OS QUE PENSAM QUE VENCERAM: 2. Verdadeira e falsa restauração

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Caríssimos, Salve Maria!

Excelente texto sobre o que se chamou de “Nova Teologia” apadrinhada por Lubac e Hans Urs von Balthasar – jejuíta e ex jesuíta, mas sempre jejuíta…

Aos seminaristas e estudantes de teologia, de boa vontade, eis o Texto:

Pe Marcélo Tenorio

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Tradução: Airton Vieira

Os que pensam que «venceram» são os neomodernistas fiéis à linha (se assim pode chamar-se) dos padres fundadores da «nouvelle théologie» ou «nova teologia» e, especialmente, à linha (tortuosa e obscura) traçada pelo jesuíta Henri de Lubac e pelo ex-jesuíta Hans Urs von Balthasar. «Se exaltam os expoentes da nova teologia como se fossem eles a pedra angular da Igreja» escreveu com razão o pensador Mons. Julio Meinvielle («De la cábala al progresismo», ed. Calchaqui, Salta (Argentina), 1970).

Antes de apresentar estes «santos padres» do mundo católico pós-conciliar, é, sem dúvida, oportuno ilustrar aqui brevemente a essência da «nova teologia».

O princípio simples de uma heresia complexa

O sacerdote e teólogo alemão Johannes Dörmann, em seu ótimo livro «L’étrange théologie de Jean-Paul II et l’esprit d’Assise» (Ed. Fideliter, Eguelshardt (Francia), 1992) [Ed. em castelhano: «Itinerario teológico de Juan Pablo II hacia la jornada mundial de oración de las religiones en Asís», Fund. são Pio X, Madrid, 1994], escreve:

«A “nouvelle théologie” se apresenta sob dois aspectos, mas é simples em seu princípio, e, por isto, podem agrupar-se suas múltiplas formas sob o mesmo nome. Suas diferentes formas têm em comum o repúdio da teologia tradicional» (p. 55).

O que significa o repúdio da «teologia tradicional» o explica o Autor, concisa e eficazmente, a propósito do último Concílio, que considerou seu dever renunciar por motivos «pastorais» à linguagem escolástica: «Os teólogos manipuladores viram perfeitamente que nesta questão da linguagem se tratava a questão, toda a questão da teologia e da fé. Porque a linguagem escolástica estava indissoluvelmente vinculada à filosofia escolástica, a filosofia escolástica à teologia escolástica e esta última finalmente à tradição dogmática da Igreja» (p. 52). E, portanto, o adeus à linguagem escolástica se havia resolvido em última análise no adeus à Tradição divino-apostólica custodiada fielmente pela Igreja.

«O abandono por parte dos padres da “linguagem escolástica” – escreve ainda Dörmann – era para eles [os teólogos manipuladores do Concílio] a condição sine qua non da ruptura com a antiga dogmática, para instalar a “nova teologia” depois de haver deixado de utilizar a “antiga” e ter-se despedido dela» (p. 53).

A utopia

E como esteve e está motivada esta «despedida» da teologia tradicional, isto é, da teologia católica tout court, indissoluvelmente vinculada à Tradição dogmática da Igreja? Com «esta simples e sedutora ideia: uma “nova teologia” na perspectiva do carácter científico moderno e da imagem moderna do mundo e da história» (p. 55). Em outros termos, com a antiga e sempre renascente utopia da Igreja conciliada com o «mundo moderno», ou seja, com o pensamento filosófico moderno, com o qual Pio IX (cfr. Syllabus, proposição octogésima) declarou que a Igreja não pode nem deve conciliar-se, dado seu caráter essencialmente anticristão:

«Os homens [modernos] são em geral estranhos às verdades e aos bens sobrenaturais e creem poder satisfazer-se com a só razão humana e na ordem natural das coisas e poder conseguir nelas sua própria perfeição e felicidade» (Vaticano I, esquema preparatório de doctrina catholica).

«Para os membros da “nouvelle théologie” – continua Dörmann – o lema “aggiornamento” significava a decidida abertura da Igreja ao pensamento moderno [estranho à verdade e aos bens sobrenaturais] para chegar a uma teologia totalmente diferente da qual deveria nascer uma nova Igreja [secularizada] adaptada a sua época» (op. cit., p. 54). É a idêntica utopia do modernismo. «Onde vai a nouvelle théologie? Torna ao modernismo» escrevia o padre Garrigou-Lagrange O. P.

«Pelo caminho do ceticismo, da fantasia e da heresia»

E, em efeito, escavando mais a fundo, sob o princípio simples da nova teologia (o adeus à «antiga» e, por isso, envelhecida teologia) encontramos a mesma perversão da noção de verdade que é o fundamento do modernismo:

«A verdade não é mais imutável que o mesmo homem já que ela evolui nele, com ele e para ele» (São Pio X, decreto Lamentabili, proposição quinquagésima oitava). Pelo que o padre Garrigou-Lagrange O. P., não profetizando, mas simplesmente extraindo as lógicas conclusões, escrevia em 1946:

«Onde irá esta nova teologia com os novos mestres nos que se inspira? Onde senão pelo caminho do ceticismo, da fantasia e da heresia?» (La nouvelle théologie où va-t-elle?, em Angelicum 23, 1946, pp. 136-154).

Uma utopia culpável

O veremos. A nós nos interessa aqui sublinhar que a intenção de conciliar a Igreja com o «mundo moderno» (ou seja, com a filosofia moderna subjetivista e imanentista e a «cultura» embebida de subjetivismo e imanentismo que dela promanou) não é uma utopia inculpável. A tal intenção, em efeito, o Magistério dos Romanos Pontífices encerrou repetidamente o caminho, especialmente Gregório XVI com a Mirari Vos (1832), Pio IX com o Syllabus (1864), São Pio X com a Pascendi (1907) e, nos umbrais do último Concílio, Pio XII com a Humani Generis (1950). Nesta última Encíclica, desatendida e depois desautorizada e sepultada pelos mesmos a quem ela havia condenado, Pio XII, ilustrando o clima precedente ao Concílio, assinala «com ansiedade» e claridade os perigos da «nova teologia», que, buscando seu fundamento fora da filosofia perene, põe em perigo todo o edifício do dogma católico. Sobretudo, Pio XII não deixa de sublinhar o desprezo ao Magistério que se adverte sob tal atitude:

«[…] a razão será devidamente cultivada: se […] ela se nutrir daquela sã filosofia que é como um patrimônio herdado das precedentes idades cristãs e que possui uma mais alta autoridade porque o mesmo Magistério da Igreja confrontou com a verdade revelada seus princípios e suas principais assertivas postas à luz e fixadas lentamente através dos tempos por homens de grande engenho. Esta mesma filosofia, confirmada e comumente admitida pela Igreja, defende o genuíno valor da cognição humana, os inquebrantáveis princípios da metafísica – isto é, de razão suficiente, de causalidade e de finalidade – e finalmente sustém que se pode alcançar a verdade certa e imutável.

Nesta filosofia há certamente muitas coisas que não se referem à fé e aos costumes, nem direta nem indiretamente, e que, por isto, a Igreja deixa à livre discussão dos competentes nesta matéria; mas não existe nela a mesma liberdade a respeito de muitas outras, especialmente a respeito dos princípios e das principais assertivas das que já falamos [valor do conhecimento humano, inquebrantáveis princípios da metafísica, etc.] […].

A verdade em toda sua manifestação filosófica não pode estar sujeita a cotidianas mutações especialmente tratando-se dos princípios de por si conhecidos da razão humana ou daquelas asserções que se apoiam tanto na sabedoria dos séculos como também no consenso e no fundamento da Revelação divina […].

Por isto deve deplorar-se mais que nunca que hoje a filosofia confirmada e admitida pela Igreja seja objeto de desprezo por parte de alguns, de modo que, com imprudência, a declaram antiquada pela forma e racionalista pelo processo de pensamento. […].

Sem embargo, enquanto que desprezam esta filosofia, exaltam as demais, tanto antigas como recentes, tanto de povos orientais como dos ocidentais, de maneira que parecem querer insinuar que todas as filosofias ou opiniões, com o acréscimo – se é necessário – de alguma correção ou de algum complemento, se podem conciliar com o dogma católico. Mas nenhum católico pode pôr em dúvida quanto tudo isto é falso, especialmente quando se trata de sistemas como o imanentismo, o idealismo, o materialismo tanto histórico como dialético, ou também como o existencialismo, quando professa ou ateísmo o quando nega o valor do raciocínio no campo da metafísica. […].

Seria verdadeiramente inútil deplorar estas aberrações se todos, também no campo filosófico, fossem respeitosos com a devida veneração pelo Magistério da Igreja, que, por instituição divina, tem a missão não somente de custodiar e interpretar o depósito da Revelação, como também de velar sobre as mesmas ciências filosóficas para que os dogmas católicos não recebam nenhum dano por opiniões não retas».

Resta assim confirmado quanto desde há anos temos repetido e documentando: mesmo sendo membros da hierarquia católica, os neomodernistas são e permanecem sendo uns desobedientes ao Magistério constante e, por isto, infalível da Igreja, e a «obediência» que de fato eles impõem ao novo curso eclesial se concretiza em uma imposição de desobediência à Igreja.

Verdadeira e falsa «restauração»

De quanto se tem dito mais acima se segue que a autêntica restauração percorrerá o caminho inverso ao que tem levado à ruptura com a Tradição doutrinal da Igreja: torna à filosofia perene e portanto à teologia escolástica e portanto à tradição dogmática da Igreja, em obediência às diretivas constantes do Magistério Pontifício.

Os neomodernistas fiéis à «linha» de de Lubac e de von Balthasar se auto intitulam hoje de «moderados» e inclusive de «restauradores», mas não tentam repudiar em absoluto a «nova teologia», da qual – queiram ou não – é filha da crise que paralisa em nossos dias a vida da Igreja. «Nossa linha – dizia “seguro” o padre Henrici S. J. a 30 Giorni (dezembro de 1991) – é a de extremo centro. Nem excessiva atenção [sic!] ao Magistério, nem contestação. Nem direita nem esquerda. Adesão à tradição [que, na linguagem de de Lubac e dos «novos» teólogos, não é – o veremos – a Tradição dogmática da Igreja] na linha da théologie nouvelle de Lyon [sede de de Lubac e de outros «padres fundadores»], que sublinhava a não contraposição [leia-se: identificação] entre natureza e preternatureza, entre fé e cultura, e que se converteu na teologia oficial do Vaticano II».

«Théologie nouvelle» que Pio XII, na Humani Generis, havia condenado como um cúmulo de «falsas opiniões que ameaçam com subverter os fundamentos da doutrina católica»! É, portanto, mais que nunca, necessário saber que há detrás da «moderação» destes neomodernistas de «extremo centro», sim, mas, não obstante, neomodernistas.

 

(continua)

 

Hirpinus

(Traducido por Marianus el eremita. Imagem principal: padre Garrigou-Lagrange O. P)

Fonte: http://adelantelafe.com/los-piensan-vencido-2-verdadeira-falsa-restauracion/

 

Foto: padre Garrigou-Lagrange O. P)

Os quatro cardeais têm uma vantagem de 14 a 9. Mas também Leonardo Boff faz seu jogo

segundafeira

(Ilustração publicada em “The Remnant” em 30 de dezembro de 2016)

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Pouco antes do Natal eram dezoito os cardeais e bispos que se haviam pronunciado a favor ou contra às cinco dúvidas tornadas públicas em 14 de novembro por quatro cardeais em relação aos pontos controversos de “Amoris laetitia”, com a petição ao Papa Francisco de “trazer claridade”, petição que ainda não teve resposta.

Neste site de www.chiesa de 21 de dezembro havia uma resenha precisa de suas declarações:

> O Papa não responde aos quatro cardeais. Mas são poucos os que o justificam

Em um “Post Scriptum” se indicavam ademais outras três intervenções que elevavam o total a vinte e uma, das quais só oito eram contrárias à iniciativa dos quatro cardeais.

Mas depois disto outras duas vozes de cardeais e bispos se têm alçado, uma a favor e a outra contra.

A voz a favor dos quatro cardeais é a do bispo auxiliar de Salzburgo Andreas Laun, entrevistado em 23 de dezembro por Maike Hickson para o blog OnePeterFive:

> Bishop Andreas Laun on Amoris Laetitia and the Four Cardinals’ Dubia

A que apoia o Papa é a do cardeal Walter Kasper, em uma entrevista de 22 de dezembro à Radio Vaticana em língua alemã:

> Kardinal Kasper: “Amoris Laetitia ist klar”

Segundo Kasper, “naturalmente que se podem apresentar dúvidas e perguntas ao Papa, cada cardeal pode fazê-lo. Mas sobre o fato de que fosse uma boa ideia tornar pública esta petição de esclarecimento, tenho minhas dúvidas. Em minha opinião, a exortação apostólica é clara; há também declarações sucessivas do próprio Papa, a carta aos bispos argentinos, ou as declarações do cardeal vigário de Roma. Tem-se esclarecido o que o Papa diz e como o vê. Não há nenhuma contradição com as declarações de João Paulo II. É um desenvolvimento homogêneo. Esta é minha posição, tal como o vejo eu. A este propósito não existem dúvidas para mim”.

Portanto, no dia de hoje, entre os vinte e três cardeais e bispos que intervieram a pontuação é de 14 a 9 a favor dos quatro cardeais, sinal evidente de que suas “dubia” não são para nada consideradas inconsistentes e que a espera de um esclarecimento é cada vez mais firme e estendida.

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Há que assinalar também que um dos quatro cardeais subscritores das “dubia”, o alemão Walter Brandmüller, interpelado por Andrea Tornielli para Vatican Insider, tem precisado o sentido da “correção formal” do Papa que manifestou outro dos signatários, o cardeal Raymond L. Burke:

> Brandmüller: “Any fraternal correction proposed to the Pope must be presented in camera caritatis”

“O cardeal – pontualizou Brandmüller – não disse que a correção formal tenha que ser pública, nem indicou uma data limite e estou convencido de que, em primeira instância, a correção terá lugar ‘in camera caritatis’[1]. O cardeal Burke expressou com plena autonomia sua opinião, que poderia ser compartilhada por outros cardeais, que de todas as formas procederão ‘in solido’[2]“.

“A intenção das ‘dubia’ – continua Brandmüller – é promover na Igreja o debate, como está sucedendo, enquanto se espera uma resposta, a falta da qual é vista por amplos setores da Igreja como uma rejeição a aderir-se de maneira clara e coerente à doutrina definida”.

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E se se estende esta resenha para além dos cardeais e bispos, há pelo menos uma intervenção que se é obrigado assinalar.

É a ampla entrevista publicada na Alemanha, no dia de Natal, com o teólogo brasileiro Leonardo Boff no periódico “Kölner Stadt-Anzeiger”:

> Leonardo Boff im Interview: “Papst Franziskus ist einer von uns”

Passagens da entrevista estão disponíveis tanto em inglês como em italiano.

Boff dedica esta passagem às “dubia”:

“O Papa sente a dureza dos ventos contrários que procedem das altas hierarquias, sobretudo dos Estados Unidos. Este cardeal Burke que agora, junto ao seu cardeal jubilado Meisner de Colônia, escreveu uma carta ao Papa, é o Donald Trump da Igreja católica (risos). Mas à diferença de Trump, Burke tem sido neutralizado na cúria. Graças a Deus. Esta gente crê de verdade que lhes corresponde a eles corrigir o Papa, como se estivessem por cima do Papa. Algo assim é inusual, não tem precedentes na história da Igreja. Alguém pode criticar o Papa, pode ter uma discussão com ele. Isto é algo que eu tenho feito continuamente. Mas que uns cardeais acusem publicamente o Papa de difundir erros teológicos ou inclusive heresias, penso que é demasiado. É uma afronta que o Papa não pode permitir. O Papa não pode ser julgado, este é o ensinamento da Igreja”.

Salvo que depois, na mesma entrevista, é ele, Boff, quem acusa de “grave erro teológico” e de “terrorismo religioso” a declaração “Dominus Iesus” publicada no ano 2000 pelo então cardeal Joseph Ratzinger com a plena aprovação do Papa João Paulo II.

Mas há outras passagens interessantes na entrevista.

Por exemplo, essa onde Boff explica por que o Papa Francisco teve que cancelar a audiência que lhe havia concedido a princípios do sínodo de 2015:

“Havia recebido um convite e já havia aterrissado em Roma. Mas precisamente nesse dia, justo antes do início [dos trabalhos] do sínodo sobre a família de 2015, treze cardeais – entre os quais o cardeal alemão Gerhard Müller – organizaram uma revolta contra o Papa com uma carta dirigida a ele que depois foi publicada, que casualidade!, por um periódico. O Papa estava furioso e me disse: ‘Boff, não tenho tempo. Tenho que reestabelecer a calma antes de que comece o sínodo. Nos veremos em outro momento'”.

Ou também onde diz “ter ouvido que o Papa quer acolher a petição explícita dos bispos brasileiros e, sobretudo, de seu amigo cardeal Cláudio Hummes de utilizar de novo no serviço pastoral os sacerdotes casados, ao menos durante um certo período de prova”.

Sem que, por outra parte, Boff esteja esperando do Papa esta via livre. Na entrevista, de fato, ele conta que ainda que esteja casado e, portanto, seja formalmente proibido de exercer seu ministério, faz “o que tenho feito sempre e quando estou em uma paróquia onde não há sacerdote celebro eu a missa junto ao povo e nunca nenhum bispo tem contestado isto ou mesmo proibido. Pelo contrário, os bispos estão contentes e me dizem: ‘A gente tem direito à eucaristia. Siga assim!’. Meu mentor teológico, o cardeal Paulo Evaristo Arns – que faleceu faz poucos dias – era, por exemplo, muito aberto neste sentido. Até o ponto de que se via sacerdotes casados sentados na nave durante a missa, os fazia subir ao altar e concelebrava a eucaristia com eles”.

(Traducción en español de Helena Faccia Serrano, Alcalá de Henares, España)

(Tradução ao português de Frei Zaqueu, Brasília, Brasil)

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Fonte: http://magister.blogautore.espresso.repubblica.it/2017/01/03/los-quatro-cardeais-têm-una-vantagem-de-14-a-9-mas-tambien-leonardo-boff-faz-su-jogo/?refresh_ce

[1] No sigilo da intimidade. No sentido da discrição que pede inicialmente a caridade. (ndt)

[2] Solidariamente. (ndt)

Créditos: Fr Zaqueu

Papa Francisco: Mais uma “amigável” mensagem de Natal à Cúria

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Nesta quinta-feira, 22 de dezembro, na Tradicional saudação aos cardeais e bispos da Cúria Romana para abordar a reforma que deseja fazer. Em suas palavras falou sobre as várias formas de “Resistências” que surgem no seio da própria Igreja. Lendo a atualidade, pode-se  dizer que o Papa Francisco tenha dado indiretas aos quatro cardeais ?

“[Há] diferentes tipologias de resistências: Resistências abertas que nascem da boa vontade e do diálogo “sincero”, resistências escondidas que nascem de medrosos e empedernidos, alimentados pelas palavras vazias do “leopardismo espiritual”, que diz querer mudar por palavras, mas deseja que tudo fique na mesma. E existem ainda as resistências malévolas que crescem nas mentes distorcidas e se apresentam-se quando o demônio inspira más intenções, às vezes com pele de cordeiro. Este último tipo de resistência esconde-se atrás de palavras justuficadoras e, tantas vezes, acusadoras, refugiando-se na tradição, nas aparências, nas formalidades[SIC!!!], no que é conhecido, ou então, em querer tornar tudo numa questão pessoal, sem distinguir o ato, o ator e a ação.

A reforma por isso não tem um fim estético para tornar a Cúria mais bela, nem pode ser entendida como uma espécie de “lifting”, de maquiagem ou pintura, para embelezar o velho corpo da cúria, nem mesmo uma operação de cirurgia plástica para tirar as rugas. Caros irmãos, não são as rugas que se devem temer na Igreja, mas as manchas.”

Veja o Vídeo, aqui: http://rr.sapo.pt/video/123046/papa_confronta_a_curia_na_igreja_devemos_ter_medo_das_manchas_e_nao_das_rugas

A ” Correção Formal” dos Cardeais à doutrina do Papa sairá após Natal, informa o Cardeal Burke

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Tradução Livre

LifeSiteNews ‘Lisa Bourne realizou uma entrevista exclusiva com o Cardeal Raymond Burke. Na entrevista  perguntou sobre   a Correcção Formal, já quer não houve resposta alguma do Papa Francisco à “Dúbia” relacionadas com Amoris Laetitia.

. Burke respondeu:

“Os dubia têm que ter uma resposta porque têm a ver com as próprias bases da vida moral e do constante ensino da Igreja em relação ao bem e ao mal, no que diz respeito a várias realidades sagradas como o matrimônio e a Santa Comunhão.

 Burke disse durante uma entrevista por telefone.

“Agora, é claro que estamos nos últimos dias, dias de graça forte, antes da solenidade do Natal do Senhor, e então nós temos a Oitava da Solenidade e as celebrações no início do Ano Novo – todo o mistério da nascimento do nosso Senhor e Sua Epifania – por isso provavelmente ocorrerá em algum momento depois disso. “

O cardeal, que é o patrono da Ordem Soberana de Malta, disse que o formato da correção seria “muito simples”.

“Seria direta, assim como as “Dubia” são, só que neste caso não haveria mais questões a serem levantadas, mas confrontar as declarações confusas em Amoris Laetitia com o que tem sido o ensinamento da Igreja constante e prática, e corrigindo assim Amoris Laetitia”, ele disse.

O cronograma  coloca a Correção após a Epifania , ou seja início de 2017.

Veja na íntegra, em inglês aqui:

Cardinal Burke: Formal Correction Will Probably Take Place in 2017

 

Mais vozes contra AMORIS LAETITIA

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Enviado por Moderador na Seg, 12/12/2016 – 18:50.

Trata-se de que o Magistério condene posições doutrinais derivadas de certas afirmações

EDITOR E RESPONSÁVEL

Outro recente documento publicado por Infovaticana dá conta de novas vozes que se alçam contra os erros de Amoris Laetitia. Desta vez sob a forma de pedido de aclaração das “interpretações incorretas” do documento. Ainda que pareça uma exortação mais suave em seu levantamento, acerta em cheio a medula do problema. Francisco tem que definir-se a favor ou contra as expressões que dão origem a tais interpretações. Abaixo, o texto traduzido por Infovaticana com uma breve introdução do editor da nota.

Gabriel Ariza. 10 dezembro, 2016

Se acumulam as correspondências de Francisco: Os prestigiosos professores John Finnis e Germain Grisez pedem a Francisco que aclare e condene as interpretações incorretas de Amoris Laetitia que não são conforme o magistério da Igreja, e pedem aos bispos que se adiram a sua petição.

Em seguida, a nota na que os professores explicam a carta enviada a Francisco e que não obteve resposta:

Nós chamamos a atenção dos leitores para O abuso de Amoris laetitia para apoiar erros contra a fé católica, a carta que dirigimos “ao Sumo Pontífice Francisco, a todos os bispos em comunhão com ele e ao resto dos fiéis cristãos”. A carta foi enviada em 21 de novembro para ser entregada ao Papa Francisco.

Nesta carta solicitamos ao Papa Francisco que condene oito posições contrárias à fé católica que estão recebendo apoio, ou provavelmente o receberão, mediante o abuso de sua Exortação Apostólica Amoris laetitia. O pedimos a todos os bispos que se adiram a esta solicitude e que pronunciem suas próprias condenações das posições errôneas que identificamos, reafirmando ao mesmo tempo os ensinamentos católicos que estas posições contradizem.

As seguintes considerações mostram com claridade por que apelar a Amoris laetitia para apoiar estas posições é algo que corretamente descrevemos como um abuso do documento do Papa.

Quando um bispo atua in persona Christi, cumprindo seu dever de ensinar em matérias de fé e moral mediante a identificação de proposições às quais exige que os fiéis prestem seu assentimento, cabe presumir que tenta expor verdades que pertencem a um único e idêntico conjunto de verdades: primariamente, aquelas confiadas por Jesus a sua Igreja, e, secundariamente, aquelas necessárias para preservar as verdades primárias como invioláveis e/ou para expô-las com fidelidade. Posto que as verdades deste tipo não podem substituir-se ou anular-se entre si, deve presumir-se que as expressões do Papa ou de outros bispos proferidas ao ensinar in persona Christi são coerentes entre si quando se as interpreta cuidadosamente. Em consequência, é um abuso de uma expressão magisterial de tal tipo pretender apoiar-se nela sem haver procurado interpretá-la antes desta maneira.

Ademais, se emerge uma aparente incoerência depois de uma interpretação cuidadosa, uma expressão magisterial que não é definitiva é usada incorretamente a menos que se a entenda com ressalvas e delimitações suficientes para torná-la coerente

com a Sagrada Escritura e com os ensinamentos que definitivamente pertencem à Tradição, interpretada cada uma à luz da outra.

Em nossa carta nos ocupamos somente do abuso de Amoris laetitia para apoiar posições sustentadas por teólogos e pastores que não ensinam in persona Christi. Nós não afirmamos nem negamos que Amoris laetitia contenha ensinamentos que requeiram ressalvas ou delimitação, nem tampouco fazemos sugestões sobre como fazê-lo, na suposição de que fosse necessário.

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A carta explica de que maneira quem propõem as oito posições que nós identificamos podem encontrar apoio em expressões ou em omissões da Exortação Apostólica, e explica como estas posições são ou incluem erros contra a fé católica. Em cada caso explicamos brevemente como tem emergido essa posição entre os pastores ou teólogos católicos e mostramos como certas expressões ou omissões de Amoris Laetitia estão sendo usadas, ou provavelmente serão usadas, para apoiá-la. Logo expomos os argumentos para julgar que a posição é contrária à fé católica, isto é, à Sagrada Escritura e aos ensinamentos que pertencem definitivamente à Tradição, interpretadas cada uma à luz da outra.

As oito posições são estas:

Posição A: Um sacerdote que administra o Sacramento da Reconciliação pode às vezes absolver um penitente que carece de propósito de emenda a respeito de um pecado em matéria grave que pertence a sua forma de viver contínua ou que é habitualmente repetitivo.

Posição B: Alguns dos fiéis são demasiado débeis para cumprir os mandamentos de Deus; ainda que estejam resignados a cometer pecados em matéria grave contínuos e habituais, podem viver em graça.

Posição C: Não existe nenhuma regra moral geral que não admita exceções. Inclusive os mandamentos divinos que proíbem classes específicas de atos estão submetidos a exceções em algumas situações.

Posição D: Ainda quando alguns dos preceitos ou mandamentos de Deus parecem exigir que alguém nunca escolha um ato de uma das classes aos que eles se referem, em realidade esses preceitos e mandamentos são regras que expressam ideais e que identificam bens que alguém sempre devesse servir e esforçar-se por realizar o melhor que possa, atendidas as próprias debilidades e a situação concreta, complexa, de cada um, que pode exigir-lhe a alguém escolher um ato em contraste com a letra da lei.

Posição E: Se alguém tem em conta sua situação concreta e suas limitações pessoais, sua consciência pode às vezes discernir que realizar um ato de certa classe inclusive contrária ao mandamento divino será fazer o melhor de que alguém é capaz para responder a Deus, que é tudo o que ele reclama, e então alguém deve escolher realizar esse ato, mas também estar disposto a conformar-se plenamente ao mandamento divino, se e quando ele seja capaz de fazê-lo.

Posição F: Escolher provocar a excitação ou a satisfação sexual de alguém ou de outro ou outros é moralmente aceitável sob condição somente de que (1) nenhum adulto tenha contato corporal com uma criança; (2) não seja tocado o corpo de nenhum participante sem seu consentimento claro e livre tanto a respeito do modo como da extensão do contato; (3) não se faça conscientemente nada que provoque ou se creia um risco excessivo de dano físico significativo, transmissão de alguma enfermidade ou gravidez não desejada; e (4) não se transgrida nenhuma norma que reja a conduta em geral.

Posição G: Um matrimônio sacramental consumado é indissolúvel no sentido de que os esposos devem sempre fomentar o amor matrimonial e não devem nunca escolher dissolver seu matrimônio. Mas por causas fora do controle dos esposos e/ou por faltas

graves de ao menos um deles, sua relação humana como casal casado às vezes se deteriora até que deixa de existir. Quando a relação matrimonial de um casal já não existe, seu matrimônio dissolveu e ao menos uma das partes pode legitimamente obter um divórcio e casar-se de novo.

Posição H: um católico não necessita crer que muitos seres humanos terminarão no Inferno.

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Nossa carta conclui indicando como os pastores e os teólogos que ensinam e põem em prática qualquer destas oito posições podem dessa maneira causar um prejuízo grave a muitas almas, e assinalando algumas formas em que isto pode suceder. Também chama a atenção sobre o dano que estes erros infligem ao matrimônio e aos jovens que em outro caso poderiam ter participado em uma vida matrimonial autêntica com corações bons e que poderiam ter sido sinais do amor esponsal de Cristo por sua Igreja.

Muitos teólogos e pastores que defendem posições contrárias à fé supõem que estão tratando de forma realista com os católicos influídos pela cultura secularizada que estão rompendo com a Igreja ou apartando-se dela. Mas sua estratégia deixa de lado a tradição da Igreja e sua missão primária: pregar o Evangelho a todas as partes e sempre, e ensinar aos crentes tudo o que Jesus mandou.

A experiência das comunidades eclesiais cristãs que têm adotado estratégias similares nos dois séculos passados sugere fortemente que aqueles que fizeram concessões sobre sua identidade cristã em uma geração foram de pouco interesse para as gerações sucessivas. Aqueles a quem se lhes foi ordenado atuar na pessoa de Jesus fazem bem em ensinar a verdade tal como ele o fez e continuou fazendo inclusive quando muitos de seus discípulos disseram que sua palavra lhes parecia demasiado dura e se afastaram dele.

John Finnis Professor Emérito de Direito e Filosofia Jurídica, universidade de Oxford Membro da Academia Britânica (seções de Direito e Filosofia) Catedrático Biolchini Family, universidade de Notre Dame, Indiana Membro da Comissão Teológica Internacional da Santa Sé 1986–91

Germain Grisez Professor Emérito de Ética Cristã, universidade Mount St. Mary Professor de Filosofia, universidade de Georgetown 1957–72 y Campion College, universidade de Regina 1972–79 Professor Emérito de Ética Cristã Most Rev. Harry J. Flynn Universidadee Mount St. Mary 1979–2009

Publicado originalmente en First Things. Traducción para InfoVaticana

Créditos: Fr. Zaqueu

O Cardeal Burke está fora da Congregação para o Culto Divino na nova composição de seus membros

Misericordiae Vultus aplicada

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Roma – 23 nov, 2016 – O ofício do Vaticano que lida com assuntos relacionados com as práticas litúrgicas da Igreja Católica confirmou que o Papa Francisco decidiu não renovar os termos de vários de seus bispos-membros, muitos dos quais são conhecidos por inclinar-se a uma prática mais tradicionalista da liturgia.

O Papa Francisco tinha nomeado 27 novos bispos para servir como membros da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em 28 de outubro. Mas o anúncio das nomeações não deixou claro se os termos dos membros anteriores tinham sido renovados.

A congregação já postou uma lista completa de seus membros atuais em seu site . A lista deixa claro que o papa não quis renovar os termos de 16 membros da congregação, incluindo o do EUA, Cardeal Raymond Burke, o cardeal australiano George Pell, e o chefe da Congregação do Vaticano para os Bispos, cardeal canadense Marc Ouellet.

Cada uma das congregações do Vaticano é composta por membros Cardeais e Bispos, que viajam frequentemente a Roma para ajudar nos ofícios em seu trabalho.

A confirmação da congregação sobre a composição de seus membros atual foi relatada pela primeira vez por The Tablet . De acordo com a lista on-line, a congregação tem agora 40 membros. Ele já tinha tido 31.

Fonte: https://augustobezerra.wordpress.com/2016/11/23/o-cardeal-burke-esta-fora-da-congregacao-para-o-culto-divino-ed1/

RESPOSTA ao Pe. ZEZINHO

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Caro Pe. Zezinho. Foi feio e desonesto o que o senhor fez.

A postagem de duas fotos: uma do Papa Francisco, na quinta-feira Santa lavando os pés do povo e ao lado a do Cardeal Burke fazendo uso de suas roupas cardinalícias ,usadas pela Igreja por tantos séculos.

É verdade que, de início o senhor disse que o cardeal não estava errado, para depois desprestigia-lo, enaltecendo a humildade midiática de Francisco e colocando o Cardeal como vilão, anti- popular, ao lado dos poderosos.

Seu método é antigo: trata-se da língua bifurcada, que elogia no início para confundir, quando o interesse é dá o bote fatal espalhando seu veneno contra a vítima.

Muito feio, Pe. Zezinho essa sua tática de pegar uma foto fora de todo contexto e coloca-la ao lado de outra em contexto bem definido e diferente.

Já que o senhor sabe do uso da capa magna, o que deixa mais grave e evidente a sua intenção, deve saber que não se faz uso dela para o Lava-pés. Se fosse o Cardeal a realizar a cerimônia que Francisco se encontra na foto, claro que não estaria com essa capa. Ela não é usada para isso, nem para visitar enfermos no hospital, nem tão pouco para ir numa boa cafeteria da esquina…

Bem, em resposta, e na mesma moeda, apresento-lhe outras fotos.
Fui eu mesmo quem postei.

POSTEI E AS POSTARIA DE NOVO.
Como o senhor, também quero provocar uma reflexão.
Deixo claro que não quero aqui julgar as palavras do Pe. João Dehon, apenas falar sobre Fotos sem Textos, e Textos sem Contextos.

Quem está nessas fotos, padre? Seu Fundador,não é? E essas frases tremendas, padre, são deles mesmo?…Ou estou sendo injusto como o senhor. Está no texto ou fora do contexto?..De acordo ou não com o Catecismo Social que ele, Pe. João Dehon, escreveu em 1898?

Só sei, padre, que foi por causa de frases dessas que seu Fundador, no reinado de Bento XVI, teve sua beatificação cancelada, quase às vésperas, com a festa praticamente pronta….Ele foi acusado de anti-semitismo.
Verdade ou mentira, padre?

Nas fotos que o senhor postou há apenas FOTOS, que nada dizem, pois o esfarrapado pode ser orgulhoso e o fidalgo, simples como as pombas, não é verdade? Coração-é-terra-que-ninguém-vai…
O que apresenta uma pessoa não é a roupa que ela veste, mas a sua Fala.

Por uma foto, sem Texto e fora do Contexto o senhor quis condenar um cardeal…

Eu agora apresento-lhe FOTO e TEXTO.

O senhor vai apelar para o Contexto, como o seu Superior Geral quis fazer em defesa , ou também condenará seu fundador, o que não acredito, como ultrapassado, anti-conciliar e nada ecumênico, como fez o historiador francês Dominique Durand?

Mas se for contextualizar, a favor de João Dehon, faça justiça ao Cardeal, e também contextualize sua foto. É o mínimo que poderia fazer..

Quanto ao seu fundador, fique tranquilo. A Igreja mudou. A Misericórdia de Francisco é infinita. Já podem tirar o vinho armazenado para o festim..

Quando a mim, em vez de seu álcool forte,

prefiro água Perrier…

Pe. Marcélo Tenorio

FSSPX-FRANÇA – SOBRE A DECLARAÇÃO CONJUNTA CATÓLICO-LUTERANA

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“Ao lermos a declaração conjunta feita pelo Papa com os representantes da igreja luterana na Suécia no 31 de Outubro, com motivo do quinto centenário da revolta de Lutero contra a Igreja católica, a nossa dor chega ao seu cúmulo.

Na presença do verdadeiro escândalo que representa uma tal declaração na qual sucedem-se erros históricos, graves ataques à pregação da fé católica e um falso humanismo, fonte de tantos más, não podemos ficar silenciosos.

Sob o enganoso pretexto do amor do próximo e do desejo duma unidade fictícia e ilusória, a fé católica está sendo sacrificada sobre o altar do ecumenismo que põe em perigo a salvação das almas. Os erros mais enormes e a verdade de Nosso Senhor Jesus Cristo estão postos em pé de igualdade.

Como «podemos ser agradecidos pelos dons espirituais e teológicos recebidos pelo meio da Reforma», quando Lutero manifestou um ódio diabólico a respeito do Sumo Pontífice, um desprezo diabólico do santo sacrifício da missa, bem como um rechaço da graça salvadora de Nosso Senhor Jesus Cristo? Além de ter destruído a doutrina eucarística negando a transubstanciação, afastado as almas da santíssima Virgem Maria e negado a existência do Purgatório.

Não, o protestantismo não aportou nada ao catolicismo! Tem arruinado a unidade cristã, separado países inteiros da Igreja católica, jogado as almas no erro com perigo da sua salvação eterna. Nós, os católicos, queremos que os protestantes voltem ao único redil de Cristo que é a Igreja católica, e rezamos para esta intenção.

Nestes dias em que celebramos todos os santos, chamamos como testemunhas São Pio V, São Carlos Borromeo, Santo Inácio e São Pedro Canisio que têm combatido heroicamente a heresia protestante e salvado a Igreja católica.

Convidamos os fiéis [do Distrito da França da FSSPX] para rezarem e fazerem penitência para o Soberano Pontífice, afim que Nosso Senhor, de quem é vigário, o preserve do erro e o guarde na verdade, da qual é o custódio.

Convido os sacerdotes do Distrito para celebrarem uma missa de reparação e organizarem uma Hora Santa diante do Santíssimo Sacramento para pedir perdão por estes escândalos e suplicar Nosso Senhor de acalmar a tempestade que açoita a Igreja desde há mais de meio século.

Nossa Senhora, Socorro dos Cristãos, salvai a Igreja católica e rogai por nós!”

– Padre Christian BOUCHACOURT, Superior do Distrito da França da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

+Suresnes, em 2 de Novembro 2016, comemoração de todos os fiéis defuntos.

Fonte: FSSPX – Portugal.

Um Torpedo contra o Cardeal Sarah

Por Marco Tosatti 

 Um verdadeiro e próprio expurgo na Congregação para o Culto Divino e um torpedo contra o Prefeito da Congregação, o cardeal Robert Sarah (foto).

Cardeal SarahCardeal Sarah

Que além de ser um crítico, como muitos cardeais africanos, das interpretações liberais de Amoris Laetitia sobre a Eucaristia aos divorciados novamente casados, há alguns meses se permitiu sugerir que a missa seja celebrada voltada para o Oriente: “É muito importante que voltemos, o mais rapidamente possível para uma direção comum, sacerdotes e fiéis voltados para a mesma direção, para o Oriente, ou pelo menos para a abside, para o Senhor que vem”.  E acrescentou: “Peço-vos para aplicar esta prática onde quer que seja possível”, disse ele.

Agora, este tema – Missa voltada para o povo ou para Deus – é um tema explosivo desde os tempos do pós-Concílio. Ligado às batalhas litúrgicas como querelas dos tempos antigos que não acabam nunca. E passam de pai para filho (eclesiásticos, por assim dizer). Começando pelo Arcebispo Annibale Bugnini, o autor da reforma da missa, muito avançada segundo quem a havia encomendado, ou seja, Paulo VI, que finalmente o enviou como núncio ao Irã e certamente não como uma promoção.

O Papa Bento XVI, muito sensível à liturgia e de como se deve orar, corrigiu o que parecia ser uma tendência dominante e “politicamente correta”, restaurando a dignidade e formas de celebração da Missa que por centenas de anos alimentaram a fé e a piedade cristã.

Imediatamente após sua declaração, o Cardeal Sarah foi corrigido pelo Arcebispo Vincent Nichols, golfinho e protegido do Cardeal Murphy O’Connor, um dos conselheiros discretos do governo sombra do Papa Francisco. Nichols escreveu aos padres intimando-os a continuar a celebrar verso o povo.

Não ficou claro se o pontífice, como declarou o Cardeal Sarah, havia dado a sua aprovação ao convite para celebrar ad orientem ou não. Outro dos muitos momentos de ambiguidade deste governo. Mas o expurgo de ontem não deixa dúvidas.

Na prática, todos os membros existentes da Congregação para o Culto Divino, ou seja, os membros da congregação, foram substituídos por outros. Desaparecem George Pell e Malcolm Ranjith, Angelo Bagnasco e Marc Ouellet (prefeito dos Bispos), além do Arcebispo de Milão, Angelo Scola e o Cardeal Raymond Leo Burke, ex-prefeito da Assinatura Apostólica, uma das primeiras vítimas decapitadas sem nenhuma razão aparente pelo novo Pontífice, logo após sua eleição.

Entre os novos escolhidos estão o secretário de Estado Parolin, o Prefeito da Congregação para o Clero, Cardeal Stella, que muitos no Vaticano consideram como a verdadeira eminência parda por trás do Pontífice, e o Cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, que ficou famoso depois que foi filmado enquanto participava de uma dança para o “Pacha Mama”, em San Marco Sierras, na Argentina.

E depois há nomes que têm o sabor claro de uma revanche contra Bento XVI: um deles, o Arcebispo de Wellington, Monsenhor Dew, que ganhou destaque no Sínodo sobre a família por seu pedido para alterar a posição da Igreja que define os atos homossexuais como “intrinsecamente desordenados”. Mas, acima de tudo há o Arcebispo Piero Marini, o braço direito de Annibale Bugnini, que foi substituído por Mons. Guido Marini como Chefe de Cerimônias do Papa Ratzinger. E também: o Arcebispo Aurelio Sorrentino, que por dois anos foi o secretário da Congregação para o Culto Divino. Na época havia uma conversa sobre sua remoção e sua nomeação para Assis por causa de seu desacordo com a visão litúrgica de Bento XVI [nota do Fratres: em 2005, no Sínodo sobre a Eucaristia, quando circulavam fortes rumores sobre a liberação da Missa Tradicional, Sorrentino, então secretário da Congregação para o Culto Divino, divulgou uma nota aos participantes, dizendo que a Missa de São Pio V havia sido ab-rogada e, por isso, não podia ser celebrada livremente. A divulgação do panfleto causou sua remoção, sendo substituído pelo combativo Malcom Ranjith].

Com este expurgo extraordinário (remoção e substituição desta magnitude são uma exceção absoluta na prática do governo romano), o Cardeal Sarah parece ter ficado muito isolado, e não aparecem vozes que possam ser liturgicamente discordantes do politicamente correto dominante na liturgia. Depois de ter rido dos liturgistas com o primaz Welby, o Papa decidiu também fazer alguém chorar.

Fonte e Tradução:  FratresInUnum.com

Terremoto na Academia Pontifícia para a Vida. Com uma limpeza dos Não-Alinhados.

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Por Sandro Magister, 26 de outubro de 2016

 Conforme anunciado no dia 13 de outubro pelo blog Settimo Cielo, amanhã não será o cardeal Robert Sarah a inaugurar o novo ano acadêmico do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família.

O discurso de abertura será proferido pelo próprio Papa Francisco. Mas ele não se dirigirá até a Pontifícia Universidade Lateranense, e sim receberá os membros do instituto na Sala Clementina do Vaticano, às 11 da manhã.

A mudança dramática de pessoa foi lida por todos como o início oficial de um novo rumo para o instituto, agora mais em linha com a “abertura” de Jorge Mario Bergoglio e, a pedido de seu novo grão-chanceler, que desde meados de agosto é Dom Vincenzo Paglia.

Enquanto isso, na adjacente Pontifícia Academia para a Vida, também entregue pelo Papa aos cuidados de Dom Paglia, a limpeza dos membros não-alinhados já é visível.

Nos termos dos artigos 5º § 2 dos estatutos, os membros ordinários, todos nomeados pelo Papa, e quase todos nomeados por João Paulo II, ficam no cargo continuamente até completarem 80 anos. São, portanto, irremovíveis. Mas, Dom Paglia já obteve do Papa Francisco o sinal verde para mudar o estatuto, reduzindo a 5 anos ou pouco mais que isso o mandato, como já ocorre com os chamados membros “correspondentes”. Ele está se preparando para fazer com que a nova norma tenha efeito retroativo.

Entre os acadêmicos de renome que correm o risco de expulsão estão, por exemplo, o austríaco Josef Maria Seifert e o inglês Luke Gormally, ambos culpados de terem feito críticas radicais à exortação pós-sinodal “Amoris laetitia”.

Entre os cardeais membros estão na mira Carlo Caffara, que também foi o primeiro presidente do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família, e Willem Jacobus Eijk, que é arcebispo de Utrecht e Presidente da Conferência Episcopal Holandesa, mas que também é um médico e teólogo moralista de valor, culpado também de criticar a “Amoris laetitia” e talvez mais ainda por ter assinado a famosa carta dos treze cardeais que tanto  irritou Papa Francisco no início do último sínodo.

Inseguros também estão os membros mais comprometidos com os movimentos pró-vida, começando pela batalhadora Guatemalteca-americana Maria de Mercedes Arzu Wilson, de quem se recorda uma áspera polêmica com Dom Rino Fisichella, então presidente da Pontifícia Academia para a Vida, por causa de um artigo escrito por ele no “L’Osservatore Romano” muito compreensivo com relação ao caso de um aborto feito por uma adolescente e mãe solteira brasileira.

Um destino diferente, ou seja, a reconfirmação, está prevista para outros membros da academia se estes forem cientificamente qualificados, mas que sustentam posições – em matéria de bioética – não exatamente de acordo com o ensinamento da Igreja, pelo menos o de antigamente.

Um deles é, por exemplo, Felice Petraglia de Siena, ginecologista e editor-chefe da revista internacional “Human Reproduction Update”, fundada por Robert Edwards, um dos pais da fertilização em tubo de proveta e membro do órgão oficial da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, que apoia a fertilização “in vitro”, o diagnóstico e seleção genética de embriões, pílulas abortivas e outros semelhantes.

E outro é o ginecologista francês Charles Chapron, um amigo de Petraglia, membro de várias sociedades internacionais de obstetrícia e ginecologia, também favorável ao anterior em tudo, e que no entanto foi admitido como membro correspondente da Academia.

Um estratagema no qual Paglia está trabalhando, para associar membros desse naipe à Academia Pontifícia para a Vida e para incluir outros nos próximos anos, seria o mesmo que eliminar do estatuto o que está disposto nos art. 5 § 4º, alínea b:

“Os novos acadêmicos são convidados a subscrever a Declaração dos Servidores da Vida, com os quais se comprometem a promover e defender os princípios sobre o valor da vida e da dignidade da pessoa humana, interpretados de modo consistente com o Magistério da Igreja”.

Com isso, estaria aplainado o caminho para convidar a fazer parte da Academia Pontifícia para a Vida também Angelo Vescovi, muito ligado a Paglia desde quando ele era bispo de Terni e ajudou-o a estabelecer na cidade a sede central sua criação, a Fundação de células-tronco. Angelo Vescovi não é Católico e participou da campanha do plebiscito de 2005 para defender a lei 40, fortemente desejada pelo Cardeal Camillo Ruini. Mas, fora isso, ele nunca se destacou na defesa pública da vida humana nos círculos científicos dos quais ele é membro. Além do mais, é conhecida a sua posição ambígua sobre as questões de células-tronco embrionárias.

Tradução e Fonte: FratresInUnum.com: