CNBB contra o PEC – 241

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Caríssimos,

Salve Maria!

Se alguém tiver alguma Nota da CNBB contra a corrupção orquestrada pelo Governo do PT e a favor das investigações da Lava Jato, por favor nos enviar..

Agradecemos

Brasília-DF, 27 de outubro de 2016
P –  Nº. 0698/16

NOTA DA CNBB SOBRE A PEC 241

“Não fazer os pobres participar dos próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida.”
(São João Crisóstomo, século IV)

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, dos dias 25 a 27 de outubro de 2016, manifesta sua posição a respeito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, de autoria do Poder Executivo que, após ter sido aprovada na Câmara Federal, segue para tramitação no Senado Federal.

Apresentada como fórmula para alcançar o equilíbrio dos gastos públicos, a PEC 241 limita, a partir de 2017, as despesas primárias do Estado – educação, saúde, infraestrutura, segurança, funcionalismo e outros – criando um teto para essas mesmas despesas, a ser aplicado nos próximos vinte anos. Significa, na prática, que nenhum aumento real de investimento nas áreas primárias poderá ser feito durante duas décadas. No entanto, ela não menciona nenhum teto para despesas financeiras, como, por exemplo, o pagamento dos juros da dívida pública. Por que esse tratamento diferenciado?

A PEC 241 é injusta e seletiva. Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos. Além disso, beneficia os detentores do capital financeiro, quando não coloca teto para o pagamento de juros, não taxa grandes fortunas e não propõe auditar a dívida pública.

A PEC 241 supervaloriza o mercado em detrimento do Estado. “O dinheiro deve servir e não governar! ” (Evangelii Gaudium, 58). Diante do risco de uma idolatria do mercado, a Doutrina Social da Igreja ressalta o limite e a incapacidade do mesmo em satisfazer as necessidades humanas que, por sua natureza, não são e não podem ser simples mercadorias (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 349).

A PEC 241 afronta a Constituição Cidadã de 1988. Ao tratar dos artigos 198 e 212, que garantem um limite mínimo de investimento nas áreas de saúde e educação, ela desconsidera a ordem constitucional. A partir de 2018, o montante assegurado para estas áreas terá um novo critério de correção que será a inflação e não mais a receita corrente líquida, como prescreve a Constituição Federal.

É possível reverter o caminho de aprovação dessa PEC, que precisa ser debatida de forma ampla e democrática. A mobilização popular e a sociedade civil organizada são fundamentais para superação da crise econômica e política. Pesa, neste momento, sobre o Senado Federal, a responsabilidade de dialogar amplamente com a sociedade a respeito das consequências da PEC 241.

A CNBB continuará acompanhando esse processo, colocando-se à disposição para a busca de uma solução que garanta o direito de todos e não onere os mais pobres.

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, continue intercedendo pelo povo brasileiro. Deus nos abençoe!

Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

EM CLIMA DE “MISERICORDIA” , GAROTO DA PUC-GOIÁS É AMEAÇADO DE EXCOMUNHÃO

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Caríssimos, Salve Maria!

Colocamos aqui um pouco da polêmica envolvendo um estudante da Pontifícia Universidade Católica de Goiás,  Marco Rossi. Numa conferência dentro da Instituição, o jovem se pronunciou contrário ao pensamento comum dos que estavam à mesa, sendo retirado em seguida.

É claro que jovem protesta como jovem. Rebeldia faz parte do jeito da juventude. Ou não há rebeldia nos jovens da PJ, abertamente contrários à doutrina da Igreja, ora pois!?

Diante disso, saiu uma nota assinada pelo Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Goiania,  na qual condenava a atitude do estudante  e ao mesmo tempo lembrava da possibilidade de uma excomunhão” Latae Sententiae” para o garoto, por provocar rupturas na Igreja.

Ora, ora, por que tanta polêmica neste caso? Apenas devido a  um estudante que discordou do pensamento, considerado marxista por ele, dos demais pensadores desta instituição? Não é a Igreja a primeira a conclamar a liberdade de pensamento? Ou isso só vale quando o pensamento não vai contra à ideologia reinante?

Assisti o vídeo. Nele nada há contra a Fé Católica. Alguém poderia argumentar: ” mas agiu contra a unidade, quebrou a unidade, buscou ruptura, etc…e pode ser excomungado”. Isso aqui é querer forçar por demais uma Excomunhão deste nível?

Observem o vídeo e verão que, bem mais da argumentação do garoto, foi a agressão verbal e física dos opostos.

Leonardo Boff, por exemplo, recebeu alguma nota e ameaça parecida? Alguém já viu alguma PUC proibi-lo à entrada? Ou ele entrava pela porta da frente, com tapinhas nas costas dos reitores também pontifícios?…

Não sei se a PUC – mais católica do mundo- a de Goiás, já fez o que todos deveriam ter feito: barrar Leonardo Boff, mas pelo andar da carruagem, acredito que não.

Citei Boff, mas poderia citar uma infinitude de heresiarcas aplaudidos pelas PuCs emais PUCs

Querer dar um “cala-a-boca” num jovem estudante com ameaças de Excomunhão, nesse estilo é a mesma coisa que dizer a uma criacinha: ” não entre ali, pois há bicho papão!”. E o mais incrível, é que excomunhão, para muitos modernistas, trata-se de ferramentas ultrapassadas da Idade Média…Isso quer dizer que a guilhotina só tem valor do lado francês de ver o mundo?

Seria engraçado uma excomunhão como esta em tempos de enormes misericórdias Bergolianas…

Excomunhão não é virus que pega ‘automaticamente”. Há critérios para que seja Válida. Se foi verdade isso, pelo que vi, trata-se de Excomunhão Nula. Bento XVI anulou as excomunhões contra Mgr Lefebvre e Mgr de Castro Mayer.. Note-se que uma coisa é ANULAR outra é CANCELAR. Anulou simplesmente pq nunca existiu,por falta de critério canônico. No caso acima deve-se forçar bem o “critério canônico” para se ter linguiça do cachorro-quente..

Eu estive, várias vezes, em aulas  e semanas teológicas com assessores da CNBB, todos contrários abertamente ao papa Bento XVI, todos! Um , entre eles, chegou a chamar  o papa de ” Esse Pastor Alemão”!… Eu vi, eu estava lá. Não estou falando da CNBB como um todo, mas de seus assessores, sim.

Já que se preza tanto pela Unidade da Igreja, acredito que assessores assim jamais entrariam da PUC-Goiás.

Nunca vi tanta romanidade  misturada com Buenosairismos.

Confira, abaixo

 

O comunicado oficial

Em razão dos posicionamentos públicos de Marco Rossi  Medeiros contra a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e vários irmãos no episcopado, bem como, recentemente, contra a Pontifícia Universidade Católica de Goiás, seu reitor, reitoria e corpo docente, no cumprimento da responsabilidade de nosso ministério, tornamos pública nossa reprovação a suas palavras, atitudes e métodos difamatórios, que intentam macular instituições, organizações e vidas de pessoas.

Em suas investidas, embora se declare católico, Marco Rossi  Medeiros não fala e nem age em nome da Igreja Católica. Lembramos oportunamente que ao bispo da Igreja arquidiocesana – e somente a ele, dentro de sua circunscrição eclesiástica -, compete a responsabilidade canônica de promover e garantir a unidade e a retidão da doutrina e da fé. Somente do arcebispo é a competência para discernir, decidir, nomear, destituir e acompanhar o governo das instituições eclesiais da Arquidiocese de Goiânia.

Todo e qualquer católico que se outorga ilegítimos direitos de suscitar rupturas na unidade da Igreja, está por isso mesmo atentando contra a comunhão e se colocando fora dela ‘latae sententiae’.

Reiteramos nosso apoio, solidariedade e gratidão à PUC Goiás, ao reitor e à reitoria, aos gestores, professores e funcionários, pelo serviço e pelo bem que prestam à Educação Superior, à nossa querida Pontifícia Universidade Católica e à Arquidiocese de Goiânia.

No Ano da Misericórdia, oremos ardentemente pela paz e pela harmonia do povo brasileiro. Recusemos e reprovemos, com firmeza, qualquer prática acusatória e ofensiva que incite ao ódio e à divisão, na família, na Igreja e na sociedade.

No fiel discipulado missionário, unidos à paixão de Cristo, como Igreja, continuemos perseverantes, rumo ao Reino definitivo.

Rezemos por este irmão, para que seja tocado pela ação do Espírito Santo e tenha a proteção da Santa Mãe de Deus.

 

Dom Levi Bonatto, bispo auxiliar da Arquidiocese de Goiânia

Fonte:

Esclarecimento Oficial

Goiânia,29 de Março de 2016, às 13h15.

Esclarecimento Oficial

Em razão das polêmicas envolvendo o Comunicado da Arquidiocese de Goiânia com relação ao Sr. Marco Rossi Medeiros, publicado nas plataformas digitais, esclarecemos:

Nosso objetivo é, antes de tudo, dirimir dúvidas de maneira fraterna e com o espírito da Páscoa que deve estar presente neste tempo litúrgico que estamos vivendo.

Diante do tom agressivo e difamatório do Sr. Marco Rossi Medeiros, a Arquidiocese, dentro das suas atribuições canônicas e administrativas, resolveu pronunciar-se, para o bem da verdade e para preservar pessoas envolvidas.

Com relação ao parágrafo que cita a excomunhão latae sententiae, tal texto foi citado devido à possibilidade de incorrer nela as pessoas que atentem contra a unidade da Igreja. O texto não é, de forma alguma, um decreto de excomunhão, portanto o Sr. Marco Rossi não está excomungado.

A contragosto nosso, no site e em rede social da Puc- Goiás, a postagem feita pelo departamento de imprensa da Universidade apresentou uma conotação indesejada, não sendo percebido que o comunicado se tratava de um posicionamento e não de uma questão canônica.

A Arquidiocese de Goiânia reitera o seu posicionamento, lamenta a postura agressiva e radical do Sr. Marco Rossi Medeiros e espera que, com este esclarecimento, a paz volte a reinar em nosso meio e se reestabeleça a unidade, atendendo ao apelo do Santo Padre que diz que cada cristão é chamado a trabalhar pela unidade da Igreja sob a condução do Espírito Santo.

Não estamos contra ninguém, respeitamos, como mostra o histórico da Arquidiocese, todas as opiniões e posicionamentos políticos enquanto prática humana que leva ao bem comum.

Assessoria de Comunicação

Arquidiocese de Goiânia

Fonte:http://www.arquidiocesedegoiania.org.br/comunicacao/noticias/arquidiocese/destaques/2199-esclarecimento-oficial.html

Padre Fábio de Melo e seu romantismo sem Verdade

Salve Maria!

Em pregação na Canção Nova, Pe. Fábio de Melo denuncia a podridão da sociedade e daqueles que promovem o mal pelas drogas, prostituição e atentados à Família brasileira. Falou muito das “Sargetas da Vida”…A cada aplauso delirante da multidão,  aumentava seu entusiasmo..

Seria bom refletir onde estaria o ataque do Pe. Fábio de Melo às redes de comunicação, sobretudo à Globo destruidora das famílias que o elevou onde ele se encontra no mundo midiático..Onde estaria sua prática pastoral nas favelas, nas ruas, em meio aos excluídos da sociedade, ou apenas na vida paroquial, no silêncio ou anonimato de um confessionário que o padre astro não suporta., já que seu tempo é gasto  nas luzes  da ribalta e no conforto das imensas quantias de dinheiro que ele mesmo ganha em suas “evangelizações”…que custam mais de cem mil reais…

Suas palavras aqui são apenas blá-blá-blá romântico e antropológico, bem próprios dos modernistas que dizem coisas bonitas, adocicadas, ecumenicamente agradáveis, mas vazias de conteúdo da Verdade Católica.

Quem não entende nada, e se dirige por sentimentalismos achará, sem dúvida a palavra igualdade, fraternidade e liberdade a coisa mais bela do mundo, sem saber que por trás desta divisa estava a guilhotina da famigerada Revolução Francesa…

A fala do Pe. Fábio de Melo ” Bate Fofo”, desprovida de Verdade e de Testemunho. Um blá,blá, blá…Mas de Blá, blá, bla, a Canção Nova entende  e muito bem.

Amém. Aleluia, ôoo Glória!

Pe. Marcélo Tenorio

Quem foi realmente Dom Helder Câmara?

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Júlio Loredo

Muito se tem falado nestes dias sobre Dom Helder Câmara, cujo processo de beatificação foi recentemente aprovado pelo Vaticano.

Para o italiano médio, a figura de Mons. Helder Pessoa Câmara (1909-1999), bispo auxiliar do Rio de Janeiro e, em seguida, arcebispo metropolitano de Olinda-Recife, é quase desconhecida.
Quem foi Dom Helder?

Propaganda que beira o ridículo

As únicas notícias sobre Dom Hélder Câmara que passam pelos filtros da nossa imprensa são aquelas provenientes das fábricas de propaganda local, de modo tão desequilibrado que eu não tenho medo de defini-las como beirando o limite do ridículo.

Lembro-me bem, por exemplo, da reação da imprensa na época da morte de Dom Helder, em agosto de 1999. Os meios de comunicação italianos competiam entre si em panegíricos, dando títulos altissonantes como “profeta dos pobres”, “santo das favelas”, voz do Terceiro Mundo”, “Santo Helder das Américas” e assim por diante. Foi uma espécie de canonização pelos meios de comunicação de massa (1).

Esta mesma máquina de propaganda parece ter sido reativada com a abertura do processo de beatificação, assinado no Vaticano no último 25 de fevereiro. Algumas informações sobre o assunto, de fato, não fariam mal algum.

Talvez poucas pessoas saibam, mas Dom Helder Câmara começou sua vida pública como militante na direita.

Ele foi, de fato, hierarca da Ação Integralista Brasileira (AIB), o movimento fundado por Plínio Salgado. Em 1934, o então Padre Câmara passou a fazer parte do Conselho Supremo da AIB.

Dois anos depois, ele se tornou o secretário pessoal de Plínio Salgado e então Secretário Nacional de AIB, participando como protagonista em comícios e passeatas paramilitares. Suas convicções eram tão profundas, que ao ser ordenado sacerdote fez questão de vestir, sob a batina, a famigerada “camisa verde” que era o uniforme da milícia integralista.

Em 1946, o arcebispo do Rio de Janeiro queria fazê-lo seu bispo auxiliar, mas a Santa Sé recusou por causa de sua precedente militância no integralismo. A nomeação veio apenas seis anos depois. Enquanto isso, Helder Câmara havia completado sua passagem do integralismo ao progressismo pró-marxista.

Quando, em 1968, o escritor brasileiro Otto Engel escreveu uma biografia de Mons. Câmara, ele recebeu ordens sumárias da Cúria de Olinda-Recife proibindo-o de publicá-la. O arcebispo não queria que seu passado fosse conhecido. Continue lendo

O Adeus a Dom Rogélio – Confessor da Fé

“Pai, foste cavaleiro,
hoje a vigília é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E tua inteira Força

Dá, contra a hora em que, errada, Novos infiéis vençam,
A bênção como espada,
A espada como bênção!…”

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“A homossexualidade se converteu em um assunto político para reorganizar a sociedade a partir dela”

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DESTACADO PSICOANALISTA ALERTA

A homossexualidade se converteu em um assunto político para reorganizar a sociedade a partir dela

Para dezenas de intelectuais em todo o orbe a reorganização social que busca a ideologia de gênero é uma revolução cultural, totalitária. A eles se soma agora desde Paris o destacado psicoanalista Tony Anatrela em entrevista difundida pela revista Tempi. Uma nova utopia. Fundada sobre a cega reivindicação da orientação sexual para reorganizar a sociedade e fazer realidade o sonho da igualdade sem singularidade.

7/03/15 5:00 PM

(Portaluz) Professor de filosofia e psicologia em Paris, Anatrela é também Consultor do Pontifício Conselho para a Família, do Conselho Pontifício para a Saúde e tem publicado numerosas investigações sobre a matéria como La teoria del gender e l’origine dell’omosessualità (San Paolo 2012) e Il regno di Narciso (San Paolo 2014).

Professor Anatrela, há algum tempo o senhor denuncia à teoria de gênero como uma ideologia totalitária e tem escrito que, como o marxismo no século passado, o gênero seria o campo de batalha neste século. Não é excessivo?

Deixemos claro o seguinte: não devemos confundir os estudos de gênero que analisam a relação entre homens e mulheres na sociedade, em diferentes âmbitos culturais, com o fim de lograr um maior respeito a sua dignidade, igualdade e a respectiva vocação, com a teoria de gênero, inspirada em diferentes correntes de pensamento… É certo que há similares habilidades ou competências, um homem e uma mulher poderiam exercer as mesmas responsabilidades, mas o problema aqui é que com isso se quer fazer crer que psicologicamente e socialmente o homem e a mulher são iguais. Contudo, os homens e as mulheres não podem fazer sistematicamente as mesmas tarefas ou sustentar a mesma representação simbólica, iniciando pela maternidade e a paternidade. Esta perspectiva igualitarista tem distorcido e complicado as relações entre os dois sexos e explica em parte -ainda que não é a única razão- o porquê das relações de casal tornarem difíceis e por que muitos não querem casar-se ou têm medo do matrimônio. A sociologia constata um fenômeno sempre recorrente na história: Quando as mulheres entram em massa em um setor de atividade, os homens desaparecem. Mas a ideologia de gênero vai mais além, afirmando que a sexualidade biológica não é importante no desenvolvimento psicológico. Em realidade, a psicologia de cada um de nós se desenvolve na medida em que ocorre a internalização da própria corporeidade sexual. Os distintos autores que propõem a ideologia de gênero também argumentam que temos que pensar de maneira diferente a sexualidade e a organização da sociedade. Já não definem a sexualidade a partir de só duas identidades sexuais existentes, homem e mulher, porque segundo eles isto é injusto, mas a partir da livre orientação-opção sexual… heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade, transexualidade, etc. Desta maneira todo o mundo estaria em condições de igualdade, enquanto que se só se afirma a identidade do homem e da mulher se excluiria a outras formas de sexualidade. Como não ver que este ponto de vista é contrário ao dado da realidade?

É utópico colocar a igualdade?

O real é que a identidade sexual faz referência ao ser da pessoa, enquanto que a orientação sexual se relaciona com os impulsos sexuais. …Durante setenta anos, a sociedade esteve dominada pela cegueira ante uma ideologia baseada em uma pseudo-igualdade e na crença de que o ser humano é o produto de uma cultura… O mesmo que agora a teoria de gênero sustenta por sua vez sobre a identidade sexual. Mas se a pessoa fosse simplesmente o produto de uma cultura, se converte em um autômato e sua singularidade desaparece. O gênero é totalitário na medida que no ocidente se busca reorganizar politicamente a sociedade desde o ponto de vista pouco realista da orientação sexual, como no caso do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo. Isso pois, a homossexualidade não pode estar na origem do casal conjugal, nem da família, já que esta forma de sexualidade entre duas pessoas do mesmo sexo não tem -no plano psicológico, corpóreo e fisiológico- as mesmas características daquela fundada na alteridade sexual, que é possível só na relação homem-mulher. E posto que no sentido estrito o chamado casal e família homossexual não existe, podemos entender que se trata de um artifício e uma corrupção da linguagem. Com a palavra sempre é fácil enganar, dando nomes à realidade mais em função dos próprios fantasmas que do real. Mas ainda assim, a homossexualidade se tem convertido em um assunto político para reorganizar a sociedade a partir dela. Progressivamente em muitos países europeus se consolida um sistema repressivo, inclusive desde o âmbito judicial, para impor este novo princípio. O que está em questão não são as pessoas gay, que devem ser respeitadas como cidadãos, mas uma vontade militante e política para fazer da homossexualidade uma regra que forme parte da ordem do casal e da família. Os próprios militantes que estão lutando por esta causa dizem claramente que é necessário abrir o matrimônio a todos para melhor destruí-lo, com o fim de lograr a igualdade de todas as diferentes formas de relação (lésbico, gay, heterossexual, transexual, transgênero, etcétera). Encontramos a mesma ideia (absolutista destruidora) no inicio da aplicação do marxismo nos países comunistas.

O senhor tem manifestado que é um erro aceitar leis de compromisso como as uniões civis Por quê?

São hipócritas e um erro no sentido de que é um matrimônio de série B com a maior parte dos benefícios do matrimônio. A opinião pública tem sido moldada para aceitar as uniões civis como um mal menor, quando em realidade é uma plataforma para permitir logo o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo. Pelo contrário, alguém havia esperado uma lei, um contrato de associação dos bens, aberto a todos os cidadãos sem distinção, com certas vantagens fiscais; especialmente com respeito à posse da propriedade e a herança. Mas as leis de uniões civis começaram a desenhar a realidade do matrimônio, o que nos tem trazido hoje a confusão e a desvalorização do matrimônio baseado na diferença dos sexos. Estas leis são feitas à medida da instabilidade das relações e da imaturidade afetiva da época atual. É possível supor ademais que desde o momento em que o matrimônio está aberto às pessoas homossexuais, corre o risco de que a gente já não deseje casar-se porque a imagem do matrimônio se torna confusa e contraditória. Por outra parte, é interessante observar que na maioría dos países que têm permitido o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, estes matrimônios diminuíram ano após ano, até que se tornem inexistentes. Em outras palavras, temos sacudido o código civil… pervertendo o matrimônio aos interesses de uma pequena minoria de pessoas e aqui neste campo de ruínas do que foi a bela realidade do matrimônio, a confusão de sentimentos e identidades têm um impacto na vida emocional e sexual das jovens gerações…. Aas leis de uniões civis e o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo têm um impacto na representação social da sexualidade.

Créditos: Airton Vieira de Souza

FANATISMO ATEU


 




Prof. Carlos Ramalhete

O mesmíssimo procurador de Justiça que anos atrás investira contra os crucifixos em repartições públicas resolveu agora ir ainda mais longe: ele quer arrancar das notas de real a expressão “Deus seja louvado”.
O tortuoso raciocínio com que justifica esse último frenesi antirreligioso é digno de nota: diz ele que escrever “Alá seja louvado” ou “Oxóssi seja louvado” seria percebido como ofensivo. Aparentemente não é justiça que ele procura, mas chifres em cabeça de cavalo. “Deus” é um termo genérico, não um nome próprio. Para seus devotos, Oxóssi é um deus.

Estado laico não é nem pode ser sinônimo de Estado ateu. O ateísmo é uma espécie de religião por oposição, com dogmática própria (“Deus não existe”, “tudo é devido ao acaso” etc.) e até mesmo alguns devotos, dentre os quais aparentemente o procurador de confusão em questão.É exatamente por ser genérico que ese termo está no preâmbulo da Constituição, diga-se de passagem. Se se pergunta a um adepto de Alá quem ele é, a resposta é “Deus”. O equivalente a “Alá seja louvado” seria “louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”. E, mesmo assim, esta expressão não seria ofensiva, devido às leituras diversas que dela seriam feitas. Afinal, uma maioria esmagadora da população a perceberia como “louvado seja o Bem-em-Si”, mesmo que não concordasse com a doutrina cristã.

Um Estado ateu, como o finado Estado soviético, não é capaz de tolerar religiões concorrentes. Sente-se ofendido por sua presença pública. Não percebe que sem amor a Deus não haveria sequer ordem social, que dirá Estado. Não é a existência da polícia – que não é onipresente – que faz que a imensa maioria da população não roube nem mate, mas o respeito aos mandamentos, a percepção de haver uma ordem moral maior. A mesma percepção, aliás, que levou à inclusão de uma menção perfeitamente genérica a Deus no preâmbulo da Constituição.
Se perguntarmos ao acaso nas ruas o que é Deus, teremos respostas de todos os tipos. Algo, porém, uma maioria acachapante das respostas teria em comum: a percepção de uma ordem maior. A recusa de se submeter a uma visão de mundo tacanha o bastante para se convencer de que na biologia se encerra o sentido da vida. A existência de um parâmetro de conduta que, se fosse universalmente seguido, deixaria desempregados os procuradores de Justiça; um parâmetro cujo pálido reflexo encontramos nos diplomas legais.
Negar a Deus não é procurar justiça; é negar a existência da própria Justiça, fazendo dela apenas outro nome para o arbítrio.

http://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=1318516&tit=Fanatismo-ateu

“Tudo pode voltar a antes do Concílio”‏

Uma resposta papal ao “ardente desejo” de “diversos fiéis” de “conservar a antiga tradição”: foi assim que, originalmente em 2007, o Papa Bento XVI retomou oficialmente a missa tridentina – em latim e versus Deum. Agora, com uma nova instrução publicada pelo Vaticano no último dia 13 de maio, busca-se “garantir a correta interpretação e a reta aplicação” das disposições de então.
Ambos os documentos – a Carta Apostólica Motu Proprio Summorum Pontificum, de 2007e a instrução Universae Ecclesiae, deste ano – e suas repercussões litúrgicas e teológicas para a vida da Igreja são analisados em um dossiê especial publicado na edição desta semana da IHU On-Line, nº. 363, por teólogos e especialistas em liturgia do Brasil e do exterior.
Com o motu proprio (ou seja, um decreto papal), o Papa Ratzinger promulgou “uma lei para a Igreja universal” para regular o uso da liturgia romana anterior à reforma realizada em 1970, no Concílio Vaticano II. Assim, além de celebrar a missa com o Missal Romano contemporâneo, os “diversos fiéis” – segundo a Instrução – que, “tendo sido formados no espírito das formas litúrgicas precedentes ao Concílio Vaticano II teriam a “faculdade” de assistir a missas celebradas conforme o Missal de Pio V, do século XVI, publicado em 1570, logo após o Concílio de Trento, no contexto da Contrarreforma. De acordo com a instrução, o “ardente desejo” desses fiéis é o de “conservar a antiga tradição”.
Na opinião do filósofo e teólogo italiano Andrea Grillo, especialista em liturgia e pastoral, um dos riscos reais que surgem a partir da publicação da instrução é tornar impossível qualquer pastoral litúrgica. Doutor em teologia pelo Instituto de Liturgia Pastoral de Pádua e professor do Pontifício Ateneu S. Anselmo, de Roma, Grillo afirma que um “efeito perigosamente desorientador” do documento paira sobre todos os católicos.
Por outro lado, pensar que a missa é melhor em latim é um “declínio à magia, não à reverência ao verdadeiro mistério da Eucaristia”, segundo o jesuíta norte-americanoThomas Reese, membro sênior do Woodstock Theological Center, da Universidade de Georgetown, em Washington, e ex-editor da renomada revista católica norte-americana America. Para Reese, a maioria dos fiéis que abandonam a Igreja o fazem “porque nossas liturgias são chatas e porque não abrimos a Bíblia para nossas congregações de fiéis”. Além da liturgia, o jesuíta também analisa outros documentos recentes do Vaticano e dos bispos dos EUA sobre a pedofilia. “As vítimas de abuso sexual ficaram muito decepcionadas com a nova carta do Vaticano”, por não ser forte o bastante, afirma.
Para o teólogo Erico Hammes, professor da PUC-RS, o caráter positivo da nova instrução sobre a liturgia é o “fato de se admitirem na Igreja, preocupada com a unidade, a multiplicidade de fórmulas”. No entanto, questiona Hammes, mestre e doutor em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Gregoriana – PUG, em Roma, “não se estaria privilegiando uma determinada forma de espiritualidade e deixando as demais na sombra e na desilusão?”.
Já o teólogo Luiz Carlos Susin afirma que “é espantoso o leque de retorno: tudo pode voltar a antes do Concílio em termos de liturgia, não só a celebração da Eucaristia”. Se as gerações anteriores viveram o sagrado cristão segundo o missal de Pio V, então permanece sagrado “para eles”. Ffrei capuchinho, mestre e doutor em Teologia pelaPontifícia Universidade Gregoriana de RomaItália, e professor da PUC-RS e daEscola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana – Estef, em Porto Alegre, Susin questiona ainda: “O que virá depois?. Há uma juventude no interior da Igreja que flutua sem solidez e sem propostas mais realistas apegando-se à estética dos rituais”.

Esquizofrenias Supremas


                                                                                                                  



                                                        LEONARDO BRUNO | 15 MAIO 201

A politização dos tribunais é apenas o início do totalitarismo em todo o resto, porque a justiça não se torna a vontade expressa e impessoal da lei e de legisladores eleitos, mas tão somente a vontade de facção política governante.

A insólita decisão do STF, estendendo os princípios da união estável aos homossexuais, à primeira vista, chocou-me menos pelo reconhecimento impróprio da homossexualidade do que pelos métodos francamente ilegais com que o Tribunal Excelso usou para validar seus argumentos. O dispositivo constitucional do art. 226, parágrafo 3º, da Constituição Federal, era bastante claro e restrito em caracterizar como “união estável” a junção de homem e mulher, devendo a lei facilitar o seu casamento. No entanto, por conta de uma pirueta argumentativa, o Supremo não interpretou a Carta Magna. Simplesmente agiu como se fosse uma nova “assembléia constituinte”, usurpando os poderes do Congresso Nacional e criando um dispositivo adicional, alheio ao tema. É pior, quando a Suprema Corte apelou ao art. 5º da Constituição Federal para legitimar a união estável entre homossexuais, tornou sumariamente inconstitucional o art. 226 e parágrafos, que caracterizavam, especificamente, a união estável no direito de família. A partir daí, pode-se dizer que o Brasil, através de uma decisão judicial, está caminhando, lenta e gradualmente, para uma crise institucional.
Se a Constituição Brasileira parece não valer absolutamente nada para muitos órgãos institucionais da república, que dirá para uma instituição que existe justamente para protegê-la e resguardá-la? O STF, atualmente, é sinônimo de insegurança jurídica, de violação expressa da lei e da Constituição, justamente porque serve de palco para quizílias políticas, alheias ao interesse público. Na pior das hipóteses, tornou-se arma perfeita do governo federal e de grupos de interesses, que podem pressionar a Corte para uma decisão de caráter legislativo, quebrando a espinha dorsal da constitucionalidade e da harmonia entre os poderes. A politização dos tribunais é apenas o início do totalitarismo em todo o resto, porque a justiça não se torna a vontade expressa e impessoal da lei e de legisladores eleitos, mas tão somente a vontade de facção política governante.
Por outro lado, além de assembléia constituinte, o STF se tornou o legislador usurpador. Ao distorcer e criar um novo conceito de união estável na Constituição, invalidou sumariamente a legislação infraconstitucional, qual seja, a do Código Civil, que diz que é reconhecido a união estável entre homem e mulher. No final das contas, ninguém mais pode confiar na lei, na Carta Magna ou no poder do Congresso Nacional. O Supremo, através de critérios arbitrários, pode revogá-los ou adulterá-los. Basta que um lobby político tenha força para fazer valer as decisões entre os ministros. Na prática, temos um poder institucional na república que está acima da Constituição. 

Se o Supremo conseguiu causar um estrago institucional com esse grave precedente formal, não menos grave foi o precedente moral e ético, com a destruição completa do direito de família. Neste ínterim, os juízes não se contentaram em rasgar ou transcrever a Constituição ao seu bel prazer. Eles quiseram, por decreto, modificar até o direito natural.

As argumentações dos ministros foram de uma assustadora indigência intelectual, uma prova completa da inépcia cultural que tomou conta dos tribunais. Na prática, o homem-massa, a criatura vulgar, tomou conta do STF. Gente que foi encharcada de discursos de ONGs, de DCEs acadêmicos, de projetos de engenharia social, de lugares-comuns da opinião pública. Pode-se dizer que o STF atual é o pior que já houve na história do Brasil. A fraqueza de seus postulados e a completa inoperância de seus argumentos é prova do quanto o país está em decadência.
O Ministro Joaquim Barbosa, aquele que diz ouvir a voz das ruas, parece ter ficado surdo ao povo quando aderiu à sua agendinha gay. Ele declarou, em seu voto favorável: “O reconhecimento de uniões homoafetivas encontra seu fundamento em todos os dispositivos constitucionais que tratam da dignidade humana”. A pergunta que não quer calar é: que “dignidade humana” é esse que inferioriza a família e destrói suas referências morais e éticas? Luiz Fux, o ministro ordinário e demagogo, que prega a invasão do Estado em casas alheias para confiscar armas, tal como se entra no domicílio pra matar mosquitos da dengue, afirmou:

“A homossexualidade caracteriza a humanidade de uma pessoa. Não é crime. Então por que o homossexual não pode constituir uma família? Por força de duas questões que são abominadas por nossa Constituição: a intolerância e o preconceito.” 


O ministro Lewandovsky já inventou um conceito biônico de família. Ele afirmou que a junção de dois homens ou duas mulheres já se constitui uma família de fato.

“A união homoafetiva é uma realidade de elementar constatação empírica a qual está a exigir o devido enquadramento jurídico, visto que dela se vislumbram direitos e obrigações. A ninguém é dado ignorar que estão surgindo entre nós, em diversos países do mundo, ao lado da tradicional família patriarcal, outras formas de convivência familiar fundadas no afeto e nas quais se valorizam de forma particular a busca da felicidade, do respeito e do desenvolvimento pessoal de seus integrantes”.


“Entendo que uniões de pessoas do mesmo sexo, que se projetam no tempo e ostentam a marcada da publicidade, devem ser reconhecidas pelo Direito, pois dos fatos nasce o direito. Creio que se está diante de outra unidade familiar distinta das que caracterizam uniões estáveis heterossexuais” (…) “Penso que se está diante de um quarto gênero de unidade familiar não previsto na Carta Magna e sobretudo diante da necessidade de dar concreção diante dos princípios da dignidade humana”.



Entretanto, é a mania totalitária dentro do Estado democrático em achar que toda prática social necessariamente deve ser legislada, como se os tribunais tivessem plenos poderes de resolver os problemas e insatisfações do mundo. Ou na pior das hipóteses, o Estado, em nome da legiferança, é capaz de propor uma legalidade fajuta, ao arrepio da realidade, distorcendo e corroendo as instituições tradicionais. Até então os gays jamais se preocupavam com essas questões e nunca nasceu dos homossexuais, o “direito” de constituir família. Porém, o movimento gay, que é produto de uma engenharia social, reivindica o que jamais pertenceu a sua esfera, ou seja, a de ser criadora da célula-mater da sociedade. Na verdade, a interpretação tão subjetivista, tão vaga e tão etérea do Sr. Ministro abriu portas para outros tipos de bizarrices elevadas como “entidade familiar”. Basta que alguém se junte e aí teremos promíscuos, poligâmicos, zoófilos, incestuosos, todos exigindo direitos familiares.


Por outro lado, família patriarcal é diferente de família heterossexual. Uma coisa, substancialmente, não define a outra. Um homem e uma mulher se casam e têm filhos porque é a ordem natural das coisas, porque é assim que a humanidade se reproduz desde que existe. O mandamento do “ide e multiplicai-vos” da Bíblia não é mera questão religiosa. Porém, na opinião do ministro, isso é apenas convenção, mutável pelas circunstâncias utilitárias. O Estado, sob pressão de grupos organizados de gays e lésbicas, pode modificar, por decreto, uma tradição milenar, como se os juízes do Supremo encarnassem uma espécie distorcida de sacerdócio da seitazinha politicamente correta.

Surpreendentemente, o mais histriônico e o mais estúpido voto dentre esse vendaval de asneiras jurídicas proveio do Ministro Ayres Britto. Às vezes me perguntou se lendo essa decisão eu não estou no hospício! Ele começa:

“Inexiste essa figura da subfamília, família de segunda classe ou família mais ou menos”. “Diferentemente do casamento civil ou da união estável, a família não se define como simples instituto ou figura de direito com sentido meramente objetivo”. 


Traduzindo em termos práticos, tanto faz a junção do homem e da mulher ou um balaio de gatos, cachorros, dois homens, três mulheres, uma suruba de poligâmicos, uma criança, etc. Qualquer união, dentro da cabecinha do Ayres Britto, pode ser considerada “família”. Basta que tal situação seja reconhecida legal ou judicialmente, porque está no âmago da “subjetividade”. Todavia, ele não desiste das especulações acacianas e solta a seguinte pérola: 


“O órgão sexual é um plus, um bônus, um regalo da natureza. Não é um ônus, um peso, um estorvo, menos ainda uma reprimenda dos deuses”.


“Não há nada mais privado aos indivíduos do que a prática de sua própria sexualidade. A liberdade para dispor de sua própria sexualidade insere-se no rol de liberdades do indivíduo, expressão que é de autonomia de vontade. Esse direito de explorar os potenciais da própria sexualidade tanto é exercitado no plano da intimidade quanto no da privacidade, pouco importando que o parceiro adulto seja do mesmo sexo ou não”.

A falácia de seu argumento parte da seguinte questão: não se está discutindo a sexualidade humana, mas o direito de família e seus princípios éticos, morais e sexuais. Na opinião de Ayres Britto, possuir um pênis ou uma vagina é apenas um capricho arbitrário da natureza. O que conta é o mero desejo sexual, que determina, mais do que os papéis da mãe e do pai, a gênese do direito de família. Partindo da lógica do ministro, qualquer indivíduo munido de parafilia sexual pode exigir a educação das crianças ou formar “casal”. Pelo jeito, isso também pode sensibilizar as aspirações do STF.

O mais assustador é que os magistrados se utilizaram de uma linguagem totalmente viciada para desconstruir a realidade e negá-la. A novilíngua politicamente correta, ao que parece, que turvou seus raciocínios. Percebe-se no conceito famigerado da chamada “união homoafetiva”. Parte-se do pressuposto de que a formação familiar é produto de um afeto, não uma ação própria e ontológica de dois seres de sexos diferentes, dispostos à geração de filhos. Durante uma boa parte da história humana, a afetividade na família quase sempre era considerada supérflua. Não era o que a caracterizava e sim os laços sexuais e consanguíneos gerados dessa relação, além do arquétipo moral a ser seguido e transmitido. Se a família fosse medida pelas relações afetivas, qualquer caso sexual fortuito, promíscuo, poderia ser considerado “familiar”.


Por outro lado, os ministros usaram e abusaram de fundamentos ilógicos a respeito da igualdade jurídica e da dignidade humana, para fazer valer seus conceitos (ou preconceitos). Das duas uma: ou os ministros desconhecem ou agem de má fé no uso desses princípios. Na decisão do Supremo, heterossexualidade e homossexualidade se tornaram comportamentos iguais, confundindo a relação de direitos com a proporção entre as condutas. Todavia, igualdade não é nivelamento por baixo. O sofisma está bem claro na decisão judicial: se as pessoas têm direitos iguais, logo, isso torna a homossexualidade igual à heterossexualidade. Na prática, o Supremo cometeu uma monstruosa desigualdade, ao rebaixar as hierarquias valorativas entre as condutas e as instituições. A homossexualidade é um comportamento que pode ser perfeitamente dispensável à espécie humana. A heterossexualidade é uma prática essencial da própria à espécie, cuja ausência é o seu completo desaparecimento na face da Terra.


O terceiro aspecto da falácia linguística é a chamada constituição de “gênero”. É o método sofístico que o movimento gay criou para desmerecer a sexualidade, colocando-a no rol do mais completo relativismo. Em outras palavras, a sexualidade não tem um fim específico, que é a reprodução da espécie. É um processo arbitrário, identificado como “gênero”, partindo do pressuposto dos desejos sexuais subjetivos. Neste caso, inventaram outra terminologia, “hetero-normatividade” e “homo-normatividade”, como se a questão sexual fosse apenas uma norma imposta pela sociedade, que pode ser modificada ao bel prazer dos engenheiros sociais. Daí a loucura de glamurizar a homossexualidade, ao mesmo tempo em que se criam leis no intento de reprimir e prender quaisquer críticas aos gays. No final das contas, pela agenda do movimento gay, a “homo-normatividade” deve ser “norma”!


A consequência lógica da decisão do Supremo, além dos flagrantes ilegalidades constitucionais, é a lenta e gradual destruição da família e do patrimônio moral cristão nela incutido. De fato, a finalidade real mesma desta política é destruir qualquer tipo de patrimônio moral. Na incapacidade de modificar o direito de família por intermédio do Congresso Nacional, o movimento gay se utilizou do Supremo. E na interpretação relapsa feita pelo Tribunal Excelso, abriram-se portas para outros precedentes, igualmente perversos, que é a legalização do casamento gay e a adoção de crianças por duplas homossexuais. Ou pior, a reivindicação de grupos sexuais igualmente permissivos, exigindo estatuto familiar. Pois nas palavras do Supremo, a família é tão somente uma instituição criada subjetivamente, um produto de “gênero”, de “normatividade” ou de “plus”. Em outras palavras, as taras sexuais serão, a partir daí, modelos para a criação do universo familiar. Salve-se quem puder


É curioso que empiricamente a relação homossexual sempre existiu na história. No entanto, nenhuma alma inteligente jamais cogitou reconhecê-la como uma “entidade familiar”, embora se perceba que o ministro não tenha a menor idéia do que a “entidade familiar” signifique. Nenhum “fato” da homossexualidade no mundo fez nascer o direito de família. Até porque da homossexualidade não se nasce ninguém.

E completa:


E acrescenta:

Ao que parece, o juiz não conhece nada de filosofia ou história. Como o comportamento homossexual pode ser a “humanidade” de uma pessoa, se fere algo que é inerente à sexualidade humana, que é a heterossexualidade? E desde quando uma prática, quando não-criminosa é necessariamente aceitável? Mas na lógica bizarra de Fux, a família homossexual não existe por causa do preconceito e da intolerância. Não passa nada por detrás dessa mentalidade vazia algo como procriação ou formação de prole.


QUAL A PRESSA EM BEATIFICAR JOÃO PAULO II ?

                                                                                                       Jonh L. Allen Jr
Os números sobre a causa de João Paulo II são uma questão de recorde. A beatificação ocorre seis anos e 29 dias após a sua morte no dia 2 de abril de 2005, tornando-a a beatificação mais rápida dos tempos modernos, desbancando Madre Teresa em 15 dias. Em ambos os casos, a velocidade foi possível porque o Papa renunciou ao período normal de cinco anos de espera após a morte do candidato, a fim de iniciar o processo.
Porém, o fato de se isso equivale a “pressa” está nos olhos de quem vê.
Como o padre jesuíta James Martin observou, uma vez que haja um milagre documentado, teologicamente poderíamos dizer que Deus aprova esse ritmo. Além disso, para a grande faixa da população tanto dentro quanto fora da Igreja Católica convencida de que João Paulo II foi um santo em vida e que a canonização é uma formalidade, a questão-chave não pode ser por que isso está acontecendo tão rapidamente, mas sim porque está demorando tanto.
Um estudo oficial da vida de João Paulo II que levou a um “decreto das virtudes heroicas” em dezembro de 2009, autorizando João Paulo II a ser referido como “venerável”, coletou testemunhos de mais de 100 testemunhas formais e produziu um relatório de quatro volumes. George Weigel escreveu recentemente que, como resultado, os católicos têm “muito mais detalhes sobre a vida e as realizações de Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, do que o eleitorado norte-americano recebeu sobre a vida e as realizações de Barack Obama, ou do que o eleitorado britânico recebeu sobre a vida e as realizações de David Cameron e de Nick Clegg“.
Além disso, a beatificação de João Paulo II pode ser a mais rápida dos últimos tempos, mas dificilmente será o processo mais veloz a ser registrado. Essa distinção pertence a Santo Antônio de Pádua, que morreu em junho de 1231 e foi canonizado menos de um ano mais tarde pelo Papa Gregório IX. Antônio bateu ainda seu mestre, São Francisco de Assis, que foi canonizado 18 meses após a sua morte, em outubro de 1226 (também por Gregório IX).
Na verdade, os mais inclinados a questionar a “pressa” muitas vezes têm outras razões para o sentimento ambivalente com relação a João Paulo II – o seu histórico na crise dos abusos sexuais, por exemplo, ou o teor mais “evangélico” do seu pontificado, em oposição ao espírito de reforma interna da Igreja associada ao Concílio Vaticano II (1962-1965).
Aliás, é difícil imaginar que muitos progressistas católicos estariam em pé de guerra se, por exemplo, o arcebispo Oscar Romero, de El Salvador, tivesse sido beatificado apenas seis anos após seu assassinato em 1980. O debate sobre a “rapidez” da causa da canonização, em outras palavras, está quase sempre envolto com o “quem” e o “porquê”.
Dito isso, para uma instituição que normalmente pensa em séculos, seis anos e meio não deixa de ser espantosamente rápido. Certamente pode-se perguntar sobre o ritmo da beatificação sem soçobrar em dissenso teológico, ou pôr em causa a santidade de João Paulo II. Reportagens de 2008, por exemplo, sugeriam que o cardeal italiano Angelo Sodano, então secretário de Estado de João Paulo II, havia escrito à autoridade encarregada pela causa de João Paulo II para manifestar uma preferência a esperar enquanto os procedimentos à santidade estivessem em andamento para outros papas, incluindo Pio XII e Paulo VI.
Há pelo menos cinco fatores que explicam o ritmo em que as coisas estão se movendo no caso de João Paulo II.
Primeiro, o próprio João Paulo II revisou o processo de canonização, em 1983, para torná-lo mais rápido, mais fácil e mais barato, com a ideia de levantar modelos contemporâneos de santidade para um exausto mundo moderno. Apesar de João Paulo II e Madre Teresa serem os únicos em casos em que o período de espera foi dispensado, eles são apenas dois de mais de 20 casos desde 1983 em que um candidato chegou à beatificação 30 anos após a morte – uma lista que inclui uma mistura de beatos famosos (Padre Pio,Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei) e relativamente obscuros (Anuarita Nengapeta, uma mártir doCongo, e Chiara Badano, um membro leigo dos Focolares).
Nesse sentido, o ritmo da beatificação de João Paulo II é um subproduto natural de suas próprias políticas de santificação, que valorizam a demonstração de que a santidade está viva aqui e agora.
Em segundo lugar, supõe-se que a santidade é um processo democrático, começando com uma convicção popular de que uma determinada pessoa viveu uma vida santa e digna de ser imitada. No passado, a fama de um candidato muitas vezes se espalhava só gradualmente, mas hoje o mesmo lapso de tempo nem sempre se aplica. O papado de João Paulo II explorou habilmente duas das marcas da aldeia global de hoje: a ubiquidade das comunicações e a relativa facilidade das viagens. Como resultado, pode-se argumentar que o ritmo de sua beatificação nada mais é do que um reflexo da maior velocidade com que tudo se move no século XXI.
Em terceiro lugar, apesar das reformas de João Paulo II, a santidade continua sendo um processo complicado. Causas que se movem rapidamente tipicamente têm uma organização por trás, capaz de fornecer os recursos e a experiência para fazer o sistema funcionar. O Opus Dei, por exemplo, pôde recorrer a alguns dos melhores advogados canônicos da Igreja Católica para promover a causa do seu fundador, e os Focolares têm membros motivados com boas ligações com o Vaticano por trás da causa de Badano. No caso de João Paulo II, a infraestrutura da Igreja Católica na Polônia, assim como na diocese de Roma, estão solidamente por trás da causa, garantindo que ela não definhe por falta de apoio institucional.
Em quarto lugar, os tomadores de decisão na Igreja de hoje são em grande parte nomeados e protegidos de João Paulo II, o que lhes dá uma motivação biográfica poderosa para querer ver o seu mentor elevado à santidade durante suas próprias vidas. Essa lista inclui o próprio Papa Bento XVI; assim como o cardealStanislaw Dziwisz, de Cracóvia, na Polônia, e antigo secretário particular de João Paulo II, para quem manter a memória de João Paulo vivo representa uma vocação sagrada. Dziwisz completa 72 anos no dia 27 de abril, tornando a beatificação do dia 1º de maio um presente de aniversário perfeito, e não há dúvida de que ele gostaria de ver a canonização acontecendo antes que ele saia dos holofotes aos 80 anos, a idade da aposentadoria.
Em quinto lugar, há o simples fato da demanda popular. O afeto por João Paulo II continua sendo palpável ao redor do mundo, e, em muitos casos, as pessoas não estão à espera de aprovação formal para considerá-lo como um santo. A revista italiana Epoca, por exemplo, estampou a manchete “O Santo Papa” em sua capa desta semana, sem trabalhar a diferença entre beatificação e canonização.
Será que o mesmo ritmo acelerado irá impulsionar João Paulo II para a linha de chegada da canonização em tempo recorde?
Há inúmeras variáveis envolvidas, uma das quais é a necessidade de um outro milagre documentado. O caso da Madre Teresa pode ser instrutivo: embora quase todo mundo considere a sua canonização como uma conclusão prévia, sete anos e meio se passaram desde a sua beatificação em outubro de 2003, e os organizadores de sua causa ainda estão procurando por um milagre que satisfaça os testes rigorosos daCongregação para as Causas dos Santos do Vaticano.
Também é possível que isso eleve a precaução, especialmente se surgirem novas revelações sobre a resposta à crise dos abusos sexuais durante o papado de João Paulo II. Mesmo que nada disso ponha em causa a santidade pessoal de João Paulo II ou as altas conquistas do seu pontificado, alguns poderiam argumentar em favor da espera até que diminua a sensibilidade da reação das vítimas de abuso clerical.
Finalmente, um fato marcante sobre a abordagem de Bento XVI à canonização é que, embora não tenha abrandado o ritmo das beatificações, ele mostrou uma maior paciência quando se trata de canonizações. João Paulo aprovou 1.338 beatificações ao longo de 26 anos, uma média de 51 por ano. Bento até agora assinou 789, ou 131 por ano. No entanto, Bento XVI não está canonizando com o mesmo frenesi. As 482 canonizações de João Paulo equivalem a mais de 18 por ano, enquanto as 34 de Bento até agora representam uma média anual de pouco menos de sete anos. Esse contraste pode sugerir um atraso um pouco mais longo antes que João Paulo II seja oficialmente declarado santo.
Por outro lado, os quatro fatores listados acima para explicar o rápido progresso da beatificação de João Paulo II ainda estão em seu lugar, e todos se aplicam em uma medida muito semelhante às perspectivas de uma rápida canonização.
No final, Martin pode estar certo. Se um outro milagre vier rapidamente e sobreviver ao escrutínio médico e teológico usual, pode-se dizer que é Deus quem mantém João Paulo II na pista rápida.