E a Carruagem não voltou a ser Abóbora

abobora

“…No Ano do Jubileu, aos fiéis que por variados motivos frequentam as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, tinha-lhes concedido receber válida e licitamente a absolvição sacramental dos seus pecados.[16] Para o bem pastoral destes fiéis e confiando na boa vontade dos seus sacerdotes para que se possa recuperar, com a ajuda de Deus, a plena comunhão na Igreja Católica, estabeleço por minha própria decisão de estender esta faculdade para além do período jubilar, até novas disposições sobre o assunto, a fim de que a ninguém falte jamais o sinal sacramental da reconciliação através do perdão da Igreja.”

( Papa Francisco, na Carta Apostólica Misericordia et Misera )

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Também, nesta mesma Carta, o papa resolve deixar permanente o privilégio concedido no jubileu dos padres darem absolvição em casos de Aborto, sempre, em tempo comum, reservado aos bispos:

Cidade do Vaticano, 21 nov 2016 (Ecclesia) – O Papa Francisco anunciou hoje a decisão de alargar definitivamente a faculdade de absolvição de quem praticou o aborto a todos os sacerdotes, mantendo assim a prática do Ano Jubilar da Misericórdia que se concluiu este domingo.

“Para que nenhum obstáculo exista entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo a partir de agora a todos os sacerdotes, em virtude do seu ministério, a faculdade de absolver a todas as pessoas que incorreram no pecado do aborto”, escreve, no número 12 da carta apostólica ‘Misericórdia e Mísera’, divulgada esta manhã pelo Vaticano.

Francisco precisa que aquilo que concedera a todos os padres, de forma limitada ao período jubilar, fica agora “alargado no tempo, não obstante qualquer disposição em contrário”.

“Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai”, explica.

O Papa espera que os sacerdotes católicos sejam “guia, apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes neste caminho de especial reconciliação”.

A prática do aborto implica, segundo o Direito Canónico, a excomunhão ‘latae sententiae’ (automática), exigindo até agora a confissão ao bispo (ou os padres a quem o bispo desse essa faculdade) para a remissão da pena.

Francisco decidiu ainda manter o serviço dos “Missionários da Misericórdia”, mais de mil sacerdotes de vários países, incluindo Portugal, que foram enviados no ano santo extraordinário (dezembro 2015-novembro 2016) para promover o perdão dos pecados.

“Desejo que permaneça ainda, até novas ordens, como sinal concreto de que a graça do Jubileu continua a ser viva e eficaz nas várias partes do mundo”, adianta o Papa.

A carta anuncia também que os fiéis que assim o desejarem podem continuar a confessar-se nas igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, um gesto explicado com o desejo de restabelecer “a plena comunhão na Igreja Católica”.

O pontífice argentino pede a todos os padres que se preparem com “grande cuidado” para o ministério da Confissão, acolhendo cada pessoa com misericórdia e comunicando o amor de Deus.

“Isto requer, sobretudo por parte do sacerdote, um discernimento espiritual atento, profundo e clarividente, para que toda a pessoa sem exceção, em qualquer situação que viva, possa sentir-se concretamente acolhida por Deus”, escreve.

Francisco deseja uma redescoberta do “ministério da reconciliação”, particularmente valorizada em iniciativas como as ‘24 horas para o Senhor’, na Quaresma.

“Que a ninguém sinceramente arrependido seja impedido de aceder ao amor do Pai que espera o seu regresso e, ao mesmo tempo, a todos seja oferecida a possibilidade de experimentar a força libertadora do perdão”, apela.

A nova carta apostólica propõe ainda iniciativas para a valorização da Bíblia na vida dos católicos, sugerindo às comunidades que escolham um domingo do ano litúrgico para “renovar o compromisso em prol da difusão, conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura”.

‘Misericordia et misera’ foi assinada publicamente este domingo, na Praça de São Pedro, após o final da Missa que encerrou o Jubileu da Misericórdia, 29.º Ano Santo na história da Igreja Católica.

Mons. Marcel Lefèbvre e sua Posição sobre o Papa

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Passemos à segunda parte não menos importante. Temos realmente um Papa ou um intruso na sede de Pedro?
Felizes os que viveram e morreram antes de fazer-se essa pergunta! Há que reconhecer que o Papa Paulo VI causou e ocasionou um sério problema à consciência das católicos. Sem indagar nem conhecer sua culpabilidade na terrível demolição da Igreja sob seu Pontificado, não se pode deixar de reconhecer que acelerou as causas em todas as ordens. Alguém pode se perguntar como um sucessor de Pedro pôde em tão pouco tempo causar mais males à Igreja que a revolução de 1789?
Fatos precisos como as assinaturas estampadas no artigo VII da Instrução concernente ao Novus Ordo Missae, como também o documento da “Liberdade Religiosa” são escandalosos e dão ocasião para que algumas pessoas afirmem que esse Papa era herético e que por sua heresia deixou de ser Papa.
A consequência deste fato seria que a maioria dos cardeais atuais não o seriam e além disso seriam inaptos para a eleição de outro Papa. Os Papas João Paulo I e João Paulo II não teriam sido então eleitos legitimamente.
É então inadmissível rezar por um Papa que não o é e conversar com aquele que não tem nenhum título para sentar na cadeira de Pedro. Como diante do problema da invalidez da nova missa, aqueles que afirmam que não há Papa simplificam demasiado os problemas. A realidade é mais complexa.

Se alguém se põe a perguntar se um Papa pode ser herege descobre que o problema não é tão simples como se crê. Sobre este tema, o estudo muito objetivo feito por Xavier da Silveira mostra que um bom número de teólogos pensa que o Papa pode ser herege como doutor privado, mas não como doutor da Igreja Universal. É necessário, então, examinar em que medida o Papa Paulo VI quis empenhar sua infalibilidade nesses casos diversos onde ele firmou textos próximos da heresia, senão heréticos.

Pudemos pois observar nesses dois casos, como em muitos outros, que o Papa Paulo VI atuou muito mais como liberal que aderindo à heresia. Já que, quando se assinalava-lhe o perigo que corria, entregava um texto contraditório, agregando uma fórmula contrária ao que ele afirmava na anterior, ou escrevendo uma fórmula equívoca, o que é próprio do liberal, o qual é incoerente por natureza.
O liberalismo de Paulo VI, reconhecido por seu amigo o cardeal Daniélou, é suficiente para explicar os desastres de seu Pontificado. O Papa Pio IX, particularmente, falou muito sobre o católico liberal, que ele considerava como destruidor da Igreja. O católico liberal é uma pessoa de dupla face, em contínua contradição. Quer manter-se católico e ao mesmo tempo tem o afã de agradar ao mundo. Afirma sua fé com medo de parecer demasiado dogmático e atua de fato como os inimigos da fé católica.
Um Papa pode ser liberal e permanecer Papa? A Igreja sempre admoestou severamente os católicos liberais. Não excomungou a todos. Também aqui devemos permanecer dentro do espírito da Igreja. Devemos rejeitar o liberalismo, venha de onde venha, porque a Igreja sempre o condenou com severidade por ser contrário ao Reinado de Nosso Senhor e em particular ao Reinado Social.
O afastamento dos cardeais de mais de 80 anos e as convençõezinhas que prepararam os dois últimos Conclaves não tornam inválida a eleição desses Papas: inválida, é afirmar muito, mas, eventualmente duvidosa. Mas a aceitação de fato posterior à eleição e unânime dos cardeais e do clero romano basta para convalidar a eleição. Esse é a opinião dos teólogos.
A questão da visibilidade da Igreja é em demasia necessária para sua existência, como para que Deus possa omiti-la durante décadas.
O argumento dos que afirmam a inexistência do Papa põe a Igreja numa situação confusa. Quem nos dirá onde está o futuro Papa? Como poderia ser designado Papa onde não há cardeais? Este espírito é um espírito cismático, ao menos para a maioria dos fiéis que se afiliaram a seitas verdadeiramente cismáticas como a do Palmar de Tróia, a da Igreja Latina de Toulouse, etc.
Nossa Fraternidade rejeita absolutamente compartilhar esses raciocínios. Queremos permanecer aderidos a Roma, ao sucessor de Pedro, mas rejeitamos seu liberalismo por fidelidade a seus Antecessores. Não temos medo de dizer-lo respeitosamente mas firmemente, como São Paulo diante de São Pedro.
Por isso, longe de rejeitar as orações pelo Papa, aumentamos nossas rezas e suplicamos para que o Espírito Santo o ilumine e o fortaleça na manutenção e defesa da fé.
Por isso jamais rejeitei ir a Roma a seu chamado ou ao chamado de seus representantes. A Verdade deve afirmar-se em Roma mais que em qualquer outro lugar. Pertence a Deus quem a fará triunfar.
Como consequência, não se pode tolerar nos membros, sacerdotes, irmãos, irmãs, oblatos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que recusem rezar pelo Papa e que afirmem que todas as Missas do Novus Ordo Missae são inválidas.
Certamente sofremos por esta incoerência contínua, que consiste em elogiar todas as orientações liberais do Vaticano II e ao mesmo tempo tratar de atenuar seus efeitos.
Mas isto nos deve incitar a rogar e a manter firmemente a Tradição, mas nem por isso afirmar que o Papa não é Papa.
Para terminar devemos ter o espírito missionário que é o verdadeiro espírito da Igreja, fazer tudo pelo Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a divisa de nosso Santo Patrono São Pio X: “Instaurare omnia in Christo”, restaurar tudo em Cristo, e sofrer como Nosso Senhor em sua Paixão para a salvação das almas, para o triunfo da Verdade.
“In hoc natus sum, disse Nosso Senhor a Pilatos, ut testimonium perhibeam veritati”. “Eu nasci para dar testemunho da Verdade”.
8 de novembro de 1979
Retirado do Livro “La Misa Nueva – Mons. Marcel Lefebvre” Editora ICTION, Buenos Aires 1983.
Fonte: http://rainhaddosmartires.blogspot.com.br/2014/07/posicao-do-arcebispo-marcel-lefebvre.html

Mons. Fellay sobre “Amoris Laetitia”: ” Grave, Gravíssimo!”

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Carísssimos,

Salve Maria

Abaixo o pronunciamento de Mons. Fellay, superior geral da FSSPX, do dia 10 de abril passado, sobre o documento papal ” A Alegria do Amor”. S. Excia considera o documento como Grave, muito Grave. Compara-o com um buraco, feito pelo papa, na Barca de Pedro. “Um documento que nos faz chorar” e “um grande mal para a Igreja”

Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

À espera de uma análise mais ampla da exortação apostólica que acaba de ser publicada, Mons. Bernard Fellay, em seu sermão no Santuário de Le Puy-en-Velay, no dia 10 de abril, emitiu uma primeira advertência sobre as alterações introduzidas pelo documento em questão.
“Uma exortação apostólica intitulada ‘a alegria do amor’, mas que nos faz chorar. Essa exortação é um resumo dos dois sínodos sobre o matrimônio. Trata-se de um documento muito longo, que contém muitas coisas boas, que são brilhantes — mas, depois de construir um belo edifício, uma bela barca, o Sumo Pontífice fez um buraco na quilha da barca, ao longo da linha de flutuação. Vocês sabem de tudo o que está acontecendo. É inútil dizer que o buraco foi feito tomando todas as devidas precauções; e o buraco é pequeno: a barca afunda! Nosso Senhor mesmo disse que nenhum jota, nem um só jota será tirado da lei de Deus. Quando Deus fala, as suas palavras não admitem exceções; quando Deus manda, Ele o faz com uma paciência infinita que previu todos os casos possíveis. Não há exceções à lei de Deus. E aqui, de repente, afirma-se essa lei do matrimônio, que é conservada pela expressão ‘o casamento é indissolúvel’, mas em seguida se diz que podemos, apesar de tudo, conceder algumas exceções no sentido de que esses divorciados recasados poderiam estar em estado de graça, mesmo estando em pecado mortal, e por isso poderiam receber a comunhão. Isso é gravíssimo! Gravíssimo!Acho que não se mediu suficientemente a gravidade do que foi escrito. Não é preciso dizer que se tratam de palavras escondidas no texto; foi assim que começou a comunhão na mão. E como eu disse, o pequeno buraco já é suficiente: a barca afunda!” [1].
Na continuação do sermão, o Prelado define o documento: “uma exortação terrível que tanto mal faz à Igreja” [21min35].
Depois, descrevendo a situação geral da Igreja, o Superior disse: “há um grande número de prelados, e até de cardeais, e eu diria até o Papa, que dizem não só um absurdo, mas uma heresia, que abre caminho para o pecado (…)” [23min55].
* * *
Nota
[1] Sermão do Mons. Bernard Fellay por ocasião da peregrinação ao Santuário de Le Puy-en-Velay; no áudio, a partir dos 15 minutos.

EM ITALIANO

In attesa di una più ampia analisi dell’Esortazione Apostolica testé pubblicata, Mons. Fellay nella sua predica al Santuario di Puy en Velay di domenica 10 aprile ha espresso un primo biasimo sulle novità introdotte dal documento in questione.

« …un’Esortazione Apostolica che porta come titolo “La gioia dell’amore” ma che ci fa piangere. Quest’esortazione è un riassunto dei due sinodi sul matrimonio. È molto lunga e contiene molte cose che sono giuste, che sono belle, e dopo aver costruito un bell’edificio, una bella barca, il Sommo Pontefice ha fatto un buco nella chiglia della barca, lungo la linea di galleggiamento. Voi sapete tutti ciò che sta accadendo.

È inutile dire che il buco è stato fatto prendendo tutte le precauzioni possibili, è inutile dire che il buco è piccolo: la barca affonda! Nostro Signore stesso ha detto che neanche uno iota, neanche un solo iota sarà tolto dalla legge di Dio. Quando Dio parla, le sue parole non ammettono eccezioni, quando Dio comanda è di una sapienza infinita che ha previsto tutti i casi possibili. Non c’è eccezione alla legge di Dio. Ed ecco che d’un tratto si pretende che questa legge del matrimonio, che si conserva dicendo che “il matrimonio è indissolubile”, (la si ripete questa frase, la si dice), poi si dice che si possono, nonostante tutto, avere delle eccezioni nel senso in cui questi divorziati cosiddetti risposati potrebbero in questo stato di peccato mortale essere in stato di grazia, e quindi potrebbero fare la comunione. È gravissimo! Gravissimo! Credo che non si misuri sufficientemente la gravità di ciò che è stato detto. È inutile dire che sono delle piccole eccezioni messe lì in un angolo; è così che è passata la comunione nella mano e come vi ho detto il piccolo buco nella nave è sufficiente, la barca affonda!»[1]

Nel prosieguo del discorso il Prelato definisce il documento «[…]Esortazione terrificante che fa tanto male alla Chiesa» (min. 21.35)

Più avanti, descrivendo la situazione generale della Chiesa, il Superiore Generale afferma che: «c’è un gran numero di prelati, e perfino di cardinali, e diremmo perfino il Papa, che dicono non soltanto delle sciocchezze ma delle eresie, che aprono la strada al peccato. […]» (min. 23.55)

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[1] Predica di mons. Bernard Fellay in occasione del pellegrinaggio al Santuario di Puy en Velay; nell’audio, a partire dal minuto 15.00.

Fonte: http://www.sanpiox.it/public/index.php?option=com_content&view=article&id=1776%3Ariflessioni-di-mons-fellay-sull-esortazione-apostolica-amoris-laetitia&catid=67&Itemid=83

“Francisco nos alarma enormemente, e não apenas a nós. Mas gostamos dele”

O ecumenismo do Papa Francisco tem um raio de ação realmente muito longo. Encontrou-se com o patriarca ortodoxo de Moscou, irá à Suécia para participar da celebração do quinto centenário de Lutero, é amigo de muitos líderes pentecostais e tem a simpatia inclusive dos seguidores do arcebispo hiper tradicionalista Marcel Lefebvre.

A reportagem é de Sandro Magister e publicada por Chiesa.it, 01-04-2016. A tradução é de André Langer.

O último é o dado mais surpreendente, porque, no campo católico, a hostilidade contra os lefebvrianos é muito mais intolerante entre aqueles que se jactam de ter um espírito ecumênico e de misericórdia.

Com efeito, vemos reproduzir-se contra os lefebvrianos, dado que eles se apresentam como “verdadeiros” católicos, o mesmo mecanismo que faz com que os católicos de rito oriental sejam mal vistos pelos ortodoxos, quem usam para designá-los o termo pejorativo “uniatas”. Mal vistos porque são muito similares a eles, como um inimigo em casa.

Já Bento XVI denunciou esta distorção, na carta aberta redigida por ele em 2009 a todos os bispos do mundo depois da explosão de protestos por sua decisão de levantar a excomunhão dos quatro bispos lefebvrianos da Fraternidade São Pio X.

O Papa Francisco fez um gesto de grande abertura, quando, em setembro passado, autorizou durante o Jubileu, todos os fiéis católicos que desejarem, confessar-se também com os padres da Fraternidade, recebendo deles a absolvição “válida e licitamente”.

Basta pensar, para compreender a novidade deste gesto de Francisco, na proibição – sob pena de excomunhão imposta aos seus fiéis em 14 de outubro de 2014 pelo bispo de Albano, Marcello Semeraro – de participar das missas e dos sacramentos celebrados pela Fraternidade São Pio X. Semeraro não é um bispo qualquer, é também o secretário do Conselho dos Nove Cardeais que assistem o Papa no governo da Igreja.

A diferença em relação ao Papa Bento é que Francisco não sofreu uma enxurrada de críticas e impropérios por parte dos defensores do ecumenismo devido aos seus gestos de abertura.

Não apenas isso. À indulgência demonstrada pelos defensores do ecumenismo pelo gesto de Francisco acrescentou-se um sinal de estima sem precedentes por parte do próprio superior geral da Fraternidade São Pio X, o bispoBernard Fellay.

Fellay formulou um juízo detalhado sobre Francisco em uma longa entrevista gravada no dia 04 de março em seu quartel general em Menzingen, na Suíça, e postada na rede em vários idiomas durante a Semana Santa.

Mais do que de uma entrevista, trata-se de uma intervenção pessoal de Fellay, que faz o balanço das seguintes questões:

1) As relações da Fraternidade São Pio X com Roma desde 2000.

2) As novas propostas de Roma estudadas pelos superiores maiores da Fraternidade São Pio X.

3) “Ser aceitos assim como somos”, sem ambiguidades nem compromissos.

4) O Papa e a Fraternidade São Pio X: benevolência paradoxal.

5) A jurisdição concedida aos sacerdotes da Fraternidade São Pio X: consequências canônicas.

6) As visitas dos prelados enviados por Roma: algumas questões doutrinais abertas.

7) O estado atual da Igreja: inquietudes e esperanças.

8) O que devemos pedir à Santíssima Virgem?

Todo o texto é de considerável interesse, enquanto expressa o ponto de vista mais confiável, completo e atualizado da comunidade lefebvriana sobre suas relações com Roma.

Mas, as passagens mais surpreendentes são precisamente aquelas em que Fellay explica a benevolência deFrancisco com a Fraternidade, benevolência que define como “paradoxal”, porque contrasta com as orientações predominantes de seu pontificado, que vão no sentido contrário.

Esta análise que Fellay faz encontra-se no ponto 4 do texto, reproduzido na íntegra na sequência.

Essa análise é seguida por outra passagem, tirada do ponto 6, que, por sua vez, conta o desenvolvimento e o resultado das recentes visitas feitas aos seminários e a um priorado da Fraternidade, feitas por quatro enviados de Roma: “um cardeal, um arcebispo e dois bispos”, cujos nomes não são revelados.

Fellay não dá os nomes dos quatros prelados, mas que são os seguintes:

– o cardeal Walter Brandmüller, ex-presidente da Pontifícia Comissão das Ciências Históricas;

– Juan Ignacio Arrieta Ochoa de Chinchetru, da Opus Dei, secretário do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos;

– Vitus Huonder, bispo de Coira (Suíça); e

– Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Maria Santíssima em Astana (Cazaquistão).

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O Papa e a Fraternidade São Pio X: benevolência paradoxal, por Bernard Fellay

É preciso utilizar o termo “paradoxal”, o paradoxo de avançar rumo ao que quase poderíamos chamar de “Vaticano III”, no pior sentido que se pode dar a essa expressão, e, por outro lado, querer dizer à Fraternidade: “Aqui são bem-vindos”. Isto é verdadeiramente um paradoxo, quase uma vontade de associar os contrários.

Não creio que isto seja por ecumenismo. Alguns poderiam pensar dessa forma. Por que não creio que seja por ecumenismo? Porque basta observar a atitude geral dos bispos neste tema do ecumenismo: eles têm os braços abertos para receber todo o mundo, exceto a nós!

Em várias ocasiões, nós tentamos explicar por que fomos excluídos, dizendo: “Não tratamos vocês como os outros, porque vocês afirmam ser católicos. Ao dizer isto, geram confusão entre nós, e, portanto, não nos querem”. Nós ouvimos esta explicação muitas vezes, e ela exclui o ecumenismo. Mas se este enfoque que consiste em dizer, “aceitamos todos dentro da família”, não é aplicável no nosso caso, então, o que resta? Penso que resta o Papa.

Se, primeiramente Bento XVI e agora o Papa Francisco, não tivessem visto a Fraternidade de um modo particular, que é diferente desta perspectiva ecumênica que acabo de mencionar, penso que agora não haveria absolutamente nada. Creio que, em vez disto, estaríamos funcionando uma vez mais sob sanções, censuras, excomunhões, a declaração de cisma e tentativas de eliminar um grupo problemático.

Então, por que tanto Bento XVI como o Papa Francisco foram tão benevolentes para com a Fraternidade? Eu penso que a perspectiva de um de outro não é necessariamente a mesma.

No caso de Bento XVI, creio que se devia ao seu lado conservador, ao seu amor pela liturgia antiga, ao seu respeito pela disciplina passada que existia na Igreja. Posso afirmar que muitos, e estou falando de muitos padres, e inclusive grupos que tinham problemas com os modernistas na Igreja e que recorreram a ele quando ainda era cardeal, encontraram nele – primeiro como cardeal e depois como papa – um olhar benevolente, um desejo de proteger e ajudá-los ao menos em tudo o que fosse possível.

Quanto ao Papa Francisco, não vemos esse apego nem à liturgia nem à disciplina antiga da Igreja. Poderíamos inclusive dizer: pelo contrário, devido às suas numerosas declarações contrárias, o que torna ainda mais difícil e complicado entender esta sua benevolência.

E, no entanto, creio que existem várias explicações possíveis, mas admito que não tenho a última palavra neste tema.

Uma das explicações é a perspectiva do Papa Francisco sobre tudo o que seja marginalizado, o que ele chama de “periferias existenciais”. Não me surpreenderia se nos considerasse como uma destas periferias pelas quais tem uma preferência manifesta. E, desde esta perspectiva, utiliza a expressão: “percorrer um caminho” com as pessoas que se encontram na periferia, esperando poder melhorar as coisas. Portanto, não se trata de uma decisão estabelecida de concluir imediatamente: um processo, um caminho, para onde quer que vá…, mas ao menos se é bastante tranquilo, gentil, sem saber realmente qual será o resultado. Talvez seja esta uma das razões mais profundas.

Outra razão: vemos que o Papa Francisco critica constantemente a Igreja estabelecida, a palavra utilizada em inglês para isto é “establisment” – também é utilizada em francês de vez em quando – reprovando a Igreja por ser autocomplacente, satisfeita consigo mesma, por ser uma Igreja que já não vai em busca da ovelha perdida, a ovelha que sofre, em todos os âmbitos, pela pobreza ou mesmo fisicamente…

Mas, vemos no Papa Francisco que esta inquietude, apesar das evidentes aparências, não é apenas uma preocupação sobre as coisas materiais… Vemos claramente que quando diz “pobreza” refere-se também à pobreza espiritual, a pobreza das almas que se encontram em pecado e que deveriam ser tiradas desse estado e conduzidas novamente para o Bom Deus.

Mesmo que nem sempre o expresse claramente, podemos encontrar várias expressões que o indicam. E nessa perspectiva, vê na Fraternidade uma comunidade muito ativa, isto é, que busca, que vai em busca das almas, que tem esta preocupação pelo bem espiritual das almas, e que está pronta para colocar mãos à obra e trabalhar para isso. Ele conhece dom Lefrebvre, leu duas vezes a biografia escrita por dom Tissier de Mallerais, o que mostra, sem dúvida alguma, um interesse; e eu penso que ele gostou.

E também os contatos que ele estabeleceu na Argentina com os nossos confrades, em quem viu espontaneidade e também franqueza, pois não escondemos absolutamente nada. Claro que tentávamos conseguir algo para aArgentina, onde tínhamos dificuldades com o Estado em matéria de conseguir autorizações para residências, mas não escondemos nada, não tentamos fugir de nenhum problema, e creio que isso lhe agradou. Este, talvez, seja o lado humano da Fraternidade, mas vemos que o Papa é muito humano, ele dá muita importância a este tipo de considerações, e isto pode explicar, ou poderia explicar, uma certa benevolência da sua parte.

Reitero mais uma vez que não tenho a última palavra neste tema e, sem dúvida, por trás de tudo isto está a Divina Providência, que dispõe as coisas de tal maneira que coloca bons pensamentos na cabeça do Papa, que, em muitos pontos, nos alarma tremendamente, e não apenas a nós. Pode-se dizer que qualquer um que seja mais ou menos conservador dentro da Igreja está assustado com o que está acontecendo, com as coisas que são ditas, e, no entanto, a Divina Providência dispõe delas para nos fazer superar esses desafios de uma maneira muito surpreendente.

Muito surpreendente, porque está claro que o Papa Francisco deseja deixar-nos viver e sobreviver. Disse inclusive a quem estiver disposto a escutá-lo que jamais prejudicaria a Fraternidade. Também disse que somos católicos. Negou-se a nos condenar como cismáticos, dizendo: “Não são cismáticos, são católicos”, mesmo se depois utilizou uma expressão um tanto enigmática, a saber: que estamos a caminho da plena comunhão.

Gostaríamos de ter alguma vez uma definição clara do termo “plena comunhão”, porque está claro que não corresponde a nada preciso. É um sentimento… não se sabe bem o que é.

Inclusive recentemente, em uma entrevista concedida por dom Pozzo sobre nós, ele retoma uma citação que atribui ao próprio Papa – podemos, portanto, considerá-la como uma postura oficial – o Papa, falando com a Ecclesia Dei, confirmou que somos católicos a caminho da plena comunhão. E o bispo Pozzo esclarece como esta plena comunhão pode ser alcançada: aceitando a forma canônica, o que é bastante surpreendente, uma forma canônica resolveria todos os problemas referentes à comunhão!

Um pouco mais adiante, na mesma entrevista, afirma que esta plena comunhão consiste em aceitar os grandes princípios católicos. Com outras palavras, os três níveis de unidade na Igreja, que são a fé, os sacramentos e o governo. Quando fala da fé, refere-se propriamente ao magistério. Mas nós nunca colocamos em dúvida nenhum destes elementos. E, portanto, nunca colocamos em dúvida a nossa plena comunhão, mas eliminamos o adjetivo “pleno”, para dizer simplesmente: “Estamos em comunhão de acordo com o termo clássico usado na Igreja; somos católicos. Se somos católicos, nós estamos em comunhão, porque a ruptura da comunhão é propriamente um cisma”.

As visitas dos prelados enviados por Roma: algumas questões doutrinais abertas

Estas visitas foram muito interessantes. Obviamente, algumas pessoas na Fraternidade viram-nas com um pouco de receio: “O que estes bispos estão fazendo em nossa casa?” Bom! Essa não era a minha perspectiva. […] Eu lhes disse várias vezes: “Venham nos ver”. Nunca quiseram. Então, de repente, […] um cardeal, um arcebispo e dois bispos vieram nos ver, nos visitar, em diversas situações, algumas vezes nos seminários, e também em um dos priorados. […]

A primeira coisa que comentamos – tratava-se de uma linha oficial ou sua opinião pessoal? Eu não sei, mas é um fato –, todos disseram: “Estas discussões estão ocorrendo entre católicos; isto não tem nada a ver com discussões ecumênicas; estamos entre católicos”. Portanto, desde o início abandonamos todas aquelas ideias, tais como: “Não estão completamente dentro da Igreja, estão a meio caminho, portanto, estão fora – só Deus sabe aonde! – cismáticos…”. Não! Estamos falando entre católicos. Este é o primeiro ponto, o que é muito interessante, muito importante. Apesar do que, em alguns casos ainda hoje se diz em Roma.

O segundo ponto – que, na minha opinião, é ainda mais importante – é que os temas abordados nestas discussões são temas os clássicos nos quais sempre houve fracassos. Quer se trate de um assunto de liberdade religiosa, colegialidade, ecumenismo, a nova missa, ou inclusive os novos ritos dos sacramentos… Bom, todos nos disseram que estas discussões eram sobre temas abertos.

Creio que esta reflexão é fundamental. Até agora, sempre insistiram em deixar bem claro que tínhamos que aceitar o Concílio. É difícil determinar exatamente o verdadeiro alcance desta expressão “aceitar o Concílio”. O que significa? Porque é um fato que os documentos do Concílio são completamente desiguais, e que sua aceitação se faz com um critério gradual, segundo uma escala de obrigatoriedade. Se um texto é um texto de fé, existe uma obrigação simples e pura. Mas quem pretende, de um modo totalmente errado, que este concílio é infalível, exigem uma submissão total a todo o Concílio. Então, se é isso que significa “aceitar o Concílio”, dizemos que não o aceitamos. Precisamente porque o que negamos é sua infalibilidade.

Se existem algumas passagens nos documentos conciliares que repetem o que a Igreja disse antes, de um modo infalível, obviamente estas passagens são e seguirão sendo infalíveis. E nós aceitamos isso, não há nenhum problema. Por isso, quando se diz “aceitar o Concílio”, é necessário distinguir claramente qual é o sentido da expressão. No entanto, mesmo com esta distinção, até o momento, detectamos uma insistência por parte de Roma: “Vocês devem aceitar estes pontos; fazem parte do ensinamento da Igreja e, portanto, devem aceitá-los”. E vemos – não somente em Roma, mas também na maioria dos bispos – esta atitude até hoje em relação a nós, esta grave crítica: “Vocês não aceitam o Concílio”.

E agora, de repente, os enviados de Roma nos dizem que todos os pontos que foram obstáculos, são questões abertas. Uma questão aberta é um tema que pode ser discutido. E a obrigação de aderir a certa posição fica fortemente e inclusive, talvez, totalmente mitigada ou eliminada. Creio que isto é um ponto crucial. Teremos que ver, posteriormente, se isto é confirmado, se realmente podemos discutir livremente quanto à fé, quanto ao que devemos crer, e é aqui onde exigimos esta clareza, estes esclarecimentos por parte das autoridades. Pedimos isto durante muito tempo. Nós dizemos: “Há pontos ambíguos neste Concílio, e não cabe a nós esclarecê-los. Podemos assinalar o problema, mas quem tem a autoridade para esclarecê-lo é Roma”. No entanto, reitero, o fato de que estes bispos nos digam que se trata de questões abertas já é, na minha opinião, algo crucial.

As discussões em si desenvolveram-se, mais ou menos felizmente, segundo a personalidade de nossos interlocutores, porque também houve bons intercâmbios [nos quais] não necessariamente estivemos de acordo… Não obstante, creio que todos os interlocutores são unânimes em sua apreciação: ficaram satisfeitos com as discussões. Igualmente, ficaram satisfeitos com suas visitas. Parabenizaram-nos pela qualidade dos nossos seminários, dizendo: “São normais (Felizmente! É preciso começar por aí…), estas pessoas não são intolerantes nem obtusas, mas animadas, abertas, alegres, simplesmente indivíduos normais. E este comentário foi feito por todos os visitantes. Sem dúvida, isto é o lado humano, mas não devemos esquecê-lo tampouco.

Para mim, estas discussões, ou mais precisamente, esta faceta mais simples das discussões é importante, já que um dos problemas é a desconfiança. Certamente, nós temos esta desconfiança. E penso que, sem dúvida alguma, Roma também a tem sobre nós. E enquanto esta desconfiança prevalecer, a tendência natural é que tomemos qualquer coisa que se diga de maneira equivocada, ou que assumamos o pior cenário possível. Enquanto continuarmos com essa mentalidade receosa, não poderemos realizar muitos avanços. É necessário chegar a ter um mínimo grau de confiança, um clima de serenidade, para poder eliminar estas acusações a priori. Creio que a nossa forma de pensar segue sendo esta, e é também a de Roma. Isto leva tempo. Ambas as partes devem poder apreciar corretamente as pessoas, suas intenções, para poder superar tudo isto. Creio que isto vai levar algum tempo.

Isto também requer ações que mostrem boa vontade, e não a intenção de nos destruir. Atualmente, ainda temos esta ideia em nossas mentes, o que é uma postura amplamente difundida: “Se nos querem, é para nos asfixiar, e eventualmente nos destruir, para nos absorver totalmente, para nos desintegrar”. Isso não é integração, é desintegração. Obviamente, enquanto esta ideia prevalecer, não podemos esperar nada.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/553127-francisco-nos-alarma-enormemente-e-nao-apenas-a-nos-mas-gostamos-dele

Papa recebeu líder da Fraternidade São Pio X, fundada por D. Marcel Lefèbvre

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Caríssimos, Salve Maria!

Nada de novo debaixo do sol! O Papa Francisco encontrou-se com Mons. Fellay, superior da FSSPX, como vemos abaixo. Mais um encontro, entre outros, como no passado.

Tudo fracassa quando a Santa Sé exige da Fraternidade a adesão ao Concílio Vaticano II. Alguns dizem que a benevolência de Francisco para com os filhos de Ecône é maior que a de Bento XVI. Na verdade o papa atual sabe a força que a Fraternidade possui no mundo inteiro, bem como a quantidade de pessoas que povoam seus priorados, igrejas, escolas e conventos…A política vaticana não despreza nunca o que é forte, grande e bem sucedido….Talvez seja por isso que parece nem ter ligado para as sagrações na “invisível resistência”..

O fato é que esse “ecumenismo” com a Fraternidade logo desaparecerá quando os romanos apontarem, novamente, o Concílio  dogmatizado como condição “sine qua non”  à unidade…

No mais , os bispos estão envelhecendo e, logo, logo, surgirá a necessidade de uma nova sagração..e aí, sim, tudo girará para o ponto onde tudo começou e então, a misericordia bergoliana, se transformará em agradável Excomunhão-da comunhão excomungada

Rezemos.

Cidade do Vaticano, 04 abr 2016 (Ecclesia) – O Vaticano confirmou hoje que o Papa Francisco recebeu no sábado, em privado, D. Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), fundada por D. Marcel Lefèbvre (1905-1991).

O vice-diretor da sala de imprensa da Santa Sé confirmou a existência da conversa, sem oferecer mais detalhes.

O Papa determinou em setembro do último ano que todos os católicos se podem confessar de forma válida, durante o Jubileu da Misericórdia (dezembro de 2015-novembro de 2016), a sacerdotes da FSSPX.

Francisco deixava então votos de que seja possível “encontrar soluções para recuperar a plena comunhão com os sacerdotes e os superiores da Fraternidade” no futuro próximo.

Em março de 2009, Bento XVI enviou uma carta aos bispos de todo o mundo, para explicar a remissão das excomunhões de quatro bispos da Fraternidade São Pio X que tinham sido ordenados pelo arcebispo Lefèbvre, sem mandato pontifício, no ano de 1988.

Na altura, o agora Papa emérito escreveu que “enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canónica na Igreja, também os seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja”.

Em junho de 2012, a Santa Sé revelou que tinha proposto a criação de uma prelatura pessoal para a Fraternidade Sacerdotal, que esta viria a recusar.

A prelatura pessoal distingue-se da diocese (associada a determinados territórios) e é uma figura jurídica criada após o Vaticano II, posteriormente concretizada pelo Motu Proprio de Paulo VI ‘Ecclesiae Sanctae’ (1966).

Segundo o Código de Direito Canónico, esta prelatura tem à frente um prelado pessoal – à imagem do que acontece com o Opus Dei – como ordinário [responsável máximo] próprio e os seus estatutos, aprovados pela Santa Sé, devem definir as relações com os bispos onde ela se implantar-

Entre as questões que separam as duas partes destacam-se a aceitação do Concílio Vaticano II (1962-1965) e do magistério pós-conciliar dos Papas em matérias como as celebrações litúrgicas, o ecumenismo ou a liberdade religiosa.

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Ecône e o Vaticano. Legalizar o desacordo

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Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Tendo em vista os rumores e alguns comentários de autoridades eclesiásticas a propósito de um iminente reconhecimento canônico da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, desejaria expressar minha opinião sobre um assunto de interesse geral.

Em primeiro lugar, repito o que tenho dito em vários ocasiões. Visto que a Fraternidade São Pio X teve seu estatuto canônico supresso de uma forma arbitrária, ao arrepio do devido processo legal, nos idos de 1976, sem que se desse aos interessados nenhum direito de defesa  contra a medida atrabiliária, cabe, hoje, na verdade, uma perfeita restauração do direito violado. Se, por exemplo, eu fosse injustamente privado da minha cidadania e de todos os direitos dela decorrentes, não aceitaria nenhum ato de “misericórdia”, de reconciliação, de anistia ou coisa que o valha, mas a pura e simples reparação da injustiça cometida contra mim e o restabelecimento do meu direito acrescido de devida indenização. Se é procedente falar de misericórdia no caso, esta vem da parte do ofendido que perdoa ao agressor. É o caso da Fraternidade São Pio X.

Quanto às declarações de um conhecido prelado da cúria romana sobre o estado atual das relações entre a Fraternidade e o Vaticano, parece-me oportuno assinalar que hoje soam absurdas, sobretudo após a declaração conjunta (ou acordo?) do bispo de Roma e do patriarca de Moscou, assinada recentemente, sob as bênçãos dos irmãos Castro e do presidente Putin, as exigências de ordem doutrinária à Fraternidade São Pio X, quando o papa declarou que a Igreja Greco-Ucrâniana não deve expandir-se trazendo para o seio da Igreja Católica os cristãos nascidos ou caídos no cisma ortodoxo.

O referido prelado da Comissão Ecclesia Adficta deveria seguir o exemplo do Santo Padre e dizer que as comunidades dependentes da dita comissão não podem fazer proselitismo tentando atrair os fiéis da Fraternidade. Deveria também obedecer ao papa que já várias vezes declarou que discussões teológicas não chegam a lugar nenhum e que o importante é ter prazer na convivência fraterna. O Vaticano vai festejar o 5º centenário da falsa reforma do heresiarca Martinho Lutero e agora vem um prelado falar em exigências doutrinárias para o reconhecimento da Fraternidade. Em que mundo estamos? Em que Igreja estamos?

Com efeito, os debates doutrinários entre os teólogos da Fraternidade parece que se tornaram discussões bizantinas. Não por culpa da Fraternidade que segue o método escolástico tradicional, mas por culpa da outra parte que, influenciada pelo pensamento moderno, especialmente o modernismo de matriz hegeliana, que tenta conciliar o inconciliável, encontrando uma mediação entre os opostos. Aqui vale a pena citar, ainda que correndo o risco de parecer pedante, o aut aut de Kierkegaard contra o et et. Ou se obedece a Satis cognitum de Leão XIII, a Mystici corporis de Pio XII, que estabelecem a eclesiologia tradicional ou se aceita o subsistit do Vaticano II. Não há aqui et et.

Concluo, pois, estas breves considerações dizendo que, salvo o caso de um debate desenvolvido conforme o método escolástico em que a verdade, quando não convence vence, as assembleias que reúnem facções opostas não são feitas para conciliar mas simplesmente para legalizar o desacordo. Isto será possível se a prática pastoral de Francisco I se aplicar às relações entre Ecône e o Vaticano.

Deus une, o diabo reúne.

Anápolis, 29 de fevereiro de 2016.

Fonte: http://santamariadasvitorias.org/econe-e-o-vaticano-legalizar-o-desacordo/

Dom Bernard Fellay escreve ao Papa Francisco.

Bishop Bernard Fellay

Santíssimo Padre,

É com grande preocupação que constatamos ao nosso redor a degradação gradual do matrimônio e da família, origem e fundamento de toda a sociedade humana. Esta dissolução está se acelerando com força, sobretudo através da promoção legal dos comportamentos mais imorais e mais depravados. A lei de Deus, mesmo simplesmente natural, é hoje pisoteada publicamente, os pecados mais graves se multiplicam de modo dramático e clamam vingança ao Céu.

Santíssimo Padre,

Não podemos negar que a primeira parte do Sínodo dedicado aos “desafios pastorais da família no contexto da evangelização” nos deixou profundamente alarmados. Temos ouvido e lido, de grandes autoridades eclesiásticas – que se atribuem vosso respaldo, sem serem desmentidas – afirmações tão contrárias à verdade, tão opostas à doutrina clara e constante da Igreja sobre a santidade do matrimônio, que nossa alma tem ficado profundamente perturbada. Todavia, o que mais nos preocupa são algumas das suas palavras que dão a entender que poderia haver uma evolução da doutrina para responder às novas necessidades do povo cristão. Nossa preocupação brota da condenação que São Pio X fez, na encíclica Pascendi, do alinhamento do dogma a supostas exigências contemporâneas. Pio X e vós, Santo Padre, receberam a plenitude do poder de ensinar, santificar e governar em obediência a Cristo, que é a cabeça e pastor do rebanho em todo tempo e em qualquer lugar, e de quem o Papa deve ser o verdadeiro Vigário na terra. O objeto de uma condenação dogmática não pode se converter, com o tempo, em uma prática pastoral autorizada. Continue lendo

Comunicado da Casa Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

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No dia 19 de março de 2015, Dom Richard Williamson realizou a sagração episcopal do Rev. Pe. Jean-Michel Faure no mosteiro beneditino da Santa Cruz (em Nova Friburgo, Brasil).

Dom Williamson e o Rev. Pe. Faure não são membros da Fraternidade São Pio X desde 2012 e 2013 respectivamente, em razão das vivas críticas que formularam contra qualquer relação com as autoridades romanas, denunciando que isto seria, em sua opinião, uma traição à obra de Dom Marcel Lefebvre.

A Fraternidade São Pio X lamenta que esse espírito de oposição resulte nesta sagração episcopal. Em 1988, Dom Lefebvre manifestou claramente a sua intenção de consagrar bispos auxiliares, sem jurisdição, por causa do estado de necessidade em que se encontrava a Fraternidade São Pio X e os fiéis católicos, com o único objetivo de permitir a estes fiéis de receber os sacramentos pelo ministério dos padres que seriam ordenados por esses bispos. Depois de tentar tudo o que estava ao seu alcance junto à Santa Sé, Dom Lefebvre procedeu às sagrações em 30 de junho de 1988, realizadas solenemente diante de milhares de sacerdotes e fiéis, e de centenas de jornalistas de todo o mundo. Tudo mostrava que esse ato, apesar da ausência de autorização de Roma, foi realizado publicamente para o bem da Igreja e das almas.

A Fraternidade São Pio X esclarece que a sagração episcopal do Rev. Pe. Faure, apesar das afirmações do consagrante e do consagrado, não se assemelha em nada com as sagrações de 1988. Na verdade, todas as declarações de Dom Williamson e do Rev. Pe. Faure demonstram constantemente que não reconhecem mais as autoridades romanas senão de modo puramente retórico.

A Fraternidade São Pio X reafirma que o atual estado de necessidade na Igreja legitima o seu apostolado no mundo inteiro, sem dispensá-la de reconhecer as autoridades eclesiásticas, por quem seus sacerdotes rezam em cada Missa. Ela quer guardar o depósito da Fé e da moral, opondo-se aos erros – sejam de quais fontes vierem -, a fim de transmiti-lo através da liturgia tradicional e da pregação, no espírito missionário de seu Fundador:Credidimus caritati. (1 João 4, 16)

Menzingen, 19 de março de 2015

Fonte: http://www.fsspx.com.br/comunicado-da-casa-geral-da-fraternidade-sacerdotal-sao-pio-x-sobre-a-sagracao-episcopal-do-rev-pe-faure/