ANTES TARDE QUE NUNCA – UM OÁSIS NO DESERTO

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Airton Vieira

(tonvi68@gmail.com)

Em resumo, se há uma verdade psicológica possível de ser descoberta pela razão humana, ela é esta: que, a menos que os católicos possuam e gerenciem escolas católicas, eles não terão ensino católico.

(Novos argumentos a favor das escolas católicas – G. K. Chesterton)

Pais sendo presos e processados por não querer que os filhos sejam (des)educados contra o senso comum racional e objetivo. Estados nacionais inventando pronomes neutros em uma esdrúxula tentativa de acrescer e assim justificar – como se fora possível – a existência de mais de dois gêneros humanos. Escolas idealizando dias comemorativos para que os homens compareçam travestidos de mulheres e vice-versa, estendendo para dentro da unidade educacional o pagão, caricato e daninho carnaval, encimando em seus carros alegóricos o ídolo da ideologia de gênero. Como não bastasse, muitos ambientes “católicos” aderindo à essa bacanal. E tantos eteceteras mais…

Durante duas décadas fui um dedicado funcionário público do setor educacional de um de nossos Estados da Federação, ainda que à metade deste tempo, um pouco ou nada dedicado cristão. Mas em questão de quase uma década atrás lecionava eu numa pequena escola situada em um pequeno município fronteiriço deste Estado com menos de 10 mil habitantes. Ali onde menos se esperaria, chega, em um triste dia, uma coisa estranha travestida de material paradidático para crianças e jovens dos ensinos fundamental e médio com o nome de: “O caderno das coisas importantes – confidencial” (o itálico é meu). Ao modo de subtítulo na primeira das folhas internas, lia-se: “Saúde e Prevenção nas escolas – Atitude para curtir a vida” (sigo com o itálico e não será demais acrescer um “sic!”). Com financiamento do Governo Federal, Ministérios da Saúde e Educação, Unicef e Unesco (cabe aqui novo SIC!; assim, em maiúsculo, com itálico e negrito). Explico-me com apenas uma de suas introduções: “Regras? A única regra é que não existe regra. A não ser, é claro, as suas próprias.” E a citação, creiam-me, não vai desconexa. De repente o Governo nos começa a propor a que formemos as crianças utilizando questões vitais como sua saúde e educação tendo como objetivo “curtir a vida”. E isso, como não bastasse, na base de uma contradição em termos: “sem regras… a não ser as suas”.

Não demoraria muito a que, servida a entrada, logo viesse o prato principal, o famigerado “Kit gay”. Destrinchei, de capa à contracapa o Caderno, mostrando aos alunos do que se tratava e aonde iria dar essa coisa. Claro está que a Coordenação Pedagógica e a Direção da escola estiveram previamente cientes. Me apoiaram. Mas os dias foram passando, céleres,

com coisas, pessoas e cargos sofrendo mudanças. Em ambientes como este costuma-se dizer que “tudo é política”. Das más. E não se fica só na retórica. Com isso e com toda uma reengenharia social em curso o bom senso e a moral vão perdendo força e vigência, passando às voláteis categorias de “novo e velho”, “acacrônico”, “fora de moda” etc. Consequentemente, comecei a não acompanhar os avanços, respeitar as diversidades, vilipendiando assim os humanos direitos e os bons costumes daqueles que já iam desacostumando-se com o bem, o belo e o verdadeiro. Por esse (e outros) combates (o termo correto), convidado fui então a procurar outros recintos educacionais, o que poderia se traduzir em ser ainda convidado a procurar outros recintos residenciais dado ser esta a única escola estadual situada na sede do município. E eu, como dito, era funcionário do Estado.

Assim cheguei à capital, transferido a outra escola onde não somente o estranho Caderno, como o famigerado Kit já haviam dado as caras, e, senão a pleno, ao menos com algum considerável vapor. Aproveitando os vapores, acompanhei as lo(u)comotivas ideológicas do Governo petista impulsionadas pelos ianques imperialistas como o bordão à serpente, acertando-a como podia (cabeça, tronco e rabo), o que me rendeu um mui certeiro processo administrativo por conduta inadequada e pouco ortodoxa com relação aos padrões de meus patrões. Nestes poucos anos não me faltaram, a mim, abaixo-assinados, reuniões de pais e mestres, de direção, coordenação, afastamentos de sala de aula, discussões e quase pancadaria. Insultos, difamações, calúnias e metodologia similar se fizeram também presentes nestes belos anos de algum sofrimento por amor à Verdade. Deo gratias! Não fiz mais que minha obrigação.

Há algumas semanas, traduzindo uma matéria para alguns blogs1, deparei-me com que os católicos do primeiro mundo chegaram publicamente à conclusão de que um dos instrumentos geradores de maior apostasia às crianças e adolescentes modernos são (pasmem!): as escolas e universidades. Que são estes dois inventos da Igreja os canais da desgraça ateia e materialista, inimigas da metafísica e do teocentrismo. Pensei: ao que parece, levamos menos de cem anos para bem interpretar (“cair a ficha”) o que Gramsci e seu singelo método para implantação do comunismo previa como metas indispensáveis à hegemonia do mesmo: “rifar” a Igreja e a Família2, as duas instituições capazes de frear a ideologia judaico-maçônica de Marx e outros arautos do anti-Evangelho. E para lograr tal empreitada – dizia Gramsci –, mister se tomar posse dos instrumentos criados pela própria Igreja como os acima e outros afins. Se não pode vencê-los, junte-se a eles: para vencê-los. Eis o mote. Mas entre o processamento de dados na cabeça de Gramsci ocorridos nos porões dos cárceres das décadas de vinte e trinta e o que vemos hoje ao vivo e à cores (fortes cores!), tempo foi dado de sobra para correr atrás do prejuízo, o que não foi feito a contento, dado que os filhos das trevas continuam ainda mais ágeis que os da luz. Daí que a letargia

já nos vislumbra um pré-juízo por parte do Autor da Boa Nova, que pediu para vigiarmos ao menos uma hora; e já se vão quase cem anos…

Mas, como diz o dito: “antes tarde que nunca”. Enquanto a maioria de uma boa parcela católica ainda dormita em berço esplêndido alguns heróis da fé cientes de sua missão de bons pastores e boas ovelhas vêm há algum tempo remando contra a maré cada vez mais tempestiva, depositando no gazofilácio da história seu óbolo da viúva ao ponto de os frutos começarem a se fazer sentir “mesmo entre os pagãos”. Porque o senso comum, afinal, é comum. A todos. E cedo ou tarde será preferível ao politicamente correto.

Assim foi que o bom Deus conduziu-me a um pequeno “deserto” nestes nefastos dias carnavalescos que antecedem as quaresmas, dado que nestes dias pululam as serpentes a cada esquina, o que redobra o perigo. A princípio, o que seria para mim tão somente um pequeno Convento circunscrito a uma bucólica zona rural de um município centrado em um Estado no centro do País, e procurado para este fim, se revelou um oásis para além da ilusão de ótica. Aonde as expectativas conduziam-me a um sacerdote de Deus que garantisse uma digna Missa, Confissão, Unção para o caso de alguma necessidade imprevista (estes tempos são mui propícios a imprevistos), silêncio, repouso e por certo um “deserto”, a Providência resolve providenciar algo mais. É que no lugar, junto a um jovem ancião sacerdote havia umas quatro dezenas de religiosas, e com elas um internato para moças, e com ele uma escola… CATÓLICA.

Traçarei apenas um esboço para minimamente explicar o porquê da caixa alta acima: é que ali, ao chegar, logrei entender melhor aquilo de Cristo de que as portas do inferno não lograriam prevalecer sobre sua Igreja. E que tal sentença não poderia jamais receber o rótulo de defasada, como tudo o mais dito por Ele. Assim sendo, começo por descrever que ali não se cobra por nenhuma das dezenas de internas, de vários matizes e lugares, que têm “casa, comida e roupa lavada” em um ambiente honesto, limpo, organizado, digno e piedoso (sem pieguice ou farisaísmo). Os alunos externos (nessa categoria também há alguns moços) pagam o que chamaríamos de valor simbólico. E quando podem. As internas (que variam entre cinco e dezoito anos aproximadamente) às 5:15 já estão na capela para orações e Missa, todas asseadas e (muito bem) vestidas, com seus respectivos véus e livros de orações. Possuem ao menos uns cinco tipos diferentes de figurinos para as ocasiões litúrgica, intelectual, laboral, de lazer e repouso. Confeccionadas por elas, assim como sua comida e a higiene do ambiente. As salas de aula não possuem mais que vinte alunos, e que vão da alfabetização ao ensino médio (com direito à formatura). As professoras, todas mulheres, são ainda todas católicas, bem como alunos e funcionários. E nisso não há discriminação, mas coerência. Algumas religiosas também são professoras e funcionárias. Possuem plantação e criação de animais para “ajudar com o leite das crianças”. E poço artesiano para garantir o que só a água é capaz. As aulas ocorrem somente no turno da tarde. Manhãs e noites são dedicadas a estudos, trabalho, lazer e, obviamente, orações. Nas salas, se levanta à chegada de alguma autoridade, cumprimentando-a em uníssono. Se abaixa a fronte pedindo licença ao se passar entre dois adultos que conversam. Os cumprimentos se fazem não com gírias, mas com uma referência à Santa Mãe de Deus. E pais de distintos recantos do país chegam lá para confiar, como Santa Ana, a sua prole, cuja liberdade de retomá-la está facultada no instante mesmo em que a deixa, porque há autêntica liberdade. Lá há passeios (não a shoppings, evidentemente), mas há exposições

frequentes do Santíssimo com adoração. Lá há ordem. Há respeito. Há felicidade. Há paz. Porque há amor e desejo sincero de renunciar a si mesmo, tomar a cruz (pessoal e intransferível) e seguir o Mestre. Porque há um sacerdote que “reza, tem paciência e não se preocupa”3. Porque há mulheres que, renunciando ao dom natural da maternidade, sem deixar de senti-lo pulsando em suas entranhas, recebem o filho alheio à exemplo da Filha que se fez Mãe de toda a humanidade. Tudo, claro, apesar dos pesares próprios dos que vivem “gemendo e chorando neste vale de lágrimas”. Porque aqui não se fala de paraíso na terra, utopia marxista ou paz maçônica: o que dá no mesmo. Aqui não se fala em filantropia; se fala em caritas in veritate.

Duas foram as palavras destinadas por mim ao sacerdote responsável por esta obra: milagre e heroísmo. Este homem, um “lobo solitário” ainda que autêntico pastor, um herói da fé, tem sua vida esteada por milagres contínuos, certamente fruto e resultado de quem leva Deus a sério. Tudo para dizer que o dinheiro que mantém este “oásis no deserto” cai milagrosamente como o maná dos hebreus. É que Deus e por consequência as gentes de boa vontade veem que aqui se toma a peito o que é fundamental: a salvação das almas, objetivo maior de nossas vidas. Tudo gira em função da salvação daqueles e daquelas que o Criador nos confiou, e isso faz TODA a diferença.

Dos dias que lá estive – e que não me foi cobrado absolutamente nada – restou-me a certeza mais que cimentada de que os católicos necessitam “antes cedo que tarde” reaver este instrumento como prioridade de suas vidas: a escola católica. A Igreja nasce para atender às ordens de Cristo de ser seu Corpo a se propagar “até os confins da terra”. Para isso ensinando, curando, pregando, alimentando, vestindo… a fim de santificar o mundo. Ser “sal e luz”, portanto, passa por educar as mentes ao Bem, à Beleza e à Verdade; fazer com que se perceba e se guie pela verdade objetiva, que nada mais é que o obvio e se manifesta no senso comum. Saber que há um começo que ruma a um Fim, e nos pormos a caminho.

Que Nossa Senhora do Rosário, pela intercessão de São Domingos, Santa Catarina de Sena, São João Bosco e, de modo especial, São José, confira longa vida a este lugar, tornando-o modelo a ser – urgentemente – seguido!

Em 07 de março do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2017 (antiga Festa de Santo Tomás de Aquino).

Airton Vieira

Em tempo: A grande parte das escolas e universidades “católicas” hodiernas já podem, com pesar, ser escritas em meio a aspas. Tal qual muitos templos e seus ministros… Como exemplo, lá pelos idos de 1970 já se podia presenciar moças ainda infantes serem nestas escolas vestidas não de Virgem Maria ou de alguma Santa, mas de “Mulher maravilha” para bailar ao som de “Zodiacs” (sic!). O narro como testemunha ocular. Daí que os pastores minimamente ocupados da salvação de seu

rebanho (pais e padres), percebam que já não resolve dar-lhes o santo preceito dominical sem a formação humana e espiritual que o anteceda, acompanhe e prossiga. Já a Igreja em seus primórdios se atentou ao fato. Com tantos e tão claros sinais dos tempos não haverá novamente de se atentar? A este respeito mui significativo o gesto de uma mãe que conheci nestes dias. Em que pese o fato de não ter a seu lado o pai de sua filha, e desta, além de adolescente ser ainda única; viver a muitos quilômetros de distância, o que lhes possibilitaria um reencontro uma vez ao mês; com o coração sangrando e as forças as buscando do Alto, confiou sua criança às maternas e castas mãos das religiosas, como outrora Santana à sua Maria. É que a maior preocupação daquela mãe não era o pranto momentâneo da filha, que por ainda não entender seu gesto sentia-se abandonada por quem lhe deveria amparar; era a possibilidade real do choro e ranger de dentes eternos que rondam como nunca a grande maioria dos pequenos a nós confiados, à solta e indefesos em um mundo cada dia

Villar Mir: «O mais importante na vida tem que ser Deus, em seguida a família e depois o trabalho»

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Tradução Frei Zaqueu – Juan Miguel Villar Mir tem 85 anos e uma longa trajetória no âmbito educativo, político e empresarial. Com duas cátedras foi vice-presidente de Assuntos Econômicos do primeiro governo após a ditadura e de repente decidiu se lançar ao mundo empresarial comprando empresas em quebra. Assim criou a OHL, na atualidade um dos maiores conglomerados empresariais

da Espanha e Europa. Além disso, o marquês de Villar Mir é uma pessoa religiosa e defensora da família. Uma das torres mais altas de Madri é de sua propriedade e nela ordenou instalar uma capela na que se encontra o Santíssimo exposto e cuja luz se pode ver a quilômetros de distância. Em uma entrevista para a Revista Misión fala também da importância de Deus e da oração em sua vida assim como do papel da família:

-Seu grupo é um dos maiores holdings empresariais da Europa, com presença em trinta países, mas o senhor provém de uma família que nunca teve experiência nem no âmbito político nem no empresarial. Como o conseguiu?

– A receita é muito simples: trabalhar, trabalhar e trabalhar. E começar sendo bom estudante [obteve menção de honra em todas as disciplinas de Bacharelado e foi número um de sua promoção em Direito e em Engenharia Civil, que cursou simultaneamente]. Até os vinte e tantos anos, o mais importante que pode fazer uma pessoa que quer triunfar na vida é estudar e quanto mais, melhor. Além disso, tratei de cultivar sempre a estabilidade emocional, que é a segunda condição da receita.

-E como se mantém essa estabilidade na tormenta… e também na euforia?

– Com vontade. A condição de ser emocionalmente estável, de nascimento, ninguém a tem. Há que criá-la dia a dia, compreendendo que nenhum colaborador nosso tem a culpa de que um dia surja um problema de saúde, familiar ou econômico. Para ser um executivo eficaz, há que ser eficaz nos momentos fáceis e nos difíceis. E isso exige trabalhar com continuidade, e também com regularidade de caráter. Um colaborador frustrado, ainda que queira, não faz as coisas bem; para isso, é necessário que as pessoas que nos rodeiam estejam felizes. Todos temos a obrigação de servir aos demais e fazê-los felizes.

– E isso como se concretiza?

– Servir aos demais supõe portar-se sempre bem com os demais, ser atento, tratá-los como querem ser tratados. Com isso os fazemos felizes. Com a sorte de que felicidade e eficácia vão de mãos dadas.

– Isto não se aplica só à empresa…

– Isto vale também para nosso matrimônio, para nossos filhos e netos, para nossos amigos… Uma pessoa que só pensasse em si mesma seria a mais desgraçada, porque o que produz satisfação é ser útil para os demais. É o que te faz dormir bem e ter saúde. O que não serve aos demais tem que viver muito amargurado, porque quem não se porta bem com o resto, não pode esperar que se portem bem com ele. Tudo é recíproco, assim que o mais rentável na vida é ser bom.

-Quando se alcançam êxitos como os seus, também se experimentam mais tentações (avareza, soberba…)?

– Na vida é fundamental não equivocar-se. E o que, porque algo lhe saiu bem, se põe presunçoso, pior ainda, altivo, está cometendo um grave erro. O êxito exige cada dia atitude de trabalho, serenidade, atenção aos demais e, o que é mais importante, humildade. O sensato é atuar de forma humilde e querer fazer as coisas bem, sabendo que tudo o podemos fazer melhor. A presunção é um dos defeitos mais graves, especialmente no âmbito das relações laborais. Villar Mir é muito amigo do Rei Juan Carlos

-Fizeram-lhe alguma vez propostas para corromper-se?

– Infelizmente, a corrupção existe e nisto também há que ter as ideias muito claras. As pessoas que aceitam participar em um entranhado de corrupção estão cometendo um erro fundamental, análogo ao de não cumprir um compromisso: se perde o prestígio e o respeito dos demais. Claro que na vida, e mais estando em trinta países, surgem oferecimentos e tentações vinculados com a corrupção. Mas esse erro não se pode cometer. De nenhuma maneira.

– Seu nome saiu no caso “dos papéis de Bárcenas”. Como encara uma acusação deste calibre?

– Confiando na verdade e em que tudo sempre se acaba esclarecendo. Há que raciocinar com rapidez e contratar o advogado necessário para que defenda a verdade, mas depois há que esquecê-lo para não perder tempo.

-E como vê o fato de que seu genro, Javier López Madrid, apareça vinculado à trama Púnica?

– O primeiro é inteirar-se, de verdade, do que passou. Em nosso caso, se vemos que se imputam falsidades viramos a página. O que suporia um verdadeiro problema é se, efetivamente, alguma dessas acusações encobrisse um comportamento daninho para os demais. Isso sim afetaria à família, ainda que, quando se tem uma família que se quer e cuida, não nascem esses comportamentos.

– De que forma influencia sua esposa em seu êxito profissional e nessa felicidade de que antes falava?

– Tenho a sorte de ter a meu lado uma esposa encantadora, Silvia. Coloquei um busto seu no despacho para tê-la sempre presente. Somos casados “só” a 57 anos, e nesse tempo, falando com propriedade, não temos tido nem uma discussão séria. Nos queremos muito, somos muito felizes juntos e temos três filhos e sete netos que nos dão muitas satisfações. Para trabalhar com eficácia, é necessário ter paz no lar. De fato, no mundo das grandes responsabilidades –salvo exceções–, os solteiros e os divorciados estão menos valorizados. Ter um matrimônio estável ajuda a ter um comportamento estável. Há que ser feliz na família para poder ser eficaz fora de casa.

– Seu filho acaba de receber a presidência da OHL, mas qual é a maior herança que vai deixar a sus filhos?

– Isso eles terão que responder. Em meu caso, do meu pai não recebi herança econômica, mas sim um exemplo excelente de boa educação, respeito à palavra dada, cumprimento dos compromissos, honradez… e de minha mãe, o carinho, o afeto e a ternura que devem dedicar-se aos demais. Esse legado de honorabilidade, de honradez e de carinho é a herança que mais servirá aos filhos na vida. Se há bens econômicos, bendito seja Deus, mas o fundamental é o caráter.

– É mais difícil reerguer uma empresa em quebra ou manter uma família unida?

– Manter uma família feliz e contente é simples, o incômodo e difícil é manter uma família desgostada. Se não se dedica tempo a tua família para que seja feliz, nunca o será. Tem que contribuir. Se o faz, o resto dos membros responderão da mesma forma.

– Estamos no andar 52. No 33 foi construída uma capela. O senhor a visita?

– Sim. Não diariamente, mas sim com frequência.

Assim está a luz que indica que o Santíssimo está exposto na capela do arranha-céus de Villar Mir

– E como é sua relação com Deus?

– O mais importante na vida tem que ser Deus. Em seguida, a família e, depois, o trabalho. Mas quanto ao tempo dedicado, a ordem costuma ser a inversa: dedicamos muito tempo ao trabalho, bastante à família e menos do que deveríamos a Deus.

-Como reza Juan Miguel Villar Mir?

– A verdade é que rezo menos do que deveria, ainda que trato de ser todos os dias boa pessoa e não ofender a ninguém. E me lembro muito do “perdoa nossas ofensas como também nós perdoamos aos que nos ofendem”.

– Como empresário está acostumado a render contas. Tem pensado como será o “balanço de resultados” que apresentará no dia de amanhã ante Deus?

– Sim. Eu confio muito na misericórdia e na grande caridade de Deus! E confio em que receba uma certa bem-vinda quando me apresente ante são Pedro. Nesse balanço, creio que em minha atenção direta a Deus e em minhas orações tiraria uma nota aceitável, não brilhante, mas considero que, nesse sentido, me ajudará o fato de ter me esforçado durante toda minha vida por querer aos demais.

– Como deseja terminar esta entrevista?

-Com a satisfação de haver cumprido outro dever mais.

 Fonte: http://www.religionenlibertad.com/villar-mir-mas-importante-vida-tem-que-ser-

Crédito: Frei Zaqueu

‘Não arrependo’, diz prefeito que quer tirar páginas didáticas com união gay

Segundo executivo, medida foi para resolver problema em Ariquemes (RO).

‘Fui pautado pela vontade dos ariquemenses’, explica Thiago Flores.

Ana Claudia Ferreira e Jeferson CarlosDo G1 Ariquemes e Vale do Jamari

Prefeito Thiago Flores diz que decisão foi feita com apoio de moradores (Foto: Ana Claudia Ferreira/G1)Prefeito Thiago Flores diz que decisão foi feita com apoio de moradores (Foto: Ana Claudia Ferreira/G1)

O prefeito Thiago Flores (PMDB), que determinou a retirada de páginas de livros didáticoscom casamento entre homossexuais, disse que não se arrependeu da decisão em Ariquemes (RO), no Vale do Jamari. Em entrevista ao G1, Flores afirma que a medida adotada é para resolver um problema criado na administração passada, quando os livros foram totalmente recolhidos e proibidos nas escolas.

“Na minha gestão, a prefeitura adotou a medida de distribuir o material didático, após a supressão das páginas com ideologia de gênero e evitar mais prejuízo no aprendizado dos alunos. Não me arrependo dessa atitude. Fui pautado pela vontade dos ariquemenses. O assunto foi discutido amplamente pela população, que pediu a retirada do conteúdo sobre diversidade familiar, como casamento e adoção de crianças por homossexuais dos livros escolares do ensino fundamental. Minha decisão foi participada com todos e não tomada dentro do meu gabinete”, esclarece.

Após o anúncio da supressão de páginas com conteúdos envolvendo diversidade familiar, o caso ganhou repercussão nacional e dividiu opinião dos internautas. Alguns usuários aprovaram a medida do executivo, enquanto outros afirmaram se tratar de homofobia.

Livro vetado mostra foto de 1° casal gay a adotar criança no  Brasil (Foto: Ana Claudia Ferreira/ G1)
NOTA DO “SENSUS FIDEI”:
Ressaltamos, com relação à matéria em pauta, um detalhe não menos relevante apesar de diminuto. Nos referimos à estratégia da manipulação da linguagem. A nós católicos – porque às leis natural e divina – não existem “casais homossexuais”, uma vez que não há casamento além do de um homem e uma mulher cientes e concordes de sua condição natural. Como não existe ainda a suposta “diversidade familiar”, dado que a Família, instituição divina derivada do Matrimônio, comporta um único modelo, a ratificar, o de um pai, uma mãe e filhos, biológicos ou adotivos. O que passar disto é usurpação. Assim que advertimos a que estejamos atentos, ao nos pronunciarmos por quaisquer meios, evitando a incorreção de conceitos, ainda que seja por uma simples palavra.
Créditos: Frei Zaqueu

A CRISE É MORAL

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Dra. Raquel  Machado Carleial de Andrade*

“O que você é hoje, nós já fomos; o que nós somos hoje, você será” (Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Capuchinhos, Roma)

Já nos fins do século XIX, Leão XIII ensinava que a crise era moral e de lá para cá as coisas só pioraram. Prova irrefutável dessa afirmação é a constatação de que ao lado do recrudescimento dos crimes perpetrados com emprego de violência contra a pessoa, já abordados, houve o aumento dos crimes de “colarinho branco”, vivendo a sociedade brasileira momento único em sua história no tocante à corrupção ativa e passiva envolvendo altos escalões dos poderes constituídos e grandes empresários, tudo a demonstrar que as condutas criminosas permeiam todos os setores da sociedade.

Ora, se assim o é, afasta-se a tese socialista de que o homem é levado à prática de crimes por questões sociais.

A sociedade moderna pauta-se pelo “ter” em detrimento do “ser”. Na busca desesperada por bens materiais, sobretudo os que encerram tecnologia de ponta, da beleza e juventude eternas, cada vez mais o ser humano afasta-se de seu Criador,  procurando a felicidade nesses mesmos bens, esquecendo-se de que ela consiste na“contemplação da Verdade”, a qual só será possível quando o homem,“substância individual de natureza racional”, se der conta da finitude desta vida e de todos esses bens perseguidos.

Ao lado dessa escalada da criminalidade, constata-se também o aumento exponencial no uso de ansiolíticos, antidepressivos, etc., sem falar no consumo de drogas já em tenra idade, tudo a confirmar que o homem moderno é infeliz e não suporta “carregar suas cruzes”, conviver com a doença e a decrepitude, inerente ao envelhecimento, sem falar nos fracassos e nas perdas, exatamente porque lhe falta a vida espiritual.

Há de observar que essa crise moral em solo pátrio corresponde aos idos dos anos 70, em que a televisão passou a fazer parte dos lares brasileiros, em que as leis, afastando-se da moral católica dominante, passaram a contemplar o divórcio, abrindo o caminho para o aniquilamento da família.

A sociedade é composta por grupos intermediários, dentre os quais se sobressai, pela sua importância, a família, já que todo ser humano nasce em uma, sendo a função precípua do Estado garantir a unidade, a paz pública e a segurança, promovendo o “bem comum” do todo social, ou seja, “o conjunto de condições externas adequadas a permitir o pleno desenvolvimento dos homens, das famílias e dos grupos sociais integrantes da sociedade” (in Dicionário de política, José Pedro Galvão de Sousa, Clovis Lema Garcia e José Fraga Teixeira de Carvalho, T. A. Queiroz Editor, São Paulo, 1998, p. 61).

Há de se ressaltar diversas outras leis posteriores, dentre elas podemos citar a “Lei da Palmada”, cuja mens legis é diminuir o poder parental e o direito e dever dos pais de educarem seus filhos, repreendendo-os quando necessário, uma vez que, para os abusos e maus tratos, já existia a tipificação penal (crime de lesão corporal, homicídio etc). É mais uma lei de cunho marxista.

Sem os valores católicos até então predominantes, com os lares sendo invadidos por uma programação midiática voltada para a destruição da família, paulatinamente aqueles valores deixam de ser transmitidos. Com isso perde-se a tradição, o que, somado à educação de cunho ideológico que assola as escolas desse país (http://spotniks.com/5-exemplos-de-como-a-doutrinacao-ideologica-atua-na-educacao-brasileira/), cria o terreno fértil para que a “autoridade” em todos os níveis, desapareça, e o homem seja dominado pela concupiscência, na certeza da não punição Estatal.

O homem sem Deus, considera-se o próprio “Deus”.

Dessa forma, se as leis constituídas falham em garantir aos integrantes da sociedade aquele fim último que justifica a existência do próprio Estado, há de se perquirir acerca da eficácia da representação política, mas isso é matéria para outro artigo.

Fonte: https://mmjusblog.wordpress.com/2016/05/02/a-crise-e-moral/

  • A autora é Juiza de Direito em São Paulo

“Disposta a ter 10 filhos, grávida coloca anúncio em busca de obstetra católico”

Recebemos de uma grande amiga da Montfort a reportagem publicada sobre ela, pela raríssima intenção de ter muitos filhos. Embora não pretendesse ver publicada em nosso site, ela nos mandou o texto com a seguinte observação:
Desculpe pelas palavras e adaptações da jornalista, que não é católica. Apenas um esclarecimento: eu não procurei a jornalista; publiquei um anúncio anônimo num site e coloquei meu celular para contato; a jornalista achou “curioso” e me ligou.
PS.: Bom, pelo menos não foi de todo ruim: uma médica “se indicou”. Amanhã vou procurá-la. Salve Maria!
Ângela Kempfer
“Gestante católica à procura de médica(o) obstetra católica(o) com a máxima urgência!!”, implora anúncio na internet.
A estratégia foi a última alternativa de uma grávida que leva a sério os ensinamentos da Igreja e só encontra pela frente médicos na trincheira do controle de natalidade.
No quinto mês de gestação, Aparecida Moreira só quer um profissional que não “tire sarro” ou desrespeite o modo de vida dela e do marido.
Os dois seguem à risca ensinamentos que aprenderam na Igreja Católica, como a proibição ao uso de anticoncepcionais, preservativos ou qualquer método “contraditório à vida”.
Aos 28 anos, ela já tem um filho de 3 anos e outro que acaba de completar um aninho. E ela não pretende parar por aí. “Vou ter quantos filhos Deus quiser dar. Se forem 10, vou adorar”, comenta. Mesmo assim ela prefere não mostrar o rosto porque tem medo que os médicos “fujam de vez”.
Hoje, na recepção do consultório da quinta profissional procurada até agora, ela conta que nem sequer conseguiu saber ainda o sexo do bebê porque “nenhum médico deu certo até agora”.
Aparecida já passou por quatro obstetras, todos com opiniões bem diferentes das dela e nesta quarta-feira faz mais uma tentativa, sem muita esperança. “Eu mal começo a falar e eles já fazem gracinha, saem com sarrinho. Um deles chegou a me chamar de louca”.
A médica que a atendeu nas duas primeiras gestações não é conveniada ao plano de saúde que a família mantém hoje e Aparecida ficou sem assistência. O marido, professor de História, apóia a esposa e acha absurdo ter de convencer os profissionais sobre a fé. Mas a briga do casal vai além da religião.
Aparecida aproveita a indisposição com a classe para reclamar do trabalho em geral. “Nunca consegui fazer parto normal, por exemplo, porque não tem médico que goste de fazer parto normal. Vivem falando de incentivo, mas isso é mentira. Só querem fazer cesariana”, esbraveja.
A peregrinação pelos consultórios de Campo Grande durante esta gravidez deixa a jovem mãe a um passo de desistir da busca pelo médico católico. “Vai ser minha última tentativa. Se não der certo hoje, vou procurar o menos pior. Vou ter de aceitar”.
Aparecida lembra que já discutiu várias vezes durante as consultas, mas teme que a coisa piore depois do parto.
“Vão querer impor um anticoncepcional. Já ouvi tanta coisa do tipo: deixa de ser besta, isso é coisa do passado, da época das cavernas. Só quero que respeitem o que eu acredito. Não é pedir demais, mas não existe diálogo.“Será que é esse povo que vai pagar as fraldas dos meus filhos?”, ironiza.