Doze vídeos sem piedade

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por Fray Gerundio tradução Frei Zaqueu

Um de meus noviços veio a minha cela esta semana. Queria pedir-me conselho sobre um trabalho que deve fazer durante as próximas férias de natal. Havia proposto ao professor revisar em um breve estudo o que disseram os Santos Padres acerca do Verbo Encarnado. Mas o teólogo que os instrui, o proibiu peremptoriamente. Já se sabe que agora os estudos teológicos não são em absoluto acerca de doutrinas anacrônicas e culturalmente superadas, nem sobre as duas naturezas de Jesus Cristo e tolices semelhantes. Agora mais que estudar, se trata de investigar, desenvolver e explanar temas atuais periféricos. Casualmente, os temas periféricos sempre se centram em Francisco, com o qual a periferia vai é plantar batatas. Quando não têm que apresentar um ensaio sobre a Amoris Laetitia, devem fazer um breve resumo sobre a Laetitia do Pontificado; quando não é uma redação sobre o Papa dos Pobres, é uma montagem sobre o Efeito Francisco ou um vocabulário sobre as homilias em Santa Marta, que isso sim é teologia da boa.

Ao final, vendo o professor que meu noviço não se decidia por nada em concreto, o obrigou a fazer um trabalho audiovisual sobre os vídeos do Papa. Essa iniciativa, impulsionada pelo Espírito Santo em dezembro de 2015,

consistente em mostrar ao mundo as intenções do Papa (pelas que se deve rezar sempre, segundo se nos ensinava na antiguidade), em forma de vídeo-mensagem. Uma curta gravação destinada a estabelecer uma química com o espectador e que transmitisse a necessidade da oração pelos temas que preocupam ao sucessor de Pedro.

Meu pobre noviço, que acaba de ler -por recomendação minha-, o Tratado de Santo Tomás sobre o Verbo Encarnado -para compensar o colesterol mau que lhe inoculam nas classes modernistas-, não sabe como começar seu trabalho. E teme por seu mal aproveitamento do período natalício, se não termina os

deveres quanto antes. A verdade é que um Natal estudando estes vídeos, pode acabar em tragédia. Ao menos eu, daria fim a minha vida monástica pendurando meu hábito, antes de chegar ao final do primeiro vídeo.

O primeiro que se me há ocorrido aconselhar é o título. Dizem que isso é o último que há que fazer quando se escreve algo. Mas neste caso me veio a inspiração ao inverso. Porque uma vez meditado o título, vem em consequência -como se fosse uma demonstração matemática-, todo o demais. Lembrei de uma película que pude ver lá atrás pela minha juventude, antes de entrar no mosteiro, intitulada Doze homens sem piedade. Não é que tenha a ver muito uma coisa com a outra. Mas certamente, o primeiro que se me vem às mentes é que estes vídeos do papa são doze vídeos sem piedade. São doze vídeos humanos, excessivamente humanos. Expondo problemas puramente humanitários, pouco católicos em sua proposição e de uma inclinação nova-ordem-mundialista que puxa para trás.

Se conviermos com toda a doutrina vigente -pelo momento-, a piedade é um dom do Espírito Santo. Desses dons de verdade. Não dos que agora aparecem como de saldão ou queima de estoque. É um dom que se infunde na alma com o Sacramento da Confirmação e não em uma reunião de neocatecúmenos, na que alguém solta algumas frases desconexas e incoerentes. O dom de piedade católico (para concretar), nos leva a render homenagem a Deus como a nosso pai e -por extensão-, a tudo o que é seu. Já nos ensinavam em meus tempos de noviciado que, segundo Santo Agostinho, consistia também em não contradizer a Sagrada Escritura. Não creio que entrasse no elenco de objetos próprios desta virtude cristã, o cuidado por questões expressadas no plano populista, tão amadas pela progressia. Não imagino Santo Agostinho propondo a seus fiéis em Hipona que acolhessem aos bárbaros sem papeis, ou que dessem mais oportunidades às bárbaras, para que pudessem trabalhar fora de casa.

Meu noviço fez uma lista dos temas tratados nos doze vídeos de outrora. Há que reconhecer que não apresentam o mais mínimo resquício de piedade. Em boca de Bergoglio, soam ainda mais a mensagens da onu ou da unesco, organizações bem conhecidas por seu catolicismo integral. Estes são os temas teológicos tratados em cada um dos meses deste bendito ano de 2016.

1. Diálogo interreligioso.

2. Respeito à Criação.

3. Crianças e famílias em dificuldade.

4. Pequenos agricultores.

5. Mulheres na sociedade.

6. Solidariedade nas cidades.

7. Respeito aos povos indígenas.

8. Desporte para a cultura do encontro.

9. Para uma sociedade mais humana.

10. Trabalho dos jornalistas.

11. Países acolhendo refugiados.

12. Crianças soldados.

Não se pode pedir mais criatividade destrutiva ao longo de todo um ano. Não sei se continuarão com o desfalque durante o 2017, ainda que creia que não tiveram o sucessão esperado. Levamos três longos anos com este mote e com a mesma cantilena. Eles são do mundo, por isso falam das coisas do mundo e o mundo os ouve… disse uma vez o Espírito Santo, na primeira carta de São João. Claro que São João nunca viu estes apaixonantes vídeos nos que claramente se esconde a cruz de Cristo.

Ao final, aconselhei a meu atordoado noviço que se negue a fazer o ditoso trabalho. Porque teria que concluir que na película citada, os homens sem piedade chegam à Verdade graças ao empenho e a honestidade do ator principal. Pelo contrário, nos doze vídeos de Francisco, o ator principal enreda a todos os ouvintes na ambiguidade e o desconcerto. Na superficialidade e o naturalismo. Por isso diz Frei Malaquias que a ele lhe aproveita muito conhecer as intenções do Papa: para não pedir por elas. E eu com ele estou de acordo.

Fray Gerundio

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Fonte: http://adelantelafe.com/doce-videos-sin-piedad/

Créditos: Fr Zaqueu

Mais vozes contra AMORIS LAETITIA

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Enviado por Moderador na Seg, 12/12/2016 – 18:50.

Trata-se de que o Magistério condene posições doutrinais derivadas de certas afirmações

EDITOR E RESPONSÁVEL

Outro recente documento publicado por Infovaticana dá conta de novas vozes que se alçam contra os erros de Amoris Laetitia. Desta vez sob a forma de pedido de aclaração das “interpretações incorretas” do documento. Ainda que pareça uma exortação mais suave em seu levantamento, acerta em cheio a medula do problema. Francisco tem que definir-se a favor ou contra as expressões que dão origem a tais interpretações. Abaixo, o texto traduzido por Infovaticana com uma breve introdução do editor da nota.

Gabriel Ariza. 10 dezembro, 2016

Se acumulam as correspondências de Francisco: Os prestigiosos professores John Finnis e Germain Grisez pedem a Francisco que aclare e condene as interpretações incorretas de Amoris Laetitia que não são conforme o magistério da Igreja, e pedem aos bispos que se adiram a sua petição.

Em seguida, a nota na que os professores explicam a carta enviada a Francisco e que não obteve resposta:

Nós chamamos a atenção dos leitores para O abuso de Amoris laetitia para apoiar erros contra a fé católica, a carta que dirigimos “ao Sumo Pontífice Francisco, a todos os bispos em comunhão com ele e ao resto dos fiéis cristãos”. A carta foi enviada em 21 de novembro para ser entregada ao Papa Francisco.

Nesta carta solicitamos ao Papa Francisco que condene oito posições contrárias à fé católica que estão recebendo apoio, ou provavelmente o receberão, mediante o abuso de sua Exortação Apostólica Amoris laetitia. O pedimos a todos os bispos que se adiram a esta solicitude e que pronunciem suas próprias condenações das posições errôneas que identificamos, reafirmando ao mesmo tempo os ensinamentos católicos que estas posições contradizem.

As seguintes considerações mostram com claridade por que apelar a Amoris laetitia para apoiar estas posições é algo que corretamente descrevemos como um abuso do documento do Papa.

Quando um bispo atua in persona Christi, cumprindo seu dever de ensinar em matérias de fé e moral mediante a identificação de proposições às quais exige que os fiéis prestem seu assentimento, cabe presumir que tenta expor verdades que pertencem a um único e idêntico conjunto de verdades: primariamente, aquelas confiadas por Jesus a sua Igreja, e, secundariamente, aquelas necessárias para preservar as verdades primárias como invioláveis e/ou para expô-las com fidelidade. Posto que as verdades deste tipo não podem substituir-se ou anular-se entre si, deve presumir-se que as expressões do Papa ou de outros bispos proferidas ao ensinar in persona Christi são coerentes entre si quando se as interpreta cuidadosamente. Em consequência, é um abuso de uma expressão magisterial de tal tipo pretender apoiar-se nela sem haver procurado interpretá-la antes desta maneira.

Ademais, se emerge uma aparente incoerência depois de uma interpretação cuidadosa, uma expressão magisterial que não é definitiva é usada incorretamente a menos que se a entenda com ressalvas e delimitações suficientes para torná-la coerente

com a Sagrada Escritura e com os ensinamentos que definitivamente pertencem à Tradição, interpretada cada uma à luz da outra.

Em nossa carta nos ocupamos somente do abuso de Amoris laetitia para apoiar posições sustentadas por teólogos e pastores que não ensinam in persona Christi. Nós não afirmamos nem negamos que Amoris laetitia contenha ensinamentos que requeiram ressalvas ou delimitação, nem tampouco fazemos sugestões sobre como fazê-lo, na suposição de que fosse necessário.

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A carta explica de que maneira quem propõem as oito posições que nós identificamos podem encontrar apoio em expressões ou em omissões da Exortação Apostólica, e explica como estas posições são ou incluem erros contra a fé católica. Em cada caso explicamos brevemente como tem emergido essa posição entre os pastores ou teólogos católicos e mostramos como certas expressões ou omissões de Amoris Laetitia estão sendo usadas, ou provavelmente serão usadas, para apoiá-la. Logo expomos os argumentos para julgar que a posição é contrária à fé católica, isto é, à Sagrada Escritura e aos ensinamentos que pertencem definitivamente à Tradição, interpretadas cada uma à luz da outra.

As oito posições são estas:

Posição A: Um sacerdote que administra o Sacramento da Reconciliação pode às vezes absolver um penitente que carece de propósito de emenda a respeito de um pecado em matéria grave que pertence a sua forma de viver contínua ou que é habitualmente repetitivo.

Posição B: Alguns dos fiéis são demasiado débeis para cumprir os mandamentos de Deus; ainda que estejam resignados a cometer pecados em matéria grave contínuos e habituais, podem viver em graça.

Posição C: Não existe nenhuma regra moral geral que não admita exceções. Inclusive os mandamentos divinos que proíbem classes específicas de atos estão submetidos a exceções em algumas situações.

Posição D: Ainda quando alguns dos preceitos ou mandamentos de Deus parecem exigir que alguém nunca escolha um ato de uma das classes aos que eles se referem, em realidade esses preceitos e mandamentos são regras que expressam ideais e que identificam bens que alguém sempre devesse servir e esforçar-se por realizar o melhor que possa, atendidas as próprias debilidades e a situação concreta, complexa, de cada um, que pode exigir-lhe a alguém escolher um ato em contraste com a letra da lei.

Posição E: Se alguém tem em conta sua situação concreta e suas limitações pessoais, sua consciência pode às vezes discernir que realizar um ato de certa classe inclusive contrária ao mandamento divino será fazer o melhor de que alguém é capaz para responder a Deus, que é tudo o que ele reclama, e então alguém deve escolher realizar esse ato, mas também estar disposto a conformar-se plenamente ao mandamento divino, se e quando ele seja capaz de fazê-lo.

Posição F: Escolher provocar a excitação ou a satisfação sexual de alguém ou de outro ou outros é moralmente aceitável sob condição somente de que (1) nenhum adulto tenha contato corporal com uma criança; (2) não seja tocado o corpo de nenhum participante sem seu consentimento claro e livre tanto a respeito do modo como da extensão do contato; (3) não se faça conscientemente nada que provoque ou se creia um risco excessivo de dano físico significativo, transmissão de alguma enfermidade ou gravidez não desejada; e (4) não se transgrida nenhuma norma que reja a conduta em geral.

Posição G: Um matrimônio sacramental consumado é indissolúvel no sentido de que os esposos devem sempre fomentar o amor matrimonial e não devem nunca escolher dissolver seu matrimônio. Mas por causas fora do controle dos esposos e/ou por faltas

graves de ao menos um deles, sua relação humana como casal casado às vezes se deteriora até que deixa de existir. Quando a relação matrimonial de um casal já não existe, seu matrimônio dissolveu e ao menos uma das partes pode legitimamente obter um divórcio e casar-se de novo.

Posição H: um católico não necessita crer que muitos seres humanos terminarão no Inferno.

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Nossa carta conclui indicando como os pastores e os teólogos que ensinam e põem em prática qualquer destas oito posições podem dessa maneira causar um prejuízo grave a muitas almas, e assinalando algumas formas em que isto pode suceder. Também chama a atenção sobre o dano que estes erros infligem ao matrimônio e aos jovens que em outro caso poderiam ter participado em uma vida matrimonial autêntica com corações bons e que poderiam ter sido sinais do amor esponsal de Cristo por sua Igreja.

Muitos teólogos e pastores que defendem posições contrárias à fé supõem que estão tratando de forma realista com os católicos influídos pela cultura secularizada que estão rompendo com a Igreja ou apartando-se dela. Mas sua estratégia deixa de lado a tradição da Igreja e sua missão primária: pregar o Evangelho a todas as partes e sempre, e ensinar aos crentes tudo o que Jesus mandou.

A experiência das comunidades eclesiais cristãs que têm adotado estratégias similares nos dois séculos passados sugere fortemente que aqueles que fizeram concessões sobre sua identidade cristã em uma geração foram de pouco interesse para as gerações sucessivas. Aqueles a quem se lhes foi ordenado atuar na pessoa de Jesus fazem bem em ensinar a verdade tal como ele o fez e continuou fazendo inclusive quando muitos de seus discípulos disseram que sua palavra lhes parecia demasiado dura e se afastaram dele.

John Finnis Professor Emérito de Direito e Filosofia Jurídica, universidade de Oxford Membro da Academia Britânica (seções de Direito e Filosofia) Catedrático Biolchini Family, universidade de Notre Dame, Indiana Membro da Comissão Teológica Internacional da Santa Sé 1986–91

Germain Grisez Professor Emérito de Ética Cristã, universidade Mount St. Mary Professor de Filosofia, universidade de Georgetown 1957–72 y Campion College, universidade de Regina 1972–79 Professor Emérito de Ética Cristã Most Rev. Harry J. Flynn Universidadee Mount St. Mary 1979–2009

Publicado originalmente en First Things. Traducción para InfoVaticana

Créditos: Fr. Zaqueu

A FESTA NA CASA DE BABETE

babete

 

Pe. Marcélo Tenorio

 

Desde o início de seu Pontificado, Francisco apresenta-se como um Papa diferente de todos os demais. Mas não diferente naquilo que é periférico, nos costumes, no gestual. Leão XIII, com sua forma meio interiorana e desajeitada;

Pio XI, autoritário, Pio XII, majestático, místico…

 

Mas com Francisco, a diferença é na essência e aí está a gravidade de tudo. Mesmo o seu gestual aponta o seu pensamento subjetivo e suas ações vão destruindo a simbologia católica que indica a verdade objetiva sobre Deus, a

Igreja e o homem.

 

Vimo-lo inclinado, na sacada da Basílica, para o povo. Pedia ao povo uma bênção, cuja fonte primeira reside na pessoa do próprio Vigário de Cristo, e faz parte do seu Sagrado e Tríplice Múnus: Governo, Ensino e Santificação.

 

A partir daí o veremos sempre inclinado…ao mundo. Ao pensamento do homem. Poderemos dizer, com certeza, que Francisco é a personificação do documento Gaudium et Spes do Vaticano II, mas já nas conseqûencias mais profundas

da letra e do espirito mesmo. A Gaudium et Spes é o documento conciliar, reconhecido pelo próprio papa Bento XVI como o “anti Syllabus”.

 

“Contentemo-nos aqui com a comprovação de que o documento desempenha o papel de um anti-Syllabus, e, em conseqüência, expressa a intenção de uma reconciliação oficial da Igreja com a nova época estabelecida a partir do ano

de 1789.” (Cardeal Joseph Ratzinger, Teoria dos Princípios Teológicos, Editorial Herder, Barcelona, 1985, pág. 457-458).”

 

Podemos assim definir Francisco: O papa do “Anti- Syllabus.”

 

Do gestual à prática ou da prática ao gestual. Já como cardeal, era comum Bergóglio frequentar reuniões protestantes, recebendo, ajoelhado, a bênção de pastores. Ora na mesquita, ora na sinagoga. E se seu gesto lembra o dos

papas conciliares, sua prática ecumênica consegue ir além: relativa a Verdade para valorizar acima de qualquer coisa o que é humano. Foi no andor de seu humanismo que Lutero triunfou no Vaticano, entrando pelo lado do Santo Ofício, numa estátua que foi colocada no auditório Paulo VI, escândalo sem precedentes na história.

 

Suas falas e seus escritos mostram todo o seu pensamento fundamentado no subjetivismo da fé. Não é linear e como consequência, a dúvida e a confusão. Nunca a Sala de Imprensa trabalhou tanto como agora, pois sempre deve explicar no reto o que o papa falou no esférico. Tentativa praticamente impossível e o resultado é o que temos. Quando um Papa, respondendo às acusações de heterodoxo, graceja que poderia tranquilamente fazer uma Profissão de Fé, é porque o mercúrio já estourou o termômetro.

 

A missão primeira do papa é nos confirmar na Fé. Para isso ele existe. Para isso o Ministério Petrino: afastar o erro e fazer resplandecer sempre a Verdade Católica. Nosso Senhor não entregou as chaves a Pedro para a confusão, mas para a preservação do rebanho de todo erro e de todo mal. A autoridade do papa está ligado à Verdade que ele deve cuidar e defender com a própria vida. E nesse caso a ação de um papa imoral ( e nos lembremos aqui de Alexandre VI) é bem menos grave do que quando um papa age obscurecendo a verdade católica ou favorecendo à heresia. E, voltando a Alexandre VI, o curioso é justamente nada encontrar contra a Santa Doutrina em seus pronunciamentos, apesar de sua vida devassa e pecaminosa.

 

Fomos surpreendidos com a atitude corajosa e pastoral de quatro cardeais que escreveram ao Papa pedindo-lhe esclarecimento sobre pontos do documento “Amoris Laetitia. Essa prática é rara, mas não estranha. Quando um Pontífice ensina notadamente um erro, ou algo não claro sobre a Fé, pelo bem das almas, o colégio dos cardeais pode interpelar ao papa sobre o assunto e o papa, por dever de estado, tem a obrigação em responder, esclarecendo, sanando dúvidas, ou até voltando atrás em

seus posicionamentos. Caso o Papa se recuse em fazê-lo, os mesmos cardeais, podem publicamente, declarar que há erros no ensinamento papal.

 

Os cardeais Walter Brandamuller, Raymond Burke, Carlo Cafarra e Joackim Meisner assim prosseguiram. Elencaram ao Papa Francisco vários pontos preocupantes em seu Documento AL e pediram, respeitosamente, da parte de Bergóglio, um esclarecimento. Notem que não se trata aqui de simples leigos, padres, ou até mesmo bispos, embora qualquer um batizado pode interpelar o Santo Padre. Tratam-se de Cardeais, de Príncipes da Igreja, que têm a missão – em comunhão com o Papa – de cuidar das coisas da Fé.

 

Resultado: O Papa Francisco não quis responder as interpelações cardinalícias e os eminentíssimos cardeais foram informados disso que sua carta ficaria sem resposta.

 

Mas por que o Papa não quis responder aos cardeais, ele que responde e se comunica com todo mundo, que dá entrevistas e mais entrevistas, que faz ligações telefônicas para conversar com este e aquele? Por que se negar ao Diálogo, ao importante diálogo, com os de dentro e que estão preocupados com Barca de Pedro, quando ele mesmo defende diálogo até com estado islâmico? A verdade é que Francisco não quer dialogar, quer executar. E aqui já não age como um simples “Bispo de Roma”, mas com toda autoridade que lhe foi concedida pelo Ministério Petrino.

 

Em tempos midiáticos, já se titulou João XXIII como o BOM, João Paulo II, como o GRANDE e Francisco, como o HUMILDE. Suas atitudes, após eleição, levaram-no a esta consagração popular. Despojou-se do trono papal, colocando no lugar uma cadeira. Despojou-se das vestes papais (murça, sapatos, estola petrina…). Despojou-se do solene isolamento, indo apertar as mãos do povo no Portão Sant´Ana… Despojou-se do palácio apostólico, indo morar num dos quartos da Santa Marta…

 

Mas a humildade é a consciência de si. E como dizia Sta. Teresa, ” Humildade é a Verdade”. Que bela atitude de despojamento, teria sido o acolhimento aos quatro cardeais, falando-lhes abertamente, num chazinho da tarde, em

qualquer cantinho simpático de seus aposentos…Já que Sua Santidade não gosta de formalidades, nem de protocolos, nem tão pouco de muros, seria uma bela oportunidade para um diálogo, um bom diálogo, frente a frente… São tantas as pessoas, de fora, que

conseguem isso de Francisco… e por que não, e sobretudo eles, os cardeais?

 

Mas a verdade é que Francisco respondeu. Mas não aos cardeais. Respondeu à mídia, ao Avvenire que o entrevistou. E, não pontuando as colocações respeitosas e profundamente teológicas que lhe foram colocadas pelos cardeais.

Respondeu de forma rápida, jocosa, com frases de humanidades:

 

FRANCISCO: “Fazer a experiência vivida do perdão que abraça toda a família humana é a graça que o ministério apostólico anuncia. A Igreja existe apenas como instrumento para comunicar aos homens o desígnio misericordioso de Deus. A Igreja sentiu no Concílio a responsabilidade de ser no mundo como que o sinal vivo do amor do Pai. Com a Lument Gentium retornou às fontes da sua natureza, ao Evangelho. Isso mudou o eixo da concepção cristã de um certo legalismo, que pode ser ideológico, à Pessoa de Deus, que se fez misericórdia na encarnação do Filho. Alguns — pensa a certas réplicas a Amoris Lætitia — continuam a não compreender — ou branco ou preto — que também é no fluxo da vida que se deve discernir….”

 

AVVENIRE: Há quem pense que nestes encontros ecumênicos se queira vender a preço baixo a doutrina católica. Alguém já disse que se quer “protestantizar” a Igreja.

 

FRANCISCO: Não me tira o sono. Eu continuo na estrada de quem me precedeu, continuo o Concílio. Quanto às opiniões, é preciso sempre distinguir o espírito com o qual são ditas. Quando não tem um espírito ruim, ajudam a caminhar. Outras vezes se vê de cara que as críticas se fazem aqui e ali para justificar uma posição já assumida, não são honestas, são feitas com espírito ruim, para fomentar a divisão. A gente vê logo que certos rigorismos nascem de uma falta, nascem da vontade de esconder dentro uma armadura, a própria e triste insatisfação. Vejam o filme “A festa de Babete”, ali há este comportamento rígido.

 

Após toda esta questão conflitosa, o papa, que não gosta de ser contraposto, cancelou o encontro com o Colégio dos Cardeais, encontro de praxe antes dos consistórios.Nesse encontro prévio é o momento em que o Papa escuta os cardeais e lhes pede opiniões . É de fato mais um ato incomum que acontece.

 

E se a barca de Pedro parece-nos afundar, em vez de corrermos, com baldes, para tirarmos a água que se acumula, somos convidados para uma Festa. A festa na Casa de Babete….

 

FSSPX-FRANÇA – SOBRE A DECLARAÇÃO CONJUNTA CATÓLICO-LUTERANA

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“Ao lermos a declaração conjunta feita pelo Papa com os representantes da igreja luterana na Suécia no 31 de Outubro, com motivo do quinto centenário da revolta de Lutero contra a Igreja católica, a nossa dor chega ao seu cúmulo.

Na presença do verdadeiro escândalo que representa uma tal declaração na qual sucedem-se erros históricos, graves ataques à pregação da fé católica e um falso humanismo, fonte de tantos más, não podemos ficar silenciosos.

Sob o enganoso pretexto do amor do próximo e do desejo duma unidade fictícia e ilusória, a fé católica está sendo sacrificada sobre o altar do ecumenismo que põe em perigo a salvação das almas. Os erros mais enormes e a verdade de Nosso Senhor Jesus Cristo estão postos em pé de igualdade.

Como «podemos ser agradecidos pelos dons espirituais e teológicos recebidos pelo meio da Reforma», quando Lutero manifestou um ódio diabólico a respeito do Sumo Pontífice, um desprezo diabólico do santo sacrifício da missa, bem como um rechaço da graça salvadora de Nosso Senhor Jesus Cristo? Além de ter destruído a doutrina eucarística negando a transubstanciação, afastado as almas da santíssima Virgem Maria e negado a existência do Purgatório.

Não, o protestantismo não aportou nada ao catolicismo! Tem arruinado a unidade cristã, separado países inteiros da Igreja católica, jogado as almas no erro com perigo da sua salvação eterna. Nós, os católicos, queremos que os protestantes voltem ao único redil de Cristo que é a Igreja católica, e rezamos para esta intenção.

Nestes dias em que celebramos todos os santos, chamamos como testemunhas São Pio V, São Carlos Borromeo, Santo Inácio e São Pedro Canisio que têm combatido heroicamente a heresia protestante e salvado a Igreja católica.

Convidamos os fiéis [do Distrito da França da FSSPX] para rezarem e fazerem penitência para o Soberano Pontífice, afim que Nosso Senhor, de quem é vigário, o preserve do erro e o guarde na verdade, da qual é o custódio.

Convido os sacerdotes do Distrito para celebrarem uma missa de reparação e organizarem uma Hora Santa diante do Santíssimo Sacramento para pedir perdão por estes escândalos e suplicar Nosso Senhor de acalmar a tempestade que açoita a Igreja desde há mais de meio século.

Nossa Senhora, Socorro dos Cristãos, salvai a Igreja católica e rogai por nós!”

– Padre Christian BOUCHACOURT, Superior do Distrito da França da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

+Suresnes, em 2 de Novembro 2016, comemoração de todos os fiéis defuntos.

Fonte: FSSPX – Portugal.

Dalai Lama para o “Grito dos Excluídos”, 2017, Que Tal?

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Dalai Lama não é convidado para Assis: “Uma pena, eu teria ido de bom grado”

O espírito de Assis é sempre inclusivo, mas, desta vez, excluiu o Tibete. A 30 anos exatos da intuição profética de Wojtyla, que reuniu por primeiro na cidadezinha daÚmbria os maiores líderes religiosos do mundo, incluindo o Dalai Lama, foi celebrada, na manhã dessa terça-feira, uma iniciativa semelhante pela paz. Desta vez, porém, o homem que encarna o líder espiritual do budismo tibetano não esteve lá.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 20-09-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele não foi convidado. O Dalai Lama, nestes dias envolvido em um ciclo de conferências entre Paris e Estrasburgo, anunciou que “teria ido de bom grado”, mas que ninguém, nem da Comunidade de Santo Egídio, promotora da iniciativa, nem do Vaticano, fez qualquer convite. Desatenção? O monge budista Tseten Chhoekyapa, estreito colaborador do Dalai Lama para a Europa, desfez a questão com poucas palavras e muita amargura. “As razões? Peçam as explicações ao Vaticano ou à Santo Egídio.”

Sim, porque a presença do Dalai Lama teria sido bastante complicada, enquanto a diplomacia do papa está envolvida em uma negociação muito delicada com o governo dePequim para a normalização das relações com a Igreja Católica clandestina.

O processo

Um dossiê emaranhado aberto desde que Mao tomou o poder e rompeu as relações com a Santa Sé, provocando, progressivamente, um enrijecimento das posições, até verdadeiras perseguições contra os católicos. Com o tempo, a situação melhorou, e agora, com o Papa Francisco, entreveem-se frestas concretas de distensão e de diálogo com o governo chinês.

O convite ao Dalai Lama provavelmente teria explodido o banco das negociações. Arealpolitik só podia prevalecer, e assim, na tarde dessa terça-feira, em Assis, o papa, diante do túmulo de São Francisco, assinou uma declaração de paz com islâmicos, xintoístas, ortodoxos, anglicanos, budistas (japoneses), mas não com os tibetanos.

Não importa se as relações da Anistia Internacional não deixam dúvidas sobre o assédio que sofre esse povo por parte da ocupação chinesa em diante. Números de dar calafrios. Desde 2009, 200 monges puseram fogo em si mesmos em protesto. A Anistia Internacional fala de “genocídio tibetano”, também por causa do um milhão de pessoas desaparecidas em décadas de ocupação.

O Dalai Lama, nestes dias, lançou um apelo às instituições europeias, implorando uma maior proteção (provocando imediatamente a reação de Pequim, que ameaçou retaliações à União Europeia) e pedindo apoio para um Tibete com um alto grau de autonomia dentro da China.

Mas, em Assis, a Comunidade de Santo Egídio convidou apenas o venerávelMorikawa Koei, líder dos budistas japoneses, recentemente recebido também em audiência pelo Papa Francisco.

No entanto, “eu sempre acolhi de bom grado os convites do papa, começando em 1973”, comentou o Dalai Lama. Paulo VI foi o primeiro a recebê-lo no Vaticano. Em 2014, em Roma, foi organizado um encontro de todos os prêmios Nobel da Paz, mas, também naquela ocasião, não chegou nenhum convite ao Dalai Lama.

O Papa Francisco, no entanto, algum tempo depois, disse que o admirava muito, mas que não era habitual para o protocolo receber os chefes de Estado ou os líderes daquele nível quando participam de uma reunião internacional em Roma.

“De qualquer forma – acrescentou Francisco, respondendo aos jornalistas – não é verdade que eu não recebi o Dalai Lama porque tenho medo da China. Nós estamos abertos e queremos a paz com todos. O governo chinês é educado, nós somos educados. Fazemos as coisas passo a passo. Eles sabem que estou disposto a recebê-los ou a ir lá, na China. Eles sabem disso.”

Pequim vale uma missa, sim.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/560270-dalai-lama-nao-e-convidado-para-assis-uma-pena-eu-teria-ido-de-bom-grado

Pérez Esquivel levou a Dilma o apoio do Papa, segundo jornal argentino

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“O Papa Francisco está muito preocupado com o que está acontecendo no Brasil, tudo isto irá trazer consequências negativas para toda a região, teremos um grave retrocesso democrático”. O Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel (na foto, à esquerda de Dilma), conversou com este jornal, após sua audiência com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.

A entrevista é de Darío Pignotti, publicada por Página/12, 29-04-2016. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Conversaram sobre o Papa?

Falamos com a Presidente sobre vários assuntos, também falamos sobre o Papa. Ela sabe que ele está a par, de sua preocupação, que estamos em contato com ele.

Que impressão se leva da presidente?

A presidente Dilma está muito consciente do que está acontecendo, não estive muito tempo com ela, ainda que seja possível ver que é uma pessoa forte, que irá lutar pela democracia. Está muito decidida a lutar porque sabe que é injusto o que estão fazendo com ela. Não há nenhuma denúncia contra a presidente e os que a acusam, em muitos casos, são denunciados e processados.

Tem previsão de viajar ao Vaticano?

Após terminar esta viagem, vou escrever uma carta ao Papa para lhe contar o que ocorre no Brasil, e possivelmente viajarei ao Vaticano, mais ou menos em fins de maio, quando já se saberá o que aconteceu com todo este processo que chamam de impeachment, para não dizer que é um golpe branco. Isto é muito sério. Para ter um panorama mais amplo, irei também até a Ordem dos Advogados do Brasil, passarei por Curitiba (Estado do Paraná) e Porto Alegre (Rio Grande do Sul), estarei nos atos do dia primeiro de maio.

A posição do Papa se reflete na Igreja brasileira?

Estive na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, conversei com o secretário geral, dom Leonardo (Ulrich Steiner), eles se mostraram muito preocupados também. Na realidade, concretamente, o que acontece no Brasil é que partem para um golpe branco, como o que já houve em Honduras contra o presidente (Manuel) Zelaya, em 2009, e noParaguai contra (Fernando) Lugo, em 2012.

Agora, não querem os chamar de golpes, mas está claro que são golpes. Utilizam métodos distintos, não necessitam das forças armadas, porque possuem os grandes meios de comunicação, uma parte dos juízes, os políticos conservadores, os grupos da oligarquia. É preciso convocar o Mercosul para que trate do que acontece no Brasil, a partir da cláusula democrática. Tivemos uma declaração da Unasul contra este processo destituinte, que é um processo da direita brasileira apoiado por grupos estrangeiros que são contra a integração regional.

“Estou Triste”

Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva analisaram, nesta semana, várias táticas de “resistência democrática”. Uma é a mobilização popular que, ontem, foi realizada em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e outros estados e que esteve sob responsabilidade do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. Outra é a possível convocação de eleições antecipadas ou um plebiscito, impulsionado por uma dezena de senadores do PT e outros partidos, que foram recebidos ontem no Planalto.

Dilma também avalia realizar um giro pela América Latina e Europa para denunciar a iminente quebra da normalidade institucional, que começará em meados de maio com um parecer da Comissão Especial de Impeachment, que começou a atuar esta semana.

Tão logo se inicie esse processo, Dilma deverá se licenciar do cargo por até seis meses, nos quais será substituída pelo vice-presidente Michel Temer. Razão pela qual, no dia 5 de agosto, ela não poderá fazer parte da cerimônia inaugural dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, tema a respeito do qual falou em uma reportagem transmitida, ontem, pela cadeia norte-americana CNN.

“Sinto-me triste por não poder participar das Olimpíadas… gostaria muito de participar (nesta última etapa) da organização, porque ajudei muito para esse processo, desde os primeiros dias”.

“Estou triste porque acredito que o pior que pode acontecer a um ser humano é ser vítima de uma grande injustiça que é este impeachment, com ele se perdem nossas conquistas democráticas”, declarou à CNN.

No governo, consideram que os grandes meios de comunicação norte-americanos e europeus registraram e informaram sobre as anomalias que contaminam o processo contra Rousseff e a dupla moral daqueles que a acusam, montados em um discurso disfarçado de luta contra a corrupção. Na contramão do informado pelos meios de comunicação progressistas e conservadores de vários países, no Brasil, a narrativa jornalística omite os fatos com notícias nas quais se insiste na normalidade institucional, com o propósito de dissimular o golpe.

Assim como atua a classe política, montando simulacros republicanos como a Comissão Especial de Impeachment, na qual ninguém leva em conta as evidências sobre a inocência de Rousseff nos crimes de Estado pela qual a acusam. Antes que uma comissão para avaliar os argumentos de defesa e acusação, esse organismo parece decidido a consumar o rito sumário que inexoravelmente desembocará na licença de Rousseff.

Após sua passagem pelo Palácio do Planalto, Pérez Esquivel foi ao Supremo Tribunal Federal e ao Senado, onde expressou sua “solidariedade” aos brasileiros ameaçados por um “golpe”.

Declarações que levantaram a ira do senador conservador Ronaldo Caiado, do Partido Democratas, reencarnação daArena, o agrupamento que deu suporte civil à ditadura.

Nas primeiras horas da noite, Pérez Esquivel falou novamente com este jornal para expressar sua “surpresa ao ver como, aqui, o golpe é escondido. Enquanto o mundo todo fala deste tema fora do Brasil, aqui, ficam ofendidos porque dizem que há normalidade democrática. Se há normalidade como dizem os opositores a Dilma, por que não convocam um plebiscito para ver como se soluciona a crise? Sempre é melhor que o povo vote”.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/554355-perez-esquivel-levou-a-dilma-o-apoio-do-papa

Efeito ” Amoris”: Bispos das Filipinas liberam comunhão aos adúlteros

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Mons. Socrates B. Villegas, Arzobispo de Lingayen Dagupan y Presidente de la Conferencia Episcopal de Filipinas, ha escrito una carta en la que asegura que no hay que esperar las directrices de los obispos sobre la exhortación apostólica «Amoris laetitia» y pide que se dé la comunión -«comida para los miserables»- a los «pecadores».

(InfoCatólica) Estas son las palabras de Mons. Lingayen Dagupan, publicadas en la web de la Conferencia Episcopal de Filipinas:

«Después de un discernimiento conjunto, vuestros obispos elaborarán directrices más concretas sobre la implementación de la Exhortación Apostólica. Pero la misericordia no puede esperar. La misericordia no debe esperar. Los obispos y sacerdotes deben recibir ya con los brazos abiertos a los que se mantenían fuera de la Iglesia por un sentimiento de culpa y vergüenza. Los laicos deben hacer lo mismo. Cuando nuestros hermanos y hermanas, debido a relaciones rotas, familias rotas y vidas rotas, permanecen tímidamente en los umbrales de nuestras iglesias y de nuestras vidas, sin saber si van a ser recibidos o no, vayamos a su encuentro, como el Papa nos pide que hagamos, y asegurémosles que, siempre hay un lugar a la mesa de los pecadores, en la que el Señor se ofrece a sí mismo como comida para los miserables. O res mirabilis manducat Dominum pauper, servus et humilis…Oh maravilla, el pobre, el siervo y el humilde reciben al Señor. Se trata de una medida de misericordia, una apertura de corazón y espíritu que no necesita ninguna ley, no espera a ninguna directriz ni aguarda indicaciones. Puede y debe ponerse en práctica inmediatamente».

Texto completo de la carta del arzobispo y presidente de la Conferencia Episcopal de Filipinas

Conviene recordar que la Exhortación Amoris Laetitia no ha cambiado ni la disciplina de la Iglesia ni su doctrina con respecto a la recepción de la comunión. En este sentido, InfoCatólica hace suya la declaración publicada recientemente por Mons. Livio Melina, Presidente del Pontificio Instituto Juan Pablo II. Estamos traduciendo y publicaremos íntegramente sus varias páginas, pero citamos ahora este frase:

«Por lo tanto, hay que decir claramente que, también después de la Amoris Laetitia, admitir a la comunión a los divorciados “vueltos a casar”, excepto en las situaciones previstas en la Familiaris Consortio 84 y en la Sacramentum Caritatis 29 [Nota del traductor: el compromiso de “vivir como hermanos”], va contra la disciplina de la Iglesia y enseñar que es posible admitir a la comunión a los divorciados “vueltos a casar” más allá de estos criterios va contra el Magisterio de la Iglesia»

Fonte: http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=26408

Mons. Fellay sobre “Amoris Laetitia”: ” Grave, Gravíssimo!”

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Carísssimos,

Salve Maria

Abaixo o pronunciamento de Mons. Fellay, superior geral da FSSPX, do dia 10 de abril passado, sobre o documento papal ” A Alegria do Amor”. S. Excia considera o documento como Grave, muito Grave. Compara-o com um buraco, feito pelo papa, na Barca de Pedro. “Um documento que nos faz chorar” e “um grande mal para a Igreja”

Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

À espera de uma análise mais ampla da exortação apostólica que acaba de ser publicada, Mons. Bernard Fellay, em seu sermão no Santuário de Le Puy-en-Velay, no dia 10 de abril, emitiu uma primeira advertência sobre as alterações introduzidas pelo documento em questão.
“Uma exortação apostólica intitulada ‘a alegria do amor’, mas que nos faz chorar. Essa exortação é um resumo dos dois sínodos sobre o matrimônio. Trata-se de um documento muito longo, que contém muitas coisas boas, que são brilhantes — mas, depois de construir um belo edifício, uma bela barca, o Sumo Pontífice fez um buraco na quilha da barca, ao longo da linha de flutuação. Vocês sabem de tudo o que está acontecendo. É inútil dizer que o buraco foi feito tomando todas as devidas precauções; e o buraco é pequeno: a barca afunda! Nosso Senhor mesmo disse que nenhum jota, nem um só jota será tirado da lei de Deus. Quando Deus fala, as suas palavras não admitem exceções; quando Deus manda, Ele o faz com uma paciência infinita que previu todos os casos possíveis. Não há exceções à lei de Deus. E aqui, de repente, afirma-se essa lei do matrimônio, que é conservada pela expressão ‘o casamento é indissolúvel’, mas em seguida se diz que podemos, apesar de tudo, conceder algumas exceções no sentido de que esses divorciados recasados poderiam estar em estado de graça, mesmo estando em pecado mortal, e por isso poderiam receber a comunhão. Isso é gravíssimo! Gravíssimo!Acho que não se mediu suficientemente a gravidade do que foi escrito. Não é preciso dizer que se tratam de palavras escondidas no texto; foi assim que começou a comunhão na mão. E como eu disse, o pequeno buraco já é suficiente: a barca afunda!” [1].
Na continuação do sermão, o Prelado define o documento: “uma exortação terrível que tanto mal faz à Igreja” [21min35].
Depois, descrevendo a situação geral da Igreja, o Superior disse: “há um grande número de prelados, e até de cardeais, e eu diria até o Papa, que dizem não só um absurdo, mas uma heresia, que abre caminho para o pecado (…)” [23min55].
* * *
Nota
[1] Sermão do Mons. Bernard Fellay por ocasião da peregrinação ao Santuário de Le Puy-en-Velay; no áudio, a partir dos 15 minutos.

EM ITALIANO

In attesa di una più ampia analisi dell’Esortazione Apostolica testé pubblicata, Mons. Fellay nella sua predica al Santuario di Puy en Velay di domenica 10 aprile ha espresso un primo biasimo sulle novità introdotte dal documento in questione.

« …un’Esortazione Apostolica che porta come titolo “La gioia dell’amore” ma che ci fa piangere. Quest’esortazione è un riassunto dei due sinodi sul matrimonio. È molto lunga e contiene molte cose che sono giuste, che sono belle, e dopo aver costruito un bell’edificio, una bella barca, il Sommo Pontefice ha fatto un buco nella chiglia della barca, lungo la linea di galleggiamento. Voi sapete tutti ciò che sta accadendo.

È inutile dire che il buco è stato fatto prendendo tutte le precauzioni possibili, è inutile dire che il buco è piccolo: la barca affonda! Nostro Signore stesso ha detto che neanche uno iota, neanche un solo iota sarà tolto dalla legge di Dio. Quando Dio parla, le sue parole non ammettono eccezioni, quando Dio comanda è di una sapienza infinita che ha previsto tutti i casi possibili. Non c’è eccezione alla legge di Dio. Ed ecco che d’un tratto si pretende che questa legge del matrimonio, che si conserva dicendo che “il matrimonio è indissolubile”, (la si ripete questa frase, la si dice), poi si dice che si possono, nonostante tutto, avere delle eccezioni nel senso in cui questi divorziati cosiddetti risposati potrebbero in questo stato di peccato mortale essere in stato di grazia, e quindi potrebbero fare la comunione. È gravissimo! Gravissimo! Credo che non si misuri sufficientemente la gravità di ciò che è stato detto. È inutile dire che sono delle piccole eccezioni messe lì in un angolo; è così che è passata la comunione nella mano e come vi ho detto il piccolo buco nella nave è sufficiente, la barca affonda!»[1]

Nel prosieguo del discorso il Prelato definisce il documento «[…]Esortazione terrificante che fa tanto male alla Chiesa» (min. 21.35)

Più avanti, descrivendo la situazione generale della Chiesa, il Superiore Generale afferma che: «c’è un gran numero di prelati, e perfino di cardinali, e diremmo perfino il Papa, che dicono non soltanto delle sciocchezze ma delle eresie, che aprono la strada al peccato. […]» (min. 23.55)

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[1] Predica di mons. Bernard Fellay in occasione del pellegrinaggio al Santuario di Puy en Velay; nell’audio, a partire dal minuto 15.00.

Fonte: http://www.sanpiox.it/public/index.php?option=com_content&view=article&id=1776%3Ariflessioni-di-mons-fellay-sull-esortazione-apostolica-amoris-laetitia&catid=67&Itemid=83

Amoris Laetitia: primeiras reflexões sobre um documento catastrófico

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Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com
Com a exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, publicada em 08 de abril de 2016, o Papa Francisco se pronunciou oficialmente sobre problemas de moral conjugal que vêm sendo discutidos há muitos anos.
No consistório de 20 e 21 de fevereiro de 2014, Francisco havia confiado ao cardeal Kasper a missão de introduzir o debate sobre este tema. A tese de Kasper, segundo a qual a Igreja deve mudar sua praxe matrimonial, foi o tema central dos sínodos sobre a família celebrados em 2014 e 2015, e constitui o núcleo da exortação do Papa Francisco.
Durante esses dois últimos anos, ilustres cardeais, bispos, teólogos e filósofos tomaram parte no debate para demonstrar que entre a doutrina e a praxe da Igreja tem que haver uma íntima coerência. A pastoral funda-se precisamente na doutrina dogmática e moral. “Não pode haver pastoral em desacordo com as verdades e a moral da Igreja, em conflito com suas leis e que não esteja orientada a alcançar o ideal da vida cristã!”, declarou o cardeal Velasio de Paolis em sua alocução ao Tribunal Eclesiástico de Úmbria, em 27 de março de 2014. Para o cardeal Sarah, a ideia de separar o Magistério da praxe pastoral, que poderia evoluir segundo as circunstâncias, modos e paixões, “é uma forma de heresia, uma perigosa patologia esquizofrênica” (La Stampa, 24 de fevereiro de 2015).
Nas semanas que precederam à publicação do documento, multiplicaram-se as intervenções públicas de purpurados e bispos ante o Sumo Pontífice a fim de evitar a publicação de um texto repleto de erros, relativos às numerosíssimas alterações ao projeto propostas pela Congregação para a Doutrina da Fé. Francisco não desistiu. Pelo contrário, parece que confiou o texto definitivo da exortação — ou ao menos algumas das principais passagens — a teólogos de sua confiança que tentaram reinterpretar Santo Tomás à luz da dialética hegeliana. O resultado é um texto que não é ambíguo, mas claro, em sua indeterminação. A teologia da praxe exclui qualquer afirmação doutrinal, deixando que a história trace as linhas da conduta nos atos humanos. Por esta razão, como afirma Francisco, “é compreensível” que, no tema crucial dos divorciados recasados, “não se devia esperar do Sínodo ou desta exortação uma nova normativa geral de tipo canônico, aplicável a todos os casos” (par. 300). Se se tem a convicção de que os cristãos não devem ajustar seu comportamento a princípios absolutos, mas estar atentos a “sinais dos tempos”, seria contraditório formular qualquer classe de regras.
Todos esperavam a resposta a uma pergunta básica: aqueles que, depois de um primeiro matrimônio, voltarem a contrair matrimônio pela via civil, podem receber o sacramento da Eucaristia? A essa pergunta, a Igreja sempre respondeu com um “não” rotundo. Os divorciados recasados não podem receber a comunhão, porque sua condição contradiz objetivamente a verdade natural e cristã sobre o matrimônio, que é representada e atualizada na Eucaristia (conf. Familiaris Consortio, par. 84).
A exortação pós-sinodal responde o contrário: em linhas gerais não, mas “em certos casos” sim (par. 305, nota 351). Os divorciados recasados devem ser “integrados” em vez de excluídos (par. 299). Sua integração “pode exprimir-se em diferentes serviços eclesiais, sendo necessário, por isso, discernir quais das diferentes formas de exclusão atualmente praticadas em âmbito litúrgico, pastoral, educativo e institucional possam ser superadas” (par. 299), sem excluir a disciplina sacramental (conf. par. 300, nota 336).
Na realidade, trata-se do seguinte: a proibição de receber a comunhão já não é absoluta para os divorciados recasados. Por regra geral, o Papa não os autoriza a recebê-la, mas tampouco os proíbe. “Isto — havia destacado o cardeal Caffarra ao refutar o cardeal Kasper — afeta a doutrina. Inevitavelmente. Pode-se inclusive dizer que não o faz, mas o faz. Além disso, introduz-se um costume que a longo prazo inculca no povo, seja ou não cristão, que não existe matrimônio totalmente indissolúvel. E isso desde já se opõe à vontade do Senhor. Não cabe a menor dúvida” (Entrevista ao Il Foglio, 15 de março de 2014).
Para a teologia da praxe não importam as regras, mas os casos concretos. E o que não é possível no abstrato, é possível no concreto. Mas, como acertadamente destacou o cardeal Burke, “se a igreja permitisse (ainda que em um só caso) que uma pessoa em situação irregular recebesse os sacramentos, isso significaria que ou o matrimônio não é indissolúvel e, portanto, a pessoa em questão não vive em estado de adultério, ou que a santa comunhão não é o Corpo e o Sangue de Cristo, que pelo contrário requerem a reta disposição da pessoa, ou seja, o arrependimento do pecado grave e o firme propósito de não voltar a pecar” (Entrevista a Alessandro Gnocchi, Il Foglio, 14 de outubro de 2014).
Não só isso: a exceção está destinada a converter-se em uma regra, uma vez que Amoris Laetitia deixa o critério para receber a comunhão ao “discernimento pessoal”. Esse discernimento é alcançado mediante “o diálogo com o sacerdote, no foro interno” (par. 300), “caso a caso”. E quem será o pastor de almas que se atreverá a proibir que se receba a Eucaristia, se “o próprio Evangelho exige que não julguemos nem condenemos” (par. 308) e é necessário “integrar a todos” (par. 297) e “valorizar os elementos construtivos nas situações que ainda não correspondem ou já não correspondem à sua doutrina sobre o matrimônio” (par. 292)? Os pastores que quiserem invocar os mandamentos da Igreja correriam o risco de atuar, segundo a exortação, “como controladores da graça e não como facilitadores” (par. 310). “Por isso, um pastor não pode sentir-se satisfeito apenas aplicando leis morais àqueles que vivem em situações ‘irregulares’, como se fossem pedras que se atiram contra a vida das pessoas. É o caso dos corações fechados, que muitas vezes se escondem até por detrás dos ensinamentos da Igreja ‘para se sentar na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas'” (par. 305).
Essa linguagem inédita, mais dura que a dureza de coração que repreende os “controladores da graça”, é a marca distintiva de Amoris Laetitia, que, não por nenhuma casualidade, foi qualificada pelo cardeal Schönborn na coletiva de imprensa de 08 de abril de 2016 como “um evento linguístico”. “O que mais me alegra neste documento — declarou o cardeal de Viena — é que ele supera de forma coerente a divisão externa artificial que distinguia entre regular e irregular”. A linguagem, como sempre, expressa um conteúdo. As situações que a exortação pós-sinodal define como “chamadas irregulares” são o adultério público e a convivência extramatrimonial. Para Amoris Laetitia, estas realizam o ideal do matrimônio cristão, “de forma parcial e análoga” (par. 292). “Por causa dos condicionalismos ou dos fatores atenuantes, é possível que uma pessoa, no meio de uma situação objetiva de pecado — mas subjetivamente não seja culpável ou não o seja plenamente —, possa viver em graça de Deus, possa amar e possa também crescer na vida de graça e de caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja” (par. 305), “em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos” (nota 351).
Segundo a moral católica, as circunstâncias, que constituem o contexto no qual a ação se desenvolve, não podem modificar a qualidade moral dos atos, fazendo boa e justa uma ação intrinsecamente má. Mas a doutrina dos absolutos morais e do mal intrínseco é anulada por Amoris Laetitia, que se acomoda à “nova moral” condenada por Pio XII em vários documentos e por João Paulo II em Veritatis Splendor. A moral situacionista deixa à mercê das circunstâncias e, em último caso, à consciência subjetiva do homem determinar o que está certo e o que está errado. Assim, uma união sexual extraconjugal não é considerada intrinsecamente ilícita, mas, como um ato de amor, é valorizada em função das circunstâncias. Dito de um modo mais geral, não existe o mal em si nem tampouco pecados graves ou mortais. Comparar pessoas em estado de graça (situações regulares) com pessoas em situação de pecado permanente (situações irregulares) é mais do que uma questão linguística: podemos dizer que está em conformidade com a teoria luterana do homem (que diz que o homem é justo e pecador), condenada pelo Decreto sobre a justificação no Concílio de Trento (conf. Denz-H, nn. 1551-1583).
A exortação pós-sinodal Amoris Laetitia é muito pior que a exposição do cardeal Kasper, contra a qual se dirigiram tantas e tão justas críticas em livros, artigos e entrevistas. Kasper limitou-se a plantear algumas perguntas; Amoris Laetitia [isto é, Francisco] apresenta a resposta: abre as portas aos divorciados recasados, canoniza a moral situacionista e dá início a um processo de normalização de todas as convicções extramaritais.
Tendo em conta que o novo documento pertence ao Magistério ordinário não infalível, é de esperar que seja objeto de uma análise crítica profunda por parte de teólogos e pastores da Igreja, sem a ilusão de que se possa aplicar-lhe a hermenêutica da continuidade.
Se o texto é catastrófico, mais catastrófico é o fato de que ele foi assinado pelo Vigário de Cristo. Pois bem, para aqueles que amam a Cristo e à sua Igreja, esta é uma boa razão para falar, para não ficar em silêncio. Façamos nossa, pois, as palavras de um valente mitrado, Mons. Athanasius Schneider: “Non possumus! Eu não vou aceitar um discurso ofuscado nem uma porta falsa, habilmente ocultada para a profanação do sacramento do Matrimônio e da Eucaristia. Do mesmo modo, não vou aceitar que se brinque com o sexto mandamento da Lei de Deus. Prefiro ser ridicularizado e perseguido do que aceitar textos ambíguos e métodos insinceros. Prefiro a cristã ‘imagem de Cristo, a Verdade, à imagem da raposa adornada com pedras preciosas’ (Santo Irineu), porque ‘eu sei em quem tenho crido’, ‘scio cui credidi’ (II Tm I, 12)” (Rorate Caeli, 2 de novembro de 2015).
Fonte: http://www.renitencia.com/2016/04/amoris-laetitia-primeiras-reflexoes-sobre-um-documento-catastrofico.html