RESPOSTA ao Pe. ZEZINHO

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Caro Pe. Zezinho. Foi feio e desonesto o que o senhor fez.

A postagem de duas fotos: uma do Papa Francisco, na quinta-feira Santa lavando os pés do povo e ao lado a do Cardeal Burke fazendo uso de suas roupas cardinalícias ,usadas pela Igreja por tantos séculos.

É verdade que, de início o senhor disse que o cardeal não estava errado, para depois desprestigia-lo, enaltecendo a humildade midiática de Francisco e colocando o Cardeal como vilão, anti- popular, ao lado dos poderosos.

Seu método é antigo: trata-se da língua bifurcada, que elogia no início para confundir, quando o interesse é dá o bote fatal espalhando seu veneno contra a vítima.

Muito feio, Pe. Zezinho essa sua tática de pegar uma foto fora de todo contexto e coloca-la ao lado de outra em contexto bem definido e diferente.

Já que o senhor sabe do uso da capa magna, o que deixa mais grave e evidente a sua intenção, deve saber que não se faz uso dela para o Lava-pés. Se fosse o Cardeal a realizar a cerimônia que Francisco se encontra na foto, claro que não estaria com essa capa. Ela não é usada para isso, nem para visitar enfermos no hospital, nem tão pouco para ir numa boa cafeteria da esquina…

Bem, em resposta, e na mesma moeda, apresento-lhe outras fotos.
Fui eu mesmo quem postei.

POSTEI E AS POSTARIA DE NOVO.
Como o senhor, também quero provocar uma reflexão.
Deixo claro que não quero aqui julgar as palavras do Pe. João Dehon, apenas falar sobre Fotos sem Textos, e Textos sem Contextos.

Quem está nessas fotos, padre? Seu Fundador,não é? E essas frases tremendas, padre, são deles mesmo?…Ou estou sendo injusto como o senhor. Está no texto ou fora do contexto?..De acordo ou não com o Catecismo Social que ele, Pe. João Dehon, escreveu em 1898?

Só sei, padre, que foi por causa de frases dessas que seu Fundador, no reinado de Bento XVI, teve sua beatificação cancelada, quase às vésperas, com a festa praticamente pronta….Ele foi acusado de anti-semitismo.
Verdade ou mentira, padre?

Nas fotos que o senhor postou há apenas FOTOS, que nada dizem, pois o esfarrapado pode ser orgulhoso e o fidalgo, simples como as pombas, não é verdade? Coração-é-terra-que-ninguém-vai…
O que apresenta uma pessoa não é a roupa que ela veste, mas a sua Fala.

Por uma foto, sem Texto e fora do Contexto o senhor quis condenar um cardeal…

Eu agora apresento-lhe FOTO e TEXTO.

O senhor vai apelar para o Contexto, como o seu Superior Geral quis fazer em defesa , ou também condenará seu fundador, o que não acredito, como ultrapassado, anti-conciliar e nada ecumênico, como fez o historiador francês Dominique Durand?

Mas se for contextualizar, a favor de João Dehon, faça justiça ao Cardeal, e também contextualize sua foto. É o mínimo que poderia fazer..

Quanto ao seu fundador, fique tranquilo. A Igreja mudou. A Misericórdia de Francisco é infinita. Já podem tirar o vinho armazenado para o festim..

Quando a mim, em vez de seu álcool forte,

prefiro água Perrier…

Pe. Marcélo Tenorio

Pe. Zezinho: Postando , cantando e seguindo a canção

Salve Maria!

Padre Zezinho, o padre  iê, iê , iê ,amigo de Huguinho e Luizinho,  posta em seu faceboock  essas fotos abaixo. Não só posta, mas escreve dizendo que postou e que postaria de novo. Claro que não deveríamos esperar mais que isso do padre Pop dos anos 70. Quem tem onus para cantar uma Música como ” Alô, meu Deus!”, não teria para postar isso? A criatividade dele continua a mesma, mas já seus cabelos…

Pe. Marcélo Tenorio

 

 

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A esperança de Chesterton

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Dr. Tiago Bana Franco

Por que é tão interessante ler Chesterton? Eis a pergunta que não me saiu da cabeça desde que iniciei O Homem Eterno. É claro que o autor tem todos os predicados necessários para fazer com que os leitores rapidamente apaixonem-se por seus textos. Perspicaz e inocente. Hiperbólico e simples. Características incompatíveis que ele aliava com muito bom humor ao escrever.

Só que há algo maior. E, ao terminar seu livro, percebi que é a alegria. Mas não a alegria abobalhada, de quem ri do que não se deve rir. Nem a alegria irônica, posto seja ele irônico ao analisar os argumentos de seus adversários. A alegria de Chesterton é a alegria do evangelho. A alegria de quem espera o que há de vir, esperançoso de que a esperança no Deus vivo sempre prevalecerá, até que o próprio Deus vivo volte triunfante para colher aqueles que o esperam.

E por que resolvi escrever sobre a alegria de quem confia, a alegria de quem tem fé?

Eu o fiz porque nós precisamos dessa alegria, uma vez que passamos talvez por um dos momentos mais tristes da existência da Igreja – aquela que haveria de ser o manancial da nossa esperança, a fonte da nossa fé.

Claro que já enfrentamos períodos nebulosos. O arianismo. O nominalismo. O racionalismo. E eis o que interessa: todos esses movimentos contrários à fé passaram. Hoje fazem parte da história, a despeito de cada um deles encontrar eco dentro da Igreja ao seu tempo, a despeito de todos eles praticamente esvaziarem a Igreja da fé apostólica, sintetizada no Credo.

Só que a Igreja, e quem o diz não é só Chesterton, é a esposa de Cristo. E, tal qual seu esposo, ressuscitará, porque Cristo prometeu que as portas do inferno não prevalecerão. Todo mal passará. Restarão aqueles alegres e esperançosos com coragem de bradar: non possumus!

Fonte: http://tiagobanafranco.blogspot.com.br/

Aproximação do Papa Francisco?

 

 

 

Francisco I beija patiarca russo no aeroporto de Havana

 

O súbito e “milagroso” gesto do líder moscovita, empurrado por trás e por cima pelo seu patrão Vladimir Putin, foi repentino demais para não deixar de levantar agudas perguntas, logo depois do desconcertante encontro de Havana.

Alguns chegaram a supor a realização de obscuras profecias apocalípticas, inclusive de místicos cismáticos como Nicolai Berdaiev, sobre uma reconciliação das religiões monoteístas na iminência do Fim do Mundo e da segunda vinda de Cristo em pompa e majestade para encerrar a História e julgar vivos e mortos.

Mas, pondo de lado essas aplicações fantasiosas para o presente caso, o que se passou em Moscou para adoçar tão repentinamente a beligerância cismática contra Roma, vigente durante séculos?

O comentador nacionalista russo Yegor Kholmogorov, conhecido pelos seus posicionamentos afins com gestos gritantes de Putin, apresentou considerações muito mais próximas dos interesses do Kremlin. Elas foram reproduzidas pela agência EuromaidanPress.

Moscou, que pretende ser a Terceira Roma, quereria uma aliança com Roma. A Primeira Roma, segundo sua arbitrária qualificação teria sido o Vaticano antes de ser abandonada pelo Espírito Santo no século XI, e a segunda Roma teria sido Constantinopla antes de ter sido desprezada pelo Espírito Santo após cair nas mãos dos turcos em 1453.

A terceira Roma ,e o correspondente Patriarcado de Moscou, são meras ficções forjadas pelos czares para dar um fundamento religioso ao seu expansionismo militar para o sul.

Yegor Kholmogorov
Yegor Kholmogorov

Hoje, o patriarca grego de Constantinopla, Bartolomeu, está reduzido à última insignificância espiritual e material.

Embora revestido de um título histórico pomposo, ele mal consegue reunir um milhar de fiéis na grande festa da Páscoa, a mais importante no Oriente. E, ainda assim, fretando ônibus provenientes da Grécia.

Constantinopla, ou Istambul segundo o nome turco, é uma cidade maciçamente muçulmana. Nela, os cristãos de qualquer denominação são ferozmente perseguidos e até assassinados. Como aconteceu, aliás, com o Núncio da Santa Sé, Dom Luigi Padovese, apunhalado em junho de 2010 na cidade de Iskenderun.

Na Grécia, o patriarca de Constantinopla é detestado pelo Sínodo dos bispos gregos pelo fato de residir em território do inimigo ancestral: a Turquia.

Mas Kirill quer de Francisco algo muito mais importante para o Kremlin nas circunstâncias atuais. Algo perto do qual a lendária e desaparecida Constantinopla cristã vale bem pouca coisa.

Trata-se, para a Rússia, de abafar o dinâmico surto de catolicismo hostil ao comunismo, e portanto patrioticamente anti-russo, que se verifica na Europa Oriental, e muito especialmente na Ucrânia.

Segundo Kholmogorov, o Papa latino-americano sente uma consonância profunda com o cisma ortodoxo em muitas questões. Além do mais, sempre segundo o comentarista, Francisco I não se importaria com os problemas doutrinários, teológicos ou sociais, como faziam seus predecessores.

Desse Papa assim próximo, Moscou quer obter o abafamento dos ucranianos de rito greco-católico, aos quais se refere com menosprezo como “uniatas”.

Os greco-católicos ucranianos saíram das catacumbas da perseguição soviética em 1991 e, desde então, vêm progredindo velozmente no país. Aliás, eles atraem um número sempre crescente de fiéis que até há pouco se diziam “ortodoxos”.

Igreja greco-católica da Santíssima Ressurreição, Ivano-Frankivsk, Ucrânia. Os católicos estão em constante aumento e Moscou quer abafá-los.
Igreja greco-católica da Santíssima Ressurreição, Ivano-Frankivsk, Ucrânia.
Os católicos estão em constante aumento e Moscou quer abafá-los.

De fato, a Igreja Católica, e especialmente seu rito greco-católico, foi a única que não se vergou à opressão comunista russa. E voltou à luz aureolada com o prestígio da resistência genuína, religiosa e nacional, ao invasor anticristão e inimigo da pátria.

Stalin havia confiscado todos os bens católicos e assimilado ditatorialmente todas as igrejas cristãs ao Patriarcado de Moscou. Esse Patriarcado funcionou interesseiramente à sombra da ditadura marxista como mais um instrumento de opressão.

Assim que cessou a opressão, a parte ucraniana da igreja ortodoxa dependente do Patriarcado de Moscou literalmente explodiu. É difícil dizer quantos, quais e quão grande são seus fragmentos, mas nem entre eles conseguem contabilizá-los.

Baste mencionar que o chefe supremo na Ucrânia do cisma russo separou-se de Moscou e se autoproclamou patriarca de Kiev em luta contra o patriarca de Moscou, apontado como agente da potência materialista que chacinou milhões de ucranianos no genocídio conhecido como Holodomor.

Longe dessa liquefação material, moral e religiosa do cisma russo e de seus incontáveis subdivisões igualmente cismáticas, os greco-católicos progridem velozmente, bafejados pela graça divina.

Então, não podendo opor uma proposta religiosa sincera ou crível, Moscou quer que o Vaticano abafe esses “uniatas”, que ameaçam conquistar as bases populares de Moscou e daqueles que considera seus súbditos.

Se o patriarca russo não conseguir de imediato uma medida tão drástica da parte da Santa Sé, ele quereria pelo menos, escreve Kholmogorov, “obter do Vaticano uma garantia de um mínimo de neutralidade na guerra contra a igreja ortodoxa na Ucrânia” tocada pelos patriotas ucranianos.

Há um outro problema encostado no anterior A perspectiva de Kirill, fiel eco de Putin, é de que na Ucrânia há uma guerra religiosa e que os piores inimigos são os greco-católicos. Mas, nessa guerra, que tira o sono dos lideres da “nova Rússia”, pesa muito a anarquia instalada entre os cismáticos ditos “ortodoxos”.

O rito greco-católico (na foto seu arcebispo-mor D. Sviatoslav Shevchuk) está determinado a continuar inabalavelmente unido a Roma quaisquer sejam as adversidades.
O rito greco-católico (na foto: seu arcebispo-mor D. Sviatoslav Shevchuk) está decidido
a continuar inabalavelmente unido a Roma quaisquer sejam as adversidades.

Kirill e Putin também querem que o Vaticano intervenha para fazer o que Moscou não consegue: reunificar os cismáticos, como afirma a Declaração de Havana. Ou, pelo menos, que os greco-católicos fiquem “neutros” enquanto os agentes de Moscou procedem à “unificação”.

Essa “unificação” está sendo levada a cabo na Crimeia e no leste ucraniano ocupado. Mas é feita na ponta do revólver: quem não se filiar de novo ao Patriarcado de Moscou – seja católico ou cismático dissidente – sofre pesadas punições.

Muitos padres tiveram que fugir, suas igrejas foram confiscadas, e até alguns pastores protestantes apareceram mortos numa vala comum no leste ucraniano.

Para Kholmogorov, na reunião de Cuba, Kirill teria sugerido que a diplomacia vaticana assuma Moscou como o principal parceiro do diálogo com o Oriente, deixando num segundo plano os demais cristãos – greco-católicos, católicos latinos e os incontáveis estilhaços da “ortodoxia” oriental.

Segundo a proposta, o Vaticano deveria inaugurar “conversações imediatas com o cisma de Moscou, considerado como a maior das igrejas ortodoxas do mundo, que opera em sinfonia sincera com a Grande Rússia” [de Vladimir Putin].

Mas os ucranianos católicos e patriotas não querem saber disto. Eles já passaram por outras talvez piores, sob o sopro da graça divina emergiram vitoriosos da ditadura comunista-mocovita, e estão determinados a ficarem fiéis a seu glorioso passado patriótico e/ou católico.

Fonte: http://flagelorusso.blogspot.com.br/2016/03/kholmogorov-proposta-secreta-de-kirill.html

Quem foi realmente Dom Helder Câmara?

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Júlio Loredo

Muito se tem falado nestes dias sobre Dom Helder Câmara, cujo processo de beatificação foi recentemente aprovado pelo Vaticano.

Para o italiano médio, a figura de Mons. Helder Pessoa Câmara (1909-1999), bispo auxiliar do Rio de Janeiro e, em seguida, arcebispo metropolitano de Olinda-Recife, é quase desconhecida.
Quem foi Dom Helder?

Propaganda que beira o ridículo

As únicas notícias sobre Dom Hélder Câmara que passam pelos filtros da nossa imprensa são aquelas provenientes das fábricas de propaganda local, de modo tão desequilibrado que eu não tenho medo de defini-las como beirando o limite do ridículo.

Lembro-me bem, por exemplo, da reação da imprensa na época da morte de Dom Helder, em agosto de 1999. Os meios de comunicação italianos competiam entre si em panegíricos, dando títulos altissonantes como “profeta dos pobres”, “santo das favelas”, voz do Terceiro Mundo”, “Santo Helder das Américas” e assim por diante. Foi uma espécie de canonização pelos meios de comunicação de massa (1).

Esta mesma máquina de propaganda parece ter sido reativada com a abertura do processo de beatificação, assinado no Vaticano no último 25 de fevereiro. Algumas informações sobre o assunto, de fato, não fariam mal algum.

Talvez poucas pessoas saibam, mas Dom Helder Câmara começou sua vida pública como militante na direita.

Ele foi, de fato, hierarca da Ação Integralista Brasileira (AIB), o movimento fundado por Plínio Salgado. Em 1934, o então Padre Câmara passou a fazer parte do Conselho Supremo da AIB.

Dois anos depois, ele se tornou o secretário pessoal de Plínio Salgado e então Secretário Nacional de AIB, participando como protagonista em comícios e passeatas paramilitares. Suas convicções eram tão profundas, que ao ser ordenado sacerdote fez questão de vestir, sob a batina, a famigerada “camisa verde” que era o uniforme da milícia integralista.

Em 1946, o arcebispo do Rio de Janeiro queria fazê-lo seu bispo auxiliar, mas a Santa Sé recusou por causa de sua precedente militância no integralismo. A nomeação veio apenas seis anos depois. Enquanto isso, Helder Câmara havia completado sua passagem do integralismo ao progressismo pró-marxista.

Quando, em 1968, o escritor brasileiro Otto Engel escreveu uma biografia de Mons. Câmara, ele recebeu ordens sumárias da Cúria de Olinda-Recife proibindo-o de publicá-la. O arcebispo não queria que seu passado fosse conhecido. Continue lendo

Coreografia religiosa‏



Nasci na primeira metade do século XX. Naquela época os religiosos/as da Igreja Católica Apostólica Romana, usavam vestes próprias: as batinas e os hábitos. As missas eram realizadas em latim, com o oficiante em um altar de costas para os fiéis. Nem pensar em receber a Santa Eucaristia sem antes passar pelo confessionário. A igreja era um lugar de paz, meditação consagração e agradecimento. Um órgão acompanhava uma cantora lírica e um coral na interpretação dos hinos sagrados, que penetravam fundo em nossos corações. Era o ritual da fé. Saíamos do templo sagrado certos do perdão alcançado e de alguma graça pedida e recebida.

Os tempos agora são outros. A sensação que fica aos mais antigos que frequentam a moderna igreja católica, é que foi passada uma borracha nos rituais de antigamente. A fé agora precisa de amuletos. Estas mudanças, dizem os entendidos, foram feitas com o objetivo de captar mais ovelhas para o rebanho do Senhor. Muitas estavam sendo atraídas para outros pastos. Entretanto, na prática, não foi bem isso que aconteceu. As estatísticas e os serviços da igreja comprovam que, mesmo assim, esse rebanho foi reduzido.

Das inúmeras inovações introduzidas no modernismo da religião católica, quero citar apenas uma: a coreografia religiosa. Dizem que ela age como fator agregador da fé. Tenho minhas dúvidas. Infelizmente, o culto religioso dos tempos modernos, se assemelha muito a um grande programa de auditório. Todos dançam, cantam e batem palmas.

No entanto, a motivação de quem sai de casa para assistir a uma missa é totalmente diferente daquele que procura um prêmio em um auditório do Gugu, Faustão, Sílvio Santos e tantos outros. Além de produzir a desconcentração dos fiéis no momento do encontro espiritual tão procurado, tentam homogeneizar os sentimentos das pessoas.

A música eletrônica, com bateria e puxador de hinos, deixa na saudade o som dos antigos órgãos, que funcionavam como chave para abrir comportas das nossas emoções. Será mesmo que essa recente coreografia religiosa, que transformou o espaço de orações em um imenso auditório de programa de diversão, era para evitar a evasão de fiéis? Não creio.

Não creio que a coreografia religiosa implantada, tenha aumentado a fé dos ferrenhos seguidores das palavras do Senhor. Pelo contrário, foi uma ducha fria na fé de muitos.  Se até hoje acreditamos nos dogmas da igreja, por que acrescentar a coreografia inibidora?

Temos muito ainda que analisar. Religião para mim é questão de fé. E a fé não precisa de artifícios para ser incorporada ou mantida.



(*) GABRIEL NOVIS NEVES é médico em Cuiabá, foi reitor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)


Do Protestantismo ao Ateísmo Moderno e Relativismo Contemporâneo Uma leitura dos acontecimentos históricos




Por Daniel Marques*
RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 28 de junho de 2012 (ZENIT.org) -É possível fazer uma leitura dos acontecimentos históricos que percorrem desde o surgimento do Luteranismo até o relativismo atual através da chave de interpretação daquádrupla negação. Sendo que uma negação prepara o sucessivo “não”. Vejamos de modo concreto para entender a questão.
DEUS SIM, IGREJA NÃO
É a negação surgida e instaurada por Lutero. Permite uma visão mais subjetivista da fé, onde realça o caráter pessoal da salvação em detrimento do caráter institucional. É possível seguir a Deus, sem seguir uma instituição em concreto. Nega-se o caráter necessário da Igreja para a salvação, para isto, será necessário defender um conjunto de conceitos epistemológicos que será à base do pensamento da filosofia moderna.
DEUS SIM, CRISTO NÃO
Esta segunda grande negação é própria do século da ilustração, onde se busca uma fé fundada apenas na razão. Aceita-se a Deus, mas apenas como um grande relojoeiro que fez sua obra prima (o cosmos), a dotou das forças necessárias para se autogerir e foi embora. A providência é jogada no lixo, surge o DEISMO. Um Deus sem culto e despersonalizado. O homem é senhor total e absoluto de seu próprio destino. Nega-se a transcendência. A realidade não é apreendida objetivamente pelo ser humano, mas construída intelectualmente através das percepções sensitivas que são próprias a toda raça humana.
É no contexto desta segunda negação que surge a Revolução Francesa, retirando dos templos católicos a presença dos santos e de Cristo eucaristia, e erigindo altares à Deusa Razão. Uma “contraditio terminis”, pois “mitologizam” a fé católica, retiram dos evangelhos tudo que seja milagroso e sobrenatural e ao mesmo tempo criam culto e templo para a “Deusa Razão”.
É um racionalismo fundando na irracionalidade do caos e da violência. Destinada intelectualmente ao fracasso, a revolução tinha seus dias contados, apesar da propaganda massiva da revolução perpetrada por Jacques-Louis David criando obras como o Juramento de Horácio (cena dramática que convida a população a pegar em armas) e perpetuando o mártir da revolução no quadro “A morte de Marat”.
A revolução francesa nasce de exigências legítimas de uma população que sofria pela fome, crise nas colheitas e impostos sufocantes. No entanto, conduzida não pela razão que tanto defendia, mas pelo terror das guilhotinas. O lema “liberdade, igualdade e fraternidade”, pese seu caráter evangélico e de se propor como novo evangelho, era escrito pelo sangue de muitos homens e mulheres que não se alinhavam. Vemos a expropriação das propriedades do clero, a assassinato de sacerdotes, religiosos e religiosas. A Fé católica é vista como fundamento doAncient Regime e como tal deve ser varrida do mapa, como principal inimiga da revolução e de seus ideais.
Surge, então, como resposta a esta barbárie um novo absolutismo que se espalha por toda a Europa. Mas, o mundo já não era mais monárquico, a semente do pensamento revolucionário já tinha sido plantada. E mais tarde crescerá com mais furor através da revolução marxista que veremos a seguir na terceira negação.
DEUS NÃO, O HOMEM SIM
É a última negação presente no séc. XIX. Deus já não é necessário para garantir a ordem do mundo. A única realidade é a material e a este senhor devemos prestar contas. Seu fundamento é a filosofia Hegeliana. Onde o espirito absoluto é traduzido à matéria. E os indivíduos são apenas um momento, uma ocasião para o desenvolvimento da matéria, do mundo perfeito sem classes e de total igualdade.
Na filosofia marxista, não há pessoas, existe apenas o estado, que se desenvolve através da dialética de lutas de classes. O novo homem e nova humanidade marxista é a síntese final do processo dialético, onde a tese são os sistemas econômicos burgueses e a antítese é a classe operária explorada. O marxismo acelera o confronto entre ambas que ocorrerá de modo necessário.
A visão de pessoa humana como um momento do processo dialético materialista é o que justifica a barbárie de mais de 100 milhões de pes
soas exterminadas por Stalin. Os comunistas alegam que isto ocorreu porque Stalin desvirtuou a revolução. Em realidade, ele se apresenta como aquele que leva até as últimas consequências os pressupostos filosóficos da revolução.
A negação de Deus só é possível, em última instância, através da negação do ser humano, o que nos conduz a uma quarta negação.
O HOMEM NÃO
A degradação da razão humana conduz a negação da impossibilidade da existência de qualquer verdade absoluta. A filosofia hermenêutica presente na obra “Verdade e Método” de Gadamer é um exemplo. O homem constrói a verdade segundo seu grupo social e cultura, e este grupo com “suas verdades” é que constrói o homem e a verdade das coisas. Deste modo, a verdade é sempre mutável e não um termo “ad quo”, não há uma finalidade para vida humana, mas apenas uma construção de algo caótico a um nada último.
Esta visão epistemológica se apresenta como fundamento do relativismo moral e do indiferentismo religioso. Quando tudo é verdade, não existe verdade. E quando nada é objetivamente verdadeiro, todas as coisas são colocadas no mesmo plano, perdendo seu valor. Priva a racionalidade humana do principio de não contradição, conduzindo a humanidade a ações bárbaras.
Sobre a bandeira da tolerância, o relativismo implanta uma verdadeira ditadura da força e do poder. Pois quando não há uma verdade como critério e medida de nossas ações, se implanta a verdade subjetiva dos mais fortes. Por isso, as politicas e medidas sociais são implantadas não em vistas a um bem comum, ou um critério de bondade e verdade, mas segundo pressões sociais, econômicas ou interesses privados.
Assim vemos a aprovação das uniões homoafetivas, a aprovação do aborto em geral, e do bebê anencéfalo em especifico. O homem volta-se contra o mesmo homem, pois ferido em sua racionalidade, é incapaz de perceber as consequências de seus atos que vão contra a sua própria humanidade.
CONCLUSÃO: UNIDADE SUBSTANCIAL DO SER HUMANO
Existe uma profunda unidade entre as questões religiosas, econômicas, filosóficas, sociais e politicas. Não são elementos separados, pois quem as elabora, vive e pratica é o homem. O ser humano é o centro das questões.
Por isso, um subjetivismo religioso exacerbado de Lutero nos conduz a uma filosofia moderna que coloca o homem como criador da realidade e a Deus apenas como garantidor de uma ordem. Este racionalismo moderno exige a existência de um Deus impessoal e ordenador, surgindo o Deísmo próprio do iluminismo, com sua expressão mais “gloriosa e nefasta” instaurado no culto à “Deusa Razão” no período da Revolução Francesa. Revolução esta guiada por um desejo de fazer o bem, mas com princípios que levariam ao terror. Neste processo de degradação da razão humana o surgimento de regimes ateus, o indiferentismo e o relativismo presentes nos dias atuais são consequências naturais.
Um processo de negação da objetividade das coisas que “corrói” a razão humana, pois negar a capacidade de transcendência humana, é negar a mesma humanidade.
* Daniel Marques é formado em Humanidades Clássicas em Salamanca, Espanha, obteve a graduação e o Mestrado em Filosofia em Roma, e atualmente cursa o 2o. ano de teologia na arquidiocese do Rio de Janeiro.

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Agradecemos indicação do Dr. Tiago Bana Franco

MORRER PELO PAPA!


 Hoje, dia 29 de junho, dia do Papa, transcrevemos nosso artigo já publicado no mês de Março, em honra de nosso Papa.
Vale a pena ler novamente.







Pe. Marcélo Tenorio


Georges Bernanos, escrevendo sobre a Igreja dizia que Nossa Igreja é a Igreja dos Santos. E é verdade. E são tantos! Canonizados, ainda por canonizar ou que jamais serão canonizados. Mas a Igreja é, sem dúvida a Igreja dos santos. E aí está toda a sua riqueza.

Escrevia o autor citado acima: “Nossa Igreja é a Igreja dos santos. Quem dela se aproxima com desconfiança julga ver apenas portas fechados, barreiras e guichês, uma espécie de gendarmeria espiritual. Mas nossa Igreja é a Igreja dos santos.”

E ainda:

” Para ser santo, que bispo não daria seu anel, sua mitra, seu báculo; que cardeal não daria sua púrpura; que pontífice não daria sua veste branca, seus camareiros, sua guarda suíça e todo o seu aparato temporal? “

Mas “eis que todos os santos se dobraram diante do Papa e ninguém foi nada sem ele”,lembrava D. Marcos Barbosa.

 São Francisco, pobre e amante da pobreza, ajoelhou-se  ante a pompa de Inocêncio III. Santa Catarina de Sena vendo o papa como “doce Cristo na terra”, ajoelhada aos seus pés, implorou-lhe que voltasse para Roma,onde era o seu lugar; Joanna d´Arc apelou ao Vigário de Cristo, contra seus inimigos; Santa Teresinha do Menino Jesus, pediu a Leão XIII sua entrada no carmelo…E poderíamos citar  mais, nessa ladainha de amor filial e submissão ao papa, tantos e tantos santos que, subindo no caminho da santidade, ensinaram  o respeito e o zelo pela figura augusta do Santo Padre.

O caminho da santidade, passa pelo Vigário de Cristo.

“..Eis que todos os santos se dobraram diante do Papa e ninguém foi nada sem ele.”

D. Bosco, macerado pelas calúnias, incompreensões, chegando até a ser suspenso de ordens, por aquele que fora criado bispo, graças à intercessão de D. Bosco junto a Pio IX,ensinava sempre aos seus fllhos o “Viva o Papa”, e exigia-os filial adesão aos “três amores brancos”: a branca hóstia, a branca Virgem e o branco ancião do Vaticano.” 

Tendo recebido a missão do papa Leão XIII, da construção da basílica do Sagrado Coração, já abatido pelos os anos e pela doença,D. Bosco percorreu, não sem dificuldades, a Europa, de trem e de outra forma, atrás de fundos para realizar a  vontade do papa.

E por que não falar também dos 147 guardas suíços que, no ano 1527   resistiram até o fim aos invasores , morrendo pelo papa, enquanto que Clemente VII era retirado são e salvo para castelo de Sant´Angelo?

Os santos deram a sua vida pelo Papa, sacrificaram-se poe ele. Dar a vida pelo Papa é dar a vida por Cristo. E não se dar a vida somente morrendo, mas desgastando-se, mas consumindo-se em zelo de filial devoção.

É incompreensível que certos grupos que dizem defender a tradição da Igreja, nutra, ao mesmo tempo, pelo Vigário de Cristo um certo azedume, uma certa má vontade que no fundo nada mais é que um diabólico espírito de ruptura.

Uma coisa são os erros que um Papa possa cometer, outra é a pessoa mesma do Pontífice, na qual edifica-se a Igreja. Diferente desses grupos, agiu Santo Atanásio, mesmo claramente contra o Papa Libério, que favoreceu à heresia ariana, em nenhum momento rebelou-se contra ele, em espírito aberto de ruptura ou cisma.

Amar o papa e dar a vida por ele é próprio daqueles que buscam, veementemente a santidade.

Na época de mais um encontro de oração em Assis, acontecido no ano passado ( e que  nos posicionamos respeitosamente contra o evento) (1), vimos tantas declarações, charges extremamente desrespeitosas e violentas contra o Papa e, pasmem: oriundas de círculos ligados à defesa da tradição católica. Mas que tradição é essa? O que defendem afinal? Mais atrapalham do que ajudam, mais espalham que juntam.

Aqui vale a reflexão da senhora Dra. Alice Von Hildebrand


“…Eis um dos temores que tenho em relação aos Católicos tradicionais. Algum flerte com o fanatismo. Um fanático é aquele que considera a verdade sua posse ao invés de dom de Deus. Somos servos da verdade, e é como servos que devemos procurar partilhá-la. Estou ciente de que há Católicos fanáticos que usam a Fé e a Verdade que proclamam como um instrumento intelectual. Um
a autêntica apropriação da verdade sempre leva ao esforço para a santidade. A Fé, nesta crise atual, não é um jogo de xadrez intelectual. Para aqueles que não se esforçam para a santidade, a fé se reduzirá a isso. Tais pessoas fazem mais mal à Fé, particularmente, se estes são defensores da Missa tradicional. (2)”

Vale salientar as palavras da Dra. Alice: “Uma autêntica apropriação da verdade sempre leva ao esforço para a santidade. “

E esta santidade só acontece numa alma em espírito de comunhão com a Igreja e com o Santo Padre.

Após analisar o desastroso pontificado de Paulo VI e todas as manobras funestas antes e depois do concílio, a Dra. Alice Von Hildebrand, conlui:

Não devemos nos esquecer que estamos lutando não apenas contra carne e sangue, mas contra “poderes e principados”. Isso deveria nos provocar suficiente temor para esforçarmo-nos mais que nunca para a santidade, e orar fervorosamente para que a Santa Esposa de Cristo, que se encontra agora no Calvário, saia dessa terrível crise mais radiante que nunca. A resposta Católica é sempre a mesma: absoluta fidelidade aos santos ensinamentos da Igreja, fidelidade à Santa Sé, freqüente recepção dos Sacramentos, Rosário, leitura espiritual diária, e gratidão por termos recebido a plenitude da revelação de Deus: “Gaudete, iterum dico vobis, Gaudete”.

Umas das obrigações que os pastores de Fátima assumiram foi justamente o amor e a oração pelo Santo Padre , o Papa.  Jacinta Marto, depois da visão que teve, sempre recomendava orações e sacrifícios pelo Santo Padre.

Fala-nos Jacinta:

 “Não viste o Santo Padre? – Não! – Não sei como foi! Eu vi o Santo Padre em uma casa muito grande, de joelhos, diante de uma mesa, com as mãos na cara, a chorar. Fora da casa estava muita gente e uns atiravam-Ihe pedras, outros rogavam-lhe pragas e diziam-lhe muitas palavras feias. Coitadinho do Santo Padre! Temos que pedir muito por Ele….”

“…Eu, no Céu, hei-de pedir muito por ti, por o Santo Padre..”(3)

Hoje os maus filhos sabem criticar o papa e uivar  documentos e mais documentos. Sabem difundir o ódio e até blasfêmia contra ele. Sabem rasgar suas vestes, como os fariseus, no templo de Jerusalém, mas não imitam os santos. Esquecem-se de fazer aquilo que foi recomendado por Nossa Senhora: oração, reparação, sacrifícios. Onde estão os jejuns, as pesadas penitências e os cilícios?…Onde está o amor filial que somos obrigados a ter pela figura do Pastor Universal? Repetem condenações ao liberalismo, mas são liberais – livres de toda autoridade! Anti- romanos e opositores a tudo que de lá procede. ” 

Não se nega a crise tremenda pela qual passa a Igreja. Não se nega que estamos em tempos de grande apostasia, mas também não se deve negar a contribuição imensa que Bento XVI deu no processo de reconstrução da Fé católica, em pouco tempo de pontificado, sobretudo com seu gesto frutuoso em relação à missa de sempre.

Abriu-se o processo de beatificação de um jovem na Itália, chamado Carlo Acutis. Se divulgamos a sua vida e se colaboramos para que seja mais conhecido é, sobretudo, pela sua profunda compreensão do “sentire cum ecclesia”, apesar de sua tenra idade. Percebendo o desprestígio crescente da Igreja na Europa e o ódio contra o Papa, este jovem, sabendo que morreria vítima de uma leucemia extremamente violenta, não exitou em dizer: ” ofereço todos os sofrimentos pelos quais irei padecer pela Igreja e pelo Santo Padre!”. Que beleza! Que lição para todos nós! Oferecer nossos sofrimentos pelo Papa! Nossas dores pelo Papa! A vida pelo papa! A morte pelo Papa! Tudo pelo Papa e assim, tudo pela Igreja!

Esta é também a nossa parte. O melhor serviço que podemos prestar à Igreja: nossa santificação na comunhão.  A melhor parte que não nos será tirada.

Hoje mais que nunca, digamos juntos, em honra de nosso Papa:

” Salve Santo Padre, vivas tanto ou mais que Pedro!” Feliciter! Feliciter ! Ad multos annos!


19 de março, 2012

Solenidade de S. José

Onomástico do Santo Padre.

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(3) Memórias de Ir. Lucia I, II e III

A CRISE DOS JESUÍTAS NA AMÉRICA LATINA

Conferência dos Provinciais Jesuítas da América Latina


Em seu texto de hoje, o vaticanista Andrés Beltramo fala sobre a crise vivida pelos jesuítas latino-americanos. Não, não se trata de uma crise eventual, infelizmente. Trata-se, na verdade, de nítida ruptura, de escancarado desejo de insubordinação, de um patente movimento de secularização e laxismo que congrega parcela significativa da Companhia de Jesus, ordem que já foi conhecida por sua absoluta fidelidade ao Papa.

As denúncias apresentadas por Beltramo, contudo, ainda que gravíssimas, revelam apenas parte do declínio moral, filosófico e teológico vivido pelos jesuítas latino-americanos. Veja-se, por exemplo, no Brasil, o caso do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, cisto de filosofia marxista e projeto revolucionário que defende, abertamente, o que de mais radical há na Teologia da Libertação. Os jesuítas ali reunidos são, inclusive, anacrônicos – comprova-o oslogan de 1968 que serve como epígrafe e eixo estratégico do IHU: “Arrisca teus passos por caminhos pelos quais ninguém passou; arrisca tua cabeça pensando o que ninguém pensou”.

Sob o romantismo passadista dessa frase de efeito, esconde-se o esquerdismo e cultua-se, em nome da liberdade de pensamento, a vocação de afrontar o Magistério da Igreja e a Santa Tradição, tarefa que os jesuítas ali reunidos desempenham incansável e cotidianamente, amparados pelos superiores coniventes e por um episcopado dividido entre a tolerância excessiva – agradavelmente disfarçada de indulgência evangélica – e a timidez.

Agora mesmo prepara-se ali um Congresso Continental de Teologia, a ser realizado em outubro deste ano, cujo nome, no entanto, é deixado propositalmente incompleto, para camuflar o seu real objetivo: cultuar a Teologia da Libertação – é o que qualquer inteligência de média capacidade pode concluir dos textos que apresentam o evento.

Os jesuítas da Unisinos dão, assim, mais um passo no anelado projeto – deles e de parte dos nossos bispos – de desligar a Igreja latino-americana de Roma; de erigir a Teologia da Libertação à condição de pensamento hegemônico; de pensar e agir sem qualquer colegialidade – ou melhor, de construir uma falsa colegialidade, na qual as conferências episcopais passariam a falar ex cathedra e o Papa não seria o sucessor de Pedro, mas apenas um mero adereço.

Parte das consequências desse tipo de comportamento se manifesta na confusão moral, na achincalhação teológica defendida pelo jesuíta chileno Pedro Labrín, analisada com destemor por Andrés Beltramo. Há muito mais, contudo. A teologia defendida pelos jesuítas, incluindo os da Unisinos, é a grande arma de guerra que, nos últimos anos, destruiu a liturgia em centenas de nossas paróquias, transformando a celebração do Sacrifício de Jesus Cristo em festinhas de confraternização, reuniões sindicais ou encontros para se cantar, sapatear e saracotear ao ritmo de hinos protestantes ou canções que se assemelham a marchinhas de Carnaval.

Número significativo de jesuítas latino-americanos especializaram-se em cumprir apenas a primeira parte da recomendação, apócrifa, de Inácio de Loyola – “Confia em Deus mas age como se o resultado de teus empreendimentos só dependesse de ti e não de Deus” –, preferindo esquecer o restante: “Entretanto, mesmo dedicando todos os teus cuidados a tais empreendimentos, age como se tua ação devesse ser nula e como se Deus devesse tudo fazer”.    

Sob a inspiração do Instituto Humanitas Unisinos – e de outros centros de teologia secularista –, os “padres de passeata” de Nelson Rodrigues se transformaram em perigosos neopelagianos, pa
dres de chinelo, anelzinho de plástico imitando osso, rotas calças jeans e missas-relâmpago, nas quais a consagração é somente um elemento fortuito, superado pela “alegria de estar entre irmãos”. Eles certamente se acreditam os novos Franciscos de Assis, os novíssimos Inácios de Loyola, mas não passam de corruptelas do que a História da Igreja produziu de mais nobre e mais puro. Sob a bem cuidada imagem de vanguardistas, carregam o estandarte da decadência teológica, de uma teologia que não consegue erguer o olhar acima do próprio umbigo.

Indicação:. Tiago Bana Franco

A PROFECIA DAS TIARAS






Pe. Marcélo Tenorio
A tiara papal não é simplesmente um adorno nem tão pouco uma ostentação de poder, de império e de domínio político. Seu significado é bem mais profundo e grave, de forma que, hoje em dia, um papa já não pode usá-la sem causar grande impacto. Se existe um símbolo eclesiástico temido e rejeitado é, justamente, a tiara papal: osinimigos entendem muito bem o que ela evoca.
A tiara possui três coroas sobrepostas, conhecida mais como “tríplice coroa”, ou triregnum. Isso quer dizer que o Vigário de Cristo detém o poder pleno, supremo e absoluto sobre os três reinos:
–a primeira coroa, “Pai dos Reis”;
–a segunda  coroa, “Pastor Universal”;
–a terceira, “Vigário de Jesus Cristo”.
O último papa a fazer uso da tiara foi o Papa Paulo VI, em 1963. Ele usou de uma tiara nova, presente dos fiéis de Milão, onde foi arcebispo e cardeal. 
A nova tiara de Paulo VI tinha algo de profética. Era essencialmente feia, sem expressão alguma. Os adornos tinham sido retirados e a tríplice coroa não era tão visível: a impressão era de que se desmoronava de cima para baixo..Seu formato não era agradável e, segundo alguns críticos parecia uma “ogiva nuclear”.
No final da II Sessão do Concílio Vaticano II, em 1963, Paulo VI desceu os degraus de seu trono, na Basílica de S. Pedro, e depositou a tiara sobre o altar.
Muitos atribuíram àquela atitude um gesto de humildade.
A verdade é que, depois disso, a tiara não voltou mais a ser usada, a não ser nas ornamentações dos brasões papais ou na cabeça da imagem de São Pedro, na basílica vaticana, pela solenidade dos apóstolos.
Paulo VI manteve na Constituição Apostólica Romano Pontifici Eligendo (1975), sobre as Eleições dos Papas, menções à coroação dos seus sucessores:
“Finalmente, o Pontífice será coroado pelo Cardeal Protodiácono e, dentro de um momento oportuno, irá tomar posse na Arquibasílica Patriarcal de Latrão, de acordo com o ritual prescrito”.
João Paulo I não quis a coroação. Houve apenas uma cerimônia chamada de “inauguração do Sumo Pontífice”, embora tenha usado a Sedia Gestatoria (trono móvel, ricamente adornado, utilizado para transportar o Papa).
Seu sucessor, João Paulo II, não só recusou a coroação como retirou qualquer menção à coroação dos pontífices na Constituição Apostólica de 1996, Universi Dominici Gregis. Assim ele se pronunciou em sua “Inauguração”:
“O último Papa que foi coroado foi Paulo VI em 1963, mas após a cerimônia de coroação solene ele nunca usou a tiara novamente e deixou seus sucessores livres para decidirem a esse respeito. O Papa João Paulo I, cuja memória é tão viva em nossos corações, não gostaria de usar a tiara, nem o seu sucessor deseja hoje. Este não é o momento de voltar a uma cerimônia e um objeto considerado, erradamente, como um símbolo do poder temporal dos papas. Nosso tempo nos chama, nos exorta, nos obriga a olhar para o Senhor e mergulhar na meditação humilde e devota sobre o mistério do poder supremo do próprio Cristo”.
O Papa Bento XVI inicia o seu pontificado com um brasão que não mais apresenta a tiara papal. Em seu lugar uma mitra, embora com três linhas, fazendo uma discretíssima menção à tríplice coroa.
“O Santo Padre Bento XVI decidiu não usar mais a tiara no seu brasão oficial pessoal, mas colocar só uma simples mitra, que não é portanto encimada por uma pequena esfera e por uma cruz como era a tiara”. 
Todavia, inesperadamente – e esse papa sempre nos surpreende -, a tiara papal reaparece, a la Gregório XVI, no brasão papal da nova flâmula da sacada da Basílica de São Pedro .
O problema central da tiara não são as pedras preciosas nela contidas, pois isso poderia ser bem resolvido e não é a questão fundamental. O antigo argumento de que a Igreja deveria “vender” tudo que possui e dar aos pobres, “porque é muito rica”, já não se encaixa mais nas mentes inteligentes. Tudo ali é patrimônio da humanidade e sabe-se que mais gastos provoca que rentabilidade. Basta pensarmos no valor incalculável da restauração de um pequeno pedaço da Capela Sistina e em quem deve pagar essa conta.
Logo, a questão da tiara é teológica! Ela representa o império de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a humanidade inteira: sobre a Igreja, sobre os Estados, sobre toda a sociedade. Eis aqui o tríplice reino, o tríplice múnus.
Era comum de se ver nas belas igrejas antigas e centenárias, como um marco da passagem de um século para outro, uma cruz, colocada na parede da Igreja, no pórtico de entrada com as seguintes frases: “Cristo vence – Reina – Impera. A Ele o Poder, a Glória, o Domínio e o Império, pelos Séculos dos Séculos”.
A supremacia de Cristo Rei deve resplandecer na face da Igreja e, sobretudo, na pessoa de seu Vigário, o Papa.
A tiara papal na verdade anuncia a Supremacia de Deus sobre os três reinos: Igreja, Estado e Sociedade.
Ao iniciar um novo tempo, a modernidade, onde a “deusa razão” inaugura a época do antropocentrismo, do homem livre, do livre pensamento, da libertação das cadeias de todo e qualquer dogma ou verdade absoluta; onde o triunfo da Revolução Francesa, com seus princípios maçônicos, é amplamente assumido em todas, sobretudo na filosofia e teologia, devastando tudo e destruindo por toda parte o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, a tiara simplificada, lisa, sem adornos, oval, de Paulo VI, nos anuncia o “desmoronamento” da Igreja pelo que viria depois…
E hoje, assistimos a toda essa derrocada que começou com a separação oficial da Igreja e do Estado. 
Ora, o Estado existe pelas pessoas que o compõem, de maneira que a ideia da laicidade do Estado é, no mínimo, absurda, visto que, sendo a Lei Divina superior à lei humana positiva, esta existe, com legitimidade, apenas quando em perfeita conformidade e submissa à Lei Divina. 
Incentivando a laicidade do Estado, colaboramos com a destronização de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei e Senhor dos Exércitos e, ao invés de servirmos à Verdade plena, que sempre aponta à Verdade Católica, terminamos como humanistas e doutores do “amor fraterno universal”, oco, visto que desprovido da perfeita caridade que somente existe fundamentada na Verdade, que é Cristo.
A laicidade gera a pluralidade religiosa, que por sua vez, gera o subjetivismo religioso, pai do indiferentismo e avô do ateísmo prático.
Leão XIII, considerava esta questão de extrema importância, tanto que se dedicou ao assunto em sua Encíclica“Immortale Dei”:
“Deus dividiu o governo de toda sociedade humana entre dois poderes: o eclesiástico e o civil; o primeiro, que cuida das coisas divinas e o outro que cuida das humanas. Cada qual na sua esfera é soberano, cada um tem seus limites perfeitamente determinados e traçados conforme a sua natureza e seu fim determinado. Ha assim como que uma esfera de atuação onde cada um exerce sua ação ‘jure’ próprio”.
E ainda:
“Gregório XVI, em sua Carta-Encíclica“Mirare Vos”, de 15 de agosto de 1832, (…) sobre a separação da Igreja e do Estado, dizia o seguinte: ‘Não poderíamos esperar situação mais favorável para a Religião e o Estado, se atendêssemos os desejos daqueles que anseiam por separar a Igreja do Estado e romper a concórdia mútua entre o sacerdócio e o império; pois se vê quanto os que gostam de uma liberdade desenfreada temem esta concórdia, pois ela sempre produziu bons e saudáveis frutos para a causa eclesiástica e civil”.
A laicização do Estado destrona Nosso Senhor. As leis já não se pautam mais na Lei divina, a Igreja, possuidora da Verdade plena e com vinte séculos de existência, é posta ao lado das seitas mais bizarras: Cristo e Baal em pé de igualdade.
Um exemplo claro acontece em nosso dias: a aprovação da lei nazista de extermínio de indefesos. Na fala dos ministros estava estampada essa idéia de calar a voz da Igreja, neutralizá-la. O sucesso do STF advém de outro: o princípio maçônico de igualdade, liberdade e fraternidade.
Não se pode negar a grande dificuldade que a Igreja enfrenta hoje diante de um mundo que odeia a Verdade e que não aceita mais o “jugo” de Deus.
Como insistir no Reinado Social de Nosso Senhor e na Supremacia da Verdade e da Fé? Como fazer com que Ele reine, quando seu trono foi retirado do Estado e, em muitos casos, com  beneplácitos eclesiástico? 
Era um cardeal quem dizia: “O reinado de Nosso Senhor é praticamente impossível em nossos dias!” – uma afirmação terrível!
“Eu sou Rei e para isso vim ao mundo!”, retrucou Jesus a Pilatos.
O Reinado Social de Nosso Senhor é vital! A Europa começa a despencar moralmente, numa crise jamais vista, justamente porque Nosso Senhor foi retirado de seu trono. E as consequências são vistas a olho nu: famílias acabadas, jovens perdidos, sem sentido algum, liberação e supremacia das vontades mais diabólicas do homem. Eis a separação de todo o equilíbrio social, quando se exclui Nosso Senhor Jesus Cristo.
A humanidade caminhando para um paganismo pr
ático encontrará, no fim da linha, apenas o caos, o nada, o “não ser”.
Bento XVI, em sete anos de pontificado, tem surpreendido, positivamente, em muitos pontos, sobretudo na reafirmação de valores já esquecidos pela sociedade cristã. Mesmo pagando um alto preço, não tem se omitido em relação à proclamação da Verdade sobre Deus, sobre o homem e sobre o mundo.
Há pouco tempo, Sua Santidade recebeu no México um presente típico, um chapéu e, imediatamente, o pôs sobre a cabeça. Isto também fizera noutras vezes, com outros estilos. Tempos atrás recebeu de presente dos católicos húngaros uma bela tiara, mas ponderou, olhou, olhou, agradeceu e… a entregou ao secretário.
No auge das invasões de terra pelo MST, aqui, nas terras tupiniquins, Lula pôs em sua cabeça um boné do movimento vermelho. Como falou aquele boné em sua cabeça! Falou-nos muito mais que suas atrapalhadas palavras.
Como ressoou alto aquele gesto de Paulo VI, retirando de sua cabeça a tiara…
Como ecoaria “urbi et orbi” a tiara de volta à cabeça do Vigário de Cristo?
Nós sabemos como.
Esperemos, pois não está tão distante: ela já se encontra em suas mãos.
Como tenho tanta certeza?
As fontes em Roma são falantes..jorram para todos os lados…
Più non ti dico… pìu non ti dico!