Amoris Laetitia: primeiras reflexões sobre um documento catastrófico

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Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com
Com a exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, publicada em 08 de abril de 2016, o Papa Francisco se pronunciou oficialmente sobre problemas de moral conjugal que vêm sendo discutidos há muitos anos.
No consistório de 20 e 21 de fevereiro de 2014, Francisco havia confiado ao cardeal Kasper a missão de introduzir o debate sobre este tema. A tese de Kasper, segundo a qual a Igreja deve mudar sua praxe matrimonial, foi o tema central dos sínodos sobre a família celebrados em 2014 e 2015, e constitui o núcleo da exortação do Papa Francisco.
Durante esses dois últimos anos, ilustres cardeais, bispos, teólogos e filósofos tomaram parte no debate para demonstrar que entre a doutrina e a praxe da Igreja tem que haver uma íntima coerência. A pastoral funda-se precisamente na doutrina dogmática e moral. “Não pode haver pastoral em desacordo com as verdades e a moral da Igreja, em conflito com suas leis e que não esteja orientada a alcançar o ideal da vida cristã!”, declarou o cardeal Velasio de Paolis em sua alocução ao Tribunal Eclesiástico de Úmbria, em 27 de março de 2014. Para o cardeal Sarah, a ideia de separar o Magistério da praxe pastoral, que poderia evoluir segundo as circunstâncias, modos e paixões, “é uma forma de heresia, uma perigosa patologia esquizofrênica” (La Stampa, 24 de fevereiro de 2015).
Nas semanas que precederam à publicação do documento, multiplicaram-se as intervenções públicas de purpurados e bispos ante o Sumo Pontífice a fim de evitar a publicação de um texto repleto de erros, relativos às numerosíssimas alterações ao projeto propostas pela Congregação para a Doutrina da Fé. Francisco não desistiu. Pelo contrário, parece que confiou o texto definitivo da exortação — ou ao menos algumas das principais passagens — a teólogos de sua confiança que tentaram reinterpretar Santo Tomás à luz da dialética hegeliana. O resultado é um texto que não é ambíguo, mas claro, em sua indeterminação. A teologia da praxe exclui qualquer afirmação doutrinal, deixando que a história trace as linhas da conduta nos atos humanos. Por esta razão, como afirma Francisco, “é compreensível” que, no tema crucial dos divorciados recasados, “não se devia esperar do Sínodo ou desta exortação uma nova normativa geral de tipo canônico, aplicável a todos os casos” (par. 300). Se se tem a convicção de que os cristãos não devem ajustar seu comportamento a princípios absolutos, mas estar atentos a “sinais dos tempos”, seria contraditório formular qualquer classe de regras.
Todos esperavam a resposta a uma pergunta básica: aqueles que, depois de um primeiro matrimônio, voltarem a contrair matrimônio pela via civil, podem receber o sacramento da Eucaristia? A essa pergunta, a Igreja sempre respondeu com um “não” rotundo. Os divorciados recasados não podem receber a comunhão, porque sua condição contradiz objetivamente a verdade natural e cristã sobre o matrimônio, que é representada e atualizada na Eucaristia (conf. Familiaris Consortio, par. 84).
A exortação pós-sinodal responde o contrário: em linhas gerais não, mas “em certos casos” sim (par. 305, nota 351). Os divorciados recasados devem ser “integrados” em vez de excluídos (par. 299). Sua integração “pode exprimir-se em diferentes serviços eclesiais, sendo necessário, por isso, discernir quais das diferentes formas de exclusão atualmente praticadas em âmbito litúrgico, pastoral, educativo e institucional possam ser superadas” (par. 299), sem excluir a disciplina sacramental (conf. par. 300, nota 336).
Na realidade, trata-se do seguinte: a proibição de receber a comunhão já não é absoluta para os divorciados recasados. Por regra geral, o Papa não os autoriza a recebê-la, mas tampouco os proíbe. “Isto — havia destacado o cardeal Caffarra ao refutar o cardeal Kasper — afeta a doutrina. Inevitavelmente. Pode-se inclusive dizer que não o faz, mas o faz. Além disso, introduz-se um costume que a longo prazo inculca no povo, seja ou não cristão, que não existe matrimônio totalmente indissolúvel. E isso desde já se opõe à vontade do Senhor. Não cabe a menor dúvida” (Entrevista ao Il Foglio, 15 de março de 2014).
Para a teologia da praxe não importam as regras, mas os casos concretos. E o que não é possível no abstrato, é possível no concreto. Mas, como acertadamente destacou o cardeal Burke, “se a igreja permitisse (ainda que em um só caso) que uma pessoa em situação irregular recebesse os sacramentos, isso significaria que ou o matrimônio não é indissolúvel e, portanto, a pessoa em questão não vive em estado de adultério, ou que a santa comunhão não é o Corpo e o Sangue de Cristo, que pelo contrário requerem a reta disposição da pessoa, ou seja, o arrependimento do pecado grave e o firme propósito de não voltar a pecar” (Entrevista a Alessandro Gnocchi, Il Foglio, 14 de outubro de 2014).
Não só isso: a exceção está destinada a converter-se em uma regra, uma vez que Amoris Laetitia deixa o critério para receber a comunhão ao “discernimento pessoal”. Esse discernimento é alcançado mediante “o diálogo com o sacerdote, no foro interno” (par. 300), “caso a caso”. E quem será o pastor de almas que se atreverá a proibir que se receba a Eucaristia, se “o próprio Evangelho exige que não julguemos nem condenemos” (par. 308) e é necessário “integrar a todos” (par. 297) e “valorizar os elementos construtivos nas situações que ainda não correspondem ou já não correspondem à sua doutrina sobre o matrimônio” (par. 292)? Os pastores que quiserem invocar os mandamentos da Igreja correriam o risco de atuar, segundo a exortação, “como controladores da graça e não como facilitadores” (par. 310). “Por isso, um pastor não pode sentir-se satisfeito apenas aplicando leis morais àqueles que vivem em situações ‘irregulares’, como se fossem pedras que se atiram contra a vida das pessoas. É o caso dos corações fechados, que muitas vezes se escondem até por detrás dos ensinamentos da Igreja ‘para se sentar na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas'” (par. 305).
Essa linguagem inédita, mais dura que a dureza de coração que repreende os “controladores da graça”, é a marca distintiva de Amoris Laetitia, que, não por nenhuma casualidade, foi qualificada pelo cardeal Schönborn na coletiva de imprensa de 08 de abril de 2016 como “um evento linguístico”. “O que mais me alegra neste documento — declarou o cardeal de Viena — é que ele supera de forma coerente a divisão externa artificial que distinguia entre regular e irregular”. A linguagem, como sempre, expressa um conteúdo. As situações que a exortação pós-sinodal define como “chamadas irregulares” são o adultério público e a convivência extramatrimonial. Para Amoris Laetitia, estas realizam o ideal do matrimônio cristão, “de forma parcial e análoga” (par. 292). “Por causa dos condicionalismos ou dos fatores atenuantes, é possível que uma pessoa, no meio de uma situação objetiva de pecado — mas subjetivamente não seja culpável ou não o seja plenamente —, possa viver em graça de Deus, possa amar e possa também crescer na vida de graça e de caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja” (par. 305), “em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos” (nota 351).
Segundo a moral católica, as circunstâncias, que constituem o contexto no qual a ação se desenvolve, não podem modificar a qualidade moral dos atos, fazendo boa e justa uma ação intrinsecamente má. Mas a doutrina dos absolutos morais e do mal intrínseco é anulada por Amoris Laetitia, que se acomoda à “nova moral” condenada por Pio XII em vários documentos e por João Paulo II em Veritatis Splendor. A moral situacionista deixa à mercê das circunstâncias e, em último caso, à consciência subjetiva do homem determinar o que está certo e o que está errado. Assim, uma união sexual extraconjugal não é considerada intrinsecamente ilícita, mas, como um ato de amor, é valorizada em função das circunstâncias. Dito de um modo mais geral, não existe o mal em si nem tampouco pecados graves ou mortais. Comparar pessoas em estado de graça (situações regulares) com pessoas em situação de pecado permanente (situações irregulares) é mais do que uma questão linguística: podemos dizer que está em conformidade com a teoria luterana do homem (que diz que o homem é justo e pecador), condenada pelo Decreto sobre a justificação no Concílio de Trento (conf. Denz-H, nn. 1551-1583).
A exortação pós-sinodal Amoris Laetitia é muito pior que a exposição do cardeal Kasper, contra a qual se dirigiram tantas e tão justas críticas em livros, artigos e entrevistas. Kasper limitou-se a plantear algumas perguntas; Amoris Laetitia [isto é, Francisco] apresenta a resposta: abre as portas aos divorciados recasados, canoniza a moral situacionista e dá início a um processo de normalização de todas as convicções extramaritais.
Tendo em conta que o novo documento pertence ao Magistério ordinário não infalível, é de esperar que seja objeto de uma análise crítica profunda por parte de teólogos e pastores da Igreja, sem a ilusão de que se possa aplicar-lhe a hermenêutica da continuidade.
Se o texto é catastrófico, mais catastrófico é o fato de que ele foi assinado pelo Vigário de Cristo. Pois bem, para aqueles que amam a Cristo e à sua Igreja, esta é uma boa razão para falar, para não ficar em silêncio. Façamos nossa, pois, as palavras de um valente mitrado, Mons. Athanasius Schneider: “Non possumus! Eu não vou aceitar um discurso ofuscado nem uma porta falsa, habilmente ocultada para a profanação do sacramento do Matrimônio e da Eucaristia. Do mesmo modo, não vou aceitar que se brinque com o sexto mandamento da Lei de Deus. Prefiro ser ridicularizado e perseguido do que aceitar textos ambíguos e métodos insinceros. Prefiro a cristã ‘imagem de Cristo, a Verdade, à imagem da raposa adornada com pedras preciosas’ (Santo Irineu), porque ‘eu sei em quem tenho crido’, ‘scio cui credidi’ (II Tm I, 12)” (Rorate Caeli, 2 de novembro de 2015).
Fonte: http://www.renitencia.com/2016/04/amoris-laetitia-primeiras-reflexoes-sobre-um-documento-catastrofico.html

Quem foi realmente Dom Helder Câmara?

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Júlio Loredo

Muito se tem falado nestes dias sobre Dom Helder Câmara, cujo processo de beatificação foi recentemente aprovado pelo Vaticano.

Para o italiano médio, a figura de Mons. Helder Pessoa Câmara (1909-1999), bispo auxiliar do Rio de Janeiro e, em seguida, arcebispo metropolitano de Olinda-Recife, é quase desconhecida.
Quem foi Dom Helder?

Propaganda que beira o ridículo

As únicas notícias sobre Dom Hélder Câmara que passam pelos filtros da nossa imprensa são aquelas provenientes das fábricas de propaganda local, de modo tão desequilibrado que eu não tenho medo de defini-las como beirando o limite do ridículo.

Lembro-me bem, por exemplo, da reação da imprensa na época da morte de Dom Helder, em agosto de 1999. Os meios de comunicação italianos competiam entre si em panegíricos, dando títulos altissonantes como “profeta dos pobres”, “santo das favelas”, voz do Terceiro Mundo”, “Santo Helder das Américas” e assim por diante. Foi uma espécie de canonização pelos meios de comunicação de massa (1).

Esta mesma máquina de propaganda parece ter sido reativada com a abertura do processo de beatificação, assinado no Vaticano no último 25 de fevereiro. Algumas informações sobre o assunto, de fato, não fariam mal algum.

Talvez poucas pessoas saibam, mas Dom Helder Câmara começou sua vida pública como militante na direita.

Ele foi, de fato, hierarca da Ação Integralista Brasileira (AIB), o movimento fundado por Plínio Salgado. Em 1934, o então Padre Câmara passou a fazer parte do Conselho Supremo da AIB.

Dois anos depois, ele se tornou o secretário pessoal de Plínio Salgado e então Secretário Nacional de AIB, participando como protagonista em comícios e passeatas paramilitares. Suas convicções eram tão profundas, que ao ser ordenado sacerdote fez questão de vestir, sob a batina, a famigerada “camisa verde” que era o uniforme da milícia integralista.

Em 1946, o arcebispo do Rio de Janeiro queria fazê-lo seu bispo auxiliar, mas a Santa Sé recusou por causa de sua precedente militância no integralismo. A nomeação veio apenas seis anos depois. Enquanto isso, Helder Câmara havia completado sua passagem do integralismo ao progressismo pró-marxista.

Quando, em 1968, o escritor brasileiro Otto Engel escreveu uma biografia de Mons. Câmara, ele recebeu ordens sumárias da Cúria de Olinda-Recife proibindo-o de publicá-la. O arcebispo não queria que seu passado fosse conhecido.

O PROTO-HOMOSSEXUAL

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Por que há tantas pessoas heterossexuais a favor da homossexualidade?

Porque a normalização da homossexualidade é a realização da ideologia heterossexual. “Gay” e “homossexual” não são taxonomias mas ideologias. Não são orientações mas desorientações: bi-, homo-, ou hétero-, sexualidade hifenizada faz-nos perder o nosso sentido de direção para o verdadeiro sexual e as vítimas desta ideologia são as crianças.

As palavras “homossexual” e “heterossexual” são neologismos do século XIX feitos para separar o romance da responsabilidade e o sexo da fecundidade. “A heterossexualidade foi feita para servir este fantasioso quadro de regulação de ideais”, escreve Michael Hannon, resumindo Foucault, “preservar a proibição social contra a sodomia e outros desenfreios sexuais sem a necessidade de recorrer à natureza procriadora da sexualidade humana”. O mito tornou-se um facto, e é por isso que tantos heterossexuais são a favor da homossexualidade. A homossexualidade ratifica a heterossexualidade.

Os mesmos princípios e práticas que ajudam e estimulam a ideologia homossexual só validam a ideologia heterossexual: a coabitação, o divórcio sem culpa, o sexo estéril, a exultação do amor romântico, a história banal do casal que se revolta contra o mundo para que possam fugir juntos para o pôr-do-sol, a suposição que ter filhos é um estilo de vida opcional, ou até mesmo algo que se pode comprar através da adoção ou da fertilização “in vitro”. Heterossexualidade, eu diria, é na verdade proto-homossexualidade.

Um estudo revela que pessoas criadas por gays têm mais problemas




O estudo de um perito da Universidade do Texas (Estados Unidos) demonstrou que ascrianças criadas por casais homossexuais enfrentam maiores dificuldades quando se tornam adultos, que aqueles criados por uma família estável constituída por um homem e uma mulher.
O autor do trabalho científico, Mark Regnerus, disse ao grupo ACI, no dia 12 de junho, que a sua pesquisa revela “diferenças estatísticas significativas entre adultos que foram criados na sua infância com uma mãe que teve uma relação homossexual e aqueles que disseram que sua mãe e seu pai biológico estavam, e ainda estão, casados”.
O estudo do Regnerus, que mediu as diferenças em 40 indicadores sociais e pessoais entre 3.000 americanos de idades entre 18 e 39 anos, criados em oito tipos diferentes de lares, foi publicado na edição de julho da revista Social Science Research.
De acordo com o documento, as crianças criadas em lares homossexuais têm em média níveis mais baixos de ingressos econômicos quando são adultos, e padecem mais problemas de saúde física e mental, assim como maior instabilidade em suas relações de casal.
O estudo revelou que os menores criados neste tipo de ambiente mostraram maiores níveis de desemprego, tabaquismo, necessidade de assistência pública e participação em crimes. Para Regnerus, a instabilidade no lar é “uma marca” entre os lares cujos pais estiveram envolvidos em relações sentimentais homossexuais, já seja que esses lares estivessem “dirigidos por uma mãe ou um pai”.
As descobertas do cientista americano desafiam, entre outros, à informação difundida em 2005 pela Associação Americana de Psicologia, que assegurou que “nenhum estudo descobriu que crianças de pais gays ou lésbicas sejam desfavorecidos em nenhum aspecto significativo com respeito a crianças de pais heterossexuais”.
Segundo Regnerus, alguns destes influentes estudos foram feitos em poucas ou não representativas mostras de população, enfocando-se em casais homossexuais brancos, com alto nível de educação, para obter conclusões gerais sobre paternidade homossexual. “A maioria das conclusões sobre paternidade homossexual foram obtidas de pequenas e convenientes mostras e ao azar”, disse Regnerus num comunicado publicado pela Universidade do Texas, no dia 11 de junho.
Regnerus disse que “os resultados desse enfoque levaram frequentemente aos estudiosos da família a concluir que não há diferenças entre crianças criadas em lares homossexuais e aquelas criadas em outros tipos de famílias. Mas esses estudos anteriores esconderam inadvertidamente a real diversidade entre as experiências de pais gays e lésbicas nos Estados Unidos”.
O pesquisador disse ao grupo ACI que ele enfocou o projeto “sem ter ideia sobre as coisas que revelariam os dados”.
Sobre a análise, Regnerus disse que “revelou uma instabilidade muito maior nos lares com pais que tiveram relações homossexuais”.
Ao anunciar seu estudo, no último dia 10 de junho, Regnerus disse que a sua descoberta mais significativa “é, sem dúvida, que as crianças se mostram mais aptas para ter êxito como adultos quando passam sua infância completa com o pai e a mãe casados, e especialmente quando seus pais permanecem casados até a atualidade”.
O sociólogo reconheceu que seu estudo já agitou uma “intensa e frequente” crítica, que ele considera como “desproporcionada em relação às limitações do estudo”.
O documento foi atacado pelo Family Equality Council, Human Rights Campaign, Freedom to Marry, e a Aliança Gay e Lésbica contra a Difamação.
Regnerus descreveu o ataque como “desafortunado” que seu próprio estudo “é de alta qualidade e está sendo difamado”.
O perito assinalou finalmente que seus resultados devem simplesmente sujeitar-se às normas da “ciência normal”, que “exibe desacordos entre os pesquisadores a respeito de como medir isto ou aquilo”.

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Agradecemos a indicação do Sr Ruy fernandez