Rejeitadas as acusações contra o fundador dos Franciscanos da Imaculada

Por Maria Teresa Moretti

Tradução: Frei Zaqueu

manelli

Após quase um ano de investigações, o Fiscal do Tribunal de Avellino, D. A. Del Bene, pediu a rejeição do processo contra o Padre Stefano Maria Manelli, fundador da Ordem dos Franciscanos da Imaculada, atualmente ainda sob o governo de um Comissário Pontifício, sem que, desde 2013, se tenha dado una motivação válida da parte da “Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica”.

A nova inquisição cato-progressista







Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

No Vaticano há uma nova Inquisição dos cato-progressistas. Estão perseguindo ferozmente aos Franciscanos da Imaculada, porque têm a Fé e muitas vocações. É uma vergonha!… Mas o papa sabe disso?


Mas o Papa sabe o que – em seu nome – estão fazendo aos Franciscanos da Imaculada? Há apenas dois dias Francisco proclamou, com razão, que “o Evangelho deve ser anunciado não com pancadas inquisitórias, mas com doçura e amor”.

No entanto, sobre os Franciscanos da Imaculada – sem nenhum motivo e sem nenhuma culpa da parte deles – caiu uma tempestade de pancadas inquisitórias. Estão demolindo uma das poucas ordens religiosas ainda vivas, ortodoxas e cheias de vocações (estimada e apoiada por Bento XVI).

O pior é que a destruição está sendo perpetrada em nome de Francisco. Mas será possível que o Papa da bondade aprove estes métodos e esta perseguição?

Atacar o melhor


Por outro lado, os Franciscanos da Imaculada, no desastre geral das ordens religiosas (sem vocações, frequentemente em crise doutrinal e disciplinar, com muitos erros bem conhecidos), devem ser utilizados como exemplo: eles vivem radicalmente a pobreza (vivendo só de caridade), possuem muitas vocações, levam uma vida fortemente ascética, fazem muitas obras de caridade para com os pobres e deserdados, anunciam a Boa Nova com zelo missionário e são obedientes à Igreja (nestes meses de repressão, suportam tudo com mansidão e no silêncio).

Muitos fiéis estão escandalizados com a fúria com que estão sendo afetados [os Frades Franciscanos da Imaculada, FFI]. Há pessoas chorando por causa das remoções forçadas destes bons frades das comunidades onde trabalhavam até agora.

Eu nunca tive nada a ver com eles, mas, como um observador imparcial, os admiro. E eu me pergunto: por que tanta dureza contra religiosos que representam para os fiéis um grande exemplo de vida e uma verdadeira referência espiritual?

No entanto, nunca houve tal fúria nem mesmo nos casos de religiosos, padres e teólogos que se afundavam em grandes problemas de doutrina, disciplina e outros.

Por exemplo, a era do pós-Concílio foi uma catástrofe. Dezenas de milhares tiraram o hábito religioso: “abundantemente se espalham ideias contrárias à verdade que foi revelada e que sempre foi ensinada – afirmou João Paulo II. Heresias, no sentido lato e próprio da palavra, propagaram-se na área do dogma e da moral, criando dúvidas, confusões e rebelião; a liturgia foi adulterada. Imersos num relativismo intelectual e moral e, portanto, no permissivismo, os cristãos são tentados pelo ateísmo, pelo agnosticismo, por um iluminismo vagamente moral e por um Cristianismo sociológico desprovido de dogmas definidos ou de uma moralidade objetiva” [L’Osservatore Romano, 7 de Fevereiro de 1981].

O desastre dos Jesuítas

Também a Companhia de Jesus, que Bergoglio conhece bem, está em meio à tempestade com alguns de seus membros fomentando a confus

ão teológica. No entanto, nenhuma medida foi tomada contra eles como as adotadas hoje contra os Franciscanos da Imaculada.


De acordo com as estatísticas oficiais de 1965 (quando terminou o Concílio) a 2005, os membros da Companhia de Jesus (os Jesuítas) se reduziram em 45 por cento; os Salesianos em 24 por cento; os Frades menores em 41 por cento; os Capuchinos em 29 por cento; os Beneditinos em 35 por cento; os Dominicanos em 39 por cento.

Por outro lado, os Franciscanos da Imaculada, uma família religiosa fundada na década de 70 pelo padre Stefano Maria Manelli e pelo padre Gabriele Maria Pellettieri, atraíram subitamente muitas vocações.

Reconhecidos pela Igreja em 1990, com um decreto pontifício em 1998, hoje são cerca de 400 frades em 55 casas e o mesmo número de irmãs com 47 casas espalhadas pelo mundo. Também as vocações – enfraquecidas em todas as dioceses – estão crescendo a um ritmo impressionante entre os FFI. Sem dúvida, uma comunidade abençoada por Deus.

Assim, em 11 de julho [de 2013], a Congregação vaticana para os religiosos decidiu centrar-se nesta família religiosa florescente por meio de comissariamento.

Perseguição

Desde então, ao fundador – padre Stefano M. Manelli – foi imposto o isolamento (seus frades não podem nem escrever-lhe, nem telefonar-lhe, nem ir vê-lo, nem falar-lhe de modo algum); todos os frades que tinham cargos de responsabilidade foram exilados em lugares remotos, em alguns casos no estrangeiro; os movimentos laicais ligados à Congregação foram postos em hibernação; o seminário foi fechado e as ordenações diaconais e sacerdotais foram suspensas.

O comissário não pode apoderar-se das revistas publicadas pela Ordem, uma vez que pertencem aos leigos, mas os religiosos da Congregação foram proibidos de colaborar com eles. No fundo, usou-se um ponho de ferro.

É difícil acreditar que o Pontífice da ternura quis ou autorizou uma coisa dessas. Demasiado grande seria a contradição entre os seus ensinamentos (“doçura e amor, não pancadas inquisitórias”) e a prática concreta que lembra os fantasmas da Inquisição.

Também é verdade que no passado a Inquisição – cujos métodos foram varridos graças a Joseph Ratzinger – golpeou vários santos.

O último foi Padre Pio. Como é bem conhecido, o santo Capuchinho, entre 1960 e 1961, teve que suportar – sob o pontificado do chamado “Papa bom” – medidas restritivas e punitivas muito duras. Eram totalmente injustas, como foi demonstrado em sua plena reabilitação por Paulo VI e na canonização do frade estigmatizado feita por João Paulo II.

É surpreendente o fato de um santo como ele ter sido tão perseguido, ao mesmo tempo em que na Igreja estavam sendo louvados teólogos como Karl Rahner, a quem Roncalli nomeou como um dos consultores do Concílio Vaticano II.

Rahner teve uma influência muito maligna na teologia pós-conciliar (basta dizer que Hans Küng foi o seu digno discípulo). Sua teoria dos “cristãos anônimos” foi um verdadeiro veneno.

No entanto, Rahner continua sendo intocável. Há teólogos que se atrevem a questionar os dogmas da fé católica, a Virgem e os santos. Mas Rahner não pode ser discutido.

Por outro lado, entre as corajosas iniciativas de reflexão teológica que os Franciscanos da Imaculada assumiram nos últimos anos, havia uma conferência de estudo intitulada significativamente “Karl Rahner: uma análise crítica”, em flagrante contraste com a “teologia progressista” dominante hoje.

Inquisidores das trevas

Muitos suspeitam que tais fatos têm ajudado a colocar os Franciscanos da Imaculada na mira do poder clerical, onde hoje se sentam eclesiásticos que passaram pela Teologia da Libertação, como o cardeal brasileiro João Braz de Aviz, que é o chefe da Congregação vaticana que decidiu pôr em prática o comissariamento.

Em uma entrevista há algum tempo, o prelado contou como ele viveu essa fase de sua vida, mas curiosamente não fez suas as palavras de condenação dos erros da Teologia da Libertação firmadas por João Paulo II e Joseph Ratzinger. Em vez disso, ele afirmou: “continuo convencido de que em toda aquela história ocorreu algo realmente grande para toda a Igreja”.

Sim, uma grande catástrofe. E agora temos novos desastres “progressistas”, como a aniquilação dos Franciscanos da Imaculada. Se esses frades fossem seguidores de Rahner, Küng ou da Teologia da Libertação, a perseguição teria provocado um escândalo na mídia. Em vez disso, eles são fiéis à Igreja, e por isso ninguém os defende.

Alguns afirmam que se trata de uma espécie de vingança transversal contra Bento XVI por causa do Motu Proprio que liberalizou a missa tradicional. Este documento provocou fortes reações e oposições na Cúria e entre os bispos.

Considerando que os Franciscanos da Imaculada implementaram fielmente o Motu Proprio, querendo estar em comunhão com o Papa, seria esta, então, a sua culpa?

Acredito que a destruição dos FFI trará muitos danos ao atual papa. Pois está sendo aniquilado um carisma precioso para a Igreja, ao mesmo tempo em que se está trazendo água ao moinho dos “lefebvrianos”, que atacaram Bergoglio publicamente. Agora eles podem dizer: “Veja, na Igreja de Francisco há espaço para todos, exceto para os católicos”.

Sempre teremos que defender o Pontífice destes ataques*. Mas espero que ao ser informado dos fatos, Francisco ponha fim a esta incrível perseguição o mais rápido possível, e se restabelecerá a verdade e a justiça.

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* Nota da tradução:

Antonio Socci é um anti-FSSPX. Não impressiona, portanto, seu ataque indireto aos “lefebvrianos”. O Superior-geral da Fraternidade, D. Bernard Fellay, falou publicamente sobre Francisco em duas ocasiões: a primeira durante o congresso da Angelus Press, e a segunda em entrevista ao portal DICI. Suas palavras, de forma alguma, constituem um ataque injusto e imprudente ao pontífice, como Socci parece indicar ao dizer que “temos sempre que defender o pontífice destes ataques”. O Blog Renitência traduziu e publicou este texto considerando o caráter geral da análise feita pelo autor sobre o caso dos Franciscanos da Imaculada. É lamentável, depois de um exame tão acurado, depararmo-nos com um ataque dissimulado e sem fundamento. Neste caso, o autor parece estar longe de ser um “observador imparcial”, como indica no início do texto.

FONTE