O DEMÔNIO MUDO E AS CONFISSÕES SACRÍLEGAS

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Erat (Iesus) eiciens daemonium, et illud erat mutum — “Estava (Jesus) expelindo um demônio, e ele era mudo” (Luc. 11, 14).

Sumário. O demônio mudo de que fala o Evangelho, significa o falso pejo com que o espírito infernal, depois de seduzir o cristão a ofender seu Deus, procura fazê-lo ocultar o pecado na confissão. Ah, quantas almas caem todos os dias no inferno por este ardil diabólico! Meu irmão, se jamais o demônio te vier tentar assim, pensa que, se é vergonhoso ofender a Deus tão bom, não o é o confessar o pecado cometido e o livrar-se dele. Quantos santos são venerados sobre os altares, que até fizeram uma confissão pública!

I. O demônio mudo de que fala o Evangelho é o falso pejo com que o espírito infernal procura fazer-nos calar na confissão os pecados cometidos, depois de primeiro nos ter cegado para não vermos o mal que cometemos e a ruína que nos preparamos ofendendo a Deus. — Com efeito, exclama São João Crisóstomo, o demônio faz em todas as coisas o contrário do que Deus faz. O Senhor pôs vergonha no pecado, para que não o cometamos; mas depois de o havermos cometido, anima-nos a confessá-lo, prometendo o perdão a quem se acusa. O demônio, ao contrário, inspira confiança ao pecador com a esperança do perdão; mas cometido o pecado, cobre-o de vergonha, para que se não confesse.

Por este ardil diabólico, ó, quantas alma já foram precipitadas e ainda se precipitam cadaDIA NO inferno! Sim, porque os miseráveis convertem em veneno o remédio que Jesus Cristo nos preparou com seu preciosíssimo sangue, e ficam presas com uma dupla cadeia, cometendo depois do primeiro pecado outro mais grave: o sacrilégio.

Irmão meu, se por desgraça aTUA ALMA está manchada pelo pecado, escuta o que te diz o Espírito Santo: Pro anima tua ne confundaris dicere verum (1). Sabe, diz ele, que há duas qualidades de vergonha; deves fugir daquele que te faz inimigo de Deus, conduzindo-te ao pecado; mas não da que se sente ao confessá-lo e te faz receber a graça de Deus nesta vida e a glória do paraíso na outra.

Se, pois, te queres salvar, não te envergonhes de fazer uma boa confissão; aliás a tua alma se perderá. As feridas gangrenosas levam à morte, e tais são os pecados calados na confissão; são chagas da alma que se gangrenaram.

II. Meu filho, vergonhoso é oENTRAR nesta casa, mas não o sair dela. Assim falou Sócrates a um seu discípulo que não quis ser visto ao sair de uma casa suspeita. É o que digo também àqueles que, depois de cometerem um pecado grave, tem pejo de o confessar. Meu irmão, coisa vergonhosa é ofender a um Deus tão grande e tão bom; mas não o é confessarmos o pecado cometido e livrar-nos dele. Foi porventura coisa vergonhosa para Santa Maria Madalena o confessar em público aos pés de Jesus Cristo, que era uma mulher pecadora? Foi motivo de pejo confessar-se uma Santa Maria Egipcíaca, uma Santa Margarida de Cortona, um Santo Agostinho, e tantos outros penitentes, que algum tempo tinham sido grandes pecadores? Por meio de sua confissão fizeram-se santos.

Ânimo, pois, meu irmão, ânimo! (Falo a quem cometeu a falta de ocultar por vergonha um pecado.) Tem ânimo e dize tudo a um confessor. Dá glória a Deus e confunde o demônio que, como diz o Evangelho, quando saiu do homem, ANDA POR LUGARES  secos, buscando repouso, e não o acha. — Porém, depois de teres confessado bem, prepara-te para novos e mais violentos assaltos da parte do inimigo infernal. Ai de quem o deixa entrar novamente, depois de o haver expulso! Et fiunt novíssima hominis illius peiora prioribus — “O último estado do homem virá a ser pior do que o primeiro”.

Ó meu amabilíssimo Jesus! Iluminai o meu espírito, a fim de que nunca mais me deixe obcecar pelo espírito maligno a cometer de novo o pecado. Pesa-me de Vos haver ofendido, e proponho com a vossa graça antes morrer que tornar a ofender-Vos. Mas, se por desgraça recair, dai-me força para sempre vencer o demônio mudo e confessar-me sinceramente ao vosso ministro. “Peço-Vos, Deus Todo-Poderoso, que atendais propício às minhas humildes súplicas, e que em minha defesa estendais o braço de vossa majestade”. (2) † Doce Coração de Maria, sêde minha salvação. (*III 413)

1. Ecclus. 4, 24.
2. Or. Dom. curr.

Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I – Santo Afonso

Bênção da Epifania.

 2017
Caríssimos,
Salve Maria!
Na Festa da Epifania é o momento para a Bênção de nossas casas, com a tradicional Bênção da Epifania, ou a ” Bênção dos Reis Magos”. O giz deve ser abençoado pelo padre, mas o próprio Pai de Familia, ao redor dos seus, levando o giz para casa, pode fazer as inscrições nas portas, como o texto abaixo ensina. Essas inscrições sagradas de proteção devem ficar até o primeiro domingo do advento, quando é apagada, para esperar a nova bênção.
Aos Sacerdotes, segue o texto da Bênção:
A Bênção:
 
Benedictio cretae  
 
in Festo Epiphaniae 
 
V/. Adjutorium nostrum in nomine Domini. 
 
R/. Qui fecit caelum et terram.  
 
V/. Dominus vobiscum.  
 
R/. Et cum spiritu tuo. 
 
Bene + dic, Domine Deus, creaturam istam cretae : ut 
sit salutaris humano generi; et praesta per 
invocationem nominis tui sanctissimi, ut, quicumque ex ea 
sumpserint, vel in ea in domus suae portis scripserint 
nomina sanctorum tuorum  Gasparis, Melchioris et 
Baltassar, per eorum intercessionem et merita, corporis 
sanitatem, et animae tutelam percipiant. Per Christum 
Dominum nostrum.  R/.  Amen. 
 
 
Et aspergatur aqua benedicta. 
******

Por ocasião da “Solenidade da Epifania”, existeno Ritual Romano antigo, a louvável tradição deabençoar a casa dos fiéis com a “Bênção da Epifania” ou “Benção para o Ano Novo”.

Este é um sinal que cristãos vivem na casa e um sinal da bênção de Deus sobre ela.

Essa bênção era tradicionalmente feita pelopároco, mas é possível que também os fiéis invoquem esta benção de Deus para o seu lar, até porque seria pastoralmente impossível atender territorialmente toda a paróquia, e a maioria das pessoas, inclusive sacerdotes, nunca ouviu falar desta bênção.

Trata-se é claro, de uma tradição antiga, mas que nunca foi proibida pela Santa Igreja, apenas foi caindo no esquecimento, como muitos costumes bons e salutares da nossa Santa Igreja. Embora não seja muito conhecida no Brasil, tem se difundido cada vez mais esta abençoada tradição.

Pode-se fazer a bênção sozinho(a) ou com seus familiares. Neste caso, enquanto o pai dacasa invoca a benção de Deus, a mãe ou outra pessoas asperge o lugar com água benta, e outro inscreve as letras na parte de fora das passagens e portas.

Este costume, registrado em documentos desde o século XVI, é com certeza de origemanterior. Foi encontrado pela primeira vezno «Sacramentário Gelasianum Vetus» (na metade do século sete), paraabençoar a casa no ano novo ou quando havia uma mudança de residência.

Essa tradição é baseada nos tempos da Igreja primitiva, onde os primeiros cristãos desejavam proteger e abençoar seus lares, identificando-se como Povo de Deus, em analogia ao que fizeram os hebreus no cativeiro do Egito quando marcaram as portas de suas casas com o sangue do Cordeiro Pascal (Ex 12, 12–13) e como as assinalaram também depois na terra prometida (Deut 6, 9).

Com esta inscrição invocamos a benção de Nosso Senhor que em Sua Encarnação no ventre de Maria, pelo poder do Espírito Santo, veio como a Luz do mundo para salvar o homem das trevas do pecado. Assim, invocamos esta benção para os nossos lares e reivindicamos a soberania de Cristo para os espaços onde vivemos e trabalhamos.

A Solenidade da Epifania ocorre no dia 6 de janeiro. No Brasil, se esta data não cai no Domingo, é transferida para o Domingo seguinte, a fim de que todos participem.

Neste ano de 2017, a Epifania cairá numa sexta-feira; portanto, penso que pode-se fazer esta bênção na sexta (dia 6) ou no domingo (dia em que será comemorada liturgicamente).

Deve-se marcar por cima das portas e passagens da casa, do lado exterior, a seguinte inscrição com o giz abençoado: os dois números (cifras) iniciais do ano; as siglas C+M+B, sendo que cada letra é intercalada com o sinal da Cruz; e em seguida os dois números (cifras) finais do ano. Costuma-se colocar também uma cruz em cima da letra ‘M’, ficando três cruzes.

As siglas «C M B» significam: «Christus Mansionem Benedicat», ou seja: «Cristo Abençoe esta Casa».

Santo Agostinho as explicavam também como: «Christus MultorumBenefactor», que significa: «Cristo benfeitor de muitos».

Representa também os tradicionais nomes dos três Reis Magos: Caspar (Gaspar), Melchior (Melquior ou Belquior) e Balthazar (Baltazar). Tradicionalmente esta inscrição deve permanecer até a Solenidade de Pentecostes, ou se desejar, até o próximo ano.

Para este ano de 2017 a inscrição será assim:

2017

Fonte: https://filhasdemariarosamistica.blogspot.com.br/2016/12/a-bencao-das-casas-na-epifania.html

CONCLAMAÇÃO

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Caros irmãos em Cristo: Salve Maria Puríssima!

Sabemos que estamos na “contagem regressiva” com relação ao centenário da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima-Portugal (13|05|1917). Sabemos que sobre esta data há um – entre outros – mistério associando este e outro centenário ocorrido na França entre 1689 e 1789. Lá, foram protagonistas, além da Igreja, alguns reis e uma santa (à época, religiosa). Aqui, além da Santa Igreja, há presidentes e outra religiosa que haverá, ela também, de ser canonizada. E em lugar da França, a Rússia.

Inúmeros estudiosos e escritores com maior credibilidade e conhecimento de causa poderão falar – e de fato já o disseram – sobre o tema. Recorramos a eles. De nossa parte o desejo é o de conclamar a que unamos nossas vozes filiais à Maria: 1) Mãe de Deus, 2) Sempre Virgem, 3) Imaculada Conceição, 4) Assunta aos Céus; e ainda 5) Corredentora, Medianeira e Advogada, nesta que para muitos, independente do desenrolar do presente ano, será a última vez a que possam se dedicar à “devoção dos cinco primeiros sábados” pedida por Nossa Senhora de Fátima a toda a humanidade através dos Pastorinhos. A Conclamação traz algumas possibilidades:

* Que realizemos a Devoção a partir de janeiro (07/01/2017) culminando em maio (06/05/2017);

* Que realizemos a Devoção a partir de junho (03/06/2017) culminando em outubro (07/10/2017);

* Que a realizemos duplamente, iniciando a segunda após o término da primeira.

Como conclusão e auxílio à possíveis dúvidas quanto à realização desta Devoção, reproduzo extratos de um artigo extraído do site permanencia.org1. Nele, poderão ser sanadas outras dúvidas a respeito da mesma e ainda das indulgências a ela relacionadas, direta ou indiretamente; pelo que aconselhamos sua leitura integral.

Mater Ecclesiae: ora pro nobis!

Em 05 de janeiro do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2017.

Frei Zaqueu

freizaqueu@gmail.com)

Veja aqui sobre a Devoção aos 5 Primeiros Sábados do Mês:

A devoção reparadora dos cinco primeiros sábados do mês

Atualidade da mensagem de Nossa Senhora das Graças de Cimbres.

 

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Por Hermes Rodrigues Nery 

A sua mensagem é atualíssima, diante dos acontecimentos históricos que ainda estamos vivenciando, no momento em que comemoramos oitenta anos das aparições.

Com “O Diário do Silêncio”, a escritora Ana Lígia Lira apresenta a mais completa obra sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças, no Brasil, ocorridas no pequeno povoado de Cimbres, distrito de Pesqueira, em Pernambuco, em 1936. A publicação do livro ocorre, portanto, próximo das comemorações dos oitenta anos das aparições, e com uma documentação inédita, de fontes primárias, com correspondências (especialmente as do Padre Kehrle, designado pelo bispo local a investigar o caso) e depoimentos que elucidam toda a história das aparições, como também da irmã Adélia, falecida em 13 de outubro de 2013 (na época, a menina Maria da Luz, uma das crianças a quem Nossa Senhora dirigiu suas palavras). Para o Padre Paulo Ricardo, a mensagem de Nossa Senhora das Graças de Cimbres “é bastante atual, principalmente para nós que vivemos num Brasil cada vez mais tomado pelo ideal do comunismo, do marxismo, porque foi exatamente aquilo que Nossa Senhora previu”1. Na verdade, a previsão foi a de que o Brasil seria tomado pelo comunismo e padeceria três castigos, evitados somente com a oração e a penitência. E que “o sangue correrá no Brasil”2.

Gostaria de me deter nesse artigo não tanto sobre os fatos em si da história das aparições (já abordados em relatos de outros autores), mas sobre alguns aspectos de conjuntura para auxiliar na compreensão da importância das aparições de Nossa Senhora das Graças, em Cimbres, especialmente nos dias de hoje, pois a sua mensagem é atualíssima, diante dos acontecimentos históricos que ainda estamos vivenciando, no momento em que comemoramos oito décadas das aparições.

Os três castigos

Os três castigos preconizados por Nossa Senhora das Graças, estariam, de certa forma, relacionados com as três tentativas de tomada do poder que os comunistas fariam no Brasil, ao longo desses últimos oitenta anos. A primeira delas, com a Intentona Comunista (1935), alguns meses antes das aparições em Cimbres. Depois, no governo de João Goulart, a segunda tentativa, que foi contida pelo regime militar (1964), especialmente na fase de combate às guerrilhas. E, em seguida, a terceira tentativa, com a redemocratização, na Nova República, principalmente nas gestões petistas, após 2003.

Nas duas primeiras tentativas, o sangue correu, assim como aconteceu nos países aonde o comunismo foi implantado. Na Intentona Comunista de 1935, vários defensores da pátria tombaram, dentre eles o herói-mártir da Polícia Militar, Luiz Gonzaga de Souza3. Também foram muitas as vítimas que tiveram o sangue derramado por terroristas e guerrilheiros comunistas na segunda tentativa, quando quiseram implantar a ditadura do proletariado no País, conforme depoimentos de conhecidas lideranças esquerdistas, que atuaram, naquela época4, reconhecendo que a luta contra o regime militar, inclusive por meios das guerrilhas, tinha como propósito a implantação de uma ditadura comunista5.

Mas, como bem destacou o Prof. Olavo de Carvalho, “o governo militar se ocupou de combater a guerrilha, mas não de combater o comunismo na esfera cultural, social e moral.”6 Por isso, criou-se o ambiente para a terceira e atual tentativa, ainda em curso, no Brasil, de complexa situação. Olavo de Carvalho explica que a parte da esquerda que não foi para a guerrilha, “se encaixou no esquema pregado por Antonio Gramsci, que é a revolução cultural, a penetração lenta e gradual em todas as instituições de cultura, mídia etc. Foi a facção que acabou tirando vantagem de tudo isso – até da derrota, porque a derrota lhes deu uma plêiade de mártires.”7 O fato é que a esquerda se apropriou de um discurso para se favorecer e buscar consolidar seu projeto de poder [daí a narrativa da controversa Comissão da Verdade], e até hoje, a base social aparelhada pela esquerda, de raiz filosófica marxista e até anarquista, continua como um barril de pólvora, num momento em que as forças conservadoras começam a reagir, sem saber como fazer, por estarem totalmente desorganizadas e sem estratégias e meios adequados para isso.

O processo de impeachment da presidente Dilma Roussef (ex guerrilheira no período do regime militar),  expôs a tensão desta terceira tentativa, cujos desdobramentos ainda são muito imprevisíveis. Terceira fase esta iniciada com a criação do Foro de São Paulo, em 1990 (por Fidel Castro e Lula), para viabilizar um projeto de poder totalitário, de integração regional latino-americana, a chamada Pátria Grande socialista. Projeto esse em que, antes da tomada do poder político, os comunistas buscaram criar uma base social aparelhada (seguindo a estratégia gramsciana), de aparelhamento das instituições, especialmente na área cultural, dos sindicatos, da imprensa, e até mesmo da Igreja Católica, se utilizando da teologia da libertação para influir e ampliar os setores progressistas dentro da instituição.

Com a eleição de Lula, em 2002, o PT alargou de modo desproporcional o aparelhamento do Estado, dando início à estratégia proposta pelo Foro de São Paulo, de fazer da democracia o método revolucionário, se utilizando inclusive de meios inteiramente amorais para captar recursos com volúpia desmesurada, não contando, porém, que seriam contidos nessa gula e obsessão de poder, pela Operação Lava Jato, o que ocasionou a gravíssima crise em que vivemos, aonde não sabemos ainda como a terminará.

Não é a toa que, durante o processo de impeachment, os maiores defensores da ex-guerrilheira Dilma Roussef vieram justamente do PCdoB (com Aldo Rebelo como seu Ministro da Defesa, Jandira Feghali na Câmara dos Deputados, Vanessa Graziotin no Senado, etc.). O fato é que a terceira tentativa de implantação do comunismo no Brasil está em fase já bem avançada. Depois das jornadas de junho de 2013, do pleito de 26 de outubro de 2014 e das grandes manifestações pró-impeachment de 2015-2016, cresceram as apreensões sobre como o Brasil poderá vencer essa nova batalha contra o comunismo, expresso não apenas no lulopetismo, mas em todos os demais partidos e movimentos sociais e culturais de esquerda alinhados com o projeto de poder do Foro de São Paulo.

E o que mais se teme, em tudo isso, é que novamente corra o sangue [conforme previu Nossa Senhora das Graças, em Cimbres], num momento que o País está dividido entre uma maioria conservadora e cristã [mas desorganizada], e uma minoria aparelhada que deteve o poder de decisão nos últimos treze anos [e muito bem organizada]. Tal tensão levou o Brasil a um impasse político sem precedentes. E muitas forças do internacionalismo de esquerda e também das fundações internacionais querendo intensificar a agenda antivida e antifamília, que já vem fazendo correr o sangue humano inocente, no ventre materno, com a difusão cada vez maior da cultura do aborto e tudo mais. Como ocorreu na União Soviética, quando o comunismo foi lá implantado.

“Os padres e os bispos sofrerão muito?”8

Nas aparições em Cimbres, na gruta do Sítio da Guarda, Nossa Senhora das Graças dissera às crianças: “virão tempos sérios”9, e dentre muitas coisas preditas, a confirmação de que o comunismo iria penetrar o Brasil, abrangendo todo o País (não no interior), e que tais coisas não viriam logo, mas que “os padres e os bispos sofrerão muito”10.

Nesse sentido e no contexto dos oitenta anos desde as aparições em Cimbres, cabe ressaltar que o sofrimento dos bons padres e bispos também está relacionado, de alguma forma, aos “erros da Rússia” espalhados pelo mundo, que não foram contidos, conforme pediu Nossa Senhora em Fátima aos pastorinhos, em 1917.

Como bem expôs  Valdis Grinsteins:

“Defensores do permissivismo moral, os comunistas aprovaram leis favorecendo o amor livre e o divórcio e, em 1920, durante o governo de Lenine, a Rússia foi o primeiro país do mundo a permitir o crime do aborto. O resultado dessa lamentável situação não tardou a aparecer: divórcios numerosos, trazendo como consequência famílias cada vez menores, nas quais o número de filhos era limitado em função da perspectiva de estabilidade do ‘cônjuge’, do trabalho, da moradia ou do capricho dos pais. Filhos abandonados ou entregues a orfanatos, dos quais fugiam depois para formar pequenos bandos de criminosos, logo se tornaram uma praga nacional. Uma geração que crescia sem conhecer o que fosse respeitar os outros. O crime chegou a tais níveis que, visando limitar seus efeitos, Stalin modificou a legislação em 1936, chegando a proibir o aborto. Como não houve nenhum arrependimento verdadeiro, mas apenas interesse político, pouco depois da Segunda Guerra Mundial o aborto voltou a ser introduzido na legislação comunista, bem como todos os outros ditos ‘avanços’. E a situação tornou-se ainda pior.”11

O comunismo, como um dos maus frutos do modernismo, adentrou dentro da Igreja, sob várias formas. E conforme advertira São Pio X, visou corroer, por dentro a sã doutrina católica. Os padres e bispos seduzidos pelo modernismo, anuíram com correntes de pensamento contrárias à fé, abrindo brechas para distorções e equívocos, agravados ainda mais pelo atual relativismo. Debilitar o cristianismo, especialmente a doutrina católica, foi estratégia dos comunistas, principalmente gramscianos para, por dentro da Igreja, promover a rebelião e a apostasia. Com isso, os bons padres e bispos foram encontrando dificuldades em defender a fé, num ambiente cada vez mais hostil à sã tradição católica. E mais: passaram também a difundir que o comunismo era coisa do passado, principalmente depois da queda do muro de Berlim e o desabamento da União Soviética, no Natal de 1991. Mas justamente na América Latina, e mais ainda no Brasil, com o Foro de São Paulo, o internacionalismo de esquerda instrumentalizou os setores progressistas da Igreja Católica para difundir os males do comunismo [com faces novas e diversificadas]. O próprio Fidel Castro, após o fracasso das guerrilhas no Brasil, entendeu que era preciso utilizar-se das estruturas e capilaridade da Igreja, para aparelhá-la por dentro, e propiciar assim a extensão da revolução cubana em todo o continente latino-americano, especialmente no Brasil. Para isso, foi utilíssimo espalhar a cizânia da teologia da libertação, gestada pela KGB, conforme revelou Ion Mihai Pacepa12.

Mas por que a Igreja não reagiu contra esta nova investida do comunismo? E por que o relativismo grassou de tal forma, minando toda e qualquer resistência na defesa da sã doutrina católica?

O Prof. Roberto de Mattei explica que um dos fatos relevantes para isso foi porque não houve uma condenação explícita do comunismo no Concílio Vaticano II (1962-1965), período em que se intensificou a segunda tentativa de implantação do comunismo no Brasil, detido – como dissemos – pelo regime militar.

O fato é que o Concílio foi “uma oportunidade extraordinária para as correntes progressistas”13 em que, em muitos aspectos, “a condenação do erro”14 deixou de ser vista como “uma obra de misericórdia”15. A nova forma de organização, através de conferências episcopais, especialmente a CNBB e o CELAM, contribuíram muito para afofar o terreno, em que foi possível emergir mais facilmente todas as tendências modernizantes. A não condenação do comunismo no Concílio favoreceu a instrumentalização dos setores progressistas da Igreja para a subversão da sã doutrina por dentro da instituição. Formou-se então uma rede cada vez mais fraterna de prelados progressistas, “entre bispos e teólogos europeus e latino-americanos”16, sob a liderança de Dom Hélder Câmara, rede esta descrita por François Houtart, o mesmo que, anos mais tarde, ministraria um curso no Partido Comunista cubano para convencer os militantes marxistas de que era possível conciliar cristianismo e socialismo, e que eles precisariam da estrutura da Igreja, para difundir essa concepção revolucionária.

Não faltaram apelos contra o comunismo durante o Concílio. Roberto de Mattei conta que “o arcebispo vietnamita de Hué, Ngô-Dinh-Thuc, por exemplo, definia o comunismo como ‘o problema dos problemas’, a mais importante questão do momento”.17 Mas empenhado na promoção do ecumenismo, e para garantir a presença do Patriarca de Moscou, que, na época, “estava  notoriamente  nas mãos do Kremlim”18, o Cardeal Bea conseguiu estabelecer “um acordo com base no qual o Patriarca de Moscou acolherá o convite pontifício se o Papa garantir que o Concílio se absterá de condenar o comunismo”19. E foi o que aconteceu. O Concílio se silenciou sobre a questão do comunismo, mesmo o Santo Ofício tendo reafirmado, em 1959, pouco antes, “a validade da excomunhão de 7 de janeiro de 1949, contra todo tipo de colaboração com o comunismo”20, pois já prevalecia, entre muitos altos prelados, de que “no fundo, os comunistas andam a procura da justiça e são gente que sofre”21. A partir dessa omissão e dessa nova mentalidade é que foi possível espalhar o cancro da teologia da libertação na América Latina, ainda quando se desejava impor o comunismo por meio da guerrilha.

“Quase” como na Espanha

Ao ser indagada se o sofrimento causado pelos castigos seria “como na Espanha” (que vivia, na época das aparições, o início da Guerra Civil Espanhola), Nossa Senhora respondera às crianças: “quase”.

Esse “quase” pode estar relacionado à posição do clero em relação à divisão ideológica que a Espanha viveu, ao longo da guerra civil (1936-1939), quando morreram milhares de pessoas, especificamente mais de seis mil religiosos. No entanto, o clero espanhol comparou a guerra contra o comunismo na Espanha, naquele período, como uma “cruzada moderna”22. O mesmo não se pode dizer do clero brasileiro atual, imbuído de relativismo, com um bom número de bispos conservadores (especialmente após o pontificado de Bento XVI), mas com padres e bispos progressistas em postos estratégicos de decisão, muitos alinhados ainda à esquerda, com paróquias e OnGs católicas (e até universidades como as PUCs) como base social aparelhada pelo lulopetismo. Dada a complexidade da situação, no cenário brasileiro atual, muitos padres e bispos se dizem impotentes para fazer qualquer coisa, e de se pronunciar a respeito. Por isso, se constata o silêncio e a omissão de muitos em relação ao permissivismo moral (especialmente da classe artística), evitando se posicionar ideológica e politicamente contra os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff. Daí a posição de neutralidade da conferência episcopal em relação ao processo de impeachment, quando a maioria do povo brasileiro (conservador) foi às ruas clamando “Fora Dilma, Fora PT, Fora Foro de São Paulo”. Significativo foi o ato em que fiéis leigos ergueram após a missa de encerramento da 54ª assembleia da CNBB23, na Basílica de Aparecida, diante de todos os bispos que passavam em direção à sacristia, com os dizeres; “Por uma Igreja livre do PT e do comunismo”, imagem essa que teve um número enorme de curtidas e compartilhamentos nas redes sociais, comprovando assim (nesse aspecto) o sentimento da maioria do povo brasileiro, que clama por posições de pastores mais em consonância com a doutrina moral e social da Igreja, sem ambiguidades, mas de modo firme e cristalino, de modo especial contra o comunismo.

Nesse sentido, os três castigos preconizados por Nossa Senhoras das Graças, às crianças, em Cimbres, podem também estar associados (tendo em vista o que ocorreu durante a Guerra Civil Espanhola), a tais fatores e consequências:  1º) a divisão ideológica do País; 2º) a anarquia social provocada por instituições e grupos aparelhados; 3º) o derramamento de sangue. Mas o “quase” predito pode significar que é possível evitar as situações extremas de tais fatores e consequências, se principalmente as autoridades eclesiásticas exortarem o povo à oração e à penitência, e se, enfim, o comunismo for rechaçado mais explicitamente e condenado (recorrendo aos documentos já existentes da doutrina social da Igreja) por aqueles que tem o dever de orientar os fiéis católicos dos perigos que representam as correntes de pensamento e os partidos políticos que tem como premissa ideológica o ideário comunista. O clero, portanto, não pode estar omisso quanto a isso, para que tais fatores não acarretem tais consequências.

Os castigos previstos podem ser evitados com a oração e a penitência

Os oitenta anos das aparições de Nossa Senhora das Graças, em Cimbres, coincidem com o momento mais crítico da crise econômica e política que colocou em xeque o lulopetismo no País, podendo comprometer assim o projeto de poder do Foro de São Paulo e frear a terceira tentativa de implantação do comunismo. Por isso, se houve previsões de “tempos calamitosos para o Brasil”24, a Mãe do Céu dissera às crianças Maria da Conceição e Maria da Luz que os castigos previstos poderiam ser evitados pela oração e penitência. Esta exortação (em sintonia com todas os apelos feitos por Nossa Senhora, em La Salette, em Lourdes, em Fátima e em todas as demais aparições pelo mundo) indicam as armas pelos quais os cristãos devem se empenhar no combate ao mal. Assim como os cristãos venceram em Lepanto (1571), fazendo do Rosário a “arma da vitória”25, assim também foi a força do Rosário capaz de evitar o derramamento de sangue no difícil processo abolicionista, no séc. XIX, em que a Princesa Isabel fez triunfar a libertação dos escravos, com a Lei Áurea, vencendo também pela oração os desafios das turbulências políticas de sua época.

Nossa Senhora apresentou-se às crianças como “a Mãe da Graça”, e se veio “avisar ao povo que se aproximam três grandes castigos”26, também apareceu com o Menino Jesus em seus braços como “a Mãe do Céu”, “a Mãe de Deus”, para dizer também que é com a oração e a penitência que é possível desviar-se de tais castigos, invocando-a como Nossa Senhora das Graças, e apresentando ainda as devoções ao Coração de Jesus e a ela própria, como práticas para afastar tais males.

A leitura, portanto, de “O Diário do Silêncio”, de Ana Lígia Lira (competente pesquisadora e escritora), torna-se imprescindível para que conheçamos, em detalhes, o que ocorreu em Cimbres, e o quanto atual é a mensagem de Nossa Senhora das Graças, e a validade da sua exortação à oração e a penitência, para vencer a terceira (e mais complexa) tentativa de implantação do comunismo no Brasil.

Hermes Rodrigues Nery é coordenador do Movimento Legislação e Vida. Email: hrneryprovida@uol.com.br

Notas:

  1. https://padrepauloricardo.org/episodios/o-alerta-de-maria-para-o-brasil.
  2. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html
  3. http://museuvitimasdoscomunistas.com.br/saloes/ver/intentona-comunista-1935-
  4. https://www.youtube.com/watch?v=cP5PGY08vbs
  5. https://www.youtube.com/watch?v=cP5PGY08vbs
  6. http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/olavo-de-carvalho-esquerda-ocupou-vacuo-pos-ditadura
  7. Ibidem.
  8. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html
  9. Ibidem.
  10. Ibidem.
  11. http://catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/B29467EA-3048-560B-1CD5958C0D784589/mes/Agosto2006
  12. http://www.acidigital.com/noticias/ex-espiao-da-uniao-sovietica-nos-criamos-a-teologia-da-libertacao-28919/
  13. Roberto de Mattei, O Concílio Vaticano II – Uma História nunca escrita. Porto, 2012, p. 167.
  14. Ib. p. 173.
  15. Ibidem.
  16. Ib. p. 189.
  17. Ib. 152.
  18. Ib. 147.
  19. Ib. pp. 149-150.
  20. Ib. p. 152.
  21. Ibidem.
  22. http://historia-portugal.blogspot.com.br/2009/05/guerra-civil-espanhola.html
  23. https://www.youtube.com/watch?v=Xi6WMq2cQq0
  24. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html
  25. http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com.br/2015/12/integra-da-palestra-princesa-isabel.html
  26. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html

 

Fonte: http://nossasenhoradecimbres.com.br/2016/05/25/artigo-do-prof-hermes-rodrigues-nery-sobre-cimbres/

SOBRE A FEIA SEMPRE-VIVA E AS BELAS ROSAS NUMA NOITE DE MAIO

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Pe. Marcélo Tenorio

Hoje é um grande dia!
É o dia em que, do alto de nossos altares será solenemente coroada a Virgem Maria! É o dia da Coroação!
Sou de uma região que, pelos arredores dos povoados, sítios e fazendas, no início do mês de maio se colocava num mastro improvisado de bamboo ou qualquer outra madeira, um bandeirinha branca, simples, mas indicadora..Mostrava que alí se celebrava o Mês de Maio!
Ah, o Mês de maio da minha vida! Como era belo para nós! Na velha catedral, a  imagem da Conceição, sem o véu sobre a cabeça ( nunca mais vi  uma imagem da Virgem sem o véu, como aquela!…), com olhos vivos, parecendo de verdade ,a olhar para o alto e suas belíssimas mãos sobre o peito, como que cantando o Magnificat!
Ah, o Mês de  Maio da minha infância já tão distante!.
A catedral cheia, todas as noites!
O povo de todas as classes, mas especialmente os simples, com flores na mão:” É para a Santa!”, diziam todos, que com lágrimas nos olhos – de amor e gratidão – subiam ao altar para depositar aos  pés de Nossa Senhora as suas vidas, nas flores colhidas em maio.
” Dai-nos, ó liçen-ça, Senho-ra,
Para ofer-ta vos fa-zer
Estas flo-res que em Maio
Co-lhe-mos pra Vos Tra-zer”
A coroa era trazida nas mãos da coroante: Coroa em ouro branco, tendo no centro o mundo e sobre o mundo a pomba do Espírito Santo. Entre o entusiasmo dos devotos e os sinos da velha catedral, era Coroada Nossa Senhora!
” Aceitai esta coroa,
Virgem Santa ,Mãe Querida,
Que nos sejas, Ó a Rainha,
De um penhor de eterna Vida!”
Hoje é 31 de Maio, dia da Coroação.
Lembro bem que neste  dia, lá em casa, diante de um velho e bicentenário oratório, eu, muito pequeno, arrumava o altar de Nossa Senhora. Era uma também pequena imagem de Nossa Senhora das Graças, a minha predileta….Arrumava, eu o santuário; escondia, com uma cortinazinha os demais santos, pois entendia que a festa era somente de Maria e , sendo assim, só ela deveria aparecer.
Minha mãe comprava para mim algumas flores, as mais baratas ( geralmente sempre-vivas), pois naquela época não se dispunha de dinheiro para comprar rosas somente, como era o desejo dela. Arrumado tudo, esperava à noite e, enquanto na Catedral, que era quase ao lado da nossa casa, acontecia a solenidade da coroação, eu fazia a minha….após a reza o terço, acompanhado por tia Nesta, bem lúcida, apesar de mais de 100 anos de vida.
Certa vez estava eu a arrumar o oratório, num 31 de maio e chegou em nossa casa o sacristão. Era comum  ir sempre por lá, tomar um cafezinho. Ele me olhou e disse à minha mãe: ” É uma pena..quando ele crescer, esquecerá!” – Enganou-se o sacristão!
A vida passou.
A criança cresceu…e, embora os pecados aumentaram, em nada diminuiu o meu amor por Aquela que na minha vida tudo fez.
Hoje não tenho mais o oratório, deram-me uma Matriz….
Não tenho mais a pequena imagem da Graça, deram-me uma Graça enorme…E não me faltam rosas das mais variadas espécies para a festa.
Olho para traz…
Na velha catedral os sinos não mais tocam….
O sacristão lá não mais está.
Todas as mãos que coroaram a bela imagem já se encontram na eternidade.
Somente ela – a imagem- continua lá; deformada por uma pintura de mal gosto, mas continua lá:
 Os mesmos olhos. As mesmas mãos sobre o peito, num Magnificat sem ocaso.
Não sei onde encontrar hoje as ‘ sempre-vivas”..Prefiro essas flores do que as rosas mais caras do mundo. As sempre- vivas são resistentes. Demoram. Persistem, mesmo sem água, por um bom tempo.
É verdade que não são tão belas que as rosas, mas que importa?
As sempre-vivas parecem-se mais comigo, até na feiúra.
Até no “espinhento” de seu dorso.
Nesta noite de tua coroação, Ó Mãe querida, do esplendor onde tu te encontrarás, da altura de teu majestoso vulto, não te espantes, nem te ofendas se os teus olhos sagrados, contemplando as belas rosas colocadas em teus pés, depararem-se, num canto qualquer, com um pouco de sempre-vivas sem perfume algum; elas são a minha oferta, a pobre oferta da minha alma, que apesar do seu pecado, exulta e grita o teu Nome Dulcíssimo, ó Soberana Rainha, minha única esperança.
( Este artigo já foi publicado anos atrás)

“Como Deus fez vynno d’agua”: uma deliciosa cantiga medieval cristã!

 

 

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As “Cantigas de Santa Maria” são um conjunto de 427 composições em galego-português, o antigo idioma que deu origem ao português contemporâneo e que, no século XIII, era a língua da lírica culta em Castela – hoje território espanhol.

A autoria das cantigas costuma ser atribuída ao rei Afonso X, o Sábio. Embora não haja comprovação de que ele seja o autor direto de todas, não restam dúvidas sobre a sua participação na composição de muitas delas.

Na cantiga que aqui apresentamos, a de número 23, relata-se como Santa Maria “mudou o vinho num tonel, por amor à boa dama da Bretanha“. Trata-se de uma lenda, é claro, mas que mostra como a piedade popular baseava boa parte do seu folclore e cultura nas devoções do cristianismo.

Ouça a cantiga acionando o seguinte vídeo, que também mostra a letra original em galego-português. Você pode acompanhar, logo abaixo do vídeo, uma versão do texto mais próxima do português dos nossos dias.

 

Fonte: http://pt.aleteia.org/2016/04/26/como-deus-fez-vynno-dagua-uma-deliciosa-cantiga-medieval-crista/

Por que não devemos rezar os mistérios luminosos?

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Muitos seguidores e seguidoras nos perguntam o motivo de não rezarmos os mistérios luminosos. Os motivos são vários, é o que pretendemos explicar nesse artigo. Convidamos o leitor a uma pequena análise segundo um belo livro que se chama “O Segredo do Rosário” de São Luís Maria de Montfort, dentre outras fontes citadas abaixo, acompanhem!

Primeiro, qual a origem do Rosário? São Luís Maria de Montfortexplica:

“Mas foi somente no de 1214, que a Santa Madre Igreja recebeu o Rosário na sua forma presente e de acordo com o método que usamos hoje. Ele foi dado a Igreja por São Domingos que o recebeu da Bem-aventurada Virgem como um meio poderoso de converter os albigenses e outros pecadores”. [1]

Bem, até aí já desmentimos uma grande mentira, dita por alguns modernistas, de que “o rosário foi feito pelos Papas e não por Nossa Senhora”. Alguns neoconservadores querem a todo custo dizer que o rosário com 150 Ave Marias foi feito por outros papas para assim poder defender os mistérios luminosos (por ter sido feitos pelo Papa João Paulo II). Mas pudemos ver na citação acima que não foi assim! O Rosário foi dado, com um propósito, pela própria Virgem Maria a S. Domingos de Gusmão. Continuando nossa análise, o próprio S. Luíz Maria de Montfort, explica COMO isso ocorreu, vejamos:

“Vou contar-lhes a história de como ele o recebeu, que é encontrada no conhecidíssimo livro “De Dignitate Psalterri” do Bem-aventurado Alano de La Roche. (A importância e Beleza do Santo Rosário, pelo Bem-aventurado Alano de La Roche, O.P., Padre Dominicano Francês e Apóstolo do Santo Rosário).

“Vendo São Domingos que a gravidade dos pecados dos homens estava obstruindo a conversão dos albigenses, adentrou-se numa floresta perto de Tolosa onde orou incessantemente por três dias e três noites. Durante este tempo, ele não fez nada a não ser chorar e fazer duras penitências a fim de apaziguar a ira do Poderoso Deus. Ele se utilizou de disciplina tão drástica que seu corpo estava dilacerado e finalmente caiu em coma. Nesta hora Nossa Senhora apareceu-lhe, acompanhada de três Anjos, e lhe disse:“Querido Domingos, você sabe de que arma a SANTÍSSIMA TRINDADE quer usar para mudar o mundo?” São Domingos respondeu:

“Oh, minha Senhora, vós sabeis bem melhor do que eu pois, depois de vosso Filho JESUS CRISTO, vós tendes sido sempre o principal instrumento de nossa salvação.” Nossa Senhora respondeu-lhe: “Quero que saibas que, a principal peça de combate tem sido sempre oSaltério Angélico que é a pedra fundamental do Novo Testamento. Assim quero que alcances estas almas endurecidas e as conquiste para DEUS, com a oração do meu Saltério.”

Analisando o trecho acima, percebemos que nossa Senhora fala “Saltério”. O que ela quis dizer com isso? O Saltério nada mais é que a alusão aos 150 salmos da bíblia! A bíblia tem 150 salmos, e o rosário dado por ela tem 150 Ave Marias, por isso, a mando da própria Virgem Maria Mãe de Deus, por séculos a Igreja chamou o Rosário de SALTÉRIO ANGÉLICO.

Justamente por isso o número 150 é extremamente importante. Porque o Rosário não é apenas a repetição de Ave Marias, mas existe um simbolismo atrás de tão grande devoção, e este simbolismo foi querido e foi feito pela própria Virgem Maria. Agora eu pergunto: Por que mudar algo que foi feito por ela? Acaso a Mãe de Jesus poderia ter se enganado, ou feito algo “incompleto”? Jamais!
Também fiz questão de colocar em vermelho algumas palavras escritas pelo Santo S. Luis Maria. “Três dias e três noites” “Três anjos” “Santíssima Trindade”. Não lhe parece coincidência demais, logo o número três? Quantos são os mistérios do verdadeiro Rosário? Não são três? (Mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos)? Não é algo a se pensar, já que isso foi feito pela Virgem? O Rosário não é uma invenção humana, que podemos ficar brincando com ele! É um desejo da Virgem, ele veio do céu! A Virgem cita a palavra Saltério, várias outras vezes nas aparições. Quem quiser ler o livro completo é só baixar em PDF no link citado no fim deste artigo.
Mas esta não é a única razão para não se rezar os mistérios luminosos. Sim existem outras! Continuando nossa análise.

Os Mistérios luminosos destroem a tradição Católica e destroem o significado e o Simbolismo do Rosário

1) Se colocarmos um mistério a mais, teremos não 150, e sim 200 Ave Marias!
 – Mistérios Gozosos (50 Ave Marias);
 – Mistérios Dolorosos (50 Ave Marias);
 – Mistérios Gloriosos (50 Ave Marias);
 – Mistérios Luminosos (50 Ave Marias).
Logo, não existe mais Saltério! E o rosário já não faz alusão aos Salmos da bíblia como indicou a própria Virgem Maria acima! Veja que foi vontade da Virgem que o Rosário tivesse 150 Ave Marias, porque, segundo ela “é a pedra fundamental do novo testamento.” Vamos ler novamente este trecho?

“Quero que saibas que, a principal peça de combate tem sido sempre o Saltério Angélico que é a pedra fundamental do Novo Testamento”. [1]

Ademais, os três mistérios (gozosos, dolorosos e gloriosos) exatamente nesta ordem foram feitos por ela! Segue o trecho onde a própria Mãe de Deus enumera os três:

“Rezar estas cento e cinquenta saudações angélicas, lhe disse, é uma oração muito útil, uma homenagem que me é muito agradável. E ainda melhor farão aqueles que recitarem essas saudações com a meditação da vida, da paixão e da glória de Jesus Cristo, pois essa meditação é a alma de tais orações.”  [4]

2) Já não existe a palavra TERÇO se temos um Rosário com 200 Ave Marias: Isso é algo muito óbvio. Vejamos, se temos um rosário verdadeiro, convencional (com 150 Ave Marias), e rezamos 50 Ave Marias, então rezamos UM TERÇO do rosário. Ou seja, dividindo por três (50 + 50 + 50) pegamos um terço do rosário completo. Por isso chamamos as 50 Ave Marias de TERÇO.
Se temos 200 Ave Marias, já não existe um terço, e sim UM QUARTO. Pronto, perdeu-se totalmente o significado do Rosário que durante anos foi conhecido desta maneira, por Santos da Igreja, pelos doutores, pelos Papas, etc. Nossa Tradição vai se perdendo aos poucos, sem nos darmos conta! Além do mais, são três mistérios (novamente o número três), adicionando mais um, não temos mais três e sim quatro mistérios. Mais a Frente citarei e provarei que este número três faz referência também à Santíssima Trindade. Com quatro mistérios, faz referência a que?
Continuando nossa análise, segundo o livro citado de S. Luis Maria de Montfort, logo após o trecho citado acima, ele diz:

“Então ele levantou-se muito consolado, e inflamado de zelo pela conversão dos homens naquele distrito e dirigiu-se diretamente à Catedral. Imediatamente, Anjos invisíveis tocaram os sinos a fim de ajuntar as pessoas e São Domingos começou a pregar. Assim que iniciou seu sermão, desencadeou-se uma tempestade terrível, a terra tremeu, o sol se escureceu, houve tantos trovões e raios que todos ficaram muito temerosos. Ainda maior foi o seu medo quando olharam à imagem de Nossa Senhora, exibida em local privilegiado, e a viram levantar os braços em direção aos Céus, três vezes, para acalmar a vingança de Deus sobre eles, caso eles falhassem em se converter, arrumar suas vidas e procurar a proteção da Santa Mãe de Deus. DEUS quis, por meio destes fenômenos sobrenaturais, espalhar a nova devoção do Santo Rosário e fazer com que este fosse mais vastamente divulgado.” [1]

Hum! Novamente o número três aparecendo aí! Viram? Seria mera coincidência?
3) Vou citar na íntegra um trecho completo do livro, que creio eu que quase nem precisam comentários. Assim diz S. Luis Maria de Montfort, um dos maiores Santos Marianos da Santa Igreja:

“Desde quando São Domingos estabeleceu a devoção do Santo Rosário até ao tempo em que o Bem-aventurado Alano de la Roche o restabeleceu em 1460, ele foi chamado de O Saltério de JESUS e Maria. Isto é devido ao fato dele possuir o mesmo número de Saudações Angelicais (Ave Marias) como os 150 Salmos de Davi. Já que pessoas simples de educação formal não conseguem rezar os Salmos de Davi, o Rosário é considerado tão proveitoso a elas como o Saltério de Davi é para outros. Contudo o Rosário pode ser considerado até mais valioso que os Salmos por três razões; 1- Primeiramente, porque o Saltério Angélico possui um fruto mais nobre, a saber, o Verbo Encarnado, a quem o Saltério Davídico somente o profetiza; 2- Em segundo lugar, assim como a realidade é mais importante do que a prefiguração, e o corpo é mais importante que uma sombra, da mesma forma o Saltério de Nossa Senhora é mais grandioso que o Saltério de Davi que nada mais fez que prefigura-lo; 3- E em terceiro lugar, por ser o Saltério de Nossa Senhora (ou o Rosário composto de PAI Nossos e Ave Marias) é uma obra direta da SANTÍSSIMA TRINDADE e não foi feito através de um instrumento humano. O Saltério de Nossa Senhora ou o Rosário é divido em três partes de cinco dezenas cada, por três razões especiais: 1ª – Honrar as trêsPessoas da SANTÍSSIMA TRINDADE; 2ª – Honrar a vida, morte e glória de JESUS CRISTO (e de Maria) 3ª – Imitar a Igreja Triunfante, ajudar os membros da Igreja Militante e diminuir as dores da Igreja sofredora. 4ª – Imitar os três grupos nos quais os Salmos são divididos: a) O primeiro sendo para a vida purgativa; b) O segundo para a vida iluminativa c) O terceiro para a vida unificativa 5ª – E, finalmente, nos dar graças em abundância durante nossa vida, paz na morte, e glória na eternidade”. [1]

Ufa! Cansei de grifar o número três aparecendo aí sem parar! Mais uma vez, segundo os modernistas, uma série de coincidências ocorrendo, ou não seria coincidências, mas apenas a vontade de Deus e de Nossa Mãe? Eu acredito na segunda hipótese! Lembrando que, a citação acima não foi dita por nós, foi dita por um SANTO: São Luís Maria de Montfort, o qual afirma abertamente que o rosário NÃO FOI feito por mãos humanas, mas veio do céu! Se não foi feito por mãos humanas, não deve ser mudado, e nenhuma mão humana tem direito de “reformá-lo”.

Algo muitíssimo interessante neste trecho acima, é que o Santo afirma que os salmos são uma PROFECIA do rosário. Você sabe o que é uma profecia? Ele diz claramente que os salmos são uma PREFIGURAÇÃO do Santo Rosário, dado pela Virgem! E você acha correto destruir isso? Lá no antigo testamento, certamente já estava nos planos de Deus as 150 Ave Marias, isso significa uma profecia. E 200 faz alusão a que?

4) O Rosário é querido por Nossa Senhora, é a melhor das devoções (depois da Santa Missa), é uma oração PERFEITA, segundo a própria Mãe de Deus.

Assim diz S. Luís Maria de Montfort:

“Não é possível para mim expressar em palavras o quanto Nossa Senhora pensa a respeito do Santo Rosário e de como ela imensamente o prefere em relação a todas as outras devoções”.[1]

E mais um trecho:

“Nunca houve algo em toda a história do mundo que seja mais comovente que a história maravilhosa da vida, morte e glória de NOSSO SENHOR que está contida no Santo Rosário. As quinze cenas principais ou mistérios de Sua vida abrem-se diante de nossos olhos. Não há oração mais maravilhosa e sublime que a Oração do SENHOR (PAI Nosso) e a Saudação Angélica (Ave Maria)! Todos os nossos desejos e todas nossas necessidades são profundamente contidos nestas orações”. [1]

Pergunto novamente: Pode-se reformular o que já é perfeito? A própria Virgem Maria diz que o Rosário lhe agrada muito, e ela também diz que o Rosário contém 150 Ave Marias (e não 200):

Assim disse a própria Virgem Maria a S. Domingos: “Quando os fiéis rezem as Cento e cinquenta Ave Marias e os e os Quinze PAI Nossos, muito me agradam e esta devoção é eficaz para se obter graças. Mas a eficácia aumenta muito mais e me agradarão mais ainda se, enquanto se rezar, meditar na Vida, Paixão, Morte e Ressureição de JESUS CRISTO, pois a meditação é a alma desta devoção.”[1]

Existem muito mais trechos do referido livro onde S. Luís Maria de Montfort diz que o Rosário é a melhor devoção e mais perfeita (depois da Santa Missa), aconselhamos ler o livro completo para maiores informações. Também no livro cita muitos santos que tinham a devoção de rezar o rosário completo todos os dias.

Um Texto do Padre Laguerie sobre os Mistérios Luminosos ²

Uma das respostas mais divertidas das quais o superior do novo Instituto Bom Pastor escreveu em seu Website foi a respeito dos mistérios novos do Rosário recomendado pelo então Sumo Pontífice, Papa João Paulo II. Uma senhora tinha lhe escrito, pedindo sua opinião sobre os novos mistérios e se o Rosário deveria ser condiderado com 4 mistérios ou 3. Para o benefício daqueles que são lingüìsticamente Extra-Galliam, uma tradução será fornecida, embora deva se lembrar que esta tradução não é official. Segue a resposta do Padre abaixo:
Pe. Laguérie, superior geral
do Instituto do Bom Pastor
(IBP).

“Cara Madame Patout, Eu não tenho nenhuma dúvida que poderia haver um grande lucro em meditar os Mistérios Luminosos, tais como a Transfiguração na Mt. Tabor, ou a união em Caná; que riqueza realmente encontramos nestas sublimes páginas de nossos Evangelhos.

Mas por que esses e não outros ainda? Eu poderia fàcilmente inventar para você os mistérios “angélicos” (o anjo de Zacarias, o anjo ou os anjos de São José, o anjo do pool de Siloe, o anjo consolador da Paixão, etc..) ou os Mistérios “aquáticos” (a água do Jordão, a água de Caná, o andar sobre a água, da tempestade acalmada, de Siloe outra vez, etc..) E também os Mistérios “femininos” (a mulher samaritana, a mulher adúltera, Madalena- não confundam com a mulher precedente, a esposa de Pilatos, de Chusa, Herodíadas).
Mas como os provérbios de Salomão dizem, “não mova a pedra da fronteira estabelecida pelos antigos.” Mudando o recanto da piedade, desanima os piedosos a melhor promovê-las.
Numa mão, temos os mistérios mantidos no nosso Rosário Tradicional que foram baseados em Revelações de Santos como São Domingos, e pela própria Sempre Virgem Mãe de Deus.
Na outra, estes mistérios são obviamente escolhidos para serem aqueles de nossa Redenção, e representam nesta consideração, verdadeiramente um pequeno “masterpiece” da síntese teológica.
Por todas estas razões e outras mais, deixe nos manter, nosso Rosário como ele é; e deixe nos tentar contudo, ser cada vez mais fiel a ele.” [2]
O Padre indica algo que é negligenciado frequentemente. Mudando as coisas que são parte ou parcelas de séculos de uma devoção religiosa , há o perigo de se prejudicar a própria devoção. O Rosário é uma devoção que está enraizada nas práticas dos Católicos. (…)
Este aspecto, embora importante, diminui de alguma forma a grande importância de Nossa Senhora, pois foi ela própria que entregou-nos a recitação do Rosário. Foi um presente do Céu para o salvação das almas, com muitas graças prometidas àqueles que empregam-o fielmente. Quem somos nós para “melhorar” uma oração dada pelo Céu? Os Mistérios Luminosos contém alguma beleza; afinal, são encontrados nos Evangelhos e são parte da Revelação. Mas não seria mais sábio talvez introduzir uma nova Ladainha/etc baseado nestes Mistérios ao invés de mudar uma oração tão importante como o Rosário? Há Ladainhas das sete dores, das sete alegrias de Nossa Senhora, entre outros. Uma nova Ladainha poderia ter sido introduzida para ver que frutos elas traríam, sem ter assim que “atualizar” qualquer coisa. Mas alás que não foi assim como as coisas foram feitas. O Rosário é o Salmo de Nossa Senhora, o Salmo dos humildes: 150 Ave Marias para os 150 Salmos. 200 Ave Marias não simboliza qualquer coisa. O conselho que Pe. Laguerie dá é sábio: Deixe-nos prender ao Rosário que temos, e deixe-nos ser fiéis a ele.
Como já foi dito anteriormente: Há uma conexão entre o Rosário e os Salmos. Assim como os 150 angélicos Salmos exaltam a Deus através de Davi, as 150 Ave Marias (Rosário) exaltam a Deus através da Virgem Maria. O Rosário foi concebido nas mãos de São Domingos por Nossa Senhora e desde então sofreu sim um desenvolvimento orgânico (ex: segunda parte da Ave Maria), mas nunca ninguém ousou mudar sua essência composta por 150 Ave Marias que correspondem aos 150 Salmos.
E ainda teríamos um outro problema: em Fátima, Nossa Senhora nos ordenou a rezar ao menos o Terço (50 Ave Marias) do Rosário (150 Ave Marias) diariamente.
Com essa “novidade” dos mistérios luminosos ou da luz teríamos 200 Ave Marias. E o que viria a ser um terço (1/3) de 200? 200 : 3 = 66.6 (lembrem-se do muito conhecido 666). Ou seja, para obedecer Nossa Senhora de Fátima teríamos que rezar ao menos 66.6 Ave Marias, pois esse seria o novo número para se rezar o Terço. Não quero aqui afirmar que este número venha ter alguma relação demoníaca, mas não deixa de ser meio assustador. Adicionar mais essa novidade numa oração que por séculos foi mantida sua essência, seria como afirmássemos que todos os Santos não rezaram o Terço ou o Rosário por completo, afinal, faltava-lhe “algo”.

5) Bento XVI não reza os Mistérios Luminosos, e admite que o Rosário verdadeiro contém Três Mistérios!

Isso pode ser constatado com a seguinte frase do Sumo Pontífice:

“Meu dever para com a Igreja e o mundo, tento cumprir com uma oração que ocupa todo o meu dia’. Oração mental ou verbal, Santidade?, ocorreu-me perguntar, talvez banalmente. Sua resposta foi imediata: ‘Sobretudo verbal: o rosário completo, com seus três mistérios; depois os salmos, as orações escritas pelos santos e as passagens bíblicas e invocações do breviário’. A oração mental é proporcionada por suas muitas leituras de textos de espiritualidade, que se unem aos de teologia e exegese bíblica.” [5]

Respondendo à objeções frequentes quando ao tema:

1° Objeção: “Foi um Papa quem mudou, não fere a infabilidade papal”?

Resposta: Não fere a infabilidade papal de forma alguma. Pois nem todas as falas do papa são infalíveis. O que o dogma da infabilidade papal diz é que o Papa é infalível quando ele fala em questão de Fé e Moral, e ensina à toda a Igreja. É um ensinamento infalível que jamais pode ser rejeitado pelos Católicos. E quando isso ocorre o Papa deixa bem claro que está falando exercendo sua infabilidade. O que não é o caso dos mistérios luminosos.

2° Objeção: “Não estou sendo desobediente em renegar os mistérios luminosos?”

Resposta: Não está. O Papa JPII errou ao adicionar um mistério a mais, que não foi dito por Nossa Senhora. O Papa não é infalível até quando escolhe “a cor das pantufas”. Existem condições para exercer sua infabilidade, sim os Papas erram como nós. Basta ler sobre a vida deles para se dar conta disso. E existe outro motivo de não estarmos sendo desobedientes ao renegar os mistérios luminosos. O Próprio Papa João Paulo II disse que tais mistérios eram OPCIONAIS. Os mistérios luminosos são fruto de uma sugestão de João Paulo II exposta em sua carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, de 16 de outubro de 2002, por meio da qual ele lançou o Ano do Rosário (outubro de 2002 a outubro de 2003).
Que ele estava dando apenas uma SUGESTÃO, que poderia OU NÃO ser acatada. Eis com as palavras do próprio pontífice, assim diz a carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae:

“Considero, no entanto, que, para reforçar o espessor cristológico do Rosário, seja oportuna uma inserção que, embora deixada à livre valorização de cada pessoa e das comunidades, lhes permita abraçar também os mistérios da vida pública de Cristo entre o Baptismo e a Paixão” (§19)”.

O texto latino é ainda mais claro, pois, sem a conjunção concessiva, diz “(…) libero singulorum atque communitatum iudicio relictam (…)”; “(…) deixada ao livre juízo dos particulares e das comunidades (…)”. Ou seja, fala-se de liber iudicius (libero iudicio, no dativo singular) e não simplesmente de livre “valorização”).

Portanto, o não acatamento da proposição dos “Mistérios Luminosos” não implica nenhuma desobediência, sendo essa, inclusive, uma posição protegida pelo próprio propositor. [3]
Como todos devem ter perceibido, os novos cinco mistérios propostos pelo Papa João Paulo II (Rosarium Virginis Mariae, §21) (Mistérios Luminosos) são:
1. O batismo (de Cristo) no Jordão;
2. Sua auto-revelação nas bodas de Caná;
3. Seu anúncio do Reino de Deus com o convite à conversão;
4. Sua transfiguração;
5. A instituição da Eucaristia, expressão sacramental do mistério pascal.
Ora, uma primeira observação a se fazer sobre eles diz respeito ao surgimento de uma grande novidade quanto ao modo de se enunciar um mistério. Se você atentar para o terceiro mistério luminoso, vai perceber que ele não evoca um evento histórico preciso, ao contrário do que sempre foi feito. Veja:
Mistérios Gozosos:
1. A anunciação do anjo São Gabriel a Nossa Senhora;
2. A visitação de Nossa Senhora a sua prima Santa Isabel;
3. O nascimento do Menino Jesus em Belém;
4. A apresentação do Menino Jesus no Templo;
5. A perda e o reencontro de Jesus no Templo entre os doutores da lei;
Mistérios Dolorosos:
1. A agonia mortal de Nosso Senhor no Horto das Oliveiras;
2. A flagelação de Nosso Senhor Jesus Cristo;
3. A coroação de espinhos de Nosso Senhor;
4. O carregamento da cruz rumo ao calvário;
5. A crucificação e morte de Cristo na cruz;
Mistérios Gloriosos:
1. A ressureição de Nosso Senhor Jesus Cristo;
2. A gloriosa ascensão de Cristo aos céus;
3. A descida do divino Espírito Santo sobre os Apóstolos e Nossa Senhora no Cenáculo;
4. A gloriosa assunção de Nossa Senhora aos céus;
5. A coroação de Nossa Senhora como rainha dos céus e da terra;
A fórmula “seu anúncio do Reino de Deus com convite à conversão” foge, definitivamente, ao padrão anterior. E entra em choque, em certo sentido, com o que ensinou o Papa Leão XIII sobre o rosário, quando afirmou que, nele, não nos são apresentados dogmas de fé ou princípios doutrinários, pelo menos de maneira pura, mas fatos concretos das vidas de Nosso Senhor e Nossa Senhora, que contêm, explicitamo-lo nós, dogmas de fé e princípios doutrinários (não descartados nesses os morais) para nossa meditação.
Além disso, o argumento apresentado no §18 da Rosarium Virginis Mariae de que o rosário seria um “compêndio do Evangelho” (o que, por sua vez, justificaria a inserção desses novos mistérios tratando ineditamente da vida pública de Cristo) não nos parece de todo convincente. Afinal de contas, seria mesmo o rosário um mero resumo do Evangelho? E, sendo assim, teria Nossa Senhora inspirado um mau resumo a São Domingos, preterindo a Cristo, já que ele, evidentemente, em sua forma de sempre, não cobre a vida pública de Jesus? Essa hipótese não nos parece razoável. [3]

3° Objeção: “Qual o problema de rezar um mistério a mais? Afinal, Ave Marias a mais só tem a beneficiar.”

Resposta: Não é a questão de rezar mais ou menos. Mas mudar a essência do Rosário. Você poderia perguntar isso a Nossa Senhora não poderia? “Nossa Senhora, porque tu não colocaste mais de 150 Ave Marias.” Certamente ela iria te responder o motivo exato que escolheu este número, não lhe parece?
Mudando o número de Ave Marias e a quantidade de mistérios estamos destruindo a essência do Rosário tal qual a própria Virgem assim o quis.
Se o leitor quiser rezar mais que 150 Ave Marias, ótimo então poderá acrescentar no fim do Rosário, aLadainha de Nossa Senhora, ou então a Coroinha (12 Ave Marias) indicada por S. Luís Maria de Montfort no tratado da verdadeira devoção. Ou simplesmente rezar dois rosários completos. Mas infelizmente as pessoas que contra argumentam com esta frase, geralmente não rezam nem o terço todos os dias, quiçá o rosário completo de 150 Ave Marias, muito menos 200!
Ademais, quantos Católicos rezam verdadeiramente o Rosário completo (150 Ave Marias – Saltério) todos os dias? Pouquíssimos! E aumentar esse número faz as pessoas desistirem de rezá-lo por completo, se não rezam nem o terço todos os dias, muito menos 150 Ave Marias, muito menos ainda 200!

4° Objeção: “Não foi Nossa Senhora que especificou os Mistérios e Sim o Papa São Pio V, se não vão rezar porque Nossa Senhora não mandou, então não rezarão nenhum mistério.”

Essa objeção é tão ridícula, que se você leu o artigo até aqui, verá que ela não tem fundamento algum. Julgamos necessário colocar tal asneira aqui, pois muitos são os que dizem isso sem base nem argumentação. Então vamos repetir para aqueles que ainda não compreenderam muito bem. Assim disse a Virgem Maria:

“Rezar estas cento e cinquenta saudações angélicas, lhe disse, é uma oração muito útil, uma homenagem que me é muito agradável. E ainda melhor farão aqueles que recitarem essas saudações com a meditação da VIDA, da PAIXÃO e da GLÓRIA de Jesus Cristo, pois essa meditação é a alma de tais orações.”

Especificando portanto:

VIDA – MISTÉRIOS GOZOSOS
PAIXÃO – MISTÉRIOS DOLOROSOS
GLÓRIA – MISTÉRIOS GLORIOSOS

O que São Pio V fez da época foi apenas ESPECIFICAR cada um deles, segundo orientações da própria Virgem Maria. Ele não “inventou” nada diferente, ele especificou os acontecimentos da vida de Jesus de acordo com as referidas meditações ditas pela própria Virgem Maria. Aconselhamos a leitura do livro completo, pois nele a própria Virgem diz que é muito agradável a Deus a meditação da Paixão e morte de Jesus Cristo. SIM, A PRÓPRIA VIRGEM MARIA DIZ ISSO, como vocês podem constatar na citação abaixo:

“Sempre que o fiel que está em estado de graça reza o Rosário, enquanto medita nos mistérios da vida e paixão de JESUS CRISTO, obtém a remissão completa e plena de todos os seus pecados (veniais).” [1]

E também o próprio Jesus Cristo, reafirma ao bem aventurado Alano:

“Se ao menos esses miseráveis pecadores rezassem frequentemente meu Rosário, participariam dos mistérios de minha Paixão e eu, como advogado seus, aplacaria a justiça de meu PAI!” [1]

Dentre várias outras frases da própria Virgem Maria especificando os referidos mistérios. A palavraVIDA de Jesus não é exatamente a descrição dos Mistérios GOZOSOS? E a palavra PAIXÃO, não são exatamente a descrição dos mistérios DOLOROSOS? E a palavra GLÓRIA? Preciso dizer? Então como é que alguns pretendem dizer que a Virgem não especificou as meditações?

Certos de termos conseguido esclarecer um pouco a questão, finalizamos o artigo! Espero que tenha sido útil a todos os seguidores!
“O Rosário, depois da Santa Missa é a melhor das devoções”.
São Luís Maria de Montfort [1]
“Um dia Nossa Senhora revelou ao Bem-Aventurado Alano que, depois do Santo Sacrifício da Missa que é o mais importante, e que é o memorial vivo da paixão de Nosso Santíssimo SENHOR, não pode haver devoção mais pura ou mérito maior que aquele do Santo Rosário, que é como um segundo memorial e a representação da vida e paixão de Nosso Senhor JESUS CRISTO”.
São Luís Maria de Montfort [1]

“Rezem o TERÇO todos os dias.”
Nossa Senhora de Fátima

Fonte: http://floresdamodestia.blogspot.com.br/2015/11/por-que-nao-devemos-rezar-os-misterios.html

Belíssimas Aclamações à Nossa Senhora do Carmo

 

Imaginemos a alegria das almas em purgatório quando no Sábado, lá, desce, Nossa Senhora do Carmo.

LETRA:

No ai entendimiento humano
que diga tus glorias hoy,
y solo basta desir
que eres la Madre de Dios.

A na na na na na na…

En la mente de Dios Padre,
fuiste electa para Madre
del vervo que se humano,
tomando en ti nuestra carne.

A na na na na na na…

Una eres en la substancia,
y en advocaciones barias ;
pero en el Carmen, refugio
y consuelo de las Almas.

A na na na na na na…

Tu manto en el purgatorio
es con que el fuego le aplacas,
a Él porque Madre te clama
y en Sábado lo rescatas.

A na na na na na na…

No tiene la criatura
otro auxilio si no clama,
pues por tus Ruegos se libra
de la Sentencia más Santa.

A na na na na na na…

Más y más misericordia
le muestras al que te clama ;
y pues que somos tus hijos,
llevanos a buestra Patria.

A na na na na na na…

El devoto fervoroso
que a celebrarte se inclina,
lleva el premio mas seguro,
como que eres Madre pía.

A na na na na na na…

Pues no habrá quien siendo esclavo,
al fin no se vea libre,
de las penas de esta vida,
si con acierto te sirve.

A na na na na na na…

Viva Nossa Senhora do Carmo!

 

 

 

 

A Estrela e o Sol: dois natais!

Pe. Marcélo Tenorio

E chegou a Noite Santa!

A noite! O Mistério da noite tão cantado pelos poetas, tão buscando pelos homens espirituais, tão vivido pelos enamorados.
A noite! A noite com seu silêncio quase que celestial…Um silencio que faz dormir, repousar os homens de coração cansado , quase esmagados pelo peso de seus fardos e dores.

A noite, com suas trevas que, quando não faz os juvenis perderem-se em seus pecados, realça com sua ausência de luz, as estrelas que brilham no horizonte azul, apontando para nós a eternidade a se avizinhar.
E, se a noite esconde o mal, o maldito, o perverso….também esconde o Santo, o Sagrado, o encoberto pelo mistério de Luz.

Num céu cheio de estrelas Abraão contava as tribos…A noite é testemunha que Deus o visitava.
À noite, só a noite viu Cristo no sepulcro. E a noite, só a noite é testemunha da Glória de um Cristo.
A noite só a noite viu Cristo descendo ao mundo. A noite é testemunha da chegada do Menino

Mas há uma Estrela que desceu antes da Aurora, uma Estrela que veio antes do Sol, menos que o Sol, mas geradora do Sol.
Desce do céu uma Estrela para descer de Deus um Menino.
Antes da Estrela guia conduzir os pastores à fonte de todo Amor, uma Estrela maior era anunciada a Adão após a queda, A Acaz, após a dúvida, à Isabel já fecunda.

E hoje, nesta Noite Santa, nas palhas do presépio, o Sol e a Estrela. O Eterno e a Eternecida. O Divino e a divinizada.
A Mãe e o Filho, a Estrela e o Sol.
Que Mistério de luz, que Mistério de Amor e de Dor!
Maria é essa Estrela que nos dá o Sol da justiça, o Esperado das nações. O Messias prometido, A Alegria de Israel.
Celebrar a chegada do Filho, também é celebrar o Sim da Mãe. Celebrar o nascimento do Filho é também regozijar-se pelo nascimento da Mãe.
Envolvidos nesta musicalidade sem igual, façamos coro aos anjos e deixemo-nos cantar, não com a boca, mas com os nossos cantares da alma. Cantares de gratidão à Mãe pelo Filho, ao Filho pela Mãe. Estrela que vem antes, para depois surgir, na aurora de nossa vida, o Sol da Justiça que não conhece ocaso.
Olhando para o menino e sua mãe, lembro-me de uma bela música do século XVII, com texto de Felix Lope de Veja y Carpio, fala justamente da Estrela que Precede o Sol, do Sol que existia antes da Estrela, mas que por Ela quer nascer numa noite fria, em Belém…

Essa música foi composta para homenagear a natividade da Virgem Maria e, por sua letra, e por sua profunda junção dos dois nascimentos, dos dois natais: o da mãe e o do Filho, deve servir para nós como uma reflexão …uma contemplação do Mistério que envolveu Maria em sua Conceição, manifestando-se plenamente na Noite Santa do Natal, com a chegada do Menino.

“Hoje nasce uma clara Estrela tão divina e celestial,
A alvorada mais clara e bela não lhe pode ser igual,
E sendo Estrela e Tal,
Que o próprio Sol nasce Dela,
O próprio Sol nasce dela
O próprio Sol nasce dela…