”Eu queria ser chamado apenas de Padre Bento”, afirma Ratzinger

 

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Os sapatos vermelhos, sinal da dignidade papal, não existem mais. No seu lugar, um par de sandálias de couro com meias, que poderiam ser as de um monge qualquer, ou talvez de um turista alemão de passagem por Roma. O hábito, ao contrário, continuou sendo o branco papal, símbolo de um status que permanece mesmo depois da renúncia ao pontificado.

UM SIMPLES E HUMILDE TRABALHADOR

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Thiago Fragoso*

Era uma quinta-feira de céu aberto na Roma dos Papas, mas, naquele dia, o céu da Igreja amanheceu nublado. Aproximava-se o desenlace de um pontificado que não seria interrompido pela morte do Santo Padre, mas pela sua lúcida e plácida renúncia. Algo tão inaudito nos últimos tempos parecia mesmo impossível, mas aquela decisão que a nossa mente se recusava a aceitar estava prestes a tomar efeito: Bento XVI renunciava ao Supremo Pontificado.

Já faz dois anos, mas é como se fosse ontem. A despedida do Colégio Cardinalício, a saída do Vaticano, o voo de helicóptero, as últimas palavras de saudação na sacada de Castelgandolfo e a última bênção antes do fim do seu glorioso pontificado… momentos históricos que ficarão na memória da Igreja e do mundo. Um Pontífice Romano que, consciente da sua debilidade física e, portanto, da sua dificuldade de continuar no leme da Barca de São Pedro, demonstra uma fé inabalável na promessa de Cristo a respeito da Igreja: “As portas do Inferno jamais prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). Ocupando o mais elevado cargo do mundo, Bento XVI

deu-nos uma lição de humildade. Deixou o Trono de Pedro; deixou a Cátedra Romana para ocupar uma cadeira perene nos nossos corações de filhos espirituais. Como disse, naquela ocasião, um grande sacerdote: “descer é próprio de quem é grande”.

A Renúncia de Bento XVI: uma tragédia anunciada pelo Raio?

No dia 11 de Fevereiro de 2013, festa de Nossa Senhora de Lourdes, todos nós fomos pegos de surpresa:  Num discurso, em latim, aos cardeais, em Roma, Bento XVI renunciava ao papado. Uma grande comoção e incerteza invadiu a todos os filhos da Igreja. Neste mesmo dia, á noite, um misterioso raio atinge a cruz da cúpula da Basílica de S. Pedro, sendo fotografado por muitos. A fotografia  foi compartilhada no mundo inteiro: Aviso? Presságio?

Novo final do artigo de 1972, redatado de novo por Joseph Ratzinger em 2014

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A Igreja é A Igreja da Nova Aliança, mas vive em um mundo no qual segue existindo imutável essa «dureza do […] coração» (Mt 19, 8) que empurrou a Moisés a legislar. Portanto, que pode fazer concretamente, sobretudo em um tempo em que a fé se dilui sempre mais, até o interior da Igreja, e no que as «coisas das que se preocupam os pagãos», contra as quais o Senhor alerta aos discípulos (cfr. Mt 6, 32), ameaçam com converter-se cada vez mais na norma?

Primeiro de tudo, e essencialmente, deve anunciar de maneira convincente e compreensível a mensagem da fé, tentando abrir espaços onde possa ser vivida verdadeiramente. A cura da «dureza do coração» só pode chegar da fé e só onde ela está viva é possível viver o que o Criador havia destinado ao homem antes do pecado. Por isso, o principal e verdadeiramente fundamental é que a Igreja faça que a fé seja viva e forte.

Bento XVI desautoriza Kasper

 

Papa Bento XVI

Bento XVI corrige um texto seu de 1972 para reafirmar a impossibilidade de dar a comunhão a divorciados recasados

Sua Santidade Bento XVI, papa emérito, redatou novamente as conclusões de um artigo que escreveu em 1972 e que o cardeal Kasper havia citado em apoio a suas próprias teses sobre a comunhão dos divorciados recasados. Dessa maneira, desautoriza ao cardeal alemão que pretendia usar sua figura para sustentar uma postura contrária ao magistério da Igreja, que Joseph Ratzinger defendeu como cardeal e como Papa.