OS QUE PENSAM QUE VENCERAM: 2. Verdadeira e falsa restauração

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Caríssimos, Salve Maria!

Excelente texto sobre o que se chamou de “Nova Teologia” apadrinhada por Lubac e Hans Urs von Balthasar – jejuíta e ex jesuíta, mas sempre jejuíta…

Aos seminaristas e estudantes de teologia, de boa vontade, eis o Texto:

Pe Marcélo Tenorio

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Tradução: Airton Vieira

Os que pensam que «venceram» são os neomodernistas fiéis à linha (se assim pode chamar-se) dos padres fundadores da «nouvelle théologie» ou «nova teologia» e, especialmente, à linha (tortuosa e obscura) traçada pelo jesuíta Henri de Lubac e pelo ex-jesuíta Hans Urs von Balthasar. «Se exaltam os expoentes da nova teologia como se fossem eles a pedra angular da Igreja» escreveu com razão o pensador Mons. Julio Meinvielle («De la cábala al progresismo», ed. Calchaqui, Salta (Argentina), 1970).

Antes de apresentar estes «santos padres» do mundo católico pós-conciliar, é, sem dúvida, oportuno ilustrar aqui brevemente a essência da «nova teologia».

O princípio simples de uma heresia complexa

O sacerdote e teólogo alemão Johannes Dörmann, em seu ótimo livro «L’étrange théologie de Jean-Paul II et l’esprit d’Assise» (Ed. Fideliter, Eguelshardt (Francia), 1992) [Ed. em castelhano: «Itinerario teológico de Juan Pablo II hacia la jornada mundial de oración de las religiones en Asís», Fund. são Pio X, Madrid, 1994], escreve:

«A “nouvelle théologie” se apresenta sob dois aspectos, mas é simples em seu princípio, e, por isto, podem agrupar-se suas múltiplas formas sob o mesmo nome. Suas diferentes formas têm em comum o repúdio da teologia tradicional» (p. 55).

O que significa o repúdio da «teologia tradicional» o explica o Autor, concisa e eficazmente, a propósito do último Concílio, que considerou seu dever renunciar por motivos «pastorais» à linguagem escolástica: «Os teólogos manipuladores viram perfeitamente que nesta questão da linguagem se tratava a questão, toda a questão da teologia e da fé. Porque a linguagem escolástica estava indissoluvelmente vinculada à filosofia escolástica, a filosofia escolástica à teologia escolástica e esta última finalmente à tradição dogmática da Igreja» (p. 52). E, portanto, o adeus à linguagem escolástica se havia resolvido em última análise no adeus à Tradição divino-apostólica custodiada fielmente pela Igreja.

«O abandono por parte dos padres da “linguagem escolástica” – escreve ainda Dörmann – era para eles [os teólogos manipuladores do Concílio] a condição sine qua non da ruptura com a antiga dogmática, para instalar a “nova teologia” depois de haver deixado de utilizar a “antiga” e ter-se despedido dela» (p. 53).

A utopia

E como esteve e está motivada esta «despedida» da teologia tradicional, isto é, da teologia católica tout court, indissoluvelmente vinculada à Tradição dogmática da Igreja? Com «esta simples e sedutora ideia: uma “nova teologia” na perspectiva do carácter científico moderno e da imagem moderna do mundo e da história» (p. 55). Em outros termos, com a antiga e sempre renascente utopia da Igreja conciliada com o «mundo moderno», ou seja, com o pensamento filosófico moderno, com o qual Pio IX (cfr. Syllabus, proposição octogésima) declarou que a Igreja não pode nem deve conciliar-se, dado seu caráter essencialmente anticristão:

«Os homens [modernos] são em geral estranhos às verdades e aos bens sobrenaturais e creem poder satisfazer-se com a só razão humana e na ordem natural das coisas e poder conseguir nelas sua própria perfeição e felicidade» (Vaticano I, esquema preparatório de doctrina catholica).

«Para os membros da “nouvelle théologie” – continua Dörmann – o lema “aggiornamento” significava a decidida abertura da Igreja ao pensamento moderno [estranho à verdade e aos bens sobrenaturais] para chegar a uma teologia totalmente diferente da qual deveria nascer uma nova Igreja [secularizada] adaptada a sua época» (op. cit., p. 54). É a idêntica utopia do modernismo. «Onde vai a nouvelle théologie? Torna ao modernismo» escrevia o padre Garrigou-Lagrange O. P.

«Pelo caminho do ceticismo, da fantasia e da heresia»

E, em efeito, escavando mais a fundo, sob o princípio simples da nova teologia (o adeus à «antiga» e, por isso, envelhecida teologia) encontramos a mesma perversão da noção de verdade que é o fundamento do modernismo:

«A verdade não é mais imutável que o mesmo homem já que ela evolui nele, com ele e para ele» (São Pio X, decreto Lamentabili, proposição quinquagésima oitava). Pelo que o padre Garrigou-Lagrange O. P., não profetizando, mas simplesmente extraindo as lógicas conclusões, escrevia em 1946:

«Onde irá esta nova teologia com os novos mestres nos que se inspira? Onde senão pelo caminho do ceticismo, da fantasia e da heresia?» (La nouvelle théologie où va-t-elle?, em Angelicum 23, 1946, pp. 136-154).

Uma utopia culpável

O veremos. A nós nos interessa aqui sublinhar que a intenção de conciliar a Igreja com o «mundo moderno» (ou seja, com a filosofia moderna subjetivista e imanentista e a «cultura» embebida de subjetivismo e imanentismo que dela promanou) não é uma utopia inculpável. A tal intenção, em efeito, o Magistério dos Romanos Pontífices encerrou repetidamente o caminho, especialmente Gregório XVI com a Mirari Vos (1832), Pio IX com o Syllabus (1864), São Pio X com a Pascendi (1907) e, nos umbrais do último Concílio, Pio XII com a Humani Generis (1950). Nesta última Encíclica, desatendida e depois desautorizada e sepultada pelos mesmos a quem ela havia condenado, Pio XII, ilustrando o clima precedente ao Concílio, assinala «com ansiedade» e claridade os perigos da «nova teologia», que, buscando seu fundamento fora da filosofia perene, põe em perigo todo o edifício do dogma católico. Sobretudo, Pio XII não deixa de sublinhar o desprezo ao Magistério que se adverte sob tal atitude:

«[…] a razão será devidamente cultivada: se […] ela se nutrir daquela sã filosofia que é como um patrimônio herdado das precedentes idades cristãs e que possui uma mais alta autoridade porque o mesmo Magistério da Igreja confrontou com a verdade revelada seus princípios e suas principais assertivas postas à luz e fixadas lentamente através dos tempos por homens de grande engenho. Esta mesma filosofia, confirmada e comumente admitida pela Igreja, defende o genuíno valor da cognição humana, os inquebrantáveis princípios da metafísica – isto é, de razão suficiente, de causalidade e de finalidade – e finalmente sustém que se pode alcançar a verdade certa e imutável.

Nesta filosofia há certamente muitas coisas que não se referem à fé e aos costumes, nem direta nem indiretamente, e que, por isto, a Igreja deixa à livre discussão dos competentes nesta matéria; mas não existe nela a mesma liberdade a respeito de muitas outras, especialmente a respeito dos princípios e das principais assertivas das que já falamos [valor do conhecimento humano, inquebrantáveis princípios da metafísica, etc.] […].

A verdade em toda sua manifestação filosófica não pode estar sujeita a cotidianas mutações especialmente tratando-se dos princípios de por si conhecidos da razão humana ou daquelas asserções que se apoiam tanto na sabedoria dos séculos como também no consenso e no fundamento da Revelação divina […].

Por isto deve deplorar-se mais que nunca que hoje a filosofia confirmada e admitida pela Igreja seja objeto de desprezo por parte de alguns, de modo que, com imprudência, a declaram antiquada pela forma e racionalista pelo processo de pensamento. […].

Sem embargo, enquanto que desprezam esta filosofia, exaltam as demais, tanto antigas como recentes, tanto de povos orientais como dos ocidentais, de maneira que parecem querer insinuar que todas as filosofias ou opiniões, com o acréscimo – se é necessário – de alguma correção ou de algum complemento, se podem conciliar com o dogma católico. Mas nenhum católico pode pôr em dúvida quanto tudo isto é falso, especialmente quando se trata de sistemas como o imanentismo, o idealismo, o materialismo tanto histórico como dialético, ou também como o existencialismo, quando professa ou ateísmo o quando nega o valor do raciocínio no campo da metafísica. […].

Seria verdadeiramente inútil deplorar estas aberrações se todos, também no campo filosófico, fossem respeitosos com a devida veneração pelo Magistério da Igreja, que, por instituição divina, tem a missão não somente de custodiar e interpretar o depósito da Revelação, como também de velar sobre as mesmas ciências filosóficas para que os dogmas católicos não recebam nenhum dano por opiniões não retas».

Resta assim confirmado quanto desde há anos temos repetido e documentando: mesmo sendo membros da hierarquia católica, os neomodernistas são e permanecem sendo uns desobedientes ao Magistério constante e, por isto, infalível da Igreja, e a «obediência» que de fato eles impõem ao novo curso eclesial se concretiza em uma imposição de desobediência à Igreja.

Verdadeira e falsa «restauração»

De quanto se tem dito mais acima se segue que a autêntica restauração percorrerá o caminho inverso ao que tem levado à ruptura com a Tradição doutrinal da Igreja: torna à filosofia perene e portanto à teologia escolástica e portanto à tradição dogmática da Igreja, em obediência às diretivas constantes do Magistério Pontifício.

Os neomodernistas fiéis à «linha» de de Lubac e de von Balthasar se auto intitulam hoje de «moderados» e inclusive de «restauradores», mas não tentam repudiar em absoluto a «nova teologia», da qual – queiram ou não – é filha da crise que paralisa em nossos dias a vida da Igreja. «Nossa linha – dizia “seguro” o padre Henrici S. J. a 30 Giorni (dezembro de 1991) – é a de extremo centro. Nem excessiva atenção [sic!] ao Magistério, nem contestação. Nem direita nem esquerda. Adesão à tradição [que, na linguagem de de Lubac e dos «novos» teólogos, não é – o veremos – a Tradição dogmática da Igreja] na linha da théologie nouvelle de Lyon [sede de de Lubac e de outros «padres fundadores»], que sublinhava a não contraposição [leia-se: identificação] entre natureza e preternatureza, entre fé e cultura, e que se converteu na teologia oficial do Vaticano II».

«Théologie nouvelle» que Pio XII, na Humani Generis, havia condenado como um cúmulo de «falsas opiniões que ameaçam com subverter os fundamentos da doutrina católica»! É, portanto, mais que nunca, necessário saber que há detrás da «moderação» destes neomodernistas de «extremo centro», sim, mas, não obstante, neomodernistas.

 

(continua)

 

Hirpinus

(Traducido por Marianus el eremita. Imagem principal: padre Garrigou-Lagrange O. P)

Fonte: http://adelantelafe.com/los-piensan-vencido-2-verdadeira-falsa-restauracion/

 

Foto: padre Garrigou-Lagrange O. P)

SÃO VICENTE DE LÉRINS: REGRA PARA DISTINGUIR A VERDADE CATÓLICA DO ERRO

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Tradução de Airton Vieira – São Vicente de Lérins foi um Padre da Igreja do século V. Sobre sua vida se possuem escassos dados; só os de uma breve notícia que lhe dedica o marselhês Genadio (De viris illustribus, 64; PL 58,1097-98) e os que se desprendem de sua obra mais importante: o Commonitorio. Era de origem francesa, ainda que se ignora o lugar de seu nascimento e onde passou sua vida, somente que, se fez religioso uma vez «afugentados os ventos da vaidade e da soberba, aplacando a Deus com o sacrifício da humildade cristã». Teve um passado tempestuoso, como parece deduzir-se de certa alusão que faz em um de sus livros? Não é seguro, possivelmente a ênfase que põe em suas palavras há que atribui-la à severidade com que os santos costumam julgar-se a si mesmos.

O que sim é indubitável é que foi um homem muito douto nas Escrituras e nos dogmas e com profundos conhecimentos das letras clássicas. Sacerdote no mosteiro da ilha de Leríns (chamada hoje de São Honorato), com o pseudônimo de Peregrino compôs um tratado contra os hereges. Genadio narra também que é autor de outra obra de tema análogo, cujo manuscrito foi roubado, pelo que elaborou um breve resumo, que sim se conserva. Morreu no reinado de Teodosio e Valentiniano, pouco antes do 450. O Commonitorio está escrito três anos depois do Concílio de Éfeso, ou seja, o ano 434.

Este pequeno livro, cheio de vigor e ciência, tem atraído a atenção dos estudiosos sobretudo a partir do s. XVI, e suas afirmações têm sido muito tidas em conta em momentos de confusão doutrinal, desde as polêmicas entre protestantes e católicos do s. XVII até a crise modernista, porque nele se encontra um excelente testemunho cristão e resposta ante os riscos de ceticismo e de relativismo teológico. Em efeito, os temas chaves do tratado são: fidelidade à Tradição e progresso dogmático. O Conmonitorio é um dos livros que mais história deixou a posteriori. Hoje passam de 150, entre edições e traduções a diversas línguas.

A palavra Conmonitorio, bastante frequente como título de obras naquela época, significa notas ou apontamentos postos por escrito para ajudar à memória, sem pretensões de compor um tratado exaustivo. Nesta obra, São Vicente de Lérins se propôs facilitar, com exemplos da Tradição e da história da Igreja, os critérios para conservar intacta a verdade católica.

Não recorre a um método complicado. As regras que oferece para distinguir a verdade do erro podem ser conhecidas e aplicadas por todos os cristãos de todos os tempos, pois se resume em uma notória fidelidade à Tradição viva da Igreja.

O Conmonitorio constitui uma joia da literatura patrística. Seu ensino fundamental é que os cristãos têm de crer quod semper, quod ubique, quod ab ómnibus: só e tudo quanto foi crido sempre, por todos e em todas as partes. Vários Papas e Concílios têm confirmado com sua autoridade a validez perene desta regra de fé. Segue sendo plenamente atual este pequeno livro escrito em uma ilha do sul da França, há mais de quinze séculos.

Vejamos agora um resumo das ensinos de São Vicente que seguem plenamente atuais:

REGRA PARA DISTINGUIR A VERDADE CATÓLICA DO ERRO

Havendo interrogado com frequência e com o maior cuidado e atenção a numerosíssimas pessoas, sobressalentes em santidade e em doutrina, sobre como poder distinguir por meio de uma regra segura, geral e normativa, a verdade da fé católica da falsidade perversa da heresia, quase todas me têm dado a mesma resposta: «Todo cristão que queira desmascarar as intrigas dos hereges que brotam ao nosso redor, evitar suas armadilhas e manter-se íntegro e incólume em uma fé incontaminada, deve, com a ajuda de Deus, apetrechar sua fé de duas maneiras: com a autoridade da lei divina antes de tudo, e com a tradição da Igreja Católica»… É pois, sumamente necessário, ante as múltiplas e enrevesadas tortuosidades do erro, que a interpretação dos Profetas e dos Apóstolos se faça seguindo a pauta do sentir católico. Na Igreja Católica há que pôr o maior cuidado para manter o que tem sido crido em todas as partes, sempre e por todos. Isto é o verdadeira e propriamente católico, segundo a ideia de universalidade que se encerra na mesma etimologia da palavra. Mas isto se conseguirá se nós seguimos a universalidade, a antiguidade, o consenso geral. Seguiremos a universalidade, se confessamos como verdadeira e única fé a que a Igreja inteira professa em todo o mundo; a antiguidade, se não nos separamos de nenhuma forma dos sentimentos que notoriamente proclamaram nossos santos predecessores e padres; o consenso geral, por último, se, nesta mesma antiguidade, abraçamos as definições e as doutrinas de todos, ou de quase todos, os Bispos e Mestres.

EXEMPLO DE COMO APLICAR A REGRA

Qual deverá ser a conduta de um cristão católico, se alguma pequena parte da Igreja se separa da comunhão na fé universal?

-Não cabe dúvida de que deverão antepor a saúde do corpo inteiro a um membro podre e contagioso.

-Mas, e se se trata de uma novidade herética que não está limitada a um pequeno grupo, mas que ameaça com contagiar à Igreja inteira?

-Em tal caso, o cristão deverá fazer todo o possível para aderir-se à antiguidade, a qual não pode evidentemente ser alterada por nenhuma nova mentira.

E se na antiguidade se descobre que um erro tem sido compartilhado por muitas pessoas, ou inclusive por toda uma cidade, ou por uma região inteira?

-Neste caso porá o máximo cuidado em preferir os decretos -se os há- de um antigo Concílio Universal, à temeridade e à ignorância de todos aqueles.

E se surge uma nova opinião, acerca da qual nada há sido ainda definido?

-Então indagará e confrontará as opiniões de nossos maiores, mas somente daqueles que, sempre permaneceram na comunhão e na fé da única Igreja Católica e vieram a ser mestres provados da mesma. Todo o que ache que, não por um ou dois somente, mas por todos juntos de pleno acordo, há sido mantido, escrito e ensinado abertamente, frequente e constantemente, saiba que ele também o pode crer sem vacilação alguma.

EXEMPLOS HISTÓRICOS DE RECURSO À UNIVERSALIDADE E À ANTIGUIDADE CONTRA O ERRO


…Quando o veneno da heresia ariana contaminou não já uma pequena região, mas o mundo inteiro, até o ponto de que quase todos os bispos latinos cederam ante a heresia, alguns obrigados com violência, outros sacerdotes reduzidos e enganados.

Uma espécie de neblina ofuscou então suas mentes, e já não podiam distinguir, em meio de tanta confusão de ideias, qual era o caminho seguro que deviam seguir. Somente o verdadeiro e fiel discípulo de Cristo que preferiu a antiga fé à nova perfídia não foi contaminado por aquela peste contagiosa. O que por então sucedeu mostra suficientemente os graves males a que pode dar lugar um dogma inventado.

Tudo se revolucionou: não só relações, parentescos, amizades, famílias, como também cidades, povos, regiões. O mesmo Império Romano foi sacudido até seus fundamentos e transtornado de, acima abaixo quando a sacrílega inovação ariana, como nova Bellona ou Furia, seduziu inclusive ao Imperador, o primeiro de todos os homens.

Depois de haver submetido a suas novas leis inclusive os mais insignes dignitários da corte, a heresia começou a perturbar, transtornar, ultrajar toda coisa, privada e pública, profana e religiosa. Sem fazer já distinção entre o bom e o mau, entre o verdadeiro e o falso, atacava de perto a tudo o que se pusesse adiante….

E qual foi a causa de tudo isto? Uma só: a introdução de crenças humanas no lugar do dogma vindo do céu. Isto ocorre quando, pela introdução de uma inovação vazia, a antiguidade fundamentada nos mais seguros embasamentos é demolida, velhas doutrinas são pisoteadas, os decretos dos Padres são desgarrados, as definições de nossos maiores são anuladas; e isto, sem que a desenfreada concupiscência de novidades profanas consiga manter-se nos nítidos limites de uma tradição sagrada e incontaminada.

a mesma natureza da religião exige que tudo seja transmitido aos filhos com a mesma fidelidade com a qual foi recebido dos pais, e que, ademais, não nos é lícito levar e trazer a religião por onde nos pareça, mas que antes somos nós os que temos que segui-la por onde ela nos conduza. E é próprio da humildade e da responsabilidade cristã não transmitir a quem nos sucedam nossas próprias opiniões, mas conservar o que tem sido recebido de nossos maiores.

[A respeito dos erros do Bispo Agripino]  houve um tal desenvolvimento de inteligências, uma tal profusão de eloquência, um número tão grande de partidários, tanta verossimilhança nas teses, tal cúmulo de citações da Sagrada Escritura, ainda que interpretada em um sentido totalmente novo e errado, que de nenhuma maneira, creio eu, se teria podido superar toda aquela concentração de forças, se a inovação tão acerrimamente abraçada, defendida, louvada, não se tivesse vindo abaixo por si mesma, precisamente a causa de sua novidade.

ASTUCIA TÁTICA DOS HEREGES


Com frequência se apropriavam de passagens complicadas e pouco claras de algum autor antigo, os quais, por sua mesma falta de claridade parecia que concordavam com suas teorias; assim simulavam que não eram os primeiros nem os únicos que pensavam dessa maneira. Esta falta de honradez eu a qualifico de duplamente odiosa, porque não têm escrúpulo algum em fazer que outros bebam o veneno da heresia, e porque maculam a memória de pessoas santas, como se espalhassem ao vento, com mão sacrílega, suas cinzas dormidas.

…Devemos ter horror, como se de um delito se tratasse, a alterar a fé e corromper o dogma; não só a disciplina da constituição da Igreja nos impede fazer uma coisa assim, como também a censura da autoridade apostólica.

Todos conhecemos com quanta firmeza, severidade e veemência São Paulo se lança contra alguns que, com incrível frivolidade, se haviam afastado em pouquíssimo tempo daquele que os havia chamado à graça de Cristo, para passar-se a outro Evangelho, ainda que a verdade é que não existe outro Evangelho; ademais, se haviam rodeado de uma turba de mestres que secundavam seus caprichos próprios, e apartavam os ouvidos da verdade para dá-los às fábulas, incorrendo assim na condenação de haver violado a fé primeira. Se haviam deixado enganar por aqueles de quem escreve o mesmo Apóstoloo em sua carta aos irmãos de Roma: Os rogo, irmãos, que os guardeis daqueles que originam entre vós dissensões e escândalos, ensinando contra a doutrina que vós haveis aprendido; evitai sua companhia. Estes tais não servem a Cristo Senhor nosso, mas a sua própria sensualidade; e com palavras doces e com adulações seduzem os corações dos simples.

ADVERTÊNCIA DE SÃO PAULO AOS GALATAS

Indivíduos dessa raça, que recorriam as províncias e as cidades fazendo mercado com seus erros, chegaram até os Gálatas. Estes, ao escutá-los, experimentaram como uma certa repugnância rumo à verdade; rejeitaram o maná celestial da doutrina católica e apostólica e se deleitaram com a sórdida novidade da heresia.

A autoridade do Apóstoloo se manifestou então com sua maior severidade: ainda quando nós mesmos, ou um anjo do céu os pregasse um Evangelho diferente do que nós os temos anunciado, seja anátema.

E por que diz São Paulo ainda quando nós mesmos, e não diz ainda que eu mesmo? Porque quer dizer que inclusive se Pedro, ou André, ou João, ou o Colégio inteiro dos Apóstolos anunciassem um Evangelho diferente do que os temos anunciado, seja anátema.

Tremendo rigor, com o que, para afirmar a fidelidade à fé primitiva, não se exclui nem a si mesmo nem aos outros Apóstolos.

Mas isto não é tudo: ainda que um anjo do céu os pregasse um Evangelho diferente do que nós os temos anunciado, seja anátema.

Para salvaguardar a fé entregada uma vez para sempre, não lhe bastou recordar a natureza humana, como que quis incluir também a excelência angélica: ainda que nós -diz- ou um anjo do céu. Não é que os santos ou os anjos do céu possam pecar, mas é para dizer: inclusive se sucedesse isso que não pode suceder, qualquer que fosse o que tentasse modificar a fé recebida, este tal seja anátema.

Mas talvez o Apóstolo escreveu estas palavras às pressas, movido mais por um ímpeto passional humano que por inspiração divina! Continua, não obstante, e repete com insistência e com força a mesma ideia, para fazer que penetre: qualquer que os anuncie um Evangelho diferente do que haveis recebido, seja anátema.

Não diz: se um os pregasse um Evangelho diferente do nosso, seja bendito, louvado, acolhido; mas diz: seja anátema, isto é, separado, afastado, excluído, com o fim de que o contágio funesto de uma ovelha infectada não se estenda, com sua presença mortífera, a todo o rebanho inocente de Cristo.



De tudo o que temos dito, aparece evidente que o verdadeiro e autêntico católico é o que ama a verdade de Deus e à Igreja, corpo de Cristo; aquele que não antepõe nada à religião divina e à fé católica: nem a autoridade de um homem, nem o amor, nem o gênio, nem a eloquência, nem a filosofia; mas que desprezando todas estas coisas e permanecendo solidamente firme na fé, está disposto a admitir e a crer somente o que a Igreja sempre e universalmente tem crido..”

Pode ler-se o Commonitorio inteiro neste link

Fonte: http://adelantelafe.com/san-vicente-de-Lérins-regra-para-distinguir-la-verdad-catolica-del-erro/#at_pco=smlwn-1.0&at_si=58b085c7e713ef7b&at_ab=per-2&at_pos=0&at_tot=1

Luzes, lágrimas, muçulmanos agradecidos… os assombrosos sinais marianos na guerra da Síria

 

 

 

siria

ReL

10 dezembro 2016

Tradução Frei Zaqueu –

A situação dos cristãos na Síria segue terrível ainda que tanto sofrimento

não os tenha feito perder a fé, mas inclusive reforçá-la. Assim o explicou o arcebispo greco-católico

de Homs, Jean Abdo Arbach, recentemente em Madrid e Barcelona após ser convidado por Ajuda à

Igreja que Sofre.

Em uma conversa com a Fundação Cari Filii falou também do amor do povo sírio pela Virgem Maria,

incluídos muitos muçulmanos, assim como dos sinais que apontam a uma especial ação de Maria

naquela terra.

“Nossa região de Homs, com povoados como Qalamún, Malula -onde foram sequestradas umas

religiosas- ou Yebrud, sempre foi de uma grande devoção mariana e sempre tem contado com muitas

capelas dedicadas à Virgem”, explica o arcebispo, que fala espanhol porque durante vários anos foi

pároco dos católicos melquitas de Córdoba (Argentina).

Em Malula, também na diocese de Homs, os cristãos –maioria na cidade-, recolocaram esta imagem da Virgem Maria no alto da população após sua retomada das mãos dos jihadistas Missa em Yebrud sem eletricidade… mas com luz Em março de 2014 o exército sírio reconquistou Yebrud, que tinha sido durante 5 meses o feudo principal da facção rebelde da região de Qalamún, que incluía numerosos jihadistas. Jean Abdo Arbach, que era arcebispo de Homs desde janeiro de 2013, chegou ali em 9 março de 2014 para celebrar missa na capela da Virgem Maria da Salvação, padroeira da diocese. Como em quase todo o povo, não tinha eletricidade devido aos destroços da guerra. “Não tinha eletricidade… e no entanto eu notava algo, umas luzes que brilhavam durante a missa. Não só eu, as outras 70 pessoas que estavam comigo o notaram. E sem eletricidade”, assinala o arcebispo. Dois dias depois, de volta a Homs, o sacerdote de Yabrud lhe telefonou de noite para contar que a imagem da Virgem chorava, que tinha lágrimas. “Voltei a Yebrud para vê-lo. Ali a gente me comentava, que tinham visto as luzes e as lágrimas”.

O arcebispo Arbach de Homs e o bispo Dominique Rey, de Toulon (Francia), junto à nova imagem da Virgem de 7 metros colocada em Yabrud após sua retomada A Virgem, vestida de branco, nas montanhas Os cristãos de Yebrud contavam também histórias. “Diziam que uns muçulmanos tinham visto a Virgem Maria, vestida de branco, caminhando pelas montanhas que dominam à cidade”, muito visível desde o vale donde estão as vivendas. Em outra ocasião, o arcebispo celebrou missa em um povoado, e alguns dos chefes muçulmanos acudiram à missa. “Um destes chefes veio falar comigo, e me falou com devoção e agradecimento da Virgem. Me entregou um quadro que representava um soldado de joelhos, ante a Virgem Maria. Me disse que essa cena tinha passado em Yebrud na noite anterior à libertação. Depois consultei um sacerdote local e me disse que muitos muçulmanos tinham rezado, descalços, venerando à Virgem, que era algo que muitos sabiam ali”, explica o arcebispo. Uma grande imagem da Virgem substitui as destruídas Os jihadistas em Yebrud tinham destruído a Paróquia e os ícones da Virgem na praça onde sempre tinham estado. Nessa mesma praça ante a Paróquia os cristãos levantaram, após a libertação da cidade, uma estátua da Virgem de 7 metros de altura. “A dedicamos a Nossa Senhora da Paz”.

O arcebispo Arbach, revestido segundo o rito greco-melquita, mostra o ícone da Ressurreição: fonte de esperança e renascimento para os cristãos Em Yebrud a Padroeira é a Virgem da Salvação, representada em um ícone do século XVII que tem sua história milagrosa: uns bispos o trasladaram de uma capela a uma grande Igreja, mas no dia seguinte o ícone voltou milagrosamente à sua capela original, como que negando-se a deixar o lugar. Na zona há muita devoção também à Virgem da Paz, Padroeira da catedral de Homs. Devoção ao ícone milagroso de Soufanieh A população cristã de toda Síria é muito devota do ícone da Virgem de Soufanieh, em Damasco, cujos fatos milagrosos (lágrimas e suor de azeite curativo) têm sido aprovados oficialmente tanto pelo arcebispo católico como pelo ortodoxo. Este ícone pertence a um casal misto: Nicolás, ortodoxo, e Myrna, greco-católica. Foram testemunhas dos fatos de 1982 seus amigos e vizinhos muçulmanos. “A Virgem é a Mãe de Deus, a Mãe da Igreja e Nossa Mãe; em maio rezamos cada dia e temos as orações marianas na Síria desde há muitos séculos. Os cristãos sírios a amamos com devoção”, conclui o arcebispo de Homs. Ela dá consolo nestes tempos duros. O arcebispo tem uma lista com nomes e sobrenomes de 420 cristãos que morreram mártires em sua diocese estes anos. E recorda que a cidade de Alepo há pouco contava com 200.000 cristãos e hoje apenas restam ali 30.000 entre grandes privações. (É possível apoiar aos cristãos perseguidos com donativos aqui na Ajuda à Igreja que Sofre)

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Fonte: http://www.religionenlibertad.com/luzes-lagrimas-muçulmanos-agradecidoslos-assombrosos-sinais-marianos-guerra–53646.htm

A ” Correção Formal” dos Cardeais à doutrina do Papa sairá após Natal, informa o Cardeal Burke

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Tradução Livre

LifeSiteNews ‘Lisa Bourne realizou uma entrevista exclusiva com o Cardeal Raymond Burke. Na entrevista  perguntou sobre   a Correcção Formal, já quer não houve resposta alguma do Papa Francisco à “Dúbia” relacionadas com Amoris Laetitia.

. Burke respondeu:

“Os dubia têm que ter uma resposta porque têm a ver com as próprias bases da vida moral e do constante ensino da Igreja em relação ao bem e ao mal, no que diz respeito a várias realidades sagradas como o matrimônio e a Santa Comunhão.

 Burke disse durante uma entrevista por telefone.

“Agora, é claro que estamos nos últimos dias, dias de graça forte, antes da solenidade do Natal do Senhor, e então nós temos a Oitava da Solenidade e as celebrações no início do Ano Novo – todo o mistério da nascimento do nosso Senhor e Sua Epifania – por isso provavelmente ocorrerá em algum momento depois disso. “

O cardeal, que é o patrono da Ordem Soberana de Malta, disse que o formato da correção seria “muito simples”.

“Seria direta, assim como as “Dubia” são, só que neste caso não haveria mais questões a serem levantadas, mas confrontar as declarações confusas em Amoris Laetitia com o que tem sido o ensinamento da Igreja constante e prática, e corrigindo assim Amoris Laetitia”, ele disse.

O cronograma  coloca a Correção após a Epifania , ou seja início de 2017.

Veja na íntegra, em inglês aqui:

Cardinal Burke: Formal Correction Will Probably Take Place in 2017

 

O Boom: a dubia dos cardeais e o cisma no Vaticano

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Escrito por Hilary White

Bom, mas que semana tão emocionante tivemos! O mundo blogueiro católico está que arde com o assunto da dubia dos quatro cardeais e a falta de uma resposta por parte do Papa. Me tomei a maior parte da semana para completar este artigo já que os acontecimentos se sucedem com tanta rapidez que apenas posso me manter ao dia. Me parece que nos encontramos agora em um momento de calma.

Se crê que Francisco recusou reunir-se com os cardeais durante o consistório deste fim de semana para evitar encarar de maneira pessoal uma situação na qual seria impossível evitar contestar à pergunta de se é ou não católico. Um Papa escondendo-se de seus próprios cardeais para evitar que se lhe obrigue a confrontar sua heresia —perdão, seus «erros»—, isso é algo que não estou segura se a Igreja terá contemplado alguma vez em sua longa e surpreendente história. E agora, depois das duas entrevistas do cardeal Burke na semana passada confirmando suas intenções, a pergunta nos lábios de todo o mundo é: Que ocorrerá agora? É assim que a estupenda telenovela do pontificado bergogliano encerra a semana em outro ponto de máximo suspense.

As interpelações dos cardeais não são algo que se pode tomar levianamente. Em poucas palavras, de maneira implícita se está perguntando ao Papa se é que a Igreja ainda ensina que existe tal coisa como a realidade moral objetiva; se é possível confiar nas sagradas escrituras como guia moral; se a Igreja esteve equivocada durante os últimos dos mil anos e se Deus mente. Existe ainda a fé católica, ou somos todos uma turba de ingênuos? E, talvez o mais premente, está o senhor, sua Santidade, ainda interessado em continuar sendo o Papa da única santa Igreja católica apostólica?

Não sei de ninguém que não se esteja cogitando de maneira privada ou sugerindo publicamente que este é o «princípio do fim» do pontificado bergogliano, mas como todos sabemos de sobra este precipício tem sido sua único derrota. E agora, depois de meio lustro de nossa guerra intestina fria e silenciosa, o precipício se encontra já à vista. Não importa com quanta cortesia se coloquem as perguntas ou se façam as entrevistas, o certo é que as alternativas ante o Papa são simples: retratar-se ou ser deposto. As perguntas, apesar do que ele parece crer, não podem ser contornadas. Se o Papa adere à religião católica? Tenta subvertê-la e implantar em seu lugar algo de seu próprio ideário e do de seus gestores? Permanecer em silêncio não é uma opção.

O próprio cardeal Burke deu um indício de quais seriam os passos próximos imprescindíveis, em uma declaração a Edward Pentin afirmou que: «Existe dentro da tradição da Igreja a prática da correção ao pontífice romano. Claro que isto é algo sumamente inusual; entretanto, se não há resposta a estas perguntas eu diria que, nesse caso, seria oportuno um ato formal de correção de um erro grave».

Isto é demasiado dizer que nenhum dos cardeais tem discutido publicamente a destituição, mas uma busca no Google revela que existe um crescente corpo de informação histórica, teológica e canônica que se tem feito disponível, e muita dela é recente, sobre depor um Papa por heresia. No momento, porém, somos todos uma família grande e feliz simplesmente dialogando e solicitando cortesmente uma «clarificação» de «erros». Assim mesmo, unicamente podemos augurar quem e quantos no episcopado o apoiam; ainda que se pudessem fazer conjeturas bem fundadas. Thomas Gullickson, o arcebispo estadunidense, canonista e núncio na Suécia e Liechtenstein, por exemplo, publicou em sua página de Facebook uma nota dizendo: «O Padre fez um excelente trabalho neste artigo». Isto foi sobre o já famoso artigo de 2014, para The Remnant, de Robert Siscoe intitulado Pode a Igreja depor um Papa herege? Tudo isto é, a meu ver, um sinal, donde os houver.

Ainda há muito trecho que recorrer. Um «erro», inclusive um erro grave, não é o mesmo que a heresia, e menos ainda que a heresia «pertinaz formal». Mas, Rorate Caeli e outros estão no certo quando afirmam que é assombroso e quase sem precedente que bispos ou cardeais se vejam obrigados a demandar que o Papa assevere, em efeito, que não está atuando deliberadamente para subverter a fé católica. Depois das excentricidades deste fim de semana, essa pista que nos tem dado o cardeal Burke do que se verão obrigados a fazer se não receber resposta do Papa merece ser sopesada com maior seriedade.

Qualquer que seja o resultado que se espera a longo prazo, cada passo se deve tomar com extremo cuidado. Demostrar a heresia formal —especialmente a de um Papa— é um assunto sumamente delicado; e para garantir que a história julgue que atuaram conforme

à verdade estes prelados não se podem dar o luxo de cometer nem um só erro. Isto, portanto, não é algo que se possa resolver em questão de semanas. E dado que os cardeais tornaram pública sua intervenção —manifestando que foi por causa de que o Papa recusou a responder— isso significa que nossos temores de que não se estava fazendo nada resultaram infundados, bendito seja Deus!

O que ocorrerá em diante é realmente a pergunta do momento, e esta se faz ainda mais patente dado o que sabemos da determinação deste homem de implementar sua agenda. Temos presenciado durante este crucial fim de semana que Francisco Bergoglio não tem a mais mínima intenção de alterar seu curso. Continua atendo-se a seu modelo habitual, dando respostas obliquas e de maneira extraoficial, em uma entrevista mais e sua conversa no consistório, empregando ambiguidades e insultos afiados e assumindo o papel da vítima. Seus porta-vozes prediletos têm ido ao extremo de insultar e ridiculizar abertamente aos cardeais e a sua missiva. Se eu me encontrasse entre estes últimos minha resposta seria simples: «Que assim seja então. Os senhores mesmos provocaram este dilema».

O que ocorrerá em seguida, portanto, não é difícil de discernir já que o processo seguirá os ditados de uma realidade que continuará avançamdo de acordo com o impulso de sua própria lógica. É comprovável ao afundamento do Titanic, a nave avançava a certa velocidade seguindo um curso específico aquela noite acoplado a um jogo de restrições ditadas pela física e as matemáticas. Avançava a uma velocidade específica, pesava certo número de toneladas, tinha uma longitude particular, o timão tinha um tamanho predeterminado que excluía outros desenhos, seu raio de giro era de uma amplitude exata, contava somente com um tempo limitado entre o momento de avistar o iceberg e alterar seu curso. Em resumo, para quando avistaram o iceberg já era demasiado tarde; os números são os números e não se podem alterar.

Chegamos ao ponto no que as decisões já têm sido tomadas e todos atos se consumaram, a Igreja é já simplesmente um projétil sujeito às exigências inexoráveis da lógica e a realidade, tal e como o Titanic estava sujeito às leis da física. Já se escolheram os bandos, as linhas de combate estão traçadas e as primeiras escaramuças têm tido lugar com os favoritos de Francisco atacando abertamente os bispos que defendem a autêntica fé católica. A partir desta semana a pequena guerra fria civil da Igreja católica, que tem acontecido desde 1965, tem aflorado em algo mais visível e sanguinário.

Mas, como já é costume neste pontificado, seu aspecto positivo é a claridade que nos brinda. Francisco Bergoglio passará à história como O Grande Clarificador sem importar que lhe responda e que não lhe responda ao cardeal Burke. Apesar de que a carta está dirigida ao Papa a Dubia dos cardeais em realidade é para a Igreja inteira, desde o Papa até os ocupantes dos bancos devem crer e professar o mesmo evangelho. Isto significa que as perguntas também estão dirigidas a todos os bispos e, amém da forma que tome a resposta do Papa, eles também deverão tomar a mesma decisão a favor ou contra Cristo. Se o único logro chega a ser esse, quando menos daqui em diante será sumamente fácil determinar quem é e quem não é um bispo católico. Da mesma maneira em que a intenção de Amoris Laetitia é ser um girassol para verificar adesão ao Novo Paradigma, a dubia dos cardeais presta o mesmo serviço em favor de Cristo.

Se todos os fatores se mantêm estáveis —ou seja, se Francisco não se arrepende e os cardeais não se amedrontam— o que ocorrerá, o que tem que ocorrer, é o seguinte:

—Bergoglio continuará sem responder permitindo que seus agentes falem por ele como até hoje. Continuará chamando «inimigos» e «detratores» a todo aquele que tente obrigá-lo a cumprir com sua obrigação.

—Os cardeais, após uma pausa, durante a que talvez poderiam emitir uma nova advertência, se verão obrigados a cumprir com seu dever e denunciar sua heresia pelo bem da Igreja e a salvação das almas. Isto deve ocorrer ainda que a única razão seja que os fiéis estão sendo conduzidos por este Papa ao precipício do pecado mortal.

—Depois da denúncia formal, portanto, o episcopado, o clero e o laicado ficarão divididos em dois grupos. A parte católica será muito pequena e, aos olhos do mundo, débil, impotente e insensata. A verdade da fé será sua única arma e escudo.

— O bando oposto contará com todas as instituições materiais da Igreja, todos seus recursos monetários, os benefícios psicológicos do patrimônio material de seus templos, escolas, universidades, hospitais, etc., além do poder político resultante do reconhecimento e o apoio do mundo secular e de todos aqueles que continuam fazendo-se chamar, católicos.

— Bergoglio demandará a aquiescência de todos os católicos por meio de suas ameaças e insultos habituais. Outorgará poderes a seus achegados a nível nacional para castigar a sacerdotes, seminaristas, mestres, professores universitários, et alii, se não se somam ao Novo Paradigma.

— Este afastamento possivelmente só poderá ser sanado através do que os canonistas chamam uma «sentença declaratória» estipulando que Bergoglio é um herege formal obstinado ou pertinaz e que é a causa de seus próprios atos pelo que perde o ofício do papado.

— O dever dos cardeais ficará claro: a Igreja católica não pode funcionar sem um Papa e se verão obrigados a convocar um conclave.

Que forma tomarão as coisas uma vez que se haja realizado o cisma? Seu aspecto poderia elucidar-se extrapolando a situação atual. A imensa maioria do mundo católico, leigo ou clerical, não tem problema algum aceitando o Novo Paradigma ou os novos conceitos de dualidade do Vaticano. A Igreja verdadeira seguirá consistindo de crentes, como sempre tem sido, mas já não terá edifícios. A realidade, aos olhos de Deus, será que o corpo maior consiste do que poderíamos chamar a seita bergogliana. Possuirão toda aparência de legitimidade e serão respeitados, ou quando menos aceitos, pelo mundo quem considerará ao grupo menor de objetores como nécios e «detratores».

A inevitabilidade deste resultado —salvo uma intervenção milagrosa, conversões ou a Parusia— se fez patente a todos aqueles que conhecem a fé desde aquele dia em que Walter Kasper deu sua palestra ao consistório em fevereiro de 2014. Este renomado herege traçou o curso que esta camarilha da «Sankt Gallen Mafia», da qual Bergoglio é um mero instrumento, tem seguido desde então e da qual nenhum de seus membros se tem apartado em absoluto. O Pe. Brian Harrison foi talvez o primeiro em descrever os acontecimentos com claridade; em uma carta a Robert Moynihan o Pe. Harrison adverte

«…da imensidade do perigo iminente e que promete perfurar, penetrar e fender em dois a Barca de Pedro, que ainda hoje se agita pavorosamente em um mar gelado e turbulento.

A pasmosa magnitude da crise doutrinal e pastoral oculta após o palavrório cortês da disputa entre eruditos prelados alemães escassamente se pode exagerar. O que está aqui em jogo é a fidelidade aos ensinamentos de Jesus Cristo que direta e profundamente afetam as vidas de centenas de milhões de católicos: a indissolubilidade do matrimônio».

O Pe. Harrison chega a fazer está predição não em virtude de um poder sobrenatural de clarividência mas simplesmente aplicando seu intelecto à realidade objetiva. A natureza da realidade dita que todo ato tem consequências lógicas inevitáveis. O fato é simplesmente que certos indivíduos querem deixar para trás a Cristo e que nós não podemos segui-los porque amamos a Cristo e não nos separaremos dele.

Agora, é necessário reconhecer que Francisco Bergoglio conta com várias opções e que é possível que as coisas não cheguem até as consequências extremas. Possivelmente estará relutante a encarar uma sentença de heresia; é difícil determinar com certeza, especialmente com a magnitude do que está em jogo, o que algum homem faria. Poderia ceder. É também possível que em um momento dado acedesse a afirmar a fé católica, ao menos publicamente.

Suponho que os cardeais lhe oferecerão a oportunidade de permanecer inativo e em silêncio; esta opção, por si só, seria um bálsamo bendito. Dessa maneira poderiam os cardeais assumir de fato o controle administrativo da Igreja e corrigir seus «erros». Isto quando menos daria fim à menor das crises: a bergogliana. A revolução ficaria, nesse caso, quando menos marcando o passo até que a conspiração encontrasse uma via nova, talvez com outro Papa. Isto, por suposto, faria mais difícil o trabalho de corrigir o problema principal em que Bergoglio é simplesmente o símbolo mais ameaçador.

Outra possibilidade é que cumpra com a ameaça que fez no curso de seu último ataque apoplético de cólera durante o sínodo passado. Nessa ocasião treze cardeais solicitaram com amabilidade que por favor cumprisse com sua promessa de um processo sinodal transparente e aberto; se diz que explodiu em uma xingamento gritando que os «jogaria todos fora». Em que seja esse o caso, os quatro cardeais seriam destituídos do Colégio e o mundo inteiro compreenderia claramente que Bergoglio não se retratará e de que nossas piores apreensões acerca de suas intenções são certas. Ao chegar a esse ponto ficaria a cada qual decidir se é este o homem que deseja seguir.

No entanto, tudo isto, se acaso ocorre efetivamente, pertence a um futuro próximo; devemos esperar para ver se é que Jorge Bergoglio tem ou não os brios para levar a cabo o plano dos revolucionários. Pessoalmente, eu aposto a que sim os tem. Narcisistas de seu calibre poucas vezes se retratam, inclusive por móveis estratégicos. No momento, entretanto, teremos que sofrer sua malícia e seu atrevimento ao rejeitar responder à dubia e continuar seus ataques através de seus chegados.

Nos tem traído até a margem mesma do precipício com uma campanha, meticulosamente orquestrada, de insinuações e ambiguidades, de avanços e retrocessos, de declarações que apenas aludem a heresia denunciável, de ofuscações, de deflexões e mentiras patentes. Suas piores atrocidades —particularmente suas blasfêmias— têm sido introduzidas «extraoficialmente» em comentários feitos «de improviso» em homilias, palestras em algum auditório ou em suas famosas entrevistas, sempre matizadas com uma piscadela e uma cotovelada. Continua, até ontem mesmo, praticando sua comprovada estratégia de permitir a seus subalternos inferir as conclusões pertinentes de suas ambiguidades, como se fossem um grupo de sacerdotes interpretando o oráculo de Delfos.

Isto, por suposto, também indica que o balão se encontra outra vez nas mãos dos quatro cardeais, ao resto de nós não nos resta mais que meter outro lote de pipocas no forno de micro-ondas. Preparar os rosários senhoras e senhores que isto vai longe.

Hillary White (Traducción de Enrique Treviño. Artigo original)

Tradução Frei Zaqueu

Créditos: Frei Zaqueu

Se revive a situação de Mons. Lefebvre e Mons. de Castro Mayer

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Nas vésperas do cisma?

MARCELO GONZÁLEZ

É possível que em breve ocorra um cisma na Igreja. Mas os acusados de cismáticos, como tem ocorrido antes, não serão quem o provoque mas quem o enfrente.

É muito difícil dizer algo sobre a atual situação da Igreja, salvo que é terrivelmente confusa. Uma confusão nascida há pouco mais de 50 anos à vida pública por meio de documentos que em essência incubavam o mesmo problema que agora tem estalado em função da Exortação Amoris Laetitia. Isto é, uns textos que longe de aclarar pontos obscuros, ou reafirmar verdades sabidas, criaram escuridão sobre o que se tinha por claro e definitivo.

Durante muitos anos, décadas certamente, uma grande maioria de católicos amantes da doutrina, mas talvez não suficientemente decididos ou conscientes da gravidade da situação, puseram suas esperanças em duas questões: uma, que o próximo papa corrigiria os abusos de interpretação. Outra, que essas interpretações eram sempre abusos de textos cujo espírito era outro.

A história desses anos é rica em provas contrárias a estas esperanças: os papas que seguiram ao Concílio não corrigiram a raiz dos problemas, ainda quando se fizeram alguns esforços em tal ou qual matéria. Pelo contrário, decidiram emendar o “espírito do Concílio”, ou seja, essas interpretações deliberadamente errôneas, com mais aplicação das ambiguidades conciliares. E em alguns casos, levando estas à prática na pior linha possível: o diálogo inter-religioso é talvez a pior e mais extrema derivação. Hoje termina no escandaloso elogio de Lutero, mas vem dos diversos Assis e pedidos de perdão…

Ainda que Bento viu o problema litúrgico até certo ponto, e atuou com decisão, por um lado seu modo errático e por outro a pressão que não soube resistir terminaram com seu pontificado do modo mais estranho: agora há dois papas que se reconhecem como tais, um passivo e outro ativo. Joseph Ratzinger deveria ser hoje o Cardeal Ratzinger e não o “papa emérito”. Se pode conjeturar um “acordo” para a renúncia nestas tão estranhas circunstâncias? Tudo se pode conjeturar, o problema é prová-lo com certeza. Sem dúvida é um elemento que inquieta.

Hoje, graças a Francisco, essa tolerância à ambiguidade, tão generalizada nos católicos mais fiéis, mas que resistem sempre em ser considerados “tradicionalistas” e assumir esse custo, encabeçam uma resistência crítica muito chamativa e crescente. O feroz embate do papa Bergoglio a questões fundamentais da moral católica, pontos de doutrina revelada, é demasiado. Temos publicado, dos tantos e tantos atos de resistência ao documento mais escandaloso em matéria moral que tenha saído da pluma de um papa, alguns que são a ponta de um movimento subterrâneo que aflora.

As “dubia” dos quatro cardeais são o elemento catalizador. Elas têm feito coalhar outros documentos de crítica enfocados de modo diverso mas que resultam extremadamente incômodos para Francisco. Ele tem decidido calar e seus porta-vozes dão diversos motivos, alguns agravantes para com a hierarquia e os fiéis, outros patéticos por sua falta de solidez. O certo é que um papa NÃO pode negar-se a esclarecer um ponto de doutrina. E o que menos quer fazer Francisco é esclarecer, já que todo seu sedizente  “magistério” é uma sorte de charlatanice de coisas misturadas. Um caudaloso rio de palavras que se afogam umas às outras.

Os cardeais tiveram a simples e evangélica ideia de pedir a aclaração de certos pontos, gravíssimos, da doutrina promovida por Francisco de um modo tão enredado. Simples perguntas de sim ou não. Isto desatou um terremoto que já se começa a mostrar nas fraturas a flor da pele. Não são poucos os que falam de cisma. É curioso: as mesmas circunstâncias, com diferenças evidentes, têm produzido as mesmas reações que há 40 anos produziu o tradicionalismo, liderado por Mons. Lefebvre. Os críticos apelam à Tradição, os oficialistas respondem com palavras de agravo e ameaças. Acusam de “cisma”. Sustentando argumentos insustentáveis: o “magistério” de Francisco não se aparta um ápice da doutrina… A diferença, neste caso, é que a reação da hierarquia tem passado a ser a de muitos mais que um punhado de bispos, como nos tempos de Mons. Lefebvre e Mons. de Castro Mayer.

Esta reação é quiçá o disparador de uma mais profunda, que revise não só estes pontos

doutrinais, senão muitos outros, assim como a terrível crise litúrgica, que tem sido um componente essencial na perda de fé e a debilidade de costumes dos católicos nas últimas décadas.

Para alguns, mais que um cisma que se vai materializando, é um que permanecia sufocado pela imposição de um clero em que a grande maioria de seus membros já perdeu a fé ou apenas tem vagas ideais do que ela implica, que ignora o catecismo básico e tem uma ideia absolutamente deformada do que é o culto divino. E em consequência os fiéis estão sumidos na mais obscura confusão, afastados dos sacramentos eficazes, sem sentido da Fé.

A batalha se perfila e talvez se desate antes do que se espera. Espera-se um documento de “correção fraterna” de parte de bispos e cardeais se Francisco persiste em seu silêncio ou confirma suas doutrinas heterodoxas. Os teólogos e canonistas mais clássicos, fundados na doutrina tradicional, sustentam que “a Igreja” pode julgar um papa só em matéria de Fé. E esse juízo pode concluir em uma deposição de seu cargo por heresia formal. Não há deposição ipso fato, sem antes um juízo da Igreja.

É muito difícil imaginar as consequências de um ato tão pouco frequente e não obstante tão enraizado na Tradição da Igreja, já que a primeira “correção” que sofreu um papa foi a que o Apóstolo São Paulo fez ao papa São Pedro quando quis judaizar (com as melhores intenções) ou seja, tratou de impor aos gentios costumes que não estavam já em vigência após a fundação da Igreja para não escandalizar aos conversos de origem judia.

Tudo isto à luz de Fátima.

Podemos chamar-nos ditosas testemunhas de feitos terríveis e extraordinários. Muito mais que o milagre do sol. Sob condição de não ceder às tentações de escândalo, às instâncias da ansiedade ou a estima excessiva do juízo próprio. Isto o lograremos somente se vivemos no espírito de Fátima: confiança, entrega, sacrifício e oração, muito especialmente, o Santo Rosário.

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Fonte: http://panoramacatolico.info/articulo/en-visperas-del-cisma

Créditos: Fr. Zaqueu

O Cardeal Burke está fora da Congregação para o Culto Divino na nova composição de seus membros

Misericordiae Vultus aplicada

burke

Roma – 23 nov, 2016 – O ofício do Vaticano que lida com assuntos relacionados com as práticas litúrgicas da Igreja Católica confirmou que o Papa Francisco decidiu não renovar os termos de vários de seus bispos-membros, muitos dos quais são conhecidos por inclinar-se a uma prática mais tradicionalista da liturgia.

O Papa Francisco tinha nomeado 27 novos bispos para servir como membros da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em 28 de outubro. Mas o anúncio das nomeações não deixou claro se os termos dos membros anteriores tinham sido renovados.

A congregação já postou uma lista completa de seus membros atuais em seu site . A lista deixa claro que o papa não quis renovar os termos de 16 membros da congregação, incluindo o do EUA, Cardeal Raymond Burke, o cardeal australiano George Pell, e o chefe da Congregação do Vaticano para os Bispos, cardeal canadense Marc Ouellet.

Cada uma das congregações do Vaticano é composta por membros Cardeais e Bispos, que viajam frequentemente a Roma para ajudar nos ofícios em seu trabalho.

A confirmação da congregação sobre a composição de seus membros atual foi relatada pela primeira vez por The Tablet . De acordo com a lista on-line, a congregação tem agora 40 membros. Ele já tinha tido 31.

Fonte: https://augustobezerra.wordpress.com/2016/11/23/o-cardeal-burke-esta-fora-da-congregacao-para-o-culto-divino-ed1/

A FESTA NA CASA DE BABETE

babete

 

Pe. Marcélo Tenorio

 

Desde o início de seu Pontificado, Francisco apresenta-se como um Papa diferente de todos os demais. Mas não diferente naquilo que é periférico, nos costumes, no gestual. Leão XIII, com sua forma meio interiorana e desajeitada;

Pio XI, autoritário, Pio XII, majestático, místico…

 

Mas com Francisco, a diferença é na essência e aí está a gravidade de tudo. Mesmo o seu gestual aponta o seu pensamento subjetivo e suas ações vão destruindo a simbologia católica que indica a verdade objetiva sobre Deus, a

Igreja e o homem.

 

Vimo-lo inclinado, na sacada da Basílica, para o povo. Pedia ao povo uma bênção, cuja fonte primeira reside na pessoa do próprio Vigário de Cristo, e faz parte do seu Sagrado e Tríplice Múnus: Governo, Ensino e Santificação.

 

A partir daí o veremos sempre inclinado…ao mundo. Ao pensamento do homem. Poderemos dizer, com certeza, que Francisco é a personificação do documento Gaudium et Spes do Vaticano II, mas já nas conseqûencias mais profundas

da letra e do espirito mesmo. A Gaudium et Spes é o documento conciliar, reconhecido pelo próprio papa Bento XVI como o “anti Syllabus”.

 

“Contentemo-nos aqui com a comprovação de que o documento desempenha o papel de um anti-Syllabus, e, em conseqüência, expressa a intenção de uma reconciliação oficial da Igreja com a nova época estabelecida a partir do ano

de 1789.” (Cardeal Joseph Ratzinger, Teoria dos Princípios Teológicos, Editorial Herder, Barcelona, 1985, pág. 457-458).”

 

Podemos assim definir Francisco: O papa do “Anti- Syllabus.”

 

Do gestual à prática ou da prática ao gestual. Já como cardeal, era comum Bergóglio frequentar reuniões protestantes, recebendo, ajoelhado, a bênção de pastores. Ora na mesquita, ora na sinagoga. E se seu gesto lembra o dos

papas conciliares, sua prática ecumênica consegue ir além: relativa a Verdade para valorizar acima de qualquer coisa o que é humano. Foi no andor de seu humanismo que Lutero triunfou no Vaticano, entrando pelo lado do Santo Ofício, numa estátua que foi colocada no auditório Paulo VI, escândalo sem precedentes na história.

 

Suas falas e seus escritos mostram todo o seu pensamento fundamentado no subjetivismo da fé. Não é linear e como consequência, a dúvida e a confusão. Nunca a Sala de Imprensa trabalhou tanto como agora, pois sempre deve explicar no reto o que o papa falou no esférico. Tentativa praticamente impossível e o resultado é o que temos. Quando um Papa, respondendo às acusações de heterodoxo, graceja que poderia tranquilamente fazer uma Profissão de Fé, é porque o mercúrio já estourou o termômetro.

 

A missão primeira do papa é nos confirmar na Fé. Para isso ele existe. Para isso o Ministério Petrino: afastar o erro e fazer resplandecer sempre a Verdade Católica. Nosso Senhor não entregou as chaves a Pedro para a confusão, mas para a preservação do rebanho de todo erro e de todo mal. A autoridade do papa está ligado à Verdade que ele deve cuidar e defender com a própria vida. E nesse caso a ação de um papa imoral ( e nos lembremos aqui de Alexandre VI) é bem menos grave do que quando um papa age obscurecendo a verdade católica ou favorecendo à heresia. E, voltando a Alexandre VI, o curioso é justamente nada encontrar contra a Santa Doutrina em seus pronunciamentos, apesar de sua vida devassa e pecaminosa.

 

Fomos surpreendidos com a atitude corajosa e pastoral de quatro cardeais que escreveram ao Papa pedindo-lhe esclarecimento sobre pontos do documento “Amoris Laetitia. Essa prática é rara, mas não estranha. Quando um Pontífice ensina notadamente um erro, ou algo não claro sobre a Fé, pelo bem das almas, o colégio dos cardeais pode interpelar ao papa sobre o assunto e o papa, por dever de estado, tem a obrigação em responder, esclarecendo, sanando dúvidas, ou até voltando atrás em

seus posicionamentos. Caso o Papa se recuse em fazê-lo, os mesmos cardeais, podem publicamente, declarar que há erros no ensinamento papal.

 

Os cardeais Walter Brandamuller, Raymond Burke, Carlo Cafarra e Joackim Meisner assim prosseguiram. Elencaram ao Papa Francisco vários pontos preocupantes em seu Documento AL e pediram, respeitosamente, da parte de Bergóglio, um esclarecimento. Notem que não se trata aqui de simples leigos, padres, ou até mesmo bispos, embora qualquer um batizado pode interpelar o Santo Padre. Tratam-se de Cardeais, de Príncipes da Igreja, que têm a missão – em comunhão com o Papa – de cuidar das coisas da Fé.

 

Resultado: O Papa Francisco não quis responder as interpelações cardinalícias e os eminentíssimos cardeais foram informados disso que sua carta ficaria sem resposta.

 

Mas por que o Papa não quis responder aos cardeais, ele que responde e se comunica com todo mundo, que dá entrevistas e mais entrevistas, que faz ligações telefônicas para conversar com este e aquele? Por que se negar ao Diálogo, ao importante diálogo, com os de dentro e que estão preocupados com Barca de Pedro, quando ele mesmo defende diálogo até com estado islâmico? A verdade é que Francisco não quer dialogar, quer executar. E aqui já não age como um simples “Bispo de Roma”, mas com toda autoridade que lhe foi concedida pelo Ministério Petrino.

 

Em tempos midiáticos, já se titulou João XXIII como o BOM, João Paulo II, como o GRANDE e Francisco, como o HUMILDE. Suas atitudes, após eleição, levaram-no a esta consagração popular. Despojou-se do trono papal, colocando no lugar uma cadeira. Despojou-se das vestes papais (murça, sapatos, estola petrina…). Despojou-se do solene isolamento, indo apertar as mãos do povo no Portão Sant´Ana… Despojou-se do palácio apostólico, indo morar num dos quartos da Santa Marta…

 

Mas a humildade é a consciência de si. E como dizia Sta. Teresa, ” Humildade é a Verdade”. Que bela atitude de despojamento, teria sido o acolhimento aos quatro cardeais, falando-lhes abertamente, num chazinho da tarde, em

qualquer cantinho simpático de seus aposentos…Já que Sua Santidade não gosta de formalidades, nem de protocolos, nem tão pouco de muros, seria uma bela oportunidade para um diálogo, um bom diálogo, frente a frente… São tantas as pessoas, de fora, que

conseguem isso de Francisco… e por que não, e sobretudo eles, os cardeais?

 

Mas a verdade é que Francisco respondeu. Mas não aos cardeais. Respondeu à mídia, ao Avvenire que o entrevistou. E, não pontuando as colocações respeitosas e profundamente teológicas que lhe foram colocadas pelos cardeais.

Respondeu de forma rápida, jocosa, com frases de humanidades:

 

FRANCISCO: “Fazer a experiência vivida do perdão que abraça toda a família humana é a graça que o ministério apostólico anuncia. A Igreja existe apenas como instrumento para comunicar aos homens o desígnio misericordioso de Deus. A Igreja sentiu no Concílio a responsabilidade de ser no mundo como que o sinal vivo do amor do Pai. Com a Lument Gentium retornou às fontes da sua natureza, ao Evangelho. Isso mudou o eixo da concepção cristã de um certo legalismo, que pode ser ideológico, à Pessoa de Deus, que se fez misericórdia na encarnação do Filho. Alguns — pensa a certas réplicas a Amoris Lætitia — continuam a não compreender — ou branco ou preto — que também é no fluxo da vida que se deve discernir….”

 

AVVENIRE: Há quem pense que nestes encontros ecumênicos se queira vender a preço baixo a doutrina católica. Alguém já disse que se quer “protestantizar” a Igreja.

 

FRANCISCO: Não me tira o sono. Eu continuo na estrada de quem me precedeu, continuo o Concílio. Quanto às opiniões, é preciso sempre distinguir o espírito com o qual são ditas. Quando não tem um espírito ruim, ajudam a caminhar. Outras vezes se vê de cara que as críticas se fazem aqui e ali para justificar uma posição já assumida, não são honestas, são feitas com espírito ruim, para fomentar a divisão. A gente vê logo que certos rigorismos nascem de uma falta, nascem da vontade de esconder dentro uma armadura, a própria e triste insatisfação. Vejam o filme “A festa de Babete”, ali há este comportamento rígido.

 

Após toda esta questão conflitosa, o papa, que não gosta de ser contraposto, cancelou o encontro com o Colégio dos Cardeais, encontro de praxe antes dos consistórios.Nesse encontro prévio é o momento em que o Papa escuta os cardeais e lhes pede opiniões . É de fato mais um ato incomum que acontece.

 

E se a barca de Pedro parece-nos afundar, em vez de corrermos, com baldes, para tirarmos a água que se acumula, somos convidados para uma Festa. A festa na Casa de Babete….

 

Profissão de fé de São Pedro Canísio S.J.:”Abomino Lutero, detesto Calvino, amaldiçoo todos os hereges”.

odeio

São Pedro Canísio S. J. (1521-1597), nascido em Nimega (Holanda), foi o primeiro jesuíta da província alemã da Companhia de Jesus.

É considerado pela Igreja como o segundo mais importante apóstolo da fé católica na Alemanha, após São Bonifácio.

Foi apelidado “Martelo dos Hereges” pela clareza e eloquência com que criticava as posições dos cristãos não católicos. Foi canonizado e proclamado Doutor da Igreja pelo Papa Pio XI em 1925.

Assim reza a Profissão de fé do santo e douto jesuíta:

Professo diante de Vós a minha fé, Pai e Senhor do Céu e da terra, Criador e Redentor meu, minha força e minha salvação, que desde os meus mais tenros anos não cessastes de nutrir-me com o pão sagrado da vossa Palavra e de confortar o meu coração.

A fim de que eu não vagasse, errando como as ovelhas transviadas que não têm pastor, Vós me congregastes no seio de vossa Igreja; colhido, me educastes; educado, continuastes a me ensinar com a voz daqueles Pastores nos quais Vós quereis ser ouvido e obedecido como em pessoa pelos vossos fiéis.

Confesso em alta voz, para a minha salvação, tudo aquilo que os católicos sempre acreditaram de bom direito em seus corações.; não quero ter nada em comum com eles, porque não falam nem ouvem retamente, nem possuem a única regra da verdadeira Fé proposta pela Igreja una santa católica apostólica e romana.

Uno-me, em vez disso, na comunhão, abraço a fé, sigo a religião e aprovo a doutrina daqueles que ouvem e seguem a Cristo, não apenas quando ensina nas Escrituras, mas também quando julga pela boca dos Concílios Ecumênicos e define pela boca da Cátedra de Pedro, testemunhando-a com a autoridade dos Padres.

Professo-me também filho daquela Igreja romana que os ímpios blasfemos desprezam, perseguem e abominam como se fosse anticristã; não me afasto de nenhum ponto de sua autoridade, nem me recuso a dar a vida e derramar o meu sangue em sua defesa, e creio que os méritos de Cristo podem obter a minha salvação e a de outros somente na unidade desta mesma Igreja.

São Pedro Canísio S.J. col priv. O segundo maior apóstolo da fé católica na Alemanha.
São Pedro Canísio S.J. col priv.
O segundo maior apóstolo da fé católica na Alemanha.

Professo francamente, com São Jerônimo, de ser unido com quem é unido à Cátedra de Pedro, e protesto, com Santo Ambrósio, seguir em todas as coisas aquela Igreja romana que reconheço respeitosamente, com São Cipriano, como raiz e mãe da Igreja universal.

Confesso essa Fé e doutrina que aprendi ainda criança, confirmei na juventude, ensinei como adulto, e que agora, com minha força débil, defendi.

Ao fazer esta profissão, não me move outro motivo senão a glória e honra de Deus, a consciência da verdade, a autoridade das Sagradas Escrituras, o sentimento e o consenso dos Padres da Igreja, o testemunho de fé que devo dar aos meus irmãos e, finalmente, a salvação eterna que espero no Céu e a felicidade prometida aos verdadeiros fiéis.

Se acontecer de eu vir a ser desprezado, maltratado e perseguido por causa desta minha profissão, considerá-lo-ei uma graça e um favor extraordinários, porque isso significará que Vós, meu Deus, me destes a ocasião de sofrer pela justiça e não quereis que me sejam benevolentes aqueles que, como inimigos declarados da Igreja e da verdade católica, não podem ser vossos amigos.

No entanto, perdoai-os, Senhor, porque, instigados pelo diabo e cegados pelo brilho de uma falsa doutrina, não sabem o que fazem, ou não querem saber.

Concedei-me, contudo, esta graça: de que na vida e na morte eu renda sempre um testemunho autêntico da sinceridade e fidelidade que devo a Vós, à Igreja e à verdade, que não me afaste jamais do vosso santo amor, e que esteja em comunhão com aqueles que Vos temem e guardam os vossos preceitos na Santa Igreja romana, a cujo juízo, com ânimo pronto e respeitoso, eu me submeto e toda a minha obra.

Todos os santos, triunfantes no Céu ou militantes na terra, que estais indissoluvelmente unidos no vínculo da paz na Igreja Católica, mostrai a vossa imensa bondade e rezai por mim.

Vós sois o princípio e o fim de todos os meus bens; a Vós sejam dados, em tudo e por tudo, louvor, honra e glória sempiterna. Amém.

(Fonte: Pe. Benigno Hernández Montes, S.J. (1936-1996), “San Pedro Canisio, autobiografia y otros escritos”, Editorial Sal Terrae, Santander, 2004, 366 páginas. Cfr. páginas 121 e 122. Link: CLIQUE AQUI)

Nota do Autor: 97. Esta profissão de fé foi impressa por Canísio em vários de seus livros a partir de 1571, ano em que a publicou por vez primeira em sua Summa doctrinae christianae.

As principais razões desta pública profissão da fé foram que em 1568 espalhou-se em algumas regiões que Canísio tinha ficado protestante e que alguns de seus adversários (como Felipe Melanchton, João Marbach e João Gnyphaeus) afirmavam em seus livros que Canísio defendia a doutrina católica malgrado saber que era falsa.

Nesta belíssima página Canísio manifesta sua firmeza na fé católica, sua adesão inquebrantável à Igreja de Roma e ao Sumo Pontífice, seu rechaço frontal do protestantismo e a disposição a dar sua vida pela Fé católica. (id. ibid., p. 121)

Também em italiano: Corrispondenza Romana, 13 gennaio 2016 – 12:08.

Fonte : http://lumenrationis.blogspot.com.br/2016/11/profissao-de-fe-de-sao-pedro-canisio-sj.html?m=1#.WBkiHuM7H_Y.facebook