Um discípulo do Pe. Amorth fala amplamente sobre exorcismos

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Tradução Frei Zaqueu

(freizaqueu@gmail.com)

Em setembro nos deixava o Pe. Gabriele Amorth, exorcista da diocese de Roma. Providencialmente contatei com um de seus discípulos, o Pe. Ricardo Ruiz Vallejo, exorcista mexicano, formado aos seus pés e que foi absorvendo através dos anos sua sabedoria e experiência. Um testemunho riquíssimo que compartilha conosco para a glória de Deus e a salvação das almas. É importante estar bem formado, segundo ensina a Tradição da Igreja, e ter as ideias claras em um tema que se presta tanto ao sensacionalismo, à confusão e ao erro.

Como nasceu sua vocação como exorcista?

Desde 1994 viajava periodicamente a Valência para visitar famílias e grupos de oração. Surgiu um caso de possessão e convidei o exorcista de Paris, o Pe. René Chenesseaux, Fundador da Associação Internacional de Exorcistas, a ocupar-se do mesmo. Eu atuava só de intérprete tradutor para os exorcismos e tinha contatos com o Arcebispo de Valência, Mons. Agustín García-Gasco. O Pe. René, já maior, se sentiu cansado de vir de Paris e me propôs de me ocupar ora em adiante dos casos que surgissem. Mons. Agustín García-Gasco, de comum acordo com meus superiores, decidiu enviar-me a Roma a cada 3 ou 6 meses, para receber formação teórica e prática com o exorcista da cidade eterna, o Pe. Gabriel Amorth.

Qual é a principal função de um exorcista?

O exorcista é antes de tudo sacerdote, pastor, portanto sua principal tarefa é levar as almas à conversão, à graça e melhora de vida. Sua ação como exorcista é ajudar às almas atacadas pelo maligno impedindo de melhorar suas vidas, não se converter e não avançar na vida espiritual. O exorcismo é só uma oração a mais que não molesta a ninguém, mas que é específica. Seu fim não é só liberar do demônio mas também aliviar dos ataques e sofrimentos que causa, já que há gente que não é liberada, contudo os exorcismos lhe ajudam muito e dão consolo para seguir o caminho do cristão com sua cruz.

Quando é necessário fazer um exorcismo?

Quando se esgotaram as possibilidades de que seja uma doença física ou psíquica, foram feitos exames e não há origem natural patológica do padecimento. A isso se agregam situações anormais, fenômenos estranhos sem explicação natural, rejeição ao sagrado, impossibilidade de poder rezar e/ou algumas experiências de vida em seitas, magia, espiritismo, cartomancia, satanismo ou curandeirismo. Então está bastante claro que se necessitam orações.

Que nos diz a Igreja sobre o demônio e suas diferentes formas de atuar?

A doutrina da Igreja é clara. A existência de Lúcifer é um dogma de fé e é inseparável da existência de Deus. Lúcifer aparece na Bíblia do Gênesis ao Apocalipse. A teoria modernista de alguns “teólogos” modernos ou “biblistas” de vanguarda que afirmam que Lúcifer é só um símbolo para representar o mal, está claramente condenada pelo Magistério infalível da Igreja. O Demônio costuma atacar de três maneiras: por infestação, significa sua ação sobre lugares, casas ou objetos, por obsessão, que consiste em atacar a pessoa fisicamente, com doenças reais ou aparentes, sensações, sentimentos, odores, ruídos, pensamentos, imaginações e tudo isto de uma maneira obsessiva, como a obsessão de suicídio, de vícios ou de qualquer má tendência que saia do normal e seja patológico.

A terceira é a possessão diabólica, que consiste em que o espírito maligno toma possessão física da pessoa e controla seu corpo, isto não quer dizer que seja de maneira contínua, nem que a pessoa o saiba, há muitos casos nos que a pessoa afetada não sabia que tinha possessão. É o especialista na matéria quem deve diagnosticar se há possessão ou não. Não é qualquer pessoa que pode discerni-lo, tampouco qualquer um tem a preparação para sabê-lo. Há inclusive alguns exorcistas com pouca experiência e pouca preparação na matéria que se têm equivocado ao fazer este diagnóstico. É importante saber que o demônio possui o corpo, mas nunca a alma, nem pode tocar a vontade da pessoa.

São mais frequentes as obsessões e infestações que as possessões?

Os casos de possessão, em proporção, são poucos. O Pe. Gabriel Amorth dizia que segundo sua própria experiência de cada 100, só 10 ou 8 eram de possessão. Deus permite os sofrimentos e ataques do demônio em nossas vidas como parte de nossa purificação e aperfeiçoamento da virtude, como o caso de Jó, ou o de Tobias: “Porque foste agradável a Deus, foi necessário provar-te.” Não existe nenhum Santo na história da Igreja que não tenha padecido ataques do demônio por obsessão ou infestação no caminho da santidade. Santa Teresa dizia que “estava tão acostumada a ver demônios que lhe molestavam menos que as moscas.”

Que consequências costumam ter (relação com os suicídios por exemplo) e outros males?

Em certas ocasiões algumas pessoas que não creem na existência de satanás, ao ver que têm pensamentos obsessivos que lhes põem em extrema ansiedade, imaginações

obsessivas ou sentir algo em seu corpo que não podem explicar e que sai totalmente do normal, preferem pensar que estão se tornando loucos a aceitar a possibilidade de que existem os demônios e o mundo das trevas. Para esses a opção mais fácil e simples é a solução do suicídio, antes que viver como um “louco”. A ideia do suicídio simplesmente aparece como uma obsessão diabólica. O Pe. Gabriel Amorth nos disse que em várias ocasiões escutou os demônios dizerem durante os exorcismos: “Ah! que bom, quanta gente consegui convencer de suicidar!”

Não se sabe como tratar estes casos, que por suposto causam muitos outros males. Vemos gente totalmente drogada com medicamentos e que não podem ter uma vida normal porque ninguém crê na possibilidade de que a pessoa esteja sendo atacada pelo demônio. Famílias divididas e destruídas por causa de influências demoníacas, como invejas fora do normal, pessoas com obsessão de malícia sempre pensando mal dos que lhes rodeiam, que estão “maquinando contra eles”, que ninguém lhes quer, veem ódio e más intenções por toda parte de uma maneira obsessiva. Tudo isto destrói a união, as amizades e as boas relações no trabalho.

Conte-nos da Ouija e outras práticas demoníacas e dos perigos que acarretam…

Toda superstição está proibida pela Igreja porque nos faz mal, nos põe em perigo e posteriormente é muito difícil sair disso. A ouija, o espiritismo, as cartas, o curandeirismo e outras magias têm trazido graves problemas e foi preciso realizar exorcismos ou orações em muitos casos. Não é prova de autenticidade o ouvir a voz do avô ou alguma pessoa falecida que nos dá uma “mensagem” por um Médium, já que os demônios têm a capacidade de saber coisas ocultas de nossas vidas e de nossos familiares vivos ou mortos. Têm inclusive a capacidade de saber imitar com perfeição a voz de defuntos e pessoas vivas. Tem havido também casos muito graves de possessão pela superstição aparentemente ingênua, com aparência de bem, de invocar as graças do céu com bailes, aplausos frenéticos, tremedeiras no chão em um suposto “descanso no Senhor”, imposição de mãos por qualquer tipo de pessoas que, sem saber os afetados, eram pessoas que ao mesmo tempo que vão à igreja e à Missa, praticavam Reiki, magia, curandeirismo, cartas e xamanismo.

Que influência tem o demônio na sociedade e na política?

Alguns têm comentado que aí onde se aprova o aborto por lei, ou alguma lei anticristã, há mais demônios presentes, e aos milhares, que em qualquer outro ato do maligno. Evidentemente, uma lei que legaliza e normaliza o mal permite muitos milhares de males para a sociedade. Há testemunhos de ex-bruxos que afirmam que o provocar abortos com toda premeditação e com a grande tecnologia que têm a sua disposição é tido como um ritual obrigatório para iniciar-se no satanismo.

Podia contar algum caso impactante que demonstre que o demônio existe?

Há o caso de um homem na França, que desde os 6 anos foi ensinado por sua avó a fazer magia negra. Não era cristão, chegou a ser um empresário muito rico. Aos 30 anos se converteu ao catolicismo e começou mais tarde a ter como que ardores ou queimaduras em seu estômago. Acreditava-se que era um câncer, mas depois de todo tipo de exames os médicos ficaram surpreendidos de não encontrar nenhuma patologia física e lhe disseram: “Seu caso não é para nós mas para um sacerdote.” O caso foi confiado ao

Padre Mateus de Besançon, um capuchino exorcista que tinha grande fama e vinham vê-lo de muitos países da Europa. Como bom teólogo e homem de prudência, enquanto escutou a história de sua vida lhe disse: “Não tenho nenhuma dúvida que em seu caso se trata claramente de uma possessão.” Um sinal muito claro era que cada vez que lhe davam a absolvição na confissão, a dor e o ardor de seu estômago desapareciam imediatamente.

Foram feitos ao menos 19 exorcismos e não sucedeu absolutamente nada. No exorcismo número 20 o homem entrou em coma, perdeu a consciência e atirado ao chão lhe saíam líquidos por várias partes de seu corpo simultaneamente. Tinha uma força sobre-humana, tiveram de chamar quatro guardas civis, o prefeito e o pároco “que não acreditava nessas tolices”. Os quatro guardas e o prefeito puseram-se sobre o corpo do afetado para tentar subjugá-lo e controlá-lo. Ao primeiro sinal da cruz o homem começou a elevar-se no ar, subir até quase tocar no teto da habitação com todos esses homens em cima, todos voando literalmente e movendo suas pernas que gesticulavam no ar enquanto gritavam ao Padre Mateus: “o que é que está acontecendo aqui!? O homem desceu lentamente com todos esses homens em cima até o chão. Terminou o exorcismo e se acreditou que já estava liberado, mas teve que continuar com exorcismos durante vários anos. Se fez uma Missa depois do exorcismo para dar graças. Os guardas, o prefeito e todo mundo se confessou e comungaram por causa do impacto do sucedido. O incrédulo pároco do povoado já não teve dúvidas de que os diabos eram reais…

Aqui se dão vários aspectos para nosso ensinamento. Se o Padre Mateus tivesse sido um exorcista sem experiência, sem teologia nem prudência, como há alguns; não tivesse tido a paciência de perseverar e seguir fazendo 20 exorcismos apesar de não ter passado nada de nada! Há alguns exorcistas com pobre formação e pouca experiência que afirmam que se fazes um exorcismo e não passa nada isso quer dizer que não há nenhum problema e nem muito menos possessão… um desses exorcismos foi gravado e tornado público pela televisão da Suisse Romande, que se encontra em arquivo disponível com o nome de “Profession Exorciste”1.

Existem então exorcistas, sem formação e experiência, que não cumprem com sua missão?

Por desgraça, na realidade da Igreja atual e no passado também se podem dar casos assim. Todo sacerdote pelo fato de sê-lo possui o poder de exorcizar, mas não todo sacerdote tem a formação ou a ciência requerida para isso. É também necessário ter o dom, já que muitos sacerdotes têm muito medo ou insegurança para exercer esse ministério. Alguns tentam substituí-lo com temeridade e presumindo que têm muita ‘valentia’, mas isso é muito perigoso já que para enfrentar a satanás se necessita humildade verdadeira e não só “uma permissão” que não supõe necessariamente a preparação e o dom. Há um testemunho único e muito impressionante na história da Igreja de São Gregório Magno, Padre da Igreja: “O único caso de possessão diabólica de um sacerdote que conheci, foi porque era um sacerdote soberbo.” Por desgraça há alguns bispos que nomeiam exorcistas sem preocupar-se destes aspectos e isso tem tido como resultado graves erros e fieis escandalizados porque fizeram umas práticas de magia supersticiosa com eles e que nada têm a ver com o Ritual Romano para exorcismos. É verdade que o poder o tem o sacerdote com permissão do bispo também e que terá sua força, mas se não se vigiam

os outros aspectos requeridos ainda que tenha o poder se cometerão graves erros e alguns irreparáveis.

Falemos do modernismo na Igreja e as dificuldades que põem a seu trabalho…

O mesmo Padre Gabriel Amorth teve grandes dificuldades com os bispos e clero que não crê ou lhe custa aceitar ou que o diabo existe ou essas coisas dos exorcismos. Um amigo de uma diocese espanhola, que tem profunda formação na matéria e experiência, teve alguns casos que necessitavam provavelmente de exorcismos. Ele solicitou permissão ao seu bispo que lhe respondeu: “Sabes que não creio nessas tolices, por isso não me peças permissão que não a darei!”

O modernismo, denunciado pelo Papa São Pio X, como uma doutrina que já se infiltrou em muitos âmbitos da Igreja, não deixa possibilidade de defender-se nem atacar ao demônio com os meios que Jesus Cristo nos deixou nos sacramentais, já que o considera uma “realidade do passado” ou um símbolo do mal e não uma pessoa angélica que caiu no abismo voluntariamente.

Por que a Devoção à Santíssima Virgem é um grande remédio contra o demônio?

A Virgem Maria tem um papel importante nos exorcismos. Desde o Gênesis quando se promete a redenção a Adão e Eva se profetiza que Ela esmagará a cabeça de satanás. Isto o podemos ver já que nos exorcismos os demônios nunca podem pronunciar seu nome, sempre que se referem a Ela o fazem com medo e com um “ela”, “essa” o “esta”. Há toda uma lição da missão teológica da Virgem Maria para esmagar a cabeça de satanás que costumo expor, mas isso é um capítulo à parte dada sua extensão em matéria e tempo.

Evidentemente uma alma e uma família que reza sempre o Rosário dado pela Santíssima Virgem a São Domingos, é muito difícil que o demônio lhes possa tocar. Tenho visto casos de ataques diabólicos que se solucionaram sobretudo pela força da recitação do Rosário. Não existe demônio que possa suportar uma família ou pessoa que tenha sempre esta devoção à Virgem Maria. A prática respeitosa dos dez mandamentos, os sacramentos, especialmente a Santa comunhão, a Missa e a frequente confissão são a maior proteção contra as forças diabólicas. Quando os demônios querem perder ou possuir uma pessoa o primeiro que fazem é apartá-la dos sacramentos e da oração.

O senhor teve a graça de conhecer o Padre Amorth… Poderia fazer uma brevíssima descrição dele, de suas virtudes, seu exemplo e seu legado como exorcista?

Tive da benção de estar em contato com ele e com seus mais íntimos colaboradores até o momento de me despedir em seu funeral há apenas um mês. Era um homem antes de tudo de profunda oração, muito simples, muito direto e sem diplomacias para dizer a você o que tinha a lhe dizer, muito humano e próximo, mas ao mesmo tempo sempre enfocava tudo desde o ponto de vista sobrenatural. De uma personalidade muito forte e ao mesmo tempo fortemente paternal. Nos sentíamos como se estivéssemos falando com nosso próprio pai. Ainda ressoam suas palavras em meus ouvidos quando o recordo, pois ao ver-me me dizia sempre “Il mio figlio!” Tinha uma grande autoridade moral e isso lhe serviu para enfrentar-se a alguns bispos e superiores que não acreditavam ou desacreditavam de seu trabalho como exorcista. Todas estas qualidades o levaram a saber tocar adiante a Associação Internacional de Exorcistas e não haverá quem o substitua como exorcista e fundador com tais qualidades e virtudes.

O que mais me tem beneficiado dele tem sido sua fortaleza tão grande espiritualmente falando, sua experiência de anos na matéria, mas sobretudo essa segurança absoluta que transmitia e dava, tanto na doutrina como no momento de enfrentar o demônio com tanta serenidade e prumo ao mesmo tempo. Todas estas qualidades vividas durante anos a seu lado me dão muita segurança e principalmente proteção se se é fiel ao que ele te transmitiu.

NOTA: Qualquer pessoa que necessite ajuda e queira consultar algo com o sacerdote pode fazê-lo através de seu correio: edisanjo2016@gmail.com. Terá prazer em atendê-los.

Javier Navascués

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Fonte: http://adiantelafe.com/discipulo-del-p-amorth-fala-fondo-exorcismos/

Créditos: Airton Vieira de Souza

A revolução chega à Vida Contemplativa

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Por Marian T. Horvat

Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

A última Constituição Apostólica de Francisco sobre as monjas de vida contemplativa é muito mais revolucionária do que pode parecer à primeira vista. Talvez por isso não tenha recebido a atenção que merece por parte dos meios de comunicação católicos, que por geral evitam informar sobre os frutos mais destrutivos do Vaticano II.

Sob o título de Vultum Dei Quaerere, o documento exige que as religiosas das ordens contemplativas de todo o mundo revejam os regulamentos de seus estilos de vida e reescrevam suas constituições para ajustarem-se melhor às diretrizes do Vaticano II e às mudanças dos tempos modernos. O comunicado da imprensa do Vaticano admite claramente que Vultum Dei Quaerere é uma “convocação para fazer mudanças” em doze áreas da tradição monástica, desde a vida claustral ao ascetismo. A longo prazo, será uma reestruturação completa das ordens religiosas contemplativas.

O documento é breve, com apenas 21 páginas, se levarmos em conta a prolixidade de outros documentos de Francisco. Apesar de muitas afagos e elogios à vida contemplativa, a voz de Vultum Dei Quaerere quer ser clara: todas as religiosas católicas das comunidades contemplativas — e isso significa absolutamente todas: as de clausura, as de semi-clausura, as que se dedicam sobretudo à oração, etc. — devem “adaptar-se” oficialmente ao programa do Vaticano II e participar ativamente na adaptação ao mundo moderno.

Não há exceções ou escusas como “estamos seguindo o carisma especial da ordem”. O movimento à centralização e modernização tem o mandato do próprio Sumo Pontífice e se aplica a todas as ordens que estão sob sua jurisdição, incluindo as instituições contemplativas femininas dos tradicionalistas — as vinculadas à Fraternidade São Pedro, ao Instituto de Cristo Rei, ao Instituto do Bom Pastor e, em breve, às que dependem da Fraternidade São Pio X, quando oficializar-se com Roma.

Francisco começa ditando acentuadamente que a Vultum Dei Quaerere derroga e se sobrepõe a todos os documentos anteriores que fixam as normas que regem a vida das mulheres religiosas contemplativas, incluindo o Código de Direito Canônico de 1983. Para que tudo fique mais claro que o cristal, o pontífice enumera especificamente os documentos mais relevantes, começando com a Constituição Apostólica Sponsa Christi (1950), de Pio XII, até a Instrução Verbi Sponsa (1999), sobre a vida contemplativa e a clausura das monjas.

Assim sendo, com uma só canetada, Francisco ordena que:

  1. Todas as mulheres contemplativas de ordens religiosas devem revisar seus objetivos e reescrever suas constituições para estarem mais de acordo com o Vaticano II;
  1. Todas as últimas normas e regulamentos que regem a vida contemplativa, incluindo as do Direito Canônico, devem ser anuladas;
  1. As mulheres contemplativas das ordens religiosas devem submeter-se incondicionalmente à Vultum Dei Quaerere e aguardar qualquer outro conjunto de diretrizes no futuro.

Essas novas constituições das ordens religiosas, uma vez adaptadas às novas diretrizes — que ainda serão emitidas pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica —, devem ser aprovadas pela Santa Sé.

É preciso destacar aqui que o único nome autorizado a emitir essas diretrizes é o do cardeal brasileiro João Braz de Aviz, chefe da Congregação vaticana para a vida religiosa. Braz de Aviz não hesita em deixar claro seu desejo de que todas as ordens religiosas vivam suas vidas mais “inseridas” no mundo. Dirigindo-se aos reitores de formação religiosa em um congresso em Roma, em 2015, o cardeal proferiu palavras duras contra os religiosos que evitam as mudanças na Igreja — as mudanças do Vaticano II:

“Na realidade, os que se distanciam do Concílio indo por outro caminho estão matando-se a si mesmos; cedo ou tarde, irão morrer”, disse. “Eles não têm nenhum sentido. Estarão fora da Igreja. Precisamos construir, mediante o Evangelho e o Concílio como ponto de partida” (National Catholic Reporter, Cardinal to religious: Those who abandon Vatican II are ‘killing themselves’, 09 de abril de 2015).

Este é o cardeal escolhido por Francisco para emitir e regular as próximas diretrizes que dirigirão as religiosas contemplativas em sua tarefa de adaptação ao mundo moderno. Creio que isso já diz o bastante, de que não é um bom augúrio para as ordens religiosas mais tradicionais e conservadoras que surgiram nas últimas décadas.

A participação na liturgia e a nova agenda social

Embora Francisco exalte “a vida de especial consagração”, insiste também que essas mulheres sejam “mulheres do nosso tempo”. Uma “especial atenção” deve ser dada aos dois grandes documentos do Concílio Vaticano II: Lumen Gentium e Perfectae Caritatis.

O primeiro, de fato, estabelece uma nova definição da Igreja como “o povo de Deus”, promovendo a ideia protestante do sacerdócio dos fiéis, e até faz uma chamada teórica à santidade, mas na prática exalta a vida de serviço acima de todas as outras.

Como isso se traduz na transformação da vida das religiosas contemplativas? Mais participação na liturgia como “o povo de Deus”, é claro, e uma oração voltada a melhorar a humanidade em detrimento do louvor a Deus.

Vultum Dei Quaerere pede efetivamente que todas as mulheres contemplativas abracem a agenda social dos Papas pós-conciliares, o que evita a oração pela conversão à fé católica e o objetivo primordial da vida contemplativa no passado: converter-se em vítimas para aplacar a justa ira de Nosso Senhor pelos pecados dos indivíduos e das nações.

Um novo cartaz é erguido: oferecer “oração de intercessão” pelos “presos, migrantes, refugiados e perseguidos”. Essas orações de intercessão também devem ser estendidas aos desempregados, aos drogados, aos doentes de AIDS, aos pobres e a outras pessoas em situações “urgentes”. Ou seja, as irmãs contemplativas devem abandonar seu foco de oração, que suplica a conversão e salvação das almas, e substituí-lo pela oração que pede o bem-estar social e a saúde dos corpos.

Elas devem “sujar suas mãos” — como esse Papa, à semelhança da lama, gosta de dizer —, indo em oração aos lugares mais sórdidos e miseráveis. As religiosas contemplativas estão, desta forma, convidadas a unirem-se às ordens seculares, que desde o Vaticano II assumiram a missão de prestar ajuda à humanidade para que tenha uma vida melhor, sem levar em conta a fé ou a falta de fé, e para destruir as “estruturas de pecado” do capitalismo.

Como a lectio divina foi “recomendada a todo o povo de Deus”, as irmãs contemplativas devem fazer mais para compartilhar sua “experiência transformadora da Palavra de Deus” com outros religiosos e leigos. “Que sintam esta partilha como uma verdadeira missão eclesial”, de acordo com a instrução do Papa.

Este compartilhamento deve estar presente sobretudo na liturgia, onde Francisco insta enfaticamente às irmãs a “evitar o risco de uma abordagem individualista” e, ao contrário, construir a “comunhão”. Visto que a Eucaristia é o coração da vida consagrada, para “se cumprir e manifestar vitalmente este rico mistério”, cada “celebração da Eucaristia” deve ser cuidadosamente preparada e todas devem “tomar parte nela plenamente, com fé e consciência”.

Trata-se de um chamado a uma plena “participação” do “povo de Deus” — incluindo as contemplativas consagradas — na missa, que agora recebe o nome de “a Eucaristia”. As irmãs também devem prosseguir na “renovação bíblica” estimulada pelo Vaticano II, com a utilização dos novos métodos e da “interpretação existencial da Sagrada Escritura” em suas leituras bíblicas e orações (Ofício Divino).

Mas não se trata apenas de um convite à participação. Vultum Dei Quaerere ordena que “as celebrações comunitárias” devem ser avaliadas para verificar “se são verdadeiramente um encontro vivo com o Senhor”. As novas federações estabelecidas no documento terão a última palavra sobre o assunto, forçando de modo efetivo as ordens tradicionalistas ao cumprimento da participação. Só os ingênuos ou as pessoas simples poderiam entender isso de outra maneira.

No próximo artigo, falarei das provisões de Vultum Dei Quaerere sobre a formação das irmãs e a centralização das comunidades contemplativas, integrando-as em federações que garantirão a conformidade com o espírito do Vaticano II.

Continuará.

“Nunca faremos um país de liberdade com a Igreja Católica” afirma socialista Ministro da Educação da França







O Ministro da Educação francês prega uma nova religião laica

O governo do socialista François Hollande está dando uma grande enfase às mudanças na Educação Nacional, propondo uma profunda reforma. Por isto escolheu como Ministro da Educação ao socialista Vincent Peillon.

Mais qual seria o papel da educação na República, segundo o pensamento de Peillon? E o que pensa ele do catolicismo?

Abaixo as incríveis palavras do próprio Peillon:
“Fizemos, essencialmente, a revolução política (referindo-se a Revolução Francesa), mas não a revolução moral e espiritual. E deixamos a [questão] moral e espiritual a [cargo da] Igreja Católica. Assim, deve-se substituir isto.[…] Nós nunca poderemos construir um país de liberdade com a Religião Católica. Como não se pode mais aclimatar o protestantismo na França, como foi feito em outras democracias [que curioso!] é preciso inventar uma religião republicana. Essa religião republicana, que deve acompanhar a revolução material, mas que é a revolução espiritual, é a laicidade.  E é por isso, aliás, que no início do século XX se pode falar de fé laica, de religião laica, e que a laicidade queria ser a criação de um espírito público, de uma moral laica e portanto de adesão a um certo número de valores. […]  

A Revolução Francesa é a irrupção no tempo de alguma coisa que não está no tempo, é um começo absoluto, é a presença e a encarnação de um sentido, de uma regeneração e de uma expiação do povo francês. 1789, o ano inigualável, é o ano da geração, por um salto brusco na História, de um homem novo. A Revolução é um acontecimento meta-histórico, isto é, um acontecimento religioso.  A Revolução implica no esquecimento total do que precede a revolução.  E portanto, a escola tem um papel fundamental, uma vez que a escola deve retirar da criança todos os seus laços pré-republicanos, educá-la para se tornar um cidadão. É um novo nascimento, uma transubstanciação que opera na escola e pela escola, uma nova igreja com seu novo clero, uma nova liturgia e suas novas tábuas da lei.[…]

O ponto de partida da laicidade é o respeito absoluto da liberdade de consciência. Para dar a liberdade de escolha, é preciso ser capaz de arrancar o aluno de todo determinismo: familiar, étnico, social, intelectual …

[Ou seja, só tem liberdade de escolher – as idéias deles! – quem for espoliado de todas as ideias próprias. Sinistras ameaças…]

Fonte: Gloria TV
Tradução Montfort

O ESTADO AINDA SE CURVA DIANTE DA IGREJA?

Há alguns anos atrás, o Rei Albert e a Rainha Paola, da Bélgica, em visita ao Papa Bento XVI, por ocasião da canonização de São Damião De Veuster,  curvaram-se – o Rei chegou a se ajoelhar – para saudar o Papa. Escândalo na imprensa e no parlamento belga: a Bélgica sendo um país laico, não pode se curvar diante da Igreja!
Ontem, Raúl Castro, o provecto ditador de Cuba, curvava-se, parecendo pedir instruções a Bento XVI em visita à ilha. Mais do que laico, oficialmente ateu, o regime cubano não tem, porém, instâncias oficiais de queixa contra o regime. Se algum comunista não gostar… terá que se queixar diretamente ao Papa!
“Cuba continuará socialista”, afirmou o vice-presidente do Conselho de Ministros. Mas hoje é Fidel quem quer ver o Papa…
Comentário Lucia Zucchi