O Papa obriga Müller a despedir três de seus melhores homens em Doutrina da Fe

cardeal-gerhard-muller

Se estende o clima de temor no Vaticano. Segundo vários meios, o motivo seria haver dissentido, em privado, de algumas das atuações públicas do Papa Francisco

Tradução Frei Zaqueu – 3 janeiro, 2017 – Segundo vários meios, o Papa Francisco ordenou ao Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Müller, que despeça três de seus melhores homens no Santo Oficio. Segundo OnePeterFive os três sacerdotes implicados são de nacionalidade eslovaca-americana, francesa e mexicana.

Segundo o vaticanista Marco Tosatti, Müller recebeu a ordem de despedir três de seus melhores homens, os quais trabalharam para ele durante muito tempo sem haver recebido nenhuma explicação. Tal e como registra o especialista em assuntos do Vaticano, Müller recebeu várias cartas oficiais nas que se lhe pedia “devolver a cada um deles a sua Diocese de origem ou à Ordem Religiosa à que pertencia”.

Ante dita petição, Müller ficou bastante surpreendido, já que os sacerdotes eram três dos melhores homens com os que contava dentro da Congregação para a Doutrina da Fé. Por ele, desde o primeiro momento tentou não despedir os religiosos e em várias ocasiões pediu uma audiência com o Papa.

Após várias tentativas, logrou reunir-se com Francisco. Estas foram suas palavras: “Sua Santidade, recebi as cartas, mas não fiz nada porque estas pessoas são o melhor que há em meu Dicastério…que fizeram elas?”.

A resposta do Papa -segundo narra Tosatti- foi a seguinte: “Eu sou o Papa, e não necessito dar nenhuma explicação sobre minhas decisões. Decidi que têm que sair, e têm que sair”. One Peter Five conta que, em seguida, o Papa se levantou e estendeu a mão ao cardeal indicando que a audiência havia terminado.

Em 31 de dezembro, dois dos três homens abandonaram -sem saber a razão de sua expulsão- o Dicastério onde tinham trabalhado durante anos. O terceiro e último homem assinalado parece seguir ainda no Dicastério “por um breve tempo”.

Segundo vários meios, uns dos dois sacerdotes havia dissentido, em privado, sobre certas decisões e atuações públicas do Papa Francisco. Concretamente, um estreito colaborador do Papa escutou um dos comentários e, em pouco tempo, o membro da Congregação para a Doutrina da fé recebeu uma chamada do Papa e a demissão não tardou em chegar.

Tosatti fala de uma “febre autocrática que parece haver estralado no Vaticano” e conclui perguntando-se onde está a “verdadeira misericórdia”. Por último, questiona a maneira e o método no que o Papa Francisco “despede ou margina prelados ortodoxos, sacerdotes oo qualquer que tenha uma posição de influência no Vaticano”.

Assim as coisas, os empregados do Vaticano têm medo de dizer qualquer coisa por temor a ser descobertos por qualquer informante, que se encontram em todas as partes. Sem ir mais longe, no passado mês de novembro relatava InfoVaticana a purga de acadêmicos “críticos” que há tido a Academia Pontifícia pela Vida.

“Até as paredes têm ouvidos”, é a frase que se repete nos dicastérios.

Fonte: http://www.sensusfidei.com.br/2017/01/04/o-papa-obriga-muller-a-despedir-tres-de-seus-melhores-homens-em-doutrina-da-fe/#.WG_SIC0rLIV

Papa Francisco: Mais uma “amigável” mensagem de Natal à Cúria

ap2691408_articolo

Nesta quinta-feira, 22 de dezembro, na Tradicional saudação aos cardeais e bispos da Cúria Romana para abordar a reforma que deseja fazer. Em suas palavras falou sobre as várias formas de “Resistências” que surgem no seio da própria Igreja. Lendo a atualidade, pode-se  dizer que o Papa Francisco tenha dado indiretas aos quatro cardeais ?

“[Há] diferentes tipologias de resistências: Resistências abertas que nascem da boa vontade e do diálogo “sincero”, resistências escondidas que nascem de medrosos e empedernidos, alimentados pelas palavras vazias do “leopardismo espiritual”, que diz querer mudar por palavras, mas deseja que tudo fique na mesma. E existem ainda as resistências malévolas que crescem nas mentes distorcidas e se apresentam-se quando o demônio inspira más intenções, às vezes com pele de cordeiro. Este último tipo de resistência esconde-se atrás de palavras justuficadoras e, tantas vezes, acusadoras, refugiando-se na tradição, nas aparências, nas formalidades[SIC!!!], no que é conhecido, ou então, em querer tornar tudo numa questão pessoal, sem distinguir o ato, o ator e a ação.

A reforma por isso não tem um fim estético para tornar a Cúria mais bela, nem pode ser entendida como uma espécie de “lifting”, de maquiagem ou pintura, para embelezar o velho corpo da cúria, nem mesmo uma operação de cirurgia plástica para tirar as rugas. Caros irmãos, não são as rugas que se devem temer na Igreja, mas as manchas.”

Veja o Vídeo, aqui: http://rr.sapo.pt/video/123046/papa_confronta_a_curia_na_igreja_devemos_ter_medo_das_manchas_e_nao_das_rugas

Ajudar a superar as dúvidas

burke2

Tradução: Frei Zaqueu

Desde que a esquerda intelectual e progressista ditou que não há verdades absolutas, nem dogmas atemporais, nem critérios seguros de certeza, se impôs a DÚVIDA como algo necessário, conveniente e inclusive tonificante para a mente. Já Descartes advertiu que estava disposto a duvidar de tudo, menos de sua própria dúvida. Ficou um pouco curto, porque os teólogos modernistas que lhe acolitaram e superaram séculos depois, duvidam de tudo -inclusive de sua própria dúvida-, ainda que não duvidem de que o modernismo é o mais seguro para caminhar na dúvida. Assim o impuseram na Igreja. Totalmente, que a dúvida se instalou no pensamento como se fosse um okupa1 da mente. E aí temos estado e estamos. Tudo é relativo, tudo se pode expressar de forma relativa e duvidosa. Tudo se pode edificar sobre a diversidade e a inquietude. As perguntas absolutas sobram, porque a realidade mesma é relativa. Não aos dogmas nem às imposições. Não às certezas. Não a tudo. Sim ao não-a-tudo.

Mas sempre aparece alguém que não entende as coisas como são (em sua absoluta-relatividade). Resulta que quatro cardeais vêm agora com dúvidas (dubbia) acerca do dito em Amoris Laetitia. Mas como se atrevem? Com a clareza com que está escrita. É verdade que até agora não haviam verdades absolutas nem dogmas firmes, mas indubitavelmente a Amoris Laetitia vem dar o último toque (o definitivo) a todas as dúvidas sobre o amor matrimonial. Depois de Amoris, já não pode haver dúvidas, caramba! Como se atrevem?

Assim que Francisco se viu impelido a impugná-las. Leva vários dias lançando dardinhos, bandarilhas e zarabatanas contra os cardeais iracundos que se permitem duvidar. Porque neste caso, -saibam todos-, a dúvida não é já mostra de perfeição modernista ou de pensamento filosófico avançado, mas motivo de angústia e medo. Sim. Tanto o medo como a angústia são consequência da dúvida. A dúvida gera incerteza e esta desemboca em debilidade. Assim o tem expressado Francisco em sua catequese desta quarta, inflamado -sem dúvida-, por seu enfado monumental com os quatro indômitos e perturbadores príncipes da Igreja.

Tudo isto, dito pelo Pontífice a propósito das obras de misericórdia, com o frescor da doutrina bergogliana, que sempre traz ar fresco ao coração do cristão. Esta semana tocava aquela que diz: Dar bom conselho ao que necessita. Com total desfaçatez, chega a dizer que isso de dar conselhos aos que necessitam é um verdadeiro ato de amor para as pessoas desorientadas ou que têm dúvidas.

Dar bom conselho ao que necessita é um verdadeiro ato de amor para as pessoas que estão desorientadas ou têm dúvidas.

Ou seja, que não é bom o ter dúvidas e por isso é misericordioso aquele que tira das dúvidas aos pobres enredados na confusão de sua perplexidade. Assim mesmo o diz Francisco: Está bem que nos façamos perguntas acerca de nossa fé, se bem que há que superar as dúvidas. Pois é verdade: estou plenamente de acordo.

Mas não acabo de entender o raciocínio, como o expliquei hoje ao meu Superior depois das Laudes: Se estes pobrezinhos cardeais duvidosos expõem humildemente suas dúvidas a Bergoglio -autor e produtor executivo da Amoris Laetitia- não seria una maravilhosa obra de misericórdia de Francisco acudir imediatamente a tirá-los de sua dúvida e explicar-lhes claramente o significado de suas incertezas e dificuldades? Somente faz falta falar com claridade. Isto é o que parece mais sensato. E com maior razão em una pessoa que se enche a boca de misericórdia (ainda que já tenha terminado o ano dedicado a ela).

Aristóteles o poderia ter expressado assim em pura Lógica:

Há que ajudar aos que duvidam, dando-lhes o bom conselho que necessitam.

Há quatro cardeais que têm dúvidas.

Logo, há que dar-lhes um bom conselho a estes quatro cardeais.

Outro modo de expressá-lo:

Bergoglio diz que a dúvida causa o medo e a angústia.

Há quatro cardeais que têm medo e angústia, porque duvidam de que o conteúdo de Amoris Laetitia possa ser herético.

Logo, há que tirá-los quanto antes da dúvida, para não pensar que o Papa é herege.

É tudo muito fácil. Claro que o método que se lhe pede para sair da dúvida, consiste em dizer SIM ou NÃO. E isto é o pior que se lhe pode pedir a um modernista.

Como encerrar -dirá o modernista de turno-, em categorias absolutas algo tão dinâmico como a fé? O que há que fazer é que a fé seja vida, e assim já não há necessidade de tantas dúvidas. Ou seja, que enquanto a fé se desenreda das teorias (atenção ao termo) e se faz vida, tudo flui e a vida tem outra cor. Passamos do cinza bruno ao arco íris gay. E por suposto, isso faz com que se possa pôr a serviço dos mais necessitados. [Ao final sempre têm que sair os mais necessitados para arrematar o argumento]. Isto é o que disse Francisco, sem mais delongas:

Ademais, o Pontífice pediu que não façamos uma teoria abstrata da fé com a que se multiplicam as dúvidas, e convidou, melhor, a fazer da fé nossa vida, colocando-a em prática no serviço aos irmãos, especialmente aos mais necessitados. E então – disse o Papa ao concluir – tantas dúvidas se desvanecem porque sentimos a presença de Deus e a verdade do Evangelho no amor que sem nenhum mérito nosso, habita em nós para que o compartilhemos com os demais.

Ao fim de todo este imbróglio bergogliano, eu tenho uma só dubbia: Responderá Francisco aos Quatro da Fama? Acudirá veloz a tirar-lhes de suas dúvidas exercitando essa magnífica obra de misericórdia? Será capaz de dizer com claridade, o que disse com ambiguidade em sua já maltratada encíclica? Sairá em auxílio das dúvidas de muitos católicos que já têm expressado seus temores sobre a doutrina aberrante que (duvidam) exista nela?

Se diz que SIM, não haverá dúvida.

Se não responde, não haverá dúvida.

Se diz que NÃO, terá que buscar-se um mosteiro em Buenos Aires.

Sem dúvida.

Frei Gerúndio

Fonte: http://adelantelafe.com/ayudar-superar-las-dudas/

Creditos: Airton Vieira de Souza

FSSPX diz “Não” a Francisco e ao “Acordo”

fotolectura

Al término de la reunión de los superiores mayores de la Fraternidad San Pío X que se llevó a cabo en Suiza, del 25 al 28 de junio de 2016, el Superior General dirige el siguiente comunicado:

La finalidad de la Fraternidad Sacerdotal San Pío X es principalmente la formación de los sacerdotes, condición esencial para la renovación de la Iglesia y para la restauración de la sociedad.

  1. En la gran y dolorosa confusión que reina actualmente en la Iglesia, la proclamación de la doctrina católica exige denunciar los errores que han penetrado en su seno, promovidos, lamentablemente, por un gran número de pastores, incluso por el mismo Papa.
  2. La Fraternidad San Pío X, en el actual estado de grave necesidad que le concede el derecho y el deber de proporcionar los auxilios espirituales a las almas que recurren a ella, no busca ante todo un reconocimiento canónico, al que tiene derecho por ser una obra católica. Lo único que desea es llevar fielmente la luz de la Tradición bimilenaria que señala el único camino que debe seguirse en esta época de tinieblas, en la que el culto del hombre reemplaza el culto de Dios, tanto en la sociedad como en la Iglesia.
  3. La “restauración de todas las cosas en Cristo”, que quería San Pío X siguiendo a San Pablo (Efe. 1, 10), no podrá lograrse sin el apoyo de un Papa que favorezca concretamente el retorno a la Santa Tradición. A la espera de ese día de gracia, la Fraternidad San Pío X quiere redoblar los esfuerzos para restablecer y difundir, con los medios que le da la Divina Providencia, el Reinado social de Nuestro Señor Jesucristo.
  4. La Fraternidad San Pío X reza y hace penitencia para que el Papa tenga la fuerza de proclamar íntegramente la fe y la moral, pues de ese modo acelerará el triunfo del Corazón Inmaculado de María que deseamos, ahora que nos aproximamos al centenario de las apariciones de Fátima.

Mons. Bernard Fellay, Superior General de la Fraternidad San Pío X
Ecône, 29 de junio de 2016
En la fiesta de los Apóstoles San Pedro y San Pablo

Fonte: http://www.fsspx-sudamerica.org/es/news-events/news/comunicado-del-superior-general-mons-b-fellay-16820

O CONSELHO DE D. HELDER A PAULO VI, SEU AMIGO

pauloVIeDHC

No livro “Dom Helder – misticismo e santidade”, do jornalista Marcos de Castro (admirador de Dom Helder Câmara), o escritor relata quais eram, segundo o próprio Dom Helder Câmara, as mudanças que o Arcebispo desejava para a Igreja. São 3 sugestões que Dom Helder fizera ao própria Papa Paulo VI, seu amigo de longa data, em uma das muitas conversas particulares que tiveram. A mais chocante de todas, é a terceira sugestão, que transcrevo a seguir:


” o fim do Vaticano tal como existe hoje.
Sobre o último dos três gestos Dom Helder faz a explanação mais longa:


– Com razão ou sem razão, o Vaticano se tornou um contra-sinal, sobretudo para os jovens. Ah, como seria bom se o senhor pudesse doar o Vaticano à Unesco, a serviço da cultura mundial! O Vaticano com os seus jardins, a sua biblioteca, a sua pinacoteca, que maravilha! Santo Padre, o senhor conhece Roma palmo a palmo. Ah, como seria bom – eu sei que por enquanto o senhor não pode -, o senhor, que conhece cada recanto de Roma, descobrir uma casa pequena, uma casa de dimensão humana, que passasse a ser sua nova casa! Uma casa abrindo para uma praça, de tal maneira que o senhor pudesse receber os peregrinos do mundo, mas recebê-los como gente. Santo Padre, o senhor sabe do respeito imenso que eu tenho por Pedro. Pedro, que tem de fato um papel em nome de Cristo, no seio da colegialidade episcopal, um papel no seio de toda a comunidade cristã universal. E o senhor sabe a amizade pessoal, a devoção pessoal que lhe tenho. Mas eu lhe digo, me perdoe, eu já não posso participar daquelas assembléias de domingo, quando o senhor aparece naquela janela e fica ali tão longe, fazendo aqueles gestos…Ah, me perdoe, mas me dá a impressão de uma marionete! Como eu gostaria de vê-lo no meio do povo! O povo segurando o papa, empurrando o papa, todo mundo dando a mão ao papa, como com certeza faziam com o Cristo. Naturalmente, seus conselheiros dirão que não pode ser, que há o perigo até de um atentado. Me perdoe, Santo Padre, mas todas as noites eu peço para que o papa um dia seja morto. Há tanto tempo que um pastor não morre pelas suas ovelhas…


– Me escreva tudo isso, me escreva tudo isso – foi a reação imediata e pressurosa de Paulo VI.


E, naquele momento, ele mesmo ensinou a Dom Helder como fazer a carta chegar diretamente às mãos dele.”
(Dom Helder, Misticismo e Santidade, páginas 206 e 207, do jornalista Marcos de Castro).

Discurso do Papa à Cúria: Relembra ” doenças”, mas, enfim, agradece…

discursocuria

Encontro do Papa Francisco com a Cúria Romana para as felicitações de Natal
Sala Clementina – Vaticano
Segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Rádio Vaticano

Queridos irmãos e irmãs!

Com alegria, vos dirijo os meus votos mais cordiais de um santo Natal e feliz Ano Novo, que estendo a todos os colaboradores, aos Representantes Pontifícios e de modo particular àqueles que, tendo chegado à idade da reforma durante este ano, terminaram o seu serviço. Recordamos também as pessoas que foram chamadas à presença de Deus. Para vós todos e vossos familiares, a minha estima e gratidão.

No meu primeiro encontro convosco, em 2013, quis salientar dois aspectos importantes e inseparáveis do trabalho curial: o profissionalismo e o serviço, apontando a figura de São José como modelo a imitar. Ao passo que no ano passado, a fim de nos prepararmos para o sacramento da Reconciliação, abordámos algumas tentações e «doenças» – o «catálogo das doenças curiais» – que poderiam afectar cada cristão, cúria, comunidade, congregação, paróquia e movimento eclesial; doenças, que requerem prevenção, vigilância, cuidado e, em alguns casos infelizmente, intervenções dolorosas e prolongadas. Continue lendo

Pregador da Casa Pontifícia fala ao Sínodo anglicano e elogia Reformadores

rani

Caríssimos, Salve Maria!

Não é a primeira vez que Martinho Lutero, louco e herege é elogiado por dignatários católicos. Se são verdadeiras as aparições de Nossa Senhora em La Salete, estamos em pleno cumprimento dos avisos celestes. Não nos baseamos em aparições aqui, mas em Doutrina. Ora, a Verdade não muda, permanece a mesma. Caindo em erro contra a Fé, Lutero foi condenado e, por não querer voltar atrás, excomungado. Hoje seus feitos são elogiados até pelo pregador carismático da Casa Pontifícia, que em solo anglicano, disse, entre outras “citou, inclusive, um dos princípios básicos de Reformadores como Martinho Lutero e Thomas Cranmer: Justificação pela fé. E disse que isso deveria ser pregado com “mais vigor do que nunca”.

Miserere!

Londres (RV) – O Pregador da Casa Pontifícia disse, na terça-feira (25/11), que o 5º centenário da Reforma Protestante é uma oportunidade que “não deveria ser desperdiçada por pessoas que permanecem prisioneiras do passado, e tentam apontar os acertos e erros de cada um”, mas deveria ser visto como uma chance para “dar um salto qualitativo adiante”.

O frade capuchinho Padre Raniero Cantalamessa fez uma pregação inédita na Abadia de Westminster, na capital inglesa, durante a inauguração do 10º Sínodo geral da Igreja da Inglaterra, com a presença da Rainha Elizabeth II. Cantalamessa citou, inclusive, um dos princípios básicos de Reformadores como Martinho Lutero e Thomas Cranmer: Justificação pela fé. E disse que isso deveria ser pregado com “mais vigor do que nunca”.

“Não em oposição às boas obras – isso já está estabelecido – mas sim em oposição ao clamor do povo hoje de que pode se salvar sozinho graças à ciência, tecnologia ou à espiritualidade ‘criada pelo homem’, sem a necessidade de um redentor que vem de fora da humanidade”.

“Unidade não é uma questão simples”, disse ainda o Padre Cantalamessa.

“Nada é mais importante do que preencher o desejo do coração de Cristo pela unidade descrito no Evangelho de hoje”, continuou. “Em muitas partes do mundo pessoas são mortas e igrejas queimadas não porque são católicas, ou anglicanas, ou pentecostais, mas porque cristãs. Aos olhos deles, nós ainda somos um! Que possamos ser um também aos nossos olhos e aos olhos de Deus”. (RB)

Fonte: http://br.radiovaticana.va/news/2015/11/25/pregador_da_casa_pontif%C3%ADcia_fala_ao_s%C3%ADnodo_anglicano/1189346

Padre George, a eminência parda que protege Bento XVI


Secretário pessoal do papa, ele é cada vez mais mediador entre os poderes vaticanos.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no sítioVatican Insider, 19-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Desde o momento da eleição de Joseph Ratzinger, até o site do Avvenire, o jornal da CEI [Conferência dos Bispos da Itália], ao descrever o seu secretário particular, enfatizava mais do que qualquer outra coisa o seu aspecto atlético: “Loiro, de 1,80m, físico esportivo e decididamente um belo homem”. Por muito tempo, foi o único sacerdote de batina preta que detinha a agenda de Bento XVI. Mais do que um mordomo, menos do que um spin doctor. Desde que estourou no Vaticano a“guerra de dossiês” entre a velha guarda próxima do decanoAngelo Sodano e a atual liderança ligada ao secretário de Estado, Tarcisio Bertone, a música mudou.

O padre Georg Gänswein tornou-se, assim como o seu antecessor, Dom Stanislaw Dziwisz, na última parte do pontificado wojtyliano, o centro de gravidade e o mediador dos equilíbrios de uma Cúria em que, entre papéis e venenos, voam corvos e escavam toupeiras. Aos 50 anos, atlético, charme grisalho à la Hugh Grant, filho de um ferreiro daFloresta Negra, de vocação adulta, ex-carteiro e fã do Pink Floyd. Brigava na família por causa do corte de cabelo; depois, a paixão pela bolsa; por fim, o amor definitivo pela teologia. 

Formou-se em direito canônico em Munique e aportou no Vaticano na Congregação para o Culto Divino, para passar, no ano seguinte, à da Doutrina da Fé. Há uma década, a dedicação total a Joseph Ratzinger

O secretário papal não é mais apenas o “anjo da guarda” do apartamento pontifício, mas também o dominusdaqueles Sagrados Palácios que, recém-chegado, descrevia aos meios de comunicação alemães com uma mistura de temor e distância:” O Vaticano também é uma corte e há boatos e fofocas de corte. Mas também há flechas que são lançadas de modo consciente e focado. No início, eu tive que aprender a conviver com isso”. 

Depois, uma confidência que soou quase como uma profecia na atmosfera que se tornou incandescente nos últimos dias por causa das cartas particulares do ex-número dois do GovernatoratoViganò (com acusações de corrupção movidas contra a Secretaria de Estado), da nota confidencial sobre o IOR e do memorando sobre um suposto atentado contra o pontífice: “Um ponto fraco certamente são os rumores. 

Infelizmente, sempre há vazamento de notícias sobre as nomeações, sobre a elaboração de documentos ou sobre medidas disciplinares. Não é só desagradável, há também o perigo de que seja exercida uma influência externa que traga consigo irritações”. 

Desde o tempo passado na Santa Croce, a universidade do Opus Dei, ele parecia ser a antítese do influentíssimo Dziwisz, hoje cardeal de Cracóvia. Sobre as milhares de decisões de governo rotineiras da Igreja, que João Paulo II negligenciava, o seu braço direito tinha uma palavra a dizer. Wojtylareinava, ele governava. À mesa e nas negociações, ele nunca faltava. Ao contrário, assim que Ratzinger subiu ao sólio dePedro, o Pe. George, quase tímido, comparecia e tinha menos influência. O papa alemão falava sempre reservadamente com qualquer interlocutor. 

Agora, no entanto, o Pe. George está por trás de muitas decisões, aplainando arestas. Uma antecipação do “batismo de fogo” como “governante-sombra” ocorreu anos atrás com o caso Boffo: nos bastidores, foi sua a pacificação quando o conflito no Sacro Colégio contrapôsBertone Ruini. Ele se aproxima cada vez mais do “modelo” Stanislaw, o homem mais influente do Vaticano pela sua pr
oximidade com o pontífice. 

Ao escritor compatriota seu, Peter Seewald, ele confidenciou em 2007 que “recebo, às vezes, cartas de amor” e que experimentou a “inveja clerical”. Assim ele descreve a passagem de bastão: “Não existe uma escola de ‘etiqueta papal’. Eu só tive uma conversa a sós com o meu antecessor”. Ocorreu cerca de duas semanas depois da eleição e da entrada no apartamento. “Dom Stanislaw colocou sobre as minhas mãos um envelope em que haviam algumas cartas e a chave de um cofre, um cofre muito velho fabricado na Alemanha. Depois, me disse apenas isto: agora você tem uma tarefa muito importante e muito bonita, mas muito, muito difícil. A única coisa que posso lhe dizer é que o papa não deve ser esmagado por nada nem por alguém. Como fazer isso, você deve entender sozinho”. O conteúdo do envelope é top secret: “São coisas que se transmitem de um secretário do papa a outro”. Discrição útil na Cúria indócil. Stanislaw docet.