A Carta Aberta dos cardeais ao Papa Francisco – na íntegra

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1. Uma premissa necessária

O envio desta carta ao Papa Francisco por parte de quatro cardeais nasce de uma profunda preocupação pastoral.

Temos observado a desorientação de muitos fiéis, e a confusão em que se encontram, relativamente a questões de grande importância para a vida da Igreja. Temos notado também que inclusive no seio do colégio episcopal se fazem interpretações contrastantes do capítulo oitavo de “Amoris laetitia”.

A revolução chega à Vida Contemplativa

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Por Marian T. Horvat

Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

A última Constituição Apostólica de Francisco sobre as monjas de vida contemplativa é muito mais revolucionária do que pode parecer à primeira vista. Talvez por isso não tenha recebido a atenção que merece por parte dos meios de comunicação católicos, que por geral evitam informar sobre os frutos mais destrutivos do Vaticano II.

SOBRE A FEIA SEMPRE-VIVA E AS BELAS ROSAS NUMA NOITE DE MAIO

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Pe. Marcélo Tenorio

Hoje é um grande dia!
É o dia em que, do alto de nossos altares será solenemente coroada a Virgem Maria! É o dia da Coroação!
Sou de uma região que, pelos arredores dos povoados, sítios e fazendas, no início do mês de maio se colocava num mastro improvisado de bamboo ou qualquer outra madeira, um bandeirinha branca, simples, mas indicadora..Mostrava que alí se celebrava o Mês de Maio!
Ah, o Mês de maio da minha vida! Como era belo para nós! Na velha catedral, a  imagem da Conceição, sem o véu sobre a cabeça ( nunca mais vi  uma imagem da Virgem sem o véu, como aquela!…), com olhos vivos, parecendo de verdade ,a olhar para o alto e suas belíssimas mãos sobre o peito, como que cantando o Magnificat!
Ah, o Mês de  Maio da minha infância já tão distante!.
A catedral cheia, todas as noites!
O povo de todas as classes, mas especialmente os simples, com flores na mão:” É para a Santa!”, diziam todos, que com lágrimas nos olhos – de amor e gratidão – subiam ao altar para depositar aos  pés de Nossa Senhora as suas vidas, nas flores colhidas em maio.
” Dai-nos, ó liçen-ça, Senho-ra,
Para ofer-ta vos fa-zer
Estas flo-res que em Maio
Co-lhe-mos pra Vos Tra-zer”
A coroa era trazida nas mãos da coroante: Coroa em ouro branco, tendo no centro o mundo e sobre o mundo a pomba do Espírito Santo. Entre o entusiasmo dos devotos e os sinos da velha catedral, era Coroada Nossa Senhora!
” Aceitai esta coroa,
Virgem Santa ,Mãe Querida,
Que nos sejas, Ó a Rainha,
De um penhor de eterna Vida!”
Hoje é 31 de Maio, dia da Coroação.
Lembro bem que neste  dia, lá em casa, diante de um velho e bicentenário oratório, eu, muito pequeno, arrumava o altar de Nossa Senhora. Era uma também pequena imagem de Nossa Senhora das Graças, a minha predileta….Arrumava, eu o santuário; escondia, com uma cortinazinha os demais santos, pois entendia que a festa era somente de Maria e , sendo assim, só ela deveria aparecer.
Minha mãe comprava para mim algumas flores, as mais baratas ( geralmente sempre-vivas), pois naquela época não se dispunha de dinheiro para comprar rosas somente, como era o desejo dela. Arrumado tudo, esperava à noite e, enquanto na Catedral, que era quase ao lado da nossa casa, acontecia a solenidade da coroação, eu fazia a minha….após a reza o terço, acompanhado por tia Nesta, bem lúcida, apesar de mais de 100 anos de vida.
Certa vez estava eu a arrumar o oratório, num 31 de maio e chegou em nossa casa o sacristão. Era comum  ir sempre por lá, tomar um cafezinho. Ele me olhou e disse à minha mãe: ” É uma pena..quando ele crescer, esquecerá!” – Enganou-se o sacristão!
A vida passou.
A criança cresceu…e, embora os pecados aumentaram, em nada diminuiu o meu amor por Aquela que na minha vida tudo fez.
Hoje não tenho mais o oratório, deram-me uma Matriz….
Não tenho mais a pequena imagem da Graça, deram-me uma Graça enorme…E não me faltam rosas das mais variadas espécies para a festa.
Olho para traz…
Na velha catedral os sinos não mais tocam….
O sacristão lá não mais está.
Todas as mãos que coroaram a bela imagem já se encontram na eternidade.
Somente ela – a imagem- continua lá; deformada por uma pintura de mal gosto, mas continua lá:
 Os mesmos olhos. As mesmas mãos sobre o peito, num Magnificat sem ocaso.
Não sei onde encontrar hoje as ‘ sempre-vivas”..Prefiro essas flores do que as rosas mais caras do mundo. As sempre- vivas são resistentes. Demoram. Persistem, mesmo sem água, por um bom tempo.
É verdade que não são tão belas que as rosas, mas que importa?
As sempre-vivas parecem-se mais comigo, até na feiúra.
Até no “espinhento” de seu dorso.
Nesta noite de tua coroação, Ó Mãe querida, do esplendor onde tu te encontrarás, da altura de teu majestoso vulto, não te espantes, nem te ofendas se os teus olhos sagrados, contemplando as belas rosas colocadas em teus pés, depararem-se, num canto qualquer, com um pouco de sempre-vivas sem perfume algum; elas são a minha oferta, a pobre oferta da minha alma, que apesar do seu pecado, exulta e grita o teu Nome Dulcíssimo, ó Soberana Rainha, minha única esperança.
( Este artigo já foi publicado anos atrás)