Quem quer destruir a Ordem de Malta?

Malta-Brasao

Por Roberto de Mattei

Muito antes que as Nações tivessem chegado a estabelecer uma lei internacional; muito antes que tivessem podido forjar o sonho — ainda não realizado — de uma força armada comum para proteção da sã liberdade humana, da independência dos povos e de uma pacífica equidade nas suas relações mútuas, a Ordem de São João já havia reunido em uma irmandade religiosa e sob a disciplina militar, homens de oito ‘línguas’ diferentes, votados à defesa dos valores espirituais, que constituem o apanágio comum da Cristandade: a fé, a justiça, a ordem social e a paz.”

Essas palavras, dirigidas em 8 de janeiro de 1940 pelo Papa Pio XII aos Cavaleiros da Soberana Ordem Militar de São João de Jerusalém, dita de Rodes e depois de Malta, resumem as características da mais antiga das Ordens de Cavalaria, o único Estado soberano cuja bandeira ondulou no campo das Cruzadas. Uma ordem cujo carisma tem sido sempre o da “Tuitio fidei et Obsequium pauperum”[Defesa da fé e serviço dos pobres]. É imaginável que um Papa queira destruir essa instituição, glória da Cristandade? Infelizmente, é precisamente esta a impressão que se tem dos últimos acontecimentos relativos à Ordem de Malta.

O patrono da Ordem de Malta, o Cardeal Raymond Leo Burke

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Correspondência Romana ofereceu uma primeira reconstrução dos fatos em 24 de dezembro de 2016. Edward Pentin aprofundou e enriqueceu o cenário com novos detalhes no National Catholic Register de 7 de janeiro de 2017. O quadro, em resumo, é o seguinte: em 6 de dezembro, o Grão-Mestre da Ordem de Malta, Fra Matthew Festing, na presença de duas testemunhas, uma das quais era o cardeal- patrono Raymond Leo Burke [foto ao lado], pediu ao chanceler Albrecht Freiherr von Boeselager que renunciasse. Com efeito, tinha vindo à luz que o chanceler Boeselager, durante o período em que foi o Grande Hospitalário da Ordem, havia abusado de seu poder promovendo a distribuição de milhares de preservativos e contraceptivos, inclusive abortivos, em alguns países do Terceiro Mundo. Apesar da promessa de obediência que o liga ao Grão-Mestre, o Grão-Chanceler recusou-se a renunciar. Contra ele foi então iniciado um procedimento para suspendê-lo de todas as posições que ocupava.

Boeselager pediu ajuda à Secretaria de Estado do Vaticano, que nomeou uma comissão de inquérito para “recolher elementos susceptíveis de informar plena e rapidamente a Santa Sé” sobre o assunto. Em 23 de dezembro, o Grão-Mestre da Ordem definiu como “inaceitável” a decisão do Secretário de Estado, observando que a remoção Boeselager é um “ato de administração interna do governo da Ordem Soberana de Malta e, em consequência, recai exclusivamente na sua competência”. Com uma declaração subsequente de 10 de janeiro, o Grande Magistério reiterou a sua intenção de não cooperar com a comissão de investigação do Vaticano, “também a fim de proteger sua esfera de soberania com relação a iniciativas que se apresentam objetivamente (e, portanto, além das intenções, que são juridicamente irrelevantes) como visando questionar ou pelo menos restringir dita esfera”.

A iniciativa do Vaticano parece ter sido uma enorme gafe. O sistema jurídico da Ordem de Malta é regulado pela Constituição de 1997. O artigo 3º da Constituição, parágrafo 1, afirma que “a Ordem é sujeito de direito internacional e exerce funções soberanas”. Estas são: o Poder Executivo, representado pelo Grão-Mestre, assistido pelo Conselho Soberano; o Poder Legislativo, representado pelo Capítulo Geral; o Poder Judiciário, representado pelos Tribunais Magisteriais. A Ordem de Malta emite passaportes diplomáticos e possui escritórios extraterritoriais em Roma, onde oficialmente recebe os representantes de mais de cem países com os quais mantém relações de igual para igual.

Grão-Priorado da Ordem de Malta em Roma (Monte Aventino) [Foto PRC]

A Ordem tem relações privilegiadas com a Santa Sé, mas com plena autonomia. A Santa Sé nomeia um cardeal-patrono e a Ordem o seu embaixador, de acordo com as normas do Direito internacional. Como observa o Prof. Paolo Gambi, apesar de ser detentora da natureza religiosa própria às Ordens dependentes da autoridade eclesiástica, a Ordem tem uma posição muito peculiar, “gozando de uma autonomia quase única na cena eclesiástica e limitando o influxo dessa natureza aos membros que emitiram votos” (La soberana militar Ordem de Malta en el orden jurídico eclesial e internacional, Ius Canonicum, XLIV, n. 87 (2004), pp. 197-231). O artigo 4, parágrafo 6 da Constituição da Soberana Ordem de Malta é claro ao afirmar que “a natureza religiosa não exclui o exercício das prerrogativas soberanas relativas à Ordem enquanto sujeito de direito internacional reconhecido pelos Estados”.

A confirmação de tal status de direito internacional, inclusive em relação à Santa Sé, encontra-se no Anuário Pontifício, onde a Ordem é mencionada apenas uma vez, e não entre as Ordens religiosas, mas antes como uma das Embaixadas dos Estados acreditados junto à Santa Sé. A Constituição de 1997 também eliminou várias intervenções eclesiásticas previstas anteriormente, como a aprovação da Santa Sé para a validade da eleição do Grão-Mestre e o consentimento expresso dela para que a profissão solene de votos seja válida.

Fra Ludovico Chigi Albani della Rovere (1866-1951), Príncipe e Grão-Mestre da Ordem de 1931 a 1951

A competência da Santa Sé sobre a vida religiosa dos Cavaleiros diz respeito apenas àqueles pertencentes à primeira classe, os Cavaleiros de Justiça, que emitem, de forma solene, os três votos monásticos. Os membros da segunda classe, os Cavaleiros na Obediência, cuja promessa nada tem a ver com o voto de obediência dos Cavaleiros de Justiça, estão subordinados apenas aos seus superiores na Ordem. O ex-Grão-Chanceler Albrecht von Boeselager, casado e pai de cinco filhos, é um leigo que pertence à segunda classe, não dependendo de nenhum modo da Santa Sé. Além disso, os Cavaleiros de Justiça, que devem ser considerados “religiosos para todos os efeitos”(artigo 9 parágrafo 1 da, Constituição), não têm vida em comum e representam um unicum na vida da Igreja. Fra Ludovico Chigi Albani della Rovere (1866-1951), Príncipe e Grão-Mestre da Ordem de 1931 a 1951 [foto ao lado], após a morte de sua esposa (1898) pronunciou os votos religiosos como Cavaleiro da Justiça, mas continuou a viver no Palazzo Chigi [foto abaixo] (atual sé do Grande Magisteriado da Ordem), que até 1916 era propriedade de sua família, levando uma vida de grande senhor, como competia à sua condição.

Palazzo Chigi, numa gravura do séc. XVI

Naturalmente, a Igreja tem sobre a Ordem de Malta os mesmos direitos que tem em relação a cada Estado, quando estão em jogo questões que afetam diretamente a fé e a moral. O Papa, de fato, tem o direito e o dever de intervir em toda questão social e política relacionada com a consecução do fim supremo do homem, que é a vida eterna. Se, por exemplo, um Estado legitima as uniões sexuais contra a natureza, o Papa tem o dever de intervir, denunciando a grave violação da Lei divina e natural. E se a Ordem de Malta estiver promovendo a contracepção e o aborto, o Papa tem o dever de fazer ouvir sua voz. Hoje, pelo contrário, a Igreja se abstém de pronunciar-se sobre problemas morais que Lhe são próprios [a distribuição de preservativos], e intervém em questões políticas e administrativas que fogem de sua alçada [a suspensão do ex-Grão-Chanceler].

Christopher Lamb cita no Tablet de 5 de Janeiro uma carta enviada em 21 de dezembro a Fra Matthew Festing pelo Secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, na qual se nota que o Papa Francisco deseja que a remoção de von Boeselager não ocorra. “Como já expressei em minha carta anterior, de 12 de dezembro de 2016: sobre o uso e a difusão de métodos e meios contrários à lei moral, Sua Santidade pediu um diálogo sobre o modo pelo qual podemos enfrentar e resolver eventuais problemas. Mas ele jamais disse para exonerar ninguém!”.

Portanto, com relação àqueles que violam a lei divina e natural, o caminho é o do diálogo e da mão estendida. Para quem, pelo contrário, defende a fé e a moral católica, está pronta a vara do comissariado político e da comissão de inquérito.

O grupo de cavaleiros que faz coro com Albrecht von Boeselager representa a corrente secularista, que gostaria de transformar a Ordem de Malta numa ONG humanitária, enquanto a atual equipe dirigente representa a fidelidade às raízes religiosas da Ordem. Mas esse é, aliás, o seu grande pecado, ao qual se soma outro. Ao longo de nove séculos de história, a Soberana Ordem Militar de Malta nunca perdeu sua fisionomia aristocrática, cavalheiresca e soberana. Esta fisionomia representa a antítese do miserabilismo e do igualitarismo professados por aqueles que hoje governam a Igreja. O resultado é que se denuncia o clericalismo, mas se o aplica de fato, com desastrosas consequências. A truculenta intervenção da Secretaria de Estado em nome do Papa Francisco está de fato causando caos e divisões dentro da Ordem.

A Soberana Ordem Militar de Malta superou todas as vicissitudes ao longo de sua história. Durante dois séculos na Palestina, dois séculos em Rodes e dois séculos e meio em Malta, muitas vezes sua missão pareceu caducar. Mas a instituição sempre se reergueu, mesmo quando se alastrou pela Europa o turbilhão da Revolução Francesa e de Napoleão. Deve-se esperar que o Grão-Mestre Fra Matthew Festing e o Conselho Soberano que o assiste saibam resistir com firmeza às fortes pressões que estão recebendo nestes dias.

Bula Pontifícia Pie postulatio voluntatis, documento de 15 de fevereiro de 1113

Ninguém teria podido duvidar do amor ao Papado do Grão-Mestre Ludovico Chigi Albani, que na sua qualidade de Marechal da Santa Igreja Romana participou de três eleições pontifícias. No entanto, ele se opôs tenazmente a qualquer tentativa eclesiástica de ingerência na vida da Ordem. A Santa Sé devia reconhecer a natureza soberana da Ordem de Malta, “sem a interferência de outras autoridades seculares ou religiosas”, como recordou Bento XVI ao receber os cavaleiros, por ocasião do nono centenário da bula pontifícia Pie postulatio voluntatis [foto ao lado] de 15 de fevereiro de 1113, que reconheceu a Ordem e outorgou-lhe seus privilégios. Com este ato solene, disse o Papa Bento XVI, “Pascoal II colocava a recém-nascida ‘fraternidade hospitalar’ de Jerusalém, em homenagem a São João Batista, sob a tutela da Igreja, e a tornava soberana”.

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(*) Fonte: “Corrispondenza Romana”, 11-1-2017. Matéria traduzida do original italiano por Hélio Dias Viana.

Fonte: http://www.abim.inf.br/quem-quer-destruir-a-ordem-de-malta/#.WHd5JC0rLIU

Os acontecimentos da Véspera de Ano Novo europeia que a imprensa não contou

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Nota do tradutor: Ontem falávamos, ao traduzir a matéria sobre um incidente na Áustria envolvendo uma senhora cristã e um muçulmano, em um centro de refugiados, que o emblemático fato era a “ponta do iceberg”. Vemos por esta outra notícia que, não só a “ponta” já não é mais tão pequena como seus efeitos já se fazem sentir em diversas “embarcações”. O que, do conjunto, seja talvez a maior causa de indignação é o cinismo de uns guiando a (por demais) ignorância de outros. Neste e em muitos atos hodiernos já se faz nítida a cegueira e completa deturpação da realidade. Parece que os anjos nos cegaram e poucos, cada vez menos, são os que ainda conseguem ver a porta de saída.

Gaceta.es

5 janeiro, 2017

Gritos de ‘Alá é grande’ nas imediações da igreja mais antiga de Dortmund, incidentes e presença policial… A grande notícia é que não tenha sido notícia: isso diz mais do estado da Europa que cem capas nos periódicos mais prestigiosos do continente. 

Carlos Esteban/ La Gaceta

Tradução Frei Zaqueu

A primeira vez, o ano passado, Governo, polícia e grandes meios se conjuraram na Alemanha em uma intensão de ocultar que, durante as celebrações de rua de Véspera de Ano Novo em várias grandes cidades do país, tinham sido cometidos centenas de delitos sexuais protagonizados pelos recém chegados -os supostos ‘refugiados’ procedentes do Oriente Médio e da Alemanha que tão amavelmente havia convidado Ângela Merkel a instalar-se na Alemanha- e sofridos por mulheres nativas. Só a insistência de inumeráveis testemunhas nas redes sociais obrigou a imprensa e polícia, dias depois, a reconhecer o deslize e pedir perdão.

Este ano não fez falta nenhuma censura ou complô: informou, o meio que o fez, como an passant e com certa indiferença, sem semear a universal indignação do ano passado. Como queria o primeiro ministro francês, Manuel Valls, com o terrorismo, a Europa parece estar crendo na ideia de que esta explosão de assaltos sexuais por parte dos imigrantes recentes é ‘a nova normalidade’, uma tradição a mais destas entranháveis festas.

Falando da França, a notícia oficial sobre a noite foi que “transcorreu sem incidentes dignos de menção” (Ministério dol Interior: “La nuit de la Saint-Sylvestre s’est déroulée sans incident majeur”), uma forma que há pouco soaria irônica para descrever uma madrugada na que se queimaram mais de mil carros e se detiveram 454 pessoas, apesar de uma presença militar -100.000 soldados nas ruas- própria de um país ocupado.

Mas o prato forte da noite se serviu na Alemanha e em sua vizinha Áustria, em que pese os precedentes e o estado de alerta das autoridades.  Em Viena, a cidade que se decantou pelo pró-imigracionista Alexander van Bellen na recente repetição das eleições presidenciais, os serviços de emergência se viram colapsados por chamadas de todo o país informando de numerosos assaltos sexuais cometidos, em repetida descrição, por homens de cor escura e frequentemente barbados.

A celebração mais animada se deu na cidade alemã de Dortmund, onde, relata Breitbart uma multidão de mais de uma centena de homens, ao repetido grito de “Alahu Akbar!”, lançaram foguetes de pirotecnia à polícia e queimaram o teto da igreja mais antiga da Alemanha, São Reinaldo. Uma vez mais, a noite foi descrita como “tranquila” no informe policial e como “normal” por um porta-voz da Prefeitura. E isso resulta mais alarmante que se tivessem exagerado a gravidade.

« #Silvester in #Dortmund: Syrer feiern den Waffenstillstand in ihrem Land. pic.twitter.com/Yxom6nY5QC

— Peter Bandermann (@RN_Bandermann) 31 de dezembro de 2016 »

O diário local Ruhr Nachrichten informou que um grupo de “ao menos cem jovens homens” começaram a lançar foguetes contra uma multidão de visitantes entre as que se encontravam famílias com crianças. Quando a polícia lhes advertiu que deixassem de fazê-lo, os alegres celebrantes dirigiram seus projéteis contra as próprias forças da ordem. Mas o politicamente correto ficava a salvo. O citado cabeçalho falava, ao mesmo tempo, postava na rede social Twitter um vídeo com o título “Sírios celebram a trégua em seu país”, ainda que qualquer que o visse poderia comprovar se tratar de um grupo que portava bandeiras da Al Qaeda e de guerrilhas aliadas ao ISIS na zona ao repetido grito de “Alahu Akbar!”.

Não deixa de ser curioso que a igreja atacada e parcialmente incendiada pelo grupo de imigrantes citados, São Reinaldo, foi protagonista de uma recente notícia que, esta sim, suscitou a indignação da opinião pública ao ser ocupada por um grupo identitário em protesto contra a islamização do país no mês passado. Seu pastor, Friedrich Stiller, denunciou o ato como “uma clara provocação dos neonazistas”, o que ocasionou que os responsáveis do programa de ‘desradicalização’ da cidade, com um saldo de 50.000 euros anuais, exigissem mais fundos.

Em Colônia, protagonista do grosso dos ataques do ano passado, esta Véspera de Ano Novo conseguiu reduzir significativamente o número de assaltos graças a uma enorme presença policial, que realizou numerosas detenções, só para ser atacados na imprensa por representantes políticos por “discriminação”.

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Fonte: http://infovaticana.com/2017/01/05/los-sucesos-la-noitevieja-europeia-la-prensa-no-ha-contado/

Tradução: Fr Zaqueu

DIA dos SANTOS INOCENTES: Interessante Tradição

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Na Idade Média, nos bispados que possuíam escola de meninos de coro, a Festa dos Inocentes ficou sendo a destes.

Começava nas vésperas de 27 de dezembro e acabava no dia seguinte.

Tendo escolhido entre si um “bispo”, os cantorzinhos apoderavam-se das estolas dos cônegos e cantavam em vez deles.

A este bispo improvisado competia presidir aos ofícios, entoar o Inviatório e o Te Deum e desempenhar outras funções que a liturgia reserva aos prelados maiores. Só lhes era retirado o báculo pastoral ao entoar-se o versículo do Magnificat: Derrubou os poderosos do trono, no fim das segundas vésperas.

Depois, o “derrubado” oferecia um banquete aos colegas, a expensas do cabido, e voltava com eles para os seus bancos.

Esta extravagante cerimônia também esteve em uso em Portugal, principalmente nas comunidades religiosas”
.

NOSSOS VOTOS DE UM FELIZ NATAL

 

Caríssimos. Salve Maria!

A todos que nos acompanharam durante todo esse Ano de 2016, um SANTO e FELIZ Natal!

Somos-lhes Gratos.

Gratos pela presença.

Gratos pela amizade

Gratos pelas orações.

 

 

 

Tu scendi dalle stelle
oh Re del cielo,
e vieni in una grotta
al freddo e al gelo!
E vieni in una grotta
al freddo e al gelo!

Dolce Bambino mio divino
io ti vedo qui a tremar.
Oh Dio beato,
oh quanto ti costò
l’ avermi amato!
Oh quanto ti costò
l’ avermi amato!

Tu scendi dalle stelle
oh Re del cielo,
e vieni in una grotta
al freddo e al gelo!
E vieni in una grotta
al freddo e al gelo!

Oh Dio beato,
oh quanto ti costò
l’ avermi amato!
Oh quanto ti costò
l’ avermi amato!

Tu scendi dalle stelle
oh Re del cielo,
e vieni in una grotta
al freddo e al gelo!
E vieni in una grotta
al freddo e al gelo!

Dolce Bambino mio divino
io ti vedo qui a tremar.
Oh Dio beato,
oh quanto ti costò
l’ avermi amato!
Oh quanto ti costò
l’ avermi amato!

Tu desces das estrelas
Ó Rei do céu,
e vens numa gruta
ao frio e ao gelo!
E vens numa gruta
ao frio e ao gelo!

Doce Menino meu divino
eu te vejo aqui a tremer.
Ó Deus beato,
ó quanto te custou
ter-me amado!
Ó quanto te custou
ter-me amado!

Tu desces das estrelas
oh Rei do céu,
e vens numa gruta
ao frio e ao gelo!
E vens numa gruta
ao frio e ao gelo!

Ó Deus beato,
oh quanto te custou
ter-me amado!
Ó quanto te custou
ter-me amado!

Tu desces das estrelas
Ó Rei do céu,
e vens numa gruta
ao frio e ao gelo!
E vens numa gruta
ao frio e ao gelo!

Doce Menino meu divino
eu te vejo aqui a tremer.
Ó Deus beato,
ó quanto te custou
ter-me amado!
Ó quanto te custou
ter-me amado!

RESPOSTA ao Pe. ZEZINHO

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Caro Pe. Zezinho. Foi feio e desonesto o que o senhor fez.

A postagem de duas fotos: uma do Papa Francisco, na quinta-feira Santa lavando os pés do povo e ao lado a do Cardeal Burke fazendo uso de suas roupas cardinalícias ,usadas pela Igreja por tantos séculos.

É verdade que, de início o senhor disse que o cardeal não estava errado, para depois desprestigia-lo, enaltecendo a humildade midiática de Francisco e colocando o Cardeal como vilão, anti- popular, ao lado dos poderosos.

Seu método é antigo: trata-se da língua bifurcada, que elogia no início para confundir, quando o interesse é dá o bote fatal espalhando seu veneno contra a vítima.

Muito feio, Pe. Zezinho essa sua tática de pegar uma foto fora de todo contexto e coloca-la ao lado de outra em contexto bem definido e diferente.

Já que o senhor sabe do uso da capa magna, o que deixa mais grave e evidente a sua intenção, deve saber que não se faz uso dela para o Lava-pés. Se fosse o Cardeal a realizar a cerimônia que Francisco se encontra na foto, claro que não estaria com essa capa. Ela não é usada para isso, nem para visitar enfermos no hospital, nem tão pouco para ir numa boa cafeteria da esquina…

Bem, em resposta, e na mesma moeda, apresento-lhe outras fotos.
Fui eu mesmo quem postei.

POSTEI E AS POSTARIA DE NOVO.
Como o senhor, também quero provocar uma reflexão.
Deixo claro que não quero aqui julgar as palavras do Pe. João Dehon, apenas falar sobre Fotos sem Textos, e Textos sem Contextos.

Quem está nessas fotos, padre? Seu Fundador,não é? E essas frases tremendas, padre, são deles mesmo?…Ou estou sendo injusto como o senhor. Está no texto ou fora do contexto?..De acordo ou não com o Catecismo Social que ele, Pe. João Dehon, escreveu em 1898?

Só sei, padre, que foi por causa de frases dessas que seu Fundador, no reinado de Bento XVI, teve sua beatificação cancelada, quase às vésperas, com a festa praticamente pronta….Ele foi acusado de anti-semitismo.
Verdade ou mentira, padre?

Nas fotos que o senhor postou há apenas FOTOS, que nada dizem, pois o esfarrapado pode ser orgulhoso e o fidalgo, simples como as pombas, não é verdade? Coração-é-terra-que-ninguém-vai…
O que apresenta uma pessoa não é a roupa que ela veste, mas a sua Fala.

Por uma foto, sem Texto e fora do Contexto o senhor quis condenar um cardeal…

Eu agora apresento-lhe FOTO e TEXTO.

O senhor vai apelar para o Contexto, como o seu Superior Geral quis fazer em defesa , ou também condenará seu fundador, o que não acredito, como ultrapassado, anti-conciliar e nada ecumênico, como fez o historiador francês Dominique Durand?

Mas se for contextualizar, a favor de João Dehon, faça justiça ao Cardeal, e também contextualize sua foto. É o mínimo que poderia fazer..

Quanto ao seu fundador, fique tranquilo. A Igreja mudou. A Misericórdia de Francisco é infinita. Já podem tirar o vinho armazenado para o festim..

Quando a mim, em vez de seu álcool forte,

prefiro água Perrier…

Pe. Marcélo Tenorio

A Carta Aberta dos cardeais ao Papa Francisco – na íntegra

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1. Uma premissa necessária

O envio desta carta ao Papa Francisco por parte de quatro cardeais nasce de uma profunda preocupação pastoral.

Temos observado a desorientação de muitos fiéis, e a confusão em que se encontram, relativamente a questões de grande importância para a vida da Igreja. Temos notado também que inclusive no seio do colégio episcopal se fazem interpretações contrastantes do capítulo oitavo de “Amoris laetitia”.

A grande Tradição da Igreja ensina-nos que o caminho para sair de situações como esta passa pelo recurso ao Santo Padre, pedindo à Sé Apostólica que resolva as dúvidas que são causa de desorientação e de confusão.

O nosso é, pois, um acto de justiça e de caridade.

De justiça: ao tomar esta iniciativa estamos a professar que o ministério petrino é o ministério da unidade, e que a Pedro, ao Papa, cabe o serviço de confirmar na fé.

De caridade: é nossa intenção ajudar o Papa a prevenir divisões e contraposições na Igreja, pedindo-lhe que dissipe todas as ambiguidades.

Fazendo-o, cumprimos também um estrito dever que nos incumbe. Segundo o Código de Direito Canónico (câns. 349, 358 e 360), aos cardeais está confiada a missão de ajudar o Papa na solicitude pela Igreja universal.

O Santo Padre decidiu não responder. Interpretamos esta sua soberana decisão como um convite para continuar a reflexão e a discussão, de modo sereno e respeitoso.
Por essa razão, damos agora a conhecer a nossa iniciativa a todo o povo de Deus, fornecendo para isso toda a documentação pertinente.

Esperamos que ninguém interprete este facto nos termos do esquema “progressistas-conservadores”; seria um engano. Estamos profundamente preocupados com o verdadeiro bem das almas, que é a suprema lei da Igreja, e não em fazer avançar dentro da Igreja um qualquer tipo de política.

Esperamos também que ninguém, julgando injustamente, nos tenha na conta de adversários do Santo Padre e de pessoas privadas de misericórdia. O que fizemos e o que estamos a fazer nasce do profundo afecto colegial que nos une ao Papa, e da preocupação apaixonada pelo bem dos fiéis.

Card. Walter Brandmüller
Card. Raymond L. Burke
Card. Carlo Caffarra
Card. Joachim Meisner

*

2. A carta dos quatro cardeais ao Papa

Ao Santo Padre Francisco
e com conhecimento a Sua Em. Rev. Senhor Cardeal Gerhard L. Müller

Beatíssimo Padre,

No seguimento da publicação da Vossa Exortação Apostólica “Amoris laetitia”, foram propostas, por parte de teólogos e estudiosos, interpretações não só divergentes, mas também contrastantes, sobretudo no que respeita ao cap. VIII. Além do mais, os meios de comunicação têm vindo a pôr em realce esta diatribe, provocando, desse modo, incerteza, confusão e desorientação por entre muitos dos fiéis.

Por essa razão, chegaram-nos, a nós que nos subscrevemos, como também a muitos Bispos e Presbíteros, numerosos pedidos da parte de féis pertencentes a diversas condições sociais, a respeito da correcta interpretação a dar ao cap. VIII da Exortação.

Assim, movidos em consciência pela nossa responsabilidade pastoral, e desejando praticar sempre melhor aquela mesma sinoladidade a que Vossa Santidade nos exorta, permitimo-nos, com profundo respeito, vir pedir-Vos, Santo Padre, que, como Mestre supremo da fé, chamado pelo Ressuscitado a confirmar os irmãos na fé, dirimais as incertezas e crieis clareza, dando benevolamente resposta aos “Dubia” que nos consentimos juntar à presente.

Apraza a Vossa Santidade abençoar-nos, deixando-Vos a nossa promessa de uma constante presença na nossa oração.

Card. Walter Brandmüller
Card. Raymond L. Burke
Card. Carlo Caffarra
Card. Joachim Meisner

Roma, 19 de Setembro de 2016.

*

3. Os “Dubia”

1.    Pergunta-se se, de acordo com quanto se afirma em “Amoris laetitia”, n. 300-305, se tornou agora possível conceder a absolvição no sacramento da Penitência, e, portanto, admitir à Sagrada Eucaristia, uma pessoa que, estando ligada por vínculo matrimonial válido, convive “more uxorio” com outra, sem que estejam cumpridas as condições previstas por “Familiaris consortio”, n. 84, e entretanto confirmadas por Reconciliatio et paenitentia, n. 34, e por “Sacramentum caritatis”, n. 29. Pode a expressão “[e]m certos casos”, da nota 351 (n. 305) da exortação “Amoris laetitia”, ser aplicada a divorciados com uma nova união que continuem a viver “more uxorio”?

2.    Continua a ser válido, após a exortação pós-sinodal “Amoris laetitia” (cf. n. 304), o ensinamento da encíclica de São João Paulo II “Veritatis splendor”, n. 79, assente na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, acerca da existência de normas morais absolutas, válidas sem qualquer excepção, que proíbem actos intrinsecamente maus?

3.    Depois de “Amoris laetitia” n. 301, pode ainda afirmar-se que uma pessoa que viva habitualmente em contradição com um mandamento da lei de Deus, como, por exemplo, aquele que proíbe o adultério (cf. Mt 19, 3-9), se encontra em situação objectiva de pecado grave habitual (cf. Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Declaração de 24 de Junho de 2000)?

4.    Após as afirmações de “Amoris laetitia”, n. 302, relativas às “circunstâncias atenuantes da responsabilidade moral”, ainda se deve ter como válido o ensinamento da encíclica de São João Paulo II “Veritatis splendor”, n. 81, assente sobre a Sagrada Escritura e sobre a Tradição da Igreja, segundo o qual: “as circunstâncias ou as intenções nunca poderão transformar um acto intrinsecamente desonesto pelo seu objecto, num acto ‘subjectivamente’ honesto ou defensível como opção”?

5.    Depois de “Amoris laetitia”, n. 303, ainda se deve ter como válido o ensinamento da encíclica de São João Paulo II “Veritatis splendor”, n. 56, assente sobre a Sagrada Escritura e sobre a Tradição da Igreja, que exclui uma interpretação criativa do papel da consciência, e afirma que a consciência jamais está autorizada a legitimar excepções às normas morais absolutas que proíbem acções intrinsecamente más pelo próprio objecto?

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4. Nota explicativa dos quatro cardeais

O CONTEXTO

Os “dubia” (do latim, “dúvidas”) são questões formais dirigidas ao Papa e à Congregação para a Doutrina da Fé, pedindo uma clarificação acerca de temas particulares relativos à doutrina ou à prática.

O que estes pedidos têm de particular é o facto de serem formulados de modo a pedirem como resposta um “sim” ou um “não”, sem argumentações teológicas. Não fomos nós a inventar esta modalidade da forma de se dirigir à Sé Apostólica; é uma prática secular.

Tratemos agora do que está em jogo.

Depois da publicação da exortação apostólica pós-sinodal “Amoris laetitia”, sobre o amor na família, levantou-se um amplo debate, em especial a respeito do capítulo oitavo. Mais especificamente ainda, os parágrafos 300-305 têm sido objecto de interpretações divergentes.

Para muitos – bispos, párocos, fiéis –, estes parágrafos fazem alusão, ou ensinam explicitamente, uma mudança da disciplina da Igreja a respeito dos divorciados que vivem numa nova união, ao passo que outros, admitindo embora a falta de clareza, ou mesmo a ambiguidade das passagens em questão, argumentam que estas mesmas páginas podem ser lidas em continuidade com o magistério precedente e não contêm uma modificação quanto à prática e aos ensinamentos da Igreja.

Animados por uma preocupação pastoral para com os fiéis, quatro cardeais enviaram uma carta ao Santo Padre sob a forma de “dubia”, esperando assim obter clareza, dado que a dúvida e a incerteza são sempre em grandíssimo detrimento do cuidado pastoral.

O facto de que os intérpretes cheguem a diferentes conclusões deve-se também à existência de vias divergentes a propósito da compreensão da vida cristã. Nesse sentido, o que está em jogo em “Amoris laetitia” não é somente a questão de se saber se os divorciados que iniciaram uma nova união – sob certas circunstâncias – podem ser readmitidos ou não aos sacramentos.

É mais do que isso, já que a interpretação do documento implica maneiras diferentes e contrastantes de encarar o estilo de vida cristão.

Assim, enquanto a primeira questão dos “dubia” diz respeito a um tema prático relativo aos divorciados recasados civilmente, as restantes quatro questões são relativas a temas fundamentais da vida cristã.

AS PERGUNTAS

Dúvida número 1:

Pergunta-se se, de acordo com quanto se afirma em “Amoris laetitia”, n. 300-305, se tornou agora possível conceder a absolvição no sacramento da Penitência, e, portanto, admitir à Sagrada Eucaristia, uma pessoa que, estando ligada por vínculo matrimonial válido, convive “more uxorio” com outra, sem que estejam cumpridas as condições previstas por “Familiaris consortio”, n. 84, e entretanto confirmadas por Reconciliatio et paenitentia, n. 34, e por “Sacramentum caritatis”, n. 29. Pode a expressão “[e]m certos casos”, da nota 351 (n. 305) da exortação “Amoris laetitia”, ser aplicada a divorciados com uma nova união que continuem a viver “more uxorio”?

A primeira pergunta refere-se, em particular, ao n. 305 de “Amoris laetitia” e à nota de pé de página 351. A nota 351, pese embora falar especificamente dos sacramentos da penitência e da comunhão, não menciona, nesse contexto, os divorciados recasados civilmente, como também não o faz o texto principal.

O n. 84 da exortação apostólica “Familiaris consortio”, do Papa João Paulo II, já contemplava a possibilidade de admitir os divorciados recasados civilmente aos sacramentos. Mencionavam-se aí três condições:

– as pessoas interessadas não podem separar-se sem cometer uma nova injustiça (poderia acontecer, por exemplo, que fossem responsáveis pela educação dos próprios filhos);

– os interessados assumem o compromisso de viver de acordo com a verdade da própria situação, cessando de viver juntos como se fossem marido e mulher (“more uxorio”), e abstendo-se dos actos próprios dos esposos;

– os interessados evitam dar escândalo (isto é, evitam a aparência do pecado para evitar o risco de levar os outros a pecar).

As condições indicadas em “Familiaris consortio”, n. 84, e nos sucessivos documentos acima mencionados mostram-se imediatamente razoáveis, assim que se recorda que a união conjugal não se baseia apenas na mútua afeição, e que os actos sexuais não são apenas uma actividade mais entre outras que o casal possa praticar.

As relações sexuais são para o amor conjugal. São algo de tão importante, de tão grande bondade e de tão precioso, que requerem um contexto particular: o contexto do amor conjugal. Por conseguinte, não só os divorciados que vivem numa nova união se devem abster, mas também qualquer pessoa que não esteja casada. Para a Igreja, o sexto mandamento, “não cometer adultério”, sempre abrangeu qualquer exercício da sexualidade que não fosse conjugal, ou seja, qualquer tipo de acto sexual além do que se tem com o próprio esposo.

Parece que, se fossem admitidos à comunhão os fiéis que iniciaram uma nova união no âmbito da qual vivem como se fossem marido e mulher, a Igreja estaria a ensinar, através de tal prática de admissão, uma das seguintes afirmações a propósito do matrimónio, da sexualidade humana e da natureza dos sacramentos:

– O divórcio não dissolve o vínculo matrimonial, e os parceiros da nova união não estão casados. Apesar disso, as pessoas que não estão casadas podem, em certas condições, realizar legitimamente actos de intimidade sexual.

– O divórcio dissolve o vínculo matrimonial. As pessoas que não estão casadas não podem realizar legitimamente actos sexuais. Os divorciados recasados são esposos legitimamente, e os seus actos sexuais são actos conjugais licitamente.

– O divórcio não dissolve o vínculo matrimonial, e os parceiros da nova união não estão casados. As pessoas que não estão casadas não podem praticar actos sexuais. Por isso, os divorciados recasados civilmente vivem numa situação de pecado habitual, público, objectivo e grave. Todavia, admitir uma pessoa à Eucaristia não significa para a Igreja aprovar o seu estado de vida público; o fiel pode abeirar-se da mesa eucarística, mesmo com a consciência de pecado grave. Para se receber a absolvição no sacramento da penitência não é sempre necessário o propósito de mudar a própria vida. Por conseguinte, os sacramentos estão desligados da vida: os ritos cristãos e o culto estão numa esfera diferente relativamente à da vida moral cristã.

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Dúvida número 2:

Continua a ser válido, após a exortação pós-sinodal “Amoris laetitia” (cf. n. 304), o ensinamento da encíclica de São João Paulo II “Veritatis splendor”, n. 79, assente na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, acerca da existência de normas morais absolutas, válidas sem qualquer excepção, que proíbem actos intrinsecamente maus?

A segunda pergunta diz respeito à existência dos assim chamados actos intrinsecamente maus. O n. 79 da encíclica “Veritatis splendor”, de João Paulo II, assevera que é possível “qualificar como moralmente má segundo a sua espécie […] a escolha deliberada de alguns comportamentos ou actos determinados, prescindindo da intenção com que a escolha é feita ou da totalidade das consequências previsíveis daquele acto para todas as pessoas interessadas”.

Ensina, pois, a encíclica que há actos que são sempre maus, proibidos por aquelas normas morais que obrigam sem admitir qualquer excepção (“absolutos morais”). Estes absolutos morais são sempre negativos, isto é, dizem-nos o que não deveríamos fazer. “Não matar”. “Não cometer adultério”. Somente as normas negativas podem obrigar sem qualquer excepção.

De acordo com “Veritatis splendor”, no caso dos actos intrinsecamente maus, não é necessário qualquer discernimento das circunstâncias ou das intenções. Ainda que um agente secreto pudesse arrancar informações valiosas à mulher de um terrorista cometendo adultério com ela, tanto que pudesse até salvar a própria Pátria (isto, que soará a um exemplo saído de um filme de James Bond, fora já contemplado por São Tomás de Aquino em De Malo, q. 15, a. 1). João Paulo II afirma que a intenção (neste caso, “salvar a Pátria”) não muda a espécie do acto (“cometer adultério”), e que é suficiente saber a espécie do acto (“adultério”) para se saber que não se deve praticá-lo.

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Dúvida número 3:

Depois de “Amoris laetitia” n. 301, pode ainda afirmar-se que uma pessoa que viva habitualmente em contradição com um mandamento da lei de Deus, como, por exemplo, aquele que proíbe o adultério (cf. Mt 19, 3-9), se encontra em situação objectiva de pecado grave habitual (cf. Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Declaração de 24 de Junho de 2000)?

No parágrafo 301, “Amoris laetitia” recorda que a “Igreja possui uma sólida reflexão sobre os condicionamentos e as circunstâncias atenuantes”, e conclui que “por isso, já não é possível dizer que todos os que estão numa situação chamada “irregular” vivem em estado de pecado mortal, privados da graça santificante”.

Com a Declaração de 24 de Junho de 2000, o Pontifício Conselho para os Textos Legislativos pretendeu clarificar o cânone 915 do Código de Direito Canónico, que determina que “não sejam admitidos à Sagrada Comunhão” aqueles que  “obstinadamente perseverem em pecado grave manifesto”. A Declaração do Pontifício Conselho afirma que este cânone é aplicável também aos fiéis divorciados e recasados civilmente. Esclarece ainda que o “pecado grave” deve ser entendido objectivamente, dado que o ministro da Eucaristia não tem meios para julgar da imputabilidade subjectiva da pessoa.

Vemos assim que, para a Declaração, a questão da admissão aos sacramentos tem que ver com o juízo da situação de vida objectiva da pessoa, e não com o juízo de que tal pessoa se encontra em estado de pecado mortal. De facto, subjectivamente poderia não ser plenamente imputável, ou até nem sê-lo de todo.

Na mesma linha, na sua encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, n. 37, São João Paulo II recorda que, “[t]ratando-se de uma avaliação de consciência, obviamente o juízo sobre o estado de graça compete apenas ao interessado”. Por conseguinte, a distinção mencionada em “Amoris laetitia”, entre a situação subjectiva de pecado mortal e a situação objectiva de pecado grave, já se encontrava bem estabelecida no ensinamento da Igreja.

Contudo, João Paulo II continuava, insistindo em que, “em casos de comportamento externo de forma grave, ostensiva e duradoura contrário à norma moral, a Igreja, na sua solicitude pastoral pela boa ordem comunitária e pelo respeito do sacramento, não pode deixar de sentir-se chamada em causa”. Fazendo-o, reafirmava ainda o ensinamento colhido no cânone 915, já mencionado.

Vê-se assim que a questão 3 dos “dubia” pretende que se esclareça se, mesmo depois de “Amoris laetitia”, é ainda possível dizer que as pessoas que habitualmente vivem em contradição com o mandamento da lei de Deus, vivem em situação objectiva de grave pecado habitual, mesmo quando, por qualquer razão, não for certo que elas sejam subjectivamente imputáveis quanto à sua transgressão habitual.

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Dúvida número 4:

Após as afirmações de “Amoris laetitia”, n. 302, relativas às “circunstâncias atenuantes da responsabilidade moral”, ainda se deve ter como válido o ensinamento da encíclica de São João Paulo II “Veritatis splendor”, n. 81, assente sobre a Sagrada Escritura e sobre a Tradição da Igreja, segundo o qual: “as circunstâncias ou as intenções nunca poderão transformar um acto intrinsecamente desonesto pelo seu objecto, num acto ‘subjectivamente’ honesto ou defensível como opção”?

No parágrafo 302, “Amoris laetitia” sublinha que “um juízo negativo sobre uma situação objectiva não implica um juízo sobre a imputabilidade ou a culpabilidade da pessoa envolvida”. Os “dubia” fazem menção do ensinamento – tal como foi expresso por João Paulo II em “Veritatis splendor” –, segundo o qual as circunstâncias e as boas intenções jamais podem fazer com que um acto intrinsecamente mau passe a ser um acto bom ou sequer desculpável.

A questão está em saber se “Amoris laetitia” concorda em dizer que qualquer acto que transgrida os mandamentos de Deus, como o adultério, o furto, o perjúrio, consideradas as circunstâncias que mitigam a responsabilidade pessoal, jamais se pode tornar num acto bom ou sequer desculpável.

Continuam estes actos, a que a Tradição da Igreja chamou de pecados graves e maus em si, a ser destrutivos e danosos para quem quer que os cometa, qualquer que seja o estado de responsabilidade moral em que se encontre?

Ou podem estes actos, dependendo do estado subjectivo da pessoa, das circunstâncias e das intenções, deixar de ser danosos e tornar-se louváveis ou, pelo menos, desculpáveis?

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Dúvida número 5:

Depois de “Amoris laetitia”, n. 303, ainda se deve ter como válido o ensinamento da encíclica de São João Paulo II “Veritatis splendor”, n. 56, assente sobre a Sagrada Escritura e sobre a Tradição da Igreja, que exclui uma interpretação criativa do papel da consciência, e afirma que a consciência jamais está autorizada a legitimar excepções às normas morais absolutas que proíbem acções intrinsecamente más pelo próprio objecto?

Em “Amoris laetitia”, n. 303, afirma-se que a “consciência pode reconhecer não só que uma situação não corresponde objectivamente à proposta geral do Evangelho, mas reconhecer também, com sinceridade e honestidade, aquilo que, por agora, é a resposta generosa que se pode oferecer a Deus”. Os “dubia” pedem uma clarificação destas afirmações, por isso que as mesmas são susceptíveis de interpretações divergentes.

Para os que propõem a ideia de uma consciência criativa, os preceitos da lei de Deus e a norma da consciência individual podem estar em tensão, ou até em oposição, ao mesmo tempo que a palavra final sempre deveria caber à consciência, que decide em última instância acerca do bem e do mal. De acordo com “Veritatis splendor”, n. 56, “sobre esta base, pretende-se estabelecer a legitimidade de soluções chamadas “pastorais”, contrárias aos ensinamentos do Magistério, e justificar uma hermenêutica “criadora”, segundo a qual a consciência moral não estaria de modo algum obrigada, em todos os casos, por um preceito negativo particular”.

Segundo esta perspectiva, para a consciência moral, jamais será suficiente saber que “isto é adultério”, “isto é homicídio”, para saber se se trata de algo que não pode e não deve fazer-se.

Em lugar disso, dever-se-ia ainda olhar para as circunstâncias e para as intenções, a fim de se saber se um tal acto poderia, apesar de tudo, ser desculpável ou mesmo obrigatório (cf. pergunta 4 dos “dubia”). Para estas teorias, de facto, a consciência poderia decidir legitimamente que, num certo caso, a vontade de Deus para mim consiste num acto mediante o qual eu transgrido um dos seus mandamentos. “Não cometer adultério” passaria a ser visto como uma norma geral, quando muito. Aqui e agora, vistas as minhas boas intenções, cometer adultério seria, afinal, o que Deus realmente me está a pedir. Nesses termos, seria possível pôr-se a hipótese – no mínimo – de casos de adultério virtuoso, de homicídio legal e de perjúrio obrigatório.

Isto significaria conceber a consciência como uma faculdade para decidir autonomamente acerca do bem e do mal, e a lei de Deus como um fardo que é arbitrariamente imposto e que, a dada altura, poderia opor-se à nossa felicidade.

Sucede, porém, que a consciência não decide do bem e do mal. A ideia de “decisão em consciência” é enganadora. O acto próprio da consciência é o de julgar e não o de decidir. Ela diz tão-só “isto é bom”, “isto é mau”. Essa bondade ou maldade não dependem dela. O que ela faz é aceitar e reconhecer a bondade ou a maldade de uma acção, e para isso, ou seja, para julgar, a consciência necessita de critérios; ela é inteiramente dependente da verdade.

Os mandamentos de Deus são uma ajuda bem-vinda oferecida à consciência para que colha a verdade e para que, assim, possa julgar segundo a verdade. Os mandamentos de Deus são uma expressão da verdade sobre o bem, sobre o nosso ser mais profundo, mostrando algo de crucial acerca de como viver bem.

Também o Papa Francisco se exprime nestes mesmos termos em “Amoris laetitia”, n. 295: “também a lei é dom de Deus, que indica o caminho; um dom para todos sem excepção”.

Fonte: http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1351410

A revolução chega à Vida Contemplativa

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Por Marian T. Horvat

Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

A última Constituição Apostólica de Francisco sobre as monjas de vida contemplativa é muito mais revolucionária do que pode parecer à primeira vista. Talvez por isso não tenha recebido a atenção que merece por parte dos meios de comunicação católicos, que por geral evitam informar sobre os frutos mais destrutivos do Vaticano II.

Sob o título de Vultum Dei Quaerere, o documento exige que as religiosas das ordens contemplativas de todo o mundo revejam os regulamentos de seus estilos de vida e reescrevam suas constituições para ajustarem-se melhor às diretrizes do Vaticano II e às mudanças dos tempos modernos. O comunicado da imprensa do Vaticano admite claramente que Vultum Dei Quaerere é uma “convocação para fazer mudanças” em doze áreas da tradição monástica, desde a vida claustral ao ascetismo. A longo prazo, será uma reestruturação completa das ordens religiosas contemplativas.

O documento é breve, com apenas 21 páginas, se levarmos em conta a prolixidade de outros documentos de Francisco. Apesar de muitas afagos e elogios à vida contemplativa, a voz de Vultum Dei Quaerere quer ser clara: todas as religiosas católicas das comunidades contemplativas — e isso significa absolutamente todas: as de clausura, as de semi-clausura, as que se dedicam sobretudo à oração, etc. — devem “adaptar-se” oficialmente ao programa do Vaticano II e participar ativamente na adaptação ao mundo moderno.

Não há exceções ou escusas como “estamos seguindo o carisma especial da ordem”. O movimento à centralização e modernização tem o mandato do próprio Sumo Pontífice e se aplica a todas as ordens que estão sob sua jurisdição, incluindo as instituições contemplativas femininas dos tradicionalistas — as vinculadas à Fraternidade São Pedro, ao Instituto de Cristo Rei, ao Instituto do Bom Pastor e, em breve, às que dependem da Fraternidade São Pio X, quando oficializar-se com Roma.

Francisco começa ditando acentuadamente que a Vultum Dei Quaerere derroga e se sobrepõe a todos os documentos anteriores que fixam as normas que regem a vida das mulheres religiosas contemplativas, incluindo o Código de Direito Canônico de 1983. Para que tudo fique mais claro que o cristal, o pontífice enumera especificamente os documentos mais relevantes, começando com a Constituição Apostólica Sponsa Christi (1950), de Pio XII, até a Instrução Verbi Sponsa (1999), sobre a vida contemplativa e a clausura das monjas.

Assim sendo, com uma só canetada, Francisco ordena que:

  1. Todas as mulheres contemplativas de ordens religiosas devem revisar seus objetivos e reescrever suas constituições para estarem mais de acordo com o Vaticano II;
  1. Todas as últimas normas e regulamentos que regem a vida contemplativa, incluindo as do Direito Canônico, devem ser anuladas;
  1. As mulheres contemplativas das ordens religiosas devem submeter-se incondicionalmente à Vultum Dei Quaerere e aguardar qualquer outro conjunto de diretrizes no futuro.

Essas novas constituições das ordens religiosas, uma vez adaptadas às novas diretrizes — que ainda serão emitidas pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica —, devem ser aprovadas pela Santa Sé.

É preciso destacar aqui que o único nome autorizado a emitir essas diretrizes é o do cardeal brasileiro João Braz de Aviz, chefe da Congregação vaticana para a vida religiosa. Braz de Aviz não hesita em deixar claro seu desejo de que todas as ordens religiosas vivam suas vidas mais “inseridas” no mundo. Dirigindo-se aos reitores de formação religiosa em um congresso em Roma, em 2015, o cardeal proferiu palavras duras contra os religiosos que evitam as mudanças na Igreja — as mudanças do Vaticano II:

“Na realidade, os que se distanciam do Concílio indo por outro caminho estão matando-se a si mesmos; cedo ou tarde, irão morrer”, disse. “Eles não têm nenhum sentido. Estarão fora da Igreja. Precisamos construir, mediante o Evangelho e o Concílio como ponto de partida” (National Catholic Reporter, Cardinal to religious: Those who abandon Vatican II are ‘killing themselves’, 09 de abril de 2015).

Este é o cardeal escolhido por Francisco para emitir e regular as próximas diretrizes que dirigirão as religiosas contemplativas em sua tarefa de adaptação ao mundo moderno. Creio que isso já diz o bastante, de que não é um bom augúrio para as ordens religiosas mais tradicionais e conservadoras que surgiram nas últimas décadas.

A participação na liturgia e a nova agenda social

Embora Francisco exalte “a vida de especial consagração”, insiste também que essas mulheres sejam “mulheres do nosso tempo”. Uma “especial atenção” deve ser dada aos dois grandes documentos do Concílio Vaticano II: Lumen Gentium e Perfectae Caritatis.

O primeiro, de fato, estabelece uma nova definição da Igreja como “o povo de Deus”, promovendo a ideia protestante do sacerdócio dos fiéis, e até faz uma chamada teórica à santidade, mas na prática exalta a vida de serviço acima de todas as outras.

Como isso se traduz na transformação da vida das religiosas contemplativas? Mais participação na liturgia como “o povo de Deus”, é claro, e uma oração voltada a melhorar a humanidade em detrimento do louvor a Deus.

Vultum Dei Quaerere pede efetivamente que todas as mulheres contemplativas abracem a agenda social dos Papas pós-conciliares, o que evita a oração pela conversão à fé católica e o objetivo primordial da vida contemplativa no passado: converter-se em vítimas para aplacar a justa ira de Nosso Senhor pelos pecados dos indivíduos e das nações.

Um novo cartaz é erguido: oferecer “oração de intercessão” pelos “presos, migrantes, refugiados e perseguidos”. Essas orações de intercessão também devem ser estendidas aos desempregados, aos drogados, aos doentes de AIDS, aos pobres e a outras pessoas em situações “urgentes”. Ou seja, as irmãs contemplativas devem abandonar seu foco de oração, que suplica a conversão e salvação das almas, e substituí-lo pela oração que pede o bem-estar social e a saúde dos corpos.

Elas devem “sujar suas mãos” — como esse Papa, à semelhança da lama, gosta de dizer —, indo em oração aos lugares mais sórdidos e miseráveis. As religiosas contemplativas estão, desta forma, convidadas a unirem-se às ordens seculares, que desde o Vaticano II assumiram a missão de prestar ajuda à humanidade para que tenha uma vida melhor, sem levar em conta a fé ou a falta de fé, e para destruir as “estruturas de pecado” do capitalismo.

Como a lectio divina foi “recomendada a todo o povo de Deus”, as irmãs contemplativas devem fazer mais para compartilhar sua “experiência transformadora da Palavra de Deus” com outros religiosos e leigos. “Que sintam esta partilha como uma verdadeira missão eclesial”, de acordo com a instrução do Papa.

Este compartilhamento deve estar presente sobretudo na liturgia, onde Francisco insta enfaticamente às irmãs a “evitar o risco de uma abordagem individualista” e, ao contrário, construir a “comunhão”. Visto que a Eucaristia é o coração da vida consagrada, para “se cumprir e manifestar vitalmente este rico mistério”, cada “celebração da Eucaristia” deve ser cuidadosamente preparada e todas devem “tomar parte nela plenamente, com fé e consciência”.

Trata-se de um chamado a uma plena “participação” do “povo de Deus” — incluindo as contemplativas consagradas — na missa, que agora recebe o nome de “a Eucaristia”. As irmãs também devem prosseguir na “renovação bíblica” estimulada pelo Vaticano II, com a utilização dos novos métodos e da “interpretação existencial da Sagrada Escritura” em suas leituras bíblicas e orações (Ofício Divino).

Mas não se trata apenas de um convite à participação. Vultum Dei Quaerere ordena que “as celebrações comunitárias” devem ser avaliadas para verificar “se são verdadeiramente um encontro vivo com o Senhor”. As novas federações estabelecidas no documento terão a última palavra sobre o assunto, forçando de modo efetivo as ordens tradicionalistas ao cumprimento da participação. Só os ingênuos ou as pessoas simples poderiam entender isso de outra maneira.

No próximo artigo, falarei das provisões de Vultum Dei Quaerere sobre a formação das irmãs e a centralização das comunidades contemplativas, integrando-as em federações que garantirão a conformidade com o espírito do Vaticano II.

Continuará.

Prefeito da Liturgia do Vaticano pede neste Advento que todos sacerdotes e bispos celebrem a missa “ad orientem” e fiéis ajoelhem-se para a Comunhão por Sensus Fidei

 

CS

Cortesia de Sacra Liturgia

John-Henry Westen – LifeSiteNews | Tradução Sensus fidei: LONDRES, 05 de julho de 2016 (LifeSiteNews) – Falando em uma conferência sobre a liturgia em Londres ontem (dia 4 de julho de 2016), o Cardeal Robert Sarah, a mais alta autoridade sobre o assunto na Igreja Católica sob o Papa Francisco, pediu a todos os bispos e sacerdotes para que adotem a antiga postura na Missa, onde o sacerdote se volta para o tabernáculo, juntamente com a congregação, em vez de permanecer de frente para o povo. Ele pediu que a postura seja adotada para o Advento deste ano, que começa em 27 de novembro. Durante o mesmo discurso, Cardeal Sarah encorajou todos os católicos para que recebam a Comunhão de joelhos. Durante sua conferência, o prefeito da liturgia do Vaticano revelou que o Papa Francisco lhe pediu para “continuar o trabalho litúrgico iniciado pelo Papa Bento.”

O anúncio foi imediatamente reconhecido pelo vice-editor Dan Hitchens do Catholic Herald como “o maior anúncio litúrgico desde o motu proprio Summorum Pontificum de Bento XVI em 2007, dando maior liberdade para os sacerdotes para celebrar a Missa Tradicional em latim.”

Observadores do Vaticano estão particularmente chocados de que o Papa Francisco, considerado por muitos como um liberal, tenha incentivado uma abordagem mais litúrgica tradicional. No entanto, o cardeal Sarah disse: “Nosso Santo Padre Francisco tem o maior respeito pela visão litúrgica e medidas do Papa Bento”.

O bispo francês Dominique Rey, presente na conferência, assumiu o pedido do Cardeal Sarah sem hesitação, prometendo, pelo menos, começar a implementar a mudança em sua diocese para o Advento. Rey, Bispo de Fréjus-Toulon, dirigiu-se ao Cardeal Sarah na conferência, dizendo: “Em resposta ao seu apelo gostaria de anunciar, agora, que, certamente, no último domingo do Advento deste ano em minha celebração da Santa Eucaristia na minha catedral, e em outras ocasiões, conforme apropriado, deverei celebrar ‘ad orientem’ — voltado para o Senhor que vem”. Dom Rey acrescentou: “Antes do advento eu enviarei uma carta aos meus sacerdotes e fiéis sobre esta questão para explicar a minha ação. Devo incentivá-los a seguir o meu exemplo.”

Cardeal Sarah usou o seu patrimônio africano para conduzir as coisas ao ponto certo. “Eu sou um africano”, disse ele. “Deixe-me dizer claramente: a liturgia não é o lugar para promover a minha cultura. Pelo contrário, é o lugar onde minha cultura é batizada, onde minha cultura é levada para o divino.”

Sarah sugeriu que os Padres do Concílio Vaticano II pretenderam trazer mais fiéis para a missa, no entanto, a maior parte do esforço falhou. “Meus irmãos e irmãs, onde estão os fiéis dos quais os Padres do Concílio falaram?”, Perguntou.

O cardeal continuou:

Muitos dos fiéis são agora infiéis: eles não participam todos na liturgia. Para usar as palavras de S. João Paulo II: muitos cristãos estão vivendo em um estado de “apostasia silenciosa” e eles “vivem como se Deus não existisse” (Exortação Apostólica Ecclesia in Europa, 28 de junho de 2003, 9). Onde está a unidade que o Concílio espera alcançar? Nós ainda não chegamos a ela. Fizemos um progresso real em chamar toda a humanidade para o seu lugar na Igreja? Eu não acho. E, contudo, já fizemos muitíssimo pela liturgia!

Ele expressou “profundo pesar” pelas “muitas distorções da liturgia em toda a Igreja de hoje”, e propôs que a “Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções.”

Um tal abuso que mencionado por ele é quando os padres “se afastam para permitir que os ministros extraordinários distribuam a sagrada Comunhão”, desde que muitos sacerdotes pensaram ser uma maneira de permitir uma maior participação dos leigos de maneira mais substancial na missa. Em vez disso, disse o cardeal Sarah, “isso é errado, é uma negação do ministério sacerdotal, bem como uma clericalização dos leigos.”

“Quando isso acontece, é um sinal de que a formação foi muito errada, e que precisa ser corrigida”, acrescentou.

Ele incentivou uma recepção generosa da Missa tradicional em latim e também incentivou as práticas tradicionais propostas anteriormente pelo Papa Bento, incluindo o uso do latim na Missa nova, ajoelhando-se para a Santa Comunhão, bem como o canto gregoriano. “Devemos cantar música sacra litúrgica não apenas música religiosa, ou pior, canções profanas”, disse ele. “O Concílio nunca teve a intenção de que o rito romano fosse exclusivamente celebrado em língua vernácula. Mas tinha a intenção de permitir a sua maior utilização, em particular para as leituras.”

Falando de ajoelhar-se para a Santa Comunhão, o prefeito da liturgia do Vaticano lembrou os sacerdotes de que eles estão proibidos de negar a comunhão aos fiéis que se ajoelham para a recepção do Sacramento. Além disso, ele encorajou todos a receber a Comunhão ajoelhados, sempre que possível. “Ajoelhar-se na consagração (a menos que estejam doentes) é essencial. No Ocidente, esse é um ato de adoração corporal que nos humilha diante de nosso Senhor e Deus. É um ato próprio de oração. Onde essa reverência e genuflexão desapareceram da liturgia, é necessário que sejam restauradas, em particular no momento da nossa recepção a Nosso Santíssimo Senhor na Sagrada Comunhão.”

Uma longa seção de sua palestra foi dedicada a conclamar os sacerdotes e bispos a celebrar a missa “ad orientem” ou, seja, com as pessoas voltadas para Nosso Senhor. Aqui estão os trechos principais:

Mesmo que eu sirva como o Prefeito da Congregação para o Culto Divino, faço-o com toda a humildade, como um padre e um bispo, na esperança de que se promova uma reflexão madura, boa formação e boas práticas litúrgicas em toda a Igreja.

Eu quero fazer um apelo a todos os sacerdotes… Eu acredito que é muito importante que nós retornemos o mais rapidamente possível para uma orientação comum, dos sacerdotes e dos fiéis voltados juntos na mesma direção — para o Leste, na direção do Senhor que vem— naquelas partes dos ritos litúrgicos quando estamos nos dirigindo a Deus… Eu acho que é um passo muito importante no sentido de garantir que, em nossas celebrações o Senhor esteja verdadeiramente no centro.

E então, queridos padres, peço-lhe para que implementem essa prática sempre que possível, com prudência e com a catequese necessária, certamente, mas também com a confiança pastoral de que isso é algo bom para a Igreja, algo bom para o nosso povo.

Vosso próprio julgamento pastoral irá determinar como e quando isso é possível, mas, talvez, a partir do primeiro domingo do Advento deste ano… pode ser um bom momento para se fazer isso. Queridos padres, devemos ouvir novamente o lamento de Deus proclamado pelo profeta Jeremias: “eles voltaram suas costas para mim” (2:27). Voltemo-nos novamente para o Senhor!

Gostaria de apelar também aos meus irmãos bispos: por favor, levem os seus sacerdotes e o povo para o Senhor, desta forma, especialmente em grandes celebrações em suas dioceses e na sua catedral. Por favor, formem seus seminaristas na realidade de que não são chamados ao sacerdócio para ser o centro de um culto litúrgico voltados para nós mesmos, mas para levar os fiéis de Cristo até Ele, como companheiros de adoração. Por favor, facilitem esta reforma tão simples, mas profunda em suas dioceses, em suas catedrais, em suas paróquias e em seus seminários.

Durante todo o discurso, Cardeal Sarah destacou a grave responsabilidade dos sacerdotes em relação a Eucaristia. “Nós sacerdotes, nós bispos temos uma grande responsabilidade”, disse ele. “Com o nosso bom exemplo construímos uma boa prática litúrgica; com o nosso descuido ou má conduta prejudicamos a Igreja e a sua Sagrada Liturgia! “

Ele advertiu seus colegas sacerdotes, “Tenhamos cuidado com a tentação da preguiça litúrgica, porque é uma tentação satânica.”

SOBRE A FEIA SEMPRE-VIVA E AS BELAS ROSAS NUMA NOITE DE MAIO

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Pe. Marcélo Tenorio

Hoje é um grande dia!
É o dia em que, do alto de nossos altares será solenemente coroada a Virgem Maria! É o dia da Coroação!
Sou de uma região que, pelos arredores dos povoados, sítios e fazendas, no início do mês de maio se colocava num mastro improvisado de bamboo ou qualquer outra madeira, um bandeirinha branca, simples, mas indicadora..Mostrava que alí se celebrava o Mês de Maio!
Ah, o Mês de maio da minha vida! Como era belo para nós! Na velha catedral, a  imagem da Conceição, sem o véu sobre a cabeça ( nunca mais vi  uma imagem da Virgem sem o véu, como aquela!…), com olhos vivos, parecendo de verdade ,a olhar para o alto e suas belíssimas mãos sobre o peito, como que cantando o Magnificat!
Ah, o Mês de  Maio da minha infância já tão distante!.
A catedral cheia, todas as noites!
O povo de todas as classes, mas especialmente os simples, com flores na mão:” É para a Santa!”, diziam todos, que com lágrimas nos olhos – de amor e gratidão – subiam ao altar para depositar aos  pés de Nossa Senhora as suas vidas, nas flores colhidas em maio.
” Dai-nos, ó liçen-ça, Senho-ra,
Para ofer-ta vos fa-zer
Estas flo-res que em Maio
Co-lhe-mos pra Vos Tra-zer”
A coroa era trazida nas mãos da coroante: Coroa em ouro branco, tendo no centro o mundo e sobre o mundo a pomba do Espírito Santo. Entre o entusiasmo dos devotos e os sinos da velha catedral, era Coroada Nossa Senhora!
” Aceitai esta coroa,
Virgem Santa ,Mãe Querida,
Que nos sejas, Ó a Rainha,
De um penhor de eterna Vida!”
Hoje é 31 de Maio, dia da Coroação.
Lembro bem que neste  dia, lá em casa, diante de um velho e bicentenário oratório, eu, muito pequeno, arrumava o altar de Nossa Senhora. Era uma também pequena imagem de Nossa Senhora das Graças, a minha predileta….Arrumava, eu o santuário; escondia, com uma cortinazinha os demais santos, pois entendia que a festa era somente de Maria e , sendo assim, só ela deveria aparecer.
Minha mãe comprava para mim algumas flores, as mais baratas ( geralmente sempre-vivas), pois naquela época não se dispunha de dinheiro para comprar rosas somente, como era o desejo dela. Arrumado tudo, esperava à noite e, enquanto na Catedral, que era quase ao lado da nossa casa, acontecia a solenidade da coroação, eu fazia a minha….após a reza o terço, acompanhado por tia Nesta, bem lúcida, apesar de mais de 100 anos de vida.
Certa vez estava eu a arrumar o oratório, num 31 de maio e chegou em nossa casa o sacristão. Era comum  ir sempre por lá, tomar um cafezinho. Ele me olhou e disse à minha mãe: ” É uma pena..quando ele crescer, esquecerá!” – Enganou-se o sacristão!
A vida passou.
A criança cresceu…e, embora os pecados aumentaram, em nada diminuiu o meu amor por Aquela que na minha vida tudo fez.
Hoje não tenho mais o oratório, deram-me uma Matriz….
Não tenho mais a pequena imagem da Graça, deram-me uma Graça enorme…E não me faltam rosas das mais variadas espécies para a festa.
Olho para traz…
Na velha catedral os sinos não mais tocam….
O sacristão lá não mais está.
Todas as mãos que coroaram a bela imagem já se encontram na eternidade.
Somente ela – a imagem- continua lá; deformada por uma pintura de mal gosto, mas continua lá:
 Os mesmos olhos. As mesmas mãos sobre o peito, num Magnificat sem ocaso.
Não sei onde encontrar hoje as ‘ sempre-vivas”..Prefiro essas flores do que as rosas mais caras do mundo. As sempre- vivas são resistentes. Demoram. Persistem, mesmo sem água, por um bom tempo.
É verdade que não são tão belas que as rosas, mas que importa?
As sempre-vivas parecem-se mais comigo, até na feiúra.
Até no “espinhento” de seu dorso.
Nesta noite de tua coroação, Ó Mãe querida, do esplendor onde tu te encontrarás, da altura de teu majestoso vulto, não te espantes, nem te ofendas se os teus olhos sagrados, contemplando as belas rosas colocadas em teus pés, depararem-se, num canto qualquer, com um pouco de sempre-vivas sem perfume algum; elas são a minha oferta, a pobre oferta da minha alma, que apesar do seu pecado, exulta e grita o teu Nome Dulcíssimo, ó Soberana Rainha, minha única esperança.
( Este artigo já foi publicado anos atrás)