O PAPA QUE DESCE





Nesta manhã nublada de uma Roma enternecida
Por que não ficas conosco, mais um pouco, a nos guiar à Verdade sem ocaso da Fé?

No ano da Fé, deixa-nos, então?
Não celebrarás conosco o amanhecer de uma Igreja restaurada por tua palavra e banhada com o sangue de teu silencioso martírio?

O Trono, a glória, os suíços – todo o teu  temporal não são capazes de te prender por entre os mármores de Pedro?

Sobre ti estão os olhares da humanidade, e tu recusas o poder?

Como novo Celestino entendes a hora de descer e,
Livremente desces.

Como Bento ,no nome e na graça, preferes o recolhimento na oração às glórias deste mundo, até á partida definitiva.

É próprio de quem é Grande, a descida.
Só os Grandes descem.

Com nobreza queres entregar o leme da Igreja a outro.

Reconhecendo tua fraqueza, renuncias.
Reconhecemos tua força e bradamos:
“Viva o Papa”!
O Papa que desce!

Que desce com tanta dignidade que é mais uma subida,
Que descida.
Mais demonstração de Força,
Que fraqueza.

Ó vós que sentis com a Igreja,
Olhai o papa que desce!
Que desce para o Alto!

E hoje mais do que nunca,
Em honra do Grande, do Forte e do Magno
Brademos juntos , 
Mais  uma vez:
Viva o Papa que desce para o Alto!
Viva Bento XVI.

Pe. Marcélo Tenório

(Publicado em fevereiro de 2013 )

NA NOITE SANTA

Na Noite Santa



E chega a noite mais clara que o dia!


Noite de luz que traz a Luz esplêndida e sem ocaso.


Noite mais bela que a aurora.


“No la devemos dormir


la noche sancta.


No la devemos dormir…”



A noite!..



Só a noite viu o Menino descendo,


Através da Virgem inviolada. 


Entrou e saiu por Ela como o sol pela vidraça –


Para deitar-se nas palhinhas frias de um mundo gelado.





“No la devemos dormir



la noche sancta.



No la devemos dormir…”


Ô noite que juntaste o Filho à Mãe,

A Mãe ao Filho,


A Mãe a nós,


O Filho em nós e para nós.





“No la devemos dormir



la noche sancta.



No la devemos dormir…”


A noite, só a noite testemunhou tudo.

Viu tudo.


E …silenciou…



Pe. Marcélo Tenorio

Dezembro de 2013

http://www.youtube.com/watch?v=bb6no7mikE4

O PAPA QUE DESCE





Nesta manhã nublada de uma Roma enternecida
Por que não ficas conosco, mais um pouco, a nos guiar à Verdade sem ocaso da Fé?

No ano da Fé, deixa-nos, então?
Não celebrarás conosco o amanhecer de uma Igreja restaurada por tua palavra e banhada com o sangue de teu silencioso martírio?

O Trono, a glória, os suíços – todo o teu  temporal não são capazes de te prender por entre os mármores de Pedro?

Sobre ti estão os olhares da humanidade, e tu recusas o poder?

Como novo Celestino entendes a hora de descer e,
Livremente desces.

Como Bento ,no nome e na graça, preferes o recolhimento na oração às glórias deste mundo, até á partida definitiva.

É próprio de quem é Grande, a descida.
Só os Grandes descem.

Com nobreza queres entregar o leme da Igreja a outro.

Reconhecendo tua fraqueza, renuncias.
Reconhecemos tua força e bradamos:
“Viva o Papa”!
O Papa que desce!

Que desce com tanta dignidade que é mais uma subida,
Que descida.
Mais demonstração de Força,
Que fraqueza.

Ó vós que sentis com a Igreja,
Olhai o papa que desce!
Que desce para o Alto!

E hoje mais do que nunca,
Em honra do Grande, do Forte e do Magno
Brademos juntos , 
Mais  uma vez:
Viva o Papa que desce para o Alto!
Viva Bento XVI.

Pe. Marcélo Tenório

Oração à Virgem Maria, Porta do Céu






À entrada de mais este ano,
Virgo Maria,
Acompanhai-me.
Dai-me Vossa mão,
Mater amábilis,
Levai-me.
Não permitais que eu peque,
Virgo prudentíssima,
Guiai-me.
Das ofensas ao Vosso amado Filho,
Refúgium peccatórum,
Livrai-me.
Do orgulho que arruína as almas,
Virgo fidélis,
Protegei-me.
Pois Vós bem conheceis,
Oh, Virgo Sancta,
Minha miséria.
E que sozinha,
Auxilium Cristianorum
Nada alcanço.
Que me leva à eterna condenação,
A minha iniqüidade.
Que só traz maldição
A minha maldade.
Por isso Deus, Misericordioso,
Fê-la ‘Porta do Céu’,
Pela qual devo,
Triunfante,
No Paraíso adentrar.
Para o Verbo encarnado
Gloriosamente contemplar.
E contemplando tal prerrogativa,
 Janua Caeli,
Rogo-vos, então, que sejais, já na terra,
Neste tempo,
Neste ano,
E nos vindouros,
Virgo clemens,
Minha Porta,
Por onde devo passar.
De modo que minhas pobres obras,
Domus Áurea,
Possas ornar.
E assim, ao Rei dos Reis,
Regina Caeli,
Docemente,
Agradar.
Ao Padre Marcelo Tenório.
No dia da Mãe de Deus, 01/01/2012,
Alinny Moreira.


TARCÍSIO!



Na escuridão,

Pequeno vulto.

– Que leva oculto

No coração?


Logo outro vulto,

Também oculto,

O vai seguindo

Na escuridão.


E vai pensando:

– Que leva ele,

Que leva oculto

No coração?


Já outro vulto

Ao que seguia

Veio juntar-se

Na escuridão.


– Que leva oculto

(Os dois se dizem),

Que leva oculto

No coração?


Já outro e outro

Qual procissão, 

Seguem Tracísio

Na escuridão…


– Na aurora agora,

Não mais oculto

Que levas (dize!),

Pequeno vulto?


Vulto calado,

Vulto embuçado,

Que não responde,

Mas algo esconde

No coração…


– Leva um tesouro?

Leva um poema?

Uma invenção…


E atrás o seguem,

Atrás prosseguem,

Atrás perseguem

Os outros vultos.


– Será leiteiro,

Será padeiro,

Ágil menino

Tão de manhã?!


Ah! se não falas, 

Ah, se te calas,

As próprias pedras

Irão gritar…


Não vês acaso

Os que te seguem

Algo apanhando

No rude chão?


Que levas (dize,

Ah! dize logo!)

Tão em segredo

No coração?


Todo calado, 

Todo enbuçado,

Vai o menino

Na solidão.


Parte a primeira,

Parte a segunda,

Terceira pedra

O vem prostrar!


Mesmo caído,

Até ferido,

Tu te obstinas

Em não falar!


Pequeno vulto,

Agora oculto

Por sobre as pedras

(Tantas lamçaram!).

Ninguém queria

Fazer-te mal…


É sempre assim,

Irrefletida,

Cega, incontida,

A multidão.


Por que não disseste

O que levavas,

O que levavas

No coração?


(O que levavas

Leva-te agora

Em plena aurora,

Em pleno dia…)


Tiram as pedras,

Vão procurando,

Vão pesquisando

Na confusão.


– Onde o poema,

Onde o tesouro,

Onde a invenção?

Que ele elvava,

Que ele ocultava

No coração?


Mas nada encontraram.

Pois sob as pedras,

Por sobre o pó,

Tão esmagados, 

Grãos triturados,

Tarcísio e Cristo

Já são um só!
D. Marcos Barbosa, OSB

PARA QUEM PERDEU TEMPO NO CARNAVAL MALDITO






Deus pede estrita conta do meu tempo, 

E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta; 

Para dar minha conta feita a tempo, 
O tempo foi me dado, e não fiz conta.


Mas, como dar, sem tempo, tanta conta, 

Eu que gastei sem conta, tanto tempo? 

Não quis, sobrando tempo, fazer conta, 

Hoje quero dar conta, e não tenho tempo.

Ó vós, que tendes tempo sem ter conta, 

Não gasteis vosso tempo em passatempo. 

Cuidar, enquanto é tempo, em vossa conta.

Pois aqueles que, sem conta, gastam tempo, 

Quando tempo chegar de prestar conta, Chorarão, como eu, o não ter tempo.


Laurindo Rabelo (1826-1864)

MINHA POBRE BATINA






Minha pobre batina, mal cerzida, 
tu vales mais que todos os amores, 
pois, negra embora, enches-me de flores 
e de esperanças imortais a vida.

Com seus sorrisos escarnecedores, 
zomba o mundo de ti, de ti duvida, 
porque não sabe a força que na lida, 
tu me dás, do teu beijo aos resplendores.

Tu serenas do orgulho as brutas vagas, 
e a mostrar-me do mundo a triste sina, 
toda a volúpia das paixões apagas.


Oh! Como o bravo envolto na bandeira, 
contigo hei de morrer, minha batina, 
ó minha heróica e santa companheira!

Dom Francisco de Aquino Corrêa
Arcebispo de Cuiabá
1885 – 1956