RCC ENSINA A REZAR EM LÍNGUAS




Salve Maria!


Acabei de  ver um vídeo da  coordenação de formação da RCC que  pretende explicar o chamado “dom de línguas” . Neste vídeo o coordenador  tenta colocar as “bases” de fundamentação. É patente a falta de argumentação teológica séria, embasada na doutrina católica. O formador baseia-se somente no empírico, no subjetivismo sentimental que é próprio dos protestantes. Há uma ausência de solidez que chega ao nível das fábulas. A teologia é uma ciência enquanto usa a razão para interpretar o seu objeto que é Deus e Deus revelado pelas Escrituras. E aí entra a metafísica, como filosofia  primeira. Falta teologia e teologia católica aqui. É necessário, antes de tudo, o que nos ensinou S. Anselmo de Cantuária: ” compreender para crer” e isso se faz pelo exercício científico e não  pelo uso de lendas, fábulas ou outro artifício.

Veja o Vídeo





Postamos abaixo um segundo vídeo que embora protestante, condena e nega a existência do chamado “dom de linguas”

Por fim, a posição de S. Tomás de Aquino, que é a a doutrina católica sobre o assunto, por Eder Moreira

Pe. Marcélo Tenorio
Quando se trata das sublimes verdades da Revelação Divina, é preciso recorrer, por prudência, aos magistrais ensinamentos dos doutores da Igreja, especialmente à sabedoria angélica de Santo Tomás.

A explicação do Aquinate sobre o dom de línguas dissolve as dúvidas e estabelece as bases para distinguir o verdadeiro fenômeno sobrenatural da glossolalia dos pseudo-carismas, vulgarizados nos círculos delirantes da Renovação Carismática.

Comentando o Capítulo XIV da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, Santo Tomás escreveu:

“Quanto ao dom de línguas, devemos saber que como na Igreja primitiva eram poucos os consagrados para pregar ao mundo a Fé em Cristo, a fim de que mais facilmente e a muitos se anunciasse a palavra de Deus, o Senhor lhes deu o dom de línguas” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 178).

Esse ensino é comum a todos os doutores que comentaram o referido trecho da carta de São Paulo.

O dom de línguas, largamente concedido aos cristãos do primeiro século da
Igreja, destinava-se a facilitar o anúncio do Evangelho que precisava ser difundido a todos os povos de todas as línguas existentes. Entretanto, como observa o Aquinate, os Coríntios desvirtuaram o verdadeiro sentido desse dom:

“Porém, os coríntios, que eram de indiscreta curiosidade, prefeririam esse dom ao dom da profecia. E aqui, por ‘falar em línguas o Apóstolo entende que em língua desconhecida e não explicada: como se alguém falasse em língua teutônica a um galês, sem explicá-la; esse tal fala em línguas. E também é falar em línguas o falar de visões tão somente, sem explicá-las, de modo que toda locução não entendida, não explicada, qualquer que seja, é propriamente falar em língua” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 178-179).
     
Segundo a exposição do ilustre doutor angélico, o falar em línguas pode ser entendido de dois modos:

1) falar em língua desconhecida, porém existente, como sucedeu em Pentecostes, quando São Pedro falou em sua língua e cada um dos presentes entendeu na sua língua pátria.      

2) pregação ou oração sobre visões ou símbolos.

Essa doutrina é confirmada pelo Aquinate:

“Suponhamos que eu vá até vós falando em línguas (I Cor 14,6). O qual pode entender-se de duas maneiras, isto é, ou em línguas desconhecidas, ou a letra com qualquer símbolos desconhecidos” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 173).

Por sua clareza inconfundível, a primeira forma de falar em línguas dispensa comentários, visto que consiste em falar, miraculosamente, uma língua existente sem nunca tê-la estudado.        

Consideremos, portanto, o segundo modo, que consiste numa simples predicação com linguagem pouco clara, como acontece quando se fala sobre símbolos ou visões em forma de parábolas.

Esclarece São Tomás:  

“[…] se se fala em línguas, ou seja, sobre visões, sonhos […] (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 208).

Continua:

[lhes falarei] “‘Em línguas estranhas’, isto é, lhes falarei obscura e em forma de parábolas […] por figuras e com lábios […]” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 200).

Segundo a doutrina puríssima de Santo Tomás, quem usa de símbolos nos exercícios espirituais, lucra o mérito da prática de um ato de piedade. Mas, se compreende racionalmente os símbolos que profere durante a ação, lucra, além do mérito da boa obra, o fruto da compreensão intelectual de uma verdade espiritual.   

Quando alguém reza a oração do Pai Nosso sem compreender o profundo significado das petições que pronuncia, ganha o mérito da boa ação de rezar. Mas, aquele que reza compreendendo o sentido do que diz, lucra duplamente, isto é, o mérito da ação e o mérito da compreensão de uma verdade espiritual. Por esta razão São Paulo exorta aos que “falam em línguas” (no sentido de usar símbolos em seus atos de piedade) para que peçam o dom de interpretá-las, isto é, de compreender aquilo que diz de modo simbólico, a fim de lucrarem juntamente com a boa ação, o entendimento daquilo que piedosamente executam.   

Quanto ao uso público dessas línguas estranhas, o Apóstolo estabelece que não se as use quando não houver intérprete para explicar os símbolos para os que não conseguem atingir sua clara compreensão.

Em seus comentários sobre o versículo em que São Paulo adverte para que, durante o culto público, não se fale em línguas mais que dois ou três, São Tomás ensina que a leitura da Epístola e do Evangelho na Missa, são formas de falar em línguas que a Igreja manteve do período apostólico, fato diametralmente oposto ao que ocorre nas histerias pentecostais.

Eis as palavras do Aquinate:

“É de notar-se que este costume até agora […] se conserva na Igreja. Por que as leituras, epístola e evangelho temos em lugar das línguas, e por isso na missa falam dois […] as coisas que pertencem aos dom de línguas, isto é, a Epístola e o Evangelho” (comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 208).

A interpretação dessas línguas – estranhas ao povo simples – ocorre na Missa após a leitura da Epístola e do Evangelho, quando o padre faz o sermão explicando os símbolos contidos nos textos sagrados que foram lidos.

Nisto consiste o “falar em línguas”, segundo a autoridade indiscutível de Santo Tomás. E, partindo desta teologia absolutamente segura, porque reconhecida pela Igreja, não há como admitir a confusão desordenada de sons, freqüentes nos cultos pentecostais da Renovação Carismática. Ao contrário, quem examina os escritos dos pais da Igreja sobre o assunto, é levado a concluir que os fenômenos de línguas que ocorrem na RCC são de origem diabólica, e não divina, como se pensa e defende.


E para respaldar essa afirmação, confirmamo-la com os próprios dizeres dos padres da Igreja.


No século II da era cristã, Santo Irineu condenou um herege chamado Marcos que profetizava sob influência demoníaca, seduzindo mulheres que, de modo semelhante ao que ocorre nas reuniões pentecostais, passavam a emitir sons confusos:

“Então, ela, de maneira vã, imobilizada e exaltada por estas palavras e grandemente excitadas […] seu coração começa a bater violentamente, alcança o requisito, cai em audácia futilidade, tanto quanto pronuncia algo sem sentido, assim como lhe ocorre” (Contra Heresias I, XIII, 3).

Fenômeno semelhante aconteceu com o herético Montano, conforme relata Eusébio:

“Ficou fora de si e [começou] a estar repentinamente em uma sorte de frenesi e êxtase, ele delirava e começava a balbuciar e pronunciar coisas estranhas, profetizando de um modo contrário ao costume constante da Igreja […] E ele, excitado ao falar de duas mulheres, encheu-as com o falso espírito, tanto que elas falaram “extensa, irracional e estranhamente, como a pessoa já mencionada” (História da Igreja V, XVI: 8,9).

No século III, Orígenes denunciou um tal Celso, que pronunciava sons incompreensíveis:

“A estas promessas, são acrescentadas palavras estranhas, fanáticas e completamente ininteligíveis, das quais nenhuma pessoa racional poderia encontrar o significado, porque elas são tão obscuras, que não têm um significado em seu todo” (Contra Celso, VII:9).

Nota-se, portanto, que a confusão sonora nos ambientes carismáticos se identifica com esses fenômenos denunciados como falsos ou diabólicos pelos pais da Igreja.

Na afirmação constante dos doutores, o dom de línguas consiste em falar línguas estranhas existentes, e não sons desconhecidos por todos os homens. Encontramos essa posição em todos os comentadores dos textos de São Paulo, como por exemplo, em Santo Agostinho, Cirilo de Alexandria, Gregório Nanzianzeno, Santo Ambrósio, São João Crisóstomo, Didaquê Siríaca, etc.  

Esse sempre foi o ensino da Igreja iluminada pela luz infalível do Espírito Santo.

Para encerrar essa questão, sem desprez

ar as objeções correlatas, respondemos a indagação do consulente Fábio que recorda as palavras de São Paulo, cujo teor parece contrariar a idéia de que o dom das línguas é um carisma extraordinário, isto é, concedido apenas a alguns.


Orientando os Coríntios, o Apóstolo expressa seu desejo: “Desejo que todos faleis em línguas”. (I Cor, XIV, 5).  

Santo Ambrósio, Doutor da Igreja, ensina que o falar em línguas não se manifesta em todos os cristãos:

“Todos os dons divinos não podem existir em todos os homens, cada um recebe de acordo com a sua capacidade” (Do Espírito Santo II, XVIII, 149).

É compreensível que, em vista da necessidade da propagação da fé a todos os povos, São Paulo manifeste o desejo de que todos tenham o dom de línguas. Mas o Apóstolo sabe que a cada um é dado um dom particular.

Sobre seu estado celibatário, São Paulo diz: “Quisera que todos os homens fossem como eu” (I Cor, VII, 7). Entretanto, imediatamente pondera: “[…] mas cada um recebe de Deus o seu dom particular, um, deste modo; outro, daquele modo”.

E esse mesmo princípio pode ser aplicado ao dom das línguas, que se tornava cada vez mais incomum, conforme se difundia a fé entre os povos.

Para não estender demasiadamente esta carta que já vai longe, indico uma resposta dada pelo professor Orlando Fedeli sobre o significado da expresão “gemidos inefáveis”, objeto da dúvida do sr. Fábio.
Noutra oportunidade poderia transcrever as explicações dos doutores sobre esses “gemidos” que, por serem inefaveis e provenientes da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, são inaudiveis e inatingiveis pela razão humana 

Ademais, ousar dizer que os “grunhidos” carismáticos são gemigos inefáveis do Espírito Santo é, além de absurdo, uma blasfêmia contra a Sabedoria de Deus. Claro, supondo que um carismático já tenha “ouvido” os gemidos do Espírito Santo para identificá-lo com o gemido confuso dos carismáticos.

CULTO PROTESTANTE NA CANÇÃO NOVA? UMA VERGONHA!



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Caríssimos,
Salve Maria!

Entre tantas notícias da CN, desde a dança sacrílega com o Santíssimo Sacramento, passando pela censura que o diretor impôs  a um padre por denunciar o PT em sua homilia VEJA,  vem mais uma que colocamos aqui. Hereges protestantes em culto na própria emissora “católica”. Perceba o cenário: bem diferente do usual. Cadê o crucificado? Cadê o Ícone de Nossa Senhora?. Uma Vergonha, Canção Nova! Uma vergonha!

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Muitos católicos ficaram escandalizados com as ações tomadas pela TV Canção Nova para a produção do  EUCRISTUS (Encontro de Cristãos na Busca de Unidade e Santidade).  A emissora convidou personalidades protestantes para falar e transmitir suas palavras AO VIVO, ou seja, sem preocupação alguma do tipo de conteúdo que seria dito aos fiéis, o resultado não poderia ser mais trágico.
O pastor José Carlos disse abertamente  que o Espírito Santo inspirou a eles (ele e sua esposa) pra formarem uma só Igreja através do ecumenismo. O que vai frontalmente contra a doutrina católica que ensina com todas as letras que a verdadeira unidade do cristianismo se dá na adesão ao catolicismo.  Fechando com chave de ouro, o pastor convidou aos presente «Venham nos fazer uma visita, venham conhecer nossa comunidade»

Outros esforços foram feitos para agradar os protestantes, entre eles a remoção da imagem do crucificado da cruz (imagem acima) e a remoção do ícone de Nossa Senhora do local.

Entre os absurdos que a Canção Nova permitiu, aconteceu um CULTO PROTESTANTE dentro de suas dependências, no Auditório São Paulo enquanto os católicos estavam assistindo a Santa Missa.
Se é preciso esconder a face católica para que se tenha ecumenismo, então não existe ecumenismo algum.

SOBRE MISSA DE CURA, EXORCISMOS E LIBERTAÇÕES





Pe. Marcélo Tenorio




I – Apresentação
Têm sido disseminadas nos meios católicos as famosas orações e Missas de “Cura e Libertação”.
Essa prática, estranha à teologia do Aquinate, quer no âmbito privado ou na da Sagrada Liturgia da Missa, tem gerado confusão, perplexidade e, em muitos casos, escândalos entre os fiéis que não reconhecem nesta forma “nova” de culto, a sua identidade católica.
O presente artigo já estava pronto quando chegou em minhas mãos um católico, lúcido, oportuno e eficaz pronunciamento episcopal dos bispos de Medellim e Puebla condenando essas missas ditas de Cura e Libertação, porque “apresentam  aspectos e procedimentos que não estão de acordo com a doutrina, a liturgia e a prática pastoral da Igreja.”[i]
Continua o documento episcopal:
“Com o ambíguo nome de ‘Missa de Cura’ (pois em todas as missas a Palavra e o Corpo de Cristo podem nos curar) se designa uma certa maneira de manipular a celebração desse Sacramento, com interesses diversos que vão desde as melhores intenções até a simonia [n.d.r.: venda de bens espirituais]. É necessário evitar que este tipo de celebração se preste à exploração da emotividade, da necessidade de cura e da visão fantasiosa que algumas pessoas podem ter. Acima de tudo, nunca se pode aceitar que se faça negócio com o sofrimento das pessoas.”[ii]
“[…] Junto com as erroneamente chamadas “Missa de cura” também são promovidos exorcismos, unções, orações de libertação e outras práticas que alteram gravemente o sentido da vida sacramental da Igreja. Na realidade, através da catequese e de celebrações dignas, devemos procurar que tanto a Eucaristia como os sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos, instituídos por nosso Senhor Jesus Cristo, ajudem com a graça de Deus às pessoas que precisam de auxílio espiritual.”[iii]
As Missas e Orações de Cura e Libertação, quase sempre têm inclusos outros “fenômenos” carismáticos, tais como oração em línguas estranhas, revelações e o mais que estranho repouso no espírito.
Quanto à “oração em línguas” e a catolicidade da RCC, já nos detivemos aqui em nosso blog.[iv] Agora queremos discorrer sobre a missa e oração de cura e Libertação: sua origem, teologia, como também sobre os demais carismas que “auxiliam” e aparecem presentes nessa prática.
II – Pronunciamento da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé

Antes de tudo é importante relembrar o que a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé ensinou e legislou sobre o assunto, pela  pena do então Cardeal Ratzinger, hoje Sua Santidade, o Papa, no documento intitulado “Instrução sobre as Orações para alcançar de Deus a Cura.”[v]
Fala o ex Santo Ofício:

“O anseio de felicidade, profundamente radicado no coração humano, esteve sempre associado ao desejo de se libertar da doença e de compreender o seu sentido, quando se a experimenta. Trata-se de um fenômeno humano que, interessando de uma maneira ou de outra todas as pessoas, encontra na Igreja particular ressonância. Esta, de facto, vê a doença como meio de união com Cristo e de purificação espiritual e, para os que lidam com a pessoa doente, como uma ocasião de praticar a caridade. Não é só isso porém; como os demais sofrimentos humanos, a doença constitui um momento privilegiado de oração, seja para pedir a graça de a receber com espírito de fé e de aceitação da vontade de Deus, seja também para implorar a cura.”
Fica claro que a Santa Igreja ensina ser o momento de enfermidade como rico e propício ao crescimento da alma levando-a a uma maior união com Deus e favorecendo a compreensão em relação à vida e à existência nesse mundo.
A Graça de Deus tanto está para os que sofrem, como para aqueles que cuidam com generosidade dos enfermos, e também para aqueles que se edificam com o testemunho de resignação de tantos que, no momento da dor, unem-se à paixão de Nosso Senhor e, por ela, conseguem a sua própria salvação.
Também são católicas as intercessões para se pedir a cura, segundo a vontade de Deus, dos que sofrem. Assim fundamentou-se a Igreja e sustentou a devoção aos santos, recorrendo à sua valiosa ajuda.
É importante perceber que se por um lado a Sagrada Congregação atesta a catolicidade e, portanto, legitimidade das orações que suplicam a Deus pela cura física, de outro mostra-se preocupada com essa forma “diferente” de se rogar  a cura, justamente por  ela conter maneiras estranhas à doutrina de sempre da Igreja, como atestaram os bispos mexicanos, acima.
Vejamos o que nos diz o documento da “Doutrina da Fé”:
“A oração que implora o restabelecimento da saúde é, pois, uma experiência presente em todas as épocas da Igreja e naturalmente nos dias de hoje.” 
Entretanto, em seguida, pondera:
“Mas o que constitui um fenômeno sob certos aspectos novo é o multiplicar-se de reuniões de oração, por vezes
associadas a celebrações litúrgicas, com o fim de alcançar de Deus a cura. Em certos casos, que não são poucos, apregoa-se a existência de curas alcançadas, criando assim a expectativa que o fenômeno se repita noutras reuniões do gênero. Em tal contexto, faz-se por vezes apelo a um suposto carisma de cura.”
Logo de início o presente documento nos traz luzes importantes para a compreensão do problema. Expomo-las aqui de maneira simples e pontual.
1.      Nada é pacífico, nem conhecido, pois se assim o fosse a Sagrada Congregação não emitiria um documento de tamanha importância sobre o assunto, nem tampouco analisaria a questão, visto que sendo católica a prática, bastaria uma nota desta mesma Congregação autenticando a forma e fundamentando-se no Magistério Perene da Igreja.
2.      O assunto é tratado como “fenômeno” e como “novo”. É claríssimo que por “fenômeno” não se compreende uma intervenção sobrenatural de Deus, já que o termo é bem usado em várias ciências, sobretudo na sociologia e antropologia hodiernas. Quanto ao “novo”, quer indicar justamente algo desconhecido à Igreja (o que já deveria ser motivo, mais que suficiente, às indagações e suspeitas de um fiel atento à doutrina apostólica). Algo “desconhecido” quanto prática religiosa eclesial, mas não quanto à forma protestante pentecostal, já conhecidas por seu subjetivismo nocivo à fé.
III – A condenação das novidades e o afastamento da Teologia de Santo Tomás
Vários Papas condenaram as “novidades” que muitos tentaram introduzir no seio da Igreja. Assim o grande Papa Pio XII, logo após a II Guerra Mundial expressa-se preocupado:
“[…] Nós assinalamos, não sem preocupação nem sem temor, que alguns são excessivamente ávidos de novidade e se transviam fora dos caminhos da sã doutrina e da prudência. Porque, querendo e desejando renovar a santa Liturgia, eles promovem, muitas vezes, a intervenção de princípios que, em teoria ou na prática, comprometem esta santa causa e, às vezes até as mancham com erros que afetam a fé católica e a doutrina ascética.
A pureza da fé e da moral deve ser a regra principal desta ciência sagrada que é preciso conformar em todos os pontos aos mais sábios ensinamentos da Igreja. É, portanto, Nosso dever louvar e aprovar tudo aquilo que é bom e conter ou censurar tudo aquilo que se desvia do caminho justo e verdadeiro…” [vi]
E ainda:
“[…] Existem hoje alguns [entre os doutores católicos], assim como nos tempos apostólicos, que se apegam mais do que convém às “novidades” no temor de passar por ignorantes de tudo o que arrasta um século de progressos científicos: constata-se, então, que eles, na sua pretensão de se subtrair da direção do Magistério sagrado, se vêm em grande perigo de se afastar pouco a pouco da verdade divinamente revelada e de induzir outros a irem com eles ao erro. – As “novas opiniões”, quer se inspirem elas em desejo condenável de “novidades”, quer em qualquer louvável razão […]”[vii]
Aqui o Papa constata o centro e a causa da crise: o abandono da teologia oficial da Igreja, isto é, a teologia de Santo Tomás!
“De fato, ó dor, os “amadores de novidades” passam naturalmente do desdém pela teologia escolástica à falta de atenção, até ao desprezo pelo próprio Magistério da Igreja que, com toda a sua autoridade, aprova inteiramente essa teologia”.[viii]
Se na época de Pio XII já se via claramente uma fumaça sombria a se aproximar da Igreja, conclui-se que, à  época do Concílio Vaticano II e ao que se seguiu depois dele, a barca de Pedro tenha imergido em nuvens densas, por vezes escuras de uma desorientação quase geral que levou o próprio Papa Paulo VI a declarar, após o encerramento do Concílio: “esperávamos uma primavera e eis que veio uma tempestade!”
Aqui as “novidades” das mais variadas entraram pela porta da frente. E foram tantas!
Todavia, se hoje nos encontramos diante dessa novidade carismática e neo-pentecostal (e aqui está o motivo pelo que se separa da Sã Doutrina) é devido, sobretudo, ao abandono da teologia escolástica, como muito bem reconheceu o Santo Padre Pio XII.
IV – O Fenômeno “Carismático”
O fenômeno “carismático” teve seu início em meios católicos logo após o encerramento do Vaticano II. A origem de tudo encontra-se no protestantismo pentecostal. Sua fonte é a heresia luterana da supremacia do subjetivismo sobre a razão teológica. Para Lutero o conceito de fé deveria ser mudado, visto que para ele tratava-se de algo “experiencial”, empírico, livre de qualquer autoridade religiosa, pois que Deus revelar-se-ia no mais íntimo do coração do homem.
Nesse espírito, nada católico, aconteceu o início daquilo que mais tarde viria a ser chamada de “renovação carismática”, noutros países “renovação no espírito”.
Aliás, quanto à origem da RCC, temos duas: a mais conhecida e difundida nos livros e formações do movimento, é a chamada “Experiência de Duquesne”, onde fica clara a adesão de dois professores universitários à heresia protestante. A versão nova (talvez numa tentativa de deixar mais “católica” sua origem) é a inclusão da Beata Helena Guerra na história, já que, sendo devota do Espírito Santo, teria influenciado o Papa Leão XIII a pedir sobre a Igreja um “novo pentecostes”. Como não houve eco nos demais graus da hierarquia, o Espírito Santo teria passado direto, indo derramar-se sobre os protestantes… Aqui se vê claramente uma loucura sem medida, para não dizer uma grossa heresia, como se Deus pudesse derramar suas graças sobre o erro, na divisão e na apostasia.
Ora, vamos aos fatos: Em agosto de 1966 esses dois professores encontraram-se com Ralph Martin e Steve Clark na Convenção Nacional dos Cursilhos e receberam destes cópias dos livros “A cruz e o punhal” e “Eles falam em outras línguas”, que tratam da experiência pentecostal. Impressionados com tudo aquilo, procuraram um ministro da igreja episcopal que os conduziu a uma paroquiana sua chamada de Flo Dodge. Esta paroquiana, com seu grupo carismático fez com que eles recebessem o “batismo no Espírito Santo”.
Aqui vale uma rápida reflexão: o que levou dois católicos e cursilhistas a procurarem práticas estranhas às suas, comungando de doutrinas protestantes?  Por que se dirigiram a um “ministro” herético? Considero aqui duas coisas importantes: a busca do experiencial e a leitura de livros que não expressam a nossa fé. Novamente volta à pauta o desejo pelas “novidades” e agora, num mundo aberto às novas práticas, onde o homem é colocado ao centro, nada melhor que uma doutrina que valorize o sentir, o perceber e o viver do homem. E a isso se encaixam, como uma luva, o sentimentalismo e subjetivismo protestantes.
O resto da história já é conhecido. Animados pelo espírito protestante com sua teologia, misturados com neo-pentecostalismos e, maravilhados com os “carismas” que eram “derramados”, num primeiro momento, já em Duquesne, num retiro, rejeitada a programação já pronta, resolvem pregar essas novidades aos demais e, pela “imposição de mãos”, receberam o chamado “batismo no Espírito Santo”. Em pouco tempo isso cresceu. Muitos aderiram e, desgraçadamente, já se viam padres envolvidos…
V – A apostasia passa pela curiosidade – S. Pio X
A curiosidade não freada, diz o Papa São Pio X, é suficiente para entender e explicar todos os erros, pois para ele a curiosidade é a mesma coisa que o espírito de novidade. Em nome da novidade muitos católicos mergulharam no erro por darem-se às leituras protestantes e a teólogos modernistas, além dos filósofos modernos. A apostasia passa pela curiosidade.
Já o mesmo papa, percebendo as manobras modernistas e como estavam presentes na Igreja, no início do século XX, escreveu a importante encíclica Pascendi Dominici Gregis, condenando explicitamente os erros do modernismo:
Sendo verdade que a RCC difundira na Igreja tais formas protestantes através de suas práticas, seminários e livros, também é verdade que hoje são largamente usadas com ou sem o aval do mesmo movimento, que de certa forma, perdeu o controle sobre isso por motivos diversos. Não é difícil encontrar leigos, religiosos e até sacerdotes que, usando o “jeito carismático” em suas práticas, não o fazem em nome do movimento, mas em seu próprio, de forma que músicas, maneiras, aeróbicas, estilos que antes pertenciam somente à RCC, hoje são disseminados  em todos os ambientes que valorizam o sentimento e buscam a primazia dos afetos, em sua grande maioria. Na verdade é a aplicação da filosofia fenomenológica que teve como patriarca Kant (com seu sistema anti-intelectual), e depois Husserl e Max Scheller.
O objeto da metafísica clássica é o ser. Já a fenomenologia centraliza-se na manifestação dos fenômenos, nas vivências e nas experiências.
VI – As orações de cura e libertação: uma análise
É nítida a diferença entre a oração que roga a Deus a cura e as formas carismáticas encontradas hoje. O próprio documento da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé nos aponta diferenciais.
Não se nega a eficácia da oração:
“As curas ligadas aos lugares de oração (nos santuários, junto de relíquias de mártires ou de outros santos, etc.) são abundantemente testemunhadas ao longo da história da Igreja. Na antiguidade e na idade média, contribuíram para concentrar as peregrinações em determinados santuários, que se tornaram famosos também por essa razão, como o de São Martinho de Tours ou a catedral de Santiago de Compostela e tantos outros. O mesmo acontece na actualidade, como, por exemplo, há mais de um século com Lourdes. Estas curas não comportam um «carisma de cura», porque não estão ligadas a um eventual detentor de tal carisma, mas há que tê-las em conta ao procurar ajuizar, sob o ponto de vista doutrinal, as referidas reuniões de oração.”
Primeiro ponto: Não há alguém, ou pessoas legitimadas com o carisma das curas, diferente dos ambientes “carismáticos” nos quais há sempre alguém que possui esse “poder” (que impõe as mãos, que reza, que intercede). Nas missas ditas “de cura e libertação”, sempre é o padre o protagonista, aquele “detêm” tal carisma, pode até ser auxiliado, mas é ele quem o possui. Assim também é no grupo de oração: há pessoas -ou pessoa- especificamente com esse “dom”. Tanto é verdade que é comum uma multidão acorrer a certas igrejas, abandonando sua paróquia, por causa da presença de certas pessoas (sacerdote ou não) consideradas pelos fiéis como “ungidas”. Logo, a eficácia da cura não se encontra na Missa e nos sacramentos por si mesmos, como ensina a teologia católica, mas no condutor ou pretenso “detentor” do pseudo poder.
Não é estranho que nesses ambientes surja um clima de fanatismo e supervalorização do mediador. Nas procissões com o Santíssimo Sacramento (dentro ou fora da missa), quem já não presenciou o padre com uma mão no ostensório e a outra no fiel, como se não bastasse Jesus mesmo ali presente? Num famoso programa de televisão, num desses momentos de “cura”, o sacerdote com uma mão no Santíssimo, a outra no microfone, despreocupava-se com o ostensório para procurar a posição melhor da câmera.
Sobre o uso da exposição do Santíssimo Sacramento, ou procissão sem o fim para o qual reza a norma, que é a adoração, a Santa Igreja considera ilegítimo, como está abaixo, no Documento do Cardeal Ratzinger:
“[…]Também estas celebrações são legítimas, uma vez que não se altere o seu significado autêntico. Por exemplo, não se deveria pôr em primeiro plano o desejo de alcançar a cura dos
doentes, fazendo com que a exposição da Santíssima Eucaristia venha a perder a sua finalidade; esta, de facto, «leva a reconhecer nela a admirável presença de Cristo e convida à íntima união com Ele, união que atinge o auge na comunhão sacramental”».
Nesses encontros o mediador é preponderante. Ele “realiza” curas e também as proclama com o anúncio solene do que ali está sendo realizado ao seu comando:
“Nesse momento Jesus está curando alguém que se encontrava…”
“O Senhor me mostra, me revela, uma mãe aqui…”
É bem verdade que muitos santos tiveram o dom da ciência,  e sabiam  o que se encontrava no interior das almas. Padre Pio, por exemplo, era capaz de perceber toda a vida das pessoas que o procuravam. Entretanto numa vida profundamente humilde, sempre se deu por nada e jamais pediu a Deus as tantas graças nele derramadas, pelo contrário, tinha em conta o que fala a Imitação de Cristo:” Aquele que bem se conhece tem-se por vil e não se compraz nos louvores humanos.” ( I C, Cap. II,1).
É comum na RCC acontecerem os seminários de dons, onde, após rápida explicação sobre os carismas, todos são levados a pedir a Deus os dons carismáticos de revelações, curas, libertação  milagres e outros. Os que “sentem, no coração”, que foram agraciados, já podem servir à comunidade e, se forem bons em pregação e muitos confirmarem os “toques de Deus” através deles, então a fama se espalha, todos os procuram e, assim nascem os “novos ungidos”.
Sobre esta questão a Sagrada Congregação reprova e considera arbitrária a ideia de que o carisma de cura pertence a um grupo ou a pessoa.
“Por conseguinte, nas reuniões de oração organizadas com o intuito de implorar curas, seria completamente arbitrário atribuir um «carisma de cura» a uma categoria de participantes, por exemplo, aos dirigentes do grupo. Dever-se-ia confiar apenas na vontade totalmente livre do Espírito Santo, que dá a alguns um especial carisma de cura para manifestar a força da graça do Ressuscitado. Há que recordar, por outro lado, que nem as orações mais intensas alcançam a cura de todas as doenças. Assim São Paulo tem de aprender do Senhor que «basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder» (2 Cor 12,9) e que os sofrimentos que se têm de suportar podem ter o mesmo sentido do «completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo que é a Igreja» (Col 1,24)”.
Na conclusão do presente documento encontramos as disposições disciplinares, que valem a pena ser lidas para o nosso conhecimento e também para perceber a distância daquilo que a Igreja ensina com aquilo que se faz hoje “ao Deus-dará!”
Art. 3  § 1. As orações de cura litúrgicas celebram-se segundo o rito prescrito e com as vestes sagradas indicadas no Ordo benedictionis infirmorum do Rituale Romanum.(27).
Aqui verificamos que há orações prescritas e que se encontram no ritual da Igreja Romana, excluindo-se a possibilidade de improvisos e a mistura com outras orações e formas, ou seja, a criatividade…
§ 2. Os que estão encarregados de preparar ditas celebrações litúrgicas, deverão ater-se a essas normas na realização das mesmas.
§ 3. A licença de realizar ditas celebrações tem de ser explícita, mesmo quando organizadas por Bispos ou Cardeais ou estes nelas participem. O Bispo diocesano tem o direito de negar tal licença a qualquer Bispo, sempre que houver uma razão justa e proporcionada (grifo do original).
§ 3. É necessário, além disso, que na sua execução não se chegue, sobretudo por parte de quem as orienta, a formas parecidas com o histerismo, a artificialidade, a teatralidade ou o sensacionalismo (grifo nosso).
Art. 7  § 1. Mantendo-se em vigor quanto acima disposto no art. 3 e salvas as funções para os doentes previstas nos livros litúrgicos, não devem inserir-se orações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, na celebração da Santíssima Eucaristia, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas” (grifo nosso).
Logo, não pode existir uma “Missa de Cura e Libertação”, com elementos estranhos à sagrada liturgia, mas sim a “Missa pelos Enfermos”, já prescrita no missal, sem alterações, nem criatividades.
Art. 8  § 1. O ministério do exorcismo deve ser exercido na estreita dependência do Bispo diocesano e, em conformidade com o can. 1172, com a Carta da Congregação para a Doutrina da Fé de 29 de Setembro de 1985(31) e com o Rituale Romanum.(32)
§ 2. As orações de exorcismo, contidas no Rituale Romanum, devem manter-se distintas das celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas.
§ 3. É absolutamente proibido inserir tais orações na celebração da Santa Missa, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.
Art. 10 – A intervenção da autoridade do Bispo diocesano é obrigatória e necessária, quando se verificarem abusos nas celebrações de cura, litú
rgicas ou não litúrgicas, em caso de evidente escândalo para a comunidade dos fiéis ou quando houver grave inobservância das normas litúrgicas e disciplinares.
Como vemos, essas normas estão longe de serem cumpridas  pela RCC e a desobediência à voz da Igreja continua na ordem do dia. Mas, se não há obediência, como pode haver “intervenções sobrenaturais de Deus” em tais momentos? O principal critério para se discernir as ações do bom ou mau espírito, como ensina Sto. Inácio , é justamente a obediência que permeia toda a ação.
Não são poucas as pessoas que me procuram extremamente confusas pelo que foi por elas visto nesses momentos de oração, sobretudo perplexas com o que lá assistiram e tendo sua fé abalada até às bases.
Músicas emotivas que se repetem, gerando um clima propício ao sentimentalismo, embaladas por cantorias em línguas estranhas, enquanto pseudo exorcismos vão sendo realizados, numerosas pseudo curas e, o mais esperado é justamente, o “passeio com o Santíssimo Sacramento”. Aquele que dirige a oração convida a todos para colocarem fotos de entes queridos, já trazidas para esse fim, para tocarem no ostensório. Assim começa o “esfrega-esfrega” na custódia (como se Jesus não fosse onipresente), desrespeitando blasfemando o Santíssimo Sacramento. Mas não fica só nisso! Ainda com o Santíssimo, as pessoas são convidadas a se aproximarem e, ao simples toque no ostensório, puft! Repousam no “espírito”! Caem no chão! Ficam lá em “êxtase”. E a palavra é mesmo essa: “Êxtase”.
No livro chamado “O Repouso no Espírito”, o padre jesuíta Robert DeGrandis, compara esse “fenômeno” ao êxtase dos santos, como Santa Teresa d´Avila e outros místicos.
Ora, ensina a teologia mística que são três as vias de elevação da alma a Deus e que é somente na última via, a “unitiva”, que a alma começa a gozar dos enlaces do Amado.
Aqui se dão os êxtases e das revelações à alma dos segredos de Deus. Todavia nem todas as almas santas que atingiram o cume das virtudes e da santidade (próprias desta última via) passavam por tais experiências. A própria Teresinha do Menino Jesus, no auge de sua santidade, encontrava-se em profunda aridez, a ponto de dizer: “Amo-te, mesmo que me seja negado o paraíso”.
Conheço pessoas que “repousaram no espírito” nessas orações e missas e que dizem ter “experimentado” uma alegria profunda, mas vivem privadas da graça santificante por se encontrarem em pecado mortal por ato, ou por situação assumida, como adultério (segunda união), vida íntima no namoro, etc. Não é pequeno o número de pessoas que dizem ter passado por essas “experiências”, mas que ou jamais se aproximaram do sacramento da confissão (penhor de toda cura) ou que já estão distante dele por anos e anos.
Um padre carismático escrevia que o que acontece é simples: pela experiência “pessoal com Deus”, a pessoa é elevada já, pelo o que se chama de “batismo no Espírito” à última via do caminho espiritual, à via unitiva! Isso é tão absurdo: de uma gravidade e heresia sem tamanho, que nem vale a pena discorrer!
Como já demonstramos noutros artigos[x], os carismas como são aplicados nessas orações ou missas, ou ensinados pela RCC, sobretudo o chamado “repouso no Espírito”, não possuem nenhum respaldo no magistério da Igreja, quer ordinário ou extraordinário. Não existe nenhum documento da Santa Sé que a
utentique ou endosse como católicas essas estranhas práticas que nunca fizeram parte do comum da Santa Igreja. Todos os carismas, inclusive o dom das línguas, foram objetivamente ensinados e explicados pelos padres e doutores, sobretudo Sto. Tomás de Aquino, a quem devemos dar total e pronto acatamento.
VII – Conclusão
Recém-ordenado, o jovem padre toma posse de sua nova paróquia: uma paróquia mais que centenária no interior de Minas. Cheio de idéias, e dado ao espírito de novidades – aliás, discípulo que era de Chardin, tinha uma visão cosmológica do mundo e da fé. Muita coisa deveria mudar ali, pensava o novo pároco, a começar pela imagem da padroeira, que ele achava antiga demais, sem a “beleza” expressiva da arte moderna. A imagem era de Nossa Senhora do Carmo, antiga como nem sei o que…
Seu conselheiro o admoestou: “Senhor padre, mexa em tudo menos nesta imagem, pois o povo não irá aceitar uma mudança!”
Mas o padre já estava com tudo pensado: já tinha encomendado uma imagem mais nova e atualizada da Virgem, de forma que, na calada da noite, ele colocaria a Nova no lugar da Velha e esperaria a reação do povo, afinal, quem vai discutir com o padre?
Apesar das ponderações de seu conselheiro, ele assim o fez. Num sábado à noite, sabendo que o domingo era sempre cheio, e seria a prova dos “nove”, trocou a imagem. A Velha foi recolhida e a Nova, enfim, posta no lugar!
Amanhece o dia! Os sinos tocam a chamada para missa. O povo vai chegando para as orações, confissões e reza do terço. Todos vão logo para o altar da querida padroeira e lá rezam…
O padre novo e seu conselheiro, de cima, do coro, observam tudo: o povo está calado. Silenciosamente calado, no altar da padroeira. Parecem rezar, parecem não se importar… nenhuma dissidência, nenhuma revolta! E o padre ficou feliz e exclamou para seu conselheiro: “Não disse? Não tivemos problemas! O povo aceitou a Nova.”
Passaram-se os meses e o povo permaneceu calado!
Chega a festa da padroeira… e o povo, calado!
Começa a novena… e o povo, calado!
Enfim, o grande dia da procissão. A cidadezinha mineira estava em festa!
Uma multidão compareceu. O padre feliz,
via descer nas escadarias o belo andor, e nele a imagem Nova da padroeira.
O povo, entusiasmado, cantava hinos em honra à Virgem.
Foi então que o padre gritou:
“VIVA NOSSA SENHORAAAAAAAA!”
“A VELHAAAAAAAAAAAAAAAAA”, gritava o povo!
O padre, pensando não ter ouvido o que ouviu, gritou mais alto:
“VIVA NOSSA SENHORAAAAAAAAAA!”
“A VELHAAAAAAAAAAAAAAAAAAA”, gritou mais alto ainda o povo!
† † †
Hoje, o que mais existem são as novidades. São Paulo já nos preveniu sobre isso:
“Virão dias em que os homens já não suportarão a Sã Doutrina da Salvação” (2 Tm 4, 1-3).
Para nós católicos a única  verdade é Cristo e sua Doutrina que é sempre a mesma, sem novidades, porque Ele é o mesmo “ontem, hoje e sempre!”
Para a Fé Católica o “Velho” não é sinal de “caduquice”, pois a Verdade transcende o tempo, posto que eterna, e resplandece triunfalmente na face da Igreja Mãe e Mestra de toda Verdade.
Portanto, para se estar na Verdade deve-se estar com a Igreja, mantendo-se longe das novidades, de forma que, aos gritos  de “VIVA!” às “coisas novas”, possamos, sempre responder:
“À VELHA
E à de sempre!!!”

Bispos condenam abusos das Missas de Cura e Libertação




As chamadas “Missas de cura”

Depois de muita reflexão e cuidadoso discernimento, os Bispos das Províncias eclesiásticas de Medellin e de Santa Fé de Antioquia [englobam um total de 13 bispos e 10 dioceses]decidimos escrever a todos os sacerdotes, religiosos e fiéis de nossas dioceses uma Carta Pastoral Sobre as chamadas “Missas de cura”. Vimos necessário uma orientação sobre iniciativas e eventos que foram se espalhando em algumas paróquias, que seguramente apresentam  aspectos e procedimentos que não estão de acordo com a doutrina, a liturgia e a prática pastoral da Igreja.

Com o ambíguo nome de “Missa de Cura” (pois em todas as missas a Palavra e o Corpo de Cristo podem nos curar) se designa uma certa maneira de manipular a celebração desse Sacramento, com interesses diversos que vão desde as melhores intenções até a simonia [venda de bens espirituais]. É necessário evitar que este tipo de celebração se preste à exploração da emotividade, da necessidade de cura e da visão fantasiosa que algumas pessoas podem ter. Acima de tudo, nunca se pode aceitar que se faça negócio com o sofrimento das pessoas.

A Igreja sempre rezou e continua hoje a rezar para pedir o restabelecimento da saúde dos enfermos. O que preocupa é a introdução de certas formas e objetos na oração, e mesmo na liturgia, como que para pressionar a Deus e garantir aos que sofrem que receberão a graça suplicada. Algumas vezes se chega a uma espécie de oferta comercial de curas e de objetos “miraculosos” que as facilitam. Com isso se produzem graves confusões na comunidade, como a de atribuir a graça de Deus a pessoas, lugares, tempos e objetos especiais ou exclusivos.


Junto com as erroneamente chamadas “Missa de cura” também são promovidos exorcismos, unções, orações de libertação e outras práticas que alteram gravemente o sentido da vida sacramental da Igreja. Na realidade, através da catequese e de celebrações dignas, devemos procurar que tanto a Eucaristia como os sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos, instituídos por nosso Senhor Jesus Cristo, ajudem com a graça de Deus às pessoas que precisam de auxílio espiritual.

Como o assunto é vasto e complexo, a partir dos ensinamentos dos últimos Papas e de outros documentos da Santa Sé quisemos escrever esta Carta Pastoral para dar uma instrução mais precisa e completa. Convido os sacerdotes a divulgar esta Carta e os fiéis a que a adquiram. Espero também que seja estudada em grupos e comentada. Acima de tudo, peço encarecidamente que seus ensinamentos sejam postos em prática.

A partir de agora deve ficar claro que devemos celebrar e aproveitar devidamente os sacramentos da Eucaristia, da Penitência e da Unção dos Enfermos; que para celebrar Missas nas quais se queira pedir de modo especial a cura dos enfermos se requer uma permissão por escrito do Bispo e que nelas fica proibido receber qualquer estipêndio ou oferta. Não podem ser mais admitidas formas degradantes de comércio, onde são vendidos serviços religiosos ou objetos benzidos ou onde de alguma forma se cobra para que os fiéis obtenham as graças de Deus.


+ Ricardo Restrepo Tobon
Arcebispo de Medellín

Indicação: Ilma Gimenez