ANTES TARDE QUE NUNCA – UM OÁSIS NO DESERTO

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Airton Vieira

(tonvi68@gmail.com)

Em resumo, se há uma verdade psicológica possível de ser descoberta pela razão humana, ela é esta: que, a menos que os católicos possuam e gerenciem escolas católicas, eles não terão ensino católico.

(Novos argumentos a favor das escolas católicas – G. K. Chesterton)

Pais sendo presos e processados por não querer que os filhos sejam (des)educados contra o senso comum racional e objetivo. Estados nacionais inventando pronomes neutros em uma esdrúxula tentativa de acrescer e assim justificar – como se fora possível – a existência de mais de dois gêneros humanos. Escolas idealizando dias comemorativos para que os homens compareçam travestidos de mulheres e vice-versa, estendendo para dentro da unidade educacional o pagão, caricato e daninho carnaval, encimando em seus carros alegóricos o ídolo da ideologia de gênero. Como não bastasse, muitos ambientes “católicos” aderindo à essa bacanal. E tantos eteceteras mais…

Durante duas décadas fui um dedicado funcionário público do setor educacional de um de nossos Estados da Federação, ainda que à metade deste tempo, um pouco ou nada dedicado cristão. Mas em questão de quase uma década atrás lecionava eu numa pequena escola situada em um pequeno município fronteiriço deste Estado com menos de 10 mil habitantes. Ali onde menos se esperaria, chega, em um triste dia, uma coisa estranha travestida de material paradidático para crianças e jovens dos ensinos fundamental e médio com o nome de: “O caderno das coisas importantes – confidencial” (o itálico é meu). Ao modo de subtítulo na primeira das folhas internas, lia-se: “Saúde e Prevenção nas escolas – Atitude para curtir a vida” (sigo com o itálico e não será demais acrescer um “sic!”). Com financiamento do Governo Federal, Ministérios da Saúde e Educação, Unicef e Unesco (cabe aqui novo SIC!; assim, em maiúsculo, com itálico e negrito). Explico-me com apenas uma de suas introduções: “Regras? A única regra é que não existe regra. A não ser, é claro, as suas próprias.” E a citação, creiam-me, não vai desconexa. De repente o Governo nos começa a propor a que formemos as crianças utilizando questões vitais como sua saúde e educação tendo como objetivo “curtir a vida”. E isso, como não bastasse, na base de uma contradição em termos: “sem regras… a não ser as suas”.

Não demoraria muito a que, servida a entrada, logo viesse o prato principal, o famigerado “Kit gay”. Destrinchei, de capa à contracapa o Caderno, mostrando aos alunos do que se tratava e aonde iria dar essa coisa. Claro está que a Coordenação Pedagógica e a Direção da escola estiveram previamente cientes. Me apoiaram. Mas os dias foram passando, céleres,

com coisas, pessoas e cargos sofrendo mudanças. Em ambientes como este costuma-se dizer que “tudo é política”. Das más. E não se fica só na retórica. Com isso e com toda uma reengenharia social em curso o bom senso e a moral vão perdendo força e vigência, passando às voláteis categorias de “novo e velho”, “acacrônico”, “fora de moda” etc. Consequentemente, comecei a não acompanhar os avanços, respeitar as diversidades, vilipendiando assim os humanos direitos e os bons costumes daqueles que já iam desacostumando-se com o bem, o belo e o verdadeiro. Por esse (e outros) combates (o termo correto), convidado fui então a procurar outros recintos educacionais, o que poderia se traduzir em ser ainda convidado a procurar outros recintos residenciais dado ser esta a única escola estadual situada na sede do município. E eu, como dito, era funcionário do Estado.

Assim cheguei à capital, transferido a outra escola onde não somente o estranho Caderno, como o famigerado Kit já haviam dado as caras, e, senão a pleno, ao menos com algum considerável vapor. Aproveitando os vapores, acompanhei as lo(u)comotivas ideológicas do Governo petista impulsionadas pelos ianques imperialistas como o bordão à serpente, acertando-a como podia (cabeça, tronco e rabo), o que me rendeu um mui certeiro processo administrativo por conduta inadequada e pouco ortodoxa com relação aos padrões de meus patrões. Nestes poucos anos não me faltaram, a mim, abaixo-assinados, reuniões de pais e mestres, de direção, coordenação, afastamentos de sala de aula, discussões e quase pancadaria. Insultos, difamações, calúnias e metodologia similar se fizeram também presentes nestes belos anos de algum sofrimento por amor à Verdade. Deo gratias! Não fiz mais que minha obrigação.

Há algumas semanas, traduzindo uma matéria para alguns blogs1, deparei-me com que os católicos do primeiro mundo chegaram publicamente à conclusão de que um dos instrumentos geradores de maior apostasia às crianças e adolescentes modernos são (pasmem!): as escolas e universidades. Que são estes dois inventos da Igreja os canais da desgraça ateia e materialista, inimigas da metafísica e do teocentrismo. Pensei: ao que parece, levamos menos de cem anos para bem interpretar (“cair a ficha”) o que Gramsci e seu singelo método para implantação do comunismo previa como metas indispensáveis à hegemonia do mesmo: “rifar” a Igreja e a Família2, as duas instituições capazes de frear a ideologia judaico-maçônica de Marx e outros arautos do anti-Evangelho. E para lograr tal empreitada – dizia Gramsci –, mister se tomar posse dos instrumentos criados pela própria Igreja como os acima e outros afins. Se não pode vencê-los, junte-se a eles: para vencê-los. Eis o mote. Mas entre o processamento de dados na cabeça de Gramsci ocorridos nos porões dos cárceres das décadas de vinte e trinta e o que vemos hoje ao vivo e à cores (fortes cores!), tempo foi dado de sobra para correr atrás do prejuízo, o que não foi feito a contento, dado que os filhos das trevas continuam ainda mais ágeis que os da luz. Daí que a letargia

já nos vislumbra um pré-juízo por parte do Autor da Boa Nova, que pediu para vigiarmos ao menos uma hora; e já se vão quase cem anos…

Mas, como diz o dito: “antes tarde que nunca”. Enquanto a maioria de uma boa parcela católica ainda dormita em berço esplêndido alguns heróis da fé cientes de sua missão de bons pastores e boas ovelhas vêm há algum tempo remando contra a maré cada vez mais tempestiva, depositando no gazofilácio da história seu óbolo da viúva ao ponto de os frutos começarem a se fazer sentir “mesmo entre os pagãos”. Porque o senso comum, afinal, é comum. A todos. E cedo ou tarde será preferível ao politicamente correto.

Assim foi que o bom Deus conduziu-me a um pequeno “deserto” nestes nefastos dias carnavalescos que antecedem as quaresmas, dado que nestes dias pululam as serpentes a cada esquina, o que redobra o perigo. A princípio, o que seria para mim tão somente um pequeno Convento circunscrito a uma bucólica zona rural de um município centrado em um Estado no centro do País, e procurado para este fim, se revelou um oásis para além da ilusão de ótica. Aonde as expectativas conduziam-me a um sacerdote de Deus que garantisse uma digna Missa, Confissão, Unção para o caso de alguma necessidade imprevista (estes tempos são mui propícios a imprevistos), silêncio, repouso e por certo um “deserto”, a Providência resolve providenciar algo mais. É que no lugar, junto a um jovem ancião sacerdote havia umas quatro dezenas de religiosas, e com elas um internato para moças, e com ele uma escola… CATÓLICA.

Traçarei apenas um esboço para minimamente explicar o porquê da caixa alta acima: é que ali, ao chegar, logrei entender melhor aquilo de Cristo de que as portas do inferno não lograriam prevalecer sobre sua Igreja. E que tal sentença não poderia jamais receber o rótulo de defasada, como tudo o mais dito por Ele. Assim sendo, começo por descrever que ali não se cobra por nenhuma das dezenas de internas, de vários matizes e lugares, que têm “casa, comida e roupa lavada” em um ambiente honesto, limpo, organizado, digno e piedoso (sem pieguice ou farisaísmo). Os alunos externos (nessa categoria também há alguns moços) pagam o que chamaríamos de valor simbólico. E quando podem. As internas (que variam entre cinco e dezoito anos aproximadamente) às 5:15 já estão na capela para orações e Missa, todas asseadas e (muito bem) vestidas, com seus respectivos véus e livros de orações. Possuem ao menos uns cinco tipos diferentes de figurinos para as ocasiões litúrgica, intelectual, laboral, de lazer e repouso. Confeccionadas por elas, assim como sua comida e a higiene do ambiente. As salas de aula não possuem mais que vinte alunos, e que vão da alfabetização ao ensino médio (com direito à formatura). As professoras, todas mulheres, são ainda todas católicas, bem como alunos e funcionários. E nisso não há discriminação, mas coerência. Algumas religiosas também são professoras e funcionárias. Possuem plantação e criação de animais para “ajudar com o leite das crianças”. E poço artesiano para garantir o que só a água é capaz. As aulas ocorrem somente no turno da tarde. Manhãs e noites são dedicadas a estudos, trabalho, lazer e, obviamente, orações. Nas salas, se levanta à chegada de alguma autoridade, cumprimentando-a em uníssono. Se abaixa a fronte pedindo licença ao se passar entre dois adultos que conversam. Os cumprimentos se fazem não com gírias, mas com uma referência à Santa Mãe de Deus. E pais de distintos recantos do país chegam lá para confiar, como Santa Ana, a sua prole, cuja liberdade de retomá-la está facultada no instante mesmo em que a deixa, porque há autêntica liberdade. Lá há passeios (não a shoppings, evidentemente), mas há exposições

frequentes do Santíssimo com adoração. Lá há ordem. Há respeito. Há felicidade. Há paz. Porque há amor e desejo sincero de renunciar a si mesmo, tomar a cruz (pessoal e intransferível) e seguir o Mestre. Porque há um sacerdote que “reza, tem paciência e não se preocupa”3. Porque há mulheres que, renunciando ao dom natural da maternidade, sem deixar de senti-lo pulsando em suas entranhas, recebem o filho alheio à exemplo da Filha que se fez Mãe de toda a humanidade. Tudo, claro, apesar dos pesares próprios dos que vivem “gemendo e chorando neste vale de lágrimas”. Porque aqui não se fala de paraíso na terra, utopia marxista ou paz maçônica: o que dá no mesmo. Aqui não se fala em filantropia; se fala em caritas in veritate.

Duas foram as palavras destinadas por mim ao sacerdote responsável por esta obra: milagre e heroísmo. Este homem, um “lobo solitário” ainda que autêntico pastor, um herói da fé, tem sua vida esteada por milagres contínuos, certamente fruto e resultado de quem leva Deus a sério. Tudo para dizer que o dinheiro que mantém este “oásis no deserto” cai milagrosamente como o maná dos hebreus. É que Deus e por consequência as gentes de boa vontade veem que aqui se toma a peito o que é fundamental: a salvação das almas, objetivo maior de nossas vidas. Tudo gira em função da salvação daqueles e daquelas que o Criador nos confiou, e isso faz TODA a diferença.

Dos dias que lá estive – e que não me foi cobrado absolutamente nada – restou-me a certeza mais que cimentada de que os católicos necessitam “antes cedo que tarde” reaver este instrumento como prioridade de suas vidas: a escola católica. A Igreja nasce para atender às ordens de Cristo de ser seu Corpo a se propagar “até os confins da terra”. Para isso ensinando, curando, pregando, alimentando, vestindo… a fim de santificar o mundo. Ser “sal e luz”, portanto, passa por educar as mentes ao Bem, à Beleza e à Verdade; fazer com que se perceba e se guie pela verdade objetiva, que nada mais é que o obvio e se manifesta no senso comum. Saber que há um começo que ruma a um Fim, e nos pormos a caminho.

Que Nossa Senhora do Rosário, pela intercessão de São Domingos, Santa Catarina de Sena, São João Bosco e, de modo especial, São José, confira longa vida a este lugar, tornando-o modelo a ser – urgentemente – seguido!

Em 07 de março do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2017 (antiga Festa de Santo Tomás de Aquino).

Airton Vieira

Em tempo: A grande parte das escolas e universidades “católicas” hodiernas já podem, com pesar, ser escritas em meio a aspas. Tal qual muitos templos e seus ministros… Como exemplo, lá pelos idos de 1970 já se podia presenciar moças ainda infantes serem nestas escolas vestidas não de Virgem Maria ou de alguma Santa, mas de “Mulher maravilha” para bailar ao som de “Zodiacs” (sic!). O narro como testemunha ocular. Daí que os pastores minimamente ocupados da salvação de seu

rebanho (pais e padres), percebam que já não resolve dar-lhes o santo preceito dominical sem a formação humana e espiritual que o anteceda, acompanhe e prossiga. Já a Igreja em seus primórdios se atentou ao fato. Com tantos e tão claros sinais dos tempos não haverá novamente de se atentar? A este respeito mui significativo o gesto de uma mãe que conheci nestes dias. Em que pese o fato de não ter a seu lado o pai de sua filha, e desta, além de adolescente ser ainda única; viver a muitos quilômetros de distância, o que lhes possibilitaria um reencontro uma vez ao mês; com o coração sangrando e as forças as buscando do Alto, confiou sua criança às maternas e castas mãos das religiosas, como outrora Santana à sua Maria. É que a maior preocupação daquela mãe não era o pranto momentâneo da filha, que por ainda não entender seu gesto sentia-se abandonada por quem lhe deveria amparar; era a possibilidade real do choro e ranger de dentes eternos que rondam como nunca a grande maioria dos pequenos a nós confiados, à solta e indefesos em um mundo cada dia

CONCLAMAÇÃO

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Caros irmãos em Cristo: Salve Maria Puríssima!

Sabemos que estamos na “contagem regressiva” com relação ao centenário da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima-Portugal (13|05|1917). Sabemos que sobre esta data há um – entre outros – mistério associando este e outro centenário ocorrido na França entre 1689 e 1789. Lá, foram protagonistas, além da Igreja, alguns reis e uma santa (à época, religiosa). Aqui, além da Santa Igreja, há presidentes e outra religiosa que haverá, ela também, de ser canonizada. E em lugar da França, a Rússia.

Inúmeros estudiosos e escritores com maior credibilidade e conhecimento de causa poderão falar – e de fato já o disseram – sobre o tema. Recorramos a eles. De nossa parte o desejo é o de conclamar a que unamos nossas vozes filiais à Maria: 1) Mãe de Deus, 2) Sempre Virgem, 3) Imaculada Conceição, 4) Assunta aos Céus; e ainda 5) Corredentora, Medianeira e Advogada, nesta que para muitos, independente do desenrolar do presente ano, será a última vez a que possam se dedicar à “devoção dos cinco primeiros sábados” pedida por Nossa Senhora de Fátima a toda a humanidade através dos Pastorinhos. A Conclamação traz algumas possibilidades:

* Que realizemos a Devoção a partir de janeiro (07/01/2017) culminando em maio (06/05/2017);

* Que realizemos a Devoção a partir de junho (03/06/2017) culminando em outubro (07/10/2017);

* Que a realizemos duplamente, iniciando a segunda após o término da primeira.

Como conclusão e auxílio à possíveis dúvidas quanto à realização desta Devoção, reproduzo extratos de um artigo extraído do site permanencia.org1. Nele, poderão ser sanadas outras dúvidas a respeito da mesma e ainda das indulgências a ela relacionadas, direta ou indiretamente; pelo que aconselhamos sua leitura integral.

Mater Ecclesiae: ora pro nobis!

Em 05 de janeiro do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2017.

Frei Zaqueu

freizaqueu@gmail.com)

Veja aqui sobre a Devoção aos 5 Primeiros Sábados do Mês:

A devoção reparadora dos cinco primeiros sábados do mês

NOSSOS VOTOS DE UM FELIZ NATAL

 

Caríssimos. Salve Maria!

A todos que nos acompanharam durante todo esse Ano de 2016, um SANTO e FELIZ Natal!

Somos-lhes Gratos.

Gratos pela presença.

Gratos pela amizade

Gratos pelas orações.

 

 

 

Tu scendi dalle stelle
oh Re del cielo,
e vieni in una grotta
al freddo e al gelo!
E vieni in una grotta
al freddo e al gelo!

Dolce Bambino mio divino
io ti vedo qui a tremar.
Oh Dio beato,
oh quanto ti costò
l’ avermi amato!
Oh quanto ti costò
l’ avermi amato!

Tu scendi dalle stelle
oh Re del cielo,
e vieni in una grotta
al freddo e al gelo!
E vieni in una grotta
al freddo e al gelo!

Oh Dio beato,
oh quanto ti costò
l’ avermi amato!
Oh quanto ti costò
l’ avermi amato!

Tu scendi dalle stelle
oh Re del cielo,
e vieni in una grotta
al freddo e al gelo!
E vieni in una grotta
al freddo e al gelo!

Dolce Bambino mio divino
io ti vedo qui a tremar.
Oh Dio beato,
oh quanto ti costò
l’ avermi amato!
Oh quanto ti costò
l’ avermi amato!

Tu desces das estrelas
Ó Rei do céu,
e vens numa gruta
ao frio e ao gelo!
E vens numa gruta
ao frio e ao gelo!

Doce Menino meu divino
eu te vejo aqui a tremer.
Ó Deus beato,
ó quanto te custou
ter-me amado!
Ó quanto te custou
ter-me amado!

Tu desces das estrelas
oh Rei do céu,
e vens numa gruta
ao frio e ao gelo!
E vens numa gruta
ao frio e ao gelo!

Ó Deus beato,
oh quanto te custou
ter-me amado!
Ó quanto te custou
ter-me amado!

Tu desces das estrelas
Ó Rei do céu,
e vens numa gruta
ao frio e ao gelo!
E vens numa gruta
ao frio e ao gelo!

Doce Menino meu divino
eu te vejo aqui a tremer.
Ó Deus beato,
ó quanto te custou
ter-me amado!
Ó quanto te custou
ter-me amado!

CAFÉ TEOLÓGICO – JOSEPH RATZINGER REFUTA VERSUS POPULUM

 

DEDICADO a todos os  SEMINARISTAS maravilhosamente TEIMOSOS

 

euEBento

 

Caríssimos, Salve Maria!

Esse “Café Teológico” dedico a todos os SEMINARISTAS de boa vontade que, apesar da crise, teimam em continuar Católicos. Bela teimosia!

O motivo da dedicação é justamente pela péssima formação direcionada e ideológica que acontece em muitos institutos teológicos e seminários. Nessas casas,os formadores que são “ecumenicamente” liberais, defendem a pluralidade de pensamento, mas ao mesmo tempo não admitem que os formandos pensem diferente deles, típica democracia petista, verdadeira como uma nota de dez tostões. 

A vocês, seminaristas católicos meu respeito e amizade. Continuem assim: teimosamente católicos.

Sobre a declaração do Cardeal Sarah,  silenciada em muitos sites de Institutos de Teologia, o desmentido do finado Pe. Lombardi ( esse já bem divulgado em sites desses institutos tupiniquis), trago para todos vocês, queridos seminaristas a defesa da Missa ad Orientem do Cardeal Ratzinger, para angústia dos pseudos  doutores malabaristas do País-das-maravilhas..

Boa leitura….e, continuem Teimosos!

Pe. Marcélo Tenorio

 

Ps. Qualquer reclamação dos reitores,  favor endereçar ao Mons. Joseph  Ratzinger.

 

  1. APRESENTAÇÃO

Neste artigo será demonstrado que as interpretações que vêm sendo feitas, por parte de algumas pessoas, da declaração do Padre Frederico Lombardi, ex-porta-voz do Vaticano, não podem ser as mais corretas.

O então porta-voz disse que não haverá nenhuma norma nova para o advento e que o termo «reforma da reforma» deve ser evitado para não causar interpretações erradas. Na mesma linha partidária, o Padre Antonio Spadaro, editor do jornal La Civiltà Cattolica, levantou alguns argumentos contra a Missa «versus Deum», isto é, «de frente para Deus».

Joseph Ratzinger, hoje Papa emérito Bento XVI

O Cardeal Ratzinger, atual Papa emérito Bento XVI, foi quem promoveu o movimento chamado «reforma da reforma» e contribuiu, como tantos outros ótimos liturgistas, para a compreensão da orientação litúrgica. Pois bem, exporemos o seu pensamento, que se apoia também em outros estudiosos, e, desta forma, refutaremos os argumentos levantados pelos amantes da Missa “ao revés”. O versus populum não é inválido ou ilícito, nem pretendemos isso dizer; queremos apenas demonstrar que o versus Deum também é não somente válido e lícito, mas a melhor forma.

Quanto ao termo «reforma da reforma» é suficiente dizer que não oferece nenhuma possibilidade de má interpretação, pois já foi exaustivamente explicado por inúmeros liturgistas, até mesmo pelo próprio Joseph Ratzinger em diversas oportunidades, inclusive já postamos um desses textos aqui no blog.

Cabe, antes de mais nada, avisar que ao final deste artigo poderá o leitor encontrar um índice para melhor visualização da ordenação das partes. E o aconselhamos que assim faça. Boa leitura.

  1.    INTRODUÇÃO

O Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah, em um discurso para a Conferência Sacra Liturgia UK 2016, no Oratório de São Filipe Néri (Oratório de Brompton), em Londres, instigou os sacerdotes para que pudessem celebrar também a Forma Ordinária do Rito Romano (segundo o Missal de Paulo VI) de frente para Deus, isto é, «Versus Deum», pois, segundo ele, é “muito importante que retornemos o quanto antes possível para uma comum orientação, dos sacerdotes e fiéis, voltados na mesma direção – para o oriente ou pelo menos para a abside”[2].

O oriente (ou leste) é o símbolo da ressurreição e ascensão do Senhor e, igualmente, de sua segunda vinda, que ocorrerá da mesma forma que partiu (At 1, 11). Se o batistério, colocado à porta da Igreja, no Oeste, é o símbolo do princípio do percurso, o altar ao leste é a meta para qual nos dirigimos, caminhando ao encontro daquele que foi, mas que voltará.

O Cardeal africano, no entanto, esclareceu que esta implementação deve ocorrer “com prudência e com a necessária catequese”[3], por isso, cabe um discernimento pastoral para avaliar como e quando esta prática pode ser aplicada. Neste ponto, ele sugeriu que um bom tempo para que os sacerdotes começassem a implantá-la seria no Advento, isto porque é justamente o tempo em que “esperamos «o Senhor que virá» e «que não tardará» (cf. Introito, Missa da Quarta-feira da Primeira Semana do Advento)”[4]. Trata-se de um tempo litúrgico que está intimamente ligado à orientação litúrgica, por isso, a sugestão deste tempo.

Leia também: A reforma da reforma e o futuro do Missal de Pio V

O purpurado se dedicou a outros temas interessantes (cf. o discurso completo), mas foram estas palavras que criaram alvoroço. Assim, após esse pronunciamento do Prefeito da liturgia surgiram debates em muitos lugares, tudo em torno de uma má compreensão tanto do sentido da orientação litúrgica como da legislação atual.

Nessa onda, até mesmo o Padre Antonio Spadaro, editor do jornal La Civiltà Cattolica, entrou na polêmica através de seu Twitter, incentivando a celebração da Missa de frente para o povo, ou para quem quiser, de costas para Deus. O Padre Spadaro citou como argumento, entre outras coisas, o parágrafo 146 da Instrução Geral do Missal Romano para tentar justificar sua opinião “populista”.

O Vaticano mostrando-se preocupado logo apareceu para pôr panos quentes na história. Através de um pronunciamento do Padre Frederico Lombardi, então porta-voz da sala de imprensa (agora o novo porta-voz é Greg Burke, pois Pe. Lombardi renunciou), foi afirmado que não haverá nenhuma nova normativa para o próximo advento e que o termo «reforma da reforma» pode gerar algumas interpretações erradas, por isso seria melhor evitá-lo. Esta declaração do ex-porta-voz caiu como uma bomba, sendo usada pelo clero mais progressista como arma contra o Cardeal Sarah e os católicos que apoiam tanto a orientação Versus Deum como a «reforma da reforma».

Será que o que disse o Padre Lombardi pode realmente ser usado dessa forma? E a reforma da reforma é um termo tão controverso assim? É o que veremos.

  1.    A ORIENTAÇÃO LITÚRGICA: DEUS OU POVO?

Nesta seção dividiremos a problemática da orientação litúrgica em três partes. A primeira consiste em um resumido aspecto histórico, no qual será elaborada a fundamentação histórica e, por consequência indireta, um pouco da razão teológica; a segunda será uma análise da legislação atual, trazendo os fundamentos para que tal prática seja, além de válida, tida por lícita; a terceira, por fim, responderá a algumas objeções, aquelas que mais comumente são utilizadas e as que foram levantadas sobre o pronunciamento do Cardeal Sarah pelos partidários da Missa invertida. Desta forma acreditamos delinear e abarcar toda a questão.

3.1.   HISTÓRIA

Em todo o período da cristandade se há algo que sempre esteve claro certamente é, segundo Joseph Ratzinger [5], “a orientação da oração ao oriente”, que é uma tradição que remonta às origens do cristianismo. Pois já no início da era cristão se tinha o sol como símbolo cristão, e, como se sabe, o sol nasce ao leste (oriente), daí dizer que a própria palavra «orientação» só possui seu sentido lato quando aplicado na direção ao leste.

Joseph Ratzinger, à época Cardeal Prefeito
da Congregação para a Doutrina da Fé

O eminente teólogo alemão diz[6] que “a orientação da oração comum a sacerdotes e fiéis (cuja forma simbólica era geralmente em direção ao leste/oriente, quer dizer, ao sol que se eleva), era concebida como um olhar lançado ao Senhor, ao verdadeiro sol” e que na liturgia católica existe uma antecipação do retorno de Cristo, onde “sacerdotes e fiéis vão ao seu encontro”. E esta orientação na oração, continua, “expressa no caráter teocêntrico da liturgia obedece à exortação: «Voltemo-nos para o Senhor»”.

E é possível, nos afirma o Mons. Klaus Gamber, “provar com certeza que jamais houve celebrações versus populum (de frente para o povo) nem na Igreja do Oriente nem na do Ocidente”[7]. Confira o quanto da liturgia católica está intimamente ligada com a luz, com o sol, com o astro que ilumina. Jean Fournée nos recorda que no natal encontramos um rito enormemente ligado com a mística da luz e o mesmo podemos dizer da Epifania, na qual lê-se Isaías: “Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor”.

Todo o edifício litúrgico gira em torno deste simbolismo; não esqueçamos, por exemplo, a páscoa que com sua vigília nos oferece uma verdadeira riqueza espiritual, onde o Círio com sua luz é o símbolo de Cristo: “O círio que acendeu as nossas velas possa esta noite toda fulgurar; misture sua luz à das estrelas, cintile quando o dia despontar” (cf. Proclamação da Páscoa). Ainda o Deus que é “a força imutável e luz inextinguível” (cf. Vigília Pascal) é louvado todos os dias na Liturgia das Horas no despontar do sol, onde cantamos o retorno da luz que da noite dissipa as trevas.

Dom N. Le Nourry expõe uma das razões de conveniência da orientação na oração, dizendo que “Cristo, na cruz, olhava para o ocidente, era, pois, normal que os cristãos ao contemplar a cruz se voltassem para o oriente”[8]. Para demonstrar ainda como mais solidez a disposição da Igreja ao oriente, é possível citar, entre muitos outros Padres da Igreja, Clemente de Alexandria (+215) e Orígenes (+255):

O oriente é a imagem do dia que nasce. É deste lado também que cresce a luz, a qual em primeiro lugar faz desaparecer as trevas onde se detém a ignorância e de onde se separou o dia do conhecimento da verdade da mesma maneira como se eleva o sol. Por isto, é normal que se dirijam as orações rumo ao nascimento da manhã. [9]

E agora, a respeito da parte do mundo para a qual se deve dirigir para rezar, serei breve. Sendo quatro essas partes: o norte, o sul, o poente e o nascente, quem pois negará que se deve indicar bem claramente o nascente, e que devemos rezar voltando-nos simbolicamente para esse lado, olhando com a alma de certo modo a saída da verdadeira luz? [10]

Se podemos notar a beleza extraordinária encontrada no simbolismo solar, do oriente, o que dizer da cruz? Não é o sol apenas um símbolo, à título comparativo, enquanto que a Cruz figura realmente o Cristo? Não é a Cruz mais brilhante que todos os astros (“O Crux, splendidior cunctis astris”) [11]? Por que então não ver a Cruz como superior ao sol? A Cruz para nós não representa uma vergonha, mas “o testemunho deslumbrante da glória de Cristo com a qual se iluminará o último amanhecer do cosmo”[12], e nos diz Santo Efrem que a cruz que aparecerá no céu é “como o cetro de Cristo, o grande Rei… superando o brilho do sol e precedendo a vinda do Senhor de todas as coisas”[13] e exclama São João Crisóstomo: “Sinal triunfal, mas resplandecente que o astro dos dias!”[14]

Neste ponto, afirma[15] Joseph Ratzinger que “a orientação ao leste tinha uma estreita relação com o “sinal do Filho do Homem”, com a Cruz que anuncia a segunda vinda do Senhor” e, desta forma, “o oriente se uniu rapidamente ao símbolo da cruz”. À esta afirmação ajunta Jean Fournée, dizendo[16] que “nas origens do cristianismo se associa a oração voltada ao Oriente com o culto da Cruz”, sendo “o culto da cruz, antes de tudo, uma homenagem rendida à glória divina”.

Se a Cruz é o símbolo da glória divina, também o é da esperança. Os primeiros cristãos traçavam uma Cruz na parede oriental de suas casas para rezar diante dela, afirma Fournée, expressando a fé na ressurreição e a esperança do retorno glorioso. Este duplo aspecto da cruz confere o significado do presente e do futuro.

Algumas pessoas não sabem, mas a cruz sobre o altar virada para o sacerdote provém de uma ideia (muito inteligente, por sinal) de Joseph Ratzinger. Ele diz[17] que “onde não seja possível a orientação de uns e outros ao leste, a cruz pode servir como oriente interior da fé” e, assim, novamente “a cruz seria o ponto de referência comum do sacerdote e a comunidade que reza”.  Portanto, essa dica dada é um “tapa-buraco” na orientação litúrgica e mesmo essa ideia tem um problema, apontado por Fournée[18].

Como esquecer toda essa riqueza, deixada como patrimônio cristão? E se seria estranho cantar as Laudes durante do tardar do dia, por que não percebemos a mesma incoerência na orientação litúrgica? Será que ficamos tão insensíveis aos símbolos? Esquecemos que o nosso Deus é a luz do mundo e, no nosso espírito desprezível, perdemos todo o sentido externo? Joseph Ratzinger constata esta insensibilidade do homem moderno.

Infelizmente para os partidários da Missa invertida, será doloroso demonstrar que a primeira pessoa que teve a ideia de uma celebração «versus populum» foi um herege. Martinho Lutero, prova Gamber[19], na sua obra “A Missa alemã e a ordem do culto divino” (“Deutsche Messe und Ordnung des Gottesdienstes“) de 1526, diz assim, no capítulo “O domingo para os leigos”: “Conservaremos os paramentos sacerdotais, o altar e as velas até que se acabem ou até que achemos conveniente mudá-los. Todavia, deixaremos que outros que queiram fazer diferente o façam. Porém, na verdadeira missa, entre verdadeiros cristãos, será necessário que o altar não fique como está e que o sacerdote se volte sempre para o povo (…)”.

Em seu livro, “O ordo divino de Cranmer”, Michael Davies merece crédito por haver demonstrado, especificamente no capítulo 11, que o Livro de Oração de 1549 dos reformadores protestantes desejava a destruição dos altares e a ereção de outros separados da abside. Evidencia é que por toda a Inglaterra foram destruídos altares com a revolução protestante. Constatamos que o mesmo se sucedeu nos tempos modernos. Quer queiramos ou não, esta é a origem do versus populum.

Para citar o Brasil é necessário dizer o que se segue. O movimento litúrgico da década de 20 tinha por meta ótimos objetivos, mas começaram a aparecer diferentes teses, caminhos, conforme o parecer individual de cada liturgista. Nisto residia o perigo, o que culminou em várias correções por parte dos papas, em especial por Pio XII. Aqui no Brasil o movimento estava bem representado, de forma fiel e ortodoxa, por liturgistas como Padre João Batista Reus, S.J., mas também chegaram nestas terras homens com seus desvios, e, em 15 de julho de 1933, o bispo Dom Martinho Michler celebrou para seis rapazes, numa fazendo do interior do Estado do Rio de Janeiro, a primeira missa versus populum e dialogada[20].

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Para finalizar este ponto penso ser interessante destacar o fato descrito por Fournée:

Havia antigamente em Paris uma igreja que se chamava de São Bento o “Bétourné”. A origem deste estranho epíteto é o seguinte. O edifício medieval que havia precedido a construção do séc. XVI estava ‘ocidentado’. Esta anomalia chocou tanto o povo que este batizou a igreja de: São Bento le Mal Tourné (mal virada) ou “Mautourné”. Porém ao ser reconstruída e seu altar mor recolocado no oriente, passou a ser de São Bento le Bétourné (bem virada). [21]

3.2.   LEGISLAÇÃO

Comecemos esclarecendo um fato importantíssimo para nossa questão: a orientação versus populum jamais foi proposta pelos documentos do Concílio Vaticano II. Desnecessário provar, basta consultar os textos, mas mesmo assim fazemos questão de constar que Gamber diz o mesmo: “em vão se buscará na Constituição sobre a Sagrada Liturgia, promulgada pelo Concílio Vaticano II, uma prescrição que exija celebrar a Santa Missa de frente para o povo”[22]. E não foi proposta pelo simples fato de que jamais se passou pela cabeça dos padres conciliares um tamanho absurdo!

Mons. George Eder já em 1989 esclarecia o equívoco em pensar que a orientação versus Deum tenha sido proibida pelo Concílio Vaticano II.

O Concílio não pediu em nenhum texto que haja em cada igreja um altar de frente para o povo. Nem no novo código de Direito Canônico há algo a este respeito. O Concílio deixou liberdade neste terreno. Porém una nova moda apareceu, e depois se aponta com o dedo para os que não têm o altar de frente para o povo! Fazem o mesmo por causa do latim. Desde o princípio, eu lutei pelo bilinguismo na Igreja; é a boa solução. Se se canta em inglês, todos contentes, porém se se dizem três palavras em latim… é anticonciliar! Por isto quero me servir no futuro desta liberdade que o Concílio deixou para a língua e para o altar. [23]

É o mesmo parecer do Mons. Michael Schmitz que diz que a celebração da Missa na qual “o sacerdote fica de frente para a assembleia nunca foi mencionado no Concílio Vaticano II e é atualmente uma introdução posterior”[24]. Também Ratzinger o constata ao dizer que “o texto conciliar não fala da orientação do altar para o povo”[25]. Michael Davies, depois de seu estudo, conclui o mesmo ao dizer que “não existe nenhuma ordem, rubrica, regulamentação ou lei dentro do Rito Romano que estipule que a Missa deva ser celebrada de frente para o povo”[26]. Portanto, fica elucidado que o Concílio jamais admitiu a celebração de frente para o povo.

O Padre Frederico Lombardi fez uma confusão entre orientação e forma do rito, como se a forma ordinária estivesse intrinsecamente relacionada com o versus populum. Nada mais falso, como já foi provado acima. E Mons. Schmitz ratifica isso ao dizer que “a posição do sacerdote voltado para o oriente junto com a assembleia não é exclusiva do Rito Romano Clássico [forma extraordinária]”[27].

A forma ordinária (Missal de Paulo VI) não apenas não proíbe o versus Deum como regulamenta. Em diversos locais a rubrica supõe que o sacerdote esteja virado para o altar e não para o povo. Diz o Mons. Schmitz que “algumas das rubricas do Rito mais novo parecem ainda pressupor que o celebrante esteja na mesma direção que o povo, esteja num altar solto ou num altar-mor que tenha um retábulo”[28]. Com mais certeza, conclui Davies: “certamente, as rubricas do Novus Ordo Missae, especificamente, definem a prática tradicional e instrui o sacerdote a fim de que se vire para a assembleia em várias ocasiões e logo vira-se ao altar, por exemplo nos artigos de número 107, 116, 122, 198 e 199 da Instrução Geral do Missal Romano (Institutio Generalis)”[29].

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Os parágrafos citados por Davies possuem numeração diferente, porque ele usa a versão típica ou de 1969 ou 1970, segundo o que pude conferir. Mas os parágrafos em que ele cita se referem aos momentos em que o sacerdote fala com o povo, em diálogo, em por consequência ele deve estar voltado para a assembleia (“versus ad populum”, “stans versus populum”). Atualizando para o Missal de 2002, podemos dizer que o sacerdote volta-se ao povo quando ele, após fazer o sinal da cruz, faz dirige uma breve palavra para o povo (n. 124); após o lavabo, quando convida o povo a rezar, dizendo “Orate, fratres” (n. 146); ao distribuir a paz ao povo, dizendo “Pax Domini sit semper vobiscum” (n. 154); ao fim da Oração Eucarística, ao mostrar a Hóstia consagrada ao povo, dizendo “Ecce Agnus Dei” (n. 157); novamente quando convida o povo a rezar, após a comunhão, dizendo “Oremus” (n. 165); quando abençoa o povo, ao fim da Missa (n. 167 e 185).

O Ritus servandus in celebratione Missae, que é a Instrução Geral do Missal tridentino, também prescreve que o sacerdote esteja voltado para o povo em iguais momentos, conforme podemos notar: “versus populum (…) dicit voce prædicta: Dóminus vobíscum, vel si sit Episcopus: Pax vobis” (cap. V, 1), “ad populum, et extendens ac jungens manus dicit: Dóminus vobíscum” (cap. VII, 1), “ad populum, et versus eum extendens et jungens manus, dicit voce aliquantulum elata: Orate, fratres” (cap. VII, 7), “stans junctis manibus ante pectus versus populum, dicit, si dicendum est: Ite, Missa est” (cap. XI, 1).

A distinção entre o Missal de João XXIII e o de Paulo VI é apenas acidental, pois como a forma extraordinária (tridentina) obriga que a Missa seja versus Deum[30], o tridentino prescreve o virar-se (“vertit se ad populum”), enquanto que o Missal de Paulo VI não tem essa partícula, porque o sacerdote já pode estar voltado para o povo, uma vez que este missal permite a missa versus populum.

O exposto já é suficiente para comprovar que a Missa, segundo o missal de Paulo VI, pode perfeitamente ser celebrada versus Deum; o que para os emitentes teólogos citados é o ideal. Entretanto, para fundamentar ainda mais podemos citar dois argumentos tão fortes quanto os já enunciados: a prática dos papas e a resposta da Congregação para o Culto Divino.

No ano 2000 a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos foi perguntada se na celebração da Missa, de acordo com o Missal de Paulo VI, fica excluída a possibilidade na celebração da “liturgia eucarística, a posição do sacerdote «versus abside»”, isto é, voltado «versus Deum»”. Assim foi a resposta: “A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, «re mature perpensa et habita ratione» (após madura reflexão e tendo em conta) a história litúrgica, responde: «Negative et ad memtem» (Negativo e segundo a opinião) pela qual deve se levar em conta diversos elementos”[31].

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Some-se a isso o fato de que os papas Bento XVI e Francisco celebraram, igualmente, a Missa de Paulo VI com a orientação versus Deum. Em duas ocasiões, o Papa Francisco celebrou, conforme podemos ver no youtube as celebrações[32], enquanto que o Papa Bento XVI o fez incontáveis vezes, já que a sua missa diária em sua capela particular era de tal forma, conforme provamos através de imagens[33] e vídeos[34].

Portanto, comprovamos que o Concílio jamais promoveu ou propôs o versus populum e que a legislação atual permite a celebração versus Deum, conforme parecer apontado por diversos estudiosos, pela resposta da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, bem como através da prática litúrgica dos papas.

3.3.   OBJEÇÕES

Nesta seção serão respondidas[35] as principais objeções que comumente são levantadas contra a orientação versus Deum e também aquelas elencadas nos últimos dias diante do pronunciamento do Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah.

A.    O Cardeal Sarah não tem autoridade para legislar sozinho

Esta objeção se discute assim: Parece que o Cardeal Sarah, sem aprovação papal, não tem autoridade para estabelecer uma norma. Logo, a celebração versus Deum não se sustenta.

Ao que respondemos: É verdade, o Cardeal Sarah, sem aprovação papal, não tem autoridade para estabelecer uma norma. Porém, a conclusão dessa premissa é falsa. Isto porque ela não segue nem da premissa nem da realidade dos fatos. Se é verdade que o Cardeal sozinho não tem tal autoridade, verdade é também que ele não desejou nem estabeleceu nenhuma norma nova. O purpurado não criou norma nenhuma, apenas recordou que a legislação atual, já aprovada, permite tal orientação.

Portanto, a celebração versus Deum se sustenta, mas não pelo pronunciamento do purpurado, mas pelas próprias normas já aprovadas, isto é, vigentes.

B.     O Padre Lombardi: “não haverá nova norma”

Esta objeção se discute assim: O Padre Frederico Lombardi afirmou que não haverá nova norma para o Advento. Logo, desmentiu o Cardeal Sarah e, assim, não é permitida a celebração versus Deum.

Ao que respondemos: Esta objeção é bastante semelhante à anterior, tanto na matéria como nos erros que nela são encontrados. O Cardeal Sarah jamais afirmou que o Advento haveria de ter uma nova norma, apenas aconselho este tempo como o início para o uso da orientação, tendo em vista que é um tempo propício, porque o versus Deum está intimamente ligado à esperança do retorno de Cristo. Portanto, o antigo porta-voz da sala de imprensa não desmentiu nada nem ninguém.

A segunda conclusão do nosso oponente (“não é permitida a celebração versus Deum”) é, mais uma vez, uma falácia, pois não segue da premissa, por isso não convém repetir o que já dissemos no item A.

C.     O Cardeal Sarah não obrigou, mas incentivou

Esta objeção se discute assim: O Cardeal Sarah, em seu discurso, não obrigou a celebração orientada, apenas incentivou. Logo, não devemos celebrar versus Deum.

Ao que respondemos: A premissa está correta, pois o purpurado nem mesmo poderia obrigar, tendo em vista o que já dissemos no item A. Entretanto, mais uma vez, a conclusão não segue da premissa, pelo contrário, ela, a conclusão, é contrária à premissa, pois se o purpurado incentivou, como bem disse nosso oponente, como podemos disso concluir que não devemos celebrar versus Deum?

Portanto, esclarecemos novamente que a legislação permite a celebração orientada e que o cardeal, seguindo a mesma linha dos estudiosos já apresentados, prefere a celebração de frente para Deus àquela de frente para o povo, por inúmeros motivos que não cabem neste trabalho resumido. Em outra oportunidade poderemos destacar as razões, além das que já ficaram implícitas aqui, pelas quais a celebração de frente para Deus é a melhor.

D.    O parágrafo 299 da Instrução Geral proíbe o Versus Deum

Esta objeção se discute assim: Parece que o parágrafo n. 299 obriga que o altar esteja separado da parede e que a celebração seja versus populum. Logo, não é permitido celebrar versus Deum.

Ao que respondemos: Essa objeção levantada está equivocada por sua interpretação do parágrafo citado, pois, conforme veremos, a correta interpreta da Igreja é que tal trecho resulta em uma sugestão apenas.

Assim diz o número 299 da Institutio Generalis: “Altare exstruatur a pariete seiunctum, ut facile circumiri et in eo celebratio versus populum peragi possit, quod expedit ubicumque possibile sit.” (O altar seja construído afastado da parede, para que possa facilmente ser circundado e nele se possa celebrar de frente para o povo, o que convém realizar em todo lugar que for possível).

Uma análise dos termos usados nos conclui que, de fato, trata-se de uma sugestão. Toda a questão gira em torno da última oração que diz «quod expedit ubicumque possibile sit», pois parece ser obrigatório que o altar esteja separado da parede e a celebração seja de frente para o povo. No entanto, Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, na resposta de 25 de setembro de 2000, que já citamos, explica que o termo «expedit» (convém) expressa uma sugestão, isto é, permanece uma opção, não uma obrigação.

Antes de tudo, deve-se recordar que o termo «expedit» não constitui uma forma obrigatória, mas uma sugestão, que diz respeito tanto à construção do altar a «pariete seiunctum» [separado da parede], quanto à celebração versus populum [de frente para o povo].

(Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, 25 de setembro de 2000)

Fazendo menção a esta resposta da Congregação para o Culto divino, Ratzinger também explica que a interpretação proibitiva não é a correta.

“Esta interpretação [de que o número 299 proíbe o versus Deum], no entanto, foi rechaçada pela competente Congregação para o Culto Divino, em 25 de setembro de 2000, quando explicou que a palavra “expedit” não expressa uma obrigação, mas um conselho”[36].

Portanto, a interpretação correta nos indica que tanto a posição do altar separado da parede como a celebração de frente para o povo são apenas uma sugestão.

            Além disso, é necessário dizer que o altar separado da parede em nada contraria a celebração versus Deum, ad abside, por que não é a posição do altar em relação ao templo que importa, mas a posição do sacerdote, em conjunto com o povo, em relação ao altar. Em outras palavras, não importa que o altar esteja separado da parede ou não, pois de qualquer modo o sacerdote e o povo podem se colocar diante dele, na mesma direção.

            O Missal da forma extraordinária, tridentino, inclusive regulamenta a forma como deve ser incensado o altar quando ele estiver separado da parede, como diz Gamber:

Que o altar deva estar separado da parede “a fim de ser facilmente circundado” é outra questão. Esta exigência da Congregação dos Ritos está totalmente de acordo com a tradição (o pontifical romano tradicional, no capítulo “Sobre a dedicação das Igrejas”, exige expressamente que o altar não esteja fixo à parede, para que se possa dar a volta por todos os lados a fim de cumprir convenientemente os ritos da consagração. O “Missal de São Pio V” – edição de 1962, por outro lado indica a maneira como a incensação deve ser feita com este tipo de altares. Ao contrário do que se pode normalmente crer, o altar assim disposto está perfeitamente de acordo com a tradição, ainda que a partir da baixa idade média se tenha preferido normalmente fixá-lo à parede). [38]

E.     Deus é espírito, está em todo lugar

Esta objeção se discute assim: Deus é espírito, está em todo lugar, logo não é necessário fixar os olhos no crucifixo para a Ele rezar.

Ao que respondemos: É verdade que Deus é espírito e, por consequência, é onipresente, isto é, está em todo lugar. No entanto, esta doutrina de fé somente existe como consequência do Deus que nos revelou. Se podemos rezar em qualquer lugar, pelo fato de Deus está lá, no ouvindo, também é verdade que este mesmo Deus se encarnou, tomou a matéria, a carne. Deus “tomou um corpo, entrando no espaço e no tempo da terra, assim é apropriado que na oração – pelo menos na liturgia comunitária – nosso falar com Deus seja «encarnado», que seja cristológico, que, através da mediação do Verbo Encarnado, se dirija ao Deus trinitário”[39], assim responde Joseph Ratzinger.

Portanto, o dogma de fé apenas nos possibilita rezar em qualquer lugar, mas devemos viver a fé revelada em sua totalidade, não apenas num único aspecto, e, esta revelação, nos ensina a encarnação que deve transparecer na liturgia. Sendo assim, uma liturgia encarnada, baseada em toda a revelação, pressupõe que todos, sacerdote e fieis, estejam voltados para um símbolo visível, o oriente real ou simbólico.

F.     A Basílica de São Pedro tem altar no centro da Igreja

Esta objeção se discute assim: Parece que nem sempre e em todo lugar foi observada a celebração versus Deum, pois a Basílica de São Pedro possui um altar no centro da nave da Igreja.

Ao que respondemos: O altar foi construído já em tempo tardio, segundo o parecer de Joseph Ratzinger, “provavelmente porque assim ficaria em cima da tumba de São Pedro”[40], fazendo com que o Sacrifício do Senhor expressasse concretamente a comunhão dos santos, conclui o teólogo.

Isso poderia levar alguns a achar que o versus populum era adotado. Entretanto, não é bem assim a realidade dos fatos. A Basílica está “orientada para o ocidente”, por isso o parecer mais provável e seguro é de que o “sacerdote ficava atrás do povo, e, consequentemente, o povo lhe dava as costas”[41], não se tratava de uma celebração cara à cara, mas também orientada, onde todos estavam voltados para a mesma direção, o oriente real (leste).

Acrescenta-se o que diz Fournée sobre este assunto:

[…] em algumas das primeiras basílicas romanas, cuja abside estava para o oeste e a entrada ao leste, e onde, consequentemente, os fiéis olhavam para o ocidente, o sacerdote assim celebrava voltado para o oriente. Tal disposição acarretava forçosamente a Missa versus populum, porém esta não passava de uma consequência e não de uma disposição ritual querida sistematicamente. É, pois, uma afirmação errônea pretender que na Igreja primitiva a Missa se celebrava voltada para o povo. É mais exato dizer que a celebração estava orientada, qualquer que fosse a posição dos fiéis no edifício. Porém quando estes, ao estar situados diante do altar, se encontravam voltados para o oeste, era-lhes prescrito em certos momentos da celebração, especialmente na oratio fidelium, o voltar-se para o leste, e consequentemente, dar as costas ao celebrante e ao altar. Acontecia o mesmo ao convite do Sursum corda. Estas prescrições são anteriores ao primeiro Ordo Romanus, ou seja, pelo fim do séc. VII. O Ordo Romanus I prescreve a orientação durante o Glória, a Coleta e a Oratio fidelium, e reitera a obrigação para o celebrante de estar sempre olhando para o leste durante toda a ação eucarística, desde o prefácio até a doxologia final. [42]

O Pe. Josef Jungmann, um dos mais importantes historiadores do rito romano, diz que “a afirmação, normalmente tão repetida, de que o altar da igreja primitiva supunha sempre que o sacerdote estava voltado para o povo, se comprova que é uma lenda”[43]. Portanto, a objeção não refuta o fato de que, historicamente, jamais a Igreja celebrou missa versus populum, isto é, como sacerdote e fieis olhando-se mutuamente.

G.    A Ceia do Senhor foi celebrada versus populum

Esta objeção se discute assim: Parece que a Ceia do Senhor, nas vésperas de sua Paixão, foi celebrada com os discípulos à sua frente, logo esta é a forma original da Missa.

Ao que respondemos: O argumento é impreciso e carece de fontes históricas. Joseph Ratzinger, para refutar tal objeção, cita[44] Louis Bouyer, eminentíssimo estudioso, que diz que este argumento “se baseia simplesmente em uma concepção equivocada”, pois no início da era cristã “aquele que presidia uma comida jamais sentava na frente dos demais”, “todos estavam sentados, ou encostados, no lado convexo de uma mesa em forma de sigma ou de fechadura”, portanto “todos os participantes se encontravam no mesmo lado da mesa”.

            Acrescenta-se os resultados dos estudos de Gamber e também de Louis Boyer que chegam às mesmas conclusões:

No tempo de Jesus, e em alguns séculos mais tarde, usava-se uma mesa redonda ou uma mesa em forma de sigma (em semicírculo). A parte dianteira ficava livre para permitir servir os diferentes pratos. Os convidados estavam sentados ou deitados por trás da mesa semicircular. Para isso usavam uma espécie de sofá ou um banco, em forma de sigma. [45]

Em todos os banquetes da antiguidade, tanto judeus, como pagãos, nunca se davam a cara… pela simples razão de que todos os participantes estavam situados no lado convexo de uma mesa em forma de sigma, reservando-se o lado côncavo para o vai e vem dos que serviam. De tudo isso resulta que a denominada Missa “de frente para o povo” não é mais que um total contrassenso ou mais ainda uma pura falta de sentido. [46]

            Portanto, é historicamente infundada a objeção levantada.

H.    A Missa é apenas um banquete

Esta objeção se discute assim: Parece que a Missa é apenas um banquete, assim não faz sentido estar olhando para uma direção, menos ainda para a cruz.

Ao que respondemos: Se nosso opositor chegou a tal afirmação, podemos dizer, sem duvidar, que está deixando à largos passos a Fé católica. Joseph Ratzinger diz[47] que neste ponto “os termos comida ou convite não podem descrever adequadamente a Eucaristia” e que, se não há dúvida que nosso Senhor tenha introduzido a ideia do banquete judaico no culto cristão, também não há dúvida que “a Eucaristia remete à cruz”.

A Constituição De Sacra Liturgia, no número 47, explica assim a Missa:

O nosso Salvador, na última Ceia, na noite em que foi traído, instituiu o Sacrifício Eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue, para perpetuar o Sacrifício da Cruz pelos séculos afora, até à sua vinda, deixando deste modo à Igreja, sua dileta Esposa, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que se recebe Cristo, se enche a alma de graça e é dado o penhor da glória futura.

E, fazendo menção a estas palavras, o Papa Paulo VI, na Encíclica Mysterium Fidei, diz que elas “exaltam-se ao mesmo tempo não só o Sacrifício, que pertence à essência da Missa, que todos os dias é celebrada, mas também o sacramento, no qual os fiéis comem, pela sagrada comunhão” (grifo nosso). E o Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium, recolhe a mesma citação no parágrafo 12. Mas friso o que nos interessa: o aspecto sacrifical faz parte da essência da Missa.

Portanto, podemos afirmar que a objeção é, igualmente, falsa e herética.

I.       Jesus está nas pessoas

Esta objeção se discute assim: Parece o homem 1) é imagem e semelhança de Deus, que Jesus 2) está presente em todas as pessoas e que está presente de 3) forma especial no sacerdote. Logo não há necessidade de estarem voltados para o oriente e, mais, seria até mesmo conveniente o olhar mútuo.

Ao que respondemos: Podemos dizer que o ser humano, enquanto criatura especial, 1) é imagem e semelhança de Deus, mas que nem sempre 2) tem Deus no seu coração e que a 3) presença de Cristo no sacerdote é singular. No entanto, estas presenças são diversas, com graus diferentes, e não podem ser usadas como fundamento para uma orientação cara a cara, principalmente pelo fato de serem, sobretudo e ao fim, invisíveis, isto é, não podem ser vistas senão aos olhos da fé.

RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. O ser humano é imagem e semelhança de Deus, conforme professa a doutrina católica, no entanto essa imagem e semelhança não é física, nem visível corporalmente. Joseph Ratzinger desacreditou[48] que este argumento pudesse ser levantado com seriedade, “já que não é tão fácil ver a imagem de Deus no homem”, pois a imagem de Deus não é visível aos olhos, mas “somente com a nova visão da fé”.

Esta imagem e semelhança diz respeito ao fato de Deus ter imprimido, juntamente com o sopro da vida, a razão. É a razão que nos faz semelhantes à Deus, e, por isso, diz Santo Agostinho que “o que faz a excelência do homem é que Deus o fez à sua imagem, pelo fato de lhe ter dado um espírito inteligente que o torna superior aos animais.”

Esta imagem e semelhança não é perfeita, mas imperfeita, sendo usada como advérbio de modo, conforme verifica-se através da preposição “a” da frase, exprimida pela contração com o artigo “a”, resultando em crase. Por dizer que o homem é imagem, ele é semelhança, enquanto que à imagem, demonstra a imperfeição da semelhança, pois a semelhança perfeita somente pode ser encontrada em Jesus, por possuir identidade de natureza com o Pai e o Espírito Santo, conforme o parecer de Santo Tomás.

RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO. Devemos dizer que Deus está no coração não do homem, mas do justo, e que esta presença especial não altera sua natureza, apenas a eleva. Santo Tomás diz assim: “Assim, pois, a não ser a graça santificante, nenhum outro efeito pode ser a razão de um novo modo de presença da Pessoa divina na criatura racional.” (Suma, I, q.43, a.3). Portanto, é falso afirmar que esta presença é encontrada em toda pessoa; verdadeiro é, porém, dizer que toda pessoa é capaz de possuir esta presença, de forma gratuita.

A graça santificante do Espírito é o Amor, que eleva a natureza humana a um nível mais sublime, mas como a graça não destrói a natureza, segundo o Doutor Angélico, e, por isso, segue-se que a natureza humana permanece a mesma, substancialmente humana. De tal forma, igualmente falso é afirmar que podemos, através dos sentidos externos, ver Deus no homem, ainda que supondo a existência da graça.

RESPOSTA À TERCEIRA OBJEÇÃO. É necessário dizer, para ser mais preciso, não que Cristo “está” no sacerdote, mas, ao contrário, que o sacerdote age na pessoa de Cristo. Atuar na pessoa de Cristo não é, em sentido estrito, ser Cristo (embora haja um sentido verdadeiro para tal) substancialmente, uma vez que Pessoa não se multiplica por ser indivisível.

  1. a) Este modo de atuar, in persona Christi, é sacramental, não alterando em nada a natureza do homem ordenado. Por isso, embora o sacerdote aja sacramentalmente na pessoa de Cristo, não pode ser adorado, mesmo celebrando a Missa.
  2. b) Quando o sacerdote, através do caráter a ele conferido pelo sacramento da ordem, atua in persona Christi o faz por um poder a ele concedido. Este poder, ordem, é estrito, no sentido que não se estende para além do conferido, que é a realização do sacramento. Por essa razão, mesmo celebrando uma Missa (agindo in persona Christi) o sacerdote não poderia, por exemplo, ressuscitar um morto através deste caráter sacramental. Se o pode fazer provém, porém, de uma graça distinta, pois pela Ordem é conferido o poder apenas de realizar o sacramento, segundo parecer de Santo Tomás (Suma, III, q.82, a.1).

Conclui-se, portanto, que é de todo falso alegar que o ministro do sacramento da Eucaristia possa ser o centro das atenções, por agir na pessoa de Cristo.

J.      «Não é conveniente rezar voltado para a parede » ou «7 razões para celebrar versus Deum»

Esta objeção se discute assim: A orientação versus abside não traz nenhum benefício à qualidade da celebração. Logo, ou as duas direções, versus populum e versus abside, tem o mesmo peso ou ainda a primeira é superior à segunda.

Ao que respondemos: Nosso adversário em sua apologia à Missa “ao revés”, por fim, esquecendo tudo o que já foi dito afirma, sem fundamentação alguma, que a direção versus populum ou é igual à orientação versus abside ou é melhor. Para refutar, mais uma vez, essa mirabolante direção seria interessante expor todos os bons motivos pelos quais a orientação versus abside é melhor. Porém, como nosso espaço é curto, apenas citaremos algumas, dentre muitas outras, restringindo-nos a dizer alguma palavra somente nos itens que ainda não havíamos citado.

Enumeramos sete razões para o uso da forma «versus abside», «versus Deum» ou «Ad orientem», como queiram nomear, de acordo com as particularidades de cada termo.

  1. Está em total continuidade e harmonia com a tradição católica

Já provamos exaustivamente que a orientação Versus Deum remonta às origens do cristianismo, conforme demonstrado pelos escritos dos primeiros cristãos. Nenhuma palavra a mais é necessária!

  1. Não provém do protestantismo, como é o versus populum

A orientação Versus Deum provém de tradição legitimamente católica, enquanto que o Versus populum remonta às reformas protestantes, conforme já ficou provado. Ninguém pode tirar o puro do impuro (Jó 14, 4)!

  1. Transparece melhor o caráter sacrifical da Missa e não apenas a ideia de banquete

Por que os protestantes rechaçam a ideia de uma celebração orientada? Por causa da doutrina que eles negam: o caráter sacrifical do sacramento. Não é necessário é expor novamente que a Fé católica ensina que o caráter sacrifical faz parte da essência da Missa, o Sacrifício da nova e eterna Aliança, conforme vimos no item H. Convém apenas destacar que a orientação versus populum inverte a Missa, fazendo com que a ideia secundária, isto é, a ideia de banquete, passe a ser a principal.

O grande promotor do movimento litúrgico, Dom Prósper Guéranger, O.S.B., abade de Solesmes, alertou em seu famoso livro Institutions Liturgiques[49], de 1840, que uma das heresias anti-litúrgicas dos sectários era o de substituir o sacrifício pelo banquete: “Nada também de altar, mas simplesmente uma mesa; nada de sacrifício, como em toda religião, mas simplesmente uma ceia.”

A utilização do altar sempre fez referência à sacrifícios, desde das religiões pagãs, passando pelo judaísmo, e chegando no cristianismo como o Sacrifício da Nova Aliança. E Gamber explica que a posição do sacerdote nesses sacrifícios também tem sua correlação.

O sacerdote se coloca diante do altar do sacrifício, não atrás. O mesmo fazia o sacerdote entre os pagãos. No santuário, seu olhar se dirigia para a representação da divindade a quem se oferecia o sacrifício. O mesmo se fazia no Templo de Jerusalém, onde o sacerdote encarregado de oferecer a vítima se colocava diante da “mesa do Senhor” (cf. Ml 1,12), como se chamava o grande altar dos holocaustos situado no centro do Templo, de frente para o templo interior, que guardava a arca da aliança no Santos dos Santos, lugar onde habita o Altíssimo (cf. Sl 16,15). O oficiante está separado da multidão e se põe diante desta, diante do altar e voltado para a divindade. Sempre as pessoas que oferecem um sacrifício estão voltadas para aquele a quem se destina o sacrifício e, nunca, para os que participam na cerimônia. [50]

E essa busca por transformar a celebração da Missa em simples banquete é demonstrado também pelo arranjo do próprio altar, que em muitos lugares nem mais se colocam castiçais e o crucifixo, apenas flores; “deseja-se apenas uma mesa para a comida e não um altar”[51], completa Gamber. A esta ideia também ajunta o Padre Manfred Hauke, no Congresso sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum, acontecido em Roma no ano de 2015, que constatou que a orientação favorece enormemente o caráter sacrifical da Missa.

A preeminência do sacrifício pela descrição da Santa Missa tem também suas consequências para a orientação da oração. Ao sacrifício corresponde o voltar-se para Deus por parte do celebrante e de toda a assembleia litúrgica. Quando o sacerdote fala com Deus, não faz sentido pedir que ele se volte em direção à assembleia. É melhor, se o celebrante se volta junto com toda a assembleia para a cruz e para o altar, possivelmente na direção do oriente. O oriente, o sol nascente, está no lugar de Cristo ressuscitado cujo retorno esperamos no fim dos tempos. Um voltar-se ao povo, pelo contrário, é conveniente para a proclamação da Palavra de Deus e pela comunicação da graça nas saudações, na bênção e na distribuição da Comunhão. Esta orientação é possível também no rito de Paulo VI, mas as disposições do rito antigo parecem mais propícias a este fim, colocando no centro a cruz, o altar e o próprio Senhor no Tabernáculo. [52]

  1. A posição física está de acordo com a disposição espiritual e interior

A Congregação para o Culto Divino esclareceu, na resposta já mencionada do ano 2000, que na celebração da Missa devemos distinguir duas orientações: a física e a espiritual. A orientação física, ou topográfica, é a posição do sacerdote em relação ao altar e à assembleia, havendo duas espécies: ad abside e versus populum, enquanto que a orientação espiritual (interior), encontrada em uma única espécie, diz respeito à orientação em relação à Deus.

Textualmente, a Congregação diz assim:

No entanto, qualquer que seja a posição do sacerdote celebrante, é claro que o Sacrifício Eucarístico é oferecido a Deus Uno e Trino, e que o sacerdote principal, Sumo e eterno, é Jesus Cristo, que atua através do ministério do sacerdote que preside visivelmente como Seu instrumento. A assembleia litúrgica participa na celebração em virtude do sacerdócio comum dos fiéis, o qual tem necessidade do sacerdote ordenado para ser exercido na Sinaxis Eucarística. Deve-se distinguir a posição física, relacionada especialmente com a comunicação entre os diversos membros da assembleia, e a orientação espiritual e interior de todos. Seria um grave erro imaginar que a orientação principal do ato sacrificial seja para a comunidade. Se o sacerdote celebra versus populum, o que é legítimo e muitas vezes aconselhável, a sua atitude espiritual deve ser sempre versus Deum per Iesum Christum, como representante de toda a Igreja. Também a Igreja, que assume forma concreta na assembleia que participa, está toda voltada versus Deum como primeiro movimento espiritual. (grifo nosso)[53]

A mesma Congregação já havia explicado esta distinção em uma outra oportunidade, nestas palavras:

Convém explicar claramente que a expressão «celebrar voltados para o povo» não tem um sentido teológico, mas somente topográfico-posicional. Toda celebração da Eucaristia é «ad laudem et gloriam nominis Dei, ad utilitatem quoque nostram, totiusque Ecclesiae sua sanctae». Teologicamente, portanto,a Missa é sempre dirigida a Deus, em favor do povo[54]. Na forma de celebração é preciso estar atento a não confundir teologia e topografia, sobretudo quando o sacerdote está no altar. Somente nos diálogos a partir do altar o sacerdote fala ao povo. Todo o resto é oração ao Pai por meio de Cristo, no Espírito Santo. Esta teologia deve poder ser visível. (grifo nosso)[55]

Desses dois textos da Congregação para o Culto Divino extraímos quatro importantes ensinamentos, enumerados abaixo:

(I)               É necessário distinguir o aspecto externo (físico-topográfico) e o interno (espiritual-teológico);

(II)               O aspecto interno é sempre dirigido ad Deum;

(III)            O aspecto interno deve poder ser visível;

(IV)            É um grave erro imaginar que a Missa é dirigida ao povo.

Assim, portanto, na celebração «ad abside» os dois aspectos (internos e externos) coincidem, garantindo que o item (III) seja observado, isto é, a teologia (culto oferecido à Deus) é expressa no exterior, no visível. Enquanto que na celebração em sentido contrário o culto que é oferecido à Deus não é expresso no exterior, nem sempre cumprindo o item (III).

  1. Demonstra melhor que a Missa é celebrada para Deus

Esta afirmação se deduz da anterior, uma vez que quando o interior coincide com o exterior, coincide, obviamente, que o culto oferecido à Deus é manifestado com maior força nas ações. Isto não somente oferece uma nobre catequese aos fiéis, como também os ajudam a viver a Ação litúrgica, tal qual sua natureza. E como se isto já não fosse suficiente, notamos ainda que somente a celebração da Missa «versus populum» está sujeita ao «grave erro» mencionado no item (IV) da afirmação anterior.

  1. O Versus Deum também não prejudica a audibilidade

Apenas um único argumento plausível é levantado a favor do versus populum, o da melhor audibilidade, isto é, as palavras são melhor entendidas pela assembleia de fiéis. É exatamente esse o fundamento que é citado pela Congregação para o Culto Divino quando na resposta do ano 2000 diz que “a posição versus populum parece ser a mais conveniente visto que torna a comunicação mais fácil”, remetendo-se ao texto de 1993, onde se lê o mesmo.

Não discordamos que quando o sacerdote fala ad abside a onda sonora não se propaga a longas distâncias, pois parte da onda é absorvida e parte transmitida, enquanto que somente a parcela refletida chegará aos fiéis. Mas devemos dizer três coisas a este respeito:

(I)            A audibilidade é algo muito louvável e desejável, sem dúvida alguma. Mas será que vale a pena ganhar audibilidade às custas de uma orientação que traz consigo benefícios doutrinais e pastorais, como já apresentamos?

(II)          Os momentos em que o sacerdote fala à assembleia de fiéis são poucos, se comparados com aqueles em que ele se dirige à Deus. E é, por isso, que o Missal, tanto o da forma extraordinária (João XXIII) como o da ordinária (Paulo VI), regulamentam os momentos em que o sacerdote deve voltar-se para o povo. A audibilidade era difícil justamente durante as leituras, feitas até então do altar, e foi exatamente por isso que o Papa Pio XII restaurou o uso do ambão, permitindo que as leituras fossem feitas em vernáculo e de frente para o povo, e desde então a liturgia da palavra é feita dessa forma. Assim, não há impedimento para que os fiéis possam ouvir.

(III)        Some-se tudo isto ao seguinte fato: não estamos mais no início do século XX. Os aparelhos sonoros (microfone, caixas de som, etc.) vieram para acabar de vez com esses problemas. Era justo que naquela época se falasse em dificuldade, mas hoje isso já não é mais válido, portanto, a essa objeção de audibilidade tem seu prazo de validade já vencido.

Ainda poderiam objetar que o versus populum confere maior visibilidade, mas observemos que este argumento não é levantado pela Congregação para o Culto Divino, isto porque é falso. Ele acentua exageradamente a necessidade de os fiéis verem o altar e os gestos do sacerdote, sendo usado inclusive por aqueles que se opõem à colocação do Crucifixo no centro do altar. Portanto, limitamo-nos a citar o que diz Fournée e Ratzinger, respectivamente, sobre a celebração versus populum e a cruz sobre o altar nesse tipo de celebração.

A Missa por acaso é um espetáculo? E o que se quer mostrar aos espectadores: como se opera a transubstanciação??? Como se faz a fração da hóstia? Como procede o sacerdote para comungar sob as duas espécies? Acaso o povo tem necessidade de ver isso para crer? Deve-se pensar que antigamente estávamos muito mal informados dos ritos sacramentais e que os fiéis agora têm muita sorte? Vamos então! O único olhar capaz de contemplar o mistério é o olhar interior da fé, e se necessita de referências visíveis e audíveis, que eu saiba não lhe faltava até há pouco quando a Missa estava no bom sentido. Não, verdadeiramente não vejo como virar o altar facilita o acesso ao mysterium fidei. Pelo contrário, penso que, nesta Missa onde se vê tudo, há um perigo de considerar os gestos do celebrante por si mesmos, de se ver tentado a humanizá-los, de deter-se em sua expressão formal, de considerar a quem os realiza em função não de sua missão sagrada, mas da maneira como os leva a cabo. [56]

Um dos fenômenos verdadeiramente absurdos das últimas décadas está, ao meu modo de ver, no fato de se colocar a cruz de lado para ver o sacerdote. A cruz é obstrutiva durante a Missa? Acaso o sacerdote é mais importante que o Senhor? Este erro deve ser corrigido o mais rápido possível; e é possível sem novas reformas. [57]

  1. Evita que o padre se torne o centro das atenções, o showman

Geralmente os apologistas que criticam a Missa em sua forma extraordinária (tridentina), dizendo que os fiéis nada fazem, sendo tudo é realizado pelo sacerdote, são os mesmos apologistas da celebração versus populum. Contradição? Sim, porque na imensa maioria das missas versus populum o sacerdote transforma-se no showman, aquele que tudo faz e que é o centro das atenções, nas palavras de Boyer “o sacerdote-ator, que pretende atrair toda a atenção sobre si e que discursa como um vendedor atrás de seu balcão”[58].

Devemos constatar, para não fazer injustiça, que, é verdade, há sacerdotes que não se colocam como centro das atenções, mas estes são poucos, muito poucos. Na celebração versus populum até o altar, que deveria ser aquilo que une, separa o sacerdote dos fiéis, virou uma barreira, distanciando o povo do sacerdote, criando uma clericalização exagerada a tal ponto que Fournée se pergunta se acaso não dever-se-ia substituir o “Ite Missa est” por um feedback.

Cito, para finalizar, o que de Ratzinger e Fournée, respectivamente, dizem a este respeito.

A verdade é que com isso [versus populum] se introduz uma clericalização como nunca antes existiu. De fato, o sacerdote – o presidente, como agora preferem chamar – se transforma no ponto de referência de toda a celebração. Tudo depende dele. É a ele que devemos olhar, participamos em sua ação, a ele respondemos. Sua criatividade é o que sustenta o conjunto da celebração. Por isso é compreensível que agora se tente diminuir o papel a ele atribuído, distribuindo diversas atividades aos outros e confiando a preparação da liturgia à “criatividade” de uns grupos que, antes de tudo, querem e devem “tomar parte ativamente”. Cada vez se dá menos atenção à Deus e mais importância ao que fazem as pessoas que ali se reúnem e que, de forma alguma, querem se submeter a um “esquema pré-determinado”. O sacerdote de frente para o povo transmite à comunidade o aspecto de um círculo fechado em si mesmo. Já não é – por sua própria disposição – uma comunidade aberta para frente e para cima, mas fechada em si mesma. [59]

Para o sacerdote, porém, que celebra de frente para o povo e que se vê como objeto dos olhares, existe o risco de “fazê-lo com pose”. Este risco é máximo nas Missas transmitidas pela TV. Como poderia ser de outra maneira quando no lugar de seu grupo habitual de fiéis, o celebrante sabe que é o alvo de milhares de rostos, estando as câmeras a fazer dele um ator, um protagonista? Este é um caso extremo, sem dúvida. Porém põe em relevo o aspecto de espetáculo da Missa de frente para o povo, na qual, com demasiada frequência, mesmo diante de uma reduzida assistência, as entoações e os gestos do celebrante parecem estudados como os de um ator, com uma busca pela forma que vai além da simples preocupação pela dignidade. Isto é às vezes tão sensível que alguém pode perguntar se tal Missa deveria concluir não com “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe”, mas com “Me vistes? ”[60]

  1. CONCLUSÃO

Os mais eminentes estudiosos da história e teologia litúrgica há bastante tempo provaram o qual infundado é a celebração versus populum, isto é, (des)orientada para o povo e não para o oriente, seja o real (leste) ou o simbólico (crucifixo). Esta disposição não tem respaldo nem na história, seja do ocidente ou do oriente, nem na teologia e nem mesmo na pastoral, enquanto que a correta e perfeita orientação versus Deum está concorde com a tradição católica, tanto ocidental como oriental, com sua doutrina e tem uma pastoral provada pela experiência de dois milênios.

Portanto, através deste trabalho pudemos provar que a orientação versus Deum pode ser perfeitamente ser usada na celebração da Missa, segundo o missal do Papa Paulo VI, e, o leitor há que concordar conosco, que esta disposição é a melhor sob diversos aspectos. Não resta dúvida que o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, estava certo ao afirmar que é “muito importante que retornemos o quanto antes possível para uma comum orientação, dos sacerdotes e fiéis, voltados na mesma direção – para o oriente ou pelo menos para a abside”[61].

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ÍNDICE

  1. APRESENTAÇÃO
  2. INTRODUÇÃO
  3. A ORIENTAÇÃO LITÚRGICA: DEUS OU POVO?

3.1.      HISTÓRIA

3.2.      LEGISLAÇÃO

3.3.      OBJEÇÕES

  1. O Cardeal Sarah não tem autoridade para legislar sozinho
  2.      O Padre Lombardi: “não haverá nova norma”
  3.      O Cardeal Sarah não obrigou, mas incentivou
  4.     O parágrafo 299 da Instrução Geral proíbe o Versus Deum
  5.      Deus é espírito, está em todo lugar
  6.      A Basílica de São Pedro tem altar no centro da Igreja.
  7.     A Ceia do Senhor foi celebrada versus populum
  8.     A Missa é apenas um banquete
  9.       Jesus está nas pessoas
  10. «Não é conveniente rezar voltado para a parede » ou «7 razões para celebrar versus Deum»
  11. CONCLUSÃO

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NOTAS

[1] – Esse artigo foi escrito com zelo, mas ainda não foi revisado. Assim, qualquer contribuição será bem recebida.

[2] – SARAH, Cardeal Robert. Discurso na Conferência Sacra Liturgia UK 2016. A tradução está disponível no site da Associação Redemptionis Sacramentum – ARS.

[3] – Ibidem.

[4] – Ibidem.

[5] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 97. Tradução nossa.

[6] – RATZINGER, Joseph. Prefácio à edição francesa do livro “Voltados para o Senhor”, de Klaus Gamber. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[7] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 13. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[8] – Nourry, Dom N. Le. Citado por Jean Fournée em “A Missa de frente para Deus” (1976), Pag. 12, Nota de rodapé n. 42. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[9] – Clemente de Alexandria, Stromatum., livro VII, cap. 7. P.G. IX, 482-483. Citado por Jean Fournée em “A Missa de frente para Deus” (1976), p. 13. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[10] – Orígenes, P.G. XI, 555. Citado por Jean Fournée em “A Missa de frente para Deus” (1976), p. 13. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[11] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 6. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[12] – Ibidem.

[13] – Ibidem.

[14] – Ibidem.

[15] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 105. (Tradução nossa)

[16] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 6. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[17] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 105. (Tradução nossa)

[18] – Assim diz Fournée em seu livro “A Missa de frente para Deus” (1976): “Onde colocá-lo e em que sentido? (…) Porém, que a Cruz esteja ou não no altar, para onde deve olhar? Se é para o povo, Cristo dá as costas ao ministro do altar, e é mal-educado. Se é para o celebrante, é mal-educado para com os fiéis. (…) Não se poderia imaginar uma pirueta mais desenvolvida para descartar a única solução lógica, que seria voltar a colocar o altar no bom sentido… Em suma, se está em plena contradição, e em plena descortesia: o celebrante está de frente para o povo, mas o divino Crucificado lhe dá as costas! A liturgia se volta a fechar numa relação Cristo-altar-ministro, o que está em flagrante desacordo com todas as boas razões de abertura ao povo que os ardentes defensores da celebração versus populum invocam. E assim se está em ruptura com o simbolismo que, desde o começo do cristianismo, estava unido à cruz do Gólgota, olhando para o oeste, isto é, para o mundo dos redimidos, a que seus braços atraem e reúnem em um mesmo povo.” Assim, ao final, a orientação comum não é seguida por todos, apenas por um, ou o sacerdote ou o povo olham para o crucificado.

[19] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 13. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[20] – SILVA, J. Ariovaldo. Citado por Rodrigo Carvalho em “O espírito da Liturgia: De Vagaggini ao Concílio Vaticano II, 2014, p. 28, nota de rodapé n. 72.

[21] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 8. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[22] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 15. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[23] – EDER, George, entrevista ao jornal Kleine Zeitung, em 13 de janeiro de 1989. Citado por Gamber em seu livro Voltados para o Senhor. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[24] – SCHMITZ, R. Michael. O Portão para a eternidade: o Rito romano clássico e seu significado para a Igreja. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS

[25] – RATZINGER, Joseph. Prólogo ao livro do Padre Uwe Michael Lang, “Voltados para o Senhor: a orientação da oração litúrgica”. Tradução nossa.

[26] – DAVIES, Michael. La nueva Misa del Papa Pablo: la revolución litúrgica. Volume 3. Pag. 423. Tradução nossa.

[27] – SCHMITZ, R. Michael. O Portão para a eternidade: o Rito romano clássico e seu significado para a Igreja. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS

[28] – Ibidem.

[29] – DAVIES, Michael. La nueva Misa del Papa Pablo: la revolución litúrgica. Volume 3. Pag. 423-424. Tradução nossa.

[30] – Ressalvando o que se diz quanto à orientação topográfica do edifício. Cf. a objeção F.

[31] – Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Resposta em 25 de setembro de 2000, Notitiae, prot. Nº. 2036/00/L. Tradução nossa.

[32] – Há dois vídeos disponíveis no youtube, um de 2014 em <youtube.com/watch?v=DHzunCPE98M> e outro de 2015 em <youtube.com/watch?v=7vlj6SqFV8s>

[33] – Imagens do Papa Bento XVI podem ser encontradas facilmente através do google imagens, tal como essa <liturgiacatolicaoficial.blogspot.com.br/2014/08/missa-em-rito-bizantino-versus-deum.html>. Mas basta fazer uma busca na internet que será possível verificar algumas outras.

[34] – Há um vídeo de 2008 em <youtube.com/watch?v=Q0aPU57zx6Q> onde vemos o Cânon sendo rezado pelo Papa Bento XVI e vemos nesse outro endereço <youtube.com/watch?v=6oeUmtzfGs8> uma pequena matéria sobre as missas diárias do Papa em sua capela particular.

[35] – Não descartamos a possibilidade de respostas ainda melhores serem apresentadas.

[36] – RATZINGER, Joseph. Prólogo ao livro do Padre Uwe Michael Lang, “Voltados para o Senhor: a orientação da oração litúrgica”. Tradução nossa.

[37] – DAVIES, Michael. La nueva Misa del Papa Pablo: la revolución litúrgica. Volume 3. Pag. 423-424. Tradução nossa.

[38] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 15. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[39] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 97-98. Tradução nossa.

[40] – Ibidem, pag. 98.

[41] – Ibidem, pag. 99.

[42] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 7. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[43] – JUNGMANN, Josef A. Missarum Sollemnia. Citado por Klaus Gamber em “Voltados para o Senhor” ,Pag. 18Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[44] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 100. Tradução nossa.

[45] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 13-14. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[46] – BOYER, Louis. Epílogo ao livro “Voltados para o Senhor”, do Mons. Klaus Gamber. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[47] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 100. Tradução nossa.

[48] – Ibidem, Pag. 105.

[49] – GUÉRANGER, Prosper. Institutions Liturgiques. Paris, 1840. Capítulo XIV. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[50] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 27. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[51] – Ibidem.

[52] – HAUKE, Manfred. Conferência. Congresso sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum, Roma, 2015.

[53] – Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Resposta em 25 de setembro de 2000, Notitiae, prot. Nº. 2036/00/L. Tradução nossa.

[54] – A tradução fornecida por THANNER diz «e dirigida ao povo», mas preferi substitui-la já que o texto latino citado diz «ad utilitatem» («para a utilidade»), resultando, consequêntemente, em um texto mais fiel ao que diz a doutrina católica.

[55] – Editoriale Pregare “ad orientem versus”, em Notitiae 29 (1993), 245-249. Citado por THANNER (2005) em “O Dinamismo intrínseco da Celebração eucarística e sua expressão externa”.

[56] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 28. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[57] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 106. Tradução nossa.

[58] – BOYER, Louis. Epílogo ao livro “Voltados para o Senhor”, do Mons. Klaus Gamber. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[59] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 101-102. Tradução nossa.

[60] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 29. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[61] – SARAH, Cardeal Robert. Discurso na Conferência Sacra Liturgia UK 2016. A tradução está disponível no site da Associação Redemptionis Sacramentum – ARS

Fonte: http://contemplacoescatolicas.blogspot.com.br/2016/07/suma-contra-o-versus-populum_15.html?m=1

IR. CECÍLIA MARIA: O SORRISO QUE ABALOU O MUNDO

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https://www.youtube.com/watch?v=fi0s8mkR8sA
EM BUENOS AIRES, a Irmã Cecilia Maria partiu sorrindo para a Casa do Pai após uma difícil luta contra o câncer. Milhares compartilham nas redes sociais as imagens de sua agonia fatal, ainda que pelas fotografias seja impossível identificar qualquer traço de sofrimento, já que ela enfrentou toda a provação sem jamais perder a paz e a santa alegria.
Cecília graduou-se em enfermagem, e aos 26 anos de idade fez seus primeiros votos como carmelita descalça. Em 2003 fez a sua profissão perpétua. Há seis meses, foi diagnosticado o câncer de língua, sendo que a doença mortal provocou a metástase pulmonar. Faleceu para este mundo na última quarta-feira, 22/6/016, durante a madrugada. Embora aparentasse bem menos, tinha 43 anos.
Vivia no Monastério de Santa Teresa e São José, em Santa Fé, Argentina. Dedicava-se à oração e à vida contemplativa, tocava violino e era conhecida por sua doçura e permanente sorriso.
Nas últimas semanas, a doença se agravou e ela foi hospitalizada. No leito, não deixou de rezar e oferecer seus sofrimentos a Nosso Senhor, com a certeza de que seu encontro com Deus estava próximo.
Em um pedaço de papel, escreveu o seu último desejo: “Estava pensando como queria que fosse meu funeral. Primeiro, um momento de forte oração, e depois uma grande festa para todos. Não se esqueçam de rezar e também de celebrar!”…
Seu testemunho e as fotos dos seus últimos dias falam por si mesmos; milhares de pessoas comovidas compartilham nas redes sociais a agonia exemplar da Irmã Cecilia, exemplo perfeito e contemporâneo do que é morrer em perfeita Comunhão com Deus, com fé plena e na convicção do Céu.

 

 

Assim anunciaram sua morte as carmelitas descalças:

“Jesus! Apenas duas linhas para avisar que nossa queridíssima irmãzinha dormiu brandamente no Senhor, depois de uma doença tão dolorosa levada sempre com alegria e entrega a seu Divino Esposo. Manifestamos todo nosso carinho agradecido pelo apoio e pela oração durante todo este tempo tão doloroso, mas ao mesmo tempo tão maravilhoso. Acreditamos que ela partiu diretamente para o Céu, mas mesmo assim rogamos que não deixem de encomendá-la em suas orações, que ela os recompensará do Céu. Um abraço grande de suas irmãs de Santa Fé.”

 

 

 

 

Fonte: http://www.ofielcatolico.com.br/2016/06/a-agonia-nao-apagou-o-santo-sorriso.html

A esperança de Chesterton

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Dr. Tiago Bana Franco

Por que é tão interessante ler Chesterton? Eis a pergunta que não me saiu da cabeça desde que iniciei O Homem Eterno. É claro que o autor tem todos os predicados necessários para fazer com que os leitores rapidamente apaixonem-se por seus textos. Perspicaz e inocente. Hiperbólico e simples. Características incompatíveis que ele aliava com muito bom humor ao escrever.

Só que há algo maior. E, ao terminar seu livro, percebi que é a alegria. Mas não a alegria abobalhada, de quem ri do que não se deve rir. Nem a alegria irônica, posto seja ele irônico ao analisar os argumentos de seus adversários. A alegria de Chesterton é a alegria do evangelho. A alegria de quem espera o que há de vir, esperançoso de que a esperança no Deus vivo sempre prevalecerá, até que o próprio Deus vivo volte triunfante para colher aqueles que o esperam.

E por que resolvi escrever sobre a alegria de quem confia, a alegria de quem tem fé?

Eu o fiz porque nós precisamos dessa alegria, uma vez que passamos talvez por um dos momentos mais tristes da existência da Igreja – aquela que haveria de ser o manancial da nossa esperança, a fonte da nossa fé.

Claro que já enfrentamos períodos nebulosos. O arianismo. O nominalismo. O racionalismo. E eis o que interessa: todos esses movimentos contrários à fé passaram. Hoje fazem parte da história, a despeito de cada um deles encontrar eco dentro da Igreja ao seu tempo, a despeito de todos eles praticamente esvaziarem a Igreja da fé apostólica, sintetizada no Credo.

Só que a Igreja, e quem o diz não é só Chesterton, é a esposa de Cristo. E, tal qual seu esposo, ressuscitará, porque Cristo prometeu que as portas do inferno não prevalecerão. Todo mal passará. Restarão aqueles alegres e esperançosos com coragem de bradar: non possumus!

Fonte: http://tiagobanafranco.blogspot.com.br/

Em tempo de Misericórdia Fácil, um Sermão Terrível e Tremendo

 

Anjo-Juizo

Caríssimos,

Salve Maria!

Estamos em meio a mais uma Quaresma. Abaixo o famoso Sermão do I Domingo do Advento do Pe. Antônio Vieira. As reflexões, embora alongadas, servem muito bem para cada um de nós neste tempo de Salvação. Caso não haja tempo para leitura completa, leia aos poucos , cada dia, mas é importante ler todo o texto, pois fará muito bem  à sua alma.

Sermão da Primeira Dominga do Advento (1650) de Padre Antonio Vieira Pregado na Capela Real, no ano de 1650

Tunc videbunt filium hominis venientem in nubibus coeli cum potestate magna et majestate.—S.Lucas, XXI.

CAPÍTULO I

Abrasado finalmente o Mundo e reduzido a um mar de cinzas tudo o que o esquecimento deste dia edificou sobre a terra… (Dou princípio a este sermão sem princípio, porque já disse Quintiliano que as grandes ações não hão mister exórdio: elas per si mesmas, ou supõem a atencão ou conciliam. Também passo em silêncio a narração portentosa dos sinais que precederão ao juízo, porque esta parte do Evangelho pertence aos que hão-de ser vivos naquele tempo, e não a nós; e o dia de hoje é muito de tratar cada um só do que Ihe pertence). Abrasado, pois, o Moundo, e consumido pela violência do fogo o que a sabedoria dos homens e o esquecimento deste dia levantou e edificou na terra; quando já não se verão nesse formoso e dilatado mapa senão umas poucas cinzas, relíquias de sua grandeza e desengano de nossa vaidade, «soará no ar uma trombeta» espantosa, não metafórica, mas verdadeira (que isso quer dizer a repetição de São Paulo: Canet enim tuba; e obedecendo aos impérios daquela voz o Céu, o Inferno, o Purgatório o Limbo, o mar, a terra, abrir-se-ão em um momento as sepulturas e aparecerão no Mundo os mortos vivos. Parece-vos muito, que a voz de uma trombeta haja de achar obediência nos mortos?

Ora reparai em outro milagre maior, e não vos parecerá grande este. Entrai pelos desertos do Egipto, da Tebaida da Palestina; penetrai o mais interior e retirado daquelas soledades. Que é o que vedes? Naquela cova vereis metido um Hilarião, naquela outra um Macário, na outra mais apartada um Pacómio; aqui um Paulo, ali um Jerónimo, acolá um Arsénio; da outra parte, uma Maria Egipcíaca, uma Thais, uma Pelágia, uma Teodora. Homens, mulheres, que é isto ? Quem vos trouxe a esse estado ? Quem vos antecipou a morte? Quem vos amortalhou nesses cilícios? Quem vos enterrou em vida? Quem vos meteu nessas sepulturas? Quem? Responderá por todos São Jerónimo: Semper mihi videtur insonare tuba illa terribilis: surgite mortui, venite ad judicim. Sabeis quem nos vestiu destas mortalhas, sabeis quem nos fechou nestas sepulturas?__«A lembrança daquela trombeta temerosa que há-de soar no último dia: levantai-vos, mortos, e vinde a juizo». Pois se a voz desta trombeta só imaginada, (pesai bem a consequência) se a voz desta trombeta só imaginada, bastou para enterrar os vivos, que muito que, quando soar verdadeiramente, seja poderosa para desenterrar os mortos? O meu espanto não é este. O que me espanta, e o que deve assombrar a todos, é que haja de bastar esta trombeta para ressuscitar os mortos, e que não baste para espertar os mortais! Credes, mortais, que há-de haver juízo?

Uma de duas é certa: ou o não credes, ou o não tendes. Virá o dia final, e então sentirá nossa insensibilidade sem remédio o que agora pudera ser com proveito. Quanto www.nead.unama.br 3 melhor fora chorar agora e arrepender agora, como faziam aqueles e aquelas penitentes do ermo, do que chorar e arrepender depois, quando para as lágrimas não há-de haver misericórdia, nem para os arrependimentos perdão. Agora vivemos como queremos; e ainda mal, porque depois havemos de ressuscitar como não quiséramos.

CAPÍTULO II

Grandes cousas e lastimosamente grandes haverá que ver e considerar naquele acto da ressurreição universal! Mas entre todas as considerações a que me parece mais própria deste lugar e mais digna de sentimento, é esta. E quanta gente bem nascida se verá naquele dia mal ressuscitada! Entre a ressurreição natural e a sobrenatural há uma grande diferença: que na ressurreição natural cada um ressuscita como nasce; na ressurreição sobrenatural, cada um ressuscita como vive; na ressurreição natural nasce Pedro e ressuscita Pedro; na ressurreição sobrenatural nasce pescador, e ressuscita príncipe: Sedebitis in regeneratione judicantes duodecim tribus Israel. Oh que grande consolação esta para aqueles a quem não alcançou a fortuna dos altos nascimentos! Bem me parecia a mim que não podia faltar Deus a dar uma grande satisfação no dia do juízo à desigualdade com que nascem os homens, sendo todos da mesma natureza. Não se faz agravo na desigualdade do nascer, a quem se deu a eleição de ressuscitar. A ressurreição é um segundo nascimento com alvedrio. Tanta propriedade considerou Job neste segundo nascimento, que até outro pai, outra mãe disse que tínhamos na sepultura:

Putredini dixi: pater meus es tu; mater mea et soror mea, vermibus. Temos outro pai e outra mãe na sepultura em que jazem nossos ossos, porque ali somos outra vez gerados, de ali saímos outra vez nascidos. Notai agora: Statutum est hominibus semel mori: «Quis Deus que morrêssemos uma só vez», e que nascêssemos duas, porque, como o morrer bem dependia de nosso alvedrio, bastava uma só morte; mas como o nascer bem não estava na nossa mão, eram necessários dois nascimentos, para que pudéssemos emendar no segundo tudo o que nos faltasse no primeiro. Bem pudera Deus fazer que nascessem os homens todos iguais, mas ordenou sua providência, que houvesse no Mundo esta mal sofrida desigualdade, para que a mesma dor do primeiro nascimento nos excitasse à melhoria do segundo. Homens humildes e desprezados do povo, boa nova! Se a natureza ou a fortuna foi escassa convosco no nascimento, sabei que ainda haveis de nascer outra vez, e tão honradamente como quiserdes; então emendareis a natureza, então vos vingareis da fortuna. Que maior vingança da fortuna que as mudanças tão notáveis, que se verão naquele dia! Virão naquele dia as almas do grande e do pequeno buscar seus corpos à sepultura, e talvez à mesma Igreja: e que sucederá pela maior parte? O pequeno achará seus ossos em um adro sem pedra nem letreiro, e ressuscitará tão ilustre como as estrelas.

O grande, pelo contrário, achará seu corpo embalsamado em caixas de pórfiro, aos ombros de leões, ou elefantes de mármore, com soberbos e magníficos epitáfios, e ressuscitará mais vil que a mesma vileza. Oh que metamorfose tão triste, mas que verdadeira! Vede se há-de dar Deus boa satisfação aos homens da desigualdade com que hoje nascem. O ser bem nascido, que é uma vaidade que se acaba com a vida, é verdade que o não pôs Deus na nossa mão; mas o ser bem ressuscitado, que é aquela nobreza que há-de durar por toda a eternidade, essa deixou Deus no alvedrio de cada um. No nascimento somos filhos de nossos pais, na ressurreição seremos filhos de nossas obras. E que seja mal ressuscitado por culpa sua quem foi bem nascido sem merecimento seu! Lástima grande. Ressuscitar bem sobre haver nascido mal, é emendar a fortuna; ressuscitar mal sobre haver nascido bem, é pior que degenerar da natureza. Que ressuscite bem David sobre nascer de Jessé, grande glória do filho de um pastor; mas que ressuscite mal Absalão sobre nascer de David, grande afronta do filho de um rei! Se os homens se prezam tanto de ser bem nascidos, como fazem tão pouco caso de ser bem ressuscitados? Nenhuma cousa trazem na boca os grandes mais ordinàriamente, que as obrigações com que nasceram. E aposto eu que mui poucos sabem quais são estas obrígações. Nascer bem é obrigacão de ressuscitar melhor. Estas são as obrigações com que nascestes. O mais bem nascido homem que houve, nem pode haver, foi Cristo; ninguém teve melhor pai, nem melhor mãe; e foi notar Santo Agostinho que, se Cristo nasceu bem, ressuscitou melhor:

Gloriosior est ista ,nativitas, quam illa: illa cortus mortale genuit, ista redidit immortale. Cristo, diz Santo Agostinho, «nasceu mais nobremente no segundo nascimento que no primeiro: no primeiro nascimento nasceu mortal e passível; no segundo, que foi a sua ressurreição, nasceu impassível e imortal» Eis aqui as obrigações dos bem nascidos—nascerem a segunda vez melhor do que nasceram a primeira. Se Deus pusera na mão do homem o nascer, quem houvera, por bom que fosse, que não se fizesse muito melhor? Pois este é o caso em que estamos. Se havemos de tornar a nascer, porque não trabalharemos muito por nascer muito honradamente? Não nascer honrado no primeiro nascimento, tem a desculpa de que «Deus nos fez» Ipse fecit nos, Não nascer honrado no segundo, nenhuma desculpa tem: tem a glória de sermos nós os que nos fizemos: Ipsi nos. Que glória será naquele dia para um homem poder tomar para si em melhor sentido o elogio do grande Baptista: Inter natos mulierum non surrexit major:«Entre os nascidos das mulheres nenhum ressuscitou maior». Ser o maior dos nascidos, em quanto nascido, é pequeno louvor e de pouca dura; ser o maior dos nascidos, em quanto ressuscitado, isso éverdadeiramente o ser maior. Na nossa mão está, se o quisermos ser. Nesta vida o mais venturoso pode nascer filho do rei; na outra vida todos os que quiserem podem nascer filhos do mesmo Deus: Dedit eis potestatem filios Dei fieri. E que não sejam isto considerações, senão verdade e Fé católica! Bendito seja aquele Senhor, que é nossa ressurreição e nossa vida: Ego sum resurrectio et vita

. CAPÍTULO III

Unidas as almas aos corpos e restituidos os homens à sua antiga inteireza, os bem ressuscitados alegres, os mal ressuscitados tristes, começarão a caminhar todos para o lugar do juízo. Será aquela a vez primeira em que o género humano se verá a si mesmo, porque se ajuntarão ali os que são, os que foram, os que hão de ser, e todos pararão no vale de Josafat. Se o dia não fora de tanto cuidado, muito seria para ver os homens grandes de todas as idades juntos. Mas vejo que me estão perguntando, como é possível que uma multidão tão excessiva como a de todo género humano, os homens que se continuaram desde o princíplo até agora, e os que se irão multiplicando sucessivamente até o fim do Mundo; como é possível que aquele número inumerável, aquela multidão quase infinita de homens caiba em um vale? A dúvida é boa, queira Deus que o seja a resposta. Primeiramente digo que  nisto de lugares há grande engano: cabe muito mais nos lugares do que nós cuidamos. No primeiro dia da criação, criou Deus o Céu e a Terra e os elementos, e é certo em boa filosofia, que não ficou nenhum vácuo no Mundo, tudo estava cheio. Com isto ser assim, e parecer que não havia já lugar para caber mais nada, ao terceiro dia vieram as ervas, as plantas, e as árvores; e com serem tantas em número e tão grandes, couberam todas.

Ao quarto dia veio o Sol, e sendo aquele imenso planeta cento e sessenta e seis vezes maior que a Terra, coube também o Sol; vieram no mesmo dia as estrelas tantas mil, e cada uma de tantas mil léguas, e couberam as estrelas. Ao quinto dia vieram as aves ao ar, e couberam as aves; vieram os peixes ao mar, e com haver neles tantos monstros de disforme grandeza, couberam os peixes. No sexto dia vieram os animais tantos e tão grandes à Terra, e couteram os animais: finalmente veio o homem, e foi o homem o primeiro que começou a não caber; mas se não coube no Paraiso, coube fora dele. De sorte que, como dizia. nisto de lugares vai grande engano: cabe neles muito mais do que nos parece. E senão, passemos a um exemplo moral, e vejamo-lo em qualquer lugar da república. O dia é do juízo, seja o lugar de um julgador. Antigamente em um lugar destes que é o que cabia? Cabia o doutor com os seus textos e umas poucas de postilhas, muito usadas, e por isso muito honradas. Cabia mais uma mula mal pensada, se a casa estava muito longe do Limoeiro. Cabiam os filhos honestamente vestidos; mas a pé e com a arte debaixo do braço. Cabia a mulher com poucas jóias, e as criadas, se passavam da unidade, não chegavam ao plural dos gregos. Isto é o que cabia naquele lugar antigamente; e feitas boas contas, parece que não podia caber mais. Andaram os anos, o lugar não cresceu, e tem mostrado a experiência que é muito mais sem comparação o que cabe no mesmo lugar. Primeiramente cabem umas casas, ou pacos, que os não tinham tão grandes os condes do outro tempo; cabe uma livraria de Estado, tamanha como a vaticana, e talvez com os livros tão fechados como ela os tem; cabe um coche com quatro mulas, cabem pajens, cabem lacaios, cabem escudeiros; cabe a mulher em quarto apartado, com donas, com aias e com todos os outros arremedos da fidalguia; cabem os filhos com cavalos e criados, e talvez com o jogo e com outras mocidades de preço; cabem as filhas maiores com dotes e casamentos de mais de marca, as segundas nos mosteiros com grossas tenças; cabem tapeçarias, cabem baixelas, cabem comendas, cabem benefícios, cabem moios de renda; e sobretudo cabem umas mãos muito lavadas e uma consciência muito pura, e infinitas outras cousas, que só na memória e no entendimento não cabem.

Não é isto assim? Lá nessas terras por onde eu agora andei, assim é. Pois se tudo isto cabe em um lugar tão pequeno, que grande serviços fazemos nós à Fé em crer que caberemos todos no vale de Josafat? Havemos de caber todos, e se vierem outros tantos mais, para todos há de haver vale e milagre. De mais desta razão geral que há da parte do lugar, há outras duas da parte das pessoas; uma da parte dos bons, outra da parte dos maus. Os bons poderão caber ali em muito pouco lugar, porque terão o dote da subtileza. Entre os quatro dotes gloriosos há um que se chama subtileza, O qual comunica tal propriedade aos corpos dos bem-aventurados, que todos quantos se hão-de achar no dia do juízo podem caber neste lugar onde eu estou, sem me tirarem dele. Cá no Mundo também há este dote da subtileza, mas com mui diferentes propriedades. A subtileza do Céu introduz a um sem afastar a outro; as subtilezas do Mundo, todo seu cuidado é afastar os outros para se introduzir a si. Por isso não há lugar que dure nem lugar que baste. Muito é que Jacob e Esaú não coubessem em uma casa; mais é que Lot  6 e Abraão não coubessem em uma cidade; muito mais é que Saul e David não coubessem em um reino; mas o que excede toda a admiração é que Caim e Abel não coubessem em todo o Mundo.

E porque não cabiam dois homens em tão imenso logar? Pior é a causa que o caso. Caim não cabia com Abel, porque Abel cabia com Deus. Em um homem cabendo com seu Senhor, logo os outros não cabem com ele. Alguma vez será isto soberba dos Abéis, mas ordinàriamente é inveja dos Cains. Se é certo que com a morte se acaba a inveja, fàcilmente caberemos todos no Dia do Juízo. Quereis caber todos? Não acrescenteis lugares, diminuí invejas. Este é o dote da subtileza dos bons. Da parte dos maus também não há-de haver dificuldade em caber no vale; porque ainda que os maus são tantos, e hoje tão grandes e tão inchados, naquele dia hão-de estar todos muito pequeninos. que no tempo do Dilúvio coubessem na arca de Noé todos os animais do Mundo em suas espécies, crê-o a Fé, porque o diz a Escritura; mas não o compreende o entendimento porque o não alcança a razão. Como pode ser que coubessem em tão pequeno lugar tantos animais, tão grandes e tão feros? O leão, para quem toda a Líbia era pouca campanha; a águia, para quem todo o ar era pouca esfera; O touro, que não cabia na praça; O tigre, que não cabIa no bosque; o elefante, que não cabia em si mesmo.

Que todos estes animais e tantos outros de igual fereza e grandeza coubessem juntos em uma arca tão pequena?! Sim, cabiam todos, porque, ainda que a arca era pequena, a tempestade era grande. Alagava Deus naquele tempo a terra com dilúvio universal, que foi a maior calamidade que padeceu o Mundo; e nos tempos dos grandes trabalhos e calamidades até o instinto faz encolher os animais, quanto mais a razão aos homens! Caberão os homens no vale de Josafat, assim como couberam os animais na arca de Noé: Sicut fuit in diebus Noe, sic erit in consummatione saculi. Diz o texto que só com os sinais do fim do Mundo hão-de andar todos os homens secos e mirrados: Arescentibus hominibus pra timore: Se aos homens os há de apertar tanto o receio, quanto os estreitará o juízo! Oh como nos encolheremos todos naquele dia! Oh como estarão pequenos ali os maiores gigantes! A maior maravilha do Dia do Juízo, não é haver de caber todo o Mundo em todo o vale de Josafat; a maravilha maior será que caberão então em uma pequena parte do vale muitos que não cabiam em todo o Mundo. Um Nabucodonosor, um Alexandre Magno, um Júlio César, para quem era estreita a redondeza da Terra, caberão ali em um cantinho. Uma das cousas notáveis que diz Cristo do Dia do Juízo é que «cairão as estrelas do céu» . StelIæ cadent de cæelo. Se dermos vista aos matemáticos, hão de achar grande dificuldade neste texto (eu Ihes darei a razão natural dele, quando ma peçam). Todas as estrelas, menos duas, são maiores que a Terra, e algumas há que são quarenta, oitenta e cento e dez vezes maiores. Pois se as estrelas são maiores que a terra, como hão de cair e caber cá em baixo?

Hão de caber, porque hão de cair. Não sabeis que os levantados e os caídos não têm a mesma medida? Pois assim Ihes há de suceder às estrelas. Agora que estão levantadas, ocupam grandes espaços do Céu; como estiverem caídas, hão de caber em poucos palmos da Terra. Não há cousa que ocupe menor lugar que um caído. A Terra, em comparação do Céu, é um ponto; o centro, em comparação da Terra, é outro ponto; e Lúcifer, que levantado não cabia no Céu, caído cabe no centro da Terra. Ah Lucíferes do Mundo! Aqueles que levantados nas asas da prosperidade humana em nenhum lugar cabeis hoje, caídos e derribados naquele dia. cabereis em muito pouco lugar. Estaremos todos ali encolhidos e sumidos dentro em nós mesmos cuidando na conta que havemos de dar a Deus; e quando não houvera outra razão, esta só bastava para não faltar lugar a ninguém. Deem os homens em cuidar na www.nead.unama.br 7 conta que hão-de dar a Deus, e eu vos prometo que sobejem lugares. O que importa é que o lugar seja bom, que quanto é lugar, vale de Josafat haverá para todos

 CAPÍTULO IV

Presente enfim no vale todo o género humano, correr-se-ão as cortinas do Céu, e aparecerá o Supremo Juiz sobre um trono de resplandecentes nuvens, acompanhado de todas as jerarquias dos anjos, e muito mais de sua própria Majestade. A primeira cousa que fará será mandar apartar os maus dos bons; e os ministros desta execução serão os anjos: Exibunt angeli, et separabunt malos de medio justorum. Para se entender melhor esta separação havemos de supor com o Profeta Zacarias que, antes dela, não hão-de estar os homens ali juntos confusamente; mas para maior grandeza e distinção do acto, hão-de estar repartidos todos por seus estados: Familia et familia seorsum. A uma parte hão-de estar os papas; a outra os imperadores; a outra os reis; a outra os bispos; a outra os religiosos; e assim dos demais estados do Mundo. Separados todos por esta ordem, conforme o lugar que tiveram nesta vida, então se começará a segunda separação, segundo o estado que hão-de ter na outra, e que há-de durar para sempre. Sairão pois os anjos; vede que suspensão e que tremor será o dos corações dos homens naquela hora! Sairão os anjos e irão primeiramente ao lugar dos papas.

Et separabunt (faz horror só imaginar, que em uma dignidade tão divina e em homens eleitos pelo Espírito Santo há-de haver também que separar). Et separabunt malos de medio justorum: «E separarão os pontífices maus de entre os pontífices bons». Eu bem creio que serão muito raros os que se hão de condenar; mas haver de dar conta a Deus de todas as almas do Mundo, é um peso tão imenso que não será maravilha que, sendo homens, levasse alguns ao Profundo. Todos nesta vida se chamaram padres santos; mas o Dia do Juízo mostrará que a santidade não consiste no nome, senão nas obras. Nesta vida beatíssimos, na outra malaventurados. Oh que grande miséria! Sairão após estes outros anjos e irão ao lugar dos bispos e arcebispos: Et separabunt malos de medio justorum.

Lá vai aquele porque não deu esmolas; aquele porque enriqueceu os parentes com o património de Cristo; aquele porque, tendo uma esposa, procurou outra melhor dotada; aquele porque faltou com o pasto da doutrina a suas ovelhas; aquele porque proveu as igrejas nos que não tinham mais merecimento que o de serem seus criados; aquele porque na sua diocese morreram tantas almas sem sacramentos; aquele por não residir; aquele por simonias; aquele por irregularidades; aquele por falta de exemplo da vida, e também algum por falta da ciência necessária; empregando o tempo e o estudo em divertimentos, ou da corte e não de prelado, ou do campo e não de pastor. Valha-me Deus, que confusão tão grande! Mas que alegres e que satisfeitos estarão neste passo, um São Bernardino de Sena, um São Boaventura, um São Domingos, um São Bernardo, e muitos outros varões santos e sesudos, que quando Ihes ofereceram as mitras, não quiseram subir à alteza da dignidade, porque reconheceram a do precipicio. Pelo contrário que tais levarão os corações aqueles miseráveis condenados? Quantas vezes dirão dentro em si mesmos e a vozes: Maldito seja o dia em que nos elegeram e maldito quem nos elegeu! Maldito seja o dia em que nos confirmaram, e maldito quem nos confirmou! Se um homem mal pode dar conta de sua alma, como a dará boa de tantas? Se este peso deu em terra com os maiores atlantes da Igreja, quem não temerá e fugirá dele? www.nead.unama.br 8 Grande desconsolação é hoje para as igrejas de Portugal não terem bispos; mas pode ser que no dia do juízo seja grande consolação para os bispos de Portugal não chegarem a ter igrejas. De um sacerdote que não quis aceitar um bispado, conta São Jerónimo que, aparecendo depois da morte a um seu tio religioso que assim Iho aconselhara, lhe disse estas palavras: Gratias, Pater, tibi refero ex dissuasione episcopatus:

«Dou-vos, Padre, muitas graças porque me persuadistes que não aceitasse aquele bispado»; nam scito quia nunc essem de numero damnatorum si fuissem de numero episcoporum: «Porque sabereis que hoje havia eu de ser do número dos condenados, se então fora do número dos bispos». Oh quantos sem saberem o que fazem, debaixo do nonte lustroso de uma mitra, andam feitos pretendentes de sua condenação! A este e a muitos outros que não quiseram aceitar bispados, revelou Deus que se haviam de condenar, se chegassem a ser bispos. E quem vos disse a vós que estáveis privilegiados desta condicional? De chegardes a ser bispo, pode ser que não dependa a salvação de outras almas; e de não chegardes a o ser. pode ser que dependa a salvação da vossa. O mais seguro é encolher os ombros e deixar governar a Deus. Do lugar dos bispos passarão os anjos ao lugar dos religiosos; e entrando naquela multidão infinita das ordens regulares, sem embargo de resplandecerem nelas como sóis as maiores santidades do Mundo, contudo haverá muito que separar; começarão por Judas:

Et separabunt malos de medio justorum. Não o digo por me tocar; mas por todas as razões me parece que será este o mais triste espectáculo do Dia do Juízo. Que vão os homens ao Inferno pelo caminho do Inferno, desgraça é, mas não é maravilha; porém ir ao Inferno pelo caminho do Céu, é a maior de todas as misérias Que o rico avarento, vestindo púrpuras e holandas e gastando a vida em banquetes, seja sepultado nos fogos eternos. por seu preço leva o Inferno: Recepisti bona in vita tua; mas que o religioso, amortalhado em um saco, com os seus jejuns, com as suas penitencias, com a sua clausura, com a sua vontade sujeita a outrem, por ter os olhos nas migalhas dos do Mundo, como Lázaro, vá parar nas mesmas penas! Brava desaventura! O secular distraído, que lhe não veio nunca à memória a conta que havia de dar a Deus, que a não dê boa e se perca, não podia parar noutra cousa o seu descuido; mas que o mesmo religioso que por estes púlpitos vos vem pregar o juízo, possa ser e haja de ser um dos condenados daquele dia! Triste estado é o nosso, se nos não salvamos. Mas de aqui podeis vós também inferir que se isto passa no porto, que será no pego! Se nós (falo dos melhores que eu) se nós, sobre tanto meditar na outra vida, nos perdemos, o vosso descuido e o vosso esquecimento, onde vos há-de levar? Se as Cartuxas, se os Buçacos, se as Arrábidas hão-de tremer no Dia do Juízo, as cortes e vossa corte em que estado se achará?

CAPÍTULO V

Em todos os estados da corte haverá mais que separar que em nenhuns outros. Mas deixando por agora os demais, em que cada um se pode pregar a si mesmo: chegarão finalmente os anjos ao lugar dos reis. Não se verão ali sitiais, nem outros aparatos de majestade, mas todos sós, e acompanhados sòmente de suas obras, estarão em pé, como réus. Conhecer-se-ão distintamente quais foram os reis de cada reino: quais os de Hungria, quais os de França, quais os de Inglaterra, quais os de Castela, quais os de Portugal. E desta maneira irão os anjos tirando de cada coroa aqueles que foram maus reis: Et separabun malos de medio justorum. Espero www.nead.unama.br 9 eu em Deus que neste dia há-de ser o nosso reino singular entre os do Mundo, e que só dele não hão-de achar os anjos que apartar. Se eu estudara só pelo meu desejo e pela minha esperança, assim o havia de crer; mas quando leio as Escrituras, acho muito que temer e muito que duvidar. Dos reis, como dos outros homens, nós não sabemos quais se salvam nem quais se perdem. Só uma nação houve antigamente, da qual nos consta do texto sagrado quantos foram os reis que se salvaram e quantos os que se perderam. Tremo de o dizer, mas é bem que se saiba distintamente: No povo hebreu, em tempo que era povo de Deus, houve tres reinos: o primeiro foi o reino das Doze Tribos; teve três reis e durou cento e vinte anos; o segundo foi o reino de Judá; teve vinte reis e durou trezentos e noventa e quatro anos o terceiro foi o reino de Israel; teve dezanove reis, e durou duzentos e quarenta e dois anos. Saibamos agora quantos reis foram os que se salvaram e quantos os que se perderam nestes reinos. No reino das Doze Tribos, de três reis perdeu-se Saul, salvou-se David, de Salomão não se sabe. No reino de Judá, de vinte reis salvaram-se cinco, perderamse treze, de dois é incerto. No reino de Israel, nem estas tão pequenas excepções teve a desgraça; foram os reis dezanove e todos os dezanove se condenaram. No Dia do Juízo não se poderá cumprir neste reino o Separabunt malos de medio justorum: chegarão os anjos ali não terão que separar, levarão a todos.

Oh desgraçados ceptrós! Oh desgraçadas coroas! Oh desgraçados pais! Oh desgraçada descendência! Desde Jeroboão a Oseas dezanove reis coroados: dezanove reis condenados. Pois por certo que não foi por falta de doutrina nem de auxílios: tinham estes reis conhecimento do verdadeiro Deus; tinham um povo, que era o povo escolhido de Deus, tinham templo, tinham sacerdotes, tinham sacrifícios, viam milagres, ouviam profecias, recebiam favores do Céu, e quando era necessário, não lhes faltavam também castigos; e nada disto bastou. Muito arriscada cousa deve ser o reinar, pois em tantos tempos e em tantos reis, se salvam, ou tão poucos, ou nenhum. Julguem lá agora os príncipes quais serão as causas disto, que Deus não é injusto.

Examinem mais escrupulosamente suas consciências, e olhem a quem as comunicam; considerem muito de vagar as suas obrigações, que são muito mais estreitas do que ordinàriamente cuidam; inquiram muito de propósito sobre os danos públicos e particulares de seus vassalos, e vejam, pondo de parte todo o afecto, se suas orações ou suas omissões podem ser a causa; persuadam-se que hão de aparecer como qualquer outro homem diante do tribunal da Justica Divina, onde se Ihes há-de pedir rigorosíssima conta, dia por dia e hora por hora, de quanto fizeram e de quanto o deixaram de fazer. Cuide finalmente e pese, convém, cada um dos príncipes, quão grande desaventura e confusão sua será naquele cadafalso universal do Dia do Juízo, se depois de tanta majestade e adoração nesta vida, vier um anjo e o tomar pela mão, e o tirar para sempre do número dos que se hão de salvar: Separabunt malos de medio justorum.

Por este modo se irá continuando a separação dos maus em todos os estados do Mundo; e naqueles em que por razão do sangue e do amor é mais natural a união, será mais lastimoso o apartamento. Verdadeiramente, todas as outras circunstancias daquele acto terão muito de rigorosas, esta parecerá cruel. Apartar-se-ão ali os pais dos filhos: irá para uma parte Abraão e para outra Ismael; apartar-se-ão os irmãos dos irmãos: irá para uma parte Jacob e para outra Esaú; apartar-se-ão as mulheres dos maridos: irá para uma parte Ester e para outra Assuero; apartar-se-ão os amigos dos amigos: (seja o exemplo incerto, já que há tão poucos de verdadeira amizade) irá para uma parte Jónatas e para outra David. Assim se apartarão para nunca mais os que se amam nesta vida e os que tinham tantas razões para se amarem também na outra. Para nunca mais! Oh! que lastimosa palavra! Se apartar-se de uma terra para outra terra, com esperança de se tornar a ver, causa tanta dor nos que se amam; se apartar-se desta vida para a outra vida, com probabilidade de se verem eternamente, é um transe tão rigoroso; que dor será apartarem-se para nunca mais, com certeza de se não verem em quanto Deus for Deus, aqueles a que a natureza e o amor tinham feito quase a mesma cousa! Certo que tem assaz duro coração quem só pelo não meter nestes apertos não ama a Deus com todo ele.

CAPÍTULO VI

Feita a separação dos maus e bons, e sossegados os prantos daquele último apartamento que serão tão grandes como a multidão e tão lastimosos como a causa, posto todo o juízo em silêncio e suspensão, começará a se fazer o exame das culpas. Neste passo me havia eu de descer do púlpito, e subir a ele… Quem? Não um anjo, não um profeta, não um apóstolo, mas algum dos condenados do Inferno, como queria o rico avarento que viesse pregar a seus irmãos. Delicta quis intelligit? Quem há neste Mundo que entenda nem conheça os pecados? Isto dizia David, aquele Profeta tão alumiado do Céu. Só um condenado do Inferno, só quem foi julgado por Deus, só quem assistiu ao rigor daquele tribunal tremendo, só quem viu o exame inexcrutável com que ali se penetram e se apuram as consciências, só quem viu a anatomia tão miúda, tão delicada, tão exquisita, que ali se faz do menor pecado e da menor circunstancia, só quem viu a subtileza não imaginada com que ali se pesam átomos, se medem instantes, se partem indivisíveis; só este, e nem ainda este bastantemente, poderá declarar o que naquele dia há-de ser. Muitas vezes me resolvi a deixar totalmente este ponto, contentando-me com confessar que não sei nem me atrevo a falar nele; porque ninguém possa dizer no Dia do Juízo que eu o enganei.

Mas como a matéria é tão importante e a principal obrigação deste dia, já que se não pode dizer tudo, nem parte, ao menos quisera que Deus me ajudasse a vos meter hoje na alma dois escrúpulos, que me parecem os mais necessários ao auditório a quem falo: pecados de omissão e pecados de consequência. Estes são os dois escrúpulos que vos quisera hoje advertir e intimar da parte de Deus. Sabei, Cristãos, sabei príncipes, sabei ministros, que se vos há-de pedir estreita conta do que fizestes, mas muito mais estreita do que deixastes de fazer. Pelo que fizeram, se hão-de condenar muitos; pelo que não fizeram, todos. As culpas por que se condenam os réus são as que se contêm nos relatórios das sentenças: lede agora o relatório da sentença do Dia do Juízo e notai o que diz: Discedite a me, maledicti in ignem æternum: «Ide, malditos, ao fogo eterno».—E porque?—Non dedistis mihi manducare non dedistis mihi potum, non collegistis me, non cooperuistis me, non visitastis me. Cinco cargos, e todos omissões: «porque não destes de comer, porque não destes de beber, porque não recolhestes, porque não visitastes, porque não vestistes». Em suma, que os pecados que ùltimamente hão de levar os condenados ao Inferno, são os pecados de omissão.

Não se espantem os doutos de uma proposiçao tão universal como esta; porque assim é verdadeira em todo o rigor da teologia. O último pecado e a última disposição por que se hão de condenar os precitos, é a impenitencia final; e a impenitência final é pecado de omissão. Vede que cousas são omissões, e não vos www.nead.unama.br 11 espantareis do que digo. Por uma omissão perde-se uma inspiração, por uma inspiração perde-se um auxílio, por um auxílio perde-se uma contrição, por uma contricão perde-se uma alma; dai conta a Deus de uma alma, por uma omissão. Desçamos a exemplos mais públicos. Por uma omissão perde-se uma maré, por uma maré perde-se urna viagem, por uma viagem perde-se uma armada, por uma armada perde-se um estado. Dai conta a Deus de uma Índia, dai conta a Deus de um Brasil, por uma omissão. Por uma omissão perde-se um aviso, por um aviso perde-se uma ocasião, por uma ocasião perde-se um negócio, por um negócio perde-se um reino. Dai conta a Deus de tantas casas, dai conta a Deus de tantas vidas, o dai conta a Deus de tantas fazendas, dai conta a Deus de tantas honras, por uma omissão. Oh que arriscada salvação!

Oh que arriscado ofício é o dos príncipes e o dos ministros. Está o príncipe, está o ministro divertido, sem fazer má obra, sem dizer má palavra, sem ter mau nem bom pensamento; e talvez naquela mesma hora, por culpa de uma omissão, está cometendo maiores danos, maiores estragos, maiores destruições, que todos os malfeitores do Mundo em muitos anos. O salteador na charneca com um tiro mata um homem; o príncipe e o ministro com uma omissão, mata de um golpe uma monarquia. Estes são os escrúpulos de que se não faz nenhum escrúpulo; por isso mesmo são as omissões os mais perigosos de todos os pecados. A omissão é o pecado que com mais facilidade se comete e com mais dificuldade se conhece; e o que fàcilmente se comete e dificultosamente se conhece, raramente se emenda. A omissão é um pecado que se faz não fazendo; e pecado que nunca é má obra, e algumas vezes pode ser obra boa, ainda os muito escrupulosos vivem muito arriscados em este pecado. Estava o Profeta Elias em um deserto metido em uma cova, aparece-lhe Deus e diz-lhe: Quid hic agis, Elia? « E bem Elias, vós aqui? » — Aqui, Senhor! Pois aonde estou eu? Não estou metido em uma cova? Não estou retirado do Mundo? Não estou sepultado em vida? Quid hic agis? E que faço eu? Não me estou disciplinando, não estou jejuando, não estou contemplando e orando a Deus?—Assim era.

Pois se Elias estava fazendo penitência em uma cova, como o repreende Deus e lho estranha tanto? Porque ainda que eram boas obras as que fazia, eram melhores as que deixava de fazer. O que fazia era devoção, o que deixava de fazer era obrigação. Tinha Deus feito a Elias profeta do povo de Israel, tinha-lhe dado ofício público; e estar Elias no deserto quando havia de andar na corte; estar metido em uma cova, quando havia de aparecer na praça; estar contemplando no Céu, quando havia de estar emendando a terra, era muito grande culpa.A razão é fácil, porque no que fazia Elias salvava a sua alma; no que deixava de fazer perdiam-se muitas. Não digo bem: no que fazia Elias, parecia que salvava a sua alma; no que deixava de fazer, perdia a sua e as dos outros: as dos outros, porque faltava à doutrina; a sua, porque faltava à obrigação. É muito bom exemplo este para a corte e para os ministros que tomam a ocupação por escusa da salvação. Dizem que não tratam de suas almas, porque se não podem retirar. Retirado estava Elias e perdia se; mandam-no vir para a corte para que se salve. Não deixe o ministro de fazer o que tem de obrigação, e pode ser que se salve melhor em um conselho, que em um deserto. Tome por disciplina a diligência, tome por cilício o zelo, tome por contempla,cão o cuidado e tome por abstinência o não tomar, e ele se salvará. Mas porque se perdem tantos? Os menos maus perdem-se pelo que fazem, que estes são os menos maus; os piores perdem-se pelo que deixam de fazer, que estes são os piores: por omissões, por negligências, por descuidos, por desatenções, por divertimentos, por vagares, por dilações, por eternidades. Eis aqui www.nead.unama.br 12 um pecado de que não fazem escrúpulo os ministros, e um pecado por que se perdem muitos. Mas percam-se eles embora, já que assim o querem; o mal é que se perdem a si e perdem a todos, mas de todos hão-de dar conta a Deus.

Uma das cousas de que se devem acusar e fazer grande escrúpulo os ministros, é dos pecados do tempo. Porque fizeram no mês que vem o que se havia de fazer no passado; porque fizeram amanhã o que se havia de fazer hoje; porque fizeram depois,.o que se havia de fazer agora; porque fizeram logo, o que se havia de fazer já. Tão delicadas como isto hão-de ser as consciências dos que governam, em matérias de momento. O ministro que não faz grande escrúpulo de momentos não anda em bom estado: a fazenda pode-se restituir; a fama, ainda que mal, também se restitui, o tempo não tem restituição alguma. E a que mandamento pertencem estes pecados do tempo? Pertencem ao sétimo; porque ao sétimo mandamento pertencem os danos que se fazem ao próximo e à república, e a uma república não se lhe pode fazer maior dano que furtar-lhe instantes. Ah omissões, ah vagares, ladrões do tempo! Não haverá uma justiça exemplar para estes ladrões? Não haverá quem ponha um libelo contra os vagares? Não haverá quem enforque estes ladrões do tempo, estes salteadores da ocasião, estes destruidores da república? Mas porque na Ordenação não há pena contra estes delinquentes e porque eles às vezes se acolhem a sagrado, por isso a sentença do Dia do Juízo há-de cair principalmente sobre as omissões.

CAPÍTULO VII

Pecados de consequência é o segundo escrúpulo. Há uns pecados que acabam em si mesmos; ha outros que, depois de acabados, ainda duram em suas consequências. Dizia Job a Deus: Vestigia pedum meorum considerasti: «Considerastes, Senhor, as pegadas de meus pés». Não diz que Ihe considerou os passos, senão as pegadas; porque os passos passam, as pegadas ficam. O que fica dos pecados, é o que Deus mais particularmente examina. Não só se nos há-de pedir conta dos passos, senão das pegadas. Não só se nos há-de pedir conta dos pecados, senão das consequências. Oh que terrível conta será esta! Converteu Cristo, Senhor nosso, a Zaqueu, que era um mercante rico, e as resoluções de sua conversão foram estas: Ecce dimidium bonorum meorum do pauperibus et si quid aliquem defraudavi, reddo quadruplum: «Senhor, eu dou ametade de meus bens aos pobres, e da outra ametade pagarei quatro vezes em dobro tudo o que houver tomado. Aqui reparo: as leis da justa restituição mandam que se pague o alheio em tanta quantidade como se tomou. Pois porque quer Zaqueu que da sua fazenda se paguem e se acrescentem três tantos mais: Et si quid aliquem defraudavi reddo quadruplun?

Se para a restituição basta uma parte, as outras três a que fim se dão? Eu o direi: dá-se uma parte para satisfação do pecado, as outras três para satisfação das consequências. Entrou Zaqueu em exame escrupuloso de sua consciência sobre o que tinha roubado, e fez estas contas: Se eu não roubara a Fulano, tivera ele a sua fazenda; se a tivera, não perdera o que perdeu, aquirira o que não aquiriu, não padecera o que padeceu. Ah sim! Pois para que a minha satisfação seja igual à minha culpa, dê-se a cada um quatro vezes tanto como lhe eu houver defraudado. Com a primeira parte se pagará o que Ihe tomei, com a segunda o que perdeu, com a terceira o que não aquiriu, com a quarta o que padeceu. www.nead.unama.br 13 Eis aqui o que fez Zaqueu. E que se seguiu daqui? Hodie salus huic domui facta est.: «hoje se pôs em estado de salvação esta casa»

. E se a casa de Zaqueu, para se pôr em estado de salvação, paga três vezes mais do que tomou, em que estado de salvação estarão tantas casas de Portugal, onde se deve tanto, e se gasta tanto, e se esperdiça tanto, e nenhuma cousa se paga? Ora o caso é que muita gente deve de se condenar. Porque na vida poucos pagam, na hora da morte os mais escrupulosos mandam pagar o capital; das consequências, nem na vida, nem na morte há quem faça caso. E se isto passa na justiça comutativa, onde enfim há número, há peso e há medida; que será na distributiva e na vendicativa? Se isto Ihe sucede à justiça na mão das balanças, que será na mão da espada? Quais serão as consequências de um voto injusto em um tribunal?

Quais serão as consequências de um voto apaixonado em um conselho? Ajude-me Deus a saber-vo-las representar, pois é matéria tão oculta e de tanta importância. Consulta-se em um conselho o lugar de um vice-rei, de um general, de um governador, de um prelado, de um ministro superior da fazenda ou justiça. E que sucede? Vota o conselheiro no parente, porque é parente; vota no amigo, porque é amigo; vota no recomendado, porque é recomendado; os mais dignos e os mais beneméritos, porque não têm amizade, nem parentesco, nem valia, ficam de fora. Acontece isto muitas vezes? Queira Deus que alguma vez deixe de ser assim. Agora quisera eu perguntar ao conselheiro que deu este voto e que o assinou, se lhe remordeu a consciência ou se soube o que fazia? Homem cego, homem precipitado, sabes o que fazes? Sabes o que firmas?

Sabes que, ainda que o pecado que cometeste contra o juramento de teu cargo seja um só, as consequências que dele se seguem são infinitas e maiores que o mesmo pecado? Sabes que com essa pena te escreves réu de todos os males que fizer, que consentir, e que não estorvar esse homem indigno por quem votaste, e de todos os que deles se seguirem até o fim do Mundo? Oh grande miséria! Miserável é a república onde há tais votos, miseráveis são os povos onde se mandam ministros feitos por tais eleições; mas os conselheiros que neles votaram são os mais miseráveis de todos: os outros levam o proveito, eles ficam com os encargos. Ide comigo. Se o que elegestes furta (não o ponhamos em condicional, porque claro está que há-de furtar) furta o que elegestes, e furta por si e por todos os seus, como costumam os semelhantes; e Deus há-vos de pedir a conta a vós, porque o vosso voto foi causa de todos aqueles roubos.

Prove o que elegestes os ofícios de paz e guerra, nos que têm mais que peitar, deixando os que merecem e os que serviram; e vós haveis de dar a conta a Deus; porque o vosso voto foi causa de todas aquelas injustiças. Oprime o que elegestes os pobres choram as viúvas, padecem os órfãos, clamam os inocentes; e Deus vos há-de condenar a vós, porque o vosso voto foi causa de todas aquelas opressões, de todas aquelas tiranias. Matam-se os homens no governo dos que elegestes, arruínam-se as casas, desonram-se as famílias, vivese como em Turquia; e vós o haveis de ir pagar ao Inferno, porque o vosso voto foi causa de todos aqueles homicídios, de todas aquelas afrontas, de todos aqueles escandalos. Quebram-se as imunidades da Igreja, maltratam-se os ministros do Evangelho, impedem-se as conversões da Gentilidade para a propagacão da Fé; e vós haveis de penar por isso eternamente, porque o vosso voto foi causa de todos aqueles sacrilégios, de todas aquelas impiedades e da perda irreparável de tantos milhares de almas. Estas são as consequências da parte do indigno que elegestes.

E da parte dos beneméritos que deixastes de fora, quais serão? Ficarem os mesmos beneméritos sem o prémio devido a seus serviços; ficarem seus filhos e 14 netos sem remédio e sem honra, depois de seus pais e avós Iho terem ganhado com o sangue, porque vós lha tirastes; ficar a república mal servida, os bons escandalizados, os príncipes murmurados, o governo odiado, o mesmo conselho em que assistis ou presidis, infamado, o merecimento sem esperança, o prémio sem justi,ca, o descontentamento com culpa, Deus ofendido, o Rei enganado, a Pátria destruída. São pesadas e pesadíssimas consequências estas? Pois todas elas nascem daquele voto ou daquela eleição de que vós porventura ficastes sem escrúpulo e de que recebestes as graças (e talvez a propina) com muita alegria. Dir-me-eis que não advertistes tais cousas. Boa escusa para um conselheiro sábio!

Se o não advertistes, pecastes, porque o devêreis advertir. Tomara poder confirmar tudo o que tenho dito em particular com exemplos das Escrituras; mas bastara por todos um, que em matérias de pecados de consequência é verdadeiramente formidável. Matou Caim a Abel, e diz a Escritura, conforme o texto onginal: Vox sanguinum fratris tui clamantium ad me: «Caim, a voz dos sangues de teu irmão Abel está bradando a mim». Notável dizer! O sangue de Abel era um, como era um o mesmo Abel morto. Pois se Abel morto e o sangue de Abel derramado era um, como diz Deus que clamaram contra Caim muitos sangues? Vox sanguinum? Declarou o mistério o Parafraste caldaico temerosamente: Vox sanguinum generationum, quæ futuræ erant de fatre tuo, clamat ad me: Se Caim não matara a Abel, haviam de nascer de Abel quase tantas outras gerações como nasceram de Adão, com que dobradamente se propagasse o género humano; e o sangue ou sangues de todos estes homens que haviam de nascer de Abel, e não nasceram, eram os que clamaram a Deus e pediam vingança contra Caim; porque, matando Caim e arrancando da terra a árvore de que eles haviam de nascer, o mesmo dano lhes fez que se os matara.

De sorte que Caim parecia homicida de um só homem, e era homicida de um género humano; o pecado era um, as consequências infinitas. Pois se Deus castiga nos pecados até as consequências possíveis; e os possíveis hão-de aparecer e ressuscitar no dia do juízo contra vós, não porque foram, nem porque deixaram de ser. senão porque haviam de ser; se os possíveis têm sangue e vozes que clamam ao Céu, que clamores serão os do verdadeiro sangue derramado de verdadeiras veias? Que vozes serão , as de verdadeiras lágrimas, choradas de verdadeiros olhos?

Que gemidos serão os de verdadéira dor, saldos de verdadeiros corações? Que serão as viudezas, as orfandades, os desamparos? Que serão as opressões, as destruições, as tiranias? E que serão as consequências de tudo isto, multiplicadas em tantas pessoas, continuada em tantas idades e propagadas em tantas descendências, ou futuras ou possíveis, até o fim do mundo! Há quem faça escrúpulo disto? Agora entendereis com quanta razão disse São João Crisóstomo: Miror, an fieri possit ut aliquis ex rectoribus sit salvus.

É uma das mais notáveis sentenças que se acham escritas nos Santos Padres. Torno a repeti-la: Miror, an fieri possit, ut aliquis ex rectoribus sit salvus: «Admiro-me (diz o grande Crisóstomo) e cheio de espanto considero comigo: se será possível que algum dos que governam se salve!» Esta proposição, e a suposição em que ela se funda, está julgada comummente por hipérbole e encarecimento retórico. Eu, contudo, digo que não é hipérbole nem encarecimento senão verdade moralmente universal em todo o rigor teológico. Impossível moral chamam os teólogos àquilo que muito dificultosamente pode ser e que nunca ou quase nunca sucede. Neste sentido disse São Paulo: Impossibile est, eos qui semel illuminati et prolapsi sunt, renovari ad poenitentiam. E no mesmo sentido disse Cristo, Senhor  Facilius est camelum per foramen acus transire, quam divitem intrare in regnum coelorum. Donde os Apóstolos tiraram a mesma admiração que São João Crisóstomo, e inferiram a mesma impossibilidade:

Auditis autem his, discipuli mirabantur valde, dicentes: quis ergo poterit salvus esse? E o Senhor confirmou a sua ilação, dizendo que «humanamente era impossível, como eles diziam, mas que para Deus tudo é possível»: Apud homines hoc impossibile est.: apud Deum autem omnia possibilia sunt, que foi o mesmo que distinguir o impossível moral e humano, do impossível absoluto, que até em respeito da omnipotência divina não é possível. E como os que governam, pelas obrigações de seus mesmos ofícios e pelas omissões que neles cometem, e pelos danos que por vários modos causam a tantos, os quais danos não param ali, mas se continuam e multiplicam em suas consequências, têm tão dificultosa a salvação, por isso São Crisóstomo, falando lisa, sincera e moralmente, sem encarecimento nem hipérbole, disse que ele se admirava muito e não podia entender como era possível que algum dos que governam se salve: Miror, an fieri possit, ut aliquis ex rectoribus sit salvus. E para que nós nos não admiremos, e os que governam ou desejam governar tenham tanto medo dos seus ofícios como dos seus desejos, reduzindo a verdade desta sentença à evidência da prática, argumento assim: Todo o homem que é causa gravemente culpável de algum dano grave, se o não restitui quando pode, não se pode salvar; todos ou quase todos os que governam, são causas gravemente culpáveis de graves danos, e nenhum ou quase nenhum restitui o que pode; logo, nenhum ou quase nenhum dos que governam se pode salvar. Colhe bem a consequência? Pois ainda mal, porque a segunda premissa, de que só se podia duvidar, está tão provada na experiência. Eu vi governar muitos, e vi morrer muitos; nenhum vi governar que não fosse causa culpável de muitos danos; nenhum vi morrer que restituísse o que podia. Sou obrigado, secundum praesentem justitiam, a crer que todos estão no Inferno. Assim o creio dos mortos, assim o temo dos vivos.

CAPÍTULO VIII

Pedida e tomada a conta a todo o género humano, olhará o Senhor para a mão direita, e com o rosto cheio de glória e alegria, dirá aos bons: Venite benedicti Patris mei, possidete paratum vobis regnum à constitutione mundi. «Vinde, benditos de meu Pai, e possuí o Reino que vos está aparelhado desde o princípio do Mundo!» Quem serão os venturosos sobre que há-de cair esta ditosa sentença? Bendito seja Deus, que todos os que estamos presentes o podemos ser, se quisermos. Como se darão então por bem empregados todos os trabalhos da vida, e quão verdadeiramente parecerá então jugo suave a Lei de Cristo, que hoje julgamos por dificultosa e pesada! Mas ainda mal, porque muitos dos que aqui estamos… Não me atrevo a o dizer; entendei-o vós. Multi sunt vocati, pauci vero electi. Arcta via est, quae ducit ad vitam, et pauci sunt, qui inveniunt eam. Voltando-se depois o Senhor… (não digo bem) não se voltando o Senhor para a mão esquerda, com rosto severo e não compassivo (o que me não atrevera eu a crer, se o não disseram as Escrituras), dirá desta maneira para os maus: Discedite a me, muledicti, in ignem æternum, qui paratus est diabolo, et angelis ejus: «Ide, malditos, ao fogo eterno, que estava aparelhado, não para vós, senão para o Demónio e seus anjos» ; mas já que assim o quisestes, ide. Abriu-se a terra, caíram todos, tornou-se a cerrar para toda a eternidade. Eternidade! eternidade! eternidade!

Uma Devoção Condenada pelo Papa Pio XII

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Caríssimo,
Salve Maria!
Hoje se fala tanto da ” Misericórdia Divina” – sobretudo agora no Ano Santo , que é bom não perder de vista o verdadeiro sentido teológico da Misericórdia Divina que não dispensa a Justiça, como sempre ensinou a Igreja.
Também aumenta-se, por toda parte, a Devoção à Divina Misericórdia segundo ” visões místicas” da polonesa Ir. Faustina. Também por determinação de João Paulo II, foi instaurada a Festa da Divina Misericórdia, para todo II Domingo da Páscoa, o antigo ” Domingo In Albis”
Mas vocês sabiam que esta devoção já foi Condenada pelo Papa Pio XII?
Vejam abaixo.
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10850063_10206520236912617_1089857296599056767_nTradução:
 Sagrada Congregação do Santo Ofício
Ata da Santíssima Congregação
Notificação
Faz-se notar que a Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício, tendo examinado as supostas visões e revelações da Irmã Faustina Kowalska, do Instituto Nossa Senhora da Piedade, falecida em 1938, na Cracóvia, resolveu da seguinte forma:
1 – dever-se proibir a difusão das imagens e dos escritos que apresentam a devoção da Divina Misericórdia “nas formas propostas pela mesma Irmã Faustina”;
2 – ser delegada à prudência dos Bispos o dever de remover as imagens acima referidas, que eventualmente tivessem já sido expostas ao culto.
Do Palácio do Santo Ofício, 6 de março de 1959.
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Após muito ler e pesquisar, rezar e pedir à Deus, pela intercessão de Maria e dos santos, chego a conclusão do que aqui lhes apresento, certamente verás certos termos e frases já presentes em alguns sites, minha intenção é, portanto, agrupar estas já publicadas declarações, analisar, dar opinião e conduzir meu leitor ao mesmo fato que eu constatei, esta devoção nunca foi recomendada, pelo contrario, proibida.
Adendo: analisado as orações de devoção à Divina Misericórdia e eu não tenho encontrado qualquer erro. Mas há algo de errado no que rodeia esta nova devoção.
Estou ciente de que há pessoas, possivelmente, alguns dos que lêem neste momento, que podem sim ter recebido graças fazendo a devoção da Divina Misericórdia. Isso não significa necessariamente que esta devoção vem do Céu.
Deus sempre ouve nossas orações. Sempre que você receberá alguma graça por suas orações.
“Aqueles que orar com fé, e se esforça para ser agradável a Deus, receber as bênçãos que a Divina Majestade considerados para a santificação”.
quando esta devoção foi analisada por Pio XII, que não estava preocupado com as orações de devoção, mas com as circunstâncias das autoproclamadas aparições à Irmã Faustina e o conteúdo de tais aparições. Estava preocupado ele, com o que Nosso Senhor supostamente teria dito à Irma Faustino e o quanto disto foi à publico.
Então, Pio XII, colocou essa devoção, incluindo aparições e escritos da Irmã Faustina em Librorum Prohibitorum Index (Índice de Livros Proibidos). Esta lista não existe mais, uma vez que foi oficialmente abolida por Paulo VI em 14 de junho de 1966. Por um lado, é lamentável que não exista. Mas, por outro lado, se a lista ainda existisse hoje. seria extensa dado a quantidade do que se escreve hoje, contrário a fé Católica.
Assim, Pio XII colocou os escritos da Irmã Faustina no Índice de Livros Proibidos.
Significa que ele considerou que seu conteúdo poderia levar a católicos na direção errada.
A hoje Congregação para Doutrina da Fé, abaixo do controle direto do Papa, é responsável por manter a pureza da fé e da Doutrina, consequentemente, vigiar a disseminação dos documentos da Igreja. Se o Papa quer corrigir os fieis sobre um ponto particular, usualmente faz – ou fazia pelo menos – por intermédio do antigo Santo Oficio. Deste modo, podemos ver que as proclamações, declarações e documentos proveniente do Santo Oficio – ou Congregação para Doutrina da Fé – é senão, provenientes do próprio Papa; é certo que dado a crise atual, poderia duvidar se a mesma congregação mantém a obediência devida.
Não foi uma vez, senão duas vezes durante o pontificado de João XXIII (o mesmo que ‘perseguiu’ padre Pio), que esta devoção particular foi condenada pelo Santo Oficio. A primeira condenação veio de uma reunião geral realizada em 19 de Novembro de 1958. A declaração do Santo Oficio apresenta três conclusões sobre esta devoção:
  1. Não há evidencia de origem sobrenatural destas revelações.
Isto significa que os membros do Santo Oficio analisaram o conteúdo dos escritos e decidiram que não havia nada que indicaria que existia aparições sobrenaturais. Em uma aparição autentica (por exemplo, Nossa Senhora de Lourdes ou de Fátima) pode-se analisar o conteúdo e dizer que você não pode dizer nada definitivo de que sejam de origem divina, mas ter evidencias suficientes para dizer que é possível que sejam.
Pelo contrário, nas aparições da Divina Misericórdia, eles disseram que definitivamente não há evidencia confiável de que estas visões sejam sobrenaturais. Em poucas palavras, “Pensamos que estas aparições não venham de Deus“
  1. Não se deve instituir a festa da Divina Misericórdia
Porque?, porque se estas aparições nao vem de Deus, poderia ser presunçoso e temerário instituir na Igreja uma festa baseada em uma falsa aparição.
  1. Esta proibido difundir imagens e escritos dedicados a propagar esta devoção segundo a forma escrita pela Irmã Faustina.
Então, esta proibido apresentar publicamente a imagem de Nosso Senhor, com a devoção da Divina Misericórdia propõe.
Creio que todos já tenham visto esta imagem da Divina Misericórdia da Irma Faustina, todos conseguem distingui-la, ela apresenta uma estranha imagem de Jesus, que nas almas devotas causaria inquietação; ela causa tranquilidade, até mesmo orgulho diante da salvação que Cristo nos ganho; sua postura, seu gesto demonstram uma forma “light” da misericórdia de Deus, sem o peso e a gravidade dos pecados, sem as dores sofridas, sem a dureza dos ultrajes, sem a cicatriz da lança, o sangue derramado, conforme a Igreja desde sempre apresentou o coração misericordioso. Sem duvida a imagem da irmã faustina, assusta todo fiel que diante do mistério da paixão encontra o Cristo ferido, ao ver esta imagem, nos deparamos com um Cristo sadio, sem o peso da cruz, da coroação, das blasfêmias etc.
A imagem possui raios que partem do peito e não do coração, basta vê-la – me recuso pô-la cá -. Todos têm visto isto.
O que havia nesta devoção que impediu o Santo Ofício de reconhecer sua origem divina? Os decretos não o dizem, mas parece que a razão está no fato de que há muita ênfase na misericórdia de Deus como que para excluir a Sua justiça. Nossos pecados e a gravidade da ofensa que eles infligem em Deus são deixados de lado como sendo de pouca importância. É por isso que o aspecto da reparação do pecado é omitido ou obscurecido.
Bem, voltemos; em 06 de Março de 1959, o Santo Oficio apresentou um segundo decreto por ordem de João XXIII. Novamente é proibida a difusão das imagens da Divina Misericórdia e os escritos da Irmã Faustina que propagam esta devoção. Também previa aos bispos decidir os meios necessários para remover as imagens que já se haviam estabelecidas para veneração publica.
Não vejo necessidade em me prolongar sobre as declarações dadas pelo Santo Oficio, dois papas fortemente advertiram os fieis sobre o perigo desta devoção, não será eu portanto, que farei isto. Pio XII colocou-a no Indice; João XXIII emitiu duas sentenças pelo Santo Oficio sobre o perigo espiritual que esta devoção leva aos fieis, que ela não é sobrenatural e que os bispos deveriam criar meios de retirar as imagens expostas para veneração publica.
Raiz do erro: A misericórdia incondicional
Sobre este tema, recomendaria um artigo de um blog amigo do Apostolado Ecclesiam Meam, mas também quero propor uma comparação, consideremos a verdadeira imagem de Cristo, Nosso Salvador. Provavelmente a imagem mais segura e simbolicamente mais rica, seria a imagem do Sagrado Coração, pois a Imagem do Sagrado Coração representa toda a Teologia da Redenção, conforme se vê:
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Eles transpassaram suas mãos, seus pés e seu Sagrado Coração; Coroaram de espinhos seu coração, inflamado de amor pelos homens. O Sagrado Coração de Jesus exige uma devoção de reparação, conforme os papas sempre solicitaram. No entanto, este não é o caso da devoção da Divina Misericórdia. A imagem não tem coração. É um Sagrado Coração sem coração, sem reparação, sem o preço de nossos pecados sendo claramente evidente.
É isso que faz com que a devoção seja muito incompleta e me faz suspeitar de sua origem sobrenatural, independentemente das boas intenções e da santidade pessoal da Irmã Faustina. Esta ausência da necessidade de reparação dos pecados manifesta-se na estranha promessa de libertação de todas as penas temporais devidas aos pecados para aqueles que observam as devoções de domingo às 15h00min.
Como tal devoção poderia ser mais poderosa e melhor do que a indulgência plenária, aplicando o extraordinário tesouro dos méritos dos santos? Como não poderia exigir como condição que realizemos uma obra penitencial por nossa própria conta? Como não poderia exigir o distanciamento do pecado, mesmo venial, que é necessário para obter a indulgência plenária?
Agora, considerem a imagem de Nosso Senhor representado pela Divina Misericórdia da Irmã Faustina. Esta é uma imitação do Sagrado Coração (sem o Coração). Se você olhar de perto, você vai notar que a imagem não tem coração. Apenas um simples raios vindo de algum lugar no meio do peito. Isto simboliza o erro de devoção da Divina Misericórdia. Pregou que podemos esperar misericórdia incondicional sem nenhuma contraposição, sem qualquer pagamento, sem qualquer obrigação. Essa não é a mensagem de Cristo.
Cristo é misericordioso, sempre sua misericórdia perdoa nossos repetidos pecados, através do Sacramento da Penitência, sempre nos devolve o estado de graça sem ter em conta o quão grave são nossos pecados. O que acontece no sacramento da penitencia?, o nome por si nos apresenta o que acontece: penitencia é necessária para a eficácia do sacramento, reconhecermos nossa plena submissão à Igreja e a dependência que temos do sacramento para obter o perdão, mas antes, devemos sair do confessionário com uma penitencia imposta.
Você não só deve aplicar plenamente a penitência (que impôs o confessor); você deve fazer penitência continuamente a sua própria penitência. Não só uma parte do Rosário e dizer: “Bem, eu fiz a minha penitência. Agora, eu vou seguir alegremente o meu caminho”. Você deve sempre manter o espírito de penitência por seus pecados do passados; e você tem que viver com esse espírito.
O erro central da Divina Misericórdia é que promete muitas recompensas espirituais sem a necessidade de arrependimento de qualquer espécie, sem reparação, ou qualquer outra condição.
Uma das promessas da devoção a Divina Misericórdia segundo a Irmã Faustina diz: “Por meio desta imagem encherá as almas de muitas graças”, “por isso cada um tenha acesso a ela”. Mas como podemos merecer tudo isto, sem a devida conversão?
Talvez não seja por acaso que o Papa João Paulo II promoveu esta devoção, pois está em grande sintonia com a sua encíclica Dives in Misericordia. Na verdade, a teologia do Mistério Pascal que ele ensinou deixa de lado toda a consideração da gravidade do pecado e da necessidade de penitência, para satisfação à justiça divina e, portanto, da Missa como sendo um sacrifício expiatório, e também a necessidade de ganhar indulgências e fazer obras de penitência. Uma vez que Deus é infinitamente misericordioso e não conta os nossos pecados, tudo isso é considerado sem importância.
Antes do Papa João Paulo II, todos escritos, toda devoção, toda ideia, toda proposta, tudo que até então tinha sido proposto pela Irmã Faustina, segundo a Divina Misericórdia, antes, haviam sido proibidos e condenados pelos Papas; cito novamente a gravidade de algum texto estar no índice, era a censura mais alta da Igreja para toda literatura, estar no índice, implica senão um pecado para aqueles que lêem os livros proibidos.
Um erro desconcertante: Presunção nos escritos de Irmã Faustina
O Diário de Santa Maria Faustina Kowalska que foi publicado, também indica muitas razões para questionar seriamente a origem sobrenatural das mais de 640 páginas de volumosas e repetidas aparições e mensagens.
A característica de qualquer místico verdadeiro que recebeu graças sobrenaturais é sempre uma humildade profunda, sentimento de indignidade, conscientização e profissão da gravidade de seus pecados. No entanto, esta humildade está estranhamente faltando no diário de Irmã Faustina.
Em 2 de outubro de 1936, por exemplo, afirma que o “Senhor Jesus” falou estas palavras a ela: “Agora eu sei que não é pelas graças ou dons que você me ama, mas porque a Minha vontade é mais preciosa para você do que vida. É por isso que eu estou unindo-me a você tão intimamente como com nenhuma outra criatura.” (§707, p. 288). Isso dá toda a aparência de ser uma pretensão de ser mais unida a Jesus do que ninguém, até mesmo a Virgem Maria, e certamente mais do que todos os outros santos. Que orgulho acreditar em tal afirmação, e quanto mais afirmar que isso veio do Céu!
Em abril de 1938, Irmã Faustina leu a canonização de Santo André Bobola e foi preenchida com lágrimas e anseios de que a sua congregação pudesse ter seu próprio santo. Em seguida, ela afirma o seguinte: “E o Senhor Jesus me disse: Não chores. Você é essa santa”. (§1650, p. 583). Estas são palavras que com toda certeza nenhum verdadeiro santo iria afirmar, mas sim sua pecaminosidade e indignidade de sua congregação.
Esta presunção em seus escritos não é isolada. Ela elogia a si mesma em várias ocasiões através das palavras supostamente proferidas por Jesus. Veja esta locução interior, por exemplo:”Amada Pérola de Meu Coração, eu vejo seu amor tão puro, mais puro do que o dos anjos, e tanto mais porque você continua lutando. Por sua causa eu abençoo o mundo.” (§1061, p. 400).
Irmã Faustina anunciou uma era de paz e bênção. Mas o que houve foi uma grande guerra. A Polónia foi o primeiro país a sucumbir às armas nazistas.
Minha objeção é que essa revelação foi em 1937; e o mundo estava no início da II Guerra Mundial, que a Irmã Lúcia tinha sido advertida por Nossa Senhora de Fátima: “Se a Rússia não for consagrada, o homem não se converter, então um grande desastre virá sobre a humanidade por seu mau proceder e por seus pecados”
As visões da irmã Faustina se opõe as visões de Fátima, e também a visão de Santa Maria Margarida e da Beata Maria do Divino Coração.
Onde ficou a benção prometida por Jesus à ela ?, acaso sabemos que a Polônia não ficou isenta da ocupação alemã, senão foi a primeira a ser invadida.
Em 23 de maio de 1937, ela descreve uma visão da Santíssima Trindade, depois da qual ela ouviu uma voz dizendo: “Diga ao Superior Geral para contar com você como a filha mais fiel na Ordem” (§1130, p. 417).
É, portanto, dificilmente surpreendente que a Irmã Faustina tenha alegado ser isenta dos Julgamentos tanto o Particular quanto o Geral. Em 4 de fevereiro de 1935, ela já dizia ouvir uma voz em sua alma: “De hoje em diante, não tema o julgamento de Deus, pois você não será julgada” (§374, p. 168). Adicione a isso a afirmação absurda de que a hóstia por três vezes saltou para fora do sacrário e colocou-se em suas mãos (§ 44, p. 23), de modo que ela mesma teve que abrir o sacrário e colocá-la de volta lá, mostra a história de uma presunção da graça de Deus, que vai além de toda razão, quanto mais como a ação de uma pessoa supostamente favorecida com inúmeras e repetidas graças místicas e sobrenaturais.
Agora, ninguém, exceto a Santíssima Virgem, eu entendo, é livre do juízo particular e o juízo universal. São Tomás de Aquino, de acordo com uma história piedosa, teve que se ajoelhar no purgatório antes de ir para o céu. Eu não sei sobre isso, mas é uma lição para nós que ninguém está isento de qualquer forma de julgamento.
Este não é o espírito católico, conclusões
Devemos fazer a reparação pelos nossos pecados e pelos pecados de todo o mundo, como o Sagrado Coração de Jesus pediu repetidamente em Paray-Le-Monial. É a renovação da nossa consagração ao Sagrado Coração e frequentes sagradas horas de reparação que vão trazer a conversão dos pecadores. É desta forma que podemos cooperar para trazer o Seu Reino de Amor Misericordioso, porque esse é o reconhecimento perfeito da santidade infinita da Divina Majestade e completa submissão a suas legítimas demandas. Misericórdia só significa algo quando entendemos o preço da nossa Redenção.
Fonte: https://leonardomazzui.wordpress.com/

”Eu queria ser chamado apenas de Padre Bento”, afirma Ratzinger

 

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Os sapatos vermelhos, sinal da dignidade papal, não existem mais. No seu lugar, um par de sandálias de couro com meias, que poderiam ser as de um monge qualquer, ou talvez de um turista alemão de passagem por Roma. O hábito, ao contrário, continuou sendo o branco papal, símbolo de um status que permanece mesmo depois da renúncia ao pontificado.

A reportagem é de Vatican Insider, 07-12-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas ele, confidencia Ratzinger a um jornalista alemão, teria preferido ser chamado simplesmente de “Padre Bento”. Só que, na época, ele estava “fraco e cansado demais” para conseguir se impôr.

Agora, conta Jörg Bremer, um dos correspondentes de Roma do Frankfurter Allgemeine, na conversa publicada na edição dominical do jornal, Ratzinger parece ter reencontrado as suas forças. Aos 87 anos, ele se movimenta sem bengala na sua casa, a Mater Ecclesiae, no Vaticano, os olhos brilham, e as suas respostas são rápidas e precisas.

E, com grande atenção, ele avisa o jornalista sobre o que pode escrever e sobre o que não. Como sobre o seu desejo, depois da renúncia, de ser chamado simplesmente de “Vater Benedikt”. “Podemos escrever isso?”, pergunta Bremer. “Sim, escreva”, responde o “Padre Bento” – talvez possa ajudar”.

Mas por que um papa emérito, que vive retirado e se deixa ver em público apenas quando o papa em serviço o convida (a última vez para a beatificação de Paulo VI), decide falar com um jornalista, rompendo, com todas as cautelas do caso, a regra do silêncio que ele se impôs desde que optou por viver como um monge?

O motivo talvez se encontre na publicação de um novo livro, o quarto, da coletânea dos seus escritos. O fato é que, em 1972, o professor de teologia Joseph Ratzinger, em um artigo “Sobre a questão da indissolubilidade do matrimônio”, tinha se expressado em termos possibilistas sobre a readmissão à Eucaristia dos divorciados em segunda união.

Em alguns casos particulares, escrevera Ratzinger, a readmissão podia ser “coberta pela tradição”. Para republicação, Ratzinger preferiu reformular as conclusões e reiterar o que afirmou como cardeal e depois como papa, ou seja, a intangibilidade da doutrina sobre a indissolubilidade do matrimônio, com as suas consequências em termos de admissão à comunhão.

Então, pode-se dizer que o papa emérito quis entrar e talvez se colocar um pouco enviesado no debate desejado por Francisco por ocasião do Sínodo dedicado a esses temas?

Esse é um “absurdo total”, responde Bento, que ressalta que tem “ótimos contatos” com Francisco. A revisão do texto foi decidida em agosto, poucos meses antes do Sínodo, e não contém “nada de novo”.

A esse respeito, Ratzinger lembra o ensinamento de João Paulo II, “e eu mesmo, como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, escrevi coisas muito mais radicais”.

Ainda com o Papa Wojtyla, do qual foi estreito colaborador, Ratzinger lembra, como relata Bremer, que os divorciados em segunda união não devem, contudo, ser excluídos da vida da Igreja.

Por exemplo, segundo Bento, eles devem poder ser padrinhos e madrinhas de batismo (atualmente, muitas dioceses exigem o preenchimento de formulários, assinados pelo pároco, em que se declara, dentre outras coisas, que “não se contraiu matrimônio apenas civil, nem convive, nem buscou o divórcio”).

Na meia hora de conversa, ainda há tempo para um pensamento em vista do Natal, especialmente para a Terra Santa, que ao papa emérito, biógrafo de Jesus, toca especialmente a memória. Porque Jesus não foi só espírito, a sua presença é datável, e “essa dimensão terrena é importante para a fé dos homens”.

Depois, no momento das saudações, Bento mostra medalhas e lembranças do pontificado: “Pode levá-las, se quiser. Mas contanto que não se alimente assim o culto da personalidade”, brinca, com humor alemão, antes de voltar para o seu silêncio, o papa emérito que queria ser chamado apenas de “Padre Bento”.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/538254-eu-queria-ser-chamado-apenas-de-padre-bento-afirma-ratzinger

A Estrela e o Sol: dois natais!

Pe. Marcélo Tenorio

E chegou a Noite Santa!

A noite! O Mistério da noite tão cantado pelos poetas, tão buscando pelos homens espirituais, tão vivido pelos enamorados.
A noite! A noite com seu silêncio quase que celestial…Um silencio que faz dormir, repousar os homens de coração cansado , quase esmagados pelo peso de seus fardos e dores.

A noite, com suas trevas que, quando não faz os juvenis perderem-se em seus pecados, realça com sua ausência de luz, as estrelas que brilham no horizonte azul, apontando para nós a eternidade a se avizinhar.
E, se a noite esconde o mal, o maldito, o perverso….também esconde o Santo, o Sagrado, o encoberto pelo mistério de Luz.

Num céu cheio de estrelas Abraão contava as tribos…A noite é testemunha que Deus o visitava.
À noite, só a noite viu Cristo no sepulcro. E a noite, só a noite é testemunha da Glória de um Cristo.
A noite só a noite viu Cristo descendo ao mundo. A noite é testemunha da chegada do Menino

Mas há uma Estrela que desceu antes da Aurora, uma Estrela que veio antes do Sol, menos que o Sol, mas geradora do Sol.
Desce do céu uma Estrela para descer de Deus um Menino.
Antes da Estrela guia conduzir os pastores à fonte de todo Amor, uma Estrela maior era anunciada a Adão após a queda, A Acaz, após a dúvida, à Isabel já fecunda.

E hoje, nesta Noite Santa, nas palhas do presépio, o Sol e a Estrela. O Eterno e a Eternecida. O Divino e a divinizada.
A Mãe e o Filho, a Estrela e o Sol.
Que Mistério de luz, que Mistério de Amor e de Dor!
Maria é essa Estrela que nos dá o Sol da justiça, o Esperado das nações. O Messias prometido, A Alegria de Israel.
Celebrar a chegada do Filho, também é celebrar o Sim da Mãe. Celebrar o nascimento do Filho é também regozijar-se pelo nascimento da Mãe.
Envolvidos nesta musicalidade sem igual, façamos coro aos anjos e deixemo-nos cantar, não com a boca, mas com os nossos cantares da alma. Cantares de gratidão à Mãe pelo Filho, ao Filho pela Mãe. Estrela que vem antes, para depois surgir, na aurora de nossa vida, o Sol da Justiça que não conhece ocaso.
Olhando para o menino e sua mãe, lembro-me de uma bela música do século XVII, com texto de Felix Lope de Veja y Carpio, fala justamente da Estrela que Precede o Sol, do Sol que existia antes da Estrela, mas que por Ela quer nascer numa noite fria, em Belém…

Essa música foi composta para homenagear a natividade da Virgem Maria e, por sua letra, e por sua profunda junção dos dois nascimentos, dos dois natais: o da mãe e o do Filho, deve servir para nós como uma reflexão …uma contemplação do Mistério que envolveu Maria em sua Conceição, manifestando-se plenamente na Noite Santa do Natal, com a chegada do Menino.

“Hoje nasce uma clara Estrela tão divina e celestial,
A alvorada mais clara e bela não lhe pode ser igual,
E sendo Estrela e Tal,
Que o próprio Sol nasce Dela,
O próprio Sol nasce dela
O próprio Sol nasce dela…