Dom Athanasius Schneider pede ao Papa um novo SYLLABUS

Um verdadeiro furacão passou ontem, 17 de Dezembro de 2010, por Roma, a dois passos da basílica de São Pedro: um bispo propôs, nada mais nada menos, que… recolocar em prática o magistério infalível da Igreja.
Com efeito, desde 16 de dezembro, realiza-se em Roma um importante colóquio intitulado “Concílio Vaticano II, um concílio pastoral – Análise histórica, filosófica e teológica”. Organizado pelos corajosos Franciscanos da Imaculada, este colóquio se realiza nas salas de conferência de Santa Maria Bambina, atrás da colunata de Bernini, próximo ao Palácio do Santo Ofício, num quase silêncio midiático, apesar da atualidade do tema com relação ao pontificado de Bento XVI e da qualidade dos intervenientes.
Duas intervenções esperadas marcaram o primeiro dia: a de Mons. Gherardini, autor do livro Concilio Vaticano II, un discorso da fare, e a do professor Roberto de Mattei, historiador italiano, autor de um recente livro sobre o concílio, intitulado Il Concilio Vaticano II. Una storia mai scritta (disponível por ora apenas em italiano, edições Lindau). Ambos responderam às críticas que os seus trabalhos levantaram, aliás, muito paradoxalmente, do meio conservador, em cujo seio há alguns raros defensores da infalibilidade do Concílio.
Ontem, 17 de dezembro, Dom Schneider, bispo auxiliar de Karaganda, causou alvoroço com sua conferência sobre o tema do culto a Deus como fundamento teológico da pastoral conciliar. Propondo um longa coletânea de citações, teologicamente muito ortodoxas, extraídas dos textos conciliares, apresentou à assistência textos escolhidos de um Vaticano II, de certo modo, “mais ortodoxo que Trento”. A captatio benevolentiae
Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Karaganda, Cazaquistão.

Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Karaganda, Cazaquistão.
foi particularmente eficaz: a assistência esperava o que estava por vir, suspenso nos lábios do bispo. É então que, denunciando a interpretação errônea deste concílio no período pós-conciliar, o bispo conclui a sua intervenção sugerindo… a redação de um Syllabus que condene infalivelmente “os erros de interpretação do Concílio Vaticano II”.
Pois, segundo Dom Schneider, só o magistério supremo da Igreja (do Papa ou de um novo concílio ecumênico) pode corrigir os abusos e os erros nascidos do Concílio e retificar sua compreensão e sua recepção à luz da tradição católica. Respondendo um pedido de esclarecimento, fez a sua douta assistência cair no riso ao considerar que não era possível reunir um concílio em menos de 500 anos. Cabe, portanto, ao magistério supremo do Papa. Daí seu pedido por um novo Syllabus, onde figurariam face à face os erros condenados e a sua interpretação ortodoxa.
Como tantos e tantos outros há 40 anos, é, pois, ao juízo infalível do Papa “reformulando” o Vaticano II que se está apelando. Com exceção de que, desde a “liberação da palavra” operada por Bento XVI, são doravante os personagens oficiais que interpõe o pedido.
Tradução: Fratres in Unum.com

IRAQUE: NATAL ATRÁS DOS MUROS


Arcebispo de Mossul propõe conferência sobre minorias no Oriente Médio

BAGDÁ, sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – Erguer muros de três metros ao redor das igrejas de Bagdá e de Mossul para proteger os cristãos de possíveis ataques de extremistas. Esta é a proposta do governo iraquiano para enfrentar as crescentes ameaças à comunidade cristã.
Os muros teriam pontos de acesso controlados pela polícia, para permitir aos fieis entrar nos templos.
Assim o governo afirma demonstrar sua determinação em evitar que se repita um massacre, como o da catedral católica síria de Bagdá, onde, a 31 de outubro, 58 pessoas morreram e 70 ficaram feridas.
Normalmente, as celebrações de Natal acontecem nas igrejas e nos parques. Mas este ano os responsáveis eclesiásticos aconselharam os fiéis a que limitem as festividades, para reduzir ao máximo os riscos.
Delegação
Estrasburgo (França) recebeu esta semana a visita de uma delegação de bispos iraquianos em visita ao Parlamento Europeu e ao Conselho da Europa.
O arcebispo de Mossul, Dom Basile Georges Casmoussa; o vigário patriarcal caldeu de Bagdá dos sírios, Dom Matti Shaba Matoka, e o vigário patriarcal caldeu de Bagdá, Dom Shlemon Warduni, expuseram a situação dos cristãos no país.
Dom Casmoussa propôs “uma grande conferência internacional, que se poderia celebrar no Iraque ou se possível no Líbano, dedicada à tutela das minorias presentes no Oriente Médio.
O presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, destacou a necessidade de que o Iraque proteja os cristãos. Ele assegurou à delegação que pediu ao departamento de política exterior que enfrente o problema como prioritário.
Os bispos da delegação iraquiana receberam uma mensagem, assinada por 160 deputados, que se afirmaram “determinados” a não deixar os cristãos sozinhos no Oriente Médio e a “defender a democracia, os direitos humanos e a liberdade de religião.

SANTA SÉ CONDENA ASSEMBLÉIA PATRIÓTICA DA CHINA


A Santa Sé considera lamentáveis as nomeações feitas durante ela


CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – “Com profunda tristeza”, a Santa Sé lamentou a realização, de 7 a 9 de dezembro, em Pequim, da 8ª Assembleia de Representantes Católicos Chineses.
“A maneira como ela foi convocada e realizada manifesta uma atitude repressiva do exercício da liberdade religiosa, algo que se esperava já ter sido superado na China de hoje”, disse um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, divulgado hoje.
“A Assembleia tem tornado mais difícil o caminho da reconciliação entre católicos das ‘comunidades clandestinas’ e o das ‘comunidades oficiais’, com o qual inflige uma ferida profunda não só à Igreja na China, mas também à Igreja universal”, adverte o texto.
E acrescenta: “A Santa Sé deplora o fato de que a realização da referida Assembleia, bem como a recente ordenação episcopal sem o mandato indispensável do Papa, tenham lesado unilateralmente o diálogo e o clima de confiança que se havia estabelecido em suas relações com o governo da República Popular da China”.
A Santa Sé declarou que “o persistente desejo de controlar a esfera mais íntima da vida dos cidadãos, a da sua própria consciência, e de interferir na vida interna da Igreja Católica, não faz jus à China”.
“Pelo contrário, parece ser um sinal de medo e fraqueza ao invés de força, de intolerância intransigente e de falta de abertura à liberdade e ao respeito efetivo pela dignidade humana, como a uma distinção correta entre as esferas civil e religiosa.”
Referindo-se àqueles que participaram da reunião da assembleia controlada pelas autoridades chinesas, a Santa Sé disse que “cada um dos presentes sabe em que medida é responsável diante de Deus e da Igreja”.
Ao mesmo tempo, indica o comunicado, a Santa Sé “manifesta o seu profundo apreço por aqueles que, de várias maneiras, deram testemunho de sua fé com coragem; e convida os demais à oração, à penitência e, através de suas obras, a reafirmar seu compromisso de seguir a Cristo com amor, em plena comunhão com a Igreja universal”.
“Àqueles que se perguntaram como é possível que o seu próprio bispo ou seus próprios sacerdotes tenham participado da Assembleia, a Santa Sé pediu que permanecessem firmes e pacientes na fé; são convidados a levar em conta as pressões experimentada por muitos dos seus pastores e a rezar por eles; e exortados a prosseguir com valentia, sustentando-os diante das imposições injustas que encontram no exercício do seu ministério”, indica o texto.
Durante a Assembleia, elegeu-se, entre outras coisas, o presidente nacional da Associação Patriótica Católica da China – o bispo de Linyi, Dom Johan Fang Xinao – e o presidente do Conselho dos Bispos Chineses – o bispo de Kunming, Joseph Ma Yinglin.
Nesse sentido, a Santa Sé considerou “profundamente lamentável que um bispo ilegítimo tenha sido designado como presidente” do Conselho dos Bispos Chineses.
E destaca que “também é lamentável que um bispo legítimo tenha sido nomeado presidente da Associação Patriótica Católica da China”.
O comunicado refere ainda que “o atual Colégio dos Bispos Católicos da China não pode ser reconhecido como uma Conferência Episcopal pela Sé Apostólica”.
Quanto à Associação Patriótica da China, ressalta que seus princípios de independência e autonomia, autogestão e administração democrática da Igreja são “incompatíveis com a doutrina católica”.
Perda de confiança
O 8º Congresso Nacional da instituição controlada pelo governo comunista “foi imposto a muitos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos”, lamentou a Santa Sé.
Nesse sentido, a Santa Sé voltou a condenar o fato de que muitos bispos e sacerdotes foram obrigados a participar da Assembleia, qualificando isso como uma “grave violação dos seus direitos humanos”.
Por outro lado, “reafirmando seu desejo sincero de diálogo, sente-se compelida a declarar que os atos inaceitáveis e hostis, como os mencionados anteriormente, provocam nos os fiéis, tanto na China como em outros lugares, uma grave perda da confiança necessária para superar as dificuldades e construir um relacionamento correto com a Igreja, em benefício do bem comum”.
Finalmente, destaca a urgência do convite que o Papa dirigiu aos católicos do mundo, no dia 1º de dezembro passado, a rezar pela Igreja na China, que está passando por um momento particularmente difícil.

“POR TODA PARTE A IGREJA DE CRISTO SE DIFUNDE GRAÇAS A CRIANÇAS SANTAS”




                                                                                                              de Paolo Mattei

 “O centenário do decreto Quam singulari é uma oportunidade providencial para lembrar e insistir em que as crianças tomem a primeira comunhão tão logo atinjam a idade da razão, que hoje parece até ter-se antecipado. Não é recomendável, portanto, a prática cada vez mais comum de aumentar a idade para a primeira comunhão. Pelo contrário: é preciso antecipá-la ainda mais.” São palavras extraídas de um artigo do cardeal Antonio Llovera Cañizares, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, publicado no L’Osservatore Romano de 8 de agosto de 2010. O artigo do cardeal Cañizares sugeriu-nos o conteúdo da seção “Nova et Vetera” deste mês: é um artigo de Lorenzo Cappelletti de abril de 1998, no qual, entre outras coisas, são reapresentados os oito pontos normativos do decreto Quam singulari, promulgado em 1910 por Pio X. O papa Sarto, que já em 1905, ao publicar o decreto Sacra Tridentina Synodus, tinha convidado todos os fiéis na idade da razão à comunhão frequente – hábito que se enfraquecera fortemente desde a época em que o “contágio do jansenismo” se “espalhou por toda parte” –, com o decreto Quam singulari regulou a admissão das crianças à confissão e à comunhão.       Esse mesmo importante documento foi objeto de atenção do cardeal Darío Castrillón Hoyos, então prefeito da Congregação para o Clero, em 2005, por ocasião do Ano da Eucaristia. Numa carta enviada a todos os sacerdotes, o cardeal explicava: “Não são poucos os que, ao lado de São Pio X, estão convictos de que essa prática de levar as crianças a terem acesso à primeira comunhão a partir da idade de sete anos trouxe à Igreja grandes graças. Não nos devemos esquecer, além de tudo, de que na Igreja primitiva o sacramento da eucaristia era administrado aos recém-nascidos, logo depois do batismo, sob a espécie de poucas gotas de vinho. Permitir que as crianças possam receber Jesus eucarístico o mais cedo possível foi, por muitos séculos, um dos pontos firmes da pastoral para os menores na Igreja, costume restaurado por São Pio X em sua época, e louvado por seus sucessores” (cf. 30Dias, nº 1/2, 2005, pp. 16-18).       A tendência hoje comum a adiar a admissão à primeira confissão, à crisma e à primeira comunhão talvez constitua o indício mais grave da ainda extensa e ativa presença da heresia de Pelágio, “que tem hoje muito mais seguidores do que pode parecer à primeira vista”, como observou em 1990 o então cardeal Ratzinger no Meeting de Rímini. De fato, o pensamento pelagiano induz a considerar os sacramentos como um prêmio que deve ser concedido a quem tiver realizado um longo percurso de tomada de consciência. Esta é a essência do pelagianismo: conceber a graça como tomada de consciência da verdade e negar o proprium da graça, ou seja, a atração da caridade. O próprio Agostinho, no De gratia Christi et de peccato originali, observa como Pelágio reconhece o dom menor, o ensinamento, o exemplo a seguir para tomar consciência, mas nega o maior, o dom da inspiratio dilectionis, a atração da caridade. Era justamente para essa tendência que alertava o papa Bento XVI, quando, em 2006, lembrava aos sacerdotes da diocese de Albano que “não devemos transformar a crisma numa espécie de ‘pelagianismo’”.       Antecipar o máximo possível a idade para a admissão das crianças pequenas à primeira comunhão, e, por conseguinte, aos outros sacramentos, pode ser, de um lado, a reafirmação do primado da graça; e, por outro lado, pode evitar que os pais e as crianças percebam como um pedágio os longos anos de catequese preparatória. Diante da quantidade cada vez maior de adolescentes que se afastam da prática cristã, não seria melhor confiar mais na graça que nos meios humanos? E não seria também melhor esperar que, mesmo que se afastem – o filho mais jovem da parábola evangélica também se afastou –, a memória dos sacramentos continue neles como uma coisa boa, e não como um esforço cansativo semelhante ao pagamento de um pedágio? Na memória do jovem da parábola, a casa do pai, ainda que distante, continuava a ser um lugar bom, ao qual de alguma forma sempre poderia voltar.       As palavras de Santo Agostinho podem reconfortar essa esperança: “Quacumque in parvulis sanctis Ecclesia Christi diffunditur / Por toda parte, a Igreja de Cristo se difunde graças a crianças santas” (Enarrationes in psalmos 112, 2). “


( Imagem: Beata Imelda lambertini, padroeira das crianças de I Comunhão )

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Imelda Lambertini nasceu na cidade de Bolonha, Itália, no ano de 1322, num ambiente de muita fé e piedade. Desde tenra idade, assimilou com especial afeição a primorosa educação recebida. Seu amor a Deus, sua conduta incomum no dia a dia chamava muito a atenção dos pais. Era de fato, uma menina muito especial.Os jogos infantis não lhe agradavam como a oração. Costumava esconder-se nos locais mas ocultos da casa para aplicar-se a ela. Sua mãe, sempre a encontrava ajoelhada e rezando, quando sentia falta da filha em casa.
Ao completar 9 anos de idade a menina pede insistentemente para ingressar no Convento das Irmãs dominicanas, porém, a Madre superiora de todas as formas tentou persuadi-la a esperar, pois que a idade ainda não permitia que fosse admitida entre as irmãs do convento.
Como a insitência de Imelda tornou-se constante, a Madre, que conhecia seus pais, indagou se não estava feliz por ter pais maravilhosos e boas condições de vida em casa, tendo ela prontamente respondido que estava sim, muito feliz, que amava sua família, mas que as irmãs tinham algo a mais que lhe atraía muito: “Nosso Senhor“.
Era a devoção à Santíssima Eucaristia que verdadeiramente lhe encantava e lhe enchia a alma de amor e devoção. Finalmente, a Madre chamou seus pais e lhes pediu permissão para que Imelda fosse admitida, pelo menos à título de experiência, já que o desejo ardente de ingressar no convento era já notório também para seus pais. Apesar de entristecidos, percebiam que Deus reservara algo de extraordinário para a pequena filha. Por isso, acabaram aceitando a proposta da Reverenda e consagraram-na a Deus.
Consumado seu ingresso, tudo lhe era motivo de encanto, os momentos de oração, o hábito das Irmãs, o silêncio. Era muito amada por elas que tentavam privá-la dos serviços e da rigidez da regra, mas nada adiantava, pois queria acompanhar as irmãs em tudo, participando plenamente e auxiliando nos trabalhos monásticos no convento. A Madre pedia que não a acordassem durante as orações noturnas, mas Imelda levantava-se no meio da noite e percorria os grandes salões do convento, caminhando e rezando silenciosamente as matinas.
A visita ao Tabernáculo fazia sua alma transbordar de alegria. Só a pronúncia de qualquer assunto relacionado a Eucaristia, fazia com que seu rosto se transfigurasse instantaneamente.
Ela desejava ardentemente receber a Santa Comunhão. Nessa época, as crianças não podiam receber a Primeira Comunhão com idade inferior a12 anos. Tal qual sua insistência para ingressar no convento, Imelda pede a graça de receber Jesus, mesmo que não tivesse completado a idade. Pedia isso com fervor tão intenso, que as irmãs comoviam-se pelo desejo que a pequenina nutria em receber o Senhor na Eucaristia. Mas isto ainda não lhe era possível, conforme as normas da Igreja.
Assim, aceitou com resignação os argumentos das Irmãs. Porém, à medida que o tempo passava, crescia mais e mais nela o desejo de receber Jesus Sacramentado. No ano de 1333, tinha ela completado 11 anos de idade quando, depois da Santa Missa, a última freira que saiu da capela observou que a pequena Imelda, como de costume, lá permaneceu sozinha rezando mais um pouco. Só que desta vez, a freira percebeu algo extraordinário:
uma Hóstia flutuava acima dela e lhe projetava uma luz branca. Rapidamente esta irmã chamou as outras monjas e todas prostraram-se diante deste milagre. A Madre, constatando que tratava-se de manifestação real de Deus para que a menina recebesse a Primeira Comunhão, chamou o pároco. Ao chegar com a patena de ouro nas mãos, o padre admirado, dirigiu-se até à Hóstia. Assim que aproximou-se da menina ajoelhada, a Hóstia pousou sobre a patena!. Assim foi-lhe administrada a Primeira Comunhão. Em seguida, vagarosamente Imelda baixou a cabeça em oração.
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Imelda permaneceu assim, diante das irmãs por um tempo demasiadamente longo. Isto fez com que a Madre fosse até ela, que a nada respondia. Tentando levantá-la cuidadosamente pelos ombros, a menina caiu em seus braços, trazendo no rosto uma expressão delicada, de inexplicável alegria. Havia partido para o Céu naquele sublime momento. A alegria de receber Nosso Senhor foi demais para o pequeno coração que ardia pela presença real de Cristo na Eucaristia. Certa vez, Imelda já havia dito às Irmãs: “Eu não sei porque as pessoas que recebem Nosso Senhor não morrem de alegria“.
A pequena Imelda Lambertini foi beatificada em 1826 pelo Papa Leão XII, e foi proclamada Patrona das Primeiras Comunhões em 1910 pelo Papa São Pio X. Foi neste ano que foi declarado que as crianças menores de 12 anos poderiam receber a Primeira Comunhão.
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Até hoje, seu pequeno corpo se encontra intacto, depois de mais de 670 anos, numa redoma de cristal, na Igreja de São Sigismondo, em Bolonha.


CARDEAL VALLINI DENUNCIA PERSEGUIÇÃO “SUTIL E SILENCIOSA”


Na homilia da tradicional missa pela França em São João de Latrão
ROMA, quinta-feira, 16 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – “Existe outra forma de perseguição”, que é “sutil e silenciosa, mas não menos grave, nas nações de longa tradição cristã, que hoje parecem querer esquecer suas raízes”.
O vigário do Papa para Roma, cardeal Agostino Vallini, fez essa afirmação durante a celebração da missa anual pela França, no dia 13 de dezembro, na catedral do Papa, a basílica de São João de Latrão, em Roma.
“O mundo de hoje precisa de cristãos que professem sua fé com valentia e que, também nas dificuldades, permaneçam fiéis a Cristo, reconheçam-no e o mostrem aos homens de nosso tempo como único Salvador”, disse.
O purpurado começou sua homilia destacando que a história da comunidade cristã, desde o início, esteve marcada pela perseguição.
Depois ele recordou que “ainda hoje, em diferentes partes do mundo, os discípulos de Jesus são objeto de vexações e cruéis violências” e se referiu a “nossos irmãos que, nos últimos meses, têm sofrido no Oriente Médio e em alguns países da Ásia”.
Dom Vallini chamou a atenção para outra forma de perseguição, que se dá em países cristãos, onde a fé está “cada vez mais marginalizada e reduzida a um ato privado”.
Nesses lugares – de acordo com o prelado – a fé não poderia ter nenhuma influência pública e, portanto, não deveria oferecer sua contribuição para a construção de uma sociedade autenticamente humana, em que o homem, cada homem, fosse reconhecido pelo que é, e não pelo que tem, com base em sua dignidade.
“O individualismo crescente e a busca do bem-estar pessoal ou nacional são o sintoma mais evidente disso”, lamentou.
Palavra de Deus
O cardeal Vallini propôs a Palavra de Deus e os mártires como “uma luz” e “um dom precioso colocado perante nós para que encontremos a força e a valentia de viver como discípulos de Cristo”.
“A meditação da Sagrada Escritura, através da prática da lectio divina, encontra-se na base de toda existência que queira ser autenticamente cristã”, afirmou.
Em seguida, ele se referiu aos santos Bernardo de Claravall, Francisco de Sales e Teresa de Lisieux como “exemplos luminosos de homens e mulheres” dedicados na França à leitura orante da Palavra de Deus.
O cardeal afirmou a necessidade de se aderir sempre a Jesus Cristo e não se deixar intimidar pelas ideologias contemporâneas que pretendem ter autoridade sobre a vida do homem.
“A verdadeira liberdade é estar unido a Cristo, e a felicidade, para o homem, consiste em doar-se a si mesmo, imitando o divino Mestre”, afirmou.
A missa pro natione gallica se celebra todo ano em São João de Latrão, no dia do aniversário do rei Henrique IV, que fez esta exigência ao realizar uma doação generosa ao Capítulo de Latrão, em 1604.
Este rei tinha herdado um reino fortemente dividido entre católicos e protestantes. Ao se converter ao catolicismo, adotou uma legislação que concedeu aos protestantes uma importante liberdade religiosa (Edito de Nantes, 1598), o que permitiu pacificar o reino.

NO NATAL, PAPA VAI AOS POBRES E CRIANÇAS DOENTES



Distribuirá presentes a pacientes do hopital Gemelli

ROMA, quarta-feira, 15 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – Bento XVI tomou a iniciativa neste ano de partilhar alguns momentos das festas de Natal com pessoas necessitadas da diocese de Roma.
No domingo 26 de dezembro, o Papa oferecerá, no Átrio da Sala Paulo VI, uma refeição às pessoas assistidas nas diversas comunidades romanas das Missionárias da Caridade.
Esta iniciativa tem por objetivo comemorar o centenário do nascimento de Madre Teresa de Calcutá.
No dia 5 de janeiro, às cinco da tarde, vigília da Epifania, o Papa tem previsto visitar crianças internadas na pediatria do hospital Gemelli e ajudar a distribuir-lhes presentes de reis Magos.
Nessa visita, ele tem previsto também abençoar um Centro especializado na atenção de crianças com espinha bífida.

WIKILEAKS REVELA OPINIÕES DE FUNCIONÁRIOS AMERICANOS SOBRE O VATICANO


Reação da Santa Sé ante a falta de elementos informativos concretos

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 13 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – A Santa Sé considerou que os documentos enviados ao Departamento de Estado dos EUA pela embaixada desse país na Santa Sé, revelados por WikiLeaks, não são mais que opiniões de seus redatores.
Um comunicado emitido no sábado pela Sala de Imprensa da Santa Sé aborda o tema da divulgação dos documentos secretos por WikiLeaks 
“Naturalmente tais informações refletem as percepções e as opiniões dos que as redigiram, e não podem ser consideradas expressão da própria Santa Sé, nem citações precisas das palavras de seus oficiais.”
Portanto, sua credibilidade “deve ser avaliada com reserva e com muita prudência, tendo em conta essa circunstância”, afirma o comunicado vaticano.
Se bem que expoentes de WikiLeaks tivessem anunciado em dias anteriores importantes revelações dos documentos diplomáticos norte-americanos sobre o Papa e o Vaticano, as filtrações não trazem informações novas.
As correspondências apresentam a visão da Igreja e da Santa Sé dos diplomatas norte-americanos, em particular da senhora Julieta Valls Noyes, que durante um tempo foi chefe interina da missão diplomática nessa embaixada. 
Entre as “revelações” de WikiLeaks destacam-se a sensibilidade ecológica de Bento XVI ou a consideração de que o Vaticano é um Estado pouco moderno, hierárquico, no qual faltam “vozes dissidentes”.
Afirma-se que o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, é um “homem do sim” a serviço do Papa, comentário que, segundo ZENIT apurou nesse domingo em círculos vaticanos, alegrou o próprio Bertone, que considera sua missão precisamente de colaboração e obediência ao Santo Padre.
“Bertone tem um estilo pastoral que o leva frequentemente fora de Roma, a ir pelo mundo, a ocupar-se de problemas espirituais antes que da política exterior e da gestão”, afirma a diplomata norte-americana.
“No Vaticano, o Papa é o responsável último por todas as decisões importantes”, ainda que costume delegar para “aqueles que mais sabem ou melhor informados estão sobre cada matéria particular”, escreve a senhora Valls Noyes em um informe a Washington.
As correspondências insistem nas crises comunicativas que o Vaticano viveu nos últimos tempos e asseguram que as novas tecnologias, em particular os telefones de nova geração, não são muito utilizados entre a Cúria Romana.
Adverte-se que o Papa manifestou no passado perplexidade perante a entrada da Turquia na Europa, e se sublinham as difíceis relações entre o Vaticano e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Só uma das correspondências não repete tópicos publicados pela imprensa ocidental: no Vaticano, segundo os oficiais norte-americanos, não se fala muito inglês, motivo pelo qual a Cúria Romana não estaria à altura da situação.
L’Osservatore Romano, em sua edição de 12 de dezembro, não fez referência a estas revelações de WikiLeaks. Em sua edição de 4 de dezembro atribuía a publicação dos documentos a um objetivo: “alimentar um cenário que ponha sob pressão as relações diplomáticas entre países”.
“Segundo alguns observadores, dos documentos filtrados por WikiLeaks saem elementos orientados a influenciar em suas dinâmicas no panorama político internacional, ainda que não pareça que este objetivo seja facilmente alcançável. Ao menos até que os documentos em questão fiquem em rumores entre os líderes mundiais”, concluía o jornal vaticano.
Por sua parte, o embaixador dos EUA na Santa Sé, Miguel Humberto Díaz, divulgou no sábado uma nota em que condena “energicamente” a divulgação das correspondências.
“Sem comentar o conteúdo ou a autenticidade de tal informação”, o embaixador norte-americano na Santa Sé, de origem cubana, assegura que sua embaixada “participa com o Vaticano dos esforços para impulsionar o diálogo inter-religioso de forma ativa, pelo bem comum”.
(Jesús Colina)

DISPOSIÇÕES SOBRE A PESSOA DO FUNDADOR DA LEGIÃO DE CRISTO



Congregação formaliza diretrizes sobre a figura do padre Maciel

ROMA, terça-feira, 14 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – O padre Álvaro Corcuera, L.C., diretor geral dos Legionários de Cristo e do Regnum Christi, depois de receber a autorização do cardeal Velasio De Paolis, delegado pontifício da Legião de Cristo, normatizou alguns aspectos em relação à figura do padre Marcial Maciel.
“O decreto, promulgado com data de 6 de dezembro, é fruto de numerosas considerações e sugestões e do sucessivo intercâmbio entre os superiores maiores da congregação”, explica nessa segunda-feira um comunicado emitido pela congregação.
O documento, que “formaliza, a grandes traços, o que em boa parte na prática já se tinha estabelecido ultimamente”, estabelece que “nos escritos institucionais, o modo de referir-se ao Pe. Maciel será ‘fundador da Legião de Cristo e do Regnum Christi’ ou simplesmente ‘Pe. Maciel’”. No passado, o fundador recebi com frequência o apelido de “Nuestro Padre”.
“Confirma-se a disposição que as casas da legião e do Regnum Christi não podem ser colocadas fotografias do fundador onde se encontre sozinho ou com o Papa.”
Segundo a nova normativa, “as datas relativas à sua pessoa (nascimento, batismo, onomástico e ordenação sacerdotal) não se festejam. O aniversário da sua morte, 30 de janeiro, será um dia dedicado especialmente à oração”.
“Os escritos pessoais do fundador e suas conferências não estarão à venda nas editoras ou nos centros e obras da Congregação”, acrescenta o documento.
“Na cripta do cemitério de Cotija onde descansam os restos mortais da família Maciel Degollado, do Pe. Maciel e de outros legionários de Cristo e membros consagrados do Movimento, se dará o valor que tem toda sepultura cristã como lugar de oração pelo eterno descanso dos defuntos.”
“Os centros de retiro em Cotija continuarão oferecendo os mesmos serviços que têm até o presente, mas se estabelecerá ali um lugar para a oração, reparação e expiação”, indica.
O comunicado da congregação esclarece que “ao introduzir estas disposições institucionais, o texto indica que os superiores, diretores e diretoras devem proceder ‘de acordo com os critérios deste decreto também para todas as questões que não se tratam explicitamente nele, tendo em conta a percepção da sua comunidade ou equipe’”.
“Além disso, respeitando a liberdade pessoal dos legionários de Cristo e membros consagrados do Regnum Christi, as normas estabelecidas deixam espaço para que aquele que desejar possa conservar de maneira privada alguma fotografia do fundador, ler os seus escritos ou escutar suas conferências. Do mesmo modo nada obsta que o conteúdo destes escritos possa ser usado na pregação”, continua indicando a congregação religiosa.
“Ao transmitir o decreto, o Pe. Álvaro Corcuera manifestou a sua firme esperança que esta postura institucional ajudará todos os legionários e membros do movimento Regnum Christi a centrarem-se na pessoa de Cristo e a continuarem muito unidos na caridade”, conclui o comunicado.