“O que tenhas que fazer, faze-o logo”

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MARCELO GONZÁLEZ

tradução frei zaqueu

 

E após o bocado (a Eucaristia), nesse momento, entrou nele Satanás.

Jesus então lhe disse: “O que tenhas que fazer, faze-o logo”.

João XIII, 27

Estamos vivendo um tempo de esperança.

O leitor habitual talvez possa surpreender-se. A Esperança é uma virtude sobrenatural que sustenta nosso desejo de ir ao céu e alcançar as promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Neste sentido, todos os momentos da história são de esperança.

Mas afastando-nos de certo modo da definição estritamente teológica, ainda que sustentados por ela, se pode falar da esperança em sentido mais humano: há etapas da cristandade de grandes triunfos. Para nós tudo isso pertence ao passado. Há séculos, a Igreja e a ordem social cristã vão retrocedendo, até chegar, nas últimas décadas à beira do abismo.

Sempre nos sustenta a Esperança sobrenatural, mas uma coisa é essa Esperança em si e outra encarnada nos fatos históricos, como por exemplo antes e depois da batalha de Lepanto. Antes era, talvez mais puramente, sobrenatural. Em seguida se converteu na prova tangível do poder de Deus para dirigir a história em um sentido contrário ao que todos previam, normalmente concedendo estes triunfos quando as causas segundas, isto é, o que o homem faz para alcançá-los, movem sua Misericórdia e lhe dão a vitória.

Aprofundando o vastíssimo tema que expõe Fátima, nestas vésperas do centenário, se tem a impressão de que os católicos em geral, os bons e fiéis, conhecem somente de um modo superficial o que ali se iniciou. E para muitos é uma devoção a mais. Mas não é assim.

Quanto mais se aprofunda, mais se adverte que Fátima é a inauguração dos tempos finais da história. Inclusive se em La Salette as profecias foram cruéis e explícitas: “Roma perderá a fé e se converterá na sede do Anticristo”. Fátima, cuja mensagem pode suspeitar-se hoje com fundamentos não ter sido completamente revelada, foi, sim, ratificada pela santidade extraordinária dos videntes (extraordinária inclusive se se a compara com os santos de toda a história no caso das crianças), pela certeza de suas profecias, pelo papel que tem tido como advertência para evitar a crise final da Igreja (a mensagem devia revelar-se em 1960) e pelo que ainda não se cumpriu, mas que no texto que irmã Lúcia nos deixou fica em forma assertiva: “Finalmente meu Coração Imaculado Triunfará”.

Promessa não condicionada. Como não foi condicionada a promessa de realizar o grande milagre, o do Sol, em outubro de 1917, ante crentes e incrédulos, piedosos e ímpios. Visto por dezenas de milhares de pessoas, em um raio de mais de 50 kms. Em torno da Cova da Iria.

Certamente, os milagres devem merecer-se. Nosso Senhor os realizou somente a pedido dos que humildemente podiam recebê-los ou por sua própria vontade, quando as multidões de pecadores punham sua esperança nesse extraordinário profeta que logo descobriram era o Messias, o Filho de Deus Vivo. “Tua fé te salvou”. “Vai e não peques mais”. Não realizou milagres ante Herodes, nem ante Pilatos nem muito menos ante os fariseus ao pé da Cruz.

Vivemos a Crucificação da Igreja. Se espera sua Ressurreição ainda que exista muitos momentos terríveis, sem dúvida, pelos que temos de atravessar.

Hoje, os planos de destruição da Igreja estão postos em xeque por diversas circunstâncias que pareciam impensáveis há alguns anos atrás. Tão impensável como que chegasse ao pontificado um personagem tão particular como Bergoglio. A quem curiosamente, em Buenos Aires, muitos católicos apodavam “Judas”, para escândalo de outros muitos.

Hoje esta impressão de um Bergoglio-Judas se tem estendido a todo o mundo. Não é só o pânico que reina na Santa Sé entre os membros dos dicastérios e comissões, de alto e de baixo nível. É também a espionagem (já praticada com frequência em Buenos Aires) dos professores das distintas universidades de Roma que devem alinhar-se sem reservas com a orientação de Amoris Laetitia, a grande pedra com a que tem tropeçado Francisco.

Os mesmos jornalistas, até as agências internacionais, que costumam guardar notável silêncio sobre estes temas, lamentam o destrato e a censura das preguntas que “não são amigáveis”, ou seja, as que se referem ao katejon, ao grande obstáculo para o triunfo da doutrina kasperiana com a que Francisco se tem embandeirado, exposto tão simplesmente por uns cardeais.

Que causou esta soçobra em Francisco e em seu entorno de confiança que o levou a dizer coisas impensáveis, como que os que se empenham em manter a doutrina tradicional e quem os apoiam são espiritualmente “coprófagos”. Sim, já o sabemos: as dubia dos quatro (ou seis, ou trinta segundo os últimos dados) cardeais que apoiam o direito de colocá-las e a necessidade de respondê-las.

Por que não respondê-las e já? Para que gastar tanta energia em insultar a quatro cardeais que pedem esclarecimentos doutrinais? Para que assinalar-lhes tão grosseiramente na imprensa mundial? Para que dedicar-lhes todo o discurso do Papa à Cúria Romana destes dias com motivo do fim de ano, que nesta ocasião se centrou exclusivamente na “resistência” a suas mudanças definida como uma tentação do Demônio?

O motivo é simplíssimo, como o é o Evangelho. Se Francisco responde no sentido kasperiano, fica exposto a ser declarado herege formal. Se responde em sentido tradicional, seus promotores e mantenedores o abandonariam à sua sorte. Os poderes do mundo, com os que tão bem se leva, não lhe perdoariam um passo atrás, nem por razões estratégicas. Talvez ele mesmo, ainda que pudesse, não estaria disposto a dá-lo.

Francisco está entre a espada e a parede.

Quanto mais demore em responder, maior será o poder da oposição a seus desvarios doutrinais. Mais tempo terão as forças conservadoras e tradicionais para articular uma pressão insuportável. O Card. Burke, com sua habitual serenidade, tem dito que considera conveniente fazer uma “correção fraterna” (apresentar um documento assinado por – quantos? – cardeais e bispos corrigindo os erros doutrinais de sua Exortação Apostólica e convidando-o a retratar-se deles. E também que o tempo adequado seria o de Epifania. Isto é, se lhe sugeriu um ultimatum.

A rejeição desta correção produziria um efeito jurídico. O papa Francisco passaria da heresia material à heresia formal, segundo a opinião dos mais respeitados doutores da Igreja através da história. Em seguida vem uma instância ainda discutida. Deve ser deposto? Deve se declarar sua renúncia ao ofício petrino por causa de sua heresia e como tal estabelecer que a Sede ficou vacante e proceder à eleição de outro papa? São as opiniões mais comuns dos doutores. O Card. Burke tem dado a entender que apoia a segunda opinião: deve se deixar o governo da Igreja em mãos de quem habitualmente substitui o Papa durante a transição da Sede Vacante.

Quem podia imaginar um conjunto de cardeais dizendo publicamente estas coisas apenas uns meses atrás? Esta novidadeira intrepidez –bendita seja!- se faz presente apenas a poucos meses do centenário de Fátima. Os tradicionalistas tem reclamado, ao menos a correção fraterna, desde há décadas, sobre matérias doutrinais gravíssimas.

A visão do Segredo de Fátima nos fala de dois bispos. Um que parecia ser o papa, outro que o era. Um deles é morto pelos inimigos da Igreja enquanto caminha pelas ruínas de uma cidade, em meio de cadáveres de clérigos e fiéis. Dois anjos proclamam a necessidade de “Penitência” três vezes, enquanto recolhem em distintos cálices o sangue dos mártires que procede dos braços de uma tosca cruz.

“Finalmente, Meu Coração Imaculado triunfará. O papa consagrará a Rússia, que se converterá. Será dado ao mundo um certo tempo de paz”.

Estamos entrando por fim nesse momento? Eu creio que sim. E isso é um motivo de alegria e esperança. Se para chegar a ele, como para chegar à Redenção, é necessário que alguém entregue Cristo às mãos de seus inimigos (algo que vem sucedendo há muito, mas mais claramente agora), e esse agente do mal é Francisco, “o que deva fazer, que o faça logo”. Se pelo contrário, sua retratação e seu retorno ao caminho da fé fosse um milagroso desígnio de Deus, e o motivo para que sofresse o martírio, também rogamos que faça logo o que deva fazer.

Esclarecimento. Os leitores inadvertidos podem pensar que estes fatos referidos são vaticanofição. Cada afirmação tem fundamento em notícias comprovadas. A imprensa em geral e a TV em particular, formadora da agenda das “coisas que passam”, tem guardado astuto silêncio sobre estes temas, ou os trata superficialmente com um olhar ignorante ou tendencioso. Os fatos, não obstante, parecem iminentes.

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Fonte: http://panoramacatolico.info/articulo/lo-que-tengas-que-hacer-hazlo-pronto

Tradução: Fr. Zaqueu

Bento XVI: ” A publicação do Terceiro segredo de Fátima está completa”

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Ciudad del Vaticano, 21 de mayo 2016.- “La publicación del tercer secreto de Fátima está completa”.

Lo afirma el Papa emérito Benedicto XVI en un comunicado escrito de su puño y letra enviado a la Secretaría de Estado y posteriormente difundido por la prensa vaticana.

Según el texto “algunos artículos han divulgado recientemente declaraciones atribuidas al profesor Dollinger Ingo, según las cuales, el Cardenal Ratzinger, después de la publicación del tercer secreto de Fátima en junio de 2000, le habría confiado que esta publicación no estaba completa.”

“Benedicto XVI -continúa la nota- comunica que nunca ha hablado con el profesor Dollinger acerca de Fátima. Afirma claramente que las observaciones atribuidas al profesor Dollinger sobre este tema son puras invenciones, absolutamente falsas.”

FUENTE: Acistampa
TRADUCCIÓN AL ESPAÑOL: Un puente de fe

EMOCIONANTE TRASLADO DO CORPO DE Ir. LÚCIA PARA FÁTIMA

Emocionante vídeo do traslado do corpo de Ir. Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado para Fátima.
Cumprem-se as palavras de Nossa Senhora de que Lúcia só iria para o céu bem mais tarde, “já vocês – se referindo a Francisco e Jacinta,   virei busca-los em breve”, disse Nossa Senhora, o que aconteceu.

Virgem de Fátima, apressai o triunfo do Vosso Coração Imaculado!

FÁTIMA E A MAÇONARIA





Por  Len Port


«Aldo Moro, historiador maçónico bastante rigoroso, sugere a iniciação de Paulo VI na Maçonaria. O mesmo corrobora o padre Malachi Martín no seu romance, Vatican [Editora Secker e Warburg], publicado em Nova Iorque em 1986, em que acusa Paulo VI de pertencer a uma loja secreta. Também encontramos referências semelhantes no livro All’ombra del Papa Inferno [2001], no qual é mencionada a existência de dois grupos muito diferentes no Vaticano: por um lado, o grupo “maçónico-curial”, formado pelos prelados e pelos membros da Cúria afectos à Maçonaria e, por outro, os sacerdotes que pertencem ao Opus Dei. Ambos os grupos se movimentam numa luta permanente pelo poder no Vaticano. O referido livro faz referência à existência de uma organização chamada Loggia Ecclesia, que estaria activa no Vaticano desde 1971 e da qual fariam parte mais de cem pessoas, cardeais, prelados e monsenhores da Cúria. O livro pormenoriza inclusivamente que as reuniões se realizavam nas noites de quinta-feira, num sotão do Arquivo Secreto do Vaticano, e insinua que o cardeal Samore era o responsável por manter um contacto aberto com o Grão-Mestre da Grande Loja Unida de Inglaterra, o duque de Kent.

Em 1976 aparece uma lista [publicada pela
 Publia Gazette e pelo Bulletin de l’Occident Chrétien, de origem francesa, lista que Ricardo de la Cierva reproduz no seu livro La Masoneria Invisible, Editora Fénix, 2002] dos prelados que pertenciam à citada loja secreta do Vaticano. Perante esta situação, o cardeal Siri encarregou o general Mino de investigar a Cúria e a eventual infiltração da Maçonaria no Vaticano. O general Mino nunca chegou a entregar o resultado da sua investigação, porque morreu num estranho acidente rodoviário em 1977.

A citada lista que o grupo
 Cephas Ministry publica na Internet inclui os seguintes nomes:

BISPOS: Alberto Albondi, bispo de Livorno; Fiorenzo Angelini; Salvatore Baldassarri, bispo de Ravena; Luigi Bettazzi, bispo de Ivera; Gaetano Bonicelli, bispo de Albano; Michele Buro; Mario Ciarrocchi; Donate de Bous; Aldo Del Monte, bispo de Novara; Angelinin Fiorenzo; Antonio Mazza, bispo de Velia; Luigi Maverna, bispo de Chiavari; Marcello Morgante, bispo de Ascoli Oiceno; Francesco Salerno; Mario Schierano, bispo de Acrida e Dino Trabalzini, bispo de Rieti.


ARCEBISPOS: Mario Brini; Annibale Bugnini; Enzio D’Antonio; Alessandro Gottardi; Albino Mensa; Aurelio Sabbatini; Mario Giuseppe Sensi; Antonio Travia e Lino Zanini.


CARDEAIS: Augustin Bea; Sebastiano Baggio; Agostino Casaroli; Achille Liénart; Pasquale Macchi; Salvatore Pappalardo; Michele Pellegrino; Ugo Peletti; Leo Suenens e Jean Villot.


PRELADOS, NÚNCIOS E OUTROS: Ernesto Basadonna, prelado de Milão; Mario Bicarella, prelado de Vicenza; Luigi Dadagio, núncio do Papa em Espanha; Pio Laghi, núncio apostólico delegado na Argentina; Virgillio Levi, de
 L’Osservatore Romano; Paul Marcinkus; Dante Pasquinelli, conselheiro do núncio de Madrid; Roberto Tucci, director da Rádio Vaticano.

Actualmente alguns já faleceram e outros já não ocupam os cargos que constavam na lista da época. A lista publicada na Internet ascende a cento e dezasseis membros da cúria.

João Paulo I passou pelo Vaticano tão fugazmente como um meteorito. Foi eleito pela sua honestidade e pela sua sinceridade, era um homem coerente e franco, mas os seus detractores viam nele um populista que nunca entenderia os assuntos políticos da Santa Sé.


Era um homem de grande humildade, a tal ponto que não queria que os guardas suiços do Vaticano se ajoelhassem à sua passagem. Assim que tomou posse do trono do Vaticano iniciou algumas inovações teológicas que produziram profunda preocupação entre o clero conservador, que não estava disposto a tolerar mudanças relevantes. João Paulo I era partidário do controlo artificial da natalidade, pois estava consciente dos milhares de crianças que morriam de fome por esse mundo fora. Mas também – e isso originou ainda mais preocupação – se mostrou disposto a efectuar uma limpeza no Vaticano, visando especialmente os movimentos especulativos e financeiros. Provavelmente o seu erro foi antecipar-se aos factos, ao anunciar que algumas cabeças iriam rolar. Na lista figurava o cardeal secretário de Estado J. Villot, de quem se suspeitava pertencer à loja maçónica do Vaticano conhecida por
 Ecclesia. Outra cabeça que poderia rolar era a do bispo Marcinkus, devido às suas relações com os banqueiros da loja Propaganda Due, Calvi e Sidona. Também figurava entre os “sujos” o bispo Chicago, monsenhor Cody, que esbanjava os fundos da sua igreja com uma amiga que até o acompanhou a Roma, quando foi nomeado cardeal.

Com as suas novas ideias teológicas, e decidido à “limpeza” dos corruptos no Vaticano, João Paulo I assinou a sua sentença de morte.


Por volta de 23 de Setembro, o Papa possuía já bastante informação sobre as manobras financeiras do Vaticano. Inclusivamente, dispunha de referências sobre outra obscura personagem que se movia nas finanças do Vaticano, monsenhor Pavel Hnilica.


Este, fudador do
 Pro Fratibus, foi o responsável por tentar recuperar a mala que Roberto Calvi levava consigo antes de ser assassinado em Londres. Hnilica estava disposto a pagar milhões por aquela mala, onde supostamente Calvi levava informação valiosa e comprometedora.




O dia 28 de Setembro de 1978 foi o último dia da vida de João Paulo I. Aquele dia, tal como os outros, teve início com uma oração na sua capela privada, um pequeno-almoço frugal, enquanto ouvia as notícias da RAI e procedia ao habitual contacto com os seus secretários, John Magee e Diego Lorenzi. Depois seguiram-se as audiências com o cardeal Bernardin Ganti e o padre Riedmatten. Mais tarde almoçou com os cardeais Jean Villot e os padres Lorenzi e Magee. A seguir ao almoço passeou pelos jardins do Vaticano. Passou a tarde a estudar documentos e teve uma longa conversa com o cardeal Jean Villot, telefonou aos cardeais Giovanni Colombo, arcebispo de Milão e Benelli. Depois, como era seu costume, por volta das oito da noite, retirou-se para rezar o rosário na compnahia de duas freiras e dos seus dois secretários. O jantar foi uma sopa de peixe, feijão-verde, queijo fresco e fruta. Seguidamente voltou a ver os noticiários na televisão. E, finalmente, retirou-se para o seu quarto, morrendo cerca das quatro horas da madrugada.

A sua morte foi encoberta desde o início com infindáveis mentiras e explicações confusas. O Vaticano disse que João Paulo I tinha morrido na cama, lendo
 A Imitação de Cristo, de Tomás de Kempis, uma das obras da literatura cristã mais divulgadas depois da Bíblia, no qual o autor apresenta a vida de Cristo como exemplo. No entanto, mais tarde presumiu-se que aquela versão não seria verdadeira. A madre Vicenza encontrou-o morto no seu escritório, supostamente enquanto examinava um documento secreto enviado pela Secretaria de Estado. E, se era verdade que na sua mesa-de-cabeceira tinha o livro A Imitação de Cristo, o facto é que a causa da morte de João Paulo I não foi esclarecida e o testamento que tinha redigido após a sua nomeação também desaparecera. O seu irmão, Eduardo, de setenta e quatro anos, tinha-o visitado três dias antes da sua morte e explicou: “Nunca nos tínhamos beijado nem abraçado, mas naquela tarde ele quis beijar-me e abraçar-me com força. Perguntei-lhe se estava bem e ele respondeu-me que sim. Mas parti com um estranho pressentimento”. Eduardo conta que no decorrer da conversa que teve com o irmão este terá desabafado: “Até os bancos fundados pelos católicos, que deveriam dispor de gente de confiança, se apoiam em pessoas que de católicos nem o nome têm”.

O abade Ducaud-Bourget diria acerca da morte de João Paulo I: “Com tantas criaturas do diabo a habitar no Vaticano, torna-se difícil acreditar que se tratou de uma morte natural”. David A. Yallop investigou esta morte a fundo e recordou numa entrevista que nenhum médico da Cúria assumiu a responsabilidade de confirmar a sua morte, assinando a certidão de óbito. O seu médico de sempre, o doutor Antonio Da Ros, recusou a hipótese de o Papa sofrer do coração.


Mas estas não foram as únicas contradições suscitadas pela morte de João Paulo I. No seu livro La Santa Allianza, Eric Frattini explica que o termo do café que soror Vicenza levava todas as manhãs ao Pontífice estava intacto quando se descobriu o cadáver, tendo desaparecido depois sem deixar rasto. Também tinham sido substituídos os homens responsáveis pela vigilância habitual do Papa, sem qualquer explicação sobre quem havia dado tal ordem. Hans Roggan, oficial da guarda Suíça, afirmou mais tarde que, no momento em que informou Paul Marcinkus sobre a morte do Pontífice, este não mostrou qualquer admiração. Também ocorreram outros indícios suspeitos, como afirmarem que não tinha havido qualquer autópsia, quando na realidade foram feitas três. Os resultados das referidas autópsias nunca foram tornados públicos.

Relembremos finalmente que foi o padre Giovanni da Nicola quem informou o Sumo Pontífice dos desvios financeiros de Paul Marcinkus e dos seus sócios, através do IOR. Quatro dias depois da morte de João Paulo I, Giovanni da Nicola apareceu enforcado num parque de Roma muito frequentado por travestis e prostitutas. Havia vestígios de luta e tinha o pescoço rasgado, mas a polícia italiana encerrou o caso considerando-o suicídio. O homem que além de Papa mais sabia sobre os segredos do IOR e sobre Paul Marcinckus também tinha sido assassinado.

Para averiguar as causas da morte do Papa João Paulo I foi criada uma comissão de cardeais, dirigida por Silvio Oddi e Antonio Samore. A investigação concluiu que se tratou de “morte natural por enfarte”, mas ainda ficavam muitas perguntas sem resposta e demasiados assuntos sem esclarecimento. A pasta da investigação foi classificada como “segredo pontifício”, tal como ordenou João Paulo II, e foi arquivada numa obscura estante do Arquivo Secreto do Vaticano».
(…) Tendo enfrentado o tema com tanto atraso, depois de cinco papas seguidos terem de certa forma achado que era demasiado escaldante, o Vaticano deve ter pensado que a transferência de Lúcia para o seu local final de repouso poria fim à discussão do Terceiro Segredo. Não foi o que aconteceu. As teorias da conspiração continuam a lavrar. Uma chuva de artigos sensacionalistas, em orgãos de imprensa, blogues e livros fez como que muitos católicos médios se interrogassem também sobre se não haverá mais no Terceiro Segredo que a Igreja não tenha revelado.

Se mais havia, Lúcia levou o segredo para a tumba. Ou não terá levado?


Muito foi dito com base num artigo de um jornal italiano em que o jornalista Vitttorio Messori afirmava que a cela do convento de Lúcia tinha sido selada imediatamente após a sua morte por ordem do cardeal Ratzinger.



“O que lá estiver guardado passará agora pelo crivo de teólogos de confiança e monsenhores enviados, ao que se pensa, pelo próprio cardeal Ratzinger que, como guardião da ortodoxia, deve manter secretas quaisquer tentações da vidente que sempre aparecem nestes casos”, escreveu Vittorio Messori no Corriere della Sera. Estava implícito que Lúcia podia ter deixado escondidos documentos reveladores – talvez diários ou cartas – que podiam embaraçar o Vaticano. Na verdade, diz-se que havia muitos documentos relevantes em português que nunca foram traduzidos nem publicados. O padre Jacinto Farias, dirigente de um painel de investigadores chamado Comissão Científica do Congresso de Fátima, apressou-se a afirmar que os escritos da “Irmã Lúcia não revelariam novos detalhes sobre as apariç] ]>

A CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA JÁ FOI REALIZADA




Dentro de tantas confusões teóricas sobre a Consagração da Rússia, houve uma de que para que a Consagração fosse válida era preciso que o Papa o fizesse com todos os bispos do mundo.

Vejamos o techo da Mensagem: “Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sufrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será consedido ao mundo algum tempo de paz” (Redação feita pela Irmã Lúcia na “Terceira Memória”, de 31 de agosto de 1941, destinada ao Bispo de Leiria-Fátima).

Nossa Senhora afirma que o Santo Padre consagraria a Rússia ao seu Imaculado Coracao e não o Santo Padre e “todos os bispos do mundo”. O Papa Pio XII consagrou especificamente a Rússia em 1952. Isso pode ser comprovado na carta apostolica do dia 7 de Julho de 1952 disponivel no site do Vaticano na carta intitulada “Sacro vergente anno – Consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria” (7 de julho de 1952) da qual destaco um trecho: “Assim como a alguns anos atras, nós consagramos todo genero humano [1942] ao Coração Imaculado da Maria Virgem, Mae de Deus, hoje nós consagramos e de uma forma mais especial confiamos todos os povos da Rússia a este Imaculado Coração … ” (Sacro Vergente Anno, Pio XII)
.
Embora acredito que todos tenha ciência de tal fato, é bom relembrar que: Em 21 de Novembro de 1964 e no termo da 3ª Sessão do Concilio Vaticano II quando Maria foi proclamada Mãe da Igreja, o Papa Paulo VI fez a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria, na presença de todos os bispos, e o Papa João Paulo II na carta de 20 de Abril de 1982, avisa que renovaria as consagrações de Pio XII e de Paulo VI, pedindo a união espiritual com todos os bispos e recomendando às suas orações a peregrinação do Papa a Fátima.

As mesmas consagrações, válidas, da Rússia e do Mundo ao Imaculado de Maria. Aqui já cai por terra qualquer teoria mirabolante para contestar o contrário.


Agradeço, a princípio, ao Gabriel Antunes Mattias pelo envio do artigo acima, porque, através dele, poderemos deixar claros alguns pontos. Por opção própria do sr. Gabriel, o autor do texto não foi revelado, e por isso não podemos aprofundar nosso raciocínio porque não conhecemos a origem do artigo exposto.

Sendo assim, analisaremos apenas o que está escrito. Para isso, vamos dividir as precipitações em dois equívocos, e assim argumentá-los.

Primeiro erro – Nossa Senhora afirma que o Santo Padre consagraria a Rússia ao seu Imaculado Coracao e não o Santo Padre e “todos os bispos do mundo”.

Em 13 de junho de 1929, Nossa Senhora aparece particularmente à Irmã Lúcia; e a pastorinha de Fátima relata tal aparição com as seguintes palavras:

Eu tinha pedido e obtido licença das minhas superioras e confessor para fazer a Hora-Santa das onze à meia-noite, de quintas para sextas-feiras. Estando uma noite só, ajoelhei-me entre a balaustrada, no meio da capela, a rezar, prostrada, as Orações do Anjo. Sentindo-me cansada, ergui-me e continuei a rezá-las com os braços em cruz. A única luz era a da lâmpada. De repente iluminou-se toda a Capela com uma luz sobrenatural e sobre o Altar apareceu uma Cruz de luz que chegava até ao tecto. Em uma luz mais clara via-se, na parte superior da cruz, uma face de homem com corpo até a cinta, sobre o peito uma pomba também de luz e, pregado na cruz, o corpo de outro homem. Um pouco abaixo da cinta, suspenso no ar, via-se um cálix e uma hóstia grande, sobre a qual caíam algumas gotas de sangue que corriam pelas faces do Crucificado e duma ferida do peito. Escorregando pela Hóstia, essas gotas caíam dentro do Cálix. Sob o braço direito da cruz estava Nossa Senhora (era Nossa Senhora de Fátima com o Seu Imaculado Coração na mão esquerda, sem espada nem rosas, mas com uma Coroa de espinhos e chamas). Sob o braço esquerdo, umas letras grandes, como se fossem de água cristalina que corresse para cima do Altar, formavam estas palavras: “Graça e Misericórdia”. Compreendi que me era mostrado o mistério da Santíssima Trindade e recebi luzes sobre este mistério que não me é permitido revelar. Depois Nossa Senhora disse-me: – É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os Bispos do Mundo, a Consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio. São tantas as almas que a justiça de Deus condena por pecados contra Mim cometidos que venho pedir reparação: sacrifica-te por esta intenção e ora. Dei conta disto ao confessor que me mandou escrever o que Nossa Senhora queria se fizesse. Mais tarde, por meio duma comunicação íntima, Nossa Senhora disse-me, queixando-se: – Não quiseram atender ao Meu pedido!… Como o rei de França, arrepender-se-ão e fá-la-ão, mas será tarde. A Rússia terá já espalhado os seus erros pelo mundo, provocando guerras, perseguições à igreja: O Santo Padre terá muito que sofrer. [1]

Dessa forma, a Irmã Lúcia esclarece definitivamente que a ordem de Nossa Senhora é que a Rússia seja consagrada pelo Papa em união com todos os bispos do mundo ao seu Imaculado Coração.

É o Santo Padre quem consagrará a Rússia, mas estando em união com os bispos do mundo inteiro.

Por isso que, em uma das aparições, Nossa Senhora cita apenas o Santo Padre, porque é por Ele que a Rússia deve ser consagrada ao Imaculado Coração, de modo que essa consagração deve ser feita em união com todos os bispos do mundo.

Segundo erro – O Papa Pio XII consagrou especificamente a Rússia em 1952.

Em 26 de dezembro de 1957, a Irmã Lúcia se dirigiu ao Padre Fuentes com as seguintes palavras:

Diga-lhes, Senhor Padre, que a Santíssima Virgem repetidas vezes, tanto aos meus primos Francisco e Jacinta como a mim, nos disse que muitas nações desaparecerão da face da terra, que a Rússia seria o instrumento do castigo do Céu para todo o Mundo, se antes não alcançássemos a conversão dessa pobre nação. [2]

A Carta Apostólica Sacro Vergente Anno, na qual se baseia o autor do artigo para afirmar que a Rússia já foi consagrada por Pio XII ao Imaculado Coração de Maria, foi escrita no ano 1952. Ora, em 1957 a Irmã Lúcia ainda insistia que era preciso consagrar a Rússia ao Imaculado Coração para que essa nação se convertesse.

Para deixar mais claro, em 19 de Março de 1983, muito depois de Pio XII escrever a Sacro Vergente Anno, a Irmã Lúcia falou ao Núncio Papal, Arcebispo Portalupi, ao Dr. Lacerda e ao Padre Messias Coelho: “No ato de dedicação de 13 de Maio de 1982 [quando João Paulo II consagrou o mundo a Nossa Senhora em Fátima], a Rússia não aparecia como sendo o objeto da consagração”. E continuou a dizer: “A Consagração da Rússia não foi feita como Nossa Senhora pediu. Não pude dizer isso porque não tinha licença da Santa Sé”.

Por outro lado, quem afirma que a Rússia já foi consagrada ao Imaculado Coração de Maria pelo Papa Pio XII em 1952 são os Sedevacantistas, porque, para eles, não há Papa no Trono para consagrar a Rússia ao Coração Imaculado e, por isso, necessitam afirmar, erroneamente, que a Rússia já foi consagrada.

Para provar, reproduzimos abaixo uma parte do artigo contido no blog de língua espanhola Sursum Corda, administrado por sedevacantistas.

… a consagración de Rusia se produjo en el 7 de Julio de 1952 por su Santidad Pío XII, como se expone en la “Sacro Vergente amno”, carta apostólica, en la que se nombra a Rusia específicamente (“de manera especial”) aunque no exclusivamente pues também fue consagrada la “entera raza humana”. [3]

Não sei se o autor do precipitado artigo citado pelo Sr. Gabriel é um sedevacantista, mas, se não for, está andando de mãos dadas com eles, mas creio que não consciente. Isto porque é afirmado no mesmo artigo: Em 21 de Novembro de 1964 e no termo da 3ª Sessão do Concilio Vaticano II quando Maria foi proclamada Mãe da Igreja, o Papa Paulo VI fez a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria, na presença de todos os bispos, e o Papa João Paulo II na carta de 20 de Abril de 1982, avisa que renovaria as consagrações de Pio XII e de Paulo VI, pedindo a união espiritual com todos os bispos e recomendando às suas orações a peregrinação do Papa a Fátima (sic).

Ora, Nossa Senhora pediu a Consagração específica da Rússia, e não a do mundo, como relata o Padre McGlynn, em seu livro Vision of Fatima, onde o reverendíssimo expõe o fato de a Irmã Lúcia fazer questão de corrigir “Consagração do mundo” para “Consagração da Rússia”: “Não! O mundo não! A Rússia! A Rússia!”, dizia Irmã Lúcia [4].

Com isso, fica claro que a Rússia ainda não foi consagrada ao Imaculado Coração como Nossa Senhora ordenou: “Deus vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para impedi-la virei pedir as Comunhões de reparação e a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração… Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á à Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz” [5].

Rezemos para que, num futuro próximo – e bem próximo! –, o Papa consagre a Rússia ao Imaculado Coração para que, assim, se cumpra as promessas da Virgem Maria.

No Coração de Jesus e Maria,

Carlos Wolkartt.

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Notas

[1] Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, edição do Pe. António Maria Martins S.J., Porto 1973. O negrito é nosso.

[2] Frère Michel de la Sainte Trinité; Toute la Vérité sur Fatima, Volume III.

[3] Sobre la consagración de Rusia, em http://sursumcordablog.blogspot.com/2009/05/sobre-la-consagracion-de-rusia.html – O negrito é próprio do artigo.

[4] Padre Thomas McGlynn, Vision of Fatima, 1949, pág. 80.

[5] Mensagem de Nossa Senhora a Irmã Lúcia, em 13 de julho de 1917.


IR.LÚCIA: ” NOSSA SENHORA NÃO PEDIU A CONSAGRAÇÃO DO MUNDO, MAS DA RÚSSIA”



A entrevista da Irmã Lúcia ao Sol de Fátima, 
publicação oficial do Exército Azul em Espanha, 
em Setembro de 1985: 
Pergunta:João Paulo II convidou todos os Bispos a associar-se à 
Consagração da Rússia, que ele iria fazer em Fátima em 13 de Maio de 
1982, e que ele renovaria no fim do Ano Santo, em Roma, em 25 de 
Março de 1984, perante a imagem original de Nossa Senhora de Fátima. 
Ele não teria feito, portanto, o que foi pedido em Tuy? 
Irmã Lúcia: Não houve a participação de todos os Bispos e não houve 
menção da Rússia. 
Pergunta: Então a Consagração não foi feita como foi pedida por Nossa 
Senhora? 
Irmã Lúcia: Não. Muitos Bispos não deram importância a este acto. 
A declaração da Irmã Lúcia ao Núncio Papal em 1983:

 Precisamente porque a tentativa de Consagração em 1982 não fez menção da Rússia (e os Bispos não participaram), a Irmã Lúcia disse ao Núncio Papal em Portugal em 19 de Março de 1983 que o Acto de Consagração de 1982 era insuficiente, porque a Rússia não era o objecto da Consagração eos Bispos não participaram numa cerimónia solene pública de consagração da Rússia. E concluiu: “A Consagração da Rússia não foi 
feita como Nossa Senhora pediu. Não pude fazer esta declaração até agora porque não tinha autorização da Santa Sé.”1
A declaração da Irmã Lúcia ao Padre Umberto, publicada em L’Osservatore Romano: 
Em 12 de Maio de 1982, no dia anterior à tentativa de Consagração de 1982, L’Osservatore Romano (edição italiana) publicou uma entrevista de 1978 com a Irmã Lúcia, feita pelo Padre salesiano Umberto Maria Pasquale, que foi “confidente da vidente de Fátima desde 1939.”Durante esta entrevista, que se realizou em 5 de Agosto de 1978, a Irmã Lúcia disse claramente ao Padre Umberto que Nossa Senhora não tinha pedido a consagração do mundo em geral, mas da Rússia especificamente, e só da 
Rússia:
A certa altura disse-lhe: “Irmã, gostava de lhe fazer uma pergunta. 
Se não me puder responder, seja. Mas se puder responder, ficava-lhe 
muito agradecido … Nossa Senhora alguma vez lhe falou da consagração 
do mundo ao Seu Imaculado Coração?”
 “Não, Senhor Padre Umberto! Nunca! Na Cova da Iria em 1917 Nossa Senhora had promised: Virei pedir a Consagração da Rússia … Em 1929, em Tuy, tal como prometera, Nossa Senhora voltou para me dizer que era chegado o momento de pedir ao Santo Padre a Consagração daquela nação(a Rússia).”
A carta manuscrita da Irmã Lúcia, confirmando as suas declarações ao Padre Umberto:
Depois desta conversa, o Padre Umberto pediu à Irmã Lúcia para escrever este esclarecimento. A sua nota manuscrita foi publicada pela primeira vez num folheto produzido em 1980 pelo Cavaleiro da Imaculada, estabelecendo para além de qualquer dúvida que a Consagração do “mundo” não chegava para atender o pedido que Nossa Senhora fizera em Fátima, como a própria Irmã Lúcia viria mais tarde a afirmar depois de ambas as cerimónias de consagração de 1982 e 1984. 
(…)
Eis a transcrição da mesma carta, escrita em 13 de Abril de 1980 ao Padre 
Umberto: 
 Revdº Senhor P. Umberto, 
 Respondendo à sua pergunta, esclareço: Nossa Senhora, em Fátima, 
no Seu pedido, só se referiu à Consagração da Rússia. Na carta que 
escrevi ao Santo Padre Pio XII — por indicação do confessor — pedi a 
consagração do mundo com menção explícita pela Rússia. 
Dedicada sua em união de orações. 
Coimbra, 13 IV-1980. 
(Ir. Lúcia) 
Nesta carta, a Irmã Lúcia confirma para toda a Igreja, na sua própria letra, que a consagração do mundo é exterior à Mensagem de Fátima, e representa, na melhor das hipóteses, a sugestão do seu confessor. Esta sugestão parece ser o resultado de uma ordem do Bispo de Gurza para que a Irmã Lúcia fizesse a Pio XII um pedido de consagração do mundo (além da Rússia), na sua carta de 2 de Dezembro de 1940.
 O que isto parece demonstrar é a cedência da Irmã Lúcia, sob pena de “obediência,” em não insistir clara e inequivocamente no que Nossa Senhora perdiu especificamente. A declaração da Irmã Lúcia 
ao Núncio Papal em 1982:
 Em 21 de Março de 1982, a Irmã Lúcia encontrou-se com o Núncio Papal em Portugal, Revmº Sante Portalupi, precisamente para tratar de como se devia fazer a Consagração que o Papa tinha agendado para 13 de Maio daquele ano. O Núncio foi informado do seguinte: 
A Irmã Lúcia explicou que o Papa devia escolher uma data em que Sua Santidade e todos os Bispos do mundo fizessem, cada um deles na sua catedral e ao mesmo tempo que o Papa, uma cerimónia pública e solene de Reparação e Consagração da Rússia …
A declaração da Irmã Lúcia ao Padre Fuentes em 1957:
 Em 26 de Dezembro de 1957, a Irmã Lúcia fez a seguinte declaração ao Padre Fuentes, Vice-Postulador da causa de beatificação de Jacinta e Francisco: 
 Senhor Padre, a Santíssima Virgem está muito triste por ninguém 
fazer caso da Sua Mensagem, nem os bons nem os maus. … Os bons, 
porque continuam no seu caminho de bondade, mas sem fazer caso desta 
Mensagem. … Diga-lhes, Senhor Padre, que a Santíssima Virgem repetidas vezes nos disse, tanto a mim como aos meus primos Francisco e Jacinta, que muitas nações desaparecerão da face da terra, que a Rússia seria o instrumento do castigo do Céu para todo o mundo, se antes não alcançássemos a conversão dessa pobre nação.”
A declaração da Irmã Lúcia ao historiador William Thomas Walsh:
 Em 15 de Julho de 1946, o eminente escritor e historiador William Thomas Walsh entrevistou a Irmã Lúcia para o seu livro Our Lady of Fatima, que vendeu mais de um milhão de exemplares. Walsh fez perguntas específicas sobre o que era preciso fazer para a Consagração da Rússia, recordando a consagração do mundo ao Imaculado Coração, feita por Pio XII em 1942 — cerimónia esta que a Irmã Lúcia claramente não considerava ter atendido ao pedido de Nossa Senhora: 
 Chegámos finalmente ao assunto importante do segundo segredo de Julho, do qual têm sido publicadas tantas versões diferentes e contraditórias. Lúcia disse claramente que Nossa Senhora não pediu a Consagração do mundo ao Seu Imaculado Coração. O que Ela pediu expressamente foi a Consagração da Rússia. Não comentou, evidentemente, o facto de o Papa Pio XII ter consagrado o mundo, e não a Rússia, ao Imaculado Coração em 1942. Mas disse mais do que uma vez, e com ênfase deliberada: ‘O que Nossa Senhora quer é que o Papa e todos os Bispos do mundo consagrem a Rússia ao Seu Imaculado Coração num dia especial. Se isto se fizer, Ela converterá a Rússia e teremos paz. Se não se fizer, os erros da Rússia espalhar-se-ão por todos os países do mundo.” 

A devoção reparadora dos cinco primeiros sábados do mês






Padre Fabrice Delestre
Preâmbulo
Os dois pedidos de 13 de julho de 1917.
A 13 de junho de 1917, a Santíssima Virgem disse à Lúcia: “Jesus quer estabelecer no mundo a devoção do meu Imaculado Coração”. Depois os três pastorzinhos viram Nossa Senhora tendo em sua mão direita um coração cercado de espinhos. Compreenderam que era o Coração Imaculado de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que pedia reparação.
No dia 13 de julho, a rainha do céu repetiu as mesmas palavras e as esclareceu fazendo dois pedidos concretos e precisos: “Se fizerem o que vou vos dizer, muitas almas serão salvas e haverá paz. […] Voltarei para pedir a consagração da Rússia ao meu Coração Imaculado e a devoção reparadora dos primeiros sábados (do mês).”
De fato, Nossa Senhora realizou perfeitamente sua promessa:
– Ela veio pedir expressamente a consagração da Rússia à irmã Lúcia, em Tuy, na Espanha, em 13 de junho de 1929:
É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio. São tantas as almas que a Justiça de Deus condena pelos pecados contra mim cometidos, que venho pedir reparação:  sacrifica-te por esta intenção e ora.
– Quanto à devoção reparadora dos primeiros sábados do mês, Nossa Senhora veio explicar à Lúcia, no dia 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra na Espanha, onde a vidente era jovem postulante à vida religiosa, nas irmãs dorotéias. Em dezembro de 1927, irmã Lúcia, por ordem de seu confessor, escreveu um relatório dessa aparição, mas por humildade, escreveu este texto na terceira pessoa:
Dia 10 de dezembro de 1925, apareceu-lhe a Santíssima Virgem e, ao lado, suspenso em uma nuvem luminosa, um Menino. A Santíssima Virgem pondo-lhe no ombro a mão, mostrou-lhe ao mesmo tempo um coração que tinha na outra mão, cercado de espinhos. Ao mesmo tempo disse o Menino: “Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe que está coberto de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar”. Em seguida, disse a Santíssima Virgem: Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço, e Me fizerem quinze minutos de companhia, meditando nos quinze mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas.”
Notemos que se o ato de consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria depende diretamente da boa vontade da autoridade hierárquica da Igreja (papa e bispos), a devoção reparadora dos primeiros sábados do mês foi pedida a todos os católicos. Desta prática depende a salvação de muitas almas e mesmo a paz do mundo. Daí a importância de todo aquele que é batizado, saber exatamente em que ela consiste.
Mas antes, vejamos como a divina Providência preparou as almas para receber esta devoção.
Premissas de uma devoção
Nossa Senhora, quando pediu à irmã Lúcia, em 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra, a prática da devoção reparadora dos cinco primeiros sábados do mês, não estava inovando: este pedido celeste aparece como o apogeu de um movimento de piedade nascido muito tempo antes e encorajado pela Santa Sé desde de 1889.
Sábado, dia consagrado especialmente à Santíssima Virgem
Esta tradição  imemorável data, com toda certeza, dos primeiros séculos da Igreja: a presença da Missa de Nossa Senhora nos Sábados,[1] no missal romano de São Pio V, de 1570, mostra a antigüidade desta prática que consiste em honrar especialmente a Santa Mãe de Deus nesse dia da semana, depois de ter consagrado o dia da sexta feira para comemorar a paixão de Nosso Senhor e os sofrimentos de seu Sagrado Coração.
Foi apoiando-se nesta piedosa tradição que os membros das Confrarias do Rosário habituaram-se a consagrar especialmente à Nossa Senhora, quinze sábados consecutivos de cada ano litúrgico: durante esses quinze sábados, eles se aproximavam dos sacramentos e cumpriam exercícios de piedade particulares em honra dos quinze mistérios do santo rosário. Em 1889, o papa Leão XIII concedeu a todos os fiéis uma indulgência plenária a ser ganha durante um desses quinze sábados.
O primeiro sábado do mês
Foi com o grande papa São Pio X que a devoção dos primeiros sábados do mês foi aprovada e encorajada por Roma.. Em 10 de julho de 1905, ele indulgenciou pela primeira vez esta devoção:
“Todos os fiéis que, no primeiro sábado ou primeiro domingo de doze meses consecutivos, consagrarem algum tempo com a oração vocal ou mental em honra da Virgem Imaculada em sua Conceição ganham, cada um desses dias, uma indulgência plenária. – Condições: confissão, comunhão e oração nas intenções do soberano pontífice”.
A devoção reparadora dos primeiros sábados do mês.
Em 13 de junho de 1912, São Pio X concedia novas indulgências à devoção dos primeiros sábados do mês, insistindo muito na intenção reparadora com a qual esta devoção devia ser praticada:
“A fim de promover a devoção dos fiéis para a gloriosa e imaculada Mãe de Deus, e para favorecer o piedoso desejo de reparação dos fiéis (et ad fovendum pium reparationis desiderium) diante das blasfêmias execráveis proferidas contra o seu augusto nome e as celestes prerrogativas desta mesma bem-aventurada Virgem, Pio X, papa pela divina Providência, dignou-se conceder uma indulgência plenária, aplicável às almas dos defuntos, no primeiro sábado de cada mês, por todos aqueles que, nesse dia, se confessarem, comungarem, cumprirem exercícios particulares de devoção em honra da bem-aventurada Virgem Maria, em espírito de reparação como indicado acima (in spiritu reparationis, ut supra) e rezarem nas intenções do soberano pontífice.[2]
Notemos a providencial coincidência das datas: 13 de junho de 1912, são cinco anos, dia por dia antes da segunda aparição de Nossa Senhora em Fátima, durante a qual os três pastorinhos testemunharam a primeira grande manifestação do Imaculado Coração de Maria vendo-o “cercado de espinhos que pareciam enterrados nele”. “Compreendemos, escreveu Lúcia sobre isto em 1941, na sua quarta Memória, que era o Imaculado Coração de Maria  ultrajado pelos pecados da humanidade que queria reparação”.
Os termos empregados por São Pio X anunciam quase exatamente os termos do pedido de Nossa Senhora em Pontevedra, em 1925: nos dois casos, é sublinhada a extrêma importância da intenção reparadora, única capaz de afastar e apaziguar a cólera de Deus.
Em Fátima e em Pontevedra, Nossa Senhora não é, pois, inovadora: ela veio dar a ratificação do Céu e um novo impulso a um movimento de piedade mariano enraizado na mais pura tradição católica, para encorajar a todos nós, a participarmos dele.
A intenção reparadora, chave desta devoção.
Respondamos, primeiramente, a uma objeção que muitas vezes escutamos da parte de pessoas pouco esclarecidas no domínio da fé. Essas pessoas contestam esta devoção afirmando que ela se opõe à perseverança na vida cristã: com efeito, dizem, bastaria praticar uma só vez na vida a devoção reparadora para ter assegurado sua salvação eterna; depois, as almas poderiam fazer o que quisessem, deixar a prática religiosa e cair nos piores pecados, pois estariam de qualquer maneira salvos para a eternidade! É fácil refutar esta objeção: uma alma que cumprir a devoção reparadora com tal espírito não obteria a graça da perseverança final, ligada por Nossa Senhora a esta prática, já que ela não a faria com reta intenção (condição indispensável a todos nossos atos religiosos e de devoção, para receber as bênçãos e graças de Deus) nem com o cuidado de reparar e consolar o Coração de Maria! Tal prática equivaleria, ao contrário, em abusar gravemente da misericórdia de Deus, utilizando a promessa da salvação eterna feita por Nossa Senhora para legitimar todos os pecados que fossem cometidos em seguida; isto é o pecado de presunção de sua salvação que é um dos sete pecados contra o Espírito Santo!
Reparar pelos pecadores.
As almas que querem praticar a devoção dos primeiros sábados do mês conforme a vontade do Céu, devem fazê-la na intenção geral de reparar e consolar Nossa Senhora, em substituição dos pobres pecadores que ultrajam e blasfemam contra ela: trata-se, por caridade fraterna, de “implorar o perdão e a misericórdia em favor das almas que blasfemam contra Nossa Senhora porque, a essas almas, a misericórdia divina não perdoa sem reparação”.[3] Foi isso que afirmou Nosso Senhor a Lúcia em 29 de maio de 1930, depois de ter revelado as cinco espécies de ofensas e de blasfêmias que se trata de reparar (infra):
Eis, minha filha, porque motivo o Imaculado Coração de Maria me inspirou  para pedir esta pequena reparação e em consideração a ela, comover minha misericórdia  para perdoar às almas que tiveram a infelicidade de ofendê-lo. Quanto a ti, procure sem cessar, por tuas orações e teus sacrifícios, comover minha misericórdia em relação às pobres almas.”
Esta intenção reparadora, movida pela caridade fraterna, deveria nos dar um grande zelo para cumprir a devoção dos primeiros sábados não apenas cinco vezes em nossa vida, para assegurar a salvação pessoal, mas cada  primeiro sábado, a fim de permitir a salvação  eterna do maior número possível de pecadores. Porque aí está um dos grandes objetivos da devoção reparadora ao Imaculado Coração de Maria: “salvar almas, muitas almas, todas as almas”. [4]
Ora, o conjunto de acontecimentos sobrenaturais de Fátima, Pontevedra e Tuy nos mostra claramente e repetidas vezes, que são muitas as almas condenadas à eternidade:
– A 13 de julho de 1917, os três pastorinhos têm a visão do inferno, que está longe de ser um lugar vazio:
Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo […]. Mergulhado nesse fogo, os demônios e as almas […] almas flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas, que delas mesmas saíam, com nuvens de fumo caindo para todos os lados, semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e de desespero que horroriza e fazia estremecer de pavor. [5]
– A 19 de agosto de 1917, no fim da aparição, Nossa Senhora diz aos três videntes:
Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores; que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas. [6]
– A 13 de junho de 1929, na aparição de Tuy, Nossa Senhora concluiu a teofania trinitária com a qual Lúcia foi gratificada, por essas terríveis e surpreendentes palavras:
São tantas as almas que a Justiça de Deus condena por pecados contra mim cometidos que venho  pedir reparação. Sacrifica-te por esta intenção e reza.
Irmã Lúcia sempre afirmou que o número de almas danadas era muito grande. Ela conclui assim sua carta para um jovem, tentado a abandonar o seminário: “Não se surpreenda se falo tanto do inferno. Esta é uma verdade que é necessária lembrar muito nos tempos presentes, porque é esquecida: é um turbilhão de almas que caem no inferno. Então, o senhor não acha que são bem empregados todos os sacrifícios que é preciso fazer para não ir para lá e para impedir que muitos outros caiam lá?”. [7] E ao Padre Lombardi que, em outubro de 1953, a interrogou sobre o inferno, ela respondeu: “Padre, numerosos são aqueles que são condenados.[…] Padre, muitos, muitos se perderão.”
Obter a conversão de um pecador
É também louvável e frutífero praticar esta devoção para obter a conversão desse ou daquele grande pecador de nossas relações. A carta da irmã Lúcia ao bispo titular de Gurza, de 27 de maio de 1943, já citada, esclarece muito bem sobre o poder e eficácia sobrenatural da devoção aos Santíssimos Corações de Jesus e Maria:
Os Santíssimos corações de Jesus e Maria amam e desejam este culto [para com o Coração de Maria] porque dele se servem para atrair todas as almas a eles e isto é tudo o que desejam: salvar as almas, muitas almas, todas as almas”. Nosso Senhor me dizia, há alguns dias: “Desejo ardentemente a propagação do culto e da devoção ao Coração de Maria porque este Coração é o ímã que atrai as almas para mim, a fornalha que irradia na terra os raios de minha luz e de meu amor, fonte inesgotável de onde brota na terra a água viva de minha misericórdia”.
Pondo toda sua confiança no Imaculado Coração de Maria, muitos católicos portugueses praticaram a devoção reparadora dos cinco primeiros sábados em favor de um próximo, grande pecador e bem afastado da vida cristã. Entre outros, este belo testemunho de uma senhora de Guimarães (norte de Portugal), publicado no boletim de agosto de 2001 da Cruzada Eucarística das crianças de Portugal: esta mulher conta que ela tinha um irmão repatriado de Moçambique, que era um revoltado e um blasfemador. Tinha abandonado a esposa legítima para viver com outra mulher, da qual tinha dois filhos. Para obter do Imaculado Coração de Maria a sua conversão, sua irmã fez por ele e em seu lugar, a devoção dos cinco primeiros sábados do mês:
No começo de agosto de 1981, meu irmão estava muito mal. Quando lhe perguntaram se queria ver um padre, proferiu blasfêmias contra os padres. Como a doença se agravava, deu entrada em um hospital de Braga. Os outros doentes diziam que ele não tinha um momento de repouso, nem de dia, nem de noite e que não deixava ninguém em paz. Para grande estupefação de todos, em 18 de agosto de 1981, pediu várias vezes um padre. Dois padres vieram administrar os últimos sacramentos. Imediatamente depois que eles saíram inclinou a cabeça para o lado e morreu. Sem dúvida, foi o Coração Imaculado de Maria que salvou meu pobre irmão, que fora tão pecador. Não queria olhar para ele depois de morto, temendo ver seu rosto deformado como o tinha durante sua doença. Mas não pude resistir e me aproximei durante a missa, que teve lugar na capela do hospital. Ele não parecia o mesmo homem! Estava tão bonito, sorridente. Parecia que sua amargura se transformara em alegria”.
O que é preciso fazer
Uma alma cristã que deseje realizar perfeitamente a devoção reparadora dos primeiros sábados do mês deve fazer, durante cinco primeiros sábados consecutivos, na intenção geral de reparar seus próprios pecados e os de toda a humanidade, junto ao Coração Imaculado de Maria, quatro atos diferentes de piedade:
1 –  A confissão, que pode ser antecipada, até mesmo mais de oito dias, se for impossível ou muito difícil se confessar no primeiro sábado. O mais importante é ter a intenção, se confessando, de reparar o Coração Imaculado de Maria. (É preciso também, naturalmente,  estar em estado de graça no primeiro sábado do mês a fim de fazer uma boa e frutífera comunhão.) A intenção reparadora deve ser dita ao confessor? Irmã Lúcia nunca mencionou se é preciso dizer alguma coisa ao padre. Uma formulação interior, puramente mental, é suficiente. Nosso Senhor até mesmo acrescentou que aqueles que esquecessem de formular a intenção reparadora “poderão formulá-la na confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem para se confessar.” [8]
2 – Recitação do terço: Nossa Senhora, em Fátima, insistiu muito na recitação quotidiana do terço. Foi esse o único pedido que ela repetiu para as crianças em todas as seis aparições, de 13 de maio a 13 de outubro de 1917: nesse dia revelou aos pastorinhos sua identidade: “Sou Nossa Senhora do Rosário”. Não é, pois, de espantar que a recitação do rosário seja encontrada na devoção reparadora dos primeiros sábados . Além disso, como não existe oração vocal mais mariana do que o terço, convém que este seja integrado a essa devoção já que se trata de reparar as ofensas feitas à Nossa Senhora e a seu Coração Imaculado.
3 – Os 15 minutos de meditação sobre os 15 mistérios do rosário: Trata-se de “fazer companhia a Nossa Senhora durante15 minutos, meditando sobre os 15 mistérios do rosário, em espírito de reparação”. Isto não quer dizer que se deva meditar todo primeiro sábado sobre os 15 mistérios em sua totalidade, passando um minuto em cada mistério. Ao contrário, cada alma está livre para organizar seu quarto de hora de meditação como entender, desde que o objeto da meditação seja os mistérios do rosário. Algumas almas preferirão meditar o mesmo mistério durante vários primeiros sábados, outras um mistério diferente cada primeiro sábado, outras ainda três mistérios cada primeiro sábado (cinco minutos por mistério), etc. Sendo as almas diferentes umas das outras, é normal que tenham gostos e necessidades espirituais diferentes; é por isso que a Igreja sempre teve o cuidado de deixar aos fiéis uma grande amplidão para cada um organizar sua vida espiritual.
4 – A comunhão, que é o ato essencial da devoção reparadora. Para compreender bem toda sua importância, convém colocá-la em paralelo com a comunhão das nove primeiras sextas-feiras do mês, pedidas pelo Sagrado Coração em Paray-le-Monial e com a comunhão milagrosa dos três pastorinhos de Fátima, no outono de 1916: o Anjo da Guarda de Portugal deu então a esta comunhão um espírito eminentemente reparador, repetindo seis vezes com as crianças (três vezes antes da comunhão e três vezes depois) as palavras que são chamadas a segunda oração do Anjo:
Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo Corpo, Sangue Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que ele mesmo é ofendido; e pelos méritos infinitos de seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.”
No contexto da atual crise da Igreja é certo que esta intenção reparadora toma uma nova dimensão: quantas irreverências, sacrilégios são causadas pela reforma litúrgica de Paulo VI: não apenas pela comunhão dada na mão, como também distribuída a todos os assistentes sem nunca lembrar a necessidade do estado de graça; pela supressão das marcas de adoração ao Santíssimo  Sacramento, etc. Hoje, a comunhão dos primeiros sábados deve ser feita para reparar todas essas profanações.
Um último ponto importante: a prática da devoção reparadora em seu conjunto “será aceita no domingo que segue o primeiro sábado, quando meus padres, por motivos justos, o permitirem às almas.” [9] É pois, aos padres, e não à consciência individual de cada um, que Jesus confia o cuidado de conceder esta facilidade suplementar, tão misericordiosa. Por essa concessão, talvez Nosso Senhor fizesse alusão a estes tempos em que estamos, onde não é sempre fácil aos fiéis assistir à verdadeira missa no sábado. Em todo caso, esta disposição torna mais fácil a prática da comunhão reparadora para os católicos fiéis de hoje.
Disposições requeridas
É muito simples praticar a devoção reparadora dos primeiros sábados do mês. Está ao alcance de toda alma que põe um mínimo de generosidade na base de sua vida cristã, ainda mais que o Céu deu uma grande amplidão para a confissão e a comunhão. Infelizmente, muitas vezes, a ignorância, a moleza espiritual e a negligência se conjugam para afastar as almas, mesmo as mais fiéis, desta prática que, no entanto, é tão salutar, já que Nossa Senhora a ligou à perseverança final e à salvação eterna: “Prometo assisti-las na hora da morte com todas as graças necessárias à sua salvação.” [10]
A desproporção entre a pequena devoção pedida (os primeiros sábados de cinco meses  consecutivos, uma só vez na vida!) e a graça prometida (a salvação eterna de sua alma) ilustra de maneira estrondosa o grande poder de intercessão concedido à Virgem Maria para a salvação de nossas almas: Nossa Senhora é verdadeiramente, em virtude de sua maternidade divina, nossa advogada e nossa medianeira junto ao coração de Deus. Padre Alonso,  claretiano espanhol que foi o grande especialista de Fátima até sua morte em 1982, escreveu sobre este assunto:
A grande promessa [da salvação eterna] não é nada mais do que uma nova manifestação deste amor de complacência da Santíssima Trindade para com a Virgem Maria. Para aquele que compreende isto é fácil admitir que a humildes práticas estejam ligadas maravilhosas promessas. Ele se entrega então filialmente à elas com um coração simples e confiante na Virgem Maria.” [11]
Em algumas linhas o Padre Alonso nos desvenda algumas boas disposições necessárias para fazer bem esta devoção:
– uma grande simplicidade e humildade de coração;
– uma devoção marial inteiramente filial e cheia de confiança.
O Menino Jesus, aparecendo à irmã Lúcia em 15 de fevereiro de 1926, nos dá a terceira disposição necessária:
– um fervor profundo.
Com efeito, nesse dia, irmã Lúcia dirigiu estas palavras ao Menino Jesus:
Mas meu confessor dizia em sua carta que esta devoção não fazia falta ao mundo porque já havia muitas almas que  vos recebia  todo primeiro sábado, em honra de Nossa Senhora e dos quinze mistérios do rosário”.
O Menino Jesus lhe respondeu:
É verdade, minha filha, que muitas almas começam, mas poucas vão até o fim; e aquelas que perseveram, não fazem para receber as graças que estão prometidas. As almas que fazem os cinco primeiros sábados com fervor e com o fim de reparar o Coração de tua Mãe do Céu me agradam mais do que aquelas que fazem quinze, sem ardor e indiferentes”.
Para falar agora da quarta disposição requerida para esta prática é preciso lembrar que o Céu nos pede cinco primeiros sábados de cinco meses consecutivos, e não nove, doze ou quinze. Porque este número? Lúcia perguntou a Nosso Senhor durante uma Hora Santa, em 29 de maio de 1930, em Tuy, e lhe foi respondido:
Minha filha, o motivo é simples. Há cinco espécies de ofensas e de blasfêmias proferidas contra o Coração Imaculado de Maria:
1 – as blasfêmias contra a imaculada conceição da Virgem Maria;
2 – as blasfêmias contra sua virgindade;
3 – as blasfêmias contra sua maternidade divina, recusando ao mesmo tempo reconhecê-la como mãe dos homens;
4 – as blasfêmias daqueles que procuram publicamente por no coração das crianças a indiferença ou o desprezo, ou mesmo o ódio em relação a esta Mãe imaculada;
5 – as ofensas dos que a ultrajem diretamente nas suas santas imagens.
Ai está, minha filha, o motivo pelo qual o Coração Imaculado de Maria me inspirou para pedir esta pequena reparação”.
Como, hoje em dia, não pensar nos ataques à dignidade, aos privilégios, às honras devidas à Virgem Maria, perpetradas pelos próprios homens da Igreja? Lembremos o que se passou no concilio Vaticano II, onde, longe de definir a mediação universal e a corredenção de Nossa Senhora, como muitos pediam, os bispos progressistas conseguiram fazer rejeitar o esquema sobre a Virgem Maria para pô-lo como simples anexo no esquema sobre a Igreja e isto para agradar aos protestantes; triste concílio, onde nem mesmo um só texto cita o terço como devoção a ser encorajado junto aos fiéis. Seguiu-se uma diminuição considerável do culto mariano em toda a Igreja. A impiedade da nova religião para com Nossa Senhora é certamente para ser incluída na intenção reparadora daqueles que praticam a devoção dos primeiros sábados.
Notemos que as três primeiras espécies de blasfêmias que se trata de reparar vão contra três dogmas de fé definidos. Pode-se então acrescentar uma quarta disposição às três já citadas:
– convém fazer esta devoção reparadora com espírito de fé e para pedir a Nossa Senhora a insigne graça de conservar a verdadeira fé católica em nossas almas, até a hora da nossa morte, no meio da apostasia geral do mundo que nos cerca, nutrido por utopias malsãs, de revoltas e de impiedade.
                                                                      
Tomemos a peito reparar a honra de Nossa Senhora, tão ultrajada pela ingratidão dos homens e para isso utilizemos a devoção que ela mesmo veio nos indicar, pedindo-lhe com insistência e perseverança as boas disposições de alma para bem praticá-la.
 Revista Le Sel de la Terre, nº 53
Nota: Nas nossas capelas, a missa do 1º Sábado do mês é celebrada:
– 7:30 da manhã, na Capela São Miguel – Rio de Janeiro
– 18:30 na Capela Nossa Senhora da Conceição – Niterói
                                                                      

[1] De Beata Maria Virgine in sabbato.
[2]  – AAS, t. 4, 1912, p 623.
[3] Carta de irmã Lúcia de 31 de março de 1929.
[4]  Carta de irmã Lúcia em 27 de maio de 1943 ao bispo titular de Gurza
[5]  Terceira  Memória de irmã Lúcia, 31 de agosto de 1941
[6]  Quarta memória, 8 de dezembro de 1941.
[7] Citado por A.  M. MARTINS, Cartas da Irmã Lúcia,  Porto. 1979, p.122.
[8]  – Aparição de Nosso Senhor a irmã Lúcia em 15 de fevereiro de 1926
[9] – Aparição de Nosso Senhora a irmã Lúcia , na noite de 29 para 30 de maio de 1930.
[10] – De Nossa Senhora à irmã Lúcia em 10 de dezembro de 1925.

[11] – Padre Joaquim Maria ALONSO, La gran promesa Del corazon de Maria en Potevedra, Madri, Centro Mariano, 1977, p.45.