A ” Correção Formal” dos Cardeais à doutrina do Papa sairá após Natal, informa o Cardeal Burke

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Tradução Livre

LifeSiteNews ‘Lisa Bourne realizou uma entrevista exclusiva com o Cardeal Raymond Burke. Na entrevista  perguntou sobre   a Correcção Formal, já quer não houve resposta alguma do Papa Francisco à “Dúbia” relacionadas com Amoris Laetitia.

. Burke respondeu:

“Os dubia têm que ter uma resposta porque têm a ver com as próprias bases da vida moral e do constante ensino da Igreja em relação ao bem e ao mal, no que diz respeito a várias realidades sagradas como o matrimônio e a Santa Comunhão.

 Burke disse durante uma entrevista por telefone.

“Agora, é claro que estamos nos últimos dias, dias de graça forte, antes da solenidade do Natal do Senhor, e então nós temos a Oitava da Solenidade e as celebrações no início do Ano Novo – todo o mistério da nascimento do nosso Senhor e Sua Epifania – por isso provavelmente ocorrerá em algum momento depois disso. “

O cardeal, que é o patrono da Ordem Soberana de Malta, disse que o formato da correção seria “muito simples”.

“Seria direta, assim como as “Dubia” são, só que neste caso não haveria mais questões a serem levantadas, mas confrontar as declarações confusas em Amoris Laetitia com o que tem sido o ensinamento da Igreja constante e prática, e corrigindo assim Amoris Laetitia”, ele disse.

O cronograma  coloca a Correção após a Epifania , ou seja início de 2017.

Veja na íntegra, em inglês aqui:

Cardinal Burke: Formal Correction Will Probably Take Place in 2017

 

O Boom: a dubia dos cardeais e o cisma no Vaticano

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Escrito por Hilary White

Bom, mas que semana tão emocionante tivemos! O mundo blogueiro católico está que arde com o assunto da dubia dos quatro cardeais e a falta de uma resposta por parte do Papa. Me tomei a maior parte da semana para completar este artigo já que os acontecimentos se sucedem com tanta rapidez que apenas posso me manter ao dia. Me parece que nos encontramos agora em um momento de calma.

Se crê que Francisco recusou reunir-se com os cardeais durante o consistório deste fim de semana para evitar encarar de maneira pessoal uma situação na qual seria impossível evitar contestar à pergunta de se é ou não católico. Um Papa escondendo-se de seus próprios cardeais para evitar que se lhe obrigue a confrontar sua heresia —perdão, seus «erros»—, isso é algo que não estou segura se a Igreja terá contemplado alguma vez em sua longa e surpreendente história. E agora, depois das duas entrevistas do cardeal Burke na semana passada confirmando suas intenções, a pergunta nos lábios de todo o mundo é: Que ocorrerá agora? É assim que a estupenda telenovela do pontificado bergogliano encerra a semana em outro ponto de máximo suspense.

As interpelações dos cardeais não são algo que se pode tomar levianamente. Em poucas palavras, de maneira implícita se está perguntando ao Papa se é que a Igreja ainda ensina que existe tal coisa como a realidade moral objetiva; se é possível confiar nas sagradas escrituras como guia moral; se a Igreja esteve equivocada durante os últimos dos mil anos e se Deus mente. Existe ainda a fé católica, ou somos todos uma turba de ingênuos? E, talvez o mais premente, está o senhor, sua Santidade, ainda interessado em continuar sendo o Papa da única santa Igreja católica apostólica?

Não sei de ninguém que não se esteja cogitando de maneira privada ou sugerindo publicamente que este é o «princípio do fim» do pontificado bergogliano, mas como todos sabemos de sobra este precipício tem sido sua único derrota. E agora, depois de meio lustro de nossa guerra intestina fria e silenciosa, o precipício se encontra já à vista. Não importa com quanta cortesia se coloquem as perguntas ou se façam as entrevistas, o certo é que as alternativas ante o Papa são simples: retratar-se ou ser deposto. As perguntas, apesar do que ele parece crer, não podem ser contornadas. Se o Papa adere à religião católica? Tenta subvertê-la e implantar em seu lugar algo de seu próprio ideário e do de seus gestores? Permanecer em silêncio não é uma opção.

O próprio cardeal Burke deu um indício de quais seriam os passos próximos imprescindíveis, em uma declaração a Edward Pentin afirmou que: «Existe dentro da tradição da Igreja a prática da correção ao pontífice romano. Claro que isto é algo sumamente inusual; entretanto, se não há resposta a estas perguntas eu diria que, nesse caso, seria oportuno um ato formal de correção de um erro grave».

Isto é demasiado dizer que nenhum dos cardeais tem discutido publicamente a destituição, mas uma busca no Google revela que existe um crescente corpo de informação histórica, teológica e canônica que se tem feito disponível, e muita dela é recente, sobre depor um Papa por heresia. No momento, porém, somos todos uma família grande e feliz simplesmente dialogando e solicitando cortesmente uma «clarificação» de «erros». Assim mesmo, unicamente podemos augurar quem e quantos no episcopado o apoiam; ainda que se pudessem fazer conjeturas bem fundadas. Thomas Gullickson, o arcebispo estadunidense, canonista e núncio na Suécia e Liechtenstein, por exemplo, publicou em sua página de Facebook uma nota dizendo: «O Padre fez um excelente trabalho neste artigo». Isto foi sobre o já famoso artigo de 2014, para The Remnant, de Robert Siscoe intitulado Pode a Igreja depor um Papa herege? Tudo isto é, a meu ver, um sinal, donde os houver.

Ainda há muito trecho que recorrer. Um «erro», inclusive um erro grave, não é o mesmo que a heresia, e menos ainda que a heresia «pertinaz formal». Mas, Rorate Caeli e outros estão no certo quando afirmam que é assombroso e quase sem precedente que bispos ou cardeais se vejam obrigados a demandar que o Papa assevere, em efeito, que não está atuando deliberadamente para subverter a fé católica. Depois das excentricidades deste fim de semana, essa pista que nos tem dado o cardeal Burke do que se verão obrigados a fazer se não receber resposta do Papa merece ser sopesada com maior seriedade.

Qualquer que seja o resultado que se espera a longo prazo, cada passo se deve tomar com extremo cuidado. Demostrar a heresia formal —especialmente a de um Papa— é um assunto sumamente delicado; e para garantir que a história julgue que atuaram conforme

à verdade estes prelados não se podem dar o luxo de cometer nem um só erro. Isto, portanto, não é algo que se possa resolver em questão de semanas. E dado que os cardeais tornaram pública sua intervenção —manifestando que foi por causa de que o Papa recusou a responder— isso significa que nossos temores de que não se estava fazendo nada resultaram infundados, bendito seja Deus!

O que ocorrerá em diante é realmente a pergunta do momento, e esta se faz ainda mais patente dado o que sabemos da determinação deste homem de implementar sua agenda. Temos presenciado durante este crucial fim de semana que Francisco Bergoglio não tem a mais mínima intenção de alterar seu curso. Continua atendo-se a seu modelo habitual, dando respostas obliquas e de maneira extraoficial, em uma entrevista mais e sua conversa no consistório, empregando ambiguidades e insultos afiados e assumindo o papel da vítima. Seus porta-vozes prediletos têm ido ao extremo de insultar e ridiculizar abertamente aos cardeais e a sua missiva. Se eu me encontrasse entre estes últimos minha resposta seria simples: «Que assim seja então. Os senhores mesmos provocaram este dilema».

O que ocorrerá em seguida, portanto, não é difícil de discernir já que o processo seguirá os ditados de uma realidade que continuará avançamdo de acordo com o impulso de sua própria lógica. É comprovável ao afundamento do Titanic, a nave avançava a certa velocidade seguindo um curso específico aquela noite acoplado a um jogo de restrições ditadas pela física e as matemáticas. Avançava a uma velocidade específica, pesava certo número de toneladas, tinha uma longitude particular, o timão tinha um tamanho predeterminado que excluía outros desenhos, seu raio de giro era de uma amplitude exata, contava somente com um tempo limitado entre o momento de avistar o iceberg e alterar seu curso. Em resumo, para quando avistaram o iceberg já era demasiado tarde; os números são os números e não se podem alterar.

Chegamos ao ponto no que as decisões já têm sido tomadas e todos atos se consumaram, a Igreja é já simplesmente um projétil sujeito às exigências inexoráveis da lógica e a realidade, tal e como o Titanic estava sujeito às leis da física. Já se escolheram os bandos, as linhas de combate estão traçadas e as primeiras escaramuças têm tido lugar com os favoritos de Francisco atacando abertamente os bispos que defendem a autêntica fé católica. A partir desta semana a pequena guerra fria civil da Igreja católica, que tem acontecido desde 1965, tem aflorado em algo mais visível e sanguinário.

Mas, como já é costume neste pontificado, seu aspecto positivo é a claridade que nos brinda. Francisco Bergoglio passará à história como O Grande Clarificador sem importar que lhe responda e que não lhe responda ao cardeal Burke. Apesar de que a carta está dirigida ao Papa a Dubia dos cardeais em realidade é para a Igreja inteira, desde o Papa até os ocupantes dos bancos devem crer e professar o mesmo evangelho. Isto significa que as perguntas também estão dirigidas a todos os bispos e, amém da forma que tome a resposta do Papa, eles também deverão tomar a mesma decisão a favor ou contra Cristo. Se o único logro chega a ser esse, quando menos daqui em diante será sumamente fácil determinar quem é e quem não é um bispo católico. Da mesma maneira em que a intenção de Amoris Laetitia é ser um girassol para verificar adesão ao Novo Paradigma, a dubia dos cardeais presta o mesmo serviço em favor de Cristo.

Se todos os fatores se mantêm estáveis —ou seja, se Francisco não se arrepende e os cardeais não se amedrontam— o que ocorrerá, o que tem que ocorrer, é o seguinte:

—Bergoglio continuará sem responder permitindo que seus agentes falem por ele como até hoje. Continuará chamando «inimigos» e «detratores» a todo aquele que tente obrigá-lo a cumprir com sua obrigação.

—Os cardeais, após uma pausa, durante a que talvez poderiam emitir uma nova advertência, se verão obrigados a cumprir com seu dever e denunciar sua heresia pelo bem da Igreja e a salvação das almas. Isto deve ocorrer ainda que a única razão seja que os fiéis estão sendo conduzidos por este Papa ao precipício do pecado mortal.

—Depois da denúncia formal, portanto, o episcopado, o clero e o laicado ficarão divididos em dois grupos. A parte católica será muito pequena e, aos olhos do mundo, débil, impotente e insensata. A verdade da fé será sua única arma e escudo.

— O bando oposto contará com todas as instituições materiais da Igreja, todos seus recursos monetários, os benefícios psicológicos do patrimônio material de seus templos, escolas, universidades, hospitais, etc., além do poder político resultante do reconhecimento e o apoio do mundo secular e de todos aqueles que continuam fazendo-se chamar, católicos.

— Bergoglio demandará a aquiescência de todos os católicos por meio de suas ameaças e insultos habituais. Outorgará poderes a seus achegados a nível nacional para castigar a sacerdotes, seminaristas, mestres, professores universitários, et alii, se não se somam ao Novo Paradigma.

— Este afastamento possivelmente só poderá ser sanado através do que os canonistas chamam uma «sentença declaratória» estipulando que Bergoglio é um herege formal obstinado ou pertinaz e que é a causa de seus próprios atos pelo que perde o ofício do papado.

— O dever dos cardeais ficará claro: a Igreja católica não pode funcionar sem um Papa e se verão obrigados a convocar um conclave.

Que forma tomarão as coisas uma vez que se haja realizado o cisma? Seu aspecto poderia elucidar-se extrapolando a situação atual. A imensa maioria do mundo católico, leigo ou clerical, não tem problema algum aceitando o Novo Paradigma ou os novos conceitos de dualidade do Vaticano. A Igreja verdadeira seguirá consistindo de crentes, como sempre tem sido, mas já não terá edifícios. A realidade, aos olhos de Deus, será que o corpo maior consiste do que poderíamos chamar a seita bergogliana. Possuirão toda aparência de legitimidade e serão respeitados, ou quando menos aceitos, pelo mundo quem considerará ao grupo menor de objetores como nécios e «detratores».

A inevitabilidade deste resultado —salvo uma intervenção milagrosa, conversões ou a Parusia— se fez patente a todos aqueles que conhecem a fé desde aquele dia em que Walter Kasper deu sua palestra ao consistório em fevereiro de 2014. Este renomado herege traçou o curso que esta camarilha da «Sankt Gallen Mafia», da qual Bergoglio é um mero instrumento, tem seguido desde então e da qual nenhum de seus membros se tem apartado em absoluto. O Pe. Brian Harrison foi talvez o primeiro em descrever os acontecimentos com claridade; em uma carta a Robert Moynihan o Pe. Harrison adverte

«…da imensidade do perigo iminente e que promete perfurar, penetrar e fender em dois a Barca de Pedro, que ainda hoje se agita pavorosamente em um mar gelado e turbulento.

A pasmosa magnitude da crise doutrinal e pastoral oculta após o palavrório cortês da disputa entre eruditos prelados alemães escassamente se pode exagerar. O que está aqui em jogo é a fidelidade aos ensinamentos de Jesus Cristo que direta e profundamente afetam as vidas de centenas de milhões de católicos: a indissolubilidade do matrimônio».

O Pe. Harrison chega a fazer está predição não em virtude de um poder sobrenatural de clarividência mas simplesmente aplicando seu intelecto à realidade objetiva. A natureza da realidade dita que todo ato tem consequências lógicas inevitáveis. O fato é simplesmente que certos indivíduos querem deixar para trás a Cristo e que nós não podemos segui-los porque amamos a Cristo e não nos separaremos dele.

Agora, é necessário reconhecer que Francisco Bergoglio conta com várias opções e que é possível que as coisas não cheguem até as consequências extremas. Possivelmente estará relutante a encarar uma sentença de heresia; é difícil determinar com certeza, especialmente com a magnitude do que está em jogo, o que algum homem faria. Poderia ceder. É também possível que em um momento dado acedesse a afirmar a fé católica, ao menos publicamente.

Suponho que os cardeais lhe oferecerão a oportunidade de permanecer inativo e em silêncio; esta opção, por si só, seria um bálsamo bendito. Dessa maneira poderiam os cardeais assumir de fato o controle administrativo da Igreja e corrigir seus «erros». Isto quando menos daria fim à menor das crises: a bergogliana. A revolução ficaria, nesse caso, quando menos marcando o passo até que a conspiração encontrasse uma via nova, talvez com outro Papa. Isto, por suposto, faria mais difícil o trabalho de corrigir o problema principal em que Bergoglio é simplesmente o símbolo mais ameaçador.

Outra possibilidade é que cumpra com a ameaça que fez no curso de seu último ataque apoplético de cólera durante o sínodo passado. Nessa ocasião treze cardeais solicitaram com amabilidade que por favor cumprisse com sua promessa de um processo sinodal transparente e aberto; se diz que explodiu em uma xingamento gritando que os «jogaria todos fora». Em que seja esse o caso, os quatro cardeais seriam destituídos do Colégio e o mundo inteiro compreenderia claramente que Bergoglio não se retratará e de que nossas piores apreensões acerca de suas intenções são certas. Ao chegar a esse ponto ficaria a cada qual decidir se é este o homem que deseja seguir.

No entanto, tudo isto, se acaso ocorre efetivamente, pertence a um futuro próximo; devemos esperar para ver se é que Jorge Bergoglio tem ou não os brios para levar a cabo o plano dos revolucionários. Pessoalmente, eu aposto a que sim os tem. Narcisistas de seu calibre poucas vezes se retratam, inclusive por móveis estratégicos. No momento, entretanto, teremos que sofrer sua malícia e seu atrevimento ao rejeitar responder à dubia e continuar seus ataques através de seus chegados.

Nos tem traído até a margem mesma do precipício com uma campanha, meticulosamente orquestrada, de insinuações e ambiguidades, de avanços e retrocessos, de declarações que apenas aludem a heresia denunciável, de ofuscações, de deflexões e mentiras patentes. Suas piores atrocidades —particularmente suas blasfêmias— têm sido introduzidas «extraoficialmente» em comentários feitos «de improviso» em homilias, palestras em algum auditório ou em suas famosas entrevistas, sempre matizadas com uma piscadela e uma cotovelada. Continua, até ontem mesmo, praticando sua comprovada estratégia de permitir a seus subalternos inferir as conclusões pertinentes de suas ambiguidades, como se fossem um grupo de sacerdotes interpretando o oráculo de Delfos.

Isto, por suposto, também indica que o balão se encontra outra vez nas mãos dos quatro cardeais, ao resto de nós não nos resta mais que meter outro lote de pipocas no forno de micro-ondas. Preparar os rosários senhoras e senhores que isto vai longe.

Hillary White (Traducción de Enrique Treviño. Artigo original)

Tradução Frei Zaqueu

Créditos: Frei Zaqueu

Mais vozes contra AMORIS LAETITIA

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Enviado por Moderador na Seg, 12/12/2016 – 18:50.

Trata-se de que o Magistério condene posições doutrinais derivadas de certas afirmações

EDITOR E RESPONSÁVEL

Outro recente documento publicado por Infovaticana dá conta de novas vozes que se alçam contra os erros de Amoris Laetitia. Desta vez sob a forma de pedido de aclaração das “interpretações incorretas” do documento. Ainda que pareça uma exortação mais suave em seu levantamento, acerta em cheio a medula do problema. Francisco tem que definir-se a favor ou contra as expressões que dão origem a tais interpretações. Abaixo, o texto traduzido por Infovaticana com uma breve introdução do editor da nota.

Gabriel Ariza. 10 dezembro, 2016

Se acumulam as correspondências de Francisco: Os prestigiosos professores John Finnis e Germain Grisez pedem a Francisco que aclare e condene as interpretações incorretas de Amoris Laetitia que não são conforme o magistério da Igreja, e pedem aos bispos que se adiram a sua petição.

Em seguida, a nota na que os professores explicam a carta enviada a Francisco e que não obteve resposta:

Nós chamamos a atenção dos leitores para O abuso de Amoris laetitia para apoiar erros contra a fé católica, a carta que dirigimos “ao Sumo Pontífice Francisco, a todos os bispos em comunhão com ele e ao resto dos fiéis cristãos”. A carta foi enviada em 21 de novembro para ser entregada ao Papa Francisco.

Nesta carta solicitamos ao Papa Francisco que condene oito posições contrárias à fé católica que estão recebendo apoio, ou provavelmente o receberão, mediante o abuso de sua Exortação Apostólica Amoris laetitia. O pedimos a todos os bispos que se adiram a esta solicitude e que pronunciem suas próprias condenações das posições errôneas que identificamos, reafirmando ao mesmo tempo os ensinamentos católicos que estas posições contradizem.

As seguintes considerações mostram com claridade por que apelar a Amoris laetitia para apoiar estas posições é algo que corretamente descrevemos como um abuso do documento do Papa.

Quando um bispo atua in persona Christi, cumprindo seu dever de ensinar em matérias de fé e moral mediante a identificação de proposições às quais exige que os fiéis prestem seu assentimento, cabe presumir que tenta expor verdades que pertencem a um único e idêntico conjunto de verdades: primariamente, aquelas confiadas por Jesus a sua Igreja, e, secundariamente, aquelas necessárias para preservar as verdades primárias como invioláveis e/ou para expô-las com fidelidade. Posto que as verdades deste tipo não podem substituir-se ou anular-se entre si, deve presumir-se que as expressões do Papa ou de outros bispos proferidas ao ensinar in persona Christi são coerentes entre si quando se as interpreta cuidadosamente. Em consequência, é um abuso de uma expressão magisterial de tal tipo pretender apoiar-se nela sem haver procurado interpretá-la antes desta maneira.

Ademais, se emerge uma aparente incoerência depois de uma interpretação cuidadosa, uma expressão magisterial que não é definitiva é usada incorretamente a menos que se a entenda com ressalvas e delimitações suficientes para torná-la coerente

com a Sagrada Escritura e com os ensinamentos que definitivamente pertencem à Tradição, interpretada cada uma à luz da outra.

Em nossa carta nos ocupamos somente do abuso de Amoris laetitia para apoiar posições sustentadas por teólogos e pastores que não ensinam in persona Christi. Nós não afirmamos nem negamos que Amoris laetitia contenha ensinamentos que requeiram ressalvas ou delimitação, nem tampouco fazemos sugestões sobre como fazê-lo, na suposição de que fosse necessário.

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A carta explica de que maneira quem propõem as oito posições que nós identificamos podem encontrar apoio em expressões ou em omissões da Exortação Apostólica, e explica como estas posições são ou incluem erros contra a fé católica. Em cada caso explicamos brevemente como tem emergido essa posição entre os pastores ou teólogos católicos e mostramos como certas expressões ou omissões de Amoris Laetitia estão sendo usadas, ou provavelmente serão usadas, para apoiá-la. Logo expomos os argumentos para julgar que a posição é contrária à fé católica, isto é, à Sagrada Escritura e aos ensinamentos que pertencem definitivamente à Tradição, interpretadas cada uma à luz da outra.

As oito posições são estas:

Posição A: Um sacerdote que administra o Sacramento da Reconciliação pode às vezes absolver um penitente que carece de propósito de emenda a respeito de um pecado em matéria grave que pertence a sua forma de viver contínua ou que é habitualmente repetitivo.

Posição B: Alguns dos fiéis são demasiado débeis para cumprir os mandamentos de Deus; ainda que estejam resignados a cometer pecados em matéria grave contínuos e habituais, podem viver em graça.

Posição C: Não existe nenhuma regra moral geral que não admita exceções. Inclusive os mandamentos divinos que proíbem classes específicas de atos estão submetidos a exceções em algumas situações.

Posição D: Ainda quando alguns dos preceitos ou mandamentos de Deus parecem exigir que alguém nunca escolha um ato de uma das classes aos que eles se referem, em realidade esses preceitos e mandamentos são regras que expressam ideais e que identificam bens que alguém sempre devesse servir e esforçar-se por realizar o melhor que possa, atendidas as próprias debilidades e a situação concreta, complexa, de cada um, que pode exigir-lhe a alguém escolher um ato em contraste com a letra da lei.

Posição E: Se alguém tem em conta sua situação concreta e suas limitações pessoais, sua consciência pode às vezes discernir que realizar um ato de certa classe inclusive contrária ao mandamento divino será fazer o melhor de que alguém é capaz para responder a Deus, que é tudo o que ele reclama, e então alguém deve escolher realizar esse ato, mas também estar disposto a conformar-se plenamente ao mandamento divino, se e quando ele seja capaz de fazê-lo.

Posição F: Escolher provocar a excitação ou a satisfação sexual de alguém ou de outro ou outros é moralmente aceitável sob condição somente de que (1) nenhum adulto tenha contato corporal com uma criança; (2) não seja tocado o corpo de nenhum participante sem seu consentimento claro e livre tanto a respeito do modo como da extensão do contato; (3) não se faça conscientemente nada que provoque ou se creia um risco excessivo de dano físico significativo, transmissão de alguma enfermidade ou gravidez não desejada; e (4) não se transgrida nenhuma norma que reja a conduta em geral.

Posição G: Um matrimônio sacramental consumado é indissolúvel no sentido de que os esposos devem sempre fomentar o amor matrimonial e não devem nunca escolher dissolver seu matrimônio. Mas por causas fora do controle dos esposos e/ou por faltas

graves de ao menos um deles, sua relação humana como casal casado às vezes se deteriora até que deixa de existir. Quando a relação matrimonial de um casal já não existe, seu matrimônio dissolveu e ao menos uma das partes pode legitimamente obter um divórcio e casar-se de novo.

Posição H: um católico não necessita crer que muitos seres humanos terminarão no Inferno.

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Nossa carta conclui indicando como os pastores e os teólogos que ensinam e põem em prática qualquer destas oito posições podem dessa maneira causar um prejuízo grave a muitas almas, e assinalando algumas formas em que isto pode suceder. Também chama a atenção sobre o dano que estes erros infligem ao matrimônio e aos jovens que em outro caso poderiam ter participado em uma vida matrimonial autêntica com corações bons e que poderiam ter sido sinais do amor esponsal de Cristo por sua Igreja.

Muitos teólogos e pastores que defendem posições contrárias à fé supõem que estão tratando de forma realista com os católicos influídos pela cultura secularizada que estão rompendo com a Igreja ou apartando-se dela. Mas sua estratégia deixa de lado a tradição da Igreja e sua missão primária: pregar o Evangelho a todas as partes e sempre, e ensinar aos crentes tudo o que Jesus mandou.

A experiência das comunidades eclesiais cristãs que têm adotado estratégias similares nos dois séculos passados sugere fortemente que aqueles que fizeram concessões sobre sua identidade cristã em uma geração foram de pouco interesse para as gerações sucessivas. Aqueles a quem se lhes foi ordenado atuar na pessoa de Jesus fazem bem em ensinar a verdade tal como ele o fez e continuou fazendo inclusive quando muitos de seus discípulos disseram que sua palavra lhes parecia demasiado dura e se afastaram dele.

John Finnis Professor Emérito de Direito e Filosofia Jurídica, universidade de Oxford Membro da Academia Britânica (seções de Direito e Filosofia) Catedrático Biolchini Family, universidade de Notre Dame, Indiana Membro da Comissão Teológica Internacional da Santa Sé 1986–91

Germain Grisez Professor Emérito de Ética Cristã, universidade Mount St. Mary Professor de Filosofia, universidade de Georgetown 1957–72 y Campion College, universidade de Regina 1972–79 Professor Emérito de Ética Cristã Most Rev. Harry J. Flynn Universidadee Mount St. Mary 1979–2009

Publicado originalmente en First Things. Traducción para InfoVaticana

Créditos: Fr. Zaqueu

O SUICÍDIO DO STF: OS TRÊS VETORES DA REVOLUÇÃO

aborto

Salve Maria

Na Festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, somos brindados com esse importante artigo da Dr. Raquel Machado Carleial de Andrade

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Em julgamento ocorrido no dia  29 de novembro de 2016, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, com o voto líder do Ministro Luís Roberto Barroso, acompanhado pelos Ministros Edson Fachin e Rosa Weber, nos autos do HC 124.306-RJ, que versava um caso envolvendo funcionários e médicos de uma clínica de aborto em Duque de Caxias (RJ) com prisão preventiva decretada, decidiu descriminalizar o aborto realizado durante o primeiro trimestre de gestação – independentemente do motivo que leve a mulher a interromper a gravidez.

No acórdão em tela, afirmou-se que a criminalização é incompatível com os seguintes direitos fundamentais: “os direitos sexuais e reprodutivos da mulher, que não pode ser obrigada pelo Estado a manter uma gestação indesejada; a autonomia da mulher, que deve conservar o direito de fazer suas escolhas existenciais; a integridade física e psíquica da gestante, que é quem sofre, no seu corpo e no seu psiquismo, os efeitos da gravidez; e a igualdade da mulher, já que homens não engravidam e, portanto, a equiparação plena de gênero depende de se respeitar a vontade da mulher nessa matéria”.

Ao julgar inconstitucional a proibição do aborto no primeiro trimestre da gestação, e aqui deixando à margem a intenção dos Magistrados proferentes, moldou-se a Corte Suprema aos três vetores da Revolução.

Por primeiro, apartou-se da lei.

Com efeito, reza o artigo 124 do Código Penal, in verbis: “Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento. Art. 124 – Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos.”

Tipifica o referido artigo o crime de auto-aborto (quando a própria gestante pratica a conduta) e o aborto consentido (quando a gestante consente validamente para que terceiro pratique a conduta).

Ensina a doutrina que referida norma jurídica visa à proteção do direito à vida do feto, ou seja, o bem jurídico tutelado é a vida humana intra-uterina, de modo que se tutela o direito ao nascimento com vida.

Ressalte-se, ainda, que a inviolabilidade do direito à vida é assegurada constitucionalmente (art. 5º).

Ora, sendo do Congresso Nacional a atribuição exclusiva de legislar, parecerá que usurpa o STF função legislativa que não ostenta, na medida em que nega vigência a norma de lei (CP, art. 124).

Aparenta afrontada também a moral.

É cediço que o direito à vida se inicia desde a concepção, constituindo a destruição do produto da concepção, independentemente da idade gestacional, crime.

Em que pese a chocar-nos mais o aborto de um feto com nove meses de gestação, prestes a nascer, não se pode olvidar que ele alcançou essa idade pelo desenvolvimento natural, sendo ele, em essência, aquele mesmo embrião presente no início da gestação. Desde a concepção, está ele dotado de toda carga genética própria, herdada de ambos os genitores, distinguindo-se perfeitamente do corpo de sua mãe, embora ainda na vida intra-uterina.

Por que “os direitos sexuais e reprodutivos da mulher” (que, é bom que se recorde, em absoluto estão previstos no texto constitucional) são superiores ao direito à vida do feto garantido constitucionalmente? Como a vida, o bem maior do ser humano, pode ser tão defendida por ONGs, partidos políticos, intelectuais, quando se trata de animais irracionais (vide projeto TAMAR) e menosprezada por esses mesmos agentes quando se cuida de pessoa (substância individual de natureza racional)?

O Estado não está obrigando a mulher a manter uma gestação indesejada. Ora, a mulher exerce sua liberdade ao relacionar-se sexualmente, dentro da ótica liberal de que se deve dar vazão aos instintos sexuais, apartando o sexo da razão, e descobre-se grávida, consequência previsível e esperada de quem tem vida sexual ativa e, então, sua imaturidade para arcar com as consequências naturais do sexo leva-a a querer se livrar do seu produto, como se ele tivesse brotado por geração espontânea em seu ventre. O feto é, então, descartado, como um lixo, ao bel prazer de suas conveniências. Se escolha existencial existe, reside na sua escolha de manter ou não relações sexuais. O feto tem existência distinta de sua mãe. A prevalecer essa argumentação, devemos descriminalizar o assassinato de crianças que, em razão de choro, birras, mal comportamento etc. constituem-se em entraves ao exercício da liberdade de sua genitora.

Ao contrário do afirmado (autonomia da mulher, que deve conservar o direito de fazer suas escolhas existenciais) não se cuida de escolha existencial da mulher, mas de escolha acerca da existência de um outro ser, a criança.

Fala-se em garantir a integridade física e psíquica da gestante, que é quem sofre, no seu corpo e no seu psiquismo, os efeitos da gravidez, como se a gravidez fosse uma doença, um câncer, que destrói a integridade da mulher, o que, como se viu, não é verdade, na medida em que a gravidez é a consequência natural do sexo.

Ignora-se, ainda, que é exatamente a prática do aborto que deixa terríveis consequências físicas e psíquicas na mãe, causando-lhe sofrimento e dor pela constatação de que se cometeu um homicídio contra um inocente, que não raras vezes a perseguirão por toda vida, como se verifica de inúmeros documentários com mulheres que praticaram o aborto, dentre eles https://www.youtube.com/watch?v=ayfMd2cEcOw

Invocar-se o gênero (igualdade da mulher, já que homens não engravidam e, portanto, a equiparação plena de gênero depende de se respeitar a vontade da mulher nessa matéria) para autorizar o assassinato de inocente dispensa comentários. Absurdo pensar que o direito à igualdade para com os homens produza o direito a matar uma pessoa que não tem a menor chance de defesa.

E se o feto abortado fosse feminino? Como ficariam seus direitos de mulher?

Somente uma sociedade doente, que já perdeu a compreensão da ordenação dos bens, encontra justificativa moral para colocar as conveniências de uma mulher acima da vida humana que ela carrega no ventre.

Afinal, é ou não a vida humana o maior bem de que dispomos?

Não se pode olvidar que nosso povo é maciçamente cristão (e que, como tal, deve ser respeitado pelas autoridades constituídas, em que pese ao malfadado laicismo estatal) e que o assassinato de inocentes nos primeiros três meses de gestação viola a concepção cristã de vida (além de contradizer a própria Ciência). Lembremo-nos que imediatamente após receber a visita do Anjo, Nossa Senhora se dirigiu às pressas à casa de Isabel e ali foi recebida por esta como “a Mãe de meu Senhor”, sendo que quando João Batista exultou de alegria no ventre de Isabel pela presença de Jesus, a Virgem Maria ainda não estava no terceiro mês de gestação (ela completou os três meses exatamente no nascimento de João Batista). Logo, para os cristãos, um feto já é um ser vivo muito antes do terceiro mês de gestação.

Já advertia o Sumo Pontífice Pio XI, na encíclica “Casti connubii”, que a criança inocente jamais pode ser qualificada de injusta agressora e, portanto, o pretenso direito de extrema necessidade, qualquer que seja o motivo, não pode justificar a morte direta de um ser inocente.

Há de recordar-se ainda o preceito divino que São Paulo também promulga: “porque não faríamos o mal para que dele venha o bem” (Rom 3, 8).

Por fim, parecerá ter havido vulneração da autoridade.

Quando a Corte Constitucional se afasta do próprio texto constitucional, fulminando a vida humana, cuja proteção é assegurada e encontra respaldo nos anseios populares, perde a confiança da população, instala a insegurança jurídica e a crise, perdendo, destarte, a própria autoridade, convertendo-se numa corte autoritária.

O Tribunal supremo federal ao normatizar contra legem, sobretudo em temas em que as soluções da Corte violam a moral reconhecida pelo povo brasileiro e os direitos inerentes à natureza humana e, portanto, inalienáveis, acaba, assim, por perder sua legitimidade.

Ainda que a parte mais liberal da Magistratura possa, sem ressalvas, aplaudir a decisão em comento, temos que, à luz dos vetores assinalados (ferindo ela tanto a lei, quanto a moral e o princípio de autoridade), maltrata exatamente os pilares que sustentam a própria Magistratura. Tais pilares são a fonte de sua própria autoridade e, portanto, a razão mesma de sua existência.

Afinal, sem eles, não há Poder Judiciário. Ou, ao menos, não há um que seja verdadeiramente independente e autônomo.

Na Festa da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem

  • Dr. Raquel Machado Carleial de Andrade é Juiza de Direito em São Paulo

 

Fonte: https://mmjusblog.wordpress.com/author/raquelcarleial/

A CRISE É MORAL

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Dra. Raquel  Machado Carleial de Andrade*

“O que você é hoje, nós já fomos; o que nós somos hoje, você será” (Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Capuchinhos, Roma)

Já nos fins do século XIX, Leão XIII ensinava que a crise era moral e de lá para cá as coisas só pioraram. Prova irrefutável dessa afirmação é a constatação de que ao lado do recrudescimento dos crimes perpetrados com emprego de violência contra a pessoa, já abordados, houve o aumento dos crimes de “colarinho branco”, vivendo a sociedade brasileira momento único em sua história no tocante à corrupção ativa e passiva envolvendo altos escalões dos poderes constituídos e grandes empresários, tudo a demonstrar que as condutas criminosas permeiam todos os setores da sociedade.

Ora, se assim o é, afasta-se a tese socialista de que o homem é levado à prática de crimes por questões sociais.

A sociedade moderna pauta-se pelo “ter” em detrimento do “ser”. Na busca desesperada por bens materiais, sobretudo os que encerram tecnologia de ponta, da beleza e juventude eternas, cada vez mais o ser humano afasta-se de seu Criador,  procurando a felicidade nesses mesmos bens, esquecendo-se de que ela consiste na“contemplação da Verdade”, a qual só será possível quando o homem,“substância individual de natureza racional”, se der conta da finitude desta vida e de todos esses bens perseguidos.

Ao lado dessa escalada da criminalidade, constata-se também o aumento exponencial no uso de ansiolíticos, antidepressivos, etc., sem falar no consumo de drogas já em tenra idade, tudo a confirmar que o homem moderno é infeliz e não suporta “carregar suas cruzes”, conviver com a doença e a decrepitude, inerente ao envelhecimento, sem falar nos fracassos e nas perdas, exatamente porque lhe falta a vida espiritual.

Há de observar que essa crise moral em solo pátrio corresponde aos idos dos anos 70, em que a televisão passou a fazer parte dos lares brasileiros, em que as leis, afastando-se da moral católica dominante, passaram a contemplar o divórcio, abrindo o caminho para o aniquilamento da família.

A sociedade é composta por grupos intermediários, dentre os quais se sobressai, pela sua importância, a família, já que todo ser humano nasce em uma, sendo a função precípua do Estado garantir a unidade, a paz pública e a segurança, promovendo o “bem comum” do todo social, ou seja, “o conjunto de condições externas adequadas a permitir o pleno desenvolvimento dos homens, das famílias e dos grupos sociais integrantes da sociedade” (in Dicionário de política, José Pedro Galvão de Sousa, Clovis Lema Garcia e José Fraga Teixeira de Carvalho, T. A. Queiroz Editor, São Paulo, 1998, p. 61).

Há de se ressaltar diversas outras leis posteriores, dentre elas podemos citar a “Lei da Palmada”, cuja mens legis é diminuir o poder parental e o direito e dever dos pais de educarem seus filhos, repreendendo-os quando necessário, uma vez que, para os abusos e maus tratos, já existia a tipificação penal (crime de lesão corporal, homicídio etc). É mais uma lei de cunho marxista.

Sem os valores católicos até então predominantes, com os lares sendo invadidos por uma programação midiática voltada para a destruição da família, paulatinamente aqueles valores deixam de ser transmitidos. Com isso perde-se a tradição, o que, somado à educação de cunho ideológico que assola as escolas desse país (http://spotniks.com/5-exemplos-de-como-a-doutrinacao-ideologica-atua-na-educacao-brasileira/), cria o terreno fértil para que a “autoridade” em todos os níveis, desapareça, e o homem seja dominado pela concupiscência, na certeza da não punição Estatal.

O homem sem Deus, considera-se o próprio “Deus”.

Dessa forma, se as leis constituídas falham em garantir aos integrantes da sociedade aquele fim último que justifica a existência do próprio Estado, há de se perquirir acerca da eficácia da representação política, mas isso é matéria para outro artigo.

Fonte: https://mmjusblog.wordpress.com/2016/05/02/a-crise-e-moral/

  • A autora é Juiza de Direito em São Paulo

Efeito ” Amoris”: Bispos das Filipinas liberam comunhão aos adúlteros

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Mons. Socrates B. Villegas, Arzobispo de Lingayen Dagupan y Presidente de la Conferencia Episcopal de Filipinas, ha escrito una carta en la que asegura que no hay que esperar las directrices de los obispos sobre la exhortación apostólica «Amoris laetitia» y pide que se dé la comunión -«comida para los miserables»- a los «pecadores».

(InfoCatólica) Estas son las palabras de Mons. Lingayen Dagupan, publicadas en la web de la Conferencia Episcopal de Filipinas:

«Después de un discernimiento conjunto, vuestros obispos elaborarán directrices más concretas sobre la implementación de la Exhortación Apostólica. Pero la misericordia no puede esperar. La misericordia no debe esperar. Los obispos y sacerdotes deben recibir ya con los brazos abiertos a los que se mantenían fuera de la Iglesia por un sentimiento de culpa y vergüenza. Los laicos deben hacer lo mismo. Cuando nuestros hermanos y hermanas, debido a relaciones rotas, familias rotas y vidas rotas, permanecen tímidamente en los umbrales de nuestras iglesias y de nuestras vidas, sin saber si van a ser recibidos o no, vayamos a su encuentro, como el Papa nos pide que hagamos, y asegurémosles que, siempre hay un lugar a la mesa de los pecadores, en la que el Señor se ofrece a sí mismo como comida para los miserables. O res mirabilis manducat Dominum pauper, servus et humilis…Oh maravilla, el pobre, el siervo y el humilde reciben al Señor. Se trata de una medida de misericordia, una apertura de corazón y espíritu que no necesita ninguna ley, no espera a ninguna directriz ni aguarda indicaciones. Puede y debe ponerse en práctica inmediatamente».

Texto completo de la carta del arzobispo y presidente de la Conferencia Episcopal de Filipinas

Conviene recordar que la Exhortación Amoris Laetitia no ha cambiado ni la disciplina de la Iglesia ni su doctrina con respecto a la recepción de la comunión. En este sentido, InfoCatólica hace suya la declaración publicada recientemente por Mons. Livio Melina, Presidente del Pontificio Instituto Juan Pablo II. Estamos traduciendo y publicaremos íntegramente sus varias páginas, pero citamos ahora este frase:

«Por lo tanto, hay que decir claramente que, también después de la Amoris Laetitia, admitir a la comunión a los divorciados “vueltos a casar”, excepto en las situaciones previstas en la Familiaris Consortio 84 y en la Sacramentum Caritatis 29 [Nota del traductor: el compromiso de “vivir como hermanos”], va contra la disciplina de la Iglesia y enseñar que es posible admitir a la comunión a los divorciados “vueltos a casar” más allá de estos criterios va contra el Magisterio de la Iglesia»

Fonte: http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=26408

Amoris Laetitia: primeiras reflexões sobre um documento catastrófico

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Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com
Com a exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, publicada em 08 de abril de 2016, o Papa Francisco se pronunciou oficialmente sobre problemas de moral conjugal que vêm sendo discutidos há muitos anos.
No consistório de 20 e 21 de fevereiro de 2014, Francisco havia confiado ao cardeal Kasper a missão de introduzir o debate sobre este tema. A tese de Kasper, segundo a qual a Igreja deve mudar sua praxe matrimonial, foi o tema central dos sínodos sobre a família celebrados em 2014 e 2015, e constitui o núcleo da exortação do Papa Francisco.
Durante esses dois últimos anos, ilustres cardeais, bispos, teólogos e filósofos tomaram parte no debate para demonstrar que entre a doutrina e a praxe da Igreja tem que haver uma íntima coerência. A pastoral funda-se precisamente na doutrina dogmática e moral. “Não pode haver pastoral em desacordo com as verdades e a moral da Igreja, em conflito com suas leis e que não esteja orientada a alcançar o ideal da vida cristã!”, declarou o cardeal Velasio de Paolis em sua alocução ao Tribunal Eclesiástico de Úmbria, em 27 de março de 2014. Para o cardeal Sarah, a ideia de separar o Magistério da praxe pastoral, que poderia evoluir segundo as circunstâncias, modos e paixões, “é uma forma de heresia, uma perigosa patologia esquizofrênica” (La Stampa, 24 de fevereiro de 2015).
Nas semanas que precederam à publicação do documento, multiplicaram-se as intervenções públicas de purpurados e bispos ante o Sumo Pontífice a fim de evitar a publicação de um texto repleto de erros, relativos às numerosíssimas alterações ao projeto propostas pela Congregação para a Doutrina da Fé. Francisco não desistiu. Pelo contrário, parece que confiou o texto definitivo da exortação — ou ao menos algumas das principais passagens — a teólogos de sua confiança que tentaram reinterpretar Santo Tomás à luz da dialética hegeliana. O resultado é um texto que não é ambíguo, mas claro, em sua indeterminação. A teologia da praxe exclui qualquer afirmação doutrinal, deixando que a história trace as linhas da conduta nos atos humanos. Por esta razão, como afirma Francisco, “é compreensível” que, no tema crucial dos divorciados recasados, “não se devia esperar do Sínodo ou desta exortação uma nova normativa geral de tipo canônico, aplicável a todos os casos” (par. 300). Se se tem a convicção de que os cristãos não devem ajustar seu comportamento a princípios absolutos, mas estar atentos a “sinais dos tempos”, seria contraditório formular qualquer classe de regras.
Todos esperavam a resposta a uma pergunta básica: aqueles que, depois de um primeiro matrimônio, voltarem a contrair matrimônio pela via civil, podem receber o sacramento da Eucaristia? A essa pergunta, a Igreja sempre respondeu com um “não” rotundo. Os divorciados recasados não podem receber a comunhão, porque sua condição contradiz objetivamente a verdade natural e cristã sobre o matrimônio, que é representada e atualizada na Eucaristia (conf. Familiaris Consortio, par. 84).
A exortação pós-sinodal responde o contrário: em linhas gerais não, mas “em certos casos” sim (par. 305, nota 351). Os divorciados recasados devem ser “integrados” em vez de excluídos (par. 299). Sua integração “pode exprimir-se em diferentes serviços eclesiais, sendo necessário, por isso, discernir quais das diferentes formas de exclusão atualmente praticadas em âmbito litúrgico, pastoral, educativo e institucional possam ser superadas” (par. 299), sem excluir a disciplina sacramental (conf. par. 300, nota 336).
Na realidade, trata-se do seguinte: a proibição de receber a comunhão já não é absoluta para os divorciados recasados. Por regra geral, o Papa não os autoriza a recebê-la, mas tampouco os proíbe. “Isto — havia destacado o cardeal Caffarra ao refutar o cardeal Kasper — afeta a doutrina. Inevitavelmente. Pode-se inclusive dizer que não o faz, mas o faz. Além disso, introduz-se um costume que a longo prazo inculca no povo, seja ou não cristão, que não existe matrimônio totalmente indissolúvel. E isso desde já se opõe à vontade do Senhor. Não cabe a menor dúvida” (Entrevista ao Il Foglio, 15 de março de 2014).
Para a teologia da praxe não importam as regras, mas os casos concretos. E o que não é possível no abstrato, é possível no concreto. Mas, como acertadamente destacou o cardeal Burke, “se a igreja permitisse (ainda que em um só caso) que uma pessoa em situação irregular recebesse os sacramentos, isso significaria que ou o matrimônio não é indissolúvel e, portanto, a pessoa em questão não vive em estado de adultério, ou que a santa comunhão não é o Corpo e o Sangue de Cristo, que pelo contrário requerem a reta disposição da pessoa, ou seja, o arrependimento do pecado grave e o firme propósito de não voltar a pecar” (Entrevista a Alessandro Gnocchi, Il Foglio, 14 de outubro de 2014).
Não só isso: a exceção está destinada a converter-se em uma regra, uma vez que Amoris Laetitia deixa o critério para receber a comunhão ao “discernimento pessoal”. Esse discernimento é alcançado mediante “o diálogo com o sacerdote, no foro interno” (par. 300), “caso a caso”. E quem será o pastor de almas que se atreverá a proibir que se receba a Eucaristia, se “o próprio Evangelho exige que não julguemos nem condenemos” (par. 308) e é necessário “integrar a todos” (par. 297) e “valorizar os elementos construtivos nas situações que ainda não correspondem ou já não correspondem à sua doutrina sobre o matrimônio” (par. 292)? Os pastores que quiserem invocar os mandamentos da Igreja correriam o risco de atuar, segundo a exortação, “como controladores da graça e não como facilitadores” (par. 310). “Por isso, um pastor não pode sentir-se satisfeito apenas aplicando leis morais àqueles que vivem em situações ‘irregulares’, como se fossem pedras que se atiram contra a vida das pessoas. É o caso dos corações fechados, que muitas vezes se escondem até por detrás dos ensinamentos da Igreja ‘para se sentar na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas'” (par. 305).
Essa linguagem inédita, mais dura que a dureza de coração que repreende os “controladores da graça”, é a marca distintiva de Amoris Laetitia, que, não por nenhuma casualidade, foi qualificada pelo cardeal Schönborn na coletiva de imprensa de 08 de abril de 2016 como “um evento linguístico”. “O que mais me alegra neste documento — declarou o cardeal de Viena — é que ele supera de forma coerente a divisão externa artificial que distinguia entre regular e irregular”. A linguagem, como sempre, expressa um conteúdo. As situações que a exortação pós-sinodal define como “chamadas irregulares” são o adultério público e a convivência extramatrimonial. Para Amoris Laetitia, estas realizam o ideal do matrimônio cristão, “de forma parcial e análoga” (par. 292). “Por causa dos condicionalismos ou dos fatores atenuantes, é possível que uma pessoa, no meio de uma situação objetiva de pecado — mas subjetivamente não seja culpável ou não o seja plenamente —, possa viver em graça de Deus, possa amar e possa também crescer na vida de graça e de caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja” (par. 305), “em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos” (nota 351).
Segundo a moral católica, as circunstâncias, que constituem o contexto no qual a ação se desenvolve, não podem modificar a qualidade moral dos atos, fazendo boa e justa uma ação intrinsecamente má. Mas a doutrina dos absolutos morais e do mal intrínseco é anulada por Amoris Laetitia, que se acomoda à “nova moral” condenada por Pio XII em vários documentos e por João Paulo II em Veritatis Splendor. A moral situacionista deixa à mercê das circunstâncias e, em último caso, à consciência subjetiva do homem determinar o que está certo e o que está errado. Assim, uma união sexual extraconjugal não é considerada intrinsecamente ilícita, mas, como um ato de amor, é valorizada em função das circunstâncias. Dito de um modo mais geral, não existe o mal em si nem tampouco pecados graves ou mortais. Comparar pessoas em estado de graça (situações regulares) com pessoas em situação de pecado permanente (situações irregulares) é mais do que uma questão linguística: podemos dizer que está em conformidade com a teoria luterana do homem (que diz que o homem é justo e pecador), condenada pelo Decreto sobre a justificação no Concílio de Trento (conf. Denz-H, nn. 1551-1583).
A exortação pós-sinodal Amoris Laetitia é muito pior que a exposição do cardeal Kasper, contra a qual se dirigiram tantas e tão justas críticas em livros, artigos e entrevistas. Kasper limitou-se a plantear algumas perguntas; Amoris Laetitia [isto é, Francisco] apresenta a resposta: abre as portas aos divorciados recasados, canoniza a moral situacionista e dá início a um processo de normalização de todas as convicções extramaritais.
Tendo em conta que o novo documento pertence ao Magistério ordinário não infalível, é de esperar que seja objeto de uma análise crítica profunda por parte de teólogos e pastores da Igreja, sem a ilusão de que se possa aplicar-lhe a hermenêutica da continuidade.
Se o texto é catastrófico, mais catastrófico é o fato de que ele foi assinado pelo Vigário de Cristo. Pois bem, para aqueles que amam a Cristo e à sua Igreja, esta é uma boa razão para falar, para não ficar em silêncio. Façamos nossa, pois, as palavras de um valente mitrado, Mons. Athanasius Schneider: “Non possumus! Eu não vou aceitar um discurso ofuscado nem uma porta falsa, habilmente ocultada para a profanação do sacramento do Matrimônio e da Eucaristia. Do mesmo modo, não vou aceitar que se brinque com o sexto mandamento da Lei de Deus. Prefiro ser ridicularizado e perseguido do que aceitar textos ambíguos e métodos insinceros. Prefiro a cristã ‘imagem de Cristo, a Verdade, à imagem da raposa adornada com pedras preciosas’ (Santo Irineu), porque ‘eu sei em quem tenho crido’, ‘scio cui credidi’ (II Tm I, 12)” (Rorate Caeli, 2 de novembro de 2015).
Fonte: http://www.renitencia.com/2016/04/amoris-laetitia-primeiras-reflexoes-sobre-um-documento-catastrofico.html

Padre Fábio de Melo e seu romantismo sem Verdade

Salve Maria!

Em pregação na Canção Nova, Pe. Fábio de Melo denuncia a podridão da sociedade e daqueles que promovem o mal pelas drogas, prostituição e atentados à Família brasileira. Falou muito das “Sargetas da Vida”…A cada aplauso delirante da multidão,  aumentava seu entusiasmo..

Seria bom refletir onde estaria o ataque do Pe. Fábio de Melo às redes de comunicação, sobretudo à Globo destruidora das famílias que o elevou onde ele se encontra no mundo midiático..Onde estaria sua prática pastoral nas favelas, nas ruas, em meio aos excluídos da sociedade, ou apenas na vida paroquial, no silêncio ou anonimato de um confessionário que o padre astro não suporta., já que seu tempo é gasto  nas luzes  da ribalta e no conforto das imensas quantias de dinheiro que ele mesmo ganha em suas “evangelizações”…que custam mais de cem mil reais…

Suas palavras aqui são apenas blá-blá-blá romântico e antropológico, bem próprios dos modernistas que dizem coisas bonitas, adocicadas, ecumenicamente agradáveis, mas vazias de conteúdo da Verdade Católica.

Quem não entende nada, e se dirige por sentimentalismos achará, sem dúvida a palavra igualdade, fraternidade e liberdade a coisa mais bela do mundo, sem saber que por trás desta divisa estava a guilhotina da famigerada Revolução Francesa…

A fala do Pe. Fábio de Melo ” Bate Fofo”, desprovida de Verdade e de Testemunho. Um blá,blá, blá…Mas de Blá, blá, bla, a Canção Nova entende  e muito bem.

Amém. Aleluia, ôoo Glória!

Pe. Marcélo Tenorio