Papa Francisco: Mais uma “amigável” mensagem de Natal à Cúria

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Nesta quinta-feira, 22 de dezembro, na Tradicional saudação aos cardeais e bispos da Cúria Romana para abordar a reforma que deseja fazer. Em suas palavras falou sobre as várias formas de “Resistências” que surgem no seio da própria Igreja. Lendo a atualidade, pode-se  dizer que o Papa Francisco tenha dado indiretas aos quatro cardeais ?

“[Há] diferentes tipologias de resistências: Resistências abertas que nascem da boa vontade e do diálogo “sincero”, resistências escondidas que nascem de medrosos e empedernidos, alimentados pelas palavras vazias do “leopardismo espiritual”, que diz querer mudar por palavras, mas deseja que tudo fique na mesma. E existem ainda as resistências malévolas que crescem nas mentes distorcidas e se apresentam-se quando o demônio inspira más intenções, às vezes com pele de cordeiro. Este último tipo de resistência esconde-se atrás de palavras justuficadoras e, tantas vezes, acusadoras, refugiando-se na tradição, nas aparências, nas formalidades[SIC!!!], no que é conhecido, ou então, em querer tornar tudo numa questão pessoal, sem distinguir o ato, o ator e a ação.

A reforma por isso não tem um fim estético para tornar a Cúria mais bela, nem pode ser entendida como uma espécie de “lifting”, de maquiagem ou pintura, para embelezar o velho corpo da cúria, nem mesmo uma operação de cirurgia plástica para tirar as rugas. Caros irmãos, não são as rugas que se devem temer na Igreja, mas as manchas.”

Veja o Vídeo, aqui: http://rr.sapo.pt/video/123046/papa_confronta_a_curia_na_igreja_devemos_ter_medo_das_manchas_e_nao_das_rugas

NOSSOS VOTOS DE UM FELIZ NATAL

 

Caríssimos. Salve Maria!

A todos que nos acompanharam durante todo esse Ano de 2016, um SANTO e FELIZ Natal!

Somos-lhes Gratos.

Gratos pela presença.

Gratos pela amizade

Gratos pelas orações.

 

 

 

Tu scendi dalle stelle
oh Re del cielo,
e vieni in una grotta
al freddo e al gelo!
E vieni in una grotta
al freddo e al gelo!

Dolce Bambino mio divino
io ti vedo qui a tremar.
Oh Dio beato,
oh quanto ti costò
l’ avermi amato!
Oh quanto ti costò
l’ avermi amato!

Tu scendi dalle stelle
oh Re del cielo,
e vieni in una grotta
al freddo e al gelo!
E vieni in una grotta
al freddo e al gelo!

Oh Dio beato,
oh quanto ti costò
l’ avermi amato!
Oh quanto ti costò
l’ avermi amato!

Tu scendi dalle stelle
oh Re del cielo,
e vieni in una grotta
al freddo e al gelo!
E vieni in una grotta
al freddo e al gelo!

Dolce Bambino mio divino
io ti vedo qui a tremar.
Oh Dio beato,
oh quanto ti costò
l’ avermi amato!
Oh quanto ti costò
l’ avermi amato!

Tu desces das estrelas
Ó Rei do céu,
e vens numa gruta
ao frio e ao gelo!
E vens numa gruta
ao frio e ao gelo!

Doce Menino meu divino
eu te vejo aqui a tremer.
Ó Deus beato,
ó quanto te custou
ter-me amado!
Ó quanto te custou
ter-me amado!

Tu desces das estrelas
oh Rei do céu,
e vens numa gruta
ao frio e ao gelo!
E vens numa gruta
ao frio e ao gelo!

Ó Deus beato,
oh quanto te custou
ter-me amado!
Ó quanto te custou
ter-me amado!

Tu desces das estrelas
Ó Rei do céu,
e vens numa gruta
ao frio e ao gelo!
E vens numa gruta
ao frio e ao gelo!

Doce Menino meu divino
eu te vejo aqui a tremer.
Ó Deus beato,
ó quanto te custou
ter-me amado!
Ó quanto te custou
ter-me amado!

A Estrela e o Sol: dois natais!

Pe. Marcélo Tenorio

E chegou a Noite Santa!

A noite! O Mistério da noite tão cantado pelos poetas, tão buscando pelos homens espirituais, tão vivido pelos enamorados.
A noite! A noite com seu silêncio quase que celestial…Um silencio que faz dormir, repousar os homens de coração cansado , quase esmagados pelo peso de seus fardos e dores.

A noite, com suas trevas que, quando não faz os juvenis perderem-se em seus pecados, realça com sua ausência de luz, as estrelas que brilham no horizonte azul, apontando para nós a eternidade a se avizinhar.
E, se a noite esconde o mal, o maldito, o perverso….também esconde o Santo, o Sagrado, o encoberto pelo mistério de Luz.

Num céu cheio de estrelas Abraão contava as tribos…A noite é testemunha que Deus o visitava.
À noite, só a noite viu Cristo no sepulcro. E a noite, só a noite é testemunha da Glória de um Cristo.
A noite só a noite viu Cristo descendo ao mundo. A noite é testemunha da chegada do Menino

Mas há uma Estrela que desceu antes da Aurora, uma Estrela que veio antes do Sol, menos que o Sol, mas geradora do Sol.
Desce do céu uma Estrela para descer de Deus um Menino.
Antes da Estrela guia conduzir os pastores à fonte de todo Amor, uma Estrela maior era anunciada a Adão após a queda, A Acaz, após a dúvida, à Isabel já fecunda.

E hoje, nesta Noite Santa, nas palhas do presépio, o Sol e a Estrela. O Eterno e a Eternecida. O Divino e a divinizada.
A Mãe e o Filho, a Estrela e o Sol.
Que Mistério de luz, que Mistério de Amor e de Dor!
Maria é essa Estrela que nos dá o Sol da justiça, o Esperado das nações. O Messias prometido, A Alegria de Israel.
Celebrar a chegada do Filho, também é celebrar o Sim da Mãe. Celebrar o nascimento do Filho é também regozijar-se pelo nascimento da Mãe.
Envolvidos nesta musicalidade sem igual, façamos coro aos anjos e deixemo-nos cantar, não com a boca, mas com os nossos cantares da alma. Cantares de gratidão à Mãe pelo Filho, ao Filho pela Mãe. Estrela que vem antes, para depois surgir, na aurora de nossa vida, o Sol da Justiça que não conhece ocaso.
Olhando para o menino e sua mãe, lembro-me de uma bela música do século XVII, com texto de Felix Lope de Veja y Carpio, fala justamente da Estrela que Precede o Sol, do Sol que existia antes da Estrela, mas que por Ela quer nascer numa noite fria, em Belém…

Essa música foi composta para homenagear a natividade da Virgem Maria e, por sua letra, e por sua profunda junção dos dois nascimentos, dos dois natais: o da mãe e o do Filho, deve servir para nós como uma reflexão …uma contemplação do Mistério que envolveu Maria em sua Conceição, manifestando-se plenamente na Noite Santa do Natal, com a chegada do Menino.

“Hoje nasce uma clara Estrela tão divina e celestial,
A alvorada mais clara e bela não lhe pode ser igual,
E sendo Estrela e Tal,
Que o próprio Sol nasce Dela,
O próprio Sol nasce dela
O próprio Sol nasce dela…

NATAL DO SENHOR

            CRISTO NASCEU PARA NÓS, VINDE  ADOREMOS!
Menino Jesus, após procissão, depositado aos pés da Virgem

Missa da Aurora, às 5h da manhã

MENINO TEIMOSO

                                                                                               Pe. Marcélo Tenório



Por que insistes em voltar assim
irreconhecivelmente frágil
na pobreza de uma noite silenciosa?


Por que repetes continuamente
apelos de acolhimento
aos olhares perdidos e distantes?


Por que não vens ao nosso encontro
todo cheio de luz?
É só pedir à tua Mãe aquela roupa
esplendorosa, toda bordada de estrelas
e de sóis
e ordenar a Gabriel que nos comunique
o caminho iluminado pela grande estrela,
que nos conduzirá ao presépio
arrumado,
do nosso jeito e para nós!


Não queres assim?
Que queres, então, MENINO TEIMOSO?
Não te cansas de nos contrariar?
Ou pretendes mesmo,
a cada ano,
nos ensinar, com a própria nudez, 
a linguagem do Amor?


MENINO TEIMOSO,


por que insistes em voltar assim:
pobre  criança, apenas?



A MÃE, O MENINO E A NOITE ( Revendo)

NOSSA SENHORA DO “Ó” E DOS “AIS”

Pe. Marcélo Tenorio



    

    Por esses dias estive em S. Paulo e lá pude assistir uma apresentação natalina dos jovens da  Montfort, na bela Igreja de S. Bento. Entre tantas peças executadas, uma chamou-me bastante atenção. Trata-se da canção “ Convidando está la Noche”, de Juan Garcia de Zéspedes, mexicano, falecido em 1678. Uma canção natalina,  com uma marcação que soa, a cada instante, como que um convite  ao júbilo, à alegria  pelo Menino nascido em Belém, mas ao mesmo tempo, um avanço, a cada estrofe em direção à cruz velada pelas luzes da noite santa.
Com  rápidos movimentos, numa sonoridade agradabilíssima, inicia-se a canção jubilosa, mas entre um verso e outro aparece sempre um “AY”, imperativo, peremptório.

“ Ay, que me abraso, ay! Divino dueño, ay!
Em la hermosura, ay! de tus ojuelos, iay!

A freqüente repetição do “Ai”, indica a exultação da Virgem Mãe, ao contemplar nas  palhinhas o Menino Deus, o Verbo que se fez carne. Fica  “pasma” quando da anunciação do Anjo, em sua casa, em Nazaré. Ela que nada desejava a não ser Deus mesmo, recebe a visita do céu e um comunicado solene: “serás Mãe!” e “ o Espírito santo descerá sobre ti”. A criança  “chamar-se-á Emanuel, que quer dizer: Deus conosco,” Deus entre nós, Deus para nós. Que suspiros! Que “Ais” não pronunciaram os lábios fecundos da Virgem Mãe? Na casa de Isabel esses “ais” vieram em canto. Diante da mudez daquele que duvidou, canta Aquela que “ acreditou no que da parte do Senhor lhe foi dito” – e um Magnificat fez-se ouvir do alto das montanhas.
Lembrei-me de Nossa Senhora do “Ó”, que aparece no Advento, sobretudo no tempo alto, de 17 a 23, quando se entoam as  belas Antífonas do “Oh”. Ela que, acolhendo o Mistério da Encarnação em si mesma, fica “maravilhada” diante do sinkatábasis de um Deus que vem. Silencia  e contempla espantada Aquele que a gerou: “ tu quae genuisti, natura mirante, tuum sanctum Genitorem..”

Canta Santo Afonso em sua novena de natal:

    “Recebe, Virgem Maria, no casto seio materno, dos céus o Verbo Divino vindo da boca do Eterno.
Fecunda, a sombra do Espírito do alto céu te ilumina, para gerares um Filho de natureza divina.
A porta santa do templo eternamente fechado, feliz e pronta se abre, somente ao Rei esperado.”

A canção também nos revela um outro “Ai”, aquele predito por Simeão: “ E quanto a vós, Maria…..um gládio transpassará o vosso coração.”(Lc 2 34,45). É a hora do gládio que esses “Ais” indicam…apontam para cruz…O “Ai” da Mãe,..tem o eco do “Ai” da profecia que silenciosamente caminha  ao seu lado…E assim Ela contempla a sua criança…., o cordeiro para o sacrifício…Essas mãos que a mãe beija, um dia se abrirão cravadas no madeiro, num abraço eterno e único à toda humanidade. Os pequeninos pés que a Mãe afaga, um dia serão ungidos com os aromas da urna de alabastro. A cabecinha que repousa em seu seio, um dia penderá, sem vida no seu colo. Assim a Virgem observa o pequeno Redentor..Em seu peito um coração humano que pulsa, o lado que lhe será aberto  – “pie pelicane” – para Vida do mundo.

Ay, que su madre, ay! como en su espero, ay!
mira em su lucencia, ay! sus crecimientos, iay! “

E a festa começa. Os pastores chegam! Os magos se apressam! As multidões angélicas cantam….presentes são oferecidos….o Menino é adorado.

“ Ay, que la gloria, ay! del portaiiño, ay!
ya viste rayos, ay! si arroja hielos, iay! “

A cena  nos lembra aquela do ícone do Perpétuo Socorro. O menino nos braços da Virgem,  docemente confortado ante o susto, que  o faz agarra-se mais à sua Mãe. No susto quebra-lhe uma das sandálias. E o que vê a criança? Vê dois anjos que lhe mostram a cruz e os  cravos do martírio.

“ Pero el chicote, ay! a um mismo tiempo, ay!
llora y se rie, ay! qué dos extremos, iay..”

Era o querido professor Fedeli que apreciava muito esta canção justamente pela  melodia e pelos “ais” . Eles lembram o “Vai”, que a mãe certamente disse ao filho, impulsionando-o à missão. O “ai” com o “vai”- acredito que aqui está toda beleza que nos leva a contemplar Nossa Senhora, nesta noite Santa de Natal. Ela ,por graça, foi isenta das dores do parto, mas não da dor do gládio. E sua maior dor será justamente esta: não descer tanto quanto seu Filho. Ele desce no mistério da Encarnação e continuará descendo até o extremo na cruz. E Ela desce  também com Ele.

 Na manjedoura Ela está!..Olha para o Filho e no “ai” de sua dor extrema que prevê o porvir,  exclama: “Vai, meu filho, vai!”…
Assim acontecerá também quando do encontro, no templo, ao escutar palavras misteriosas “ Não sabíeis que devo ocupar-Me das coisas do meu Pai?”(Lc 2, 49)…A Virgem, silenciada, no coração lhe dizia: “Vai, filho, vai! Á Belém, à Galileia, a Cafarnaum, Vai!…Vai a  Jerusalém e lá ofereça o peito para o rasgão bendito!..”
É este o Mistério que celebramos: o Mistério de amor  e de dor, do “oh” e dos “ais”.

Entre as luzes de Natal e os “glórias” dos anjos, entre o ouro dos reis e o incenso dos sacerdotes, encontra-se em algum lugar…também a mirra…
E o galo canta. E as velas são acesas. E a missa começa. A criança está pronta! Vai o cordeiro ao sacrifício…

“Mas o Menino, Ai! Ao mesmo tempo, ai!
Chora e rir, ai! Que dois extremos, ai”

Letra da  canção:

 

Convidando esta la noche
Aquí de mucicas varias
Al recien nacido infante
Canten tiernas alabanzas

Ay que me abraso, ay
Divino dueño, ay
En la hermosura, ay
De tus ojuelos, ay

Ay como llueven, ay
Ciendo luçeros, ay
Rayos de gloria, ay
Rayos de fuego, ay

Ay que la gloria, ay
Del Portaliño, ay
Ya viste rayos, ay
Si arroja yalos, ay

Ay que su madre, ay
Como en su espero, ay
Mira en su lucencia, ay
Sus crecimientos, ay

Alegres cuando festivas
Unas hermosas zagales
Con novidad entonaron
Juguetes por la guaracha

En la guaracha, ay
Le festinemos, ay
Mientras el niño, ay
Se rinde al sueño, ay

Toquen y baylen, ay
Por que tenemos, ay
Fuego en la nieve, ay
Nieve en el fuego, ay

Pero el chicote, ay
A un mismo tiempo, ay
Llora y se rie, ay
Que dos estremos, ay

Paz a los hombres, ay
Dan de los delos, ay
A Dios las gracias, ay
Por que callemos, ay

Convidando está a noite
Aqui, de músicas diversas
À criança recém nascida
Cantem doces louvores

Ay, que eu ardo, ai
Divino mestre, ai
Na formosura, ai
De teus olhinhos, ai

Ai, como que caindo, ai
Cem estrelinhas, ai
Raios de glória, ai
Raios de fogo, ai

Ai, que a glória, ai,
Do portal de Belém, ai
Já vemos a gélida aurora, ai
Brilhando ao redor, ai

Ai, que sua mãe, ai
Com expectativa, ai
Olha o brilho, ai
Do que gerou, ai

Alegres celebrando
Umas formosas camponesas
Entoarão novas
Rimas para a guaracha (dança)

Na guaracha, ai
Festejemos, ai
Enquanto o menino, ai
Se rende ao sonho, ai

Toquem e dancem, ai
Porque temos, ai
Fogo na neve, ai
Neve no fogo, ai

Mas o pequenino, ai
A um mesmo tempo, ai
Chora e ri, ai
Que dois extremos, ai

Paz aos homens, ai
Vem dos céus, ai
Demos graças a Deus, ai
Porque passamos, ai





(Esse artigo foi publicado neste blog pelo natal de 2010)