre de batina “porque esse seria assimilado aos lefebvristas”;  quando os grupos estáveis são submetidos a contínuas pressões e interrogatórios que os obrigam a adotar atitudes que eles não aceitam em consciência, a fim de obter (ou por medo de perder) uma “concessão” sempre instável – tudo isso no silêncio geral – fica cada vez mais difícil explicar a pais, a seminaristas e a padres que eles devem abandonar a posição, em certo sentido bem mais confortável e mais fácil, representada pela Fraternidade São Pio X.

Roma deve tomar a iniciativa e não mais aceitar a imposição de uma linha de conduta pelos planos de Dom Fellay. Não está se pedindo o impossível, pede-se apenas a possibilidade de fazer séria, tranqüila e livremente o que Dom Lefebvre chamava “a experiência da Tradição”. Que Roma dê ao menos essa possibilidade àqueles que querem fazê-lo, sob a autoridade do Papa! Aquele que quer combater pelo bem da Igreja é bem vindo: se a Fraternidade se sente envolvida, todos esperam, pela Igreja, seu apoio. Mas é o Vigário de Cristo, e ele apenas, que recebeu de seu Divino Fundador os instrumentos necessários para “salvar a Igreja” na crise que ela atravessa. E não há necessidade, para salvar o “navio que faz água por todos os lados”, daqueles que se acreditam indispensáveis. Mesmo em nosso dever de respeitar antes de tudo o primado da verdade, é sempre a Igreja que nos salva e não é para nós, por mais inflexíveis e puros que possamos ser, o papel de “salvar a Igreja”.
Quinta-feira, 31 de março de 2011

TRADUÇÃO: MONTFORT

VATICANO II: NEM RUPTURA NEM CONTINUIDADE A TODO CUSTO



Apresentados 3 novos livros de pesquisa sobre o Concílio


ROMA, quinta-feira, 31 de março de 2011 (ZENIT.org) – Às vésperas do cinquentenário do Concílio Vaticano II, foi realizada ontem, na Pontifícia Universidade Lateranense, um encontro promovido pelo Centro de Estudos sobre o Concílio Vaticano II, intitulado “Rumo ao 50º aniversário da abertura do Concílio. De Pio XII a João Paulo II”.
No ateneu romano foram apresentados três livros pelo Centro de Estudos: “A herança do magistério de Pio XII”, “A Igreja croata e o Concílio Vaticano II” e “João Paulo II e o Concílio. Um desafio e um dever”.
O reitor da Pontifícia Universidade, Dom Enrico Dal Covo, disse que “estes três livros contribuirão para um estudo mais aprofundado, e se inserem no que é o compromisso do centro de estudos”.
Ou seja, trata-se de “promover uma nova síntese interpretativa do Concílio Ecumênico Vaticano II, que possa superar a paralisia de interpretação ou hermenêutica parcial, seja de uma parte desequilibrada totalmente sobre a descontinuidade, seja da outra parte, que insiste na maneira única e unilateral na continuidade”.
Portanto, explicou o bispo, “trata-se de recuperar, com um paciente trabalho histórico de documentação, todos os elementos para poder ir além dessa paralisia”.
Os palestrantes foram: Philippe Chenaux, diretor do Centro de Estudos; Dom Bernard Arudura, presidente do Comitê Pontifício de Ciências Históricas; Dom Jure Bogdam, reitor do Pontifício Colégio Croata de São Jerônimo; Gilfredo Marengo, professor do Instituto João Paulo II; e foi lido um texto de Lubomir Zak, vice-decano da Faculdade de Teologia da Lateranense.
Philippe Chenaux disse que “os três livros, muito além dos documentos do Concílio Vaticano II, aprofundam nas fontes locais, como os textos dos padres e teólogos que participaram e conservaram os materiais”.
Isso porque os historiadores muitas vezes conceberam o Concílio como um evento, “mas ele não pode ser reduzido aos 16 documentos aprovados”; portanto, trata-se de “reconstruir um acontecimento histórico, considerando que existe um espírito do Concílio”.
A importância de Pio XII
Cheneaux lembrou que “ler o Concílio como uma ruptura com o passado” é errado como a “hermenêutica da continuidade”, fatos que se encontram na “diferença entre a escola belga” e aquela apegada somente “à letra dos documentos”.
Além disso, porque, do ponto de vista histórico, o Concílio “marca o fim da época da Contrarreforma sem negar a continuidade”, não tanto “porque os homens mudaram, mas o ponto de vista sobre eles”, disse.
Dom Ardura, por sua vez, aprofundou no segundo volume apresentado, que examina a relação com os países da Europa Oriental no Vaticano II, recordando as mudanças históricas, a civilização cristã, a Segunda Guerra Mundial, o comunismo e o período pós-guerra, eventos que levaram Pio XII a se interessar pela questão política e pela harmonia entre fé e cultura.
“Pio XII autorizou, na França, a criação de sacerdotes operários – indicou Arduini -, experiência suspensa em 1954, após o relatório do núncio em Paris, Roncalli”, mas depois permitiu a experiência com a criação da Prelazia da Missão da França.
No percurso histórico também vem a questão da evangelização e do convite aos fiéis a ser anunciadores do Evangelho; a ‘Lumen Gentium’ e o surgimento de conceitos históricos inovadores para a época, sem os quais hoje não se poderia pensar nas relações humanas.
Igreja do Leste
O vice-decano da Faculdade de Teologia, Lubomir Zak, destacou, no texto que foi lido, a contribuição da Igreja no leste europeu, particularmente a da Croácia, e alguns elementos, incluindo a situação política extrema que viviam e que, no entanto, conseguiram participar do Concílio; como, apesar das almas progressistas e conservadoras existentes, promoveram os ensinamentos do Concílio Vaticano II, de forma exemplar.
O vice-decano recordou, no texto, que, após o Concílio, foi verificada uma renovação e que reduzir o Vaticano II a uma ruptura com o passado “era um erro vulgar”.
O volume também mostra como, “com uma concepção positivista e ideológica, não é possível uma interpretação objetiva do Concílio nem uma interpretação eclesialmente compartilhada das suas profundas intuições”, porque “o Concílio foi um dom do Espírito”.
Dom Jure Bogdan, por sua vez, lembrou da participação da Igreja do leste europeu no Concílio e do início da ‘Ostpolitik’ vaticana; da situação da Hungria, Tchecoslováquia, Polônia e do diálogo da Igreja com o mundo contemporâneo.
Também recordou as pressões até o final dos anos 50 contra a Igreja, os seminários maiores e menores e a hierarquia eclesiástica. E como tentaram infiltrar na Igreja através do cavalo de Troia das associações profissionais de sacerdotes, controlada pelas autoridades comunistas.
O livro conta como participaram 28 bispos do Vaticano II, a maioria da Croácia, e suas intervenções nas sessões do Concílio. Também fala da influência do Concílio Vaticano II nos países vizinhos e da vontade de contribuir para a renovação conciliar.
O professor Marengo apresentou o seu volume, indicando que o método buscado foi o de “ter juntos dois registros para manter a distinção, quando fala o Papa e quando fala Karol Wojtyla, mas, ao mesmo tempo, cultivar a interpretação dos atos magisteriais e dos textos anteriores, que são da mesma pessoa e são bases sobre as quais o magistério se enraíza e extrai sua seiva”.
E como palavras tais como “evento, novo Pentecostes, renovação real da Igreja” são fundamentais e explicam como João Paulo II viveu e concebeu o Concílio. Para o Papa polonês, “mais que um ensinamento que deve permanecer na vida da Igreja, o Concílio é a novidade que ele chama de escola do Espírito Santo”.
“Por isso, no sínodo de 1985, ele quis dar a conhecer aos cardeais que não tinham participado do Concílio o espírito do evento.”
Os textos completos dos oradores serão publicados em breve no site da Universidade Lateranense.

UM NOVO SYLLABUS

Caríssimos
Salve Maria
Agora, na íntegra, a palestra proferida pelo Mons. Schneider, sobre o Vaticano II. Ele pede ao papa  um novo Syllabus em relação ao Concílio.  Vale a pena ler. Embora em italiano, é de facil entendimento. No final postei o Syllabus de Pio X, para  enten dimento deste célebre e tão atual documento.
Deus abençoe a todos.
Pe. Marcélo Tenorio
Il primato del culto di Dio come fondamento di ogni vera teologia pastorale. Conferenza tenuta a Roma il 17 dicembre 2010. L’autore è vescovo ausiliare di Karaganda

di Athanasius Schneider